domingo, maio 10, 2020

Para este domingo

Um video e um pedaço de um texto-epílogo que me caíram na secretária, mesmo a propósito deste domingo!
Que transcrevo para 
não dizer nada


e para 
repousar os sentidos do que vêem e ouvem, cansado de olhar para trás sempre movido pelo infrene desejo de seguir em frente, de ajudar à construção da realidade imaginada:


".... o olhar para trás, visão globalizante e escatológica, o excesso de realidades imaginadas, promovem interpretações super reais, surrealistas.
   Não quer dizer, antes pelo contrário, que o valor histórico e artístico se perca, e que não sirvam para explicar tanta coisa. Para tanto, aqui há validade de argumentos, propostas válidas. Não podem é ser escamoteados, escondidos, ignorados. O que dizer sobre isto tudo? talvez mais nada, é deixar estar, porque uma resposta virá." 
GMR

sábado, maio 09, 2020

Faz alguma diferença ser a 8 ou a 9 de Maio? Ah!, pois faz...

Já noutros anos, por estas datas, questionei o porquê se teria corrigido (?) o que aprendera na escola primária.
Seria de desistir ao ter-se adoptado nas Nações Unidas a data de 9 de Maio para o dia da "libertação da Europa do nazismo""agora tremulam as bandeiras da liberdade sobre toda a Europa", como sublinhou Truman, presidente dos Estados Unidos, a 8 de Maio?, já com esta bandeira defraudada na capital da Alemanha que perdera a guerra, como o ilustra o artigo do embaixador da Rússia em Portugal, no Público de hoje:




Serei teimoso, mas o caso, quanto a mim, agravou-se por se ter juntado à efeméride a designação de "dia da União Europeia" para o dia 9 de Maio, e consequentemente apagado o 8 de Maio, a bandeira, a União Soviética.
Asssim se faz a História!
E, muito pior é que pulula um anti-sovietismo com sintomas de obsessão embora não seja mais que manifestação de deliberada (embora escondida) participação na luta de classes (que, aliás, se pretende negar).
Prova disso, dessa militante sovietofobia, é artigo em que tropecei, publicado duas páginas antes do texto de embaixador da Rússia, da autoria de Francisco Assis. É um textinho em que o autor falsifica a História e usa linguagem inqualificável... pois qualifica como "obscenas" e "repulsivas" considerações com que não concorda, trata como "imbecis" e "idiotas úteis" quem dele diverge, etiqueta outros de "simplórios guardiões" e de "burocratas infames", não titubeia ao considerar que "o elogio do marxismo-leninismo" (aliás estatutário de um partido político do nosso espectro constitucional) "constitui cumplicidade com uma das mais monstruosas manifestações históricas da dimensão trágica do Homem" (shakespeariano!), cataloga o 1º de Maio na Alameda como "sinistra  coreografia", e acaba com o mimo de chamar a Jerónimo de Sousa "diácono nacional"  de uma "igreja marxista-leninista"
E em apoteose considera que celebrar Lenine é celebrar tudo o que antes, em curto texto, descreve e insulta dantesca ou boschianamente.

Neste estado de psicose sovietofóbica, é mesmo de aconselhar ida de urgência a psiquiatra. 

   



9 de Maio - há 13 anos publiquei, aqui, isto:

terça-feira, maio 08, 2007


8 de Maio - Dia da Vitória, da Europa, da Paz

Habituei-me, desde a escola primária, a celebrar o dia 8 de Maio como o Dia da Paz, ou da Europa, ou da Vitória. Por isso me custa ver ignorada a data referida ao ano de 1945.
Tanto assim que procurei no "aparelho de busca" que julgo mais eficaz as notações sobre a data. Fiquei perplexo. Havendo quase 5 milhões de notações sobre 8 de Maio (santo do dia: S. Vitor e dia do anjo Daniel...), procurei em 30 páginas, até às 300 notações e apenas numa, da Deutsche Welle, agência noticiosa alemã, encontrei algo que tinha a ver com o que procurava e que valia a busca. E tanto que transcrevo o início do artigo:
«Data da capitulação alemã, o dia 8 de maio de 1945 é de fundamental importância para a História mundial. Pesquisadores a comparam com a Reforma Protestante e a Revolução Francesa». Durante longo tempo, sua importância para a Alemanha do pós-guerra foi um tema controvertido. Nos últimos 20 anos, o questionamento sobre "libertação ou derrota dos alemães" foi substituído pela comercialização da memória da guerra e do Holocausto.

