sexta-feira, abril 14, 2006

Em casos como o da Casa Pia

TEMOS O DEVER DE JULGAR!

No aniversário de
Vale a Pena Lutar!,
com um grande abraço
para o Pedro Namora


Há quem insinue, como quem não quer a coisa, que as vítimas não teriam nada a ganhar com o castigo de quem, eventualmente, teria cometido os crimes. E adoçam mais o que chamam erros, maus passos, escorregadelas (se acaso os teria havido…), falando de tendências sexuais de que não se tem culpa e de momentos passageiros de desvario a que todos estamos, ou somos, sujeitos.
Há, também, quem junte à insinuação a hipocrisia de anteceder a palavra vítimas do adjectivo presumíveis (ou presumidas, ou pretensas), assim dando maior ênfase ao tempo que se está a perder e ao facto de que ninguém irá beneficiar com a condenação dos que, coitados!, já têm a vida destruída e, se calhar, nem terão feito nada assim de tanta gravidade…
Há, ainda, quem leve a insinuação e a hipocrisia aos píncaros da ignomínia e não recue perante pôr em causa a credibilidade de quem vítima foi (“se diz ter sido… e, se calhar, foi instigador e aproveitou de prendas e prebendas a que, sem os actos ditos condenáveis, nunca teria tido acesso”).
De qualquer modo, perguntam:
“Para quê – e quem – punir? Punidos todos estão, uns porque são o que são, outros pelo prejuízo trazido às suas reputações e vidas… Pois se as pretensas vítimas até já foram indemnizadas, talvez houvesse era que indemnizar os presumíveis culpados que já tanto sofreram, coitados!...”

Pasmo e indigno-me.

Todos estes, mesmo um ou outro a quem se possa dar de barato que tenha uns restos de boa fé, e ainda outros que descrêem que a justiça vá até ao fim e, desinteressados e distanciados, nada fazem para que o processo se conclua com o apuramento das responsabilidades de quem foi criminoso, todos parecem distraírem-se da importância de… se fazer justiça!
Há adiamentos, e protelamentos, e tergiversões. Com artes e manhas, expedientes expeditos, com dinheiro para tudo comprar, tempo e gente. E, curioso!..., são os mais activos em que não se faça justiça, ou defensores de que “não vale a pena” – “porque não se viriam remediar males feitos, se males houve…” – são esses msmos que, se acaso um seu investimento (em arte, por exemplo) for roubado e ficar com mazelas, mais justiça pedem, dura e rápida, para punir quem lhes furtou o objecto e o teria danificado. E não lhes toquem no seu BMW, ou na sua casa da praia, quando não é um jactozinho, apesar de seguros e bem seguros.

Pasmo (pasmo?) e indigno-me (indigno-me!)

Quando as vítimas são crianças e à nossa (de todos!) responsabilidade porque da sociedade, maiores são os crimes e mais necessário e urgente é que se faça justiça.

quinta-feira, abril 13, 2006

Histórias em 100 palavras e 1lustração - 15

DEZEMBRO 1961

O encontro fora marcado para as 20 horas de 19.
Numa travessa à rua dos Lusíadas estacionei, após volta aos quarteirões que me preocupara. Esperei, ansioso. Nada!
Usei “hora de recurso”. Nada!
Fiquei preocupadíssimo.
Que teria acontecido?
“(…)Tendo passado pela rua dos Lusíadas cerca das 20 horas, e tendo-se apercebido da presença dos referidos agentes, começou a correr pela mesma artéria(…)foi o José António Dias Coelho agarrado pelo agente Manuel Lavado. Entretanto, chegou junto dele o réu que desferiu dois tiros de pistola(…)”.
(da sentença do tribunal, 1976)

Assim assassinaram Dias Coelho que eu esperava alguns metros acima.


Última gravura de José Dias Coelho, de Novembro de 1961, para o Avante!, representando o operário Cândido Martins assassinado na frente de uma manifestação em Almada contra a burla eleitoral, e para que escreveu a legenda “De todas as sementes deitadas à terra é o sangue derramado pelos mártires que faz nascer as mais copiosas searas”.

Histórias em 100 palavras e 1lustração- 14

Nesta viagem pela memória (em 100 palavras) assaltam-me episódios que exigem ser contados:

OUTUBRO 1961
Quando a questão se pusera no Partido, a minha recusa foi compreendida mas adivinhei que não convencera.
Aquela delegação unitária a minha casa comprovou-o.
Que o passado associativo estudantil, que o presente de dirigente desportivo, que etc., faziam de mim o candidato da juventude pela oposição democrática.
Eu, que não. Que a gravidez tubária da Antonieta, que a situação profissional, que etc.
Não!
Quando saíram, quase chorei. Aquele NÃO queria ser SIM. Mas a pressão familiar e medos tinham-me levado a ceder.
Avisei, solene, que aceitara razões circunstanciais mas não desistia de ser o que era. Da luta!

quarta-feira, abril 12, 2006

Histórias em 100 palavras e 1lustração - 13

Uma pausa nas "histórias de Abril", recuperando uma das mais antigas das cem palavras...


FOI SÓ UM OLHAR

Tão distraídos estavam os olhos, viajando sem poiso.
Tão desprotegidos estavam, sem destino, à deriva, quando encontraram outros olhos, e num só olhar se tornou o que dois olhares eram.
Foi um minuto… qual quê?… foi apenas um segundo em que se ficaram, os dois, ela e ele, olhos nos olhos, em perfeita e irrepetível sintonia.
Foi um segundo. Que, como segundo na contagem do tempo, logo morreu na eternidade em que viveu e fez viver.
Nem uma palavra. Para quê cem? Foi um olhar. Só! E bastou para ter dado novo rumo a duas vidas.

terça-feira, abril 11, 2006

Histórias em 100 palavras e 1lustração - 12

LISBOA-1973
Tinha reunião no MDP-CDE.
Na escada, camaradas carregados de documentos atropelam-me.
“Tens carro? Qual?...”
“Um dois-cavalos…”
“Depressa… Pide a assaltar sedes… traz quanto puderes…”
Outros carregam-me.
Saio a correr.
Cruzo os mesmos camaradas.
“Vais naquele Fiat… o casalinho q’estava no teu já lá vai…”
Pasmo. Tinha ido sozinho…
… e o meu 2CV está ali. Paradinho.
Outro 2CV arrancara e afasta-se guichando.
Salto para a garupa do meu. Arranco em perseguição.
Agarro “o casalinho” na Estrela.
Contam-me: estavam nas despedidas, beijinhos-e-tal-e-coisa, abrem-lhes a porta do carro, enchem-no de papéis, gritam-lhes “desapareçam!”. Não perceberam nada… “desapareceram”.
Até eu os apanhar!

Histórias em 100 palavras e 1lustração - 11

“ENGARRAFADO”

Quando o telefone tocou, já esperava novidade pouco agradável.
Tivera uns encontros complicados nos dias anteriores, sobretudo um com um estudante suíço feito jornalista. Queria saber coisas sobre a Universidade e a (falta de) democracia em Portugal, e durante o encontro pressenti coisas “estranhas” nas cercanias.
Quando levantei o auscultador, uma voz apressada deixou o recado: “Vinho suíço engarrafado… vinho português a engarrafar…”
Demorei a pousar o telefone, a cortar o irritante ruído que dele saia.
Fiquei parado, sem saber que fazer…
Bateram à porta e ficou logo tudo resolvido. Fui “engarrafado”!
Dessa vez, a primeira!, por pouco tempo…

Histórias em 100 palavras e 1lustração - 10

“CUIDADOS CONSPIRATIVOS”

Acabada a reunião, queimados os papéis, despejados os cinzeiros, despedimo-nos com a satisfação de termos estado a ajudar a transformar o mundo…
O “funcionário” clandestino despediu-se, caloroso, e recomendou: “não saiam todos ao mesmo tempo… façam intervalos de dez minutos, um quarto de hora. Até à próxima, camaradas. Bom trabalho!”

Assim fizemos.
Só que, sem nada termos combinado, com intervalos de dez minutos, um quarto de hora, fomos chegando à Trindade para, todos juntos, surpreendidos, em risota e galhofa, bebermos a cervejita antes de ir p’rá cama.
Pides com bom faro não teriam deixado escapar aquela falha conspirativa!

segunda-feira, abril 10, 2006

Histórias em 100 palavras - 9

Sem introdução nem comentários...
A "SENHA"
As senha e contra-senha tinham sido cuidadosamente transmitidas. Com toda a naturalidade, bateríamos à porta do "amigo" e perguntávamos a quem abrisse:
"Há jantar para mais um?..."
A resposta seria "se gostas de carapaus..." e a reunião poderia começar sem riscos conspirativos.
Subi ao 2º andar daquela rua do Areeiro e bati:
"Boa noite... há jantar para mais um?..."
A simpátiva velhinha que me abrira a porta sorriu na resposta:
"Pois... enganaram-se no andar. A reunião é no 3º, é lá que mora o vizinho comunista... lá é que há carapaus fritos!"
E abriu mais o sorriso maroto.

Histórias em 100 palavras e 1lustração - 8

Agora vão duas ou três sobre... cuidados conspirativos.
Que eram indispensáveis... mas que podiam criar situações que, hoje - e também então - faziam rir.


CONTRA-SENHA FALHADA

Comportamentos e conversas daquele colega faziam pensar que estaria próximo de nós.
O “funcionário” deu-me luz verde para a abordagem e iria haver um contacto por outra via.
Fiquei de ir a casa dele, o que era normal nas nossas relações. A contra-senha para o ligar ao “organismo” seria responder-me “o artigo do Vilela…” ao meu pedido do número 34 da Revista de Economia.
Assim fiz… e fiz de ignorante pois “É!, pá… qu´é isso?... então não sabes que a numeração da revista é por anos e nunca passa de 4 porque é trimestral?!”

Falhara o outro contacto…

Histórias em 100 palavras e 1lustração - 7

É com algum alvoroço (e também satisfação) que me vejo obrigado a antecipar estas 100 palavras, que agora escrevi, e talvez viesse a escrever mais tarde, talvez na madrugada de 26 para 27 de Abril...



