quinta-feira, maio 22, 2008

Con viver

Conviver é viver com. Com os outros. E não se vive sem os outros. Isto é, sem convívio!
E é bom ter amigos!


Obrigado por terem vindo. Espero que tenham todos regressado bem!

Uma pausa

Passar por aqui, pela "blogosfera", tornou-se uma rotina. O que se sente quando a rotina não se cumpre. Um dia de "falta ao serviço" nota-se logo. Há coisas que não queriamos deixar passar e já foram ultrapassadas, há comentários lidos tardiamente e que não foram respondidos como deviam uns como mereciam outros, havia comentários a fazer que perderam oportunidade.


Foi só um dia e acumulou-se tanta coisa.


Tive de ir a Lisboa - e esta frase sublinha-se com o tive de ir -, saí cedo de casa, apanhei o "expresso", andei por Lisboa de um lado para o outro, fiz o que tinha a fazer, sobrou-me algum tempo entre tarefas, apanhei o "expresso" de regresso, cheguei tarde a uma reunião marcada para a noite "lá em baixo", na pequena cidade perto da aldeia onde vivo. Sempre sem o computador e esta rotina.


No tempo que me sobrou repetiu o que fiz a semana passada. Fui ao cinema. Ver um filme recomendado por "ela". sem quaisquer veleidades de me "pôr em dia", tal o atraso. Mas foi tão... bom. Digo melhor porquê em ficções do cordel, mas aqui fica o apontamento de que a razão talvez mais forte para tão bem me ter sentido foi a de, ao saborear aquele cuscuz, ter-me sentido compensado do desagrado, quase náusea, que senti ao confrontar, repetidas vezes, as capas da comunicação social, ter lido o que li na viagem de autocarro. Como que me senti compensado, ou recuperado do desconforto por ver como a comunicação social banaliza a anormalidade, apenas faz notícia do que é excepcional ou escândalo. Como ignora, logo faz com que não exista..., o que é "normal", o quotidiano de milhões, da imensa maioria que nós somos, cada um diferente na sua... normalidade.



Dois exemplos de "anormalidades" que alimentam as notícias:


Carolina Salgado é uma. E não digo o quê.


Cristiano Ronaldo (ah!, a histeria que vem aí!) é um. E não digo quanto vale.




terça-feira, maio 20, 2008

De vez em quando, Zé Gomes Ferreira (e não só!)

4 de Junho (1966!)

Diante da Fábrica da Tabaqueira, em Albarraque, os deuses do neocapitalismo triunfante ergueram uma estátua solene ao Capital de Sempre na forma de Alfredo da Silva.
É o símbolo mais grosseiro que vi, até hoje, virado para o Sol: um homem impertigadamente gordo e grosso, de fraque, bengala na mão direita e charuto (sim, CHARUTO!) na mão esquerda. Uma autêntica caricatura de bronze insolente como que saída dos primeiros romances neo-realistas que, pelo visto, não são tão inventados como se nos afiguram agora, em pleno idílio sórdido do neo-socialismo (desossado de marxismo) com o neocapitalismo...
(Dias Comuns I
- Passos Efémeros - Diário)
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
.
desenho inédito de Álvaro Cunhal

segunda-feira, maio 19, 2008

19 de Maio de 1954 (e 19 de Dezembro de 1961)

em memória para duas homenagens
Catarina Eufémia,
assassinada a 19 de Maio de 1954 gravura de José Dias Coelho,
assassinado a 19 de Dezembro de 1961

Os erros (?) nas previsões

Uma das coisas que me incomoda é a frequente, quando não constante (ou recorrente, como ora se diz…) auto-citação, o recurso a frases como “vêem como eu tinha razão” ou “como eu já tinha dito”. E não me estou a referir apenas a outros, pois já o fiz algumas vezes apesar de estar atento para que tal não seja… recorrente.
Por vezes, é inevitável. É tão insistente o estratagema de apresentar como “novidade” ou “descoberta” o que já foi dito, previsto, prevenido, que é preciso lembrar! Lembrar que “nós” já o tínhamos dito e escrito, “descoberto” há muito tempo.No entanto, é essencial sublinhar que a previsão e prevenção não resulta de dotes de adivinhação, mas da procura de quais as dinâmicas sociais e económicas e de ultrapassar as meras previsões feitas hoje para dizer como vai ser amanhã. Feitas sempre, sublinhe-se, não para melhor preparar o futuro mas para instrumentalizar político-partidariamente as previsões. Depois, os comentadores encartados, ao escreverem que “cortar a previsão do crescimento em quase um terço (31,8%), passando-a de 2,2% para 1,5% é brutal (…)” têm todo o cuidado em não beliscar as reputações, para que tanto eles próprios construíram, dos que erram sistematicamente as previsões, e fazem de conta que ignoram que o que hoje dizem foi, repito, previsto e prevenido por outros, e continuam a (van)glorificar os que estão sempre a prevaricar no erro. Decerto porque sabem que não se tratou de erro mas de manipulação, de utilização de números para… “enganar o pessoal”.
O facto é que, como sempre se soube e foi escondido, “a economia portuguesa nunca poderia ficar imune à crise internacional” (do capitalismo, digo eu) e que, nesse contexto e dinâmica, “vamos passar pelo menos mais dois anos (este e o próximo) a crescer abaixo da média europeia (da UE, digo eu): serão oito anos a divergir com a Europa”.
E uma pitada de honestidade intelectual? Que tal? É que há políticas (e políticos, e partidos) culpados. Os do costume...

sábado, maio 17, 2008

Sobre as artes&manhas de "armar ao pingarelho" (dit-il)

Tinha prometido a mim mesmo não falar mais deste t(r)ema. Mas não resisto a transcrever o sr. nicky florentino, hóspede do albergue dos danados, que há muito para aqui não trazia. E como de promessas não cumpridas estão os governos repletos, e a que eu confesso ter feito foi só a mim mesmo, aqui vai o que bem me parece merecer transcrição:

Mr. jogging & senhor nicotina. O senhor eng.º José Pinto de Sousa fumou onde a lei não permite fumar. Isto não é um caso de moralidade, é um caso de legalidade. Depois, vergado pela denúncia mediática da falta - parece que não tanto pela vergonha de ter ofendido uma norma em relação à qual tem responsabilidade significativa enquanto senhor secretário-geral da seita socialista -, rogou perdão público e prometeu deixar de fumar. Começa aqui o segundo plano da estupidez do caso. O fulano não tinha que prometer coisa alguma. Se deseja ou pretende deixar de fumar, a publicidade disso nada releva. Mas, posto como promessa pública o abandono do vício - embora não se saiba bem a quem é que endossou tal promessa -, facto é que o senhor eng.º José Pinto de Sousa vinculou-se voluntária e moralmente a um comportamento. Na prática ajoelhou-se perante um altar. Depois veio lamuriar-se, ai o «calvinismo político» e ai a vigilância moral. Está bem. Tergiversar é bom. Armar ao pingarelho também. Nicky Florentino.

sexta-feira, maio 16, 2008

Tanto renovou, tanto renovou que deu nisto...


O professor doutor Vital Moreira fez o seu caminho. Que o aproveitem e que lhe faça bom proveito. Não pode é andar a pavonear a sua sapiência como se fosse o campeão não sei de que coerência, quando esta lhe falta e aquela dá azo a que se duvide que exista.

Tropecei no livro ao lado, de que reproduzi o trecho do "post" anterior, quando - ele há coincidências... - VM publicava, no largo espaço que lhe concedem (e pagam, claro) para as suas pesporrências, uma coisa chamada "Adeus socialismo"? (Público de 13.05.08).

Não se trata de estar de acordo ou não com as suas opiniões. Trata-se de relevar como o que aí escreveu está em completo antagonismo com o que escrevia nos anos idos de 1974, e tem imprecisões e faltas de rigor absolutamente indesculpáveis num... homem sério.

Aponto duas.

1. Escreve VM que «foi muito antes do fim do comunismo que os partidos socialistas e social-democratas - a começar com o SPD alemão, no célebre congresso de Bad Godesberg de 1959 - abandonaram a ideia da "economia socialista", enquanto sistema económico alternativo ao capitalismo. baseado na "socialização" generalizada dos meios de produção».

Ora no "célebre congresso" decidiu-se erradicar da social-democracia todo o referencial marxista, ao que muitos outros partidos social-democratas e socialistas resistiram, nomeadamente o português, que se viria a formar em 1973, com uma explícita referências ao marxismo como "inspiração teórica predominante" na sua declaração de princípios fundadora. Pelo que tal referência só pode servir para lançar confusão. Além disso, e não menos esclarecedor, definir "economia socialista" como VM o faz é, no mínimo, irrisório.
.
2. Logo a seguir, sem sequer fazer parágrafo, VM continua «Aliás. isso mesmo resulta da adesão de todos eles à UE, desde o início baseada numa "economia de mercado assente na livre concorrência" (como estabelece o Tratado de Roma, de 1957)».
.
De novo, seria ignorância de VM se não fosse má fé. Se pudesse, ou melhor: se valesse a pena, desafiava-o a provar que no Tratado de Roma se escreve o que ele colocou entre aspas, como citação. Por bem menos chumbaria alunos meus. Não por achar grave o erro, mas por não tolerar má fé!
.
E não gasto mais cêra!

Uma "maldade"

(... sem qualquer remorso!)


Em busca na (pequena e mal arrumada) estante sobre marxismo, encontrei a surpresa de um esquecido livrinho. Cheio de sublinhados e de pequenos papeluchos com notas. Foi giro o encontro...
A edição é de 1979 e é uma colectânea de textos do autor.
Reproduzo o final do último texto:
"(…)
Na verdade, se o marxismo não é uma
doutrina institucionalmente fixada, um sistema codificado de respostas, também não é, pura e simplesmente, apenas um método – ainda que dialéctico – que suporte um total ecletismo teórico. Não é ainda certamente uma mera herança intelectual, dissolvida com outras heranças – mesmo que ideologicamente contraditórias – numa corrente teórica comum. Não é também somente uma tradição intelectual, uma “escola”, assente sobre bases mínimas teóricas e metodológicas. A isto haverá a acrescentar pelo menos que o marxismo tem por objecto privilegiado a compreensão das transformações históricas e está vinculado à acção histórica. Por isso, a questão sobre se o marxismo é “ciência ou revolução” só admite uma resposta: ambas! E é isso que determina o lugar singular do marxismo na história."
Dezembro de 1974
Ia escrever o nome do autor (e publicar a capa do livro, já "scaneada", e comentar)... mas resolvi fazer a tal "maldade". Dou um doce a quem disser qual é o autor, quem é ele.
E acrescentarei um ou dois pequenos trechos recentes que ilustram exemplarmente como a vida é feita de mudança... mas também não vale exagerar tanto!
Mais não digo para não "ajudar".

quinta-feira, maio 15, 2008

Diário de bordo (ou "caixa negra"?)

Ontem, foi um dia... esquisito. Se difícil é falar de rotina nos meus quotidianos, ontem o dia saíu de todas as eventuais ou possíveis rotinas...


Tinha de ir a Lisboa. Fui de carro até Fátima e apanhei logo um noticiário matinal com a "caixa" absolutamente sensacional de que o 1º ministro fumara na viagem aérea para Caracas! Finalmente se saia, neste País, do marasmo informativo. Finalmente, em vias de esgotamento do inesgotável "apito" que me põe de todas as cores por mais que o façam dourado, não havia que encontrar outras maneiras enviezadas para não falar do Código do Trabalho, do aumento do preço dos alimentos e dos combustíveis, do fecho das empresas (das pequenas, claro), dos lucros dos bancos, dessas minudências chatas. Ali estava... a notícia, o que deita abaixo qualquer 1º ministro, ou que executa qualquer executivo, qualquer que seja a política que execute!


