terça-feira, julho 24, 2007

Extracto (adaptado) de uma espécie de diário

(...)

Da Constituição de 1976, uma das coisas que retive, eu que era – e sou – leigo e fui atento admirador de quem teve a tarefa de a redigir e aprovar, foi que, dada a existência de vínculos entre empregadores e trabalhadores, e havendo o pressuposto – dado o sistema em que se vivia … e vive – de, nesse vínculo, a parte mais frágil ser a que está na posição de “empregado”, se constitucionalizou que a essência das normas deveria proteger essa mais desfavorecida parte da relação contratual.

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Era, digamos, a “filosofia”.

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Entretanto, a vida correu, a recuperação de privilégios foi uma cavalgada, pouco a pouco, legislação do trabalho a legislação do trabalho, se veio desvalorizando e precarizando o vínculo, sempre em prejuízo dos trabalhadores, na fronteira ou nos limites consentidos por essa “filosofia constitucional”.

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Agora, os “patrões” das confederações patronais jogaram uma carta, uma carta forte, aproveitando o ambiente reformista (?) do poder político, deste governo: subverta-se, de vez, a Constituição e a sua “filosofia”.

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Sob a capa falaciosa de uma igualdade contratual (ou de que as partes do vínculo têm a mesma força), exige-se que se protejam os empregadores, que se permita que se tratem os trabalhadores – a sua força de trabalho – como uma mera mercadoria.

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Pior: que se faculte o despedimento da “mercadoria” pela justíssima causa de ter opiniões, opções político-partidárias, de tomar posições cívicas, de fazer greve, de se manifestar, de se sindicalizar (em certos sindicatos, claro…).

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Onde é que já se viu uma mercadoria pensar! "Reprima-se a mercadoria que pense!"

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"Mude-se a Constituição. Se for preciso…"

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Há constitucionalistas prontos para essa tarefa. Ou frete.

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E o sr. ministro do trabalho está a ver em que param as modas.

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Atento, venerador e obrigado.

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Tudo a bem da Nação!

No cavalo de pau com Sancho Pança - 43 (versão para anónimo do séc. xxi)

Por outras paragens continuo esta viagem. Por ela me perdendo e achando. Agora ando por onde Mestre Aquilino, no seu ensaio, nos vem contar das "controvérsias a quatro" que antecederam e acompanharam as aventuras do engenhoso fidalgo quando Alonso Quixano era ou a ele voltava para recuperar de tanta tareia que D. Quixote levava. Conversas com o bacharel (Sansão Carrasco), o barbeiro (Mestre Nicolau) e o cura (Pero Pérez). Controvérsias que assim contadas - sobretudo as que entretinham o cura e o bacharel, que o sempre futuro D. Quixote, "menos lido em teologia do que em novelística", coçava o toutiço que tantas voltas dava, e o barbeiro quase só ouvia - estariam bem em qualquer lugar (do livro) e em qualquer tempo (da história). Como neste estão.
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A Alonso Quixano preocupava-o sobretudo o problema do mal (...) Simão Carrasco, um dia, à puridade, com brusquidão formulou o terrível raciocínio: bem e mal em si não existem. Bem e mal são os termos em que se processa a luta pela vida. (...) Ter mesa farta, fêmea ou fêmeas para o gozo, a habitação que convém, vestir-se condicentemente com as estações, ser respeitado e temido, eis grosso modo os requisitos que na vida da espécie e, gradativamente, na do indivíduo, determinam os actos do bem e do mal. Ora no dia em que o homem encontre a satisfação das necessidades fundamentais, sem recorrer à violência, ao suborno, ao esbulho mercê de qualquer espécie de predomínio, está esconjurada a peste do mal humano. O homem não será anjo, mas poderá chamar irmão ao seu semelhante.
- E o meu senhor que faz dos templos? - observou sem acrimónia, mas com ar dissaborido, o licenciado Pero Pérez, que ainda ouvira o resto da proposição.
- Resta sempre na vida muito de impenetrável que fornecerá ao homem um pretexto plausível para continuar a tremer maleitas metafísicas - respondeu Sansão Carrasco, com humor.
Para Alonso Quixano, admitindo que o homem, segundo a lição do Resgate, tivesse recuperado o gozo do livre arbítrio, desligado por conseguinte da condenação primeira, certas pessoas eram mais responsáveis do que nunca pelo mal que continuava a lavrar à superfície da terra. Sobretudo os poderosos, os fortes, esses que faziam a lei e articulavam a justiça, e os seus executores, que de coração venal ou leviano cometiam os maiores atropelos contra a humanidade.
Por isso mesmo Alonso Quixano, o Bom, se sentia impelido para a missão augusta que os livros de Cavalaria inculcavam.
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Mas que estou eu a fazer? Não posso tanto transcrever. E estas são "viagens" para abrir apetites para leitura. Por isso me forcei a parar. E fui à vida. A outras vidas. Tão torto está o mundo, e eu deleitado à desmedida com a escrita sobre quem ensandeceu por tanto o ter querido endireitar. Na versão aquilina. Irresistível.

sábado, julho 21, 2007

Há coisas que muito esquecem a quem não aprendeu

O sr. José Pinto de Sousa, vulgo “primeiro ministro” e conhecido (embora não lá muito reconhecido) como “o engenheiro Sócrates, veio, com a sua arrogância peculiar, afirmar que não recebe lições sobre liberdade dos comunistas portugueses.
Já cá se sabia que “o engenheiro Sócrates” é avesso a receber lições, sobretudo dos comunistas portugueses. Aliás, ele faz parte daquela elite que não tem nada a aprender. Que, se calhar, nunca teve…
Mas é mesmo pena!
Esses tais comunistas portugueses têm muito a ensinar aos engenheiros Sócrates deste País sobre o que é a liberdade, como se luta por ela, o que se sofre ao perdê-la por por ela se lutar.

No cavalo de pau com Sancho Pança - 39

Aqui vou. Cavalicando. Contente por estar indo. Procurando o passo certo. Tanto caminho já feito e tanto caminho ainda falta. Vou na página 184 e não quero (porque não posso) transcrever todas as mais de 330 deste livro de maravilha(s).
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D. Quixote, não obstante as jaças de que está mareado, jaças observáveis num belo mármore se o examinarmos à lupa, é um livro eterno. Eterno como o herói, embora forjado com metal único, metal que só se encontra no subsolo psíquico de Espanha. E, por muito que o submetamos à pedra de toque gramatical, léxica, literária, fica pairando imune à análise mais severa e meticulosa. É que cavaleiro, não obstante os vínculos locais, está completo dentro de qualquer homem. Bastas vezes, sopitado como Durandarte sob os filtros de Merlim. Não raro, imóvel no fundo da jaula convencional, contemptor das leis morais e cívicas, e inveterado endireita do mundo torto.
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Por aqui paro. Não por longo ter sido o percurso, mas porque a frase "inveterado endireita do mundo" me obriga a parar. E a apear e a ficar uns momentos a reflectir sobre o mundo torto e a vontade (inveterada) de o endireitar.

(de O Som da Tinta)

Profecias e aleivosias

Como seria inevitável, até porque Saramago o quis provocar, as "profecias" do não-profeta sobre a integração de Portugal numa futura Ibéria, deram especulação e escândalo.
Por mim, tenho pena.
E pronto.
Ponto final seria.
Como nunca gostei de responder a provocações, também a esta (que, evidentemente, me não era dirigida) não reagiria.
Mas se se quisesse discutir o tema num plano sério de dinâmica macro-estrutural, do que representou como iberização o modo como foi negociada a adesão de Portugal às CE, de como assim se desserviu o povo português, estaria disposto, e até gostaria, porque é uma das minhas predilectas (pobres) reflexões.
Agora assim!...
O chorrilho de disparates e de abusos interpretativos que provocou a provocação, só por si tê-la-iam bem dispensado.
A título de exemplo, o Jornal de Leiria, na sua 3ª página, do Fórum (e editorial), escolheu para “Facto da semana” "Saramago defende que Portugal passe a ser província espanhola", o que é uma interpretação abusiva do que Saramago disse, e em resposta a uma pergunta.
E, entre os convidados a comentar a “ideia defendida por Saramago”, um senhor muito conhecido, muito mediático – Loureiro dos Santos, general – saiu-se com esta “(…) Em relação a essa posição de Saramago, ele fá-lo por razões de interesse próprio, o que aliás vem ao encontro da teoria leninista-marxista que ele professa. (…)”.
Se acho não merecerem discussão as "profecias de Saramago" (que se afirma "não-profeta"), incomodam-me as manifestações de ignorância arrogante como as do sr. Loureiro dos Santos, general.
E tudo isto, esta falta de seriedade, me faz pena.

quarta-feira, julho 18, 2007

Postalinhos de ontem...