A FICHA

Só soubemos do 25 de Abril à noitinha.
Por um ex-companheiro que foi para perto da prisão claxonar como se estivesse a bater na parede (1 toque-A, 2-B, etc.).
Depois… foi o que não cabe nem num milhão de palavras. Tanta coisa!
Só uma: um amigo pessoal entrou, já a 26, numa comissão para a “negociação” da nossa saída.
A primeira ficha que viu foi a minha. Retirou-a e veio, a correr, entregar-ma à cela.
Quando jornalistas entraram e fizeram a lista dos presos, a partir das fichas, faltava a minha.
Por isso, não ficarei na História! Paciência...


É esta:

Informação de Mounti

Chegou ao meu conhecimento o feliz evento do nascimento, na casa dos amigos Namora, de três filhotes da Nina.
Aqueles que meus donos se julgam, deram-me essa informação, com alguma contida emoção porque se teriam lembrado da Justine e do que por aqui se passou em idênticas circunstâncias, a que de certo modo estive alheio - embora observador e não lá muito satisfeito com a pouca atenção que então me foi dada... mas adiante -, tudo depois agravado com desaparecimento da Juju, de que confesso também sinto a falta, de vez em quando. Aqui fica a informação, a foto feliz (reparem na patita da carinhosa mãe!), e os meus parabéns a toda a família.

Mounti

domingo, abril 09, 2006

Exemplos de censura... há 35 anos!

Comecei a mexer em papéis velhos (estou sempre a mexer em papéis velhos…), e saltaram-me algumas “provas de censura” muito oportunas para o que aqui queria trazer. E fiquei preso na leitura, particularmente nas crónicas do Mário Castrim, para o "Canal da Crítica" do Diário de Lisboa. Sinto um misto de saudade, admiração e… renovada irritação. É preciso que os jovens saibam como era!
Transcrevo a crónica de 10.04.1971, de que foram cortados, pelos Serviços de Censura, os trechos em itálico.

TELEVISOR FECHADO
PALAVRAS (MAIS OU MENOS) ABERTAS

Não me peçam tolerância: tolerância é concordância. Não me peçam bem soar: bem soar é abençoar. Não me peçam compreensão: bem basta os que são. Não me peçam que perdoe: já basta o que me dói.

*

Eu sei que ninguém tem culpa. Então o que é que cada um tem?

*

Mãos nuas, peito a descoberto. Ainda por cima, estou sentado. Não nada mais indefeso que um homem sentado.

*

Acredito no futuro da televisão porque acredito na televisão do futuro.

*

O povo não me passou procuração para falar em seu nome. Mas na destruição das minhas noites e dos meus dias, existe um compromisso que desejo transparente. E pelo qual me destruindo, me construo.

*

Ando na palavra como o funâmbulo no seu arame. Uma vantagem para o funâmbulo: o seu arame não é farpado.

*

Então, contou a seguinte parábola:
Estava um homem a procurar, a procurar, no cesto das laranjas-palavras. Angustiado, porque nem todas as laranjas são possíveis. Quando rompeu a madrugada, tinha na palma da mão a laranja-silêncio.
- Senhor, que faz o homem que só encontrou a laranja-silêncio?
E o senhor respondeu:
- O homem que só encontrou a laranja-silêncio, meu filho, faz uma laranjada.

*

Os meus momentos de maior reflexão acontecem quando, no fim da emissão, desperta a imagem da bandeira portuguesa. Quando vier a bandeira a cores, será maravilhoso espectáculo.

*

Os perigos de uma televisão que, não se desejando comercial na essência, o seja por como modo de vida, consistem em não se apurar com a suficiente clareza se vive dos anúncios ou para os anúncios.

*

Televisão ao serviço dos grandes “trusts” não faz serviço nacional.

*

Na minha posição de crítico, só há uma coisa em que verdadeiramente acredito: nas limitações. Metem-se-me pelos olhos dentro. E levam-me os olhos.

*

Alego a legítima defesa.

*

Diz-se que o mal do Teatro na Televisão Portuguesa consiste na procura de reportório para maiores de 12 anos.
Espanto-me! Pois ainda há em Portugal indivíduos maiores de 12 anos?

*

Todos são políticos. Mas: só alguns o são por política.

*

Ser independente não é ser homem. Ser homem é escolher que dependência.

*

A Televisão é uma força de respeito; por esse motivo, há que permanentemente, perder respeito a essa força.

*

Lamentemos a sorte dos críticos sem Televisão. Lamentemos, poré, e emais ainda, uma Televisão sem críticos.

*

Um indivíduo critica para viver; oxalá a contrapartida seja a existência de um número cada vez maior de indivíduos que vivam para criticar.

*

O apelo à futilidade é a vocação de uma televisão sem vocação popular. Quer dizer: de uma televisão sem televisão.

*

Está dito: o infantilismo é uma arma de dois gumes, capaz de se voltar contra quem a usa. Julgando criar adesão de grande público, o que na verdade origina é a indiferença. A amizade, a solidariedade, fortalecem-se apenas no compromisso responsável.

*

O crítico tecnocrata é o pior dos críticos. É também o pior dos tecnocratas.

*

Não existe, no presente, uma única rubrica de produção nacional que disponha de grande audiência. A língua portuguesa, como instrumento vivo e quotidiano, é a grande exilada da televisão portuguesa.

"Ao menos essa tem cavalos. O que sempre anima."

A GR, num dos seus amigos comentários ao post em que a 1lustração era esta prova de censura, perguntava qual o conteúdo da notícia.
Tenho todo o gosto em lhe responder. Aqui. Em público. Embora lhe vá mandar uma fotocópia...
Trata-se de uma crónica-comentário à televisão, uma secção diária do Diário de Lisboa, de 17.04.1971. Chamava-se "canal da crítica" e o seu autor era o querido e saudoso amigo Mário Castrim, que aí deixou algumas das nossas melhores páginas de jornalismo e de "bem escrever em português".
Nesta, começava por "Ainda cheguei a ter esperanças. Pensei vir a ser, ao menos uma vez, bafejado pela sorte, como se costuma dizer. Recordam-se, logo no início do «Cimarron», a série mais chata e mais comprida da Televisão americana e de uma das suas sucursais , a Televisão portuguesa (...)" e a última frase ("e uma das suas sucursais, a Televisão portuguesa") foi cortada pelo lápis azul da censura.
Mais adiante, escrevera Mário Castrim: "Deixem-me saborear aquela fita sobre os diabéticos, tão optimista, tão insulínica, comentada sonolentamente, e tenham esperança que o mal é até à morte, mas não é de morte: podem fazer vida normal e tudo. Até podem praticar desporto caro, 80 mil diabéticos existentes em Portugal, se tiverem onde, evidentemente, se não tiverem, arranjem, está bem?" mas também a última frase ("se tiverem onde, evidentemente, se não tiverem, arranjem, está bem?") foi cortada pelos coroneis dos Serviços de Censura.
A crónica terminava assim: "«Cimarron» , é isso. Tudo se remediou. Tinha de ser. Coboiada? Ao menos essa com cavalos. Sempre dão outra graça."

Histórias em 100 palavras e 1lustração - 6

Contar pequenas histórias.
Em 100 palavras. “Arrumadas” em séries e sub-séries.
Como a destas duas "dedicadas a Fátima"… que fica perto de Ourém!


FÁTIMA – 2
Era uma espécie de brain-storming.
Atiravam-se ideias. Qual a mais louca…
Um olhou para mim, sorriu, e disparou:
“Andas sempre a dizer que és de perto de Fátima… lembrei-me duma boa…”
Nem me apeteceu ripostar, como sempre fazia, que Fátima é que é do concelho de Ourém. Esperei…
“Vem aí o Papa, n´é? A televisão vai dar tudo em directo. Para milhões. A gente arranja uns panos munta grandes e, na altura própria, com as câmaras a jeito, abre-os:
Liberdade para os presos políticos! Fim à guerra colonial!
Ia ser giro…”

Esteve quase. Não tivemos unhas…
Foi pena!

Estas 2 saíram sem 1lustrações.
Mas ainda estão a tempo!... Se algum amigo quiser mandar algo que 1lustre estas 100 palavras, será muito bem-vindo... e incluído.

Histórias em 100 palavras e 1lustração - 5

Histórias cem palavras. 100! Nem + 1 nem 1. Que se podem “arrumar” em séries.
Neste mês, dedicadas a Abril. À luta de antes e ao dia que foi o da libertação. Não só minha, o que pouca importância teria (embora enorme para mim!), mas do povo português. Da libertação do fascismo e da guerra colonial. Para um Portugal de liberdade e democracia.

FÁTIMA – 1

Qualquer pretexto me servia para dizer “sou de Ourém!”.
Sempre alguém ripostava “ah!... perto de Fátima…”. Logo corrigia “Fátima é que é ao pé de Ourém!”.
Numa reunião com taxistas, de que era árbitro sindical, um camarada treplicou “…andas sempre a dizer que és de Fátima… descobri como fazer a greve sem que os fascistas chateiem...”
Todos na expectativa:
“...Pois… faz-se a 13 de Maio. Vamos todos a Fátima em peregrinação. Em Lisboa, vazia de táxis, espalhamos que fomos rezar pela aprovação do contrato colectivo com aumento destes salários de miséria”.
Esteve vai-não-vai. Mas houve receios.
Fiquei frustrado!

sábado, abril 08, 2006

100 palavras e 1lustração - 4

Há 32 anos, por esta altura do ano, vivia-se de maneira muito diferente em Portugal. A 16 de Março, abortara um golpe militar, nas Caldas da Rainha (o Zé Quim que conte). O dia 25 de Abril vinha a caminho, cumprindo calendário. Muita coisa para contar. Em cem palavras:


DESENCONTROS
Entre 16.03 e 25.04 de 1974 muitos jornalistas aterraram no aeroporto da Portela.
Quando nos avisaram da chegada daquela equipa da televisão belga estávamos em Coimbra, então a mais de duas horas de carro de Lisboa.
Telefonámos, conspirativamente, a um amigo para os esperar e marcar encontro na “cervejaria Trindade”.
Só que também havia – e há – o “restaurante Trindade”. E os belgas meteram-se num táxi e pediram “restaurant Trindádé”. Onde habitualmente jantavam pides…
Por isso, enquanto os esperávamos metros acima, os bons dos belgas lamentavam a falta de pontualidade portuga e berravam os nossos nomes para sensíveis ouvidos policiais-pidescos…
Por essas e por outras:

sexta-feira, abril 07, 2006

100 palavras e 1lustração - 3

Há centenas de “histórias cem palavras” prontas. Sem precisarem, sequer, de ir ao “micro-ondas”... E 100 palavras serão, talvez, um tamanho ideal para um post.
Aqui vou (a)postando-as.
100 palavras (nem + nem – 1) com 1lustrações amigas, quando vierem…
Estamos em Abril, pelo que outros abris quero lembrar. Para contar como era, aos que não os viveram, para reavivar memórias!