"Agora tremulam as bandeiras da liberdade sobre toda a Europa", anunciou o então presidente norte-americano Harry Truman, num pronunciamento transmitido pelo rádio no dia 8 de maio de 1945, após a capitulação incondicional dos alemães. A data marcou o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa"O mundo agora está livre do ditador Adolf Hitler", acrescentou Truman.
_______________________________________
Se isto não dá que pensar é porque talvez já tenhamos perdido essa capacidade humana que nos têm vindo a amputar aos poucos, hora a hora, dia a dia, jornal a jornal, notícia a notícia, informação a informação (dada ou escamoteada).

___________________________________________________________________________________________
.... e mais coisas
que, talvez..., 
mais logo...,
acrescente!

PE - O que seria necessário!

 - Edição Nº2423  -  7-5-2020

As propostas necessárias

Na última sessão plenária do Parlamento Europeu (PE) foram votados um conjunto de propostas da Comissão Europeia para “responder” ao surto epidémico. Estas propostas foram alvo de discussão prévia nas comissões parlamentares e no Conselho Europeu, numa concertação de bastidores profundamente alinhada pelo diapasão do Conselho para chegar a acordos quanto a mudanças nas propostas toleradas (imagine-se!) pela Comissão Europeia. Se é verdade que daí resultaram algumas melhorias, potencialmente importantes para alargar os apoios a diferentes setores, não é menos rigoroso dizer que os limites dessa mudança estavam previamente estabelecidos e que permaneceram no espartilho da resposta insuficiente que vimos denunciando. E desses limites resultou, latente, uma espécie de colete de forças que resultou na prática em pressões para condicionar a intervenção do PE e dos deputados de diversos países, afirmando uma demagógica e alegada «imperativa» «urgência» nos procedimentos, ante a «excepcionalidade» da situação, sob pena de atrasar o acesso dos apoios aos variados sectores.
Ora a excepcionalidade da situação deveria determinar, como o PCP tem vindo a propor, respostas verdadeiramente excepcionais que estão por dar. E deveria determinar que, não seria pela apresentação de propostas de maior alcance no PE, que daí resultaria qualquer atraso na aplicação de medidas porquanto a sua aprovação espelharia uma correlação de forças no Conselho que possibilitaria a sua rápida adopção e implementação (houvesse vontade política!). Mas não. Em verdade o que essa alegada urgência verdadeiramente mascara é a falta de vontade política em ir mais longe e implementar respostas adequadas aos impactos económicos e sociais da COVID-19.
Foi nesse contexto, e contrariando esse quadro de chantagens, que os deputados do PCP no Parlamento Europeu apresentaram propostas, lamentavelmente rejeitadas pela maioria no PE, que visam salvaguardar os interesses do povo e do País (pois é com o povo e o País e só com eles que estão comprometidos): 1) aos Fundos estruturais e de investimento europeus, exigindo algo tão fácil de compreender como o aumento substancial das verbas orçamentadas, retirando-lhes condicionalidades de qualquer tipo para que os Estados possam disponibilizar mais recursos para a coesão económica e social, a par de medidas de apoio para impedir perdas de rendimento dos trabalhadores e das famílias; 2) ao Fundo Europeu dos Assuntos Marítimos e das Pescas, aumentando os recursos do fundo, e permitindo a flexibilização total do seu uso por parte dos Estados eliminando a taxa de cofinanciamento que lhes assiste, para o apoio do sector da pesca, a par da criação de um fundo de garantia salarial e de um sistema de preços mínimos de primeira venda, para fazer face a dificuldades com que o sector se confronta; 3) o aumento substancial das verbas do Fundo de Auxílio Europeu às Pessoas mais Carenciadas e a possibilidade (que agora não está prevista) de que o fundo possa financiar infra-estruturas de apoio.

João Pimenta Lopes

____________________________________________
No que se insiste!
livro (e estratégia)
de 1974

Venezuela, invsões (rustradas), Guaidós e Rambos


Ao ver este post de Cid Simões


QUINTA-FEIRA, 7 DE MAIO DE 2020
Os Rambos do Guaidó
Invasores de Venezuela.
O triste retrato de um governo invertebrado que face a tanta evidência continua apoiando a marioneta de Trump pela mão sebenta de Augusto Santos Silva.
A provocação ignóbil da TAP, o navio com bandeira portuguesa, o dinheiro roubado ao governo venezuelano e o apoio dado ao homem da CIA pelo governo PS, atingiu limites nunca pensados.

lembrei um episódio insólito da minha “vida” no Parlamento Europeu. 
E de tanta coisa nessa tarefa… 

Andava nas andanças da criação da moeda única, a surfar a onda, maior que as tão decantadas da Nazaré. 
Com a sobrecarga de questor, fazendo por isso parte da direção do PE, conhecia as entranhas da instância comunitária. Mas também convivia, e intimamente, com fragilidades e ambiguidades na nossa própria trincheira, desde a desilusão (por que não dizer desgosto?) provocada pelo Herzog, que fora meu mestre e modelo, ao descobrir que não o merecera ter sido, a outras ainda mais próximas, todas derivadas de uma então incompreensível (por mim!) demissão (ou vazio) ideológico. 