A viagem de "expresso" durou a hora e meia programada. Em que li o jornal (as graúdas), reli e revi os tópicos da intervenção que ia fazer ao fim do dia, fiz um sudoku (fácil!). Desci no aeroporto, fui a pé até à editora que é na Gago Coutinho, encontrei amigos, conversámos, trabalhámos levemente, decidimos a capa, recebi as primeiras provas do meu original e um texto para dar opinião. Saí com a pasta a abarrotar, meti-me num táxi e fui almoçar num daqueles restaurantes de "matar saudades", i.e., dos de antigamente, de há décadas.


Escolhido "a dedo" para ir ao cinema (há quantos meses? indecente...), para estar às 14.30 no Nimas para não perder Caramel como "ela" vivamente me recomendara/ordenara. Abençoada recomendação/ordem (fica para registo no docordel)!


Fiquei com tempo livre. Estranho! Mas é por isso que os homens lutam (ou deveriam lutar!), como iria dizer para terminar a minha apelidada conferência do fim da tarde na SPA, a convite da Associação Iuri Gagarine. Deu para entrar numa "pastelaria", também das de "matar saudades", para me sentar frente a uma meia torrada e um galão (claro... e morno), e rever, carinhosamente, umas páginas das provas. Que revi. Todo o primeiro capítulo dedicado (como dedicatória que é) ao José Dias Coelho e ao seu assassinato.


E enquanto "fazia tempo", aproveitando-o, fui - também ali - invadido pela televisão, que me disse, por cima da minha cabeça, mais umas tantas coisas sobre o cigarro fumado pelo sr. Sócrates, e as desculpas deste, e mais que a dra. Ferreira Leite acha que o tal que fuma faz o que ela fez e fará (se puder), mas ela com mais humanidade executiva e menos tecnocrática execução. Não chegou para perturbar a minha tarefa de entrementes.


Respeitando o horário, fui participar na iniciativa da Iuri Gagarine, com a parceria de Dulce Rebelo (que me convidara para falar de questões económicas e sociais do "século soviético" e nos apresentou) e de Maria José Maurício (que falou sobre a mulher na revolução e na URSS, e nos mostrou coisas bonitas e significativas). Gostei de o ter feito!


Depois, jantámos no chinês em frente, com amigos, e regressámos a casa, aqui à aldeia. Com "ela" ao volante e ouvindo os noticiários das horas e meias horas, exasperados com a exploração do pecaminoso cigarrito do eng. Pinto de Sousa - dos tais "apitos" nem ouço, nem falo... - e fugindo a meio para o refúgio da antena 2. Conversando sobre amigos e amizades.


Foi um dia em cheio!


segunda-feira, maio 12, 2008

Isto de "alimentar" um blog...

Isto de "alimentar" um blog implica, desde que não se criem dispositivos de "auto-defesa", ter de ler os comentários que nele são feitos ou a ele dirigidos.
O que não se é é obrigado a responder-lhes. A alguns apetece, mas não merecem.
E, sem ser resposta, apenas venho dizer, porque tal me foi suscitado por uns comentadores (anónimos, claro) que não senhor, que não mudei em 1989, no sentido acintoso em que tal questão é posta. Sim, porque mudar, mudo a cada segundo. Por fora e por dentro!
Não era, então, comunista por existirem aqueles países socialistas, não era do PC Português por haver um PC da União Soviética, nunca me senti orfão da URSS! Por isso não deixei de ser quando essas referências e experiências acabaram.
Ah! e sinto-me feliz por haver em Portugal um partido comunista que não seguiu o caminho de outros... mas também acrescento que procurei contribuir para que assim tivesse sido e que, se não tivéssemos sido capazes, estou convicto que continuaria comunista, embora em condições (ainda) mais difíceis porque não teria (não sei por quanto tempo...) partido para tomar partido e nele ser parte de um colectivo.
Ficou claro? Tenho dúvidas (o que me dá muito!), até porque ser comunista é... outra coisa. Que não está à altura de algumas mentes. Sequer da sua compreensão rasteira, quanto mais dos três metros de altura que são necessários.
Isto com todo o respeito pelos que o não são!

sábado, maio 10, 2008

Os jovens senis

Estava um fulano a ler Marx. Como quem lava o corpo pelo avesso, como quem lava a cabeça do lado de dentro. E é interrompido. Uma voz aqui ao lado, parceira-companheira, vem imperativa "lê lá esta coisa...".
Logo o fulano, que sou eu, pediu licença ao Marx. Licença concedida, até porque ele é assim, nada de "argumentos de autoridade", sempre incitando os outros a pensar, a reflectir, sempre a dizer "lava bem a cabecinha (por dentro) e pensa por ti" (que eu saiba, a fazê-lo desde aquilo que escreveu com 17 anos - que era o que estava agora a ler -, lembrando que o "Manifesto" foi escrito tinha ele 30 anos).
E li "a coisa". Tem o título "o barão sindical" e estava no Expresso da semana passada.
Ora "aquela coisa" é exemplar do tipo de "autores" de prosa que por aí pulula. Nasceram ensinados, não estudam nada porque já aprenderam tudo, e debitam "verdades". E, "naquela coisa", o de seu nome Henrique Raposo perora sobre conceitos como trabalho, por si criados ou reconstruídos, e sobre "direitos adquiridos", no tom jocoso de quem acha que tem muita graça. Assimilando, por exemplo, "direitos adquiridos" a "i.e., emprego para a vida garantido por lei". Como é que se pode levar a sério tanto rigor?! Direitos adquiridos tratados por quem se julga com todos os direitos sem ter tido que os adquirir, e muito menos por via do trabalho.
E sobre trabalho é evidente que faz "tábua raza" do que David Ricardo e outros, antes e depois, pensaram, estudaram, escreveram sobre origem do "valor", sobre liberdade, sobre divisão natural e social do trabalho. Porque para ele, pretencioso e ignorante, tudo se reduz a ser "o trabalho um dever individual". Vangloriando-se da coragem de dizer este e outros dislates, "coragem" que só ele e próceres seus próximos terão.
Para mim, e por mim falo, são jovens de idade roídos de senilidade. Jovens senis...
Bom, e volto ao Marx, à minha higienezinha, que também é terapia de rejuvenescimento.