QUANDO FAZÍAMOS COISAS,
QUANDO RESISTÍAMOS

Com paciência pedagógica expliquei ao jornalista estrangeiro que não era bem assim. Que fazíamos umas coisas. Que resistíamos.
Contei-lhe da clandestinidade, das fugas, como se ludibriava a censura prévia, das artes e manhas para editar e distribuir antes da apreensão.
Também do aproveitamento da ligeiríssima abertura na legislação laboral, como tomáramos sindicatos e estávamos a ganhar arbitragens e a mobilizar trabalhadores.
E mais não podia contar…
Repetiu o olhar estrangeiro, agora trocando a solidária comiseração por admiração.
“Afinal…vocês fazem tudo!”
Lá tive de o corrigir: “Não é bem assim… vamos fazendo tudo o que podemos…resistimos!”

- capa (excelente, não?) de Manuel Augusto Araújo para o nº 1 destes cadernos, que se publicaram até ao nº 4 "fugindo" à censura prévia, como publicação não-periódica (que saía todos os meses...), o que foi "topado", passando a ser obrigados a ir censura, o que aconteceu até ao nº 15, e depois proibidos!

100 palavras e 1lustração - 2

100 palavras serão uma boa dimensão para um post. Tenho “cem palavras” às centenas “. Prontas a sair.
Aqui vou (a)postá-las.
100 palavras (nem + nem – 1) com 1lustrações amigas, se vierem…
E como estamos em Abril, outros abris vou lembrar. Para que não se apague a memória!

QUANDO “NÃO SE PODIA FAZER NADA”

O jornalista olhou-me estrangeiramente.
Eu tinha acabado de lhe contar das prisões e da tortura, das medidas de segurança, da censura à imprensa periódica, da apreensão de livros.
Escandalizara-o com as provas (de “exame prévio” e outras) que lhe mostrara.
Também lhe falara de outras formas mais fundas de repressão, política e sindical, das autorizações, proibições, perseguições, das pidescas escutas telefónicas, dos informadores, das abjecções.
Havia um misto de solidariedade e de comiseração naquele seu estrangeiro olhar:
“Pois… não podem fazer nada!”
Corrigi, célere: “Não é bem assim… resistimos e muita coisa vamos fazendo!”

Mais um aviso

Se alguém, algum vizinho em particular, quiser saber coisas que vou fazendo na Assembleia Municipal para que fui eleito, estou a deixar informação no respectivo blog: CDUporOURÉM.
E não penso ficar-me por aí...

quinta-feira, abril 06, 2006

100 palavras e 1lustração - 1

Não há medida padronizada. Como não haverá medida ideal. Mas acho que 100 palavras são uma boa dimensão para um post. Tenho-as às centenas. As “cem palavras”. Já feitas e prontas a sair.
E aqui vou (a)postá-las.
100 palavras (nem + nem – 1) com 1lustrações amigas, se para tanto conseguir convencer alguns que para os riscos têm engenho e arte.
Começo por esta, que conta 1 génese (houve +), e a 1lustração é 1 desenho que o Roberto Chichorro foi fazendo, rápida e distraidamente, sobre o que era 1 capa (!?), como tantas já fiz...


CEM PALAVRAS ESPANTA-MEDOS
Era uma vez um avião. Nele ia eu. Lá em cima. Voando.
A hospedeira, simpática como (quase) todas, deixou-me o Diário de Notícias.
Folheei-o e atraiu-me a publicidade a um concurso:
Histórias cem palavras.
Foi a modos de um desafio.
Procurar palavras que contassem histórias. Nunca mais de cem.
Enchi o habitual tempo de medos e angústias (porquê?... nunca mais me habituo!) contando histórias. E contando as palavras que as contavam…
Nem dei pela aterragem. Até pensei que as palmas dos meus companheiros de viagem tivessem sido por ter conseguido meter tantas histórias em tão poucas palavras.

Fé (e convicção)

Ontem, na leitura que antecede o adormecer, nem sempre fácil, tropecei numa frase que esperou por hoje para aqui a colocar.
Estou a ler "Álvaro Cunhal - íntimo e pessoal", de Miguel Carvalho, livro recentemente editado, que é uma espécie de dicionário com mais de 500 "entradas". Comprei-o, meio desconfiado, mas está a ser interessante a leitura.
Ontem, ia na letra F, e encontrei uma "entrada" que me lembrou a "conversa" que aqui tivemos sobre crenças e convicções. E. sem qualquer intenção de trazer "argumento de autoridade", reproduzo o que Álvaro Cunhal escreveu no "Público", em 17 de Abril de 1996, e que diz melhor o que eu quis dizer quando sobre o tema escrevi:

"Fé - distingo a convicção da fé. A fé é a crença em qualquer coisa que não está provada, em termos objectivos. Qualquer coisa que não se viu, mas em que se acredita. A convicção não. A convicção resulta da observação com verdade dos factos, dos acontecimentos da vida. Eu não tenho fé. Tenho convicção, que é uma coisa diferente. A convicção não seria convicção - e seria fé - se não houvesse espaço para as dúvidas."

Não pretendo relançar a discussão... mas se acontecer, venha ela. É sempre benvinda quando os interlocutores estão de boa... fé!

quarta-feira, abril 05, 2006

Acordei. E não muito bem disposto. Comecei a ouvir rádio e estou a ficar pior.
Para já, está a instalar-se a dúvida se acordei no Zambujal, em Portugal, ou em Barcelona, na Catalunha.
Arre bolas!, que é demais...
Abro o Ourém e o seu Concelho e, com a devida vénia, transcrevo o oportuníssimo edit(ori)al (parabéns, Rui Melo):

Organização e Método

Deverão as instituições de raiz cultural deste concelho, sempre que agendem qualquer evento dirigido ao público em geral, observar os princípios seguintes:
1. Consultar, afixar e deixar à consulta pública, os calendários dos jogos de futebol a serem televisionados, quer em sinal aberto, quer em sistema codificado;
1.1 Aplicar rigor absoluto desta disposição, sempre que se trate de jogos internacionais;
1.2 Em última instância, marcar os espectáculos. Concertos e audições entre as 3 e as 4 da mnhã, de molde a não colidir com os eventos mencionados em 1;
2. A não observância dos pontos anteriores será punida com falta de comparência do público, entidades oficiais e convidados, e com o consequente averbamento de falta de competência organizativa à entidade promotora.
Publique-se

Publicado está!

terça-feira, abril 04, 2006

Prepare-se para ir à polícia!

Pam! Pam!
As portas das carrinhas batiam lá em baixo, na calçada da Sé.
As duas pancadas ecoavam dentro de cada um de nós.
Em cada uma das celas (“curros”) do Aljube, crescia a expectativa angustiada.
Esperávamos eternidades de segundos, até que um dos postigos se abrisse e o guarda de serviço ao andar gritasse, para um de nós, “prepare-se para ir à polícia”.
Era o santo e a senha, a palavra-chave de todos conhecida.
Aquele que tivesse de se preparar para “… ir à polícia” estava preparado.
Sabia ele, e sabíamos todos, o que significava aquele ruído surdo de portas de carrinhas a bater, lá em baixo, na calçada da Sé, aquela frase fria, aparentemente inócua, que escolheria uma cela, um postigo, um de nós.
Vinham buscar um de nós para ir para o interrogatório, para a tortura, para os dias e noites sem dormir, para o percurso por uma Lisboa cheia de gente apressada e indiferente, para um regresso sabia-se lá quando, sabia-se lá como, e até se regresso haveria…
O detido estava preparado.

E que havia para preparar?
Naquele espaço de um metro e dez por um metro e setenta não havia nada que preparar. A não ser dentro de cada um, naquela luta em que só perdia quem se sentisse sozinho, quem à luta se entregasse como se fosse apenas o preso, aquele preso há semanas ou meses isolado para assim ser preparado para … "para ir à polícia”. Para os interrogatórios, para a tortura, para os dias e as noites sem dormir.
Pam! Pam!
Quando as portas das carrinhas batiam de novo, já com um de nós lá dentro a caminho da António Maria Cardoso, não era alívio o que sentiam os que tinham ficado.
Recomeçava a tortura da espera. Surda, mordida, preenchida de penumbra, pó e palha.
Da espera do próximo Pam! Pam!. Talvez ainda hoje, talvez amanhã…


E, então… Então será – talvez… – a mim que virão buscar.
Este postigo por onde passam frouxos raios de luz, abrir-se-á e ser-me-á dito, num meio berro (que ouvirei como grito meu dentro de mim) “Prepare-se para ir à polícia!”.

Estou preparado! Temos de estar sempre preparados!


(foi assim, comigo, em 1963; foi assim, comigo, em Abril de 1974, até chegar o dia 25; ...)
04.04.2006
desenho de Roberto Chichorro

segunda-feira, abril 03, 2006

Talvez desabafo...

