domingo, agosto 20, 2006

Foi um dia muito bonito


Foi um dia de encontro e de reencontro de amigos. Foi um dia em que o Alentejo (o grupo os trabalhadores, de Ferreira do Alentejo) veio até Ourém e ao espaço Som da Tinta. Foi um dia muito bonito.
Desde o convívio em casa da famíla Laíns Galamba até ao último cante, de despedida, não houve um som dissonante naquele cantar e conversar solidário.
De resistência se falou. Da que foi e recordamos, da que não podemos esquecer tão precisa é.

sexta-feira, agosto 18, 2006

Contar contido

O umbigodreno
Ele é assim!
Não é por assim ser que merece menos simpatia, nem quero, de nenhum modo, ridicularizá-lo.
Mas fez-me rir a cena.
Entrou, efusivo, palavroso. Foi debitando sentenças. Sobre saúde e doenças, sobre médicos e hospitais.
Mantive-me discreto mas não resisti a um gesto de boa vontade: mostrei-lhe a minha barriga ornada pelos 29 agrafes.
Que festa!
Mirou, apontou (quase quase tocou com o dedo…), observou, comentou. Meticuloso. E saiu-se com esta: “ah … cá está! o dreno!… cá está ele…”
Não me desmanchei, mas sorri procurando não o magoar:
“É pá!, isso aí é o umbigo!”

Contar contido

Dialéctica escatológica
Já passei por tudo. Ou já tudo passou por mim. O que, não sendo o caso, sinto como se fosse…
Depois da ausência de circulação pelo intestino operado – ao menos… um pumzito –, agora é a circulação total, tudo a sair quando, como e por onde lhe apetece.
Chegaremos ao controlo do tráfego… mas até lá não está fácil!
Os amigos vêm animar, com visitas e boas palavras. Há um que diz: “é pá… tens de ter a moral em cima!”
Pois é!, mas como é que se pode ter a moral em cima todo borrado por baixo?

quarta-feira, agosto 16, 2006

Contar contido

A magna questão dos gazes-3

Parece que tudo depende de… me soltar!
Tanto que eu gostaria de soltar pum!, pum!, pum!, pum! De quatro estalos. E nem pouet, pouet, pouet…
Valha-nos, vá lá, vá lá, algum mau cheiro como sinal positivo!
Ao que eu estou a chegar ... com toda a gente e gabar a minha pança, sem jactância a ganhar (?) insignificância!
“Está a ficar mais molinha!”, “que deprimida em relação a ontem!…”, “que belos ruidos peristálticos!”
Que animação! Não solta é os traques exigidos...
Mas... quando me desinibir, se me vier a desinibir, vai ser cá um foguetório!

Contar contido

Repetição de penalty defendido?-2
O corpo é o meu. Quieto. Inerme.
As mãos é que não! As mãos são de quem entreguei o corpo para o defender deste “penalty”.
Tudo correu como espera(nça)do. As mãos, hábeis, dextras, estriparam o "monstro", sem bolas na trave nem ressaltos na linha branca.
O corpo ficou enrolado, estendido, à espera que as mãos o animassem. Ouvindo aplausos, vivós.
A preguiça instalou-se na pequena folga – “ansas" que fazem pança –, e o corpo não se levantou para participar no foguetório.
A decisão parece inexorável. Terá de se repetir o "penalty".
Custa! Mas se tiver que ser...
25.07.2006

terça-feira, agosto 15, 2006

Os dias lá fora vistos por um vidro sujo - 2



Entre os dias lá fora
e o vidro sujo que os transfigura,

a presença querida
enche as tardes ansiosamente esperadas.

Contar contido

Ao loooongo de 4 semanas de internamento, tomei notas, escrevi pequenas frases, procurei guardar fundas impressões e comoções. Podia guardar tudo isso para mim, e muito de isso para mim ficará guardado, mas gosto de contar. Vou aqui trazer algumas "coisas passadas a limpo":

Sem palavras! Como se diz quando a emoção (real ou requerida) não encontra as palavras que a traduzam. “Não tenho palavras!”
Então… recorro às "cem palavras".
Para contar e conter. Para que o contado seja contido.


Passagem a empijamado

Chegamos de mala de cartão ou de “bobby” de contrafacção invasora chinesa. Perdidos e dependentes. Enfraquecidos pela fragilidade, fragilizados pela fraqueza.
Acompanhados por uma incomparável solidariedade, muitos e juntos, mesmo que só dois. Assustados.
Depois, num ápice, sem se saber como, o que fica fica sozinho, miseravelmente sozinho.
E a enfermeira que passa pergunta com a possível bonomia: “Então?!... ainda não vestiu o pijama?... é a primeira coisa a fazer assim que aqui chega… tem de tirar análises, fazer RX, está a chegar aí o doutor…”
Empijamamo-nos.
Passei a ser o da cama 4 da enfermaria 4.

Bom feriado!

Talvez para retomar ritmo, talvez para começar a "fazer a mão", talvez só para vos saudar, resolvi começar o feriado com esta saudação:

segunda-feira, agosto 14, 2006

Uma Tarde Cultural dedicada ao Alentejo na Som da Tinta


INFORMAÇÂO-CONVITE

Dia 19 de Agosto de 2006,
em Ourém,
a Som da Tinta

promove uma
Tarde Cultural
dedicada ao Alentejo

depois de um convívio,

às 15.30 – cante e desfile, no Centro Cívico,
do grupo Coral e Etnográfico
“os Trabalhadores“, de Ferreira do Alentejo
16.30 – no espaço Som da Tinta,
inauguração da exposição de fotografias
“A sul gentes adentro”, de António Lains Galamba
apresentação do livro
“Minhas senhoras e meus senhores
– vida, fome e morte nos campos de Beja
durante o salazarismo”,
de Paulo Lima
- “Conversa aberta” – resistência ao sul,
com vários intervenientes,
como João Honrado, José Casanova e Sérgio Ribeiro
- encerramento
com a actuação do Grupo Coral,
no espaço Som da Tinta

quarta-feira, agosto 09, 2006

Os dias lá fora vistos por um vidro sujo -1




Às vezes... um pássaro.

Às vezes, um pássaro passa
do verde onde vive,
pelo cinzento de cimento,
ao azul deste céu de Julho

Às vezes, um pássaro traça novos riscos,
reinventa caminhos,
ajuda-nos a percorrê-los.



22.0.7.2006

terça-feira, julho 11, 2006

Com que direito?


«Bush aprova plano de US$ 80 mi para 'democratizar' Cuba

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, aprovou um plano de US$ 80 milhões para promover uma transição para a democracia em Cuba.
O líder americano disse que quer ajudar os cubanos a se livrarem do que chamou de controle repressivo do regime de Fidel Castro.
A Casa Branca informou que o dinheiro será usado para divulgar informações
sem censura em Cuba e promover movimentos democráticos.
O plano deve ser colocado em prática nos próximos dois anos.

Embargo

Bush também disse que aceitou a recomendação de uma comissão governamental,
que propôs o aumento do embargo americano a Cuba e mais restrições às
transferências de dinheiro de exilados.
No mês passado, o governo cubano classificou como “ato de guerra”
as recomendações da comissão do governo americano.
O presidente do Parlamento cubano, Ricardo Alarcón, disse que considera
inaceitável o fato de Washington discutir abertamente formas de
derrubar o governo de outro país soberano.
Fidel Castro está à frente do governo cubano há mais de 40 anos.»

Haverá, talvez, quem ache "isto"... natural. Se calhar, até haverá quem ache que os governos devem ter prazo de validade, à revelia dos povos, e que o pael dos EUA-Bush é o de fazerem observar esses prazos e outras regras que considerem pertinentes....
Eu, por mim, acho "isto" uma verdadeira indignidade! E indigno-me!

domingo, julho 09, 2006

Agora, eu sei!

AGORA, SEI
Maintenant je sais
Philip Green- Jean-Loup Dabadie (1974)



Quando eu era miúdo,
um puto de palmo e meio
Falava com voz grossa … para me fazer ouvir como homem
E, apenas de mim cheio, dizia: "Eu sei, eu sei... eu sei!"
Era o princípio, era a primavera

Quando cheguei aos meus dezoito anos
Disse: "Eu sei... ora aí está, agora é que eu sei!"

Mas hoje, em certos dias, para trás me viro
Olho a Terra, onde já calcorreei tantos caminhos,
E sei que ainda não sei como ela gira…

Pelos meus trinta anos, eu sabia tudo…
Das flores, do dinheiro, da vida, do amor
Sim, sim!... do amor...
Do amor tinha-lhe dado a volta toda…
Mas felizmente, como é da vida lei,
Ainda tinha muita côdea para roer.
(hoje eu sei…)

Estava no meio da minha vida… tinha muito para ver
Ainda muito para aprender
O que aprendi?... Aquilo que vi e vivi
E conta-se em meia dúzia de palavras

No dia em que alguém te ama… o sol brilha.
Não posso dizer melhor…
No dia em que quem amas te ama…
mesmo que chova e faça frio, o sol queima

É isso que ainda me espanta na vida
A mim, que estou no inverno da minha vida,

Esquecem-se tantas tardes de tristeza e de amargura
Mas nunca uma manhã de amor e de ternura

Durante toda a minha juventude, eu quis dizer: “eu sei!”
Só que, quanto mais via e procurava, menos eu sabia
E setenta vezes badalou o meu relógio
Estou ainda à janela, olho e me interrogo.