O livro de Viviane Forrester, L’horreur économique, foi lido com a contraditória sofreguidão do prazer de acerbo espinho. 
Da apresentação pela editora Fayard: 

«Nous vivons au sein d'un leurre magistral, d'un monde disparu que des politiques artificielles prétendent perpétuer. Nos concepts du travail et par là du chômage, autour desquels la politique se joue (ou prétend se jouer) n'ont plus de substance: des millions de vies sont ravagés, des destins sont anéantis par cet anachronisme. L'imposture générale continue d'imposer les systèmes d'une société périmée afin que passe inaperçue une nouvelle forme de civilisation qui déjà pointe, où seul un très faible pourcentage de la population terrestre trouvera des fonctions. L'extinction du travail passe pour une simple éclipse alors que, pour la première fois dans l'Histoire, l'ensemble des êtres humains est de moins en moins nécessaire au petit nombre qui façonne l'économie et détient le pouvoir. Nous découvrons qu'au-delà de l'exploitation des hommes, il y avait pire, et que, devant le fait de n'être plus même exploitable, la foule des hommes tenus pour superflus peut trembler, et chaque homme dans cette foule. De l'exploitation à l'exclusion, de l'exclusion à l'élimination...? 
(…) 
Não subscreveria, evidentemente, este texto. Que acho ideologicamente frouxo e, até, pobre. 
Qual o conceito de trabalho?, onde está a origem da exploração?, a exclusão não é uma forma de manter as relações sociais de exploração?, e a eliminação não é uma maneira dos exploradores se desembaraçarem dos que não podem ser explorados? 
O horror económico resulta das contradições inerentes à exploração e ao trágico desespero na luta (de classes) pela sua sobrevivência, do que a lucidez (ou consciência) de Keynes se aproximou… embora mantendo-se contaminado e receitando mezinhas. 
A imagem clínica pode servir… 
Na verdade, o médico pode detectar, por si e com o apoio de auxiliares de diagnóstico, o estado sanitário do paciente, mas não chegar ao ser humano que este é, e às causas da doença de que arrolou os sintomas. 
A imagem ajudará porque, lido com algum entusiasmo o livro - a que a apresentação da editora é fiel - a descrição da sintomatologia é viva e clarificadora do que justifica o título. E embora não coincida com a sua posição ideológica – se é que a tem –, dele me servi para citações que considerei oportunas em intervenções nos plenários e nas comissões em que se avançava com a dita criação da moeda única e de que fazia parte. 
O que, numa redutora avaliação não teria importância alguma. De certo modo, sentia-me a fazer o papel de uma espécie de grilo falante para que não havia Pinóquio que prestasse atenção, enquanto o seu nariz ia crescendo desmesuradamente sem que os espelhos lhe devolvessem as imagens reais, e sobretudo as que viriam a ser a realidade. 

Claro que a virtude do diagnóstico é sempre inferior à da autópsia e, neste caso, se o que fazia era diagnosticar, a justeza deste não era minha mas do colectivo que queria representar. 
Limitava-me a procurar que o meu cri-cri ficasse nas actas e documentos e justificasse a votação (logo anatematizada!), com o desejo bem mais fundo de que chegasse – então e no futuro, e no futuro do futuro – a quem tem na verdade o poder de decidir. Sendo certo que esse poder está ausente dos seus detentores, sujeitos a uma informação enganadora, manipuladora, que abafa (como e enquanto) todos os alertas e avisos, por mais persistentes e convincentes que sejam. Trata-se de uma questão de correlação de forças de classes sociais. Aparente e real.

Mas não é disso que hoje (ou agora) quero escrever. É da lembrança que me trouxe o post do Cid Simões. Que me fez voltar e sorrir. Embora sorriso amarelado… 
Foi o caso de, num plenário, em tom de alguma solenidade, ter feito referência ao livro de Viviane Forrester, e sublinhado a justeza do título, o horror económico, bem adequado ao tempo que então se vivia, e sobretudo aos tempos que viriam a dele resultar. Lembrando que a expressão era antiga e de grande valia cultural. Além de, num incurável e nem sempre (ou raramente) eficaz pendor pessoal - para não dizer mania..., citar Rimbaud, o autor original da expressão. 
Essa citação de um autor que, aparentemente, nada tinha a ver com o assunto e a ocasião, poderia servir para especulações literato-filosofantes sobre iluminações desse citado Rimbaud e sua localização temporal[1], referida a um período de grande interesse de debate e controvérsia intelectual. O que não estava, naquele local e oportunidade, nas minhas intenções. 
Mas não!, assim não aconteceu. Ño entanto, deu para, em documento informativo do Parlamento, ver a minha referência a Rimbaud ser substituída por referência ao Rambo, esse ícone da brutalidade no cinema estupidificante, decerto a partir da tradução em directo pelas cabinas de interpretação, e por via de uma aproximação fonética. 