Nunca se está de acordo sempre e em tudo que o outro, um qualquer outro[1], diz e pensa.
Então… porque tropeço, com tanta frequência, na afirmação de outros que, mesmo ou sobretudo quando estão de acordo comigo ou me reconhecem méritos, "contudo" relevam, enfaticamente, a reserva de não estarem de acordo comigo sempre e em tudo?
Mesmo os/as que mais próximos/as de mim estão e são, amigos/as, companheiros/a.
Será que isto em que tropeço são manifestações de um complexo de inferioridade deles/as, não em relação a mim mas ao que sou, ao que digo e penso?
Ou sentir isto será manifestação de um complexo de perseguição deste meu lado, não meu mas daquilo que sou, penso e digo, relativamente aos outros?
Julgo que não há razão (razões) para complexos.
Nem o que sou, a pele do que sou e não a farda ou a batina[2] que vesti, se quer superior porque é uma maneira de ser, de vivo estar, nem a maioria daqueles em que tropeço me perseguem, não a mim mas ao que digo e penso, isto é, o que sou com outros de antes e de hoje.
______________________________________________
[1] Embora eu também seja o outro, o que não é contraditório porque ninguém estará sempre e em tudo de acordo consigo próprio.
[2] Esta (nova…) tem a ver com a novidade com que o Quim Castilho amigavelmente me atirou, como carapuça que não vejo jeito de me servir.

sábado, abril 01, 2006

Tirando coisas da gaveta...

Que pena seres comunista…

"Apesar de ser ele o que é, tem de se reconhecer que"
(como quem diz apesar não seres de aqui, de seres de outra cor que não a minha, de seres homossexual, ou maricas, ou paneleiro, de seres mulher, ou coxo ou zarolho, e por aí fora…)
"Não partilho as suas ideias políticas e filosóficas, mas não se pode deixar de"
(mas alguém tinha dúvidas sobre isso?, e pode partilhar ideias quem de ideias está vazio,
e de ideais vazio está porque é só pragma e só praga?)
1 de Abril de 2006

Ouço, muitas vezes: que pena seres comunista… (ou sei que o dizem, ou adivinho que o pensam).
Alguns que a mim, ou a outros o dizem, ou adivinho que o pensem, são os mesmos que dizem ou pensam: que pena aquela ser puta!
Embora, é verdade, num caso seja dito com reticências, noutro com ponto de exclamação, não gosto nada destas confusões! E recuso a analogia, que só forçada é mas que implícita está em alguns desses que o dizem ou pensam, que são senhores cujas mãezinhas serão hoje chamadas putas por tais filhos terem tido.
Não que eu tenha algo contra as putas, que o são fruto de circunstâncias sem perdão, ainda que não aceite que tal actividade seja legitimada como profissão, vocação ou devoção. Recuso é a analogia. Que não há!... mas que pode ser (a)tirada dos implícitos na traiçoeira língua portuguesa.
Até porque…

Até porque, no mau (porque injusto) sentido do vocábulo, puta é quem vende o que é seu, o que mercadoria não é e no mercado nunca deveria estar:
o corpo e a dignidade do ser humano.
Ora, um comunista está nos antípodas:
nunca se vende e luta pela dignificação do ser humano.

Não são os únicos, e nem sempre o farão bem, mas não são comunistas se assim não fizerem. Dir-me-ão que alguns, que comunistas eram ou se diziam, tiveram comportamentos de puta (no mau sentido do vocábulo, insisto!).
É certo… mas repare-se naquilo a que apela o uso rigoroso da linguagem, e de português falo:
eram quer dizer o mesmo que foram
se diziam não é o mesmo que serem ou terem sido.
E não tenham pena de mim que eu (de mim e de vós) pena não tenho.
Tenho dito!

(num dia qualquer
de um mês que já foi
de um ano ido)

sexta-feira, março 31, 2006

Nota estatística à margem

Lanço aqui dois temas, para auto e multi reflexão.
"Obediência e disciplina" provoca quatro pobres comentários; "dogmatismo e ortodoxia" já vai nos 27.
Cá fico a reflectir...

Olá!

Ora vivam!
Aqui estou a observar-vos. E estou a gostar dessa animação.
Só não quero é que se magoem!

quinta-feira, março 30, 2006

Sobre religião e outras coisas utilizadas como "ópios" do povo

Vamos lá então à questão da religião ser ou não o ópio do povo.
Antes, porém… Nunca sou capaz de reproduzir, agora, o que há muito tempo, ou há pouco, disse ou escrevi, exactamente como há muito tempo, ou há pouco, o disse ou escrevi.
E tantas vezes me tem sucedido que, após uma prova de azelhice, de inépcia, um gesto canhestro (destrambelho, diz o outro), apago o que escrevi e, ao querer retomar o escrito, inevitavelmente outro escrito me sai.
Não raro uma angústia me assalta porque tenho a ideia, a percepção, de que a anterior (e apagada) forma era mais feliz que aquela que tive de reconstituir... aproximadamente.
Por isso, fujo como o diabo da cruz (que raio de imagem!...) dos argumentos de autoridade fulano disse logo é isso que é, porque sei que aquilo que “aquele fulano” disse ou escreveu o fez naquelas concretas circunstâncias e naquele preciso momento em que o disse ou escreveu.
Nem era necessário correr tempo de maneira a mudar as circunstâncias para que, no momento seguinte, aquele mesmo fulano – já outro – dissesse (talvez) o mesmo de maneira (decerto) diferente.
Então… quando foi dito (por quem?) que “a religião era o ópio do povo”, tal foi dito num momento e num contexto.
Quero eu dizer (sem o dizer) que não estou de acordo com essa frase? Não, de modo nenhum, mas quero dizer que não aceito ter de responder se sim ou não estou de acordo com a frase. E pronto, ficava respondido.
Eu - repito: eu, e acrescento: agora que escrevo - acho que a religião foi e é utilizada como ópio para o povo, no sentido de anestesiante, de desviante da tomada de consciência do que é e de como está organizado socialmente.
Entretanto, isto é, tantos anos passados sobre essa frase com que se pretende resumir/caricaturar a posição dos marxistas sobre a religião, muitas coisas aconteceram, muita água passou por debaixo (e também por cima) das pontes.
E muitos “ópios” se acrescentam ao que, como o “ópio”, pode ser utilizado. As drogas – que o ópio também é –, a “lei seca” e a sua clandestinidade, o espectáculo desportivo, a televisão, as auto-estradas da comunicação, a net. Sei lá que mais…
Utilizados por quem?
Pelos que – pela classe que – beneficiam do actual/presente “estado de coisas” e que tudo fazem, às vezes chegando a extremos inimagináveis, para que nada mude, ou para que apenas mude o que tenha de mudar para que tudo, no essencial das relações humanas, continue na mesma. Porque têm a consciência, ou a percepção, de que o povo, tomando ele consciência, teria a suficiente força para mudar, para transformar a sociedade, para fazer outras as relações humanas sobre que esta assenta.

Isto foi o que eu escrevi. Isto fui eu que escrevi. Hoje.
E assino
Sérgio Ribeiro
E localizo e dato
Zambujal, 30 de Março de 2006, neste momento 13.36 (e ainda não almocei...)

Apenas uma e última palavra(inha)

Num outro blog (albergue dos danados), escrevi este comentário :

Sobre o primeiro "caso", porra! A começar por ela e a nela acabar, apenas direi esta palavra sobre a exma. senhora dona Margarida Rebelo Pinto, recusando-me a participar na campanha que a desgraciosa senhora dona promove a partir da publicidade graciosa que de todos nós pretende.
(ainda, e contrafeito, reproduzirei este comentário adaptado ao meu anónimo blog)

Por favor, não comentem!

quarta-feira, março 29, 2006

Se me dão licença...

... transcrevo que foi enviado aos orgãos de comunicação social:

Comunicado da Comissão Política do PCP

PS exclui 12 recomendações do PCP
para reforçar a participação política das mulheres

1 – A Comissão Política do PCP destaca o facto do seu Projecto de Resolução sobre «Medidas de reforço da participação cívica e política das mulheres» ter sido excluído do debate parlamentar do próximo dia 30 de Março, tendo o Grupo Parlamentar do PS imposto que a discussão se centre, exclusivamente, na chamada «Lei da paridade».

Com o objectivo de dar cumprimento ao Art.º 109 da Constituição da República, o Projecto de Resolução do PCP propõe 12 medidas envolvendo os diferentes agentes políticos e sociais (partidos, Governo, organizações sociais e de mulheres) no sentido de assumirem uma activa intervenção visando promover e garantir a participação das mulheres em igualdade na vida política e cívica e nos centros de decisão.

Neste sentido, o Projecto de Resolução do PCP destaca o papel dos partidos políticos na assunção de responsabilidades no necessário aumento do número de mulheres nas listas eleitorais e em lugares elegíveis para a Assembleia da República, Parlamento Europeu, assembleias legislativas regionais e autarquias locais. Esta responsabilidade deve ser concretizada através de um processo de auto-regulamentação e no respeito pela liberdade de adopção das medidas que cada partido político considere mais adequadas.

Destaca, igualmente, a intervenção activa que o Governo deve assumir nas suas esferas de competência, visando a promoção do reforço da presença de mulheres em altos cargos governativos, incluindo cargos dirigentes da Administração Pública preenchidos por via de nomeação; a avaliação dos impactos das políticas económicas e sociais na evolução da situação das mulheres; a publicação de relatórios anuais com informação sobre a evolução da participação das mulheres nos órgãos de poder e na Administração Pública. Sem esquecer também a responsabilidade que lhe cabe em promover e garantir um conjunto de medidas positivas do ponto de vista económico e social e de combate às atitudes e práticas discriminatórias, de forma a permitir às mulheres a participação no exercício do poder político.

2 – A Comissão Política do PCP considera inaceitável que o Grupo Parlamentar do PS fundamente a imposição da sua «Lei paritária» por razões de reforço da participação política das mulheres, quando ignora deliberadamente que existem outros importantes cargos políticos, de que são exemplo o próprio Governo e os cargos dirigentes da Administração Pública preenchidos por nomeação, nos quais a participação das mulheres é baixíssima.

Não é aceitável que o Partido Socialista crie falsas expectativas de reforço da participação das mulheres nos órgãos de poder tendo como base a designada «Lei da paridade» e ao mesmo tempo defenda uma reforma do sistema político e eleitoral que, além de contraditória com os objectivos agora expressos nesta proposta de lei no que se refere às mulheres, vai redundar num efectivo empobrecimento da participação política e eleitoral do conjunto dos agentes do sistema partidário. A gravidade dos seus objectivos de alteração ao sistema político e eleitoral – introdução dos círculos uninominais, criação de executivos camarários «monopartidários» – levariam a assegurar a alternância PS/PSD sem sobressaltos, à custa de maiores constrangimentos à eleição de mulheres – como é patente nos círculos uninominais –, e à distorção da relação proporcional entre votos expressos e eleição de representantes.