Agora, eu sei… eu sei que não se sabe,
que nunca se sabe!

A vida, o dinheiro, as flores, os amigos, os amores,
Nunca se sabe tudo das coisas,
nem dos seus ruídos nem das suas cores
É tudo o que eu sei… ah! mas isso eu sei!

adaptação libérrima
Sérgio Ribeiro
– 09.06.2006
Esta notícia seria hilariante se não fosse muito séria. Como ameaça!

«07 de julho, 2006 - 20h34 GMT (17h34 Brasília)

França fará “campanha” a favor do capitalismo

O governo da França quer diminuir a hostilidade que os seus cidadãos têm em relação ao capitalismo. Para isso, está sendo criado um novo instituto que promoverá a educação da população sobre assuntos financeiros e de negócios.

O Conselho para a Difusão da Cultura Econômica será lançado ainda este ano e estará subordinado ao Ministério da Fazenda francês.
O objetivo do novo organismo é utilizar os meios de comunicação populares – como televisão, imprensa escrita e até jogos de computador – para educar os franceses sobre finanças.
Uma pesquisa feita recentemente revelou que grande parte da população não entende nem mesmo os jargões mais simples do mundo dos negócios.
Na ocasião, o ministro da fazenda, Thierry Breton, lamentou, em um discurso, a "falta significativa de cultura econômica da França".

Atitude positiva

Os ministros franceses querem que a população tenha uma atitude mais positiva em relação à economia.
O governo está com dificuldades para promover uma reforma econômica no país. Alguns ministros, como o candidato à presidência Nicolas Sarkozy, defendem um rompimento radical com o modelo econômico corporativista francês.
Há o temor de que a participação do Estado é grande demais nos negócios, o que prejudicaria o dinamismo do setor empreendedor.
Recentemente, a atitude dos franceses em relação ao setor privado piorou ainda mais, depois que o governo se viu obrigado a abandonar um plano de criação de empregos, devido a protestos em massa.
A medida, que visava reduzir o desemprego entre os trabalhadores mais jovens, facilitando a contratação e demissão de pessoas, foi criticada por favorecer interesses de empresários e donos de negócios. »

Ainda mais "campanha"?!
Depois do não à "Constituição europeia", os cidadãos franceses atreveram-se a estar contra uma medida que "visava reduzir o desemprego entre os trabalhadores mais jovens" através da facilitação da "demissão de pessoas" e outros efeitos sociais colaterais... sem a garantia (ou pelo contrário) de que novos empregos se criassem. Têm de ser "educados"!
E o título?! O governo francês, este ou qualquer outro, é a França?
E tudo o resto. Cada linha, cada palavra, são um insulto à inteligência. Mas é preciso lavar melhor os cérebros!
Há que bem promover a confusão entre economia e "assuntos financeiros e de negócios".
Já há um quarto de século Jean Ferrat cantava, denunciando, o "2º boletim meteorológico" que a comunicação social de massas nos impingia com as cotações das Bolsas e conjugava o verbo "boursicoter" corruptela do verbo "tricoter" que em português poderia ter paralelo com "bolsicotar".
Mas têm de ir mais longe porque há resistências...
Queimem-se livros e outra informação e, se não chegar, proiba-se determinada gente de falar e, se não chegar ainda, façam-se autos de fé. E. E.
Não resisto a catalogar isto de tenebroso!

sábado, julho 08, 2006

"O que é bom para a General Motors é bom para os Estados Unidos"

Esta frase encheu os meus "cadernos de escola".
Esta frase ajudou-me a perceber o que era o capitalismo.
Porque a GM não era os milhares e milhares dos seus trabalhadores, era os seus proprietários, a sua administração, os seus accionistas.
A GM começou a atravessar dificuldades como empresa. Procuraram-se soluções. Logo se tomaram algumas. Como é habitual, houve despedimento de trabalhadores aos molhos, aos milhares. Era preciso "emagrecer" a empresa em "recursos humanos" para "engordar" as cotações na(s) Bolsa(s), ou seja, engordar mais algumas bolsas.
Não chegou! Outras soluções se procuram no "mundo globalizado dos negócios".
A comunicação social internacional dá-nos notícia de algumas.
Retive esta, na TV5MONDE (on line), de hoje.

Etats-Unis:

GM d'accord pour ouvrir des discussions avec Renault-Nissan


O que é bom para a GM continua a ser bom para os Estados Unidos?
Talvez, mas não para os norte-americanos, para os que, operariamente, fabricam ou fabricavam os seus automóveis.

Mas há outras notícias elucidativas...

sexta-feira, julho 07, 2006

ambições e possibilidades

«Perguntou-me de novo o que desejava. Perscrutei-lhe os olhos, a ver se lhe encontrava uma febre antiga, um resquício de antes. Disse-lhe que hesitava entre um frigorífico e uma arca congeladora. Ele desencostou-se, correu a mão pela esquina de um vasto congelador, estendeu-a depois a mostrar a loja toda à minha escolha, e disse-me o que eu queria saber: "Sugiro-lhe uma arca. Mas, é claro", afirmou com segurança, "a sua ambição tem de estar em consonância com as suas possibilidades."»

uma das "chaves" (página 272) de um excelente romance: A face de lado - histórias políticas, de Filipe Leandro Martins, Caminho

segunda-feira, julho 03, 2006

"As memórias, os traumas" e as (pequenas) glórias

No foto&legenda, o Nuno Abreu e o Sérgio Faria publicaram um dos seus excelentes posts (convido à visita).
Não resisti, comentei e aqui venho trazer memórias, glórias e os traumas. Pedindo desculpas pela qualidade das fotografias ... falta-lhe os engenhos e a arte do Nuno. E têm mais de 50 anos! Quanto à legenda, é o que a memória traz.
Então, os postes e as traves eram de madeira, iamos buscá-los à serração de Pinhel para montar as balizas no campo de S. Sebastião, no terreno cedido pelo Silva e onde já passara o cilindro e, nas vésperas dos jogos, por lá estávamos o dia todo a tirar as pedras maiores e a fazer as marcações com cal.
G'andas jogatanas.
A minha estreia nos Águias foi também a (re)estreia do campo recuperado pois o Silvita, lá do Brasil escreveu a pai, muito zangado por este ter mandado lavrar o campo que ele deixara para a malta nova que cá ficara, e tivemos de pedir, de novo, o cilindro e as traves e os postes e tudo o que foi preciso, e tudo montar e alisar o terreno e torná-lo jogável.
Foi contra o Seiça e ganhámos 3-1. Lembro tudo tão bem... pois se até meti um golo! Para o o puto de 17 anos foi uma glória.

Os traumas são os de não termos hoje onde e com quem jogar ... e doer-me um joelho que, por essas alturas, há mais de meio século!, foi operado ao menisco.

quinta-feira, junho 29, 2006

Isto foi mal programado...

... como é que se consegue preencher este tempo todo de domingo a sábado?!
Conferências de imprensa e reportagens para "encher chouriços". ..
Ah, se o Cristiano não se tem (se não tivesse sido!) aleijado e se o Deco não tivesse sido expulso, tinha sido (ainda) maior a dificuldade em manter a malta presa ao que se passa na Alemanha.

Deram-nos boletins de voto

Depois de ter lido (pela enésima vez) um poema de Brecht, resolvi traduzi-lo de libérrima maneira:

Deram-nos boletins de voto,
E, em troca, entregámos as nossas armas
(tudo!, até o que armas não era).
Eles fizeram-nos promessas,
e nós demos-lhe as nossas espingardas,
(a nossa confiança e as nossas poupanças).

E disseram-nos:
“os que quiserem
poderão ajudar-nos a partir de hoje,
nós só temos de tomar as decisões,
e vocês farão tudo o resto para nós”.

Então,
deixámo-nos enganar, como tantas vezes na História,
e comportamo-nos como é preciso,
sossegados,
respeitadores, veneradores e obrigados.

Dizem-nos:
"está tudo certo,

até a chuva…
se é para cima que ela quer cair”.

E não nos cansam de nos dizer,

em vários sons e tons,
que tudo está nos seus lugares devidos.
Se um mal menor nós aguentamos

e se dele nos cansamos,
logo nos será dada a prenda de um mal igual
ou de um mal tal-e-qual,
quando não de um mal maior.