A partir deste episódio posso vangloriar-me de, em intervenção no processo da criação do euro, ter citado Rambo. O Rambo que é modelo inspirador dos Guaidós deste mundo e das iniciativas empresariais a que recorrem. 
Que são, Guaidós e Rambos deste e de outros tempos, a ilustração do mercado e do empreendedorismo no sector económico das invasões de países e dos assassinatos, pessoais ou colectivos, por encomenda

Que horror! (e não só económico...) 
____________________________________________
[1] - por exemplo, como li algures num comentário, com Rimbaud como um visionário a prever, nessa sua iluminação de 1875, a Alemanha, a China, o turismo a aparecerem e a tomar conta do mundo …

sexta-feira, maio 08, 2020

Festa do avante!



NOTA DO GABINETE DE IMPRENSA DO PCP

A pedido de vários 

Órgãos de Comunicação Social 

sobre a Festa do «Avante!», 

o PCP esclarece:


A Festa do Avante! não é um simples festival de música, é uma grande realização político-cultural que se realiza desde 1976, muitos anos antes da existência daquele tipo de festivais.
Como se entenderá uma posição mais detalhada será tomada no conhecimento concreto da disposição legal que venha a ser adoptada.


terça-feira, maio 05, 2020

O 1º de Maio CGTP na Alameda dá que falar

do quase-diário:

05.05.2020

(...) 
Mas, hoje, ao longo do dia, o que me tem estado a ocupar é esta campanha desenfreada a pretexto do 1º de Maio da CGTP na Alameda.

&-----&-----&

É mesmo a luta de classes em todo o seu esplendor (quere-se dezer!…), de tal modo ficaram enraivecidos que nem se dão ao cuidado de disfarçar, como muitas vezes fazem, com a sua intrínseca hipocrisia.

&-----&-----&

E o que é grave é que, neste ambiente “estranho”, com esta força de campanha, encontram algum eco em quem, a meu juízo (que me estimo com ele em quantidade e estado suficientes), caiu na esparrela.

&-----&-----&

Há dois pormenores que me saltam para este diário.

&-----&-----&

Um, sobre o passado – que aliás não se esqueceram de lembrar com a unicidade e o Prec a acenarem como fantasmas consensualizados – e outro sobre o presente e as correntes, que sempre existiram em sindicatos por mais de classe que seja a sua orientação.

&-----&-----&

Quanto ao passado, já que puxam pela memória e expressões de que nem cuidam de considerar que há interpretações diferentes e bem mais fundamentadas que as suas versões, lembrar-se-ia uma expressão que diz tudo ou muito: quebrar a espinha à intersindical.
  
&-----&-----&

Para o processo contra-revolucionário em curso, isso era fundamental, impedir a unidade orgânica dos trabalhadores sindicalizados, para o que se constituiu o movimento da “carta aberta”, através de uma “unicidade” política entre Soares e Carluci e Soares, ultrapassando Sá Carneiro (ou Magalhães Mota ou Sá Borges) pela direita.

&-----&-----&

O facto é que depois destes quase 50 anos, e das enormíssimas dificuldades de um sindicalismo que efectivamente defenda os trabalhadores, a CGTP-Intersindical não tem a espinha partida.

&-----&-----&

E daí resulta que, no presente, consegue dar a prova de vitalidade que tanto estimula e, em contrapartida, tanto assusta.

&-----&-----&

E daí resulta, também, o facto incontroverso de, face à situação actual, a CGTP – que não é “correia de transmissão” de um partido, nem unicidade sindical de partidos políticos – reunir mais que uma corrente, pelo que debateu como celebrar o 1º de Maio e a maioria eleita em congresso ter tomado a iniciativa (e os riscos) do que aconteceu na Alameda.

&-----&-----&

Uma corrente, que se afirmou como tal, não teria estado de acordo, e distanciou-se da celebração, o que, como problema seu, anunciou sem que a maioria o tivesse denunciado.