Dia de Encontro do PCP

Para a companheira
para as camaradas e para as amigas,
para as trabalhadoras,
para as mulheres,
hoje, 10 de Maio de 2008,
hoje, especialmente para quem está reunido e a debater este tema:


“(…) as mulheres não têm razão para se queixarem da Internacional, que elegeu uma delas, a Sra. Lan, para o Conselho Geral… Ironia à parte, o último do American Labour Union representa um grande passo em frente: os trabalhadores dos dois sexos foram tratados num completo pé de igualdade. Em contrapartida, os ingleses e mais ainda os galantes franceses mostraram uma grande estreiteza de espírito. O progresso social mede-se pela posição social do belo sexo (incluindo as feias…). (…)”


Karl Marx
(de uma carta a Kugelmann, 12 de Dezembro de1868)

sexta-feira, maio 09, 2008

De surripianço em surripianço...

... e com as devidas vénias:

(surripiado de vermelhovivo. Obrigado)

9 de Maio

Ontem, em 1945, foi o dia da Vitória, da Libertação, da Paz, da Europa.
Hoje, é o dia em que, em 1951 (se me não engano... e não me dou ao trabalho de ir confirmar, nem se este senhor, ministro francês, tem um ou dois n no final do nome) o sr. Schumann fez um discurso na sala dos relógios de um palácio qualquer a anunciar a decisão de se criar uma comunidade económica do carvão e do aço (CECA).

O Governo censurado

Uma impossibilidade derivada de questões de saúde que me obrigaram a ir aos HUC (estou óptimo, acrescento já em intenção de quem a isso interessar...) impediu-me de ver o debate da moção de censura apresentada pelo PCP. Custou-me muito...
Ouvi, no entanto, o noticiário das 19 no serviço público antena 1... e estive quase a ter de voltar para trás, para o hospital!, tal a náusea e a revolta que senti. Lá para meio do noticiário, falou-se da moção de censura. Para se dizer, em resumo, quais os motivos do partido que a apresentou? Não! Para dar a grande "caixa" de que o 1º ministro tinha dito que havia motivos para censurar o Governo mas não aqueles (quais?), a que se seguiu logo o dr. Francisco Louçã a aproveitar a boleia e a indagar, em diálogo com o tal 1º ministro, que motivos eram esses. Isto é informação... vergonhosa, pustulenta.
Depois, algo do final do debate, pela voz do Bernardino Soares, e o comentário (acintoso) sobre o resultado da votação.
Outros quefazeres só me deixaram "ouver" o inefável Sousa Tavares na televisão, com aqueles seus tiques ou trejeitos, a dizer que o PCP falhara a oportunidade de censurar o Governo porque escolhera mal os motivos, baseando-os numa concepção imobilista, num mercado do trabalho ultrapassado, própria do auge do marxismo-leninismo do século xix. Que rigor!, que comentador!, que dor de alma...


Pouco acrescentarei aqui e agora. Já ouvi, no site oficial do PCP, o discurso inicial do Jerónimo de Sousa (que aplaudi a mãos ambas no silêncio desta secretária), já viajei por alguns blogs onde encontrei o que era preciso encontrar, já renovei e fortaleci a dose quotidiana de vontade de lutar e de convicção que vale a pena e... que é possível!


Apenas deixo o meu resumo dos três motivos apresentados, e que a comunicação, deliberada e desavergonhadamente, escamoteou: agravamento da situação económica e social, opção de fundo e classista do Governo contra a Constituição da República Portuguesa, actualidade e urgência de trazer à A. da R. o sentimento do povo português.
E mais um apontamento que considero particularmente relevante na actual situação do capitalismo - e da luta de classes - a procura de liquidação do conceito horário de trabalho, que é essencial para a exploração dos trabalhadores na interpretação marxista em que a exploração é o tempo não pago de utilização da mercadoria força de trabalho, e porque a sociedade humana por que se luta terá uma organização do tempo de vida dos humanos em que o tempo livre seja o objectivo concreto e concretizável de todo o ser humano.

quinta-feira, maio 08, 2008

Hoje, o Governo e a (s) sua(s) política(s) serão censurados na AR

Depois de tão censurado nas ruas, pela(s) sua(s) política(s), o Governo vai hoje ser censurado pelo Grupo Parlamentar do PCP.

Não se espera que os deputados do PS votem favoravelmente essa moção de censura, assim como não o farão os deputados do PSD e do PP, pois estão todos de acordo com essas políticas independentemente do que delas pensam (e do que delas sofrem!) quem os elegeu para estarem na Assembleia da República.

Mas é assim a democracia representativa quando esquece ou menospreza a democracia participativa. Pelo que não deverá ser aprovada a moção parlamentar com que a Assembleia da República apenas confirmaria a censura que a esmagadora maioria do povo português vem fazendo às políticas do Governo! E que, logo à tarde, o GP do PCP vai interpretar onde os representantes deste povo têm mandato.