Só na última década,
para não continuarmos a engolir o sapo Cavaco,

escolhemos o beato Guterres
e apanhámos com um durão Barroso
para não suportar um ferro Rodrigues.
Agora,

depois de termos aguentado um santana Lopes
no lugar que sampaiamente lhe foi concedido,
fomos nós a dá-lo a um pragmatófilo Sócrates,
e aí está ele de parceria com o mesmo Cavaco de esquecida e má memória,
cá regressado à custa de alegres Soares e de sisudos Louçã(s).

… e, no entanto, a chuva nunca deixou de cair,

de (es)correr para baixo,
a tombar lá de cima,

às vezes a cântaros, em doses colossais.

terça-feira, junho 27, 2006

Histórias em 100 palavras e 1lustração (se) - 39

Esta tem já alguns meses... Estava à espera de oportunidade (como muitas outras).
A televisão,
a “irmã”
e a “epidemia de gripe”

Tinha-me deitado meio-engripado.
Com alguma preocupação, mas tranquilo porque, na televisão, o D-G da Saúde (e outros) tinham insistido em que não havia epidemia.
Assim me levantei e pus a caminho.
No cafézito da “Rodoviária” tomava o galão-e-queque do pequeno-almoço quando entrou a freira.
Cumprimentos reverentes dos donos-da-loja à “irmã” (mas não deles).
Ela sentiu-se obrigada a retribuir: “Então, sr. António!, está melhor da gripe?, veja lá, que ainda ontem, na televisão, eles bem avisaram: anda por aí uma epidemia!, valha-nos deus…”
E benzeu-se.

Como ser pároco de uma freguesia destas?!

História em 100 palavras e 1lustração (se) -38

Isto está um bocado pesado. Timor, Portugal-Holanda. Longos posts...
Vou tentar aligeirar. Com o recurso às histórias em 100 palavras. Rodoviárias e com freiras porque é em Fátima que apanho os "expressos"...


A freira
e o “expresso”

Ia p’ró “expresso” das 10 mas o das 9.45 estava a chegar.
Corri à bilheteira.
À minha frente, uma freira.
Queria ir para Coimbra. Perguntava horários entre as 14 e as 17, horas de chegada, se era melhor comprar já, e, e…
Ainda tossi… mas desisti quando vi o autocarro ir-se.
Continuou… mais isto, mais aquilo…
Eu quase explodia quando resolveu. Nada! Comprei, em cima da hora-certa, o bilhete para o das 10 que, chegado às 10.25, partiu depois da meia-hora.

Perdi a manhã por culpa daquela freira.
Não há penitência p’ró pecado do egoísmo?

segunda-feira, junho 26, 2006

Assim não brinco!

Suposto era que iria ser um jogo de futebol.
E começou por o ser, tirando, logo a abrir, aquele coice do holandês que deve ter entrado em campo com a determinação (espero que não com a ordem…) de anular – no sentido literal do verbo – o Cristiano Ronaldo.
Enquanto foi jogo de futebol houve lances com algum jeito, num jogo praticado por homens preparados para o jogarem até à perfeição. E um dos melhores foi aquele em que o ataque português fez circular a bola e o Maniche numa sequência de belos gestos técnicos (é assim que se diz, não é?) fez com que a bola entrasse na baliza dos holandeses. Na embalagem, ainda vi mais dois ou três lances (de futebol!) e um deles poderia, e mereceria, ter elevado o 1-0 para o 2-0.
Depois. Depois, foi tudo menos futebol. Esperava e vislumbrava-se que. à maneira portuguesa, a postura “é melhor 1-0 que tentar o 2-0 e arriscar o 1-1”, que tanto me irrita. Mas não tive tempo para me irritar porque os holandeses me não deram folga. Pareciam salazaristas: para a frente e em força. De qualquer maneira. Levando tudo de roldão. E os portugueses a aguentarem, a aguentarem, estoicamente como foi dito e repetido, respondendo à força bruta com a manha e a safadeza.
Futebol? Futebol não é aquilo. Aquilo foi batalha campal. E batalhas campais só aceito as das Aljubarrotas da História.
Dir-me-ão, eufóricos, ganhámos, usando a majestática primeira pessoa do plural e nela me metendo. Mas o resultado é tudo? Se fosse, estava contente sem reservas. Partilharia a euforia. Mas não é! E, assim, estou menos triste do que estaria se a selecção portuguesa tivesse perdido, e cheiinho de reservas.
Tudo isto se tornou deseducativo. E tudo deve ser educativo!

Assim não brinco!

domingo, junho 25, 2006

De Timor-Lorosae algo sei...

Quando fui parar a Bruxelas e Estrasburgo em tarefas no Parlamento Europeu, calhou-me, em substituição do Carlos Carvalhas, ser vice-presidente da delegação PE-Nações Unidas. E, nessa (duvidosa) qualidade, logo fui a Nova Iorque, onde tem sede a organização que das nações unidas se chama.
Passo, agora, sobre as peripécias peripatéticas para que um deputado eleito pelo povo português, proposto nas listas do PCP, tivesse o visto para os Estado Unidos, onde Nova Iorque fica e onde fica a sede da ONU, pois recusei-me a responder – num mesmo sim ou não! – se era comunista, terrorista, homossexual, portador de doenças transmissíveis, se fora condenado por crimes nazi-fascistas e mais coisas. O resultado é que, após murros na mesa e esperas de castigo, consegui o tal visto e lá fui, visto que obtive o visto. Com uma anotação alfabética que fez com que a minha entrada nos States fosse demorada e penosa. Adiante…

Em cada reunião em que participei, fui colocando questões sobre Timor Leste. Tantas pus que, às tantas, o senhor Perez de Cuellar, então secretário-geral das Nações Unidas, que até fazia gala em lembrar as suas familiares relações com Portugal, me proporcionou uma conversa a sós com o seu (se me lembro da função) secretário-adjunto encarregado de Timor.
A conversa foi elucidativa. Naquela horita fiquei a saber mais sobre a armadilha da simultaneidade de eleições em Timor, enquanto região da Indonésia, com um referendo sobre autonomia, e outras “habilidades”, que em dias de leitura e estudo embrulhados em documentos e relatórios.
Não que tivesse ficado satisfeito com o que soube. E menos o quis guardar para mim. No regresso a Bruxelas, dada a informação a quem considerava responsável pela minha tarefa, logo procurei divulgar o que seria de divulgar pela via da comunicação social. Falei para a Lusa e para outros órgãos de comunicação social.
Depois, em Lisboa, provoquei uma reunião na comissão da AR para Timor, na presidência de Eduardo Pereira, informei do que soubera, tive um debate frutuoso com intervenção relevante de Sousa Lara, fui ao CIDAC e outros, procurei que o que sabia ajudasse a melhorar a luta contra o que pretendia esmagar o povo de Timor-Leste. Desde 1975, desde que ele começara a ter condições, fora do quadro colonial, de se afirmar como povo que era. Que falava e rezava em português.
Após o massacre de Santa Cruz, em Bruxelas e Estrasburgo fui dos que contribuíram para que lá tivessem ido os jornalistas que tinham presenciado o massacre, no quadro das iniciativas do Intergrupo Timor-Leste, que animei quanto me foi possível, procurando que não estiolasse em guerrilhas de influência partidária e penachos de presidências, tendo para ela convidado Simone Veil, primeira mulher presidente do Parlamento Europeu (1979-82), com um leque de vice-presidentes um por partido português representado em Bruxelas-Estrasburgo.
Os episódios que me saltam à memória, e susceptíveis de terem interesse para além de recordações pessoais, são muitos. Para agora, retenho as visitas de Ramos Horta ao Parlamento, a disponibilidade que tinha no meu gabinete, autenticamente colocado às suas ordens, a decisão de pagar a um timorense como lobbyista a custear pelos deputados, as “animadas” sessões de algumas comissões em que tive papel activo, convidando gente para falar ou interpelando gentinha como o timorense (?!) Martins da Cruz, hoje embaixador da Indonésia em Portugal, convidado por grupo excursionista ao Oriente, chefiado por um enorme e reaccionaríssimo deputado holandês com quem me cheguei a “pegar”, também a outorga do Nobel da Paz ao Ramos Horta, a minha participação, enquanto “deputado europeu” nos “festejos” no PE, a proposta do nome de Xanana para rua em Ourém e a mudança, por proposta minha, para rua Povo de Timor.
E, entretanto, vou acrescentando coisas – tantas! – que me chocam, que me/nos agridem.
Como as que já coloquei neste blog.
Como as que leio nos sempre esclarecedores artigos do Pedro Namora.
Como não ver referido o que ouvi e me parece a mais ridícula das manobras neste atoleiro, que foi a do sr. Ministro dos Negócios Estrangeiros, o inefável Ramos Horta, na esteira do sr. Presidente da República, o não menos inefável Xanana Gusmão, vir anunciar ao corpo diplomático, e às instâncias com que está relacionado pelas funções ministeriais que tem e outras, que o sr. Primeiro Ministro, o alvo a abater Mari Alkatiri, se demitia e que ele próprio Ramos Horta iria voltar à Fretilin para não sei quê da moral e do crédito e do respeito por, e mais isto mais aquilo de que ele seria capaz de ser (e por ser) o agente.