Com o debate parlamentar do dia 30 de Março, o Partido Socialista não pretende a adopção de estratégias que contribuam de forma eficaz para o necessário aumento da participação das mulheres no exercício do poder político, baseadas numa avaliação rigorosa das diversas causas que determinam a sua lenta evolução nos diversos órgãos de soberania.

O que o PS pretende é impor a exclusão de participar nos actos eleitorais aos partidos que não cumpram a obrigatoriedade de inclusão de 33% de mulheres nas listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as Autarquias Locais. A ser aprovada esta proposta do PS, estaremos perante um novo passo na ingerência na vida interna dos partidos e no direito dos seus militantes – mulheres e homens - de decidirem livremente as suas regras de funcionamento. O que o PS pretende é alimentar a ideia de que as causas de todos os problemas, incluindo os défices de participação política das mulheres, residem no funcionamento interno dos partidos e não no conjunto da sociedade.

De forma ardilosa, o PS pretende, ainda, centrar os défices de participação em igualdade entre mulheres e homens nos centros de decisão política. Quando, o que acontece é que tais défices acompanham a situação de desigualdade e de discriminação mesmo em espaços onde estas são maioria. É disso exemplo o mundo do trabalho, com a duplicação do desemprego feminino, o aumento da precariedade e o agravamento das discriminações salariais.

Tudo isto em resultado das políticas económicas e sociais, que se repercutem igualmente na falta de cumprimentos dos direitos de maternidade-paternidade, na falta de uma rede pública de creches, jardins de infância e ATL’s, entre outros exemplos.

Pretende, assim, o PS desviar as atenções quanto à estreita relação entre a natureza da sua política de direita e o défice de participação política, o que não é separável do aprofundamento das discriminações que continuam a pesar sobre as mulheres em todas as esferas da vida.

A Comissão Política do PCP reafirma a sua rejeição desta proposta do PS, ao mesmo tempo que reitera não só o seu compromisso com o reforço do número de mulheres nas suas listas e em lugares elegíveis, como o seu activo empenhamento na luta pela concretização da justa aspiração de participação das mulheres em igualdade na vida económica, social e política.


(consultar o Projecto de Resolução do PCP em http://www3.parlamento.pt/plc/Iniciativa.aspx?ID_Ini=21198 )

28.3.2006 A Comissão Política do PCP

terça-feira, março 28, 2006

Mais coisas...

Só o rigor dos conceitos pode vencer os preconceitos

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As palavras são conceitos.

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Os preconceitos servem-se de palavras sem cuidar do rigor dos conceitos que as palavras são.

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Todas as palavras têm significados.

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Se assim não fosse nada teria sentido.

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Ortodoxo é “o que está conforme com uma doutrina definida; por ext., é o que é rígido nas suas convicções”.

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Mas… apetece perguntar: as convicções seriam convicções se não fossem rígidas?

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Posso dizer que ortodoxo é o que tem convicções e as defende?

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Dogmático é o que, ou aquilo que “pertence a ou relativo a dogma (sendo dogma um “ponto fundamental da doutrina religiosa ou filosófica apresentado como certo e indiscutível".)/ Que se apresenta com o carácter de certeza absoluta; que exprime uma opinião de forma categórica”.

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E posso dizer que ter convicções não é o mesmo que considerar-se certo, exprimir-se de forma categórica, apresentar-se como dono de certezas absolutas?

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E que firmar as suas posições em convicções, que por isso têm de ser rígidas, não é igual a não aceitar que elas sejam discutíveis e discutidas?

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O dogmático é – tem de ser! – obediente.

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O ortodoxo é disciplinado, e só assim poderá defender as suas convicções, a partir das quais terá todas as dúvidas do mundo.

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Sê o mais ortodoxo dos não dogmáticos!
(de um velho - e sempre em revisita - manualitância)

Coisas...

O obediente não faz.

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O obediente espera.

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O obediente espera que o mandem fazer.

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E, depois, obedece, copia, plagia o mandante.

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O disciplinado nunca obedece.

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O disciplinado toma iniciativa.

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O disciplinado não espera pela iniciativa de outros, que copie, ou adopte, ou adapte.

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Faz!

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O disciplinado integra-se, com a sua iniciativa, no que os colectivos, com as suas regras, com as disciplinas individualmente assumidas, fazem.
O obediente não faz.

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O obediente espera.

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O obediente espera que o mandem fazer.

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E, depois, obedece, copia, plagia o mandante.

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O disciplinado nunca obedece.

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O disciplinado toma iniciativa.

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O disciplinado não espera pela iniciativa de outros, que copie ou adopte, ou adapte.

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Faz!

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O disciplinado integra-se, com a sua iniciativa, no que os colectivos, com as suas regras, com as disciplinas individualmente assumidas, fazem.

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Sê o mais disciplinado dos não obedientes
(de um velho manualitância)

segunda-feira, março 27, 2006

Por Sant'Iago...


Um comentário de Mário Abreu no anterior "post" levou-me a ir rever esta foto do Pedro Gonçalves, de que tanto gosto por tantas razões, e não é das mais pequenas o de traduzir convívio e companheirismo.
Respondi totalmente ao lado do comentário por não lhe ter dado a atenção que merecia. Se a tivesse tido, teria "apanhado" que a "peça" a que se refere o Mário Abreu era esta foto, e que o lugar que nela ocupo era o de São Tiago numa outra "ceia"... que afinal não foi a última e tantas mais tem inspirado, depois deo senhor Leonardo (o do código) a ter pintado.
Aqui me penitencio, e "repesco" (como é próprio de pescador que teria interpretado...) a foto que aqui coloco.
Se calhar, estava só à espera de um pretexto...

domingo, março 26, 2006

De repente...


De repente... o relógio deu um salto.
Os ponteiros obedeceram a ordens que não as do tempo.
Apanharam-me distraído, e fugiram-me 60 minutos de vida.
Não há desculpas: estava acordado, de sono adiado...
Espero agarrar estes 60 minutos no próximo solstício!
Ajustaremos contas...

quarta-feira, março 22, 2006

Eureka!

Parece que me consegui recuperar, eu que anónimo não sou e arranjei este original (!?) pseudónimo ou heterónimo.
Acabo de verificar que muito anónimo do séc.. xxi existe aí espalhado pela net...
Estou a pensar arranjar outro heterónimo.

Por onde andas, anónimo que te foste?

Tão anónimo me estão a fazer que me assemelho a uma página em branco..
e não o quero ser!

segunda-feira, março 20, 2006

O dia do pai foi ontem


E os meus filhos manifestaram-se!
Confesso que fiquei muito contente.

Não tanto como se me dissessem que vinham netos a caminho... mas fiquei contente.
O mais pequenino (36 anos, lá para quase um metro e oitenta e 100 quilos) ofereceu-me um CD com um concerto de 19.11.2004, na "Cité de la Musique", da Orquestra Filarmónica da Rádio France, que tocou a deutsche sinfonie opus 50 (1935-1947), de Hanns Eisler, sobre textos de Bertolt Brecht, a partir de correspondência entre os dois, de 1935.



E não resisto a traduzir para português meia dúzia de versos, que estão em alemão, inglês e francês no caderno que acompanha o CD.
E mais. Não resisto a, por minha conta, risco e atrevimento, fazer uma adaptação para português actual (de 2006) de alguns desses versos.

(...)
Deram-nos boletins de voto,
pelo nosso lado, entregámos as nossas armas.
Eles fizeram-nos promessas
e nós demos-lhe a nossa espingarda.
E disseram-nos: “os que quiserem
ajudar-nos-ão a partir de hoje,
só temos de nos pôr em acção,
e vocês farão tudo o resto para nós”.
Então, deixei-me dobrar outra vez
e comporto-me como é preciso,
sossegado, e penso:
está certo da parte da chuva…
se é para cima que ela quer cair.

E quase logo ouço dizer
que tudo está nos seus devidos lugares.
Se um mal menor nós o suportarmos,
nos será dada a prenda de um mal maior.
Engolimos o cura Brüning(*)
para evitar que fosse o Papen.
Engolimos o cavalar Papen
se não seria a vez de Schleicher.
E o cura passou ao soldado
e o soldado passou ao general,

e a chuva sempre a cair, a (es)correr para baixo,
a tombar lá de cima, colossalmente.

_______________________________________
(*)

Escolhenos o beato Guterres
depois de ter engolido o sapo Cavaco.
Apanhámos com um durão Barroso
para não suportar um ferro Rodrigues.
Estamos a aguentar um pragmafilósofo Sócrates
a quem demos o lugar sampaiamente concedido a santanas Lopes,
e aí está a parceria com o mesmo Cavaco de má e esquecida memória,
cá regressado à custa de alegres Soares e de sisudos Louçã(s).

e a chuva sempre a cair, a (es)correr para baixo,
a tombar lá de cima, às vezes a cântaros, em doses colossais.

domingo, março 19, 2006

Olá!

Como é que isso vai?
Tudo muito animado, não é?
Tenho acompanhado.
Sei que não estou esquecido.
Saudades e saudações
Mounti

QUESTÃO DE SE SABER SE DEUS EXISTE

Perguntou alguém ao senhor K. se Deus existia. E ele respondeu assim: "Aconselho-te a reflectir, para ver se o teu comportamento se modificaria consoante a resposta que se der à pergunta. Se não se modificar, poderemos esquecê-la. Se modificar, poderei dar-te alguma ajuda dizendo que tu próprio decidiste: precisas de um deus."