De qualquer modo, esta moção de censura é um episódio relevantíssimo da vida política portuguesa. Dê-lhe o relevo que lhe der a comunicação social.

quarta-feira, maio 07, 2008

2008: um ano de luta e de lutas

Em jangada-de-pedra.blogspot.com um post (que castendo.blogs.sapo.pt reproduz) dá-nos importante e oportuna informação, depois de uma introdução que aqui se reproduz também:
.
"Quantas vezes não ouvimos já pessoas dizerem que em Portugal as pessoas não fazem nada, que acatam e não refilam? A verdade é que por todo o país as populações lutam em defesa dos sectores públicos de saúde e educação. Nos sectores público e privado, os trabalhadores portugueses lutam por melhores condições de trabalho, para defender a contratação colectiva, para resistir despedimentos, e combater o Código de Trabalho que o governo e o patronato querem impor. Acumulam-se os casos represálias contra trabalhadores e sindicalistas.
São muitas as lutas, mas escassa a sua cobertura mediática. Com algumas excepções, as lutas dos trabalhadores e populações recebem pouca atenção, ou atenção pouco esclarecedora. Felizmente, há um local onde há acesso garantido a notícias sobre as lutas dos trabalhadores portugueses: o jornal avante!, o orgão central do Partido Comunista Português. Muita da informação abaixo foi recolhida das páginas do avante! e do sitio da CGTP-IN."
.
E segue a lista (extensíssima mas mesmo assim não exaustiva) das lutas deste ano que ainda não chegou a meio.
Vale a pena consultar! E guardar como informação.

Moção de censura

O debate da moção de censura do PCP ao Governo pode ser acompanhado, amanhã 8 de Maio de 2008, no canal 219 da televisão. Notícia para os reformados, desempregados, adoentados, "beneficiados" por horário de trabalho flexível... e outros "felizardos".

terça-feira, maio 06, 2008

A 6 de Maio de 1968

Já que tanto se está a falar de Maio de 1968:

"(...) A 3 de Maio, em Nanterre, uma agitação provocada pelo “movimento 22 de Março” levou ao encerramento da faculdade; a 4 de Maio, a Sorbonne foi ocupada pela polícia, com desmesurada e violenta repressão, que provocou os primeiros confrontos.
Por erro e/ou cálculo, a reacção do governo agravou uma situação tensa e abriu a escalada da violência. A 6 de Maio, 20 mil estudantes protestaram contra a condenação de colegas. A polícia carregou brutalmente e fez muitos feridos. Os “pavés”, que se tornaram “símbolos” do Maio dos estudantes, começaram a saltar dos pavimentos. Os protestos continuaram a 7 de Maio, e a 8 realizou-se um comício da UNEF, em que participou a CGT, que decorreu com massiva presença de estudantes e sem incidentes. A 9 de Maio, novos desfiles e à luta dos universitários juntaram-se os estudantes do ensino secundário, organizando várias manifestações em que núcleos da Juventude Comunista tiveram papel activo. (...)"
(excerto de um artigo publicado em O Militante)

segunda-feira, maio 05, 2008

Assembleia da República

REUNIÃO PLENÁRIA
- 2008-05-08 (QUINTA-FEIRA) 15:00
Moção de Censura ao Governo n.º…/X (PCP).
TEMPOS------ABERTURA----------DEBATE----------ENCERRAMENTO
PCP---------------12 m
GOV-------------- 12 m
GOV, PS e PCP------------------------30 m cada
PPD/PSD-------------------------------25 m
CDS-PP---------------------------------12 m
BE---------------------------------------10 m
PEV---------------------------------------7m
GOV------------------------------------------------------------12 m
PCP-------------------------------------------------------------12 m
VOTAÇÃO no final do debate

Carta ao Provedor do Diário de Notícias

Exmo. Senhor Provedor do Leitor
do Diário de Notícias

Evidentemente que o jornal de que V. Excia é provedor pode convidar, promover, aceitar todas as colaborações que muito bem entender.
Pode o comprador e leitor de jornais fazer a sua escolha a partir do livre mercado que está criado, com todas as mãozinhas que, por detrás desse mercado, o regulam.
Estas são as regras de um jogo que, por mais viciado que esteja, é o dito jogo democrático, e às suas regras nos atemos, mesmo quando as procuramos mudar por via de “outra informação”, de uma tomada de consciência que a todos chegue.
Um senhor chamado Alberto Gonçalves pode, usando os direitos que lhe concedem, dizer dos “baladeiros” o que lhe apetecer, até à fronteira do insulto, da agressão, chamar inconcebível a Ary dos Santos, achar melodias indigentes e colocar aspas para se referir a poemas de Gedeão e Saramago, achar que tudo isso é lixo, ir até à sentença boçal de que, a seu juízo (tão final que o terá gasto todo noutras graçolas) de que «ouvir o nosso canto de “intervenção” é perceber o infinito alcance da boçalidade humana». E mais que não sou nem obrigado a (re)ler nem a transcrever. É a sua “opinião” e sobre ela tenho a minha, decerto impublicável.
Pode usar e abusar desse seu direito de bolsar sobre as páginas que Abril lhe abriu (porque a censura não lhe deixaria escrever assim sobre o nacional-cançonetismo), tal como eu tenho o direito de deixar de comprar quem publique essas “opiniões”.
Mas não é admissível que, nas páginas do jornal como aquele de que V. Excia. é provedor, esse sociólogo (?!) se refira a um assassinato hediondo em termos pretensamente irónicos. Esmagarem as mãos a um homem e assassinarem-no num estádio-prisão, em condições cujo relato – conhecido por quem o quiser conhecer – arrepia qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade, e Alberto Gonçalves permite-se fazer, com esse episódio, umas linhas de prosa pretensamente irónicas. Absolutamente inaceitável! Condenável por mais libérrimas (ou libertinas) que sejam as “opiniões”.

Pergunto a V.Excia. se o papel de provedor não tem a função de impedir, já que não pode evitar, que se repita a publicação de “opiniões” (!) destas?

Com os cumprimentos
de Sérgio José Ferreira Ribeiro
– BI 2010116

O preço dos alimentos...

