domingo, maio 17, 2015

Reflexões lentas - acicatadas pela(os) matemática(os)

Foram dois dias a conviver com a matemática. Com os matemáticos, Malvistos. Tanto ela, a dita ciência, como eles, os matemáticos. Isto disse ele, o amigo matemático... Mas, acho eu, que não tão malvista como a economia - pobre dela - e os economistas - por culpa daqueles que por economistas se  fazem passar, e que não são mais que contabilistas (e maus!).
Dois dias e um mundo de re-flexões (insiste, insiste!) num ambiente caloroso e fraterno.
Eu tinha ido ao Porto, com a bengala do Avelãs Nunes, perguntar (e procurar responder) se a economia política era uma ciência. Eles - porcontrapartida ou vingança... - vieram do Porto, com a matemática em todos os seus poros e neurónios, defender a honra da sua dama, a matemática como ciência e não "aquela coisa dos números...".
Na primeira conversa-convívio, na Junta da freguesia da Piedade cedida à Universidade Sénior, foram 30 os presentes que ouviram Rogério Reis, e alguns puseram questões no final da exposição; a segunda conversa-convívio foi no Centro de Trabalho do PCP, sendo 13 os presentes e participantes (dos quais, 6 não eram membro do partido).

A "matéria" (de/para diálogo) não é fácil e, para quem tanto sabe dela, grande tem de ser o esforço para, num curto espaço de tempo, o tornar acessível e motivador de atenção e conversa. Mas a simpatia e comunicabilidade de Rogério Reis conseguiram ultrapassar muitos naturais pré-conceitos e muitas rejeições nascidas em deturpadas ideias feitas. Isto digo eu, e por mim falo (com o handicap positivo de ter tido "horas extras" na embalagem de algumas questões levantadas).
Guardo, como reflexões que ficaram para trabalho-para-casa, o longo prazo para que uma representação da realidade em abstracto se possa tornar ciência, depois técnica, depois aplicação, sempre no quadro de relações sociais e da forma como, na correlação de forças nessas relações, as aplicações são aproveitadas ao serviço dos intresses prevalecentes, ou predominantes,  e como se influenciam (estimulam ou condicionam) avanços da ciência e a pasagem a técnicas. Isto com particular expressão na matemática que, como abstracção (mas com base em representações da realidade, a que retorna), "fabricante" de "padrões" e "modelos" que têm a sua prova (de vida) na adequação do retorno à realidade (... estarei a escrever "leviandades"... mas é o que as reflexões estão a dar..).
Tudo num processo de apreensão, compreensão, acumulação constante e sortido, vencendo constrangimentos e obstáculos nascidos em certezas que o não são e em autoridades que a não têm (como a de as moscas terem 4 patas porque Aristóteles o disse...). Viagem fantástica pelo percurso do ser humano (ter-se-á alguma mosca perguntado quantas patas tem?... mas já outros seres animais se "põem questões" a partir de quantidades pares e impares).
Que maravilhosas estas viagens - com os pés na terra, e com vizinhos do nosso tempo a afogarem-se, assassinados por nós, como estamos, no Mediterrâneo) - pelo percurso dos seres humanos, com a necessária humildade de se reconhecer que o nosso conhecimento tem limites, que há perguntas que contém, em si mesmas, as não-respostas, e que poderão ser elas que, por via da dialéctica - não como opção ou escolha mas como dinãmica da realidade -, são o estímulo para os avanços rumo a um maior e melhor conhecimento, nunca total, ou totalizado e muito menos totalitário. 

Para mais, deixaram-me dois artigos, publicados na Gazeta da Matemática, de Matemática Recreativa... com uma ficção sherlokholmiana sobre sudokus!!!!

3 comentários:

Justine disse...

Bom resumo! E boas reflexões, com tantos caminhos abertos!

Isabel Lourenço disse...

Horas agradáveis,passadas a ouvir uns simpáticos matemáticos!

r. disse...

A frase (já muito gasta) "a beleza está nos olhos de quem a vê", é aquilo que as mais do simpáticas palavras do Sérgio me suscitam.

r.