(Histórias do senhor Keuner, Brecht, tradução de Luís Bruhein, Hiena Editora, 1993)

quinta-feira, março 16, 2006

Certezas e dúvidas


Já que insistem, aqui vai um enunciado das minhas certezas, ao “correr da pena” ou, melhor, “a toque de teclas”, procurando não ser (excessivamente) redutor:

  • Nasci de um acto de dois que foram meus pais, desde logo tendo dúvidas que de amor – tal como, exigentemente, concebo este – tenha sido o gesto;
  • Sou matéria, provisória e precariamente organizada;
  • Enquanto tal, faço parte da natureza – não vim dela, não volto, pó, a ela… sou dela parte;
  • Há uma dinâmica na matéria que é dialéctica, tudo é luta de contrários, tese-antítese-sintese-tese-antítese e por aí fora;
  • É minha segunda condição natural ser um ser social, isto é, nasci, vivi, vivo, viverei (enquanto) com os outros, deles interdependente;
  • Tenho da História uma leitura que me leva a afirmar que há exploração de uns homens (e mulheres, claro) por outros homens e mulheres;
  • Conhecendo as contemporâneas (e mutantes) expressões dessa exploração, há classes sociais e luta de classes;
  • Tomei p(P)artido nessa luta;
  • Aceito as certezas dos outros, e com estes argumento no plano da luta de ideias;
  • Combato as “certezas” de quem não tem dúvidas;
  • Combato quem, ao concretizar “certezas”, exclui outros de seus semelhantes… porque têm outro sexo, outra cor de pele, outra orientação sexual, outras certezas;
  • Eu sou o outro, não como fatalidade mas como inerência natural, histórica e social;
  • Não valho nada mas sou insubstituível naquilo que valho.

Sobre estas certezas construo, quotidianamente, hora a hora, tudo o mais que vou sendo (que tudo é). São as dúvidas de que sou feito.


A tempo: Mais uma certeza: isto não fica assim!

quarta-feira, março 15, 2006

"O ASSUNTO"

As certezas sobre que assentam todas as dúvidas.
ou
A ausência de dúvidas assente sobre nenhuma certeza.

Explicar-me-ei melhor se houver quem ache que vale a pena.
Tenho dúvidas...

segunda-feira, março 13, 2006

PERGUNTAS CONVINCENTES

Eu sei, eu sei...
Eu sei que há uma série de perguntas (serão 7 ou 8...) que me foram feitas directamente e que esperam resposta. Não ficarão (as perguntas) sem elas (as respostas)...
Mas, entretanto, aqui vai esta "história do senhor Keuner" (do Brecht, claro!) que me entusiasma muito particularmente.
SR

PERGUNTAS CONVINCENTES


«Já reparei», disse o senhor K., «que afastamos muitas pessoas da nossa doutrina por termos uma resposta para tudo. No interesse da propaganda, não poderíamos fazer uma lista de perguntas que ainda nos pareçam sem resposta?»

sexta-feira, março 10, 2006

Do dia de ontem

Extracto de um quase-diário, daquelas coisas que se vão escrevendo para uso pessoal e intransmissível mas que, por vezes, extravasam.

09.03.06

À hora de procurar as notícias primeiras do dia, encontro o ritual. O ricto. O rictus.
O relato da cerimónia, do cerimonial, do protocolo.
O relato feito à lamentada distância a que ficam os relatores, que ao largo foram mantidos. Por questões de segurança. É que, com estas personalidades convidadas, todo o cuidado é pouco… Mas dá para relatar que estão todas, as personalidades, muito bem dispostas e que conversam umas com as outras. O Aníbal com o Jorge, o Jorge com o José, o José com o Jaime. Todos uns com os outros. Em circuito fechado.
Depois, todos sentados, calados, tudo composto (presumo que todos…), que é como diz a voz a quem cabe relatar.
Ah! um pequeno pormenor (há pormenores que não sejam pequenos?):
apesar do ambiente óptimo, dos risos e sorrisos, dos calorosos apertos de mãos, dos beija-mãos às primeiras damas, a que vai deixar de ser e a que vai ser, a mesma voz (ou outra?) sublinha que não houve abraços entre eles e elas. Pelo menos por agora.

Distraio-me. Logo me chama à pedra a voz da senhora secretária da Assembleia da República que, a mando do respectivo Presidente, lê a acta.
Lida a acta, o Aníbal de Boliqueime jura a Constituição.
É o clímax da (sem-)cerimónia. E toca-se o hino.
Só falta assinar para que o Jorge troque de cadeira com o Aníbal e, na tribuna de honra, a Maria José Rito troque de cadeira(ão) com a simplesmente Maria.
Assim se fez, assim foi feito e dito.
Quero lá saber!
Bardamerda!

E das horas de noticiários apenas se ouviram os apitos dizendo que passaram.
Quantas teriam sido, hoje, as mortes em Bagdad?

quarta-feira, março 08, 2006

Com uma enorme tristeza!

Morreu o Xico Santo Amaro!
Morreu um grande amigo.
De muitos e muitos anos. Quase posso dizer que tantos quantos ele teve de vida.
E abri mais um lugar no meu "cemitério interior" que vai estando tão povoado de amigos.
Quero lembrá-lo não como vi há pouco o seu corpo, mas com aquela alegria, aquele saber fazer amigos, como o menino que içou a bandeira nacional na inauguração da "escola" do Zambujal.

Hoje, 8 de Março, dei-te um poema...

... como se fosse uma rosa, ou um cravo ou uma qualquer outra flor.
E, agora, com dia no fim, outro poema te dou...
na tua...

Ausência

Mal te deixo (ou tu me deixas...),
continuas em mim,
cristalina ou trémula,
ou inquieta,
de mim mesmo ferida (ou só ausente...)
ou cumulada de amor, (e logo logo de saudade...)
como quando os teus olhos
se fecham sobre o dom da vida
que sem cessar te entrego.

Meu amor, encontrámo-nos,
sedentos,
e bebemos
toda a nossa água e todo o nosso sangue,
encontrámo-nos,
com fome,
e mordemo-nos
como o fogo morde,
deixando-nos em ferida. (só por vezes... raras)

Mas espera-me.
Guarda a tua doçura. (gosto mais de ternura...)
Eu te darei uma rosa!

(sobre (!!) um poema de Neruda, em Os Versos do Capitão)

8 de Março de 2006

Hoje, 8 de Março de 2006, nesta cidade de Ourém, algumas coisas se fizeram para lembrar que, hoje, 8 de Março de 2006, faz 149 anos que, em Nova Iorque, mulheres operárias lutaram por um horário de trabalho que não fosse tão desumano. Manifestaram-se, houve um incêndio, muita gente morreu. Sobretudo mulheres. Mas a data ficou na memória. E é preciso que não fique só a memória da data. É preciso que se saiba porquê esta é a data a que universalmente se dá o nome de Dia da Mulher.
Por isso, hoje, 8 de Março de 2006, nesta cidade de Ourém, em que há uma luta (silenciosa, surda) contra a imposição unilateral de um novo horário de trabalho a 9 mulheres, que lhes será muito prejudicial pelo modo como organizaram a sua vida a partir de horário que fazem há anos, hoje, a concelhia do PCP distribuiu um pequeno papel para acompanhar o material central que o partido dedicou a este dia e por todo o País se distribuiu.
Esse A5 oureense, dobrado fazendo 4 páginas, conta uma pequena história que escrevi três dias depois do 8 de Março de 2005. Foram poucos os papeis, foi diminuta a distribuição. Foi o que tivemos força para fazer.
E também aqui se deixa contada a pequena história.

Entretanto
um caso entre tantos

Chama-se N. Tem 52 anos. Com uma infância que foi, diz ela, normal. Cresceu – e estudou – num ambiente criador de uma cultura de trabalho, de responsabilidade, de solidariedade. Com a saúde e a educação
Um caso entre tantos


Chama-se N. Tem 52 anos. Com uma infância que foi, diz ela, normal. Cresceu – e estudou – num ambiente criador de uma cultura de trabalho, de responsabilidade, de solidariedade. Com a saúde e a educação como direitos, seus e de todos.
Aos 24 anos, em 1979, acabou os estudos formais ao completar uma licenciatura em engenharia têxtil. Começou, logo, a trabalhar na indústria. Durante 15 anos foi engenheira têxtil.
Até 1994, quando fez 39 anos. É que, entretanto, tinham chegado, ao seu País como a outros, a “liberdade”, a “democracia”, os jeans e a coca-cola. E o desemprego! Para N., e para milhões como ela.

Tudo mudou!
Tudo se desmantelou na sua vida. E não só na sua vida.
Diz N. que, hoje, depois dos 35 anos não há qualquer possibilidade de arranjar trabalho na sua terra.
Ela e o marido separaram-se. Os dois filhos procuram adaptar-se às novas maneiras de viver. Um deles, hoje com 24 anos, é diabético e dependente de insulina: recebe uma “ajuda” social de 20 euros por mês.

N. veio para Portugal há 6 meses. É búlgara.
Levei-a a uma aldeia bem do interior do País, para servir de companhia (e de enfermeira…) ao pai e à tia de uma minha amiga, ela com 93 anos e ele com 89 anos.

Lá a deixámos. Numa aldeia perdida na serra de Montemuro.
Sozinha. Só com um telemóvel mal amanhado, e com um conhecimento da língua portuguesa de apenas 6 meses.
Mostrando, sempre, uma calma (resignada?) estranheza.
E uma enorme saudade da Bulgária. E de outras vidas.

(Entretanto... o pai da minha amiga morreu e N. perdeu aquele trabalho; hoje, 8 de Março de 2006, não sei onde ela estará, neste Dia da Mulher.)

Transcrições...

Do Programa do PCP:
II - Portugal: uma democracia avançada no limiar do século XXI
(...)
2º. O desenvolvimento económico assente numa economia mista, moderna e dinâmica, ao serviço do povo e do país.
(...)
2. Para a concretização de um tal projecto (a) estratégia de desenvolvimento deverá ter como principais vectores:
(...) - a modernização da economia e o aumento da produtividade (...) o adensamento da malha produtiva, a aplicação à esfera económica da revolução científica e técnica.
(...)
3. Para garantir este projecto de desenvolvimento económico, e quanto maior for a inserção de Portugal na CE, mais se torna necessária uma organização económica mista, não dominada pelos monopólios, com sectores de propriedade diversificados e com as suas dinâmicas próprias e complementares, respeitadas e apoiadas pelo Estado, designadamente:
(...) um sector privado constituído por empresas de variada dimensão (na indústria, na agricultura, na pesca, no comércio, nos serviços), destacando-se as pequenas e médias empresas pela sua flexibilidade e pelo seu peso na produção e no emprego (...).

domingo, março 05, 2006

Citando Bertold Brecht

De
(O melhor estilo)
A única coisa que o senhor Keuner dizia sobre o estilo era o seguinte: «Devia admitir a possibililidade de uma citação. Uma citação é impessoal. Os melhores filhos quais são? Os que nos fazem esquecer o pai.»

pag. 89

sábado, março 04, 2006

O conceito de liberdade e a sua relatividade

Proposições ou propostas para ex-citações:

«Quem declara a liberdade "natural" esconde a verdade. A liberdade não é uma dádiva da natureza, mas uma conquista da história. Por isso, não é absoluta, mas relativa. Ela não existe sem contradições, para falar francamente.»