&-----&-----&

E não teriam sido apenas os trabalhadores sindicalizados que, como direito cidadão seu, militam no PCP que compuseram essa maioria, nem foi nessa qualidade que o fizeram, condição que se espera não lhes venha a ser negada ou obrigada à clandestinidade.

&-----&-----&

Este o pormenor sobre que importa reflectir: no sindicalismo militam os trabalhadores de não importa qual opção política-partidária – católicos e de qualquer outra crença, ateus, mais ou menos à esquerda – na defesa dos seus interesses de trabalhadores, e têm uma vastíssima parcela das sua vidas em que coincidem nessa condição de trabalhadores… o resto é com cada cidadão de per si.

&-----&-----&

Por isso, todas as confusões que se fazem com datas que muito dizem aos portugueses são um embuste.

&-----&-----&

Em um parágrafo: o 1º de Maio é de todos os trabalhadores, e todos os trabalhadores católicos são trabalhadores, o 13 de Maio é dos cidadãos católicos, e nem todos os cidadãos portugueses são católicos.                                             

Dia Mundial da Língua Portuguesa


Dia Mundial da Língua Portuguesa




Fake you!


Perito da Casa Branca desmente Trump e Pompeo:
Não há provas de que o vírus tenha saído de um laboratório chinês
Por
 ZAP
 -
Yuri Gripas / EPA POOL
O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
A Organização Mundial de Saúde (OMS) e um dos principais peritos em doenças infecciosas da Casa Branca, Anthony Fauci, desmentiram o Presidente norte-americano e o seu secretário de Estado, afirmando que não existem provas que sustentem que o novo coronavírus foi criado num laboratório chinês.

Tanto o Presidente Donald Trump como o seu secretário de Estado Mike Pompeo alegaram já que o novo coronavírus, que causa a covid-19, foi criado num laboratório chinês.
Mike Pompeo afirmou no passado domingo que os Estados Unidos têm “imensas provas” de que o vírus teve origem em laboratório, não tendo, contudo, feito chegar estas alegadas evidências à Organização Mundial de Saúde (OMS), segundo revelou o coordenador de emergências da organização, Mike Ryan.
“Como qualquer organização baseada na evidência científica, estamos muito disponíveis para receber qualquer informação que dê a entender a origem do vírus (…) [será] um pedaço muito importante de informação de saúde pública para controlo futuro”, disse o responsável da OMS, citado pelo jornal Público.
“Se essa informação e provas estiverem disponíveis, cabe ao Governo norte-americano decidir como e quando as partilhar, mas é difícil para a OMS operar num vácuo de informação nesse aspeto”, rematou.
A OMS também já afirmou que esta afirmações obre meramente “especulativas“.
Também Anthony Fauci, perito da Casa Branca, considera que não existem bases científicas para se afirmar que o vírus é oriundo de um laboratório.
“Se olharmos para a evolução dos vírus nos morcegos, e o que existe agora, inclina-se de forma muito, muito contundente para que este [vírus] não possa ter sido artificialmente ou deliberadamente manipulado – pela forma como as mutações evoluíram naturalmente”, disse recentemente em entrevista à National Geographic.
Discórdia sobre a hidroxicloroquina
Esta não é a primeira vez que Trump e Fauci apresentam posições diferentes durante o combate à pandemia. O Presidente e o seu principal perito em doenças infecciosas divergiram publicamente, em direto na televisão, em março, sobre as capacidades eventuais da utilização de um medicamento para a malária no tratamento da covid-19.

Os jornalistas perguntaram aos dois homens, primeiro a Fauci, depois a Trump, se uma droga para a malária, a hidroxicloroquina, poderia ser utilizada para prevenir a covid-19.
Durante uma conferência de imprensa, na qual Fauci não esteve presente, Trump chamou a atenção para esta droga. No dia seguinte, quando foram à televisão, Fauci ouviu a pergunta do jornalista e foi direto ao assunto: “Não”, disse. “A resposta… é não”.
Ao comentar um ensaio mencionado pelo jornalista, Fauci disse: “A informação a que se está a referir especificamente é anedótica” (singular). “Não foi obtida de uma experiência clinicamente controlada, portanto, não se podem fazer declarações definitivas”.
Fauci é diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas e, em mais de 30 anos, já lidou com HIVSARSMERSEbola e agora o novo coronavírus.
Quando os dois homens saíam do palco, Trump disse que discordava da noção de que não há medicamentos mágicos para a doença do coronavírus. “Talvez (sim) e talvez não”, afirmou. “Talvez haja, talvez não haja. Temos de ver”.
A hidroxicloroquina e uma droga similar, a cloroquina, estão disponíveis e podem ser receitadas pelos médicos nos Estados Unidos. Estas drogas podem interferir com a capacidade de o coronavírus penetrar nas células e alguns cientistas já apontaram sinais potencialmente encorajadores em testes de laboratório e outros em pequena escala.
Mas outros cientistas estão céticos de que estas experiências se traduzam em benefícios para os doentes.


