quarta-feira, fevereiro 07, 2007

... mas logo logo

de repente, um cansaço


de repente, uma tristeza por estar assim o mundo
e serem assim algumas gentes


de repente, uma dor funda, cá de dentro


de repente, uma vontade de soltar umas obscenidades


de repente, um apelo à iconoclastia, a - quieto, quieto -
partir tudo com as minhas mãos - quietas, quietas


de repente, uma náusea ao ver papeis e mensagens
que vêm sujar a minha caixa de correio


de repente, uma indiferença perante o que alguns podem dizer
seja do que for

de repente, o desejo de emigrar para Pasárgada,
aqui no meio do amor e dos livros


mas...

de repente, um grito


e logo logo, uma sacudidela em mim e a continuação da vida,


isto é, da luta


da luta por uma vida diferente desta que nos apaga e consome

3 comentários:

Rosa dos Ventos disse...

Também eu gostaria de ir para Pasárgada, mesmo que o rei não quisesse ser meu amigo...
Abraço

Maria disse...

Que força acabas de me dar, mais uma vez...
Obrigada

Anónimo disse...

O hipócrita finge que chora, mostra-se abatido, depois parece ganhar fôlego, levanta-se e faz uma prelecção sobre o direito à vida.
A pseudo-poeta, reconfortada, enche o peito de ar e vai para o "lago dos cheiros".

Anticomunista Primário