«A liberdade paga-se por bom preço. Os povos criam-na fazendo a sua história de acordo com as possibilidades de cada época.»

(Pierre Juquin, Liberdade, liberdades, edição portuguesa de 1977, Estampa, de Liberté, de 1975... aliás, daria uns "toques" na tradução mas vai vai colo foi editado)

sexta-feira, março 03, 2006

Ele é (também) assim

Hesitou-se na publicação desta foto.
Mas, depois do último post e de algumas reacções, resolvemo-nos.
O Mounti é isto. Também...
E quanto à gripe aviária, não sabemos que fazer... o que, neste caso, será não fazer nada. Nem o Mounti consentiria que alguma coisa se fizesse!

quarta-feira, março 01, 2006

Ele é isso tudo...



Ele é amoroso, ele é ternurento, ele é fotogénico... ele é isso tudo, mas também é predador!
As andorinhas e os andorinhos,
e outras passarinhas e outros passarinhos,
que se acautelem!

Um suponhamos...

Suponhamos alguém que detém meios líquidos (não importa, agora, como lhe teriam chegado às mãos), e/ou que dispõe de crédito (não importa, agora, por quais razões).
Entre outras, terá, eventualmente, quatro hipóteses-cenários para aplicação:
i) associar-se com outros em iguais circunstâncias para formarem uma empresa que produza ou torne acessíveis produtos que satisfaçam necessidades dos concidadãos, por exemplo, pão ou livros, e que se preveja dê uma rendibilidade ao capital investido de 10%/ano;
ii) associar-se com outros em iguais circunstâncias para formarem uma empresa que produza ou torne acessíveis produtos que estimulem ou criem necessidades aos concidadãos, por exemplo, telemóveis que substituam telemóveis ou produtos de luxo e ostentação, e que se preveja dê uma rendibilidade ao capital investido de 15%/ano;
iii) sózinho, ou associado com outros, entrar em especulação (bolsista, por exemplo) de que, embora com algum risco, possa resultar acumulação do capital investido acima de 25%/ano;
iv) responder positivamente a uma proposta de uns “amigos” para contribuir, com esses meios, para uma “rede” de tráfico que disponibilize, a clientes certos, droga ou armas, e que, apesar do risco existente, pode possibilitar uma acumulação do capital ao nível de duplicação (ou mais) rápida.

Qual a opção desse alguém?
Claro que depende do que é e do que quer ser…

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Ex-citação dicionária

(para não lhe chamar provocação...)

No meu dicionário de cabeceira não existe a palavra patronato. Será falha... do dicionário ou minha?

Mas existe a entrada empresa (capitalista)!

"Forma de organização do trabalho social e forma jurídica de organização do capital e das relações de propriedade própria do regime capitalista."

Depois, este resumo é desenvolvido em algumas páginas, mas o resumo deve chegar para ex-citar. Ou não?

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Extracto...

... de algures, de um inexistente (por agora) "diário de sentires e afectos":

A atitude para com os outros, quando os outros crescem e se fazem homens,
é uma "prova de vida".
Ou melhor: revela se existe ou não amor à vida,
se se aceita o desamor nos homens ou se contra ele se luta.

sábado, fevereiro 25, 2006

A propósito...

Mas... a propósito de quê? Sei lá... é daquelas coisas que sempre me parecem apropósito e, às vezes, saltam cá para fora.

Não foi Marx que disse que a propriedade é um roubo. Foi o sr. Proudhon.
Aliás, estes dois não sintonizavam na mesma onda. Quando um (Proudhon) escrevia a filosofia da miséria, o outro (Marx) respondia com a miséria da filosofia.

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Novidades!




A blogosfera acaba de ser "enriquecida" com mais um blog.
Hoje, esta manhã por excelente trabalho de Nuno Abreu, há estreia planetária do Foto&legenda (usem o link aqui ao lado).
Por aqui, há alguma excitação porque é mais uma iniciativa a que este anónimo do séc. xxi se aventura (uma (a)vózinha segreda-lhe: juízo é que não há!).
Começa com estes dois (D.Pedro de la Mancha & Sancho Ribeiro do Zambujal, ou Pedro D. Quixote e Sérgio Pança)

um a fotografar (ou a escolher fotos) para o outro legendar, ou um a legendar (ou a escolher textos) para o outro fotografar.

Mas há outros (e que outros!) para esta ou parecida fórmula, mas sempre em trabalho colectivo e amigo.

Espreitem!

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Manias...

Tratado sobre as manias minhas
ou as minhas manias por mim (re)tratadas
com um abraço amigo para o Luís Vieira

Circula (pouco) por aí, pela blogosfera, um convite-desafio a que cada um diga de suas manias. Vindo até mim de quem veio (do Luís Vieira) e não sendo eu de deixar cair desafios ou afrontas, porque não sou de levar desaforo para casa como diz quem fala brasileirês, aqui me ponho a responder.

Vamos lá então às manias cá do man…

Às vezes, tenho a mania que sou bom… mas não tenho a que seja dos melhores,
embora, por vezes outras, tenha a mania que sou mau… mas não tenho a que seja dos piores.

Não tenho manias supersticiosas, daquelas de entrar com o pé direito (e sair com o pé esquerdo?), de nem não querer ver gatos pretos (é pretos, não é(e não o faço, claro, quando vejo que há pinturas em curso lá em cima), de me benzer ao pisar a relva e outros pisos ou de os beijar (para não perder jogos, que alguns até de azar são), e etc., etc.. Tenho a mania de não ser supersticioso… se calhar porque não dá sorte.
No entanto confesso que não gosto nada de ver um par de sapatos com o do pé esquerdo à direita do do pé direito. Eu digo que é por uma questão de arrumação. Será mania?

Falando de coisas mais sérias, acho que não tenho a mania da perseguição mas já fui (e sou) perseguido por umas certas manias que tinha (e tenho). Como a de querer mudar o mundo por não gostar dele como estava (e está), que caminhos e por onde os percorria (e percorre). Esta mania já a tive agravada com uma outra de ser capaz de sozinho o mudar, mas dessa depressa me curei. Ou fui curado, cá com uma certa e dura terapêutica.

Para encurtar razões, perguntei à minha companheira que manias é que ela acha que eu tenho e, porque a pergunta foi em má altura, teve uma resposta torta “que mania que tu tens de me fazer perguntas parvas…”. E mais não disse e eu, por esse lado, fiquei descansado, quanto a manias.

Mas sei que, se ela lesse isto antes de eu publicar, diria “lá estás tu com a tua mania de escrever demais…”. Por isso, acabo já. Na verdade, nesta blogomania, não dá para escrever muito.

domingo, fevereiro 19, 2006

Mensagem para Nuno Silva (e não só)

Quis mandar esta mensagem por mail para o Nuno Silva. A esta hora - e talvez por cansaço - não consegui o endereço emailico dele. Como sou teimoso, e não seria capaz de (tentar) dormir sem acabar a "tarefa", uso esta outra via para lhe deixar a mensagem (e as fotos da Cláudia no dia do convívio hoquista oureense... e que bem merecem ser vistas):

Caro Nuno,

Parece que por solidariedade para com a vossa viagem de regresso de Riba de Ave não consigo dormir, e estou com um das frequentes insónias em que fico para aqui a "fazer coisas".
Pelo que sei, a equipa bateu-se bem e recuperou com garra de um mau começo. Parabéns a todos, até porque, numa prova como esta, o resultado de 4-6 em Riba de Ave até pode vir a ser um bom resultado.
Também queria mandar-te as fotos que o Nuno Abreu fez da Cláudia e me enviou. Estão ótimas! Mostra-as, por favor, à família toda... cheia de orgulho pelos seus "meninos" (e não só quando têm os patins debaixo dos pés).
Um abraço amigo

Sérgio Ribeiro





sábado, fevereiro 18, 2006

Notícia

Não tendo publicado "posts" durante Janeiro, o "blog" CDUporOURÉM vai voltar.
Disso mesmo nos dá conta com um "post" hoje editado:

"Depois de uma pausa, vamos voltar. Depois do que aqui foi deixado sobre a Assembleia Municipal, em Novembro, já houve mais sessões com intervenção do nosso eleito (ou do Sérgio Ribeiro ou, em substituição, do Luís Vieira).
Vamos aqui publicá-las, assim como outras acções do eleito que estiver cumprindo o mandato. Como quem presta contas. Como é dever de quem é eleito. Dever a que não faltam os eleitos nas listas da CDU. Assim haja quem leia e comente."

Chove lá fora...

Chove!
E então é assim:

O Mounti vem lá de fora, do quintal, e entra pelo escritório onde estão os "donos" e, eventualmente, familiares e amigos. Chama a atenção com uns miados de que se conhece já o som, a cor, a intenção. Põe-se a jeito para que a "dona" o enxugue.


Esta, a "dona", não se faz rogada. Claro...

Ele, o Mounti, oscila entre a cara de gozo e a cara de gozo (há vários tipos de cara de gozo), e roda sobre si mesmo para que a limpeza seja completa.

Acabada a "função", o tal Mounti olha para quem a fotografou, faz uma vénia e ai vai ele... A "dona" arruma o trapo-toalha com a certeza de que o fulano vai lá fora dar uma voltinha e daqui a pouco estará de regresso, completamentamente encharcado, para que tudo recomece de novo. E a cena repete-se várias vezes.

São assim os serões familiares quando chove...

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Encontro de velhos amigos... e que saudades

No convívio hoquista oureense de 11 de Fevereiro (que teria sido o primeiro!), juntaram-se algumas "velhas glórias".
Além dos que estão aqui, nesta foto do Nuno Abreu, ainda por lá vimos o Tó Marinho, o Miguel Valdemar, o Abel Vieira, o Carlos Pintassilgo...