________________________________________

... e o "pessoal" a ouvê-lo repetidamente
... e, depois,  é-nos dado a ouver estas notícias?
.... e não se podia interditá-lo? 
ou seria atentar contra a liberdade de expressão? 

Ainda o 1º de Maio e a central sindical

Há uma frase batida e rebatida, até entrar na cabeça dos leitores, ouvintes e tele-ouvintes:
"afastam responsabilidades".
Mas responsabilidades de quê?
Havia uma disposição legal,
havia disposições regulamentares
e houve uma entidade RESPONSÁVEL que as cumpriu!
Mostrou capacidade, disciplina, força? 
Tenham paciência...

Que campanha mais vergonhosa (retiro por ser adjectivo mal-gasto) acintosamente irresponsável mas não inocente, 
indecente!

segunda-feira, maio 04, 2020

De antologia!

Não calarão este Primeiro de Maio


Como tanta vez me acontece, acabei por dar o braço à palmatória.
Quando ouvi falar que a Central Sindical iria assinalar o Primeiro de Maio na rua, pensei cá com os meus botões, é porque é legal mas para quê? Vai provocar um choro de indignações de populares, populistas, ressabiados, confinados e eu, temente ao vírus e prevenido, decidi: não vou! Não contem com o meu braço!
E, quando começaram a chover os argumentos contra, eu assenti: têm razão! Mas para quê?!...

Mas, quando a foto da alameda começou a repetir-se nos meus olhos como imagem histórica e me começou a tocar, quando os fachos se começaram a exaltar, os bispos da primeira república começaram a reclamar "aqui treze de maio!", quando os pivots de tv começaram a morder na CGTP, quando os carmelitas de ocasião levantaram o rabo do sofá e foram pôr "gosto" no facebook às mensagens reaccionárias , quando senti que quem se organiza assim pensou, muito antes de mim, as críticas a que se iria expor, desapertei os botões dos meus pensamentos, abri o peito e disse alto para comigo: isto também é comigo, batam aqui!

Mas este abrir de peito não é para os "chegas" assumidos e não assumidos que neste tempo pululam por aí, não é para os que sempre acharam que o Primeiro de Maio é só mais um feriado e está bem assim, não é para os que nunca puseram o corpo numa manifestação de classe, não é para aqueles que nunca vão ler isto ou  para os que ao segundo parágrafo desistiram - lá está este gajo com as coisas dele, de comunista! É para ti, que não sendo nenhum destes, que tens a consciência que vendes a tua força do trabalho todos os dias, que sabes que para viver tens de produzir, que sabes que a comida não nasce no hipermercado, que sentes que isto não pode continuar assim, é para ti!

A imagem que tanto te revolta, não te assustes, não é uma coreografia da Coreia, se a olhares bem, tem a tua força! A força de quem sabe que o futuro não pode ser suspenso, que temos de avançar, organizados, cumprindo regras. Somos trabalhadores, ninguém nos irá trazer a comida à porta, nenhuma "jonet" nos salvará, nenhum estado, por mais social que seja, nos poderá assistir por muito mais tempo.
A imagem que tanto te revolta, num tempo em que, sem dares por isso, te tiram direitos todos os dias, em que se estudam os argumentos para as inevitabilidades dos próximos tempos, tem também uma mensagem de classe: somos trabalhadores, estamos atentos, existimos, esta é a nossa voz.

Não te assustes, mais tarde ou mais cedo tens de te pôr ao carro e ao trabalho, cumpre as recomendações das autoridades, foi isso que os manifestantes do Primeiro de Maio fizeram. Que o façam também nos locais de trabalho, nos transportes públicos, na praia e no Treze de Maio.

E não te aventures, não faças do Ventura um Trumponaro!