...hoje (ontem...) foi um dia em que senti necessidade de escrever.
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Mas não tive oportunidade.
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Só agora, depois da reunião de direcção do JO, é que consegui alguma disponibilidade, mas queria ver se não entrava pela madrugada dentro.
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Ando com um peso efemérico…
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Durante o fim de tarde que estive na Som da Tinta, anotei o que chamei “temas”, e o primeiro de todos era sobre "aquilo que fui... quando me não reconheço no que era."
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É que estive “entretido” – antes de (e sem conseguir) passar à escrita – a tropeçar em fotos do "tempo efemérico" (há um ano, precisamente…)
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Não é fácil!...
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A isto voltarei.
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Porque a efeméride se prolonga…
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Entretanto, mais temas tinha nas “notas”, a começar pela “grande vitória socialista” nas eleições em Lisboa.
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É que o ambiente forjado de “grande vitória” agride a inteligência… de quem se quer minimamente informado.
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A lista do PS teve menos de 30% (com mais de 62% de abstenção), de certo modo se repetindo a “cena” das presidenciais, com uma Helena Roseta a fazer o papel de Manuel Alegre.
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(Ou terá sido o contrário?!)
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Esta “gestão Sócrates” polariza em si (bemol?) e divide os exércitos próprios, promovendo o aparecimento de “independentes”.
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E, por isso, para quem se propunha a maioria absoluta, que só com 9 vereadores, ter conseguido 6 é uma "g‘anda vitória", não há dúvida!
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Além de que não ter conseguido que a sua “independente”, tivesse mais do 10,2% e 2 vereadores, o que não dá para conseguir maioria (6+2<9!)
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No entanto, a "g’anda vitória" foi a enorme derrota do PSD, com o seu candidato oficial a não conseguir melhor que ser 3º, depois do seu candidato "dissidente" (o que é pior – para o respectivo partido – que candidato “independente”) tendo, os dois, 3+3 vereadores…
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… e, também, a ainda maior derrota do PP ao quadrado, isto é, Partido Popular/Paulo Portas, com uma votação minúscula e 0-vereadores-0.
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Pergunta-se ele, o PP2, como é que, em Portugal, se pode ser oposição, e vdiz que ai reflectir sobre isso!
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Que estranha reflexão.
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De qualquer modo, nós não o podemos ajudar, nós, os únicos que, como partido, soubemos responder quando, em Portugal, ser oposição era outra coisa… era ser resistência ao fascismo!
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Daqui o que fica, tirado o folclore BE e do seu “Zé” que apregoava que fazia falta, e mais outros que tais?
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Um resultado muito significativo da CDU, acima de 9,5% (que pena não se ter chegado aos dois dígitos!) e mantendo dois vereadores!
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O que foi conseguido após uma campanha em que, talvez como em nenhuma outra, por razões circunstanciais a juntar às razões essenciais de sempre e cada vez mais presentes, se silenciou a campanha do único partido que está "fora do jogo", que “é esquerda”.
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Num sentido claro para esta coisa de “ser de esquerda”, e que tem a ver com a raiz da expressão que a faz assimilar a ser de “outra classe” que não da que está no poder…
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Desta, “da classe que está no poder”, são todos os outros, estejam em partidos, repartidos, independentes e dissidentes.
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Havia mais "notas" e "temas", e mais escrevi, mas, para aqui e para agora, ficam estas.

sexta-feira, julho 13, 2007

A frase do dia

(já na madrugada...):

são tão piores uns como os outros!

segunda-feira, julho 09, 2007

Boas leituras!...

O psicanalista, professor, Osvaldo Campos de seu nome, tomou para si os males dos pacientes (e dos impacientes) e, por eles, os males do mundo.
Sentiu que agir era preciso. E veio logo a pergunta como agir?
A acção é a primeira regra. Depois, há a do tempo e a do modo, e surge logo a regra do perigo. Entretanto, insinuou-se a regra do dolo formando as cinco regras. Mas foi-se impondo uma última regra, que “eles” queriam definitiva, a regra do silêncio. Da sombra. Por isso, combateremos a sombra.
No entanto, o leitor lembra que há mais regras. Porque é preciso ir mais fundo na acção para que, no tempo e no modo, se vença o dolo quando se afronta o perigo e se querem quebrar o(s) silêncio(s).
Duas outras regras são indispensáveis: a da história, isto é, a da luta de classes (desde que e enquanto); e a do colectivo, a de tomar partido, a que Maria London grita para fazer coro com os passos batendo no chão do cemitério: “Deixem-me abraçá-los, milhões!”.
Assim é preciso. Para que não fique tudo como o agir "duma bondade defeituosa, uma bondade de parvo, uma justiça de doido”. De um homem só, psicanalista, professor. Só. Apenas com a companhia da ficção literária combatendo a sombra.

Quanto pesa uma alma?

Procurando outras perguntas, Combateremos a Sombra.


quarta-feira, julho 04, 2007

Postalinhos

“Dantes, o roteiro da arte moderna terminava em Madrid.
Agora começa em Lisboa”,
Sócrates dixit, eufórico, desbragado,
na entrega da colecção Berardo.

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(quem e o quê se entregou a quem?!)

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Há gente assim!

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Antigamente, gente desta pensava que depois de mim, o caos.

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Agora, gente desta também pensa que antes de mim, o deserto.

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Construamos a frase:
EU sou o TUDO,
depois do NADA, do DESERTO,
e antes do CAOS, do NADA!

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Tanta ignorância e soberba incomoda,
mas não só.

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Faz mossa.

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Porque há poderosos (e seus interesses… de classe)
que dela se aproveitam,
tornando os seus portadores e usufrutuários
em seus serventuários.

domingo, julho 01, 2007

Algumas "máximas" minimamente contraditadas - 3

(continuação)

Diz-se cada coisa… São o “máximo”! Vêm do “pinsamento” de Sócrates (e de quem o segue... ou de quem ele segue). Passam por verdades absolutas de tanto se repetirem. Mas têm de ser contraditadas por vezes à maneira de perguntas. O que se faz minimamente (em itálico, quando o que apetecia era soltar o vernáculo…).
.
O mérito, claro: o mérito! O mérito, e só o mérito. Que é lá isso da antiguidade ser um posto?! Já nem na tropa… (Mas quem avalia o outro, quem decide do mérito dos trabalhadores?) Ora quem haveria de ser? Os chefes. (Insisto: mas teria de haver critérios de avaliação do mérito alheio e aquilo que parece mais importante é fixar quotas. Só 5% podem ter desempenho excelente…) Claro! Se não fosse assim acontecia o que é costume: todos, ou quase todos, os trabalhadores a terem notação de excelente. (… dada por quem?) Ora… pelos chefes! (Quer dizer: os chefes, desde que tenham quotas são criteriosos na avaliação dos subordinados, sem quotas são maus avaliadores; ou seja, só são bons avaliadores se forem maus… para os trabalhadores!).

(continua)

Algumas "máximas" minimamente contraditadas - 2

(continuação)

Ouvem-se…) coisas que são o “máximo”. São ditadas pelo “pinsamento” de Sócrates (e “pinsadores" da mesma “escola”) reflectindo a epiderme da realidade. Há quem as aceite como se fossem a realidade profunda. Mas não o são! O que, minimamente que seja (o que se faz em itálico, embora apetecesse fazê-lo em vernáculo…) , tem de ser dito.

Aquilo que campeia, hoje, é a “calanzisse” dos trabalhadores, que só pensam em enganar os empregadores, acabado que foi, evidentemente, o tempo histórico da exploração do homem pelo homem (mas estes são pressupostos que a realidade desmente em toda a evidência!). Os empregadores não exploram os trabalhadores, estes é que estão sempre a tentar enganar os empregadores (sejam os privados, seja o Estado) [Do que não há dúvida é que, para se continuar a explorar, e para mais e melhor se explorar, há que convencer os cidadãos (a começar pelos trabalhadores por conta de outrem ou do Estado) que os trabalhadores só com bastão e cenoura é que funcionam, em particular os "funcionários públicos", como "eles" dizem. O bastão do desemprego e da precariedade, a cenoura das progressões por mérito!].

(continua)

Algumas "máximas" minimamente contraditadas - 1

Dizem-se (e ouvem-se…) coisas que são o “máximo”. Sobretudo a partir do “pinsamento socrático” (e de discípulos da “escola”). E passam por verdades absolutas de tão repetidas são. Mas há que as contraditar. Minimamente que seja (o que se faz em itálico, quando o que apetecia era fazê-lo em vernáculo…).

Reformar é preciso (mas não os trabalhadores, aqueles que à reforma tenham ganho o direito…). Uma reforma decisiva é a que substitui promoção por progressão nos trabalhadores da função pública. A primeira é consequência do tempo na carreira, a segunda é fruto do mérito. Progresso, sim!, promoção, não! (… mas não se deveriam complementar em vez de uma substituir a outra? Pelo tempo na carreira, e como um direito, ser-se-ia promovido; por mérito, progredir-se-ia!).