O preço dos alimentos. A fome. A caridade.
A actualidade dos temas. Mas quando não foram sempre actuais?
Só umas lembranças:
* As vinhas da ira, de Steinbeck -> onde, indignado - no começo das minhas indignações... -, li que se destruiam produções para manter preços enquanto gente, gente igual a gente, isto é, gente igual a mim, a ti, a ele, a nós, a vós, a eles, morria de fome;
* Alguns textos "nossos" (sim! nossos), alguns com décadas e até séculos, que alertam para o caminho da destruição da economia produtiva, da que satisfaz necessidades humanas, até de sobrevivência;
* A reforma agrária e o lema tão simples, tão directo: a terra a quem a trabalha!;
* A "lei Barreto" (esse mesmo...), do 1º governo constitucional de Mário Soares, e a contra-reforma agrária;
* A Política Agrícola Comum (PAC) a subsidiar a não-produção, as terras em pousio... a partir dos critérios de produtividade e competitividade (ah! como a obscenidade está mesmo debaixo da língua!);
* Alguns textos "nossos" (sim!, nossos... da CNA), actualizando os que foram alertas, e que são propostas de arrepio de caminhos;
* A questão energética tornada alibi e justificação para o que são políticas (energéticas e outras) que se prosseguem há décadas, e servem e fomentam a exploração (dos recursos, sobretudo dos "recursos humanos", da mercadoria força do trabalho) ao serviço do capital, que é uma relação social de produção, e agora tem cada vez maior (e demencial) dimensão monetário-financeira;
* A hipocrísia destes actuais "tratamentos do tema" que não vão às razões, às causas do que até aqui nos trouxe, e que não se querem beliscar porque são interesses dos poderosos, dos que têm poder e mandam em quem julga que o tem... porque nós - democraticamente - os fizemos nossos representantes eleitos.
Tanta areia para os olhos!

domingo, maio 04, 2008

"Meu Maio"

A Todos
que saíram às ruas
de corpo-máquina cansado.

A Todos
que imploram feriado
para as costas que a terra extenua.

Primeiro de Maio!

Meu mundo, em primaveras,
derrete a neve com sol gaio.

Sou operário – Este é o meu Maio!

Sou camponês – Este é o meu mês!

Sou ferro – Eis o Maio que eu quero!

Sou terra – O Maio é minha era!


Vladimir Maiakovski

Ignorância e/ou cinismo

Surpreende(-me... a mim que ainda não deixei de me surpreender!) o que se vai lendo.
Agora foi a descoberta dos "graves riscos de empobrecimento da classe média" (Nicolau Santos no Expresso).
Que acha que os governantes e os empresários "têm obrigatoriamente de reflectir" (!) sobre a "pauperização da classe média".
Porque é da responsabilidade dos governantes o "congelamento salarial durante três anos na função pública"; porque as "estatísticas mostram (aos empresários) que, da riqueza produzida no país, cada vez é menor a fatia que cabe ao factor trabalho e maior a que vai para o factor capital" (eu diria que as estatísticas escondem... embora seja evidente).
Nos 160 anos do Manifesto do Partido Comunista, falar da pauperização da classe... média, é recuperar uma expressão, desvirtuá-la, escamotear a abordagem séria, profunda (porque vai às causas) das situações! Numa palavra, é fugir à questão da exploração, à luta de classes. Que está aí, em toda a sua força e com dançarinos da corda bamba a fazerem funambulismo.

É preciso dizer a toda a gente!

"PCP apresenta Moção de Censura.
Uma clara condenação ao Governo e à sua política
Quarta, 30 de Abril 2008
Perante a gravidade da situação nacional e o carácter inaceitável das propostas sobre o código do trabalho, o PCP, decidiu apresentar na Assembleia da República durante o debate com o Primeiro Ministro e pela voz de Jerónimo de Sousa Secretário Geral do PCP uma moção de censura ao Governo PS e à sua política."
(do site oficial do PCP)
.
Aquilo que as gentes sentem, dizem, comentam, censuram, é feito por quem foi eleito, pelas gentes, para as representarem na Assembleia da República. A isto chama-se... democracia representativa.
É preciso fazer, de casos destes, lições de política. E de democracia.

sexta-feira, maio 02, 2008

De comentário a notícia

Neste "blog" recebi um comentário que deve ser transformado em notícia. Não que outros não o mereçam... mas este comentário é mesmo uma notícia (ou mais que uma...).
"Desviando-me do tema do post, informo que
A Petição em Prol das Crianças Vítimas de Crimes Sexuais
FOI ENTREGUE.
Ultrapassadas largamente as 4 000 assinaturas, a 3 de Janeiro remeteu-se carta ao Exmo. Presidente da República Portuguesa, na qual se solicitou uma audiência para a entrega da Petição.
Posto o tempo de espera, que não pode ser indefinido, as acções urgem.
Ainda sem a aguardada resposta da Presidência, a Petição com 13 072 assinaturas válidas no total (4 757 online e 8 315 manuscritas),
foi entregue a 29 de Abril no Palácio de Belém, contra prova de recepção.
Agradecemos profundamente a TODOS os que de coração aberto se uniram nesta causa, contribuindo de diversas formas na sua divulgação e recolha de assinaturas.
Sem vós, não se teria chegado aqui. Bem-hajam!"


Bem hajam!

Chegam notícias

Chegam notícias. Rompendo o bloqueio. Sendo, também, notícias do bloqueio informativo.
Aos "alguns milhares" da manifestação unitária (que há umas dezenas que não respeitam... et pour cause) de Lisboa, há que juntar mais "alguns milhares" do Porto, de Coimbra, de Aveiro, de Santarém... Ou, aos "alguns milhares" do Porto, e de Coimbra, e de Aveiro, e de Santarém, e de, há que juntar os "alguns milhares" de Lisboa. Que eu vi, vindo do aeroporto para estar na Alameda, que eu vi e tentei contar. Eram... "alguns (muitos!, muitos!) milhares".

quinta-feira, maio 01, 2008

1º de Maio

Respeitar os trabalhadores!
Censurar quem os não respeita!