(em o Rei dos Leittões)

Ideologia e hipocrisia


A hipocrisia desideologizante

A minha maneira de ser e de estar empurram os dedos para começar o escrito por teclarem, em itálico!, vamos lá a ver se nos entendemos. Mas as muitas décadas de experiência respondem não percas tempo! Não há entendimento possível com quem sofre de cegueira ideológica, nata ou adquirida, que hipocritamente mascara de bom senso desideologizado. Sim, porque ideologia, e cega, têm os outros! Esses… Nós.
O modo como a CGTP, em representação dos trabalhadores que nela se querem ver representados, agiu no Dia dos Trabalhadores (que capciosamente dizem do trabalho), foi ideológica. Ah!, pois foi. E foi, dentro da central sindical, a corrente democraticamente maioritária que decidiu que fosse assim, assumindo riscos e respeitando os outros. Todos.
Sabia-se, de antemão, que se corresse mal seria um enorme sarilho e que, se corresse bem – e correu excelentemente, ao que não se pode deixar de reconhecer… ou de esconder! – iria ser o pandemónio de acusações ideológicas. Como está a ser.
Chega encolher os ombros, e continuar com a força e a disciplina democrática que se tem e demonstrou? Não. Será também de, sem entrar em polémicas provocadas e provocatórias, não deixar que nos tomem por tolinhos, ideologizados… e cegos.
Antes de mais, ridicularizar… o que é ridículo. Como a expressão correia de transmissão do PCP. Se o PCP se quer,  estatutária e programaticamente, o partido da classe operária e de todos os trabalhadores não tem de apoiar as organizações com objectivos de defesa e e salvaguarda dos interesses económicos, culturais, de lazer, dos trabalhadores, e que não se submetem a valores e ditames que não são os da sua ideologia – do trabalho, das relações sociais, de classe?
Onde está a cegueira ideológica? Onde se diz que “Há setores da nossa sociedade que procuram no surto epidémico a justificação para o regresso ao passado, para a reintrodução do totalitarismo, de mordaças e do unanimismo como única forma de pensar e estar", ou onde se diz que afirmá-lo é cegueira ideológica?
É certo que a História não se repete, mas ensina. E ensina ao que leva a cegueira ideológica, a que não quer ver que há sectores da nossa sociedade à procura de pretextos e oportunidades para regressos indesejáveis. De que, aliás, só cegueiras ideológicas impedem de ver os evidentes sinais, que se lamentam piedosamente… e se espera que sejam punidos. Espera (sentada?) que as primeiras, maiores quando não únicas vítimas deverão, em nome da “paz social”…, inibir-se de denunciar, pôr de quarentena na sua luta quotidiana. E quotidianas são as agressões… e os abusos.
E assim, na senda da hipócrita ideologia desideologizante, abrem-se todos os armários de velharia, de toda a fancaria falsificadora da História: a unicidade sindical, o  PREC, e por aí fora, são espantalhos andrajosos, empalhados, a fazerem de… de quê?... de veículos para o que alguém se atreveu a dizer – logo com o anátema de prática ideologica (brrr!) – que estarão entre o que serve para “… a profusão a partir de agigantamento do medo, para lá do racional, da criação de um clima geral de intimidação social dirigido para e suportado na exacerbação do individual”. Exacerbação do individual? Isso existe lá agora!... e, a – eventualmente… – existirem alguns abusos nesse sentido, nunca seria de meter a ideologia nisso.
Pois é o que tem de ser feito. Para que se tome consciência de quais são os valores, os princípios, a coerência, e quem os pratica. E é urgente!

domingo, maio 03, 2020

Para este domingo - dia da mãe



Tenho o entranhado sentimento 
de ter nascido (e morrido...)
com a guerra civil de Espanha...
(talvez por culpa do Saramago
e do seu
O ano da morte de Ricardo Reis)

sábado, maio 02, 2020

No dia seguinte ao 1º de Maio


02.05.2020

Anoto, e sublinho – e tentarei divulgar –, a minha satisfação pela forma como a CGTP assinalou o 1º de Maio.

&-----&-----&

Foi inteligente, foi mobilizadora, foi firme, foi (e teve classe!).

&-----&-----&

Gostei de ver, no Público:

Era na página 20, mas pouco tempo poderia durar a satisfação… porque, na mesma página, o contraditório director tem um editorial inqualificável – e escrevo inqualificável não por estar em desacordo com ele, mas pelo tom auto-suficiente, sobranceiro, ofensivo e ao mesmo tempo vazio pois as palavras juntam ideias e frases feitas, usam ironia postiça, falsifica posições e afirmações.

&-----&-----&

O título é elucidativo





Dá vontade de dizer que arcaica é a tia dele…para não meter a mãezinha (coitada da senhora!) na conversa, porque não vale a pena argumentar perguntando onde é que alguém, da CGTP ou da classe de todos os trabalhadores, sugeriu que não é a catástrofe sanitária a origem dos problemas, ou que esta está n’“o dolo de um patronato facínora que esfrega as mãos com a oportunidade”?

&-----&-----&

É falso que há “um aproveitamento que alguns fazem do virus para acentuar a exploração”?