(continua)

sexta-feira, junho 29, 2007

A pouca vergonha

Lá que a vergonha era pouca já se sabia.
Agora que seja tão grande a pouca vergonha não se podia esperar!

A ignorância atrevida e arrogante

Convivo com muita gente que nada (ou muito pouco) sabe de coisas que eu sei porque a vida me proporcionou aprendê-las (também é verdade que nada sei de outras coisas que eles sabem...). Não é por isso, por não saberem de coisas que eu sei, que lhes chamo ignorantes.
Mas já chamo ignorante atrevido e arrogante ao "coleccionador de arte" que faz alarde, o alarve, de ter começado a sua caminhada de décadas e milhões a juntar obras de arte quando foi enganado ao comprar uma cópia da Mona Lisa que julgava ser um original, sem saber quem era o autor, nem querer saber, mostrando continuar a não se importar com isso. E nada revelar que tenha um pingo de consciência (e de pena) do ignorante que é.
Incomoda-me, pronto, o atrevimento, a alarvidade, a arrogância, e também - e mais - a vassalagem que é feita àquele ignorante a arrotar euros. Incomoda-me, pronto, coitado de mim, que sou pior que ignorante (e em tanta coisa o sou )... que serei intelectual, como ele diz quando quer ofender alguém. Mesmo que esse alguém só saiba ler e escrever...
Ah!, e não ponho nenhuma fotografia do dito comendador porque já nem o posso ouvir ou ver a cara estanhada.

quarta-feira, junho 27, 2007

Às vezes, lembram-se de mim. Aveiro, 26 - 3

As "orações" introdutórias terão cumprido a sua função. Até com uma de um alemão que falou em inglês e foi traduzido para português.
Disseram-se coisas interessantes. Das que eu disse não escrevo... mas não me senti envergonhado com o que disse, embora tivesse a perfeita convicção que estava ali a dizer coisas que não são para serem ditas. Porque não querem ser ouvidas. Paciência... Convidaram-me!Como de costume, foi muito agradável e sempre útil ouvir o prof. Adriano Moreira. É um senhor e fala com fundamento e reflexão. Pode haver, aqui ou ali, algumas coisas que suscitariam outros caminhos porque por alguns ele não quer ir, mas aprende-se ouvindo-o.
E é reconfortante (embora não dê alegria) que um dos argumentos mais levianamente usados para provar os benefícios da "Europa" (quando se deveria dizer União Europeia), que é o da paz inatacável e duradoura que veio trazer ao Velho Continente, sempre por nós combatido por ser falso, falaccioso, seja assim desmantelado pelo prof. Adriano Moreira:
"... o programa dessa unidade manifesta duas insuficiências de concepção e até apoios ideológicos contestáveis. Começando por estes (...) insistir na paz no espaço europeu implica esquecer que não foram resolvidas as questões da ETA e da Irlanda, que a absorção dos problemas da desagregação da Jugoslávia é desafiante, que Chipre inquieta, que a memória da questão dos sudetas está viva, que as questões das fronteiras exigem cuidados. Finalmente, a definição da política de alargamento apropriou o conceito da NATO - levar a liberdade do Atlântico aos Urais - para estabelecer os limites geográficos pressentidos. Não se conhecem estudos de governabilidade que tenham antecedido alargamentos, conhece-se o trajecto contrário que é o de o alargamento exigir pensar na governabilidade, esta a dominar a tema da Constituição."

E mais se poderia transcrever. Com e sem acordo, sempre com utilidade.

Às vezes, lembram-se de mim. Aveiro, 26 - 2

A comissão dos assuntos europeus da Assembleia da República decidira que a conferência sobre a PESC, integrada no ciclo sobre os desafios do futuro da Europa seriam na Universidade de Aveiro.
Éramos três os oradores. Ou melhor: os "artistas convidados". Depois, seguia-se intervenção dos representantes dos grupos parlamentares, pausa para café antes do debate e do encerramento.
Era assim que estava no programa. E assim foi, com as tolerâncias horárias excedendo as ditas académicas, num excelente anfiteatro, desoladoramente com muito mais lugares vagos que preenchidos, demonstrando que não basta ir aos sítios... E, no caso, o lugar era indicado para se falar do assunto, ou do tema, ou dos desafios, ou do que se lhes queira chamar.

programa
09h00 Recepção dos participantes e entrega de documentação
09h30 Sessão de Abertura -Presidente da Comissão de Asssuntos Europeus, Deputado Vitalino Canas
Oradores
09h45 Adriano Moreira
10h05 Volker Heise
10h25 Sérgio Ribeiro
10h45 Intervenções dos Grupos Parlamentares:
Armando França (PS)
Jorge Tadeu Morgado (PSD)
Honório Novo (PCP)
Nuno Magalhães (CDS-PP)
Alda Macedo (BE)
11h15 Pausa para café
11h25 Debate
12h45 Encerramento da Conferência
Presidente da Comissão de Asssuntos Europeus, Deputado Vitalino Canas

Às vezes... lembram-se de mim. Aveiro, ontem - 1

Tenho andado num virote. Até porque, às vezes, lá das assembleias republicanas por onde andei anos a fio, se lembram de mim. Nunca fui de fazer muito barulho ou de me mostrar muito. Até porque nunca fui, só estava. Por só estar (e muito era) querer estar. E em tarefa (do partido que tomei e de representante democrático). Mas... às vezes lembram-se de mim. E lá vou. Há umas semanas foi sobre a produtividade, ontem foi sobre a PESC.
Isto que acima foi dito não serve, apenas, para justificar ausências mas para vir contar coisas.

domingo, junho 24, 2007

No espaço Som da Tinta

recebemos, neste blog:


INFORMAÇÃO-CONVITE


no dia 30 de Junho,
pelas 16 horas
Joaquim Castilho
vai apresentar
o seu livro
no espaço



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haverá, em seguida,
uma pequena feira de livros, com grandes descontos

quinta-feira, junho 21, 2007

Agora!

¡Urgente! Cinco Cubanos Inocentes estão presos nos E.U.A
por defenderem Cuba do terrorismo
procedente da mafia anticubana de Miami.
Reclama-se JUSTIÇA

quarta-feira, junho 20, 2007

Não sabemos tudo...

... mas algumas coisas vamos sabendo do que outros não querem que todos saibamos.

Comunicado del Observatorio de Medios sobre libertad de expresión y democratización de los medios de comunicación Social