A Irlanda

Uma década a ter um crescimento económico (PIB percapita em PPC) lá para os 8% ao ano levaram o Estado-membro Irlanda do "pelotão dos lanternas vermelhas" da UE (com Espanha, Grécia e Portugal... embora neste último E-m o que é hoje seu PR, e então 1º ministro, dissesse que estava no "pelotão da frente" e o que se lhe seguiu dissesse coisas parecidas..., mais bíblicas) ao 2º lugar da classificação, o que, em futebol, dá acesso não sei a quê.
Agora, as previsões mantém-no nos 3%, acima da "média europeia" pelo que divergindo positivamente, enquanto que Portugal se mantém abaixo, continuando a divergir negativamente.
E os irlandeses têm o futuro próximo desta "comunidade" nas mãos que irão votar o Tratado a 12 Junho.
Não há que ter grandes expectativas... mas!

quarta-feira, abril 30, 2008

Agosto de 2008

Por Amsterdam gosto de caminhar, de olhar e ver. De calcorrear canais e pontes, de olhar e ver fachadas e janelas e montras.
De repente, tropecei nesta .
É de uma loja, que estava fechada, e dentro parecia um templo budista (acho eu...).
Com este programa em Nantes, e logo para Agosto, fiquei hesitante em ir ou não aos Jogos Olímpicos.
Até porque fui ver o "site" criado para o evento, que me parece minuciosamente preparado (por quem "sabe da poda"), e os preços nem são caros, e ainda dão a possibilidade de não pagar nada. Só os transportes, claro. Mas até para isso deve haver "boleias"...
De qualquer modo, se calhar espero o programa definitivo porque este senhor é capaz de dar um saltinho a Fátima. Vamos a ver...
.

Do "site":


"Tarifs
Une contribution financière de votre part nous est nécessaire pour couvrir les frais d’organisation de l’événement. Cette participation est nettement la plus basse de tous celles demandées pour des enseignements de ce type organisés en Europe au cours des dernières années. Le but est de couvrir les frais engagés, sans faire de profit. Les éventuels excédents de recettes seront offerts pour différents projets humanitaires, choisis par Sa Sainteté le Dalaï Lama.
La grille tarifaire des places pour l'événement Dalaï-lama Nantes 2008 est la suivante :
........................................Plein tarif ................Tarif réduit*
Evénement complet....................190 €........................130 €
Enseignements & initiation...........175 €........................120 €
Conférence publique....................15 €..........................10 €
*Tarif réduit - Un tarif réduit est proposé pour les étudiants, chômeurs, Rmistes, adolescents (entre 12 et 18 ans). Les personnes en difficulté financière sont invitées à contacter directement l’association.

terça-feira, abril 29, 2008

Eram 4 os do Fundo de Coesão!

Em 1972, a Irlanda aderiu ao “Mercado Comum” (com o Reino Unido e a Dinamarca, mas não com a Noruega porque o seu povo não ratificou a negociação para a entrada), passando de 6 para 9 membros.
Em 1982 entrou a Grécia, e em 1986 Espanha e Portugal. 9 mais 3 igual a 12. Não só o dobro dos Estados-membros mas bem diferente a “comunidade”.
A periferia (e as duas velocidades) começou a tomar forma.
O Acto Único definiu o objectivo “mercado interno” para 1992 e, para atenuar graves consequências do inevitável agravamento das desigualdades sociais e das assimetrias regionais, apareceram os fundos estruturais e a coesão económica e social.
No Tratado de Maastrich, que apontou logo para o caminho em que se está de moeda e banco únicos, de passos federalizantes, de crescente neo-liberalização e militarização na União Europeia, ainda se incluiu um Fundo de Coesão para os quatro Estados-membros mais atrasados. Por virtude de quem negociou esse fundo especial, e o impôs na defesa dos interesses nacionais, Portugal apanhou a boleia…
Dos 4 Estados-membros do Fundo de Coesão do começo dos anos 90, a Irlanda foi o que mais cresceu economicamente, estando neste momento em 2º lugar entre os PIB per capita (em PPC) da UE, perto do de 40% acima da chamada “média europeia”, só estando entre Luxemburgo e a Irlanda a Noruega… mas este país não conta para estas contas da União Europeia (e até se duvida se ainda existe depois de 2-vezes-2 os noruegueses terem, em referendo, dito “não à Europa”…).
A Irlanda, desde esse tempo em que era um dos “4 mais pobres”, descolou, convergiu até passar a divergir positivamente. A Espanha recuperou e os seus indicadores estão à roda da tal “média europeia”, a Grécia mantém-se abaixo dessa “média (agora alargada a 27) mas bem acima de Portugal que, depois de ter verificado alguma recuperação, há anos que diverge, e não têm sido os alargamentos que o fazem aproximar-se da “média europeia”.
.
Ah! irlandeses, irlandeses… vejam lá o que é que fazem…
Olhem para o exemplo português, vejam como compensa a obediência…