&-----&-----&

Aquele alguns dito pela Isabel Camarinha não é confirmado pelo que o próprio director do Público reconhece quando escreve que “houve abusos inaceitáveis e aproveitamentos que justificam o duro braço da lei”... alguns  abusaram , alguns estão a fazer aproveitamentos  inaceitáveis!

&-----&-----&

E enquanto o “duro braço da lei” demora a mexer-se, ou está paralítico, ou é travado, ou paralisado como tão bem se sabe fazer… as vítimas que aguentem, que se resignem, que lamentam ou peçam milagres para atenuar a “catástrofe sanitária”?

&-----&-----&

Não!, a CGTP soube dizer o não, firme e adequado, assim o soubessem mais, incluindo os que vêm … arcaísmos no comportamento dos outros por se lhes terem partido os espelhos!

sexta-feira, maio 01, 2020

1º de Maio 2020



Descarrila-mentes e dis-la-tes - 7 - neste dia, num molhinho

Não trazia a intenção de vir observar descarrila-mentes e dis-la-tes, mas eles começaram a entrar-me pelos olhos dentro. Não posso deixar de reagir:

1. "Hoje não é dia de trabalho, mas é o Dia do Trabalho"
FALSO!
Hoje é o DIA DO TRABALHADOR!
Dia de trabalho são, ou podem ser, todos os dias (estou a trabalhar!)

2. "A contestação à Guerra Colonial e ao regime fez Marcello Caetano deixar regressar a repressão, a censura..." 
MAS O QUE É ISTO?!... 
"... deixar regressar..."?! ... mas onde é que a repressão e a censura tinham ido?

3. "No ano em que se assinalam os 50 anos da apresentação na Assembleia Nacional do projeto da Lei de Imprensa, por Sá Carneiro e Pinto Balsemão, um conjunto de 130 registos de conversas é prova disso." 
COM TANTOS CENTENÁRIOS E MEIOS-CENTENÁRIOS PARA ASSINALAR 
E EVIDENTEMENTE EXCESSIVO (E MANIPULADOR) ESTE RELEVO 
E A SALIÊNCIA DESTES DOIS NOMES
A propósito, lembra-se debate na AN em 1959 e o debate em 1968, promovido e editado pela Prelo Editora em Novembro de 1968, com Francisco Pereira de Moura, Mário Neves, Rogério Ferreira e Salgado Zenha, publicado com o título O Estatuuto da Imprensa, em Cadernos de Hoje


Pronto!
Desabafei...
sem sair dos carris
da informação
e da História

No dia 1º de MAIO


  • Ângelo Alves





















































































... e o que vêm aí... ai?!!





Do lado certo da História

A realidade em evolução demonstra cada vez mais que o discurso do «estamos todos no mesmo barco» e de que «vamos todo ficar bem» ou é uma quase incompreensível ingenuidade desprovida de sentido do concreto, ou uma manipulação que tenta ocultar o facto de a COVID-19 ter vindo aprofundar ainda mais as desigualdades que marcam o mundo capitalista. Exemplos não faltam, cá dentro e lá fora.
Em Portugal entre 15 de Março e 28 de Abril, foram quase 75 mil os portugueses que solicitaram acesso ao subsídio de desemprego. Um milhão e 133 mil trabalhadores estão em situação de Lay-off. Segundo um estudo da DECO uma em cada 10 famílias viu, pelo menos, um dos elementos perder o trabalho. A diminuição dos rendimentos das famílias, associada à perda de emprego e à falta ou redução do trabalho, afecta quase 60% da população activa.
Ao olharmos para «fora de portas» no continente europeu a situação em países como França, Espanha, Itália e Reino Unido é similar, inclusive com situações mais dramáticas do ponto de vista social, proporcionais ao grau de desregulação das relações laborais e grau de privatização dos serviços públicos.
Se olharmos para os EUA a situação é de autêntica catástrofe social. No País que regista o maior número de mortes e casos confirmados de COVID-19 do Mundo estão esventradas as consequências de um sistema de total desregulação laboral e de um sistema de saúde privado que excluiu à partida milhões de pessoas. E a situação vai piorar ainda mais. Com o número de novos desempregados a chegar no final da semana aos 30 milhões, são já cerca de dez milhões os norte-americanos que perderam o seguro de saúde. Estima-se que possam chegar aos 35 milhões!
Entretanto, por lá, entre Março e Abril os multimilionários norte-americanos aumentaram a sua riqueza em 282 mil milhões. Por cá vemos a EDP a distribuir centenas de milhões de euros em dividendos e a poderosa Bosch a recorrer ao Lay-off. E agora digam lá se este não vai ser um dos mais importantes 1.º de Maio das nossas vidas. Lá estaremos, do lado certo da História.