Poucas vezes tenho sentido a ignomínia tão por perto. Pelo que vivi em tarefas parlamentares, talvez por ter tido Ramos Horta como inquilino no 3º andar da rua do Sol ao Rato, decerto porque o povo de Timor-Leste é dos mais massacrados da História. Na escala que é a sua, e na escala do petróleo que existe nas cercanias da terra que sua é e em que resiste heroicamente para que continue a ser. E resiste em português falando e indo à missa nas igrejas onde há traição enroupada de sotainas e sermões hipócritas.

De Timor Lorosae algo sei
Pelo Povo de Timor indigno-me
e sofro a impotência!

Do "arquivo"


... escrever...

Bem acompanhado!

sábado, junho 24, 2006

Seria de antologia...

A cozinha no centro da política internacional

No editorial de hoje do DN, Eduardo Dâmaso critica a influência da mulher Kirsty sobre o presidente Xanana. Eu também achei desbocada a entrevista dada há algumas semanas a uma rádio australiana mas, o que hoje me despertou a atenção, foi o facto de Dâmaso achar que Kirsty só fala na cozinha. Xanana Gusmão "pôs o país em alvoroço dizendo em papel timbrado e com a solenidade das declarações de Estado o que a sua mulher diz habitualmente na cozinha lá de casa". E por que não na sala? Ou no quarto? Ou mesmo na casa de banho? Enquanto um toma duche o outro lava a cara e conversam... Ou será que Kirsty só tem lugar na cozinha como todas as mulheres? Dâmaso admite que Kirsty, além da cozinha, também fala "em incursões pelos bairros pobres de Díli". É aquela costela social que elas também têm...
posted by susana at 22.6.06
Este texto - para que o albergue dos danados me chamou a atenção, e está num outro blog em que susana (a)posta - seria de antologia, sobre o machismo ideológico que nos envenena, se não fosse, também, antológico de como batalhas nossas nos podem distrair ou despriorizar o que, no momento, é fundamental.
Falo de Timor.
Não quero saber se Kirsty é lady ou lord, se falou na cozinha, no salão ou sentada na sanita enquanto Xanana fazia a barba, quero é sublinhar que falou e o que disse, não por ser uma desboca mas por ter sido muito grave - e elucidativo -, embora com a grande vantagem de também ter sido uma verdadeira denúncia anunciada do que o presidencial esposo viria a dizer, depois do que, outros e eles, têm vindo a fazer contra um governo que foi eleito pelos timorenses contra suas excelsas vontades e que contra seus interesses vem governando.
E se é certo que o Eduardo Dâmaso revelou que ainda não teria exorcizado o que temos (ou tivemos) dentro de nós e do berço trouxemos, veja-se que não menos machista é a função distribuída às "primeiras damas" de fazerem incursões pelos bairros pobres e degradados enquanto os "primeiros damos" concretizam as políticas que criam os pobres dos bairros e os degradam.
O que me choca, e de forma em que a angústia se imiscue e só pode ser vencida com a certeza de que as esperanças renascem nas lutas que continuam depois de cada assassínio das esperanças aparentemente concretizadas, é o que têm sido as traições a este povo de Timor. Mas a vitória final não será a dos não vêm lágrimas mas apenas petróleo.

quarta-feira, junho 21, 2006

E eu que...

E eu que gosto tanto de desporto...
e eu que tanto vibrei, há 40 anos, com os "magriços"...
e eu que, aqui por Ourém de onde sou e vivo, muito do que, hoje, sou e faço tem a ver com o hóquei, a patinagem, a natação, o futsal...
e eu que abomino o falsamente intelectual distanciamento "dessas coisas do pontapé na bola"...
e eu que arranjo os horários para ver relatos televisivos dos jogos em que Portugal joga...
e eu que desejo (ou desejava?) que a equipa portuguesa vá ganhando (jogando o que e como jogar pode e sabe) até à final e na final...

eu que isto tudo... estou nauseado
não suporto esta provocada histeria
não colocarei nenhuma bandeira nacional/BES em nenhum lugar que por mim seja controlado
recuso-me a ouvir rádio, a ver televisão (fora do horário dos relatos... e com o som off)
nunca me sentirei ser dos melhores do mundo (porque sei não ser dos piores do mundo!)

eu... acuso!
acuso quem (terceiros e desconhecidos... ou nem tanto) me tirou o prazer de acompanhar a carreira de uma equipa de portugueses seleccionados para representarem Portugal talvez até à vitória (na) final
acuso quem (terceiros e desconhecidos... ou nem tanto) me faz, contraditoriamente, (também) desejar que a equipa de futebol dos amigos e protegidos do sr. Scolari não ganhe o torneio que está a decorrer na Alemanha.

em "navegação" - 2

"(...) Que sucederá se, como é previsível e natural, a selecção nacional for derrotada um destes dias? Rasga-se a bandeira? Substitui-se por outra mais ganhadora? Acorda-se para a realidade de um país submetido ao neoliberalismo por um governo cobarde, travestido de socialista?
Que país é este onde se fecham maternidades por razões economicistas e os membros – pseudo-socialistas – de um governo mentiroso se passeiam pela Alemanha, à custa do erário público, comentando de forma alarve as incidências dos jogos?
Que país é este onde morre um intelectual como Mário Ventura Henriques e a alegada TSF abre a emissão do noticiário preocupada por não saber se jogaria o Ronaldo ou o Deco? Que nação é esta adormecida para os dramas de trabalhadores despedidos aos milhares, mas disposta a guerrear por excrescências envolvendo craques de futebol?
Onde colocar as bandeiras quando o país começar a arder? Sim, porque tem ardido todos os anos, a horas certas, perante a passividade negligente e cúmplice de sucessivos governos de direita.
Não nos respondem, porque nos querem anestesiados, domados, sem consciência. Apetece fazer, neste fascismo manso e torpe em que vivemos, o que faziam os antifascistas durante a ditadura: empunhar um pau sem bandeira. Hasteando dessa forma o inconformismo dos que não se vergam. A luta continua!
Publicado por Pedro Namora @ 12:22"
Transcrito de "Vale a pena lutar" com a devida vénia!

em "navegação" - 1

Crónica de algo anunciado. Arrepia julgar que a consequência será a que será. Segismundo.

Comentários:

1. giz no quadro: arrepia.
Solvstäg 06.20.06 - 3:46 pm

2. unhas a arranhar granito: arrepia.
Solvstäg 06.20.06 - 6:17 pm

3. e até pode arrepiar o acto de esfarelar a esferovite... mas não é esse o caso.
segis 06.21.06 - 4:37 am

4. O que arrepia é pensar
- e não ser capaz de, definitivamente, deixar de pensar... ou enquanto a esclerose ou o Alzheimer não nos fizerem, definitivamente, incapazes de pensar -
que a (con)sequência será a que será.
anónimo do séc. xxi 06.21.06 - 9:46 am

domingo, junho 18, 2006

Com um brilhozinho nos olhos

... e cantou-se Grândola (garanto que não fui eu que tive a ideia... mas também não digo quem foi), dirigida pelo professor Manuel Rocha, o Manelito da Brigada Vitor Jara, num fim de festa de grande cumplicidade e alguma emoção.
Como dizia alguém que fez parte daquele coro, nunca em Ourém se cantou Grândola tão bem.

sexta-feira, junho 16, 2006

Não se trata de estar de volta...


... porque sempre cá estive.
Mas o facto é que quem podia dar notícias minhas tem andado muito ocupado... Sobretudo com o hóquei, o Juventude e outras coisitas dessas.
Não que me faltem com os cuidados e carinhos que me são devidos, mas não tem sobrado para posts e para fazer chegar notícias ao meu "clube de fãs".
Outro dia, pus-me à janela do lado de fora, meio abrigado desta chuva inesperada, e vieram fotografar-me. Autorizei-os, melhor estimulei-os a publicar duas.
As minhas saudades

Hoje, de manhã

Cansado.
Ontem, foi um dia muito longo. Foi um dia cheio. Cheio de Ourém e de Juventude Ouriense.
Todas as dificuldades - ah!, as nuvens carregadas de chuva! - foram ultrapassadas pela vontade de um grupo grande, muito grande, enorme. De gente, de gente com vontade. Obrigado.
Cansado mas muito contente por fazer parte dessa gente. Desta gente que somos.
Cansado, mas já a continuar o trabalho com a força que é a de sermos a gente que somos.

(não tem ilustração porque não cabia no blog!, ou porque podia ficar de fora alguém que nela teria um merecido lugar)

quarta-feira, junho 14, 2006

Não pode perder-se num comentário a um post...


