Cheguei à Festa. À cidade em construção.
Por aqui, por este imenso espaço de verdes e azul e lonjuras, gosto de passear. Depois, nos três dias de Setembro, por aqui, neste imenso espaço de encontros e recordações e amizades e abraços, vivo e renasço.
Agora, estamos no tempo-intervalo da construção.
Há trabalho, já muito trabalho feito, ainda mais por fazer.

Ao fundo da rampa que será mar de gente, está o palco ainda só estrutura, e por detrás dela, lá longe, até se vê Lisboa.
Aqui é (será) Santarém e, naturalmente, por aqui começo. Até porque, este ano, será recepção para quem entrar pela Medideira.
Logo abaixo, Viseu e, quando passo, embebendo-me da Festa antes da Festa, alguém me chama lá das alturas. É um camarada de todas as lutas e de todas as festas (como tantos são) que está a consertar o pano que diz ser ali Viseu. Saudação amiga, e pela saudação gritada nos ficamos porque ele está lá em cima e eu aqui em baixo, e não há balcão onde nos arrimemos para umas lascas de presunto e um copito para empurrar e completar o abraço.
Viro na direcção do lago. Na passagem, no espaço dos Pioneiros, vejo uma jovem em equilíbrio a pintar os varões da estrutura. Pergunto-lhe “Ó camaradinha, posso fotografar-te?”, o sorriso contente é a resposta.
Chego lá abaixo, descanso os olhos no lago e nas águas para lá do espaço da Festa, vejo o esqueleto do palco 1º de Maio, e regresso. Ao passar onde antes tirara a fotografia, ouço a jovem dizer para outra que ia a passar "... sabes?... aquele homem tirou-me uma fotografia!, fixe...". Rio e corrijo… “Um homem?!... um camarada, ó camarada!”. Rimos.
Subo a avenida, saudando este e aquele, trocando um ou outro comentário. Mas rápido porque há muito trabalho em curso.
Páro na rotunda e fotografo o que vai ser o Pavilhão Central. “… isto parece atrasado e só faltam quinze dias…”, penso. Mas nada digo porque eles é que sabem.
Detenho-me no que vai ser a “cidade do livro”.
Deixo-me ficar. Talvez mais tempo, talvez com mais atenção, talvez… porque este ano vai ser especial para mim!
Ali vai ser o Porto, e enquanto uns projectam e preparam materiais, um grupo discute colectivamente como colocar o solho (?), e outro observa, comentando com ironia, as dificuldades da discussão colectivas levada à risca… mas assim tem de ser!
Volto a Santarém. Como se já fosse Festa. E é!
Encaminho-me para o convívio, ouvindo que outros convívios há, de caracolada um, do que for outros.
Aqui se juntam muitos camaradas, quase todos com o duche já tomado alguns nem por isso, as imperiais à espera, e aqui se vai conversar um bocado sobre um tema. Desta vez, foram os 160 anos de O Manifesto!
E custa voltar à terra e ao mundo sem Festa, de onde se veio para passar este bocado de dia de festa da Festa antes Festa.
Quando me aproximo do carro, tudo está aparentemente deserto. Mas há um passante e passeante. Talvez vigilante.
Até logo, camaradas!
23 de Agosto de 2008