Que bom foi encontrá-los e... encontrarem-se!

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Vejam-me só...

Pois é! Por cá ando.
É verdade que "eles" têm andado muito ocupados com outras coisas. Mas não tenho grandes razões de queixa.
Esta é uma das últimas fotografias que me tirara.
Vejam só a minha postura (e o meu rabo) de lince!
Estou um bocadito p'ró gordo. Mas quem não tem uma barriguita na minha idade é um escanzelado (espero que "o gajo" não leia isto...).

domingo, fevereiro 12, 2006

Um convívio com "milagres"

No convívio hoquista oureense (que se espera e deseja que tenho sido o primeiro), aconteceram "milagres".
Como este do Pedro "fotógrafo" (melhor se diria artista da "fotografia") a ser fotografado*.)
Por ser de justiça, diga-se que, durante o jogo (?!) que terminou 12-12 (!?), o Pedro esteve muito melhor do que parece nesta aparente pose para a fotografia do Nuno Abreu.
_________________________________
* Numa terra com tantos emigrantes e tanta francofonia, apetece escrever... arroseur arrosé.

sábado, fevereiro 11, 2006

Para que não se viva a esquecer que há caminhos...

Porque se seguem as pegadas fáceis
que desgastam o chão de todos;
Porque se escoltam rastos
que abundam nos caminhos;
Porque se perpetuam em caminhos
que escolhem;
Porque há caminhos de sentido único
que retêm;
Porque há caminhos vislumbrados
que por outros escolhidos;
Porque há atalhos
que dão em trabalhos;
Vivemos a esquecer:
Que há caminhos
Que às vezes podemos escolher.


Raquel V

Com os parabéns atrasados (pelo poema... e não só)

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

Lê-se e pasma-se!

Dois títulos em jornais de ontem:

1. "Governo responde em Assembleia Geral"

Pela notícia ficou a saber-se que o Governo, face ao que está a acontecer relativamente a uma empresa como a PT, se colocou na posição de "mero accionista".
Um governo que se coloca nessa mera posição, deveria era responder em tribunal por se assimilar a accionista minoritário e subserviente do grande capital.

2. "Accionistas ganham milhões!"

Os accionistas são os da tal PT que recebeu uma OPA por parte de SEXA. o eng. Belmiro, mas são sós grandes porque os minoritários, como o Estado português por este governo governado, espera pela Assembleia Geral, e nem especular sabe... o que não será o caso de todos os seus membros.

quarta-feira, fevereiro 08, 2006

Mini-antologia

"...Porque há chão e há caminhos. E às vezes escolhe-se. Segismundo."

(do Albergue dos danados)

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Desabafo indignado

Escrevo num jornal por que tenho grande simpatia, mas não posso calar o meu incómodo com a vizinhança que por lá anda.
Normalmente não o leio mas, desta vez,, cairam-me os olhos nisto:

"... vejamos o que está a acontecer no Chile; Pinochet, o grande General que num contra-golpe combateu o comunismo que pela força das armas se havia apoderado da sua nação, agora sofre uma perseguição aturada, levada a cabo pelos seus antagonistas marxistas, tornando-o vítima de verdadeiros massacres, sem o mínimo respeito pela sua integridade física, pelo seu estado débil, ou pela sua longa existência, continuando a exigir o sacrifício na clausura de um cativeiro, extensivo o todos os seus familiares pelo poder marxista."

Como é que é possível? Esta delirante deturpação da História não merece resposta mas não sou capaz de calar o indignado desabafo.

Cidadão mais apoiado... mas não satisfeito

Este cidadão, que tão pouco apoiado se sentia por precisar de confirmar deliberações do executivo camarário e a publicação das actas estar atrasada, teve a surpresa de ver publicadas, hoje, 2-actas-2, de 16 e de 23 de Janeiro.
Ficou informado! Não lá muito satisfeito, mas informado.
É que ficou a saber que decisão que lhe tinha sido dito ter sido tomada no executivo, e por unanimidade, não consta da acta. Pelo que este cidadão está autorizado a concluir que tal decisão não foi tomada em sessão mas individualmente por quem se julga com autoridade para o fazer, eventualmente à revelia de regulamentos embora os invocando.

Previsão do tempo




Neste livrinho (edição bilingue inglês-português) de 20 páginas de poemas e um discurso num doutoramento honoris causa em Turim, em 27.11.2002, o Nobel da Literatura Harold Pinter, com uma virulência de linguagem por vezes inusitada, diz-nos da guerra, de "Encontro" (nas horas mortas da noite) e do "Depois do Almoço" (dos "bem-vestidos"), lembra como "God Bless America", tem palavras cruas para "As Bombas" e para a "Democracia", faz uma "Previsão do Tempo", continua com "Futebol Americano - Uma reflexão sobre a Guerra do Golfo" e termina com a "Morte".

Violento. Oportuno.Para reflectir.

Uma "suave" (no contexto do livro!...) "Previsão Do Tempo":

O dia vai nascer nublado.

Vai estar bastante frio.

Mas à medida que o dia avançar

O sol abrirá

E a tarde será seca e quente.

À noite a lua brilhará

E será bastante luminosa.

Haverá, é verdade, um vento cortante

Mas que abrandará pela meia-noite.

Nada mais acontecerá.

Esta é a última previsão

Março 2003

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Que tenho feito?...

... entre outras coisas, tenho andado a afiar as garras!

Cá estou eu...

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Estas merecem ser reproduzidas

O Pedro Gonçalves fartou-se de fotografar a neve em Ourém. E, ao que parece, de se divertir...
As suas fotos são excelentes.
Comecei por selecionar duas para a minha espécie de diário (onde guardo o que acho de mais relevante que me vai acontecendo).

Porque a selecção é difícil!

Sé Colegiada
com árvore em primeiro plano


Por aqui se desce, por ali se sobe..
perdão: por aqui se sobe, por ali se desce!
As fotos do Pedro Gonçalves são belíssimas!

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Receio não as ter valorizado…

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Faz-se o que se pode.

O que vejo...

... enquanto almoço.
"foto com reflexo no vidro da janela"

Não trocava estas "vistas" por nenhumas outras!

Bem... "quere-se dizer"... umas em que entrasssem os castelos, talvez...


quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Apoio ao cidadão...

Em Ourém, terra de novos horizontes, da responsabilidade da Câmara Municipal, na rúbrica apoio ao cidadão, este - o cidadão municipe - deveria poder encontrar as actas da Câmara.
E poderá... mas com um atraso que pouco apoio lhe dará.
Hoje, 2 de Fevereiro, 22.59, a acta mais recente que lá está, há pelo menos uma semana qque é desde que procuro a acta de 16.01, é a de 09.01. E já terá havido, além da reunião de 16.01, as de 23.01 e 30.01.
Se as contas estão certas, e as reuniões se fizeram de acordo com as contas...

Com a devida vénia...

Matrimónia. Aqui, neste tugúrio, ninguém conhece a Teresa ou a Helena. Também ninguém está interessado em conhecê-las. É quanto basta saber que elas querem casar e que há um pormenor qualquer que parece estorvar tal intento. Tudo o resto é sem porquê relevante. Porque a Teresa e a Helena, como qualquer outra mulher ou outro homem, deveriam devem poder casar, conquanto que de modo voluntário e consentido. E devem poder casar com o singelo cerimonial folclórico de qualquer matrimónio. Sem que os daqui, terceiros, alheios ao assunto, ciosos do seu recato e avessos a festejos sacramentais camuflados ou não de civilidade, tenham que ser informados que alguém, seja quem for, pretende casar ou não sei quê. Administração ou instituição que não logra tal reserva, taqueapariu! Segismundo.

(de Albergue dos danados)

Segismundo!, juntamos a nossa à tua voz.

O que mudou e o que não mudou em S.Tomé e Príncipe - 6, VI e últimos

Não é que não tenha muito mais para contar a partir da viagem e férias em S. Tomé e Príncipe. Mas parece-me que já chega.
Não estava a ser qualquer sacrifício porque gosto muito de contar e porque da viagem e das férias em S. Tomé e Príncipe parecem inesgotáveis as coisas que merecem ser contadas e reflectidas. Não estava a ser qualquer sacrifício, embora estivesse a retirar tempo a muitas outras coisas que há para fazer, ou que quero fazer. Além disso, embora me tivesse sentido pressionado a continuar, o certo é que o número de comentários não está a ser estimulante.
Por isso, termino esta série. O que não quer dizer que deixe S. Tomé e Príncipe e o que a viagem e as férias me suscitam como coisas para contar e reflexões.
Deixo duas últimas notas (e fotos). Sobre o que mudou e o que não mudou em S. Tomé no intervalo deste meio século.

Sobre o que não mudou não me vou repetir, apesar de insistir que muito há para dizer. Fica uma foto de 1958. Esta


Sobre o que mudou, queria que ficasse muito claro que não desvalorizo o facto de S. Tomé e Príncipe em 1958 ser uma colónia e um País em 2005/6.Mas o problema da independência não se põe apenas no aspecto na vertente política, e muito menos só na aparência de se ter estabelecido um regime de democracia… ocidental. Cada vez é maior a interdependência económica (e sobretudo financeira). E esta é cada vez mais brutalmente assimétrica. Chamam-lhe globalização. Para disfarçar… até porque a expressão “interdependência assimétrica” é de um certo Fidel Castro quando, há mais de 20 anos, foi presidente dos Países Não-Alinhados e apresentou um relatório notável (achei eu, e continuo a achar).
Em 1958, o ciclo do cacau estava pletórico. As roças, com os seus contratados e hospitais, eram o seu sustentáculo organizacional, no contexto colonial.
Em 2005/6 as roças são, quase todas, impressionantes ruínas

Água-Izé, a ruína do hospital de 1928

Água-Izé, a esplanada em que, em 1958...

... e o país S. Tomé e Príncipe espera um novo ciclo. No contexto da… globalização.

Como tenho espalhado em vários apontamentos: à descolonização (política e “democrática”) não se seguiu a independência económica relativamente a um sistema de exploração, o capitalismo, cada vez mais globalizado.
Foi um passo. Importante. Decisivo. Que mudou muito. Num caminho!