Tal como o comentário do Hélder Ferreira (ou os do 22-Manel ou do prof. Chinita, e outros), seria uma pena que esta mensagem do Jorge Godinho ficasse "perdida" no meio dos comentários a um post num blog. Por isso a reproduzo, com uns "arranjos" gráficos...

Queria aqui deixar a minha msg de agradecimento a todos que contribuiram para este marco histórico do Juventude Ouriense!
Aos meus colegas… queria dizer que não é para todos o que conseguimos! Foi duro… tivemos momentos difíceis... mas soubemos ultrapassá-los com amizade, com confiança em dias melhores... e isso foi essencial! Fomos inteligentes!
Aos directores… gostava de agradecer a vossa confiança, o estar sempre presente nas horas dificeis… o ouvir os jogadores e, a partir dai, escolher a melhor solução para resolver os problemas, sempre em defesa de um grupo! Foram grandes!
À equipa técnica… digo vos que foram extraordinários! Têm todos os louros agora!, mas muito merecidos! Souberam conduzir 10-13 feitios diferentes! Não é fácil! E sabem de hoquei! Confesso que, apesar de já ter alguns anitos de hóquei, aprendi muito este ano! Obrigado, Miguel!, obrigado, Chinita! ao Michel, obrigadão! Ao Nunão... espectáculo! Ao sr. Carlos e ao sr. Jorge… que carolice linda!
Agora falo de mim!... também mereço!... sem vaidade! Vim em condiçoes muito duvidosas… por ser gordo… por estar velho… por ser um veneno… por vir “fazer a cama ao treinador”… enfim por tanta coisa má!
No sábado, dei um grito grande de raiva! Só eu sei que essas afirmações são as mais injustas que pode haver! Sempre defendi o colega, o amigo!, o clube que represento, o emblema! Daí o meu grito de revolta! Custou me esta 2ª volta da 2ª fase! Não tive a 100%, mas quis estar junto dos meus colegas. Sempre! Tive 2 lesões que me impediram de estar bem… os meus colegas sabem... mas, no que consegui ajudar, fi-lo com grande entrega e sacrifício!
O que vivi quando cheguei a Ourém ultrapassa as dores que tive! O meu muito obrigado a todos os oureenses pelo carinho com que me receberam! Obrigado a todos os que "ainda" acreditaram no meu valor!

um desabafo do 9

Antologia

... porque ora aqui está um texto (mais um...) que eu gostaria de ter escrito e me deu muito gozo (onomástico e não onanístico!) ler:

á faena e fanecas no alguidar, v. O senhor Scolari chispou estupidez, pelo que parece que é necessário explicar. Perder uma partida de futebol é mau. M-A-U, éme, á, ú. Ganhar uma partida de futebol é bom. Bê, ó, éme. Mas ganhar uma partida de futebol com uma puta exibição é o que se quer. O senhor Scolari insiste em não perceber isto. Julga que o que interessa é apenas ganhar. Isso é na guerra. Julga que o que interessa são apenas os três pontos. Isso é o que qualquer amanuense diz quando, em operação de acerto contabilístico, tenta detectar o raio da diferença entre o deve e o haver. No futebol quer-se mais do que a satisfação pela masturbação. A masturbação desenrasca. Mas não é o mesmo que o serviço completo, com ajudante(s). Aliás, só os miseráveis é que dizem que afagar o pirilau, esgaramantear a laustríbia é suficiente. Porque é, se não se for capaz de mais. Conde Isidoro.

(de albergue dos danados)

segunda-feira, junho 12, 2006

Um recado do capitão:

"Despacho" colocado pelo "dono do blog": Transcreva-se, até porque recados de capitão são ordens!

Esta vitória é dos jogadores, equipa técnica, seccionistas, direcção e todos todos aqueles que nos acompanharam.
Foi um dia inesquecivel não só para os jogadores mas também para todos os ourienses, pois é um feito histórico para a nossa cidade.
Obrigado a todos aqueles que de uma forma ou de outra nos proporcionaram esta felicidade. Agora em nome de toda a equipa peço a todos os ouriense que apareçam 5ª feira dia 15 de Junho pelas 17.30 horas no pavilhão Municipal de Ourém para assim podermos continuar a nossa festa.
Um grande abraço para todos os meus companheiros de equipa que bem merecem, pois foram uns verdadeiros campeões.

Helder Ferreira
4

Desabafo

Na procura distraída do que “ouver” na semana que aí vem, em um dos habituais “cartazes”, deparo com uma foto e um título que me prendem:

Leio e irrito-me.
Como é que um escribazinha qualquer se permite dizer que «”O último comunista”, uma biografia de Álvaro Cunhal, é título que ofenderá quem foi fiel ao líder e insiste em abraçar a sua causa»?!
Esse escribazinha é que é fiel a quem lhe paga o soldo e lhe manda – mesmo sem precisar de mandar… – escrever coisas dessas. Pequeninas, rasteiras, mas que fazem a “informação”.
Esse escribazinho de meia tijela não deve fazer a menor ideia (entre as poucas que tenha) do que é ser comunista, e que essa “causa” não era “sua”, de Álvaro Cunhal, mas que era - e é! - de muita gente e não de uns raros atrasados mentais, “fiéis” a uma personalidade e que insistem a ela se manterem abraçados.
Esse escribazinha a soldo, que deve ignorar o que é lealdade (bem diferente de fidelidade), respeito e admiração entre camaradas, e como Álvaro Cunhal é respeitado e admirado, é um agente ideológico, menor mas eficaz, da luta de classes.
Esse escribazinho barato, por muitos que possam ser os euros por que vende a sua (pobre) força de trabalho, apanhou-me num domingo de descontracção e disponível para desabafos.
Este fica aqui.

domingo, junho 11, 2006

Histórias em cem palavras - Manhã de 11.06 - 2

Era só o que faltava...
... Não chegava esta histeria do mundial, com a rádio e a televisão que não se podem ouvir, entra-me em casa esta loucura do hóquei.
Tu não comes, tu não dormes, andas p’raí equipado à rapazinho das claques, só falas de hóquei e Juventude.
Não te vejo aos fins-de-semana porque há jogos, durante a semana porque há reuniões ou treinos. E chegas esta madrugada como se tivessem posto o pé na Lua...
Humm…
‘Tá bem. Também estou contente… mas às vezes apetece-me emigrar.
Para Pasárgada? Contigo? Embora já.
Mas não levas essa t-shirt e esse cachecol…

Histórias em cem palavras - Manhã de 11.06.06 - 1

Perplexidade

Os autocarros e automóveis da caravana oureense pararam numa estação de serviços. Para estender pernas, aliviar líquidos, recarregar depósitos. Para nos encontramos…
Os fatos de treino, t-shirts e cachecóis identificavam-nos.
Repetiam-se abraços, davam-se notícias sobre a recepção que nos esperava. A alegria era esfusiante e contagiante (todos a “portarem-se bem”…).
Um casal simpático dirigiu-se ao mais velho e calmo dos que festejavam: Parabéns! Ganharam onde?, por quantos?
O mais velho e calmo riu muito: Perdemos por 6-1!
E acrescentou, abrindo mais o sorriso e aumentando a perplexidade do casal: é a nossa maneira de estar no desporto!
Depois, explicou…

Resumo

Gostei de estar em Valongo e com a sua gente.
Tudo correu excelentemente, talvez porque perdemos o jogo, e os de Valongo e nós ganhámos a subida de divisão.
Gostaria de gostar de estar em Valongo em quaisquer circunstâncias, mas foi nestas.
Foi bom!

sexta-feira, junho 09, 2006

Já agora...

Para não haver dúvidas (destas):
sempre que jogo, entendendo-se por jogo praticar desporto competitivo, faço o que posso para ganhar... dentro das regras estabelecidas e aceites, e com lealdade.
Mas já me aconteceu ficar mais contente depois de algumas derrotas que após algumas vitórias.