Por: El Observatorio de los Medios
Fecha de publicación: 19/06/07

A propósito de los acontecimientos surgidos a raíz de la no renovación de la concesión a la empresa 1 BC, propietaria del canal RCTV, el Observatorio Global de Medios, capítulo Venezuela, se pronuncia en los siguientes términos:
1. Administración pública del espectro radioeléctrico
El espectro radioeléctrico es un bien público que, según el ordenamiento legal venezolano y el de la mayoría de los países del mundo, es administrado por el Estado en beneficio de la sociedad. En tal sentido, debe reconocerse que la decisión sobre la renovación o no de una concesión a una empresa privada de TV es potestad soberana del Estado.
2. Libertad de expresión y empresas privadas
La no renovación de una concesión sobre el uso del espectro radioeléctrico a una empresa privada de TV no se corresponde con un acto de violación a la libertad de expresión, máxime cuando dicha medida es acompañada de la inmediata salida al aire de otra señal televisiva, con vocación de servicio público.
Afirmar lo contrario, como han hecho repetidamente empresarios de diversos medios y otros actores sociales nacionales e internacionales, equivale a proponer el derecho a la renovación automática a las empresas de carácter privado, que disfrutan por un tiempo limitado de la concesión sobre un bien público. Conlleva también la renuncia, por parte del Estado, a su obligación de administrar estos bienes, en función de la garantía de la pluralidad de voces existentes en la sociedad.
Se trata, además, de una pretensión que parte del falso supuesto según el cual empresas privadas, que responden a intereses económicos y políticos de sectores particulares, son actores privilegiados y garantes del libre y democrático flujo de ideas y opiniones.
3. La democratización del espectro radioeléctrico
Una sociedad democrática requiere de un sistema de comunicación social también democrático, por lo que es responsabilidad del Estado adoptar medidas orientadas al logro de tal fin. En este sentido, en Venezuela se ha avanzado desde el año 2000 a través de diversas iniciativas, entre las cuales se pueden mencionar las siguientes:
Estímulo a la creación de medios comunitarios y la asignación de frecuencias a sectores sociales que cuentan con los requisitos para su habilitación, lo que ha permitido aumentar la pluralidad de voces y la circulación de ideas y opiniones excluidas de los medios privados.
Regulación de la responsabilidad social de los operadores, de acuerdo a principios y obligaciones que emanan de la normativa internacional sobre los derechos humanos.
Estímulo a la organización de usuarios, como medio para promover la participación ciudadana en el desarrollo y evaluación de los contenidos.
No obstante, el uso del espectro radioeléctrico venezolano continúa concentrado fundamentalmente en manos privadas y siguen observándose graves deficiencias en la calidad de los servicios en relación con los principios de responsabilidad social.
En ese sentido, la creación de una Televisión de Servicio Público es una medida que puede favorecer la democratización de la comunicación social, siempre que sea administrada bajo criterios democráticos y de alta calidad de contenidos.
4. Polarización política y proceso de decisión
Dada la debilidad de los argumentos sobre la ausencia de la libertad de expresión en Venezuela, que presentan los defensores de la continuidad de la concesión a la Empresa 1BC, cabe interpretar las protestas y posicionamientos surgidos a raíz de esta decisión como insertas en el esquema de enfrentamientos polarizados que ha caracterizado la lucha política venezolana desde 1999.
De esta forma, algunas organizaciones periodísticas, de derechos humanos (nacionales e internacionales) y los dirigentes de las organizaciones gremiales de los periodistas venezolanos, tomaron partido en el enfrentamiento actual, asumiendo posiciones en función de la defensa de los intereses de sectores económicos y políticos.
A este escenario contribuyó el que los procedimientos adelantados por las instancias gubernamentales en relación con la justificación y la correspondiente tramitación del proceso de cesación de la concesión, tuvieran déficit de participación social, tanto de usuarios como de los empresarios afectados por la medida. Lo contrario hubiera ampliado el debate público y el consenso social, en función de las razones para la no renovación de esa concesión.
5. El reto social y estatal de una TV de servicio público
En cuanto al otorgamiento de la concesión a un nuevo ente comunicacional que se define como de “servicio público”, conviene señalar que se trata de un reto social y estatal.
Un medio de comunicación con estas características debe:
Ser independiente y con autonomía editorial, lo que implica contar con una base legal, estructura organizacional participativa y régimen de financiamiento, que garanticen tal funcionamiento.
Contar con una estructura democrática en cuanto a la toma de decisiones, con la participación de periodistas, usuarios y trabajadores en general.
Ser pluralista en cuanto a la elaboración de contenidos.
Ofrecer una programación de alta calidad.
Asumir responsabilidades legales y comunicacionales ante la sociedad a la que se debe.

El Observatorio Global de Medios, capítulo Venezuela, considera que la actual coyuntura es propicia para profundizar el debate social y político sobre la democratización de los medios de comunicación social y la ampliación del disfrute del derecho a la libertad de expresión por parte de toda la sociedad.

Não sabemos tudo...

... mas algumas coisas vamos sabendo do que não querem que saibamos todos

Da BBC:

Martes, 19 de junio de 2007 - 01:07 GMT

ONU retira a Cuba de lista de DD.HH.

Cuba ya no será sometida a vigilancia especial por parte del Consejo de Derechos Humanos .
El recientemente creado organismo de vigilancia de los derechos humanos de Naciones Unidas, anunció el lunes que retira a Cuba de la lista de países cuyos antecedentes en el tema están bajo escrutinio especial.
El Consejo de Derechos Humanos, que reemplaza a la Comisión de Derechos Humanos de la ONU, acordó también que nueve naciones, entre ellas Corea del Norte, Camboya y Sudán, permanecerán en la lista.
El Consejo, creado por la Asamblea General el año pasado para buscar mejorar la imagen de Naciones Unidas en la protección de derechos humanos, tenía hasta el lunes para llegar a un acuerdo sobre su mecanismo de operación.
Dicho acuerdo fue alcanzado después de varias horas de negociación, y pese a objeciones de último minuto de parte de China.
Las nuevas reglas establecen también que todos los países miembros deberán someterse a escrutinios periódicos de su historial de derechos humanos.
Corresponsales indican que un fracaso en alcanzar ese compromiso habría podido destruir al joven organismo.

domingo, junho 17, 2007

Antologia - 2 (por hoje)

(...) Não existe só o poder, a classe dominante, com o seu comportamento historicamente determinável. Existe também o consentimento de indivíduos que têm algumas responsabilidades intelectuais, ou políticas, com a atitude de deixar andar, que no fundo é uma atitude cúmplice. Eu tentei exprimir isso numa cantiga chamada "Os eunucos". Isto é um país de eunucos(...) Vão acabar por se devorar a si mesmos, como diz o Brecht.
José Afonso
(Transcrito de Vale a pena lutar. Obrigado, Pedro)

sábado, junho 16, 2007

Palavras certas porque certeiras

O regime da desvergonha. Portugal é um fosso. Sabe-se isto não apenas por via da constatação do défice orçamental do estado. Sabe-se isto sobretudo pela evidente incapacidade política de informar decisões e de decidir sensatamente. O caso do aeroporto é um exemplo apenas. Campeia a incompetência. Grassa a irresponsabilidade. Não, não é pequenez apenas. É despudor e desfaçatez a rodos também. Nicky Florentino.
(em Albergue dos danados)
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Certas porque certeiras as palavras mas não todas. Faltam umas. Pelo menos duas ou três. Porque não é - SÓ! - incompetência e irresponsabilidade, e mais pequenez, e mais despudor, e mais desfaçatez. Então e os interesses por detrás de quem mostra tanta aparente/evidente incompetência e irreponsabilidade?, então com que palavras dizer dos cordelinhos e das teias (ou malhas) que o império tece? Talvez nepotismo, talvez servilismo (mas servir a que senhores de entre os senhores, deus meu)?
Mas talvez esteja tudo na palavra desvergonha depois de regime de. Talvez... talvez a palavra certa, certeira e bastante.
S.R.

Sem intuitos especulativos...

As Bolsas foram criadas, segundo se dizia e ensinava nas escolas, para serem o lugar onde se faz o encontro de quem quer comprar ou vender com quem quer vender ou comprar mercadorias ou títulos de valores mobiliários, através de operações financeiras que materializam as transacções.
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Usar esse lugar para especular (auferir lucros ilícitos, diz o dicionário...) é fazer das Bolsas... lugar de especulação.
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Assim se cria artificialmente riqueza, ou melhor: não se criando riqueza (valores de uso) transfere-se de umas para outras mãos a riqueza criada.
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E é, sempre, ao fim das contas, transferência das mãos de quem produziu para as de quem especulou, por ter passado a dispor de mais capital na forma dinheiro.
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Que haja quem ganhe dinheiro na Bolsa comprando e vendendo mercadorias ou títulos de valores imobiliários, e sem outra intenção que não seja a de comprar e/ou vender mercadorias e títulos de valores imobiliários, é outra coisa...
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Embora, por vezes, as fronteiras se ultrapassem quase sem se dar por isso.
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E o que o especulador faça com o produto da especulação não releva a ilicitude da especulação.
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Desculpa-se o especulador pela aplicação que o especulador dá ao produto da especulação vendo-se em todos os especuladores (maxime, em todos os exploradores) potenciais Robins dos Bosques ou Zés do Telhado?
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Roubam-se milhões aos trabalhadores, dão-se milhares a obras de caridade... e ganha-se o céu?

sexta-feira, junho 15, 2007

Antologia

distância do futuro

eu quero o verbo inconstante
e a voz selando o tempo
em sussurro permanente.

e ser sempre manhã,
mesmo de noite.

quero tanto tanto tanto
que o futuro não seja distante.

(de pedras contra canhões, em Open-source Poetry)
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Obrigado!
Também quero tanto tanto tanto que o futuro não seja distante...

Para abrir um parêntese...

Com muita saudade, uma foto de meus pais de que sempre gostei muito

O que é um especulador?

Olho para a capa (e as páginas interiores) de uma revista semanal e fico a saber que 8 dos “homens mais ricos de Portugal", em poucos meses ganharam €3,6 mais oito zeros (três mil e 600 seiscentos milhões de euros).
Como fiquei também a saber que todos esses zeros se somaram ao dinheiro que já tinham através da sua “habilidade para, em pouco tempo, o multiplicar (o muito dinheiro que têm...) em Bolsa”, deduzi, igualmente, que não foi criando riqueza, produtos, apropriando-se de mais-valias reais... essas coisas.
Isto é, foi transferindo riqueza líquida – em dinheiro – que estava noutras mãos, isto é, mais-valias já existentes, já resultantes de produção e exploração, por aqui ou por algures.
Não será isto especulação?
O mais pesporrento (e se calhar o único exclusivamente especulador) daqueles homens – por incrível que pareça iguaizinhos a todos nós – não se considera especulador porque, à pergunta, responde “o que é um especulador?
Porque é que não mete explicador?...

quinta-feira, junho 14, 2007

P.S. (isto é, post-scriptum ao postalinho aéreo...)

