Tinha-me prometido não falar da OTA. Como também me tinha prometido, em tempos, não falar, publicamente, da OPA.
Mas o homem promete(-se) coisas e os nossos governantes dispõem. Pelas indisposições que nos provocam… para não dizer bem pior.
Por isso, decidi-me, face às “novidades”, escrever uns postalinhos e, talvez, mandá-los, isto é, publicá-los.
Que o aeroporto da Portela tem os seus limites e limitações
é sabido de todos e há muito tempo.
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E começo com algumas recordações
(será que começo a só assim saber começar
as coisas sobre que escrevo?...)
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Logo no início da década de 70,
fiz parte de um gabinete de arquitectura
que tinha a incumbência (do Governo Civil de Lisboa)
de estudar o ordenamento da “área metropolitana de Lisboa”,
com a prévia consideração do Tejo dever servir para unir
e não para separar essa área metropolitana.
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O gabinete integrava nomes como os de
Francisco Pereira, de Gonçalo Ribeiro Teles,
de António Areosa Feio, de Bruno Soares,
e um dos itens para a discussão inicial do trabalho
a que se propôs o dito gabinete
foi o do estudo da localização do aeroporto,
havendo quem tivesse sublinhado o risco
de, um dia, um avião aterrar na avenida do Brasil.
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Pois quando tudo parecia bem encaminhado,
e se começava a projectar trabalho
com a hipótese da “Herdade de Rio Frio”
(mais como Portela + 1 que como novo e integral aeroporto,
se bem me recordo e se bem me adapto ao actual “calão”),
movimentaram-se fortíssimos interesses e,
à revelia da consideração prévia e definidora do projecto,
o estudo da parte sul do Tejo da área metropolitana de Lisboa
foi entregue a um outro gabinete…
e tudo perdeu sentido e ficou em “águas de bacalhau”.
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No entanto, o que a minha sensibilidade me diz
é que a hipótese “Rio Frio” foi ficando como reserva
ou subliminar para quando se voltasse a falar na necessidade
de adaptar o aeroporto de Lisboa às novas condições.
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Que mudaram imensamente nestes mais de 35 anos!
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Por isso, quando,
nestes últimos tempos (governos e/ou desgovernos),
comecei a ouvir falar de Ota e mais de Ota,
fiz cá as minhas muito pessoais conjecturas
(aquelas que se fazem com os respectivos botões)
isto vai dar raia…
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No desconhecimento das opções e condicionantes políticas
e dos estudos técnicos,
não me permitia ter opinião
a não ser a de que me parecia
um desperdício de recursos lamentável
o pressuposto de que a Portela,
com o que foi e com o que lhe foi sendo acrescentado,
era para desaparecer enquanto aeroporto.
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Com essa séria reserva,
remetia-me, como cidadão, ao benefício da(s) dúvida(s).
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Mas é lá possível ficar um cidadão descansado
com estes governantes!
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Depois da intransigência total,
da irreversibilidade absoluta, dos disparates argumentativos
que tocaram as fronteiras da insanidade,
o ministro que, num governo que prezasse a sua credibilidade,
estaria há muito em descanso nas areias do deserto ao sul do Tejo,
deu uma enorme cambalhota a toque de caixa da CIP,
associação do grande empresariado,
logo inevitavelmente com enormes interesses em jogo
– neste como em todos que neste país se vão fazendo –,
e veio dar, o tal ministro, todos os ditos por não ditos
para, depois, talvez garantir em privado que
lá terá que ser um adiamentozito para calar algumas bocas…
A correspondência fica em aberto... eu não queria falar sobre isto,
de que tão pouco sei, mas se um homem não desabafa, rebenta!