O que não posso aceitar, o que recuso com toda a veemência são situações como esta que estamos a viver em que parece que é preciso ter coragem para ir a Valongo acompanhar o Juventude Ouriense que lá vai jogar hóquei. A ameaça implícita em coisas que tenho lido, só pode ter um resposta: ir lá!
E ganhar o jogo! Não "seja como fôr" mas cumprindo as regras e com o respeito pelos outros e a lealdade que parece faltar por certas paragens e em certas gentes. A nossa coragem é essa, a de afirmarmos, com a presença, que não temos medo de ameaças ou de avisos cobardes.

quinta-feira, junho 08, 2006

Dúvidas e reflexões na madrugada ou dúvidas e reflexões que tiram o sono

Como converter três metros de altura em medida euro?
Será possível resistir à mercantilização de todos os valores?
Ou melhor(?): haverá valores fora do mercado?
Ou melhor ainda (?): o que não for mercantilizável terá "valor", terá razão para existir?
O uso e abuso do valor de troca submerge os valores de uso e o uso dos valores?
Não há reserva para actividades (e relações) humanas fora da escala €?
Quantos ainda haverá que acreditam em almoços grátis?
Ou melhor (!): quantos se lembram que continua a haver almoços grátis, amigos?
Estamos a caminho do tempo (e reino) da liberdade ou aceitámos (provisoriamente!) a marcha atrás?
Andar nas autoestradas em contramão é o desporto do futuro, ou é um crime porque há o(s) outro(s)?
A actividade lúdica continua ludus e prazer quando se lhe põe um preço, ou uma aposta, ou um desafio vale-tudo?
Tudo tem preço?
O que vale é o resultado, não a prática e a convivência?
Vale tudo para alcançar um resultado?
(... até fazer batota, comprar o árbitro, aldrabar na secretaria?)
Ganhar é preciso, navegar/praticar não é preciso?
Prémio (e glória) para os que ganham (o quê?) e multa (e anátema) para os que perdem (o quê?)?
Os que ganharam poderiam ter ganho (o quê?) sem que os que perderam tivessem perdido (o quê?)?
Muito se fala em saber perder, pouco se fala em saber ganhar... porque se esqueceu o saber competir fraternamente, companheiramente.
O outro é sempre o inimigo, ou é sempre o companheiro sem o qual eu não existia?
O outro é sempre o outro, ou eu sou sempre (também) o outro?

Ganhaste? Não sei... mas foi bom competir!
Perdeste? Sei lá... parece que sim... ou talvez não... mas foi porreiro.
Parabéns... perdeste bem! Parabéns... ganhaste bem!

"Sou duro... mas abomino a violência" devia ser a regra número um do praticante de qualquer modalidade (desportiva ou não).
Para quando a realização da utopia da competição (desportiva ou não) que dispensa árbitro, em que os que competem definem, conhecem e cumprem as regras da competição?
"Fiz falta, desculpa lá... é penalti".
"Não foi golo, meti a bola na baliza com a mão... foi instintivo!"

Posso lutar para que a competição (desportiva ou não) seja leal, sem truques para se "ganhar a qualquer preço"? Não tem preço esta luta. Acho eu...

Que ganhem os mehores. E que os que percam não sejam os derrotados mas aapenas... os que não ganharam. Estou a falar de desporto!

Tenho dito! Por agora...

domingo, junho 04, 2006

4 de Junho... 1966

Nas frequentes "visitas" que faço ao meu "amigo" Zé Gomes Ferreira (o poeta militante) tenho, quase sempre, surpresas. Para hoje, 4 de Junho de 2006, fica esta



"(...) em pleno momento de idílio sórdido do neo-socialismo (desossado do marxismo) com o neocapitalismo..."
(Dias Comuns I - passos efémeros)


O neo-socialismo... desossado de marxismo!
Há 40 anos! Como os momentos se prolongam!
Embora, no tempo histórico, tudo nunca passe de um momento (com picos, saltos e sobressaltos...)

quinta-feira, junho 01, 2006

Antologia

Camarote volante com visão sobre os infortúnios. Em Portugal o rol das expressões estúpidas é mais do que extenso. E nenhuma dessas expressões é mais estúpida do que «visitar o país real». Porque visitar o país real é eufemismo de excursão à paisagem da miséria. Não obstante, por um equívoco qualquer, por momentos acontece que a semântica é colonizada por um juízo discernido, segundo o qual, por cá, a paisagem da miséria é real. O que significa que, em rigor, a paisagem da excelência e da abastança é o país irreal, uma miragem. Nicky Florentino.

(de Albergue dos danados)

Ping-pong

... para que tive o atrevimento de me sentir desafiado pelo enorme José Gomes Ferreira:

Ping -Essencial: a sinceridade, em mim, não se pode desligar da ironia. (Dias Comuns)
Pong - Essencial: pois para mim, a ironia não se pode desligar da sinceridade.

Também em intenção de outros amigos desafios.

quarta-feira, maio 31, 2006

São tantas as frentes e é tanta a indignidade...

... que não há indignação que baste!
E este título do Ruben Fonseca (que escritor admirável!) não me sai da cabeça:

Com uma profunda indignação

Há um partido político português que adoptou como símbolo a foice e o martelo. Desde a sua fundação, em 1921.
Atravessou o fascismo e a guerra colonial sendo o único partido que resistiu, com sacrifícios e dificuldades que sempre o fortaleceram, a todo o tempo de opressão e a toda a opressão. Sempre com a foice e o martelo.
A muitos não comunistas se deve, também, a conquista da liberdade e da democracia para Portugal, mas, como partido, só a um deve o povo português a luta de 48 anos antes de 25 de Abril 1974 Pela liberdade. Pela democracia. Escrevam-se as histórias que se queiram ou se encomendem, ignorar isto é falsear criminosamente a História.
Estiveram a foice e o martelo escondidos em muitos corações mas sempre bem visíveis nas páginas do Avante!, jornal clandestino e heróico porque só heróis o podiam fazer como foi feito durante 43 anos.
Depois de 1974, esse símbolo deixou de ser clandestino porque ganhou o direito a ser o que sempre foi: o sinal emblemático de um partido político português.
A publicidade a um medicamento (?) usando o símbolo deste partido é uma ignomínia. E está no âmbito de uma luta ideológica em que não se recua perante o infame.

domingo, maio 28, 2006

Com um pedido de desculpas...

Na reacção à destruição do depósito de água, colocámos fotografias de Alexandra Santos editadas em o castelo, sem fazer referência à autoria das fotos e sua origem. Da falta pedimos desculpa, cumprimentando autora e blog pelo excelente trabalho de informação.

Porque hoje estou triste/mas triste de não ter jeito - 2















Depois de tanto do que era memória viva já ter sido destruido, agora foi aquele depósito, que por outras terras se preservam como património, como signo sinal de um tempo.
E a seguir?
Serão as ruínas cada vez mais ruínas da igraja de S. Sebastião...

por omissão apesar de tantas lembranças?, ou será, talvez, sabe-se lá, a capela da Conceição?
E para quando a implosão dos Castelos, com honras de presidente a dar ao embolo?

Ao menos, façam réplicas em cera para o museu de Fátima, numa secção a abrir chamada exemplares de arte não-sacra ou amostras do profano destruído.

sexta-feira, maio 26, 2006

Porque hoje estou triste/mas triste de não ter jeito


Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive

E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar

E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.


(Manuel Bandeira)

E porque tu me lembraste o Manuel Bandeira e porque contigo, só contigo, me iria embora, me iria embora para Pasárgada

quinta-feira, maio 25, 2006

Sobre a tal "auto-estima"... ANTOLOGIA

«(...) Posto isto e os factos, sobejam motivos para temer que o País esteja de novo a incubar essa estranha doença que à falta de melhor podemos designar por febre nacional-futebolística, que deixa os pacientes em estado de euforia e alienação colectiva antes de mergulharem em profunda depressão, seja qual for o resultado da Selecção, mal o campeonato chegue ao fim.
«O governo de Sócrates, tal como os seus congéneres por esse mundo fora, não só estimula como cavalga a onda do vírus "desportivo", fazendo de conta que é sinónimo de confiança, sinal de retoma, demonstração de sucesso. Com os espíritos entretidos com o futebol (e com as touradas e os fados e os casinos e as galas e os festivais... que infestam o dia a dia televisivos a lembrar cada vez mais as programações do fascismo), é de esperar que não sobre muito tempo para o "resto".
(...)»

(Anabela Fino, em A talhe de foice - o virus, Avante de hoje)

quarta-feira, maio 24, 2006

Como eu o compreendo...

Luandino Vieira recusou o Prémio Camões! Por razões pessoais...
Como eu o compreendo! Eu não o faria, acho que ele não o devia fazer, mas... como eu o compreendo!
Um abraço de compreensão solidária que talvez não chegue ao destino.

terça-feira, maio 23, 2006

No alvo com comentário

Em "Albergue dos danados":

A (des)contracção. Consta que o senhor dr. Marques Mendes teve uma ideia, “um programa especial de rescisões amigáveis na função pública”, e ousou a sua apresentação pública. Para financiar as indemnizações decorrentes de tais rescisões o fulano aventou a hipótese de recorrer a fundos comunitários. Argumenta ele que tais indemnizações são mais um investimento do que uma despesa e que, portanto... Deve deixar-se fluir a estupidez sem freio. Nicky Florentino.