segunda-feira, abril 28, 2008

O referendo na Irlanda, previsto para 12 de Junho

Nas vésperas do 25 de Abril, o PS e o PSD, também com os votos dos deputados do PP, ratificaram o chamado Tratado de Lisboa.
Assim, estes partidos teriam feito o que seria a sua obrigação, não perante o povo português mas lá sabem eles (e nós) perante quem. Como um único partido, embora com algumas declarações de voto de um certo distanciamento, que ficam sempre bem para se poder dizer que existe uma consciência crítica.
Particularmente o PS não cumpriu o compromisso que tomara, na campanha para as legislativas de onde saiu esta composição da Assembleia da República, e o governo, de fazer um referendo como via de concretizar essa necessária ratificação para que tal tratado possa ser válido.
E para tanto se fez, até, uma alteração constitucional que possibilitaria esse mesmo referendo.
Ficou como mera promessa eleitoral!
Porque, com o receio de que voltasse a acontecer o que se deu com a dita (mal) “Constituição”, em que os referendos holandês e francês rejeitaram o documento agora sujeito a uma pequena cirurgia plástica, julgou-se conveniente prevenir em vez de ter de novo de vir remediar (como também já acontecera aquando de Maastrich), e foi decidido, lá entre os "maiorais", que em nenhum Estado-membro houvesse referendo.
Só que na Irlanda a lei fundamental deste Estado-membro vai mais longe do que foi a Constituição da República Portuguesa e não só possibilita como exige um referendo para este caso de tratado internacional, pois – veja-se lá… – parece que, por respeitar à soberania nacional, tem de ser ratificado por referendo.
Talvez por isso pouco se fala da Irlanda. E faz-se um pouco como a avestruz que mete a cabeça na areia.
Digo isto porque acabo de ler, assim a escapar entre as folhas, que na última sondagem realizada na Irlanda apenas 28% dos irlandeses disseram ir votar “sim” ao Tratado e 60% dizem-se indecisos.
Adivinha-se o alvoroço que vai nas hostes para convencer os indecisos, contraditado pela surdina que convém colocar na situação. É um verdadeiro susto!
Voltarei ao tema Irlanda e União Europeia.

sábado, abril 26, 2008

O Diário de Notícias e ao que ele chegou...

Saramago é homem que tomou partido. A ele tem sido leal. nunca fiel porque não é de fidelidades, por vezes incómodo porque nem sempre informado e não raro fazendo prevalecer o seu ego.
Dele estão, ou deveriam estar, orgulhosos os portugueses, de uma forma muito particular os seus camaradas. Do partido que tomou. Há muitas décadas.
O Diário de Notícias resolveu escolher, para portugueses orgulhosos de Saramago, Sócrates e Soares. Estranha escolha mas, dir-se-á, boas ou más escolhas cada um faz as que quer. Sujeita-se, no entanto, a ser criticado por elas.
Por razões pessoais (e doridas... que para aqui não vêm), não estive na abertura da mostra de homenagem a Saramago que justificou esta tão infelizmente significativa escolha. Mas bem pior que a escolha trazida para a primeira página do DN foi o final da reportagem, em que o jornal refere as "figuras públicas dos meios políticos e culturais " presentes onde se incluiu, por exemplo, José Berardo, muitos ministros do actua governo, e em que houve o cuidado de expurgar o nome de qualquer de camarada de Saramago, inclusivé o do secretário-geral e de um membro da comisão política que compunham a delegação oficial do Partido, e o de alguns outros camaradas em funções institucionais.
Tive o cuidado de me informar e de confirmar o que classifico como uma vergonha (!). Ainda agravada pelo facto de se ter quase estabelecido um "cordão sanitário" para que o acesso a Saramago só fosse acessível por quem tivesse a capacidade de "romper" esse círculo ou anel de protecção criado e reforçado.
De tudo se quer tomar posse!

sexta-feira, abril 25, 2008

Intervenção na Assembleia Municipal

Ontem, houve sessão da Assembleia Municipal de Ourém.
Li esta intervenção:
.
Hoje é o dia 24 de Abril. De 2008.
Espero e gostaria que todos compreendessem que, neste dia, eu fale do dia 24 de de Abril de 1974. Mas também acrescento que se alguns não compreenderem de pouco me importa...
,
Há 34 anos, neste dia, esperava, numa cela em Caxias, que me viessem buscar para o interrogatório e a tortura. Que já conhecia de outras vezes que por ali passra. Numa delas com permanência de longos meses.
Não foi o que aconteceu. Porque, no dia seguinte, do dia da manhã, militares e familiares e amigos, e camaradas, e mais uns bastantes, vieram abrir as portas da cadeia. Pelo lado de fora.
Estava preso, eu e muitos, por lutarmos pelas nossas ideias e ideais, por querermos para Portugal e os portugueses democracia e liberdade.
Libertamos temos, democracia temos. Naquela vivemos, esta parece-me bem escassa, bem pobre, a necessitar urgentemente de ser melhorada, que se trave a rampa perigosa em que a colocaram.
.
Ainda ontem, na Assembleia da República, foi ratificado um tratado a que deram o nome de Lisboa, em que, ao definir os seus princípios democráticos, afirma no art. 10º que a democracia representativa é o seu elemento essencial, para logo no art. 11º dizer que as instituições, or orgãos compostos pelos eleitos, pelos representantes, podem dar, repito, dar (!) a possibilidade aos cidadãos de participarem nas decisões que a eles dizem respeito.
Assusta.me esta formulação. A democracia representativa é muito mas nada é se os representantes, nos seus mandatos, deixarem de fortalecer ou de manter a democracia participativa.
Na exemplificação deste risco, do risco da fragilização da democracia até pôr em causa a liberdade, os governos, e quem, neles manda, os partidos daquela maioria, e quem neles manda, fugiram ao debate sobre o dito Tratado de Lisboa, e impediram que o povo participasse, pronunciando-se sobre a sua ratificação. Porque a sua matriz a dita (e mal) Constituição Europeia foi rejeitada pelos holandeses e pelos franceses, e não se quer que, de novo, isso possa acontecer.
Ao contrário do que ouvi, não haveria pior maneira de celebrar o 25 de Abril, celebrando-se o 23 e o 24 de Abril.
.
Lamento-o hoje, aqui neste orgão democrático, que deveria ser a "ponte" para os cidadãos poderem participar, até porque todas as sessões aõa públicas e um ponto da ordem de trabalhos lhe é dedidao, à sua participação e intervenção. Aqui quero fazê-lo.
E mostrar como nos pequenos pormenores estamos a deixar fugir a oportunidade temporal de trazermos os nossos concidadãos ao exercício dos seus deveres e direitos.
Já aqui chamei a atenção para estapequan-grande falha. Mas eu insisto porque teimoso sou.
O edital que convoca esta sessão da Assembleia Municipal termina assim "para constar e devidos efeitos, será este edital afixado