E, depois, fica-se a pensar se, bem vistas as coisas, o mais importante nem são as Opas e as Otas, se o mais importante não são as Anas, porque estas é que é preciso privatizar e o resto até serve de poeira (ou de fumo) para os olhos...

Postalinhos (em correio aéreo...)

Tinha-me prometido não falar da OTA. Como também me tinha prometido, em tempos, não falar, publicamente, da OPA.
Mas o homem promete(-se) coisas
e os nossos governantes dispõem. Pelas indisposições que nos provocam… para não dizer bem pior.
Por isso, decidi-me, face às “novidades”,
escrever uns postalinhos e, talvez, mandá-los, isto é, publicá-los.

Que o aeroporto da Portela tem os seus limites e limitações
é sabido de todos e há muito tempo.
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E começo com algumas recordações
(será que começo a só assim saber começar
as coisas sobre que escrevo?...)
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Logo no início da década de 70,
fiz parte de um gabinete de arquitectura
que tinha a incumbência (do Governo Civil de Lisboa)
de estudar o ordenamento da “área metropolitana de Lisboa”,
com a prévia consideração do Tejo dever servir para unir
e não para separar essa área metropolitana.
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O gabinete integrava nomes como os de
Francisco Pereira, de Gonçalo Ribeiro Teles,
de António Areosa Feio, de Bruno Soares,
e um dos itens para a discussão inicial do trabalho
a que se propôs o dito gabinete
foi o do estudo da localização do aeroporto,
havendo quem tivesse sublinhado o risco
de, um dia, um avião aterrar na avenida do Brasil.
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Pois quando tudo parecia bem encaminhado,
e se começava a projectar trabalho
com a hipótese da “Herdade de Rio Frio”
(mais como Portela + 1 que como novo e integral aeroporto,
se bem me recordo e se bem me adapto ao actual “calão”),
movimentaram-se fortíssimos interesses e,
à revelia da consideração prévia e definidora do projecto,
o estudo da parte sul do Tejo da área metropolitana de Lisboa
foi entregue a um outro gabinete…
e tudo perdeu sentido e ficou em “águas de bacalhau”.
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No entanto, o que a minha sensibilidade me diz
é que a hipótese “Rio Frio” foi ficando como reserva
ou subliminar para quando se voltasse a falar na necessidade
de adaptar o aeroporto de Lisboa às novas condições.
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Que mudaram imensamente nestes mais de 35 anos!
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Por isso, quando,
nestes últimos tempos (governos e/ou desgovernos),
comecei a ouvir falar de Ota e mais de Ota,
fiz cá as minhas muito pessoais conjecturas
(aquelas que se fazem com os respectivos botões)
isto vai dar raia…
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No desconhecimento das opções e condicionantes políticas
e dos estudos técnicos,
não me permitia ter opinião
a não ser a de que me parecia
um desperdício de recursos lamentável
o pressuposto de que a Portela,
com o que foi e com o que lhe foi sendo acrescentado,
era para desaparecer enquanto aeroporto.
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Com essa séria reserva,
remetia-me, como cidadão, ao benefício da(s) dúvida(s).
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Mas é lá possível ficar um cidadão descansado
com estes governantes!
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Depois da intransigência total,
da irreversibilidade absoluta, dos disparates argumentativos
que tocaram as fronteiras da insanidade,
o ministro que, num governo que prezasse a sua credibilidade,
estaria há muito em descanso nas areias do deserto ao sul do Tejo,
deu uma enorme cambalhota a toque de caixa da CIP,
associação do grande empresariado,
logo inevitavelmente com enormes interesses em jogo
– neste como em todos que neste país se vão fazendo –,
e veio dar, o tal ministro, todos os ditos por não ditos
para, depois, talvez garantir em privado que
lá terá que ser um adiamentozito para calar algumas bocas…

A correspondência fica em aberto...
eu não queria falar sobre isto,
de que tão pouco sei, mas se um homem não desabafa, rebenta!

quarta-feira, junho 13, 2007

Postalinhos...

… que começaram por ser para o segismundo
e, agora, desataram a disparar em todos os endereços
e sem código postal.
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Aproveita o tempo insomne que tempo de sono
é tempo desaproveitado.
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Os homens e as mulheres que vivem sem tempo livre seu,
mesmo que seja em tempo de liberdade conquistada
e muito de seu tenham (que não de tempo),
vivem como se mulheres e escravos fossem.
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Já Marx o dizia.
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Pois!
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Deixa-te de histórias.
Não te esqueças que estás a escrever História.
Por pouco histórico que seja o que escrito deixes.
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Não fujas ao fisco, evita a fisga.
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‘Tás c’a Paz, rapaz?
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Porque que é hás-de ter prioridade,
vá lá, diz-me porquê?
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“Porque sou uma senhora de idade!”
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Pronto, está bem…
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Os desistentes que já foram resistentes
não só desistiram
como se demitiram,
se é que não traíram.
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Keynes não é chave, é ferrolho (de veludo).
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Em política, só se desilude quem se iludiu
ou deixou que o iludissem.
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O papel histórico da social-democracia é o de cobrir
com um manto diáfano de aparente humanidade
a nudez crua da desumana exploração.
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E tem cumprido esse seu papel afanosamente
e com muitos benefícios pessoais
e, por isso, efémeros.
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Ele há a Senhora de Fátima e ele há a Dona Fátima.
Serão primas entre si como as há na matemática?
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Isto é assim como um vai-vem. À boleia do blog, transcrevi para outros lugares onde boto escrita (fazendo prosa porque sei mais do que faço que o monsieur Jourdain) os postalinhos que aqui deixei, depois avancei por lá com outros postalinhos, e agora trago-os para aqui... Deveria?

domingo, junho 10, 2007

Acção de promoção...

Há meses empolgado pela descoberta, num alfarrabista do Porto, de um livro há muito procurado - No cavalo de pau com Sancho Pança, de Aquilino Ribeiro - dele venho reproduzindo pequenos trechos no blog Som-da-Tinta. Decerto pouco visitado, menos ainda que este..., como a ausência de comentários o faz adivinhar, tenho pena. Não por mim, não pelo meu trabalho que tanto gozo me dá, mas por julgar que Mestre Aquilino merece outra atenção. Por isso, aqui o venho promover, copiando, eu que copista adrede me tornei, o último "post" ali deixado:


Por outras andanças tenho corrido sem de aqui, destas cercanias, sair. E à minha espera - como gostaria de ter razões para dizer... da nossa! - estava este pedacinho de prosa que, pelas suas analogias e heresias, parece que Mestre Aquilino o escreveu para hoje:
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Nos discursos, D. Quixote é um sofrível deputado socialista conservador, se este amálgama político não é heresia. As suas proposições, que nem sempre são paradoxais, por vezes roçam pela trivialidade. Mas anima-as um propósito de igualização social, não só pelo que lhe vem da prática do mundo como pelo que corresponde ao seu etos de fundo humanitário. O discurso sobre as armas e letras lembra uma destas tiradas de academia em que os sócios, sonolentos, vetustos e conspícuos, acenam com a cabeça aprovativamente e ao fim dão palmas. Tais D. Fernando, o gabiru armoriado, Cardénio, o licantropo, o Cativo, etc.
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Para não ultrapassar a medida que, a juizo do copista, deve ter um "post", vou ali e já venho, logo retomando a arenga.

sábado, junho 09, 2007

Postalinhos para Segismundo - 3

Muitas vezes corruboro com o que p'raí dizes, isto é, concordo com rubor.

Postalinhos para Segismundo - 2

Vale mais um segismundo a postar que apostar em todo o mundo e ninguém.

Postalinhos para Segismundo - 1

Antes reincidente que obediente.

Ora pensemos lá um bocadinho...

Há um mês, a 7 de Maio, “postei” aqui a minha indignação (Ainda me espanto e indigno) com base em dois factos, sendo o segundo o de
«… para o programa Prós e Contras, que vai discutir - ao que parece - direita e esquerda, convidou Adriano Moreira, que foi secretário-geral (ou presidente) do CDS, Mário Soares, que foi, entre muitas outras coisas, fundador e secretário geral do PS, Paulo Rangel, deputado do PSD que ficou "na moda" depois do discurso do 25 de Abril na AR, e Miguel Portas, que é deputado BE no Parlamento Europeu, e está sempre "na moda". São estes. Não falta ninguém? A exclusão de alguém da área do PCP ainda me espanta e me indigna.»
Entretanto, o provedor da RTP veio dar razão ao protesto do PCP considerando incorrectos os critérios jornalísticos que levaram a essa exclusão. Apesar de terem sabido a “sopas depois do almoço”, não foi despiciendo que tal tenha acontecido.
O que me passou despercebido foi a reacção da D. Fátima Campos Ferreira (a responsável pelo programa e pelos seus critérios “jornalísticos”), que terá alegado não encontrar para os lados do PCP um “pensador”, alguém ao nível daqueles parceiros que iam discutir a esquerda e a direita…
Mas é evidente! Para a D. Fátima quem está no PCP não pode ser “pensador” (não pensa como ela pensa que pensa…), senão não estava no PCP. Aliás, segundo a D. Fátima, claro!, quando alguém no PCP começa a pensar e a dar mostras de poder vir a ser “pensador” tem logo lugar reservado entre os “pensadores”. Ela, a D. Fátima, até tem todo o empenho em dar uns empurrõezinhos sob a forma de tempo de antena a todos os que, por gostarem de ser tidos por “pensadores”, comecem a dar mostras de não se sentir bem no tal PCP, no meio dessa gente que não pensa…como ela, a D. Fátima, pensa que pensa.

sexta-feira, junho 08, 2007

Notícias do Uruguai

Um grande amigo, o Andrés Stagnaro. Nosso, do Zeca, do 25 de Abril, de Portugal!


quinta-feira, junho 07, 2007

Esta manhã

Está uma manhã magnífica. Magnificente. Silenciosa. Ou com os ruidos que o silêncio consente.

Dou uma volta pelo quintal. Encho os olhos - encho-me - de pequena beleza, da forma desta planta que para aqui nasceu, das cores deste arranjo de flores que a Zé acarinhou e que, noutra manhã que não esta, me passariam desapercebidas.

De repente, lá do cimo, daquela casa que sempre ali vi e que, há muitas muitas décadas, sabia que era do José Gameiro, como Gameiros eram o Joaquim sapateiro e o Manuel, que viviam lá em baixo, na curva para a estrada e S.Sebastião, daquela casa dali do cimo vem o cantar de um galo incorporando-se neste silêncio feito de chilreares e de sons que a leve breve brisa me traz. Tenho a sensação que é o galo de sempre, que é o mesmo galo - e o seu cantar - que há mais de sessenta anos, sempre que aqui estou, aqui sentado neste degrau da soleira da porta, faz questão em me saudar e em me ajudar a sentir este bem-estar, esta paz comigo e com a vida.

O mundo, tal como está - louco, louco -, segue dentro de momentos.

domingo, junho 03, 2007

Na Serra de Aire não há, por enquanto, giestas...

... mas tempo virá!

Não foi a "enchente" que autor (e livro) e apresentador justifificavam e mereciam... mas foi uma conversa animada entre estes três e muito participada por outros/as.

sexta-feira, junho 01, 2007

Ó mar salgado...



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Sucessivos governos, nas suas negociações com as "comunidades", têm malbaratado, em nome de outros "interesses", o recurso mais intrínseco de Portugal: a quantidade de mar que é nosso!
É um verdadeiro crime o desperdício da nossa "vantagem comparativa" mais evidente.
Acabo de receber uma informação do Instituto Nacional de Estatística que veio avivar esta convicção:
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EM 2006 O VALOR ACRESCENTADO BRUTO DA PESCA
DECRESCEU 3,3% EM VOLUME

No ano de 2006, de acordo com as estimativas das Contas Económicas da Pesca, o Valor Acrescentado Bruto da Pesca (a preços de base) registou um decréscimo de 3,3%, em termos reais, face a 2005.
Em valores nominais, o decréscimo deste agregado foi de 7,2%.

No Dia Nacional do Pescador, o Instituto Nacional de Estatística divulga, pela primeira vez, uma série de 21 anos para as principais variáveis macroeconómicas das Contas Económicas da Pesca (CEP), para o período 1986-2006.
A evolução do Valor Acrescentado Bruto (VAB), a preços correntes, caracteriza-se por uma tendência crescente, apresentando uma taxa de crescimento anual média de 3,4%.
Destacam-se, no entanto, dois períodos de decréscimo: 1992-1994 e 2003-2006. Efectivamente, em 2006 estima-se que o VAB tenha decrescido em valor e volume (7,2% e 3,3%, respectivamente).
O decréscimo real, observado em 2006, insere-se na tendência geral observada na série a preços constantes. Contrariamente ao que sucede em termos nominais, em volume, a série apresenta um crescimento negativo, diminuindo, em termos médios anuais, cerca de 2,3% ao ano. (...)

Expliquem-me lá...

Como é que uma greve geral "tão insignificante" provocou tanta (disfarçada mas mas por isso menos evidente!) perturbação?
Porque é que uma greve geral, que até se insiste que geral não foi ..., obrigou a tantas medidas de pressão e coacção anteriores, a tanta baixa manobra intimidatória, a tudo o que não impediu a importância, e a reprecussão, que veio a ter?
Quais os motivos, incompreensiveis para quem foi dito ter sido a greve geral medida ao milésimo (13,77%!), que levaram tantos ministros e secretários de Estado a tanto virem dizer sobre o que nada diziam ter sido?
Porquê todo este enorme (mas contido ou envergonhado) esforço para se desvalorizar o que, no dizer de quem desvaloriza, não valeu nada, teria sido irrisório?
Se esta comunicação social, e alguns jornalistas em particular, com o seu comportamento inqualificável (de his master's voice), não deveriam saber a vergonha que os verdadeiros profissionais da comunicação social terão sentido face ao seu comportamento?
Que razões, ou ausência de conhecimento, ou informação viciada, ou receios, levaram tantos trabalhadores a não fazer greve geral estando de acordo com as suas razões e desejando e precisando que "isto", esta política, mude de rumo?
Lembro o Zeca e a formiga no carreiro, a tal que ia em sentido contrário mas que avisava mudem de rumo, mudem de rumo... já lá vem outro carreiro.

quarta-feira, maio 30, 2007

Depois da Greve Geral!

Ao "ouver" a RTP-1 - "serviço público"... - fazer a reportagem da Greve Geral, com as duas conferências, dos secretários de Estado e da CGTP, fiquei indignado. O comportamento dos jornalistas (?) , depois de reverentemente terem aceite a falácia dos 13,77% (!), que por si se nega, foi absolutamente inaceitável com as interrupções e comentários que acompanharam a exposição de Carvalho da Silva.
Por isso, aqui reproduzo uma das minhas leituras do meu dia de greve:
Venezuela no epicentro da democratização dos “média”
Por: Agencia Bolivariana de Noticias (ABN) Fecha de publicación: 28/05/07
Caracas, 28.Maio. ABN.- Venezuela vive hoje no epicentro da luta continental pela democratização dos meios de comunicação, com a abertura da TVES, uma estação de serviço público com sinal aberto. TVES - Televisora Venezolana Social - começou 2ª feira através das frequências do canal 2 que haviam sido ocupadas durante 53 anos pela empresa Radio Caracas Televisión (RCTV), cuja concessão para a utilização do espaço radioeléctrico terminou a 27 de Maio.
Previamente, diversos intelectuais destacaram que a proposta venezuelana de criar uma via de comunicação de serviço público dirigida à formação de valores na sociedade, segundo informou a agência de notícias Prensa Latina.
O jornalista e director de Le Monde Diplomatique, Ignacio Ramonet, destacou o projecto venezuelano porque será um meio que dará guarida ao talento popular através da diversidade e da pluralidade. Ramonet valorizou muito a ida para o ar de um sinal televisivo à ordem da verdade, a cultura, a educação e o próprio povo. O intelectual francês, que dissertou nas Jornadas Internacionales de la Comunicación, realizadas una semana atrás nesta capital pelo canal Telesur, expressou a sua solidariedade com a decisão de não renovar a concessão à RCTV.
RCTV lançou uma campanha através do mundo para desprestigiar e atacar, com muitas calúnias e mentiras, o Governo venezuelano, tendo desvirtuado o que está acontecendo no país, sublinhou Ramonet.
Outro reconhecido jornalista, o chileno Manuel Cabieses, director e fundador da revista Punto Final, assegurou que Venezuela levanta na América Latina a bandeira do desafío à ditadura dos meios de comunicação. Cabieses ponderou a decisão do Executivo venezuelano de democratizar o espaço radioeléctrico, pois os meios de comunicação privados constituem o ponto nevrálgico da dominação que una minoría exerce sobre os nossos povos. «A comunicação é um direito humano básico e implica uma interlocução, um diálogo, não uma emissão unidireccional dos conteúdos como ocorre hoje com a imprensa, a rádio e a televisão no mundo contemporâneo», afirmou. Sobre a televisão, o principal instrumento de formação de opinião e a consciência dos povos, recordou que o professor Manuel Calvelo que há muitos definiu esse meio como o grande surdo que fala a milhões de mudos, acrescentou «muitas dessas produções são vetadas pelos monopólios mediáticos, porque não encaixam nos seus modelos audiovisuais», concluiu o director de Punto Final.
O pensador britânico paquistanês Tariq Alí considerou que as entidades que se opõem ao processo revolucionário na Venezuela converteram o termo da concessão da RCTV num tema de muito mais importância do que na realidade têm. «Em condições normais teria sido um processo realmente minúsculo», disse também o editor de há muito tempo da revista britânica New Left Review. Em seu lugar aparece TVES, uma estação televisora que, a julgar pelo seu projecto satisfará a muitos, acrescentou o autor de Pirates of the Caribean: Axis of Hope (Piratas de Caribe: eixo da esperança), em que analisa os processos políticos latino-americanos actuais.
O cineasta argentino Fernando Pino Solanas repetiu o que este domingo mostrou à maioría dos venezuelanos nas ruas: «a não renovação da concessão a RCTV não só é um direito constitucional como uma festa para o povo». E terminou: «agora a prioridade é promover camadas de realizadores para que isto seja um formigueiro de produções».

Eu faço greve!

... o que não quer dizer que não esteja p'raqui a trabalhar!
O que hoje se não faz é vender a nossa força de trabalho!
E diz-se ao governo que ASSIM NÃO!

domingo, maio 27, 2007

O Tempo das Giestas, de José Casanova

Este "anónimo" recebeu a informação/convite que transcreve com todo o gosto:


INFORMAÇÃO/CONVITE

No dia 2 de Junho (às 16.30),
no espaço Som da Tinta,
será tempo de giestas

O Tempo das Giestas
será apresentado por
Pedro Namora


Explicações necessárias (*)

A ideia de escrever este livro surgiu-me quando, há cerca de dois anos, uma senhora se dirigiu à sede do PCP, em Lisboa, procurando saber notícias de um rapaz que conhecera e pelo qual se apaixonara, em 1936, e que, a dada altura, desapareceu misteriosa e definitivamente.
(…) o desaparecimento do jovem - na realidade, militante comunista - decorrera do facto de ter sido preso e deportado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde viria a ser assassinado.
(…) Tratando-se de uma obra de ficção, quer os personagens quer a trama desta história são fruto da imaginação do autor.
_________
(*) - do autor, no final do livro
____________________________________________________
Com os anteriores livros de José CasanovaO Caminho das Aves e Aquela Noite de NatalO Tempo das Giestas conta, sob a forma de romances, a nossa História recente. Que tem de se lembrar, que não pode ser esquecida, não se pode deixar que seja adulterada.

sexta-feira, maio 25, 2007

Uma do Mounti...

À porta do Refúgio, que já meu foi e agora parece que dele é...

O tempo será de giestas


... e a este livro se voltará.
Mas depois do poema do Nazim Hikmet, tinha de trazer aqui este livro do Zé Casanova. E a ele voltarei em breve...

quarta-feira, maio 23, 2007

Outro poema do Nazim Hikmet

O mais belo dos mares,
é aquele que ainda não vimos.
A mais linda criança,
ainda não nasceu.
Os nossos dias mais formosos,
ainda não os vivemos.
E o melhor de tudo
que tenho para te dizer,
ainda não te disse:
amo-te... hoje... e sempre...

sexta-feira, maio 18, 2007

De vez em quando, um poeta

Tentaram
separar-me do meu Partido

Não conseguiram!

Não fiquei esmagado
sob os idolos caídos

Nazim Hikmet (turco, 1901-1963)

sábado, maio 12, 2007

Passeio com foto e legenda - 2

Mancha de papoilas em campo de favas. Com castelos ao fundo... como sempre por aqui.

quarta-feira, maio 09, 2007

Passeio com foto & legenda

Este ano vai haver muita azeitona!

Qual o Dia da Europa? 8 ou 9 de Maio? - 2

Estas buscas que andei fazendo, e os calorosos parabéns que hoje recebi da Lécia, a “nossa” ucraniana – não pela CECA mas pela PAZ, de que ela sabe que sou defensor estrénuo – vieram lembrar-me outra circunstância significativa relativa ao 9 de Maio.
Ainda da Wikipédia:
“O Dia da Vitória na Europa (V-E Day) foi o dia 8 de Maio de 1945, data formal da derrota da Alemanha Nazi em favor dos Aliados na Segunda Guerra Mundial.
A data foi motivo de grandes celebrações, especialmente em
Londres, onde mais de um milhão de pessoas festejaram o fim da guerra na Europa, embora os racionamentos de comida e vestuário continuassem por mais uma série de anos. (…)
Nos Estados Unidos, o Presidente
Harry Truman, que celebrava 61 anos nesse mesmo dia, dedicou a vitória ao seu antecessor, Franklin D. Roosevelt, que morrera há cerca de um mês antes, no dia 12 de Abril.
Os Aliados haviam acordado que o dia
9 de Maio de 1945 seria o da celebração, todavia os jornalistas ocidentais lançaram a notícia da rendição alemã mais cedo do que era previsto, precipitando as celebrações. A União Soviética manteve as celebrações para a data combinada, sendo por isso que o fim da Segunda Guerra Mundial, conhecida como a Grande Guerra Patriótica na Rússia e outras zonas da antiga URSS, é celebrado no dia 9 de Maio.”
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Talvez se possa concluir, sem se ser demasiado abusivo, que o dia 8 de Maio é o dia da Vitória, da Paz, da Europa, porque era o dia de aniversário de Truman…

De qualquer modo, se razão há para se considerar este dia 9 como o Dia da Europa não o deveria ser por o sr. Schuman ter feito, nesta data, aquele discurso na sala dos relógios (ou lá onde foi) mas porque os “Aliados” tinham decidido que seria o dia da proclamação da Paz na Europa, o fim da 2ª Guerra Mundial, o que não foi respeitado pelo “Ocidente” e, pior ainda, a guerra foi continuada pelos Estados Unidos fora da Europa porque ainda tinham umas bombitas atómicas para lançar no Japão, sobre Hiroshima e Nagasaki.

Qual o Dia da Europa? 8 ou 9 de Maio? - 1

“Eles” dizem que hoje, 9 de Maio, é que é o dia da Europa.
E porquê?
Porque, como nos diz a Wikipédia:
“Em 9 de Maio de 1950, Robert Schuman apresentou uma proposta de criação de uma Europa organizada, requisito indispensável para a manutenção de relações pacíficas.
Esta proposta, conhecida como "Declaração Schuman", é considerada o começo da criação do que é hoje a União Europeia.
Actualmente o dia 9 de Maio tornou-se um símbolo europeu (Dia da Europa) que, juntamente com a
bandeira, o hino, a divisa e a moeda única (o euro), identifica a identidade política da União Europeia. O Dia da Europa constitui uma oportunidade para desenvolver actividades e festejos que aproximam a Europa dos seus cidadãos e os povos da União entre si.”
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Eu protesto!
Sobretudo porque não aceito que se confunda a Europa com a União Europeia, adoptando-se para Dia da Europa uma data que começou por ter a ver exclusivamente com 6-países-6 da Europa e com um arranjo sectorial sobre o carvão e o aço.
Nessa mesma (i)lógica porque não a data da criação do BENELUX, que juntou a Bélgica, a Holanda e o Luxemburgo?

terça-feira, maio 08, 2007

8 de Maio - Dia da Vitória, da Europa, da Paz

Habituei-me, desde a escola primária, a celebrar o dia 8 de Maio como o Dia da Paz, ou da Europa, ou da Vitória. Por isso me custa ver ignorada a data referida ao ano de 1945.
Tanto assim que procurei no "aparelho de busca" que julgo mais eficaz as notações sobre a data. Fiquei perplexo. Havendo quase 5 milhões de notações sobre 8 de Maio (santo do dia: S. Vitor e dia do anjo Daniel...), procurei em 30 páginas, até às 300 notações e apenas numa, da Deutsche Welle, agência noticiosa alemã, encontrei algo que tinha a ver com o que procurava e que valia a busca. E tanto que transcrevo o início do artigo:
«Data da capitulação alemã, o dia 8 de maio de 1945 é de fundamental importância para a História mundial. Pesquisadores a comparam com a Reforma Protestante e a Revolução Francesa. Durante longo tempo, sua importância para a Alemanha do pós-guerra foi um tema controvertido. Nos últimos 20 anos, o questionamento sobre "libertação ou derrota dos alemães" foi substituído pela comercialização da memória da guerra e do Holocausto.

"Agora tremulam as bandeiras da liberdade sobre toda a Europa", anunciou o então presidente norte-americano Harry Truman, num pronunciamento transmitido pelo rádio no dia 8 de maio de 1945, após a capitulação incondicional dos alemães. A data marcou o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa. "O mundo agora está livre do ditador Adolf Hitler", acrescentou Truman.»
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Se isto não dá que pensar é porque talvez já tenhamos perdido essa capacidade humana que nos têm vindo a amputar aos poucos, hora a hora, dia a dia, jornal a jornal, notícia a notícia, informação a informação (dada ou escamoteada).

segunda-feira, maio 07, 2007

Ainda me espanto e indigno

Dois factos:
Sobre as eleições na Região Autónoma da Madeira, nos noticiários que ontem ouvi, no final de um domingo calmo, a "arrumar" coisas, não consegui saber quais os resultados da CDU. Silencia-se o facto de, para uma Assembleia Regional com menos 21 deputados, a CDU ter conseguido manter dois eleitos e subir a votação por forma a ultrapassar o CDS-PP e ficar como a terceira força política na Região.
Para o programa Prós e Contras, que vai discutir - ao que parece - direita e esquerda, convidou Adriano Moreira, que foi secretário-geral (ou presidente) do CDS, Mário Soares, que foi, entre muitas outras coisas, fundador e secretário geral do PS, Paulo Rangel, deputado do PSD que ficou "na moda" depois do discurso do 25 de Abril na AR, e Miguel Portas, que é deputado BE no Parlamento Europeu, e está sempre "na moda".
São estes. Não falta ninguém? A exclusão de alguém da área do PCP ainda me espanta e me indigna.

sábado, maio 05, 2007

Coisas que a gente não sabe - 2

Coisas que não querem que a gente saiba...
Num encontro de informação-convívio na Embaixada de Cuba, ficou a saber-se (ou confirmou-se!) a enorme importância da solidariedade e cooperação que este país presta ao mundo, nomeadamente no plano da saúde, com referência particular à oftalmologia e ao programa millagro.
Só uns números de que tomei nota num pequenino caderno (que ficou com outras relevantes informações) :
Em Cuba, há mais de 27 mil estudantes de 120 países, dos quais 80% em medicina (foi dito haver a preocupação de reforçar a cooperação na formação local dos alunos para evitar que eles, depois de formados em Cuba, venham exercer medicina em Portugal, por exemplo..., em vez de voltarem para os seus países de origem);
em 2004, ano em que se verificou o número máximo, havia 19.937 médicos cubanos a exercer medicina na Venezuela;
há 270 médicos cubanos em Timor-Leste (tendo sido dito, em ar de graça, que parece haver mais médicos cubanos por mil habitantes em Timor que em Cuba)

Coisas que a gente não sabe - 1

Coisas que não querem que a gente saiba...
Realizou-se a 5ª cimeira da ALBA, em Barquisimeto, cidade do ocidente da Venzuela.
O que é a ALBA? É a sigla da chamada Alternativa Bolivariana para as Américas, um projecto lançado em 2004 por Cuba e Venezuela, em resposta à tentativa de imposição, pelos Estados Unidos, da ALCA (Área de Livre Comércio das Américas), projecto a que já se juntaram a Bolívia e a Nicarágua. Além destes quatro países, nesta cimeira participaram também representantes do Equador, do Haiti e do Uruguai.
Trata-se de projecto baseado na solidariedade e na construção de uma aliança estratégica para o desenvolvimento que simultaneamente se afirma como um espaço geopolítico de carácter anti-imperialista e progressista.
Duas outras "coisitas" - entre muitas outras possíveis - para ajudar à reflexão a partir de uma "outra" informação: na cimeira, Evo Morales denunciou a parcialidade do Centro Internacional de Resolução de diferendos relativos a investimentos (CIEDI), orgão de arbitragem do Banco Mundial, de onde os membros da ALBA resolveram retirar-se criando um orgão próprio para solução de eventuais conflitos, assim abandomnado o que Morales chamou uma "ferramenta das empresas transnacionais"; na intervenção final, o anfitrião da cimeira, Hugo Chavez, surpreendendo quem esperava um longo discurso, apenas pediu a Evo Morales que dissesse na língua aymará, as palavras do herói indígena Tupac Katari, antes de morrer às mãos dos conquistadores espanhóis, "hoje morro, mas voltarei feito milhões" .
Isto foi o que lemos na agência Reuters, e não vimos (também não "ouvemos" tudo o que se edita em Portugal...) reproduzido na comunicação social portuguesa.

quinta-feira, maio 03, 2007

Ping-pong

Ida e volta. Onde não há ou há pouco estado de direito, como é o caso de Portugal, há a tentação a apelar-se à vergonha como freio dos desmandos, desvarios ou devaneios dos outros. O que, bem vistas as coisas, é apenas um modo estranho de permanecer em casa. Nicky Florentino.
(in Albergue dos danados)

"Touché", como dizem os esgrimistas. Mas também é preciso não ler as palavras no seu sentido literal e não confundir denúncia com apelo dirigido aos portadores (ou aos esvaziados) do que se denuncia como existente (ou como ausente). Apelar à vergonha, se apelar é o verbo adequado, será à tomada de consciência por outros, e aqui estão mais palavras, juntas em expressão, para serem lidas - também, ao menos - com o sentido de quem as diz e não com aquele a que o dicionário as (ou a, à expressão) reduz.
(in comentário no citado albergue, e in aqui, devidamente (?) retocado)

quarta-feira, maio 02, 2007

A Carta Educativa do concelho de Ourém na Assembleia Municipal

Pela importância do tema - com vertentes e gravidade que de certo modo me surpreenderam por não integrar a comissão que tratou do assunto - transcrevo a posição que, de improviso, me vi forçado a tomar e que terá o interesse de situar, por agora, a questão, tal como a avalio:
“Às vezes, estou aqui a perguntar-me que estou aqui a fazer… e vou ficando, por obrigação; hoje – que devia estar a entrar em Lisboa a esta hora, estou incapaz de daqui arrancar. Porquê? Pelo ambiente para mim novo, pela surpresa de alguns aspectos do que se discute pois não integro a comissão especializada, pelas palavras que ouvi e pelo peso destas.
Chantagem
– é uma palavra que tem enorme gravidade, mas que se justifica por a defesa da aceitação de um documento desta importância argumentar com a afirmação de que, sem ele, não haverá fundos comunitários, denunciando a dimensão tantas vezes silenciada que estes têm tido para impor políticas.
Acto consumado
– mas acto consumado porquê?, que estamos aqui a fazer?, a aceitar actos consumados que nos consomem?, a aceitá-los porque há uma dinâmica que os poderá corrigir?; mas não será , antes, uma contra-dinâmica pois pretende-se substituir uma estrutura que vai servindo as populações por uma outra que estas não aceitam, que está eivada de erros, com a argumentação de que, depois, se poderá corrigir?
Descontentamento e revolta – palavras duras e raras por estas paragens, traduzindo o enorme risco de se estar a contribuir para dividir freguesias e populações, para acirrar rivalidades vizinhas que são tão perigosas e causas de tantos males que confronta e tem confrontado a humanidade.
Da reunião geral preparatória desta reunião fiquei com a ideia de que o problema era Fátima e a sua especificidade, que a ausência de um estabelecimento oficial de ensino do nível secundário e a existência de um forte e polarizador ensino privado a esse nível implicava arranjos difíceis de compatibilizar com princípios de uma Carta a aplicar em 308 municípios, e até me coloquei a questão do que seria esta Carta a aplicar a um município como poderá vir a ser – e só não o é por razões conhecidas – o de Fátima, mas agora vejo o problema de uma outra maneira e com outras gravidades muito preocupantes.
Sendo uma Carta para aplicar em 308 concelhos, era necessário saber como estão a reagir outros municípios ao que o poder central lhes está a propor ou a impor. Em muitos deles há, com certeza, problemas como os de Rio de Couros em relação a Freixianda, como os da Valada, como os de arranjos ou desarranjos em freguesias, como retirar Fontaínhas da Serra a Atouguia e Bairro às Misericórdias e inclui-las em Fátima, como a revolta que se sente no Olival com a extinção do seu agrupamento.
O problema parece-me muito grave, em Ourém e não só. Com uma dimensão de gravidade que a minha sensibilidade, caldeada em muitos anos de reflexão política, me permite dizer que chega a assustar.
O que peço, tendo impreterivelmente de sair, é que esta saída seja considerada como uma abstenção que, a exemplo da intervenção da colega Agripina, contribua para o que peço:
que não encerremos aqui a negociação, negociação a que o poder central não se pode escusar, impondo o que as populações – os pais, os professores, os autarcas – não querem, negociação em que estas têm todo o direito de participar."
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Ora aqui está uma questão política de fundo, a que o PS-governo, como nos tem habituado, deu o tratamento mais canhestro que se possa imaginar, revelando um comportamento ao serviço de interesses que não os das populações absolutamente autista, como foi dito na própria assembleia por outros… que acabaram por votar a favor da Carta proposta, em nome da chantagem que denunciaram, calando o descontentamento, a desilusão, o sentimento de estarem a ser enganados, a revolta!