Comentário:

Nicky em todo o o seu esplendor, na proporção inversa da altura do dr. Marques Mendes, e na proporção directa da estupidez sem freio.
Mas nada é inocente, por pequenino e estupido que seja... ou que pareça até porque, como dizia o outro de péssima memória, em política, o que parece é.

segunda-feira, maio 22, 2006

Uma estória (com) Luandino em Ourém

Nesta madrugada, entre outras coisas, resolvi passar por um "aparelho de busca" e consultei "Luandino Vieira" para me inteirar do impacto da atribuição do Prémio Camões. Folheei mais de 50 páginas, até que me resolvi a contar esta "estória". Até porque, se há coincidências... uma é a de ter estado, hoje de tarde, à procura de um telefone numa velha agenda e ter encontrado este bilhete de que tão bem me recordava mas não sabia onde parava.














Aqui há uns anos (sei, agora, que foi em 5 de Setembro de 2001), por volta da hora do almoço, cheguei à Som da Tinta e a Rosa, com ar displicente, disse-me que tinha estado lá um senhor a olhar para as estantes, e que me deixara um bilhete. "Está aí". Com parecida displicência peguei no pequeno bilhete e li-o. Logo a displicência se transformou em alvoroço, ainda maior porque à pergunta se "o senhor tinha estado ali há muito tempo" a resposta foi "não... foi há bocadinho e julgo que foi para a Rodoviária"...
Corri à Rodoviária e, ao ver um "senhor" sentado no passeio, de boné, a ler, gritei interrogando, ainda a uns passos dele, "Zé Luandino?!". Ele levantou os olhos dos papeis, levantou-se e foi um grande abraço. Não nos víamos há muito tempo!
Depois, foi a conversa amiga, o "saber coisas".
Vinha a Fátima visitar a mãe que estava num lar, vinha de "expresso" lá do Minho onde se sabia que ele se acolhera e de onde me iam chegando notícias esparsas e indirectas. Passámos pelo Zambujal, sem tempo para almoçar porque os horários ditavam o regresso, levei-o à Rodoviária em Fátima, trocámos telefones, combinámos muitas coisas. Poucas se cumpriram. ´
Entretanto, a mãe morreu, deixou de vir a Fátima, quase nunca atende o telefone porque a "vida social" é coisa de que foge.
O projecto de o trazer à Som da Tinta, para conversar um bocado de forma mais alargada ainda não foi concretizado. Se calhar não vai ser fácil, mas ele tem de ajudar a "audácia"... "muitos anos antes de tudo esquecermos; de todos esquecerem" como escreveu, em dedicatória amiga naquele bilhetinho em tão boa hora encontrado.

sábado, maio 20, 2006

O Prémio Camões 2006 para José Luandino Vieira

Para se ter a ideia da importância do prémio que acaba de ser atribuido ao escritor Luandino Vieira, que nasceu na Lagoa do Furadouro embora se considere angolano, mais do que o seu montante (100 mil euros), deve referir-se quem o recebeu, dos escritores em língua portuguesa, desde que foi instituído, em 1989:Miguel Torga, João Cabral de Melo Neto, José Craveirinha, Virgílio Ferreira, Rachel Queiroz, Jorge Amado, José Saramago, Eduardo Lourenço, Pepetela, António Cândido, Sophia de Mello Breyner Andersen, Autran Dourado, Eugénio de Andrade, Maria Velho da Costa, Ruben Fonseca, Agustina Bessa Luís e Lygia Fagundes Telles.

sexta-feira, maio 19, 2006

Em 19 de Agosto de 2005, publicámos este post: Sobre Luandino Vieira - Alguma irritação e uma moderada indignação


Por razões várias e algumas pessoais, acompanho a vida (e a obra) de Luandino Vieira há muitas décadas. Mais de 40!
Estávamos presos, ele no Tarrafal e eu no Aljube em trânsito para Caxias, quando soube (ou confirmei) que ele existia, como escritor e como preso político tal como eu o era. Com o pormenor, não sei bem ao certo quando conhecido por mim, de que Luandino Vieira – José Vieira Mateus da Graça – era natural da “minha terra” que, afinal, não é aquela onde eu nasci – Vila Nova de Ourém – mas aquela onde ele nascera. Nascidos os dois no mesmo ano de 1935, ele em 5 de Maio e eu em 21 de Dezembro.
Ido com meses para Angola, luandino se tornou enquanto crescia, e cedo aderiu à luta pela independência do País que passou a considerar seu. A sua obra publicada começou em 1957, na revista Cultura, e teve textos editados pela Casa dos Estudantes do Império que me levaram a conhecê-lo (ou pré-conhecer) e Luuanda foi escrito na prisão, entre Luanda e o Tarrafal.
Foi livro que muito me impressionou por ter começado a fazer o que nenhum outro escritor em língua portuguesa fez como ele, embora muitos tenham tentado e alguns com muito bons resultados, do ponto de vista literário: usar uma espécie de bilinguismo, fazendo coexistir o português-língua oficial com as línguas digamos naturais. Eram contos e novelas em que esse bilinguismo reflectia, na literatura, nas histórias muito bem contadas, muito densas de humanidade, muito cheias de gente de Luanda, as contradições e tensões de uma ocupação colonial “à portuguesa” que, por ser “à portuguesa”, não era menos colonial.
Em 1964, Luuanda recebeu um prémio literário em Angola, e em 1965, o Grande Prémio de Novelística da Sociedade Portuguesa de Escritores.
O que deu origem a um dos maiores escândalos políticos da década de 60, por todas as reacções que provocou e pelas repercussões que teve. O governo fechou, brutalmente, a Sociedade Portuguesa de Escritores, perseguiu membros do júri e escritores que reagiram e afirmaram solidariedade, conseguiu alguns raros e pusilânimes apoios que chegaram à baixeza de diminuírem a qualidade literária da obra premiada. Foi um caso!
E se assim foi em meados da década de 60, já com o autor em liberdade – bem condicionada pois tinha residência fixa em Lisboa com a única possibilidade de se deslocar a Vila Nova de Ourém, devidamente autorizado!, para visitar os seus pais – uma edição de 1972, pelas Edições 70, onde Luandino trabalhava, foi apreendida motivando um recurso jurídico, com o suporte da avaliação de qualidade literária assinada por Jorge de Sena e Ferreira de Castro.

Por tudo isto, a alguma irritação minha e a minha calma indignação quando na badana da última edição de obra de Luandino Vieira, Macandumba, da Editorial Caminho, Lisboa, por cortesia da Editorial Nzila, Luanda, (e atmbém na nota sobre o autor na net) vi esquecida a referência à terra onde nasceu Luandino Vieira e de que nunca cortou totalmente as ligações, e li que “…foi libertado em 1972, em regime de liberdade vigiada em Lisboa. Iniciou então a publicação da sua obra…” sem qualquer referência a Luuanda e a tudo o que este livro representou – e representa! – na vida literária, política, social portuguesa e angolana.

Fica, também, como protesto a tornar público.

Hoje, 19 de Maio de 2006, retomamo-lo com a grande alegria pela atribuição do Prémio Camões a Luandino Vieira!

quinta-feira, maio 18, 2006

Histórias em cem palavras e 1lustração - 35

Uma para descontrair. Em 100 palavras (nem 99, nem 101!) e uma delas em tempo de verbo dos ditos "grossos"...
Ah!, e verdadeira (+ ou -)!

Aposta perdida

O “Palito” é assim. Simpático, bem disposto. E em duas palavras que diz, saem três palavrões. Dos graúdos…
Não será por isso, mas é homem que dá trabalho aos advogados.
Naquele dia, ao entrar no escritório, a secretária do "senhor doutor", antes dos bons dias, desafiou-o:
“Ó senhor “Palito”, antes que abra a boca… se o senhor sair daqui sem dizer uma asneira, pago-lhe um almoço, aceita a aposta?”.
O “Palito” adiou o caloroso “bom dia”, sorriu e, com ar de homem calmo e controlado, abriu a boca:
“Humm, ‘tá bem… já se fodeu… vai pagar-me um almoço!”




Histórias em cem palavras e 1lustração - 34

Esta é a segunda:

Cultura…

Ele não tem uma base cultural livresca.
No liceu, incomodou-o o exibicionismo de colegas seus que citavam autores e obras que teriam pelas estantes lá de casa, e ele desconhecia.
Hoje, sente dificuldades nos apoios clássicos e nas “competições” eruditas e com citações, em que clássicos e semi-clássicos são trazidos à liça.
Arranjou os “seus clássicos” (para além dos da economia e da política…), aqueles que se lhe agarraram, bem lá por dentro de si. E se estão agarrados, os atrevidos…
Foi selecção não sistemática, e a alguns tem-nos por verdadeiros amigos. Aos autores das obras, não aos homens.

quarta-feira, maio 17, 2006

Histórias em cem palavras e 1lustração - 33

Afinal... ainda se descobriram mais duas histórias em cem palavras sobre livros ou afins.
Esta é a primeira. A segunda virá acima... daqui a bocadinho.


Não nasceu no meio de livros...

Não nasceu no meio de livros.
Não que o pai fosse avesso a leituras. Tinha “outra” cultura. Lia pouco.
A mãe aprendera pequenoburguesmente a fazer renda, a tocar piano (que não tocava…), a falar francês (que não falava…). Lia menos.
E ele era filho único…
Começou a ajudar o pai no trabalho dos papéis, a respirar o chumbo das tipografias. O que lhe criou um certo gosto pelo lado gráfico das coisas. Que mantém. Pelos cheiros, pelas formas, pelas “arrumações”.
Não nasceu no meio de livros, mas foi-os escolhendo para companhia. Com eles cresceu.

segunda-feira, maio 15, 2006

Ourém (cidade e concelho) existirá?

Ao ler o que estava dentro, nesta edição do Expresso, fica-se com (mais) dúvidas!
Valham-nos o Juventude Ouriense e o Clube Atlético Ouriense!

domingo, maio 14, 2006

Histórias em cem palavras e 1lustração - 32

Segunda história... esta de encontro!
ESTÁ(ÃO) NOS LIVROS…
Divórcios de parte a parte, sucessivas rupturas afectivas, os amigos comuns olhavam-nos como afectivamente instáveis. Não davam nada por aquilo.

Mas que tinham engraçado um com o outro foi notório. À primeira vista, no primeiro encontro.

Ele telefonou-lhe. Para um segundo encontro. Que marcaram numa livraria. Não se sabe qual deles propôs o lugar...

Trocaram livros como primeira prenda. Riram muito por ter sido o mesmo livro.

Estão reformados, já festejaram bodas de prata e gerem os prejuízos de uma livraria de pequena cidade, com muito esforço, alguma imaginação… e uns cheques que deviam ter outros destinos.

Histórias em cem palavras e 1lustração - 31

Mais duas histórias (em) cem palavras em que os livros são protagonistas. Primeira:
NÃO TINHA FUTURO…
Encontraram-se, ocasionalmente, na casa de amigos comuns. Pouco amigos e raro comuns.
Trincaram entre banalidades de segundos sentidos, entre-brindaram-se com uns sumositos de sedução.
Ele achou-a gira. Ela achou-o giro.
Como tinha de ser, trocaram telefones.

No dia seguinte, ele telefonou.
Ela marcou o esperado encontro para a livraria do Centro Comercial. Bom sinal, pensou ele.
Quando ela chegou, ele ofereceu-lhe o livro-surpresa em embalagem com lacinho.
Ela riu-se, parvamente, e disse: “p’ra mim?, nem gosto nada de ler… sou mais de festas”.

Foi o único encontro deles. Ou o único desencontro.
Aquilo não podia dar nada!

sábado, maio 13, 2006

Papeis & Contas, Lª.

Aquele que se julga meu dono anda a arrumar papeis. De vez em quando, dá-lhe para isso. Não que não precise, mas parece um tontinho a esvaziar o oceano com aqueles baldezitos de praia...
Eu aproveito! Gosto de me deitar no meio da papelada espalhada pelo chão:

O gajo finge-se irritado mas, no fundo, eu rio nos meus bigodes... e ele nas suas barbas.

Até porque gosto de ver estas contas da Som da Tinta. Não vá isto pôr em causa a minha requintada paparoca e outras mordomias a que estou habituado...

sexta-feira, maio 12, 2006

Histórias em cem palavras e 1lustração - 30

Leituras proibidas


Era um miúdo frágil.
Após consultas e estudo dos auxiliares de diagnóstico então possíveis, o médico perguntou aos pais se tinham posses para uma temporada na Suíça.
Perante a resposta, acompanhada da envergonhada afirmação da vontade de fazerem todos os sacrifícios, recomendou os ares da serra de Sintra.
Foram viver para o Algueirão! Com a “receita” de uma hora de repouso a seguir ao almoço. De repouso absoluto!
Ele, disciplinadamente, cumpria todas as recomendações.
Todas… menos uma.
Na penumbra do quarto, de olhos fechados, ficava à espera que o julgassem a dormir. Então, lia. Lia muito. Às escondidas.

quinta-feira, maio 11, 2006

Histórias em cem palavras e 1lustração - 29

Depois das histórias (em cem palavras) dedicadas ao 25-de-Abril, volto. Cem palavras...
E recomeço com a que escrevi a partir do que senti na edição do primeiro livro de que fui autor (embora fosse uma colectânea). Há 40 anos!

capa de Tomaz Xavier de Figueiredo,

em que tive o pudor de meter o meu nome...

O PRIMEIRO LIVRO

Quando levantou o telefone, mal ouviu o ansiado já chegou saltou porta fora, gritando à atónita secretária não demoro nada.

O carro arrancou numa chiadeira e não teve acidentes no curto trajecto porque deus põe a mãozinha não apenas por debaixo do menino e do borracho.

Na Rua do Mundo, deixou o carro onde calhou e subiu a quatro-e-quatro os degraus do nº67.

Ao manusear o livro, ao cheirar a tinta ainda fresca, ao ler o seu nome pela primeira vez numa capa, sentiu grande emoção.

Maior, só quando, meses depois, ajudou a nascer o primeiro filho.

segunda-feira, maio 08, 2006

Uma tarde "Som da Tinta"

Tendo passado uma boa parte da tarde e noite de ontem, domingo relativamente calmo, a tentar "entrar" no blog Som da Tinta para colocar lá alguma coisa sobre a tarde da véspera, e não o tendo conseguido fazer - decerto por inépcia minha... -, resolvi colocar aqui cinco fotos seleccionadas para esse registo de uma tarde "em cheio", em que houve a apresentação de um livro edição SdaT, de J. Sousa Dias e Gabriel Lagarto, e de um CD de Manuel Freire, Vitorino e José Jorge Letria, que estiveram presentes e animaram a tarde, bem como os professores Rui Sérgio e José António, que foram excelentes colaboradores.

domingo, maio 07, 2006

Dia da mãe

Pensava em que colocar aqui a assinalar o dia. Ia "navegando" enquanto pensava. Eis que tropeço neste "post" do Pedro Namora em "Vale a pena lutar". Ficou o problema - que problema não era... - resolvido!

Obrigado, Pedro, pelo teu poema e pela gravura que escolheste. Com o teu consentimento (tácito) e um grande abraço:

Há momentos em que não posso
Em que não sou
Macera-me o corpo
A inacção por te não ter
Por não te ouvir
Por não te ver
Ainda agora – posso jurar!
Aqui estavas
Mãos nas minhas
E promessas
E desejos
E coragem
Sonhos
Vontade
Futuro
Em tudo existias
Agora mesmo
Ou já foi ontem, mãe?
Não era tua a voz
Que me trouxe do sono?
Que me alentou?
Quem me chamou então?

quinta-feira, maio 04, 2006

Olá!

Andaram aí nem sei por onde, trouxerem-me uma fotografia de uma gata à janela que nem se vê que é gata (e outros mimos...), e - confesso - estou feliz.
Sinto-me bem com os gajos cá em casa...
Começa a estar calor
e sempre gostei de matar assim a sede!

Saudades e saudações felinas

Gata em janela de Angra do Heroismo

O trabalho que nos deu, com o material que temos..., fotografar esta
gata em janela de Angra do Heroísmo!

...mas tinhamos de trazer uma "graça" para o Mounti.

"Capela" de S. Sebastião...

Ao rever fotografias desta curta estadia nos Açores, procurava uma que aqui ficasse bem. Neste blog. Muitas encontrei mas decidi-me por esta. Por agora...
É a "capela" de S. Sebastião... na ilha Terceira. Bem mais antiga que a "nossa" mas...

Histórias em cem palavras e 1lustração - 28

Coloquei o número dos dias em 25 e as letras do mês em Abril e fui à vida. Pelo mundo.
Voltei.

Voltei a rotinas que também delas (e tanto!) é feita a vida, e o calendário está como o deixei.
E está certo: 25-de-Abril sempre!
Mas… para fechar o círculo que aberto sempre esteve e ficará, umas últimas cem palavras sobre o 25 de Abril que foram escritas há uns anos, em reacção a um amigo que dizia, com algum peso de autoridade, que se não tivesse havido 25-de-Abril tudo estaria como está. O que achei (e cada vez mais acho) um erro crasso, até porque a História não é como o salame…


MEMÓRIA E PROJECTO

25-de-Abril… quando foi?
Em 1974…
Ih! Há tanto tempo…
Enganas-te, foi ontem.
‘Inda não tinha nascido!
Pois eu nasci segunda vez nesse dia, já tinha quarentas...
‘Tás velho, c’roa…
Quando lembro o 25-de-Abril não estou. Para mim, foi ontem.
E valeu a pena?
Valeu!!!
Como seria Portugal sem esse 25-de-Abril?
Dizem que igual ao que é.
E valeu a pena?!
Sim!, pela memória que é minha, pelo projecto que tens de reconstruir para ser teu e futuro.
‘Tá bem. Depois contas o resto…
Claro. Conto-te a memória, para o projecto e futuro és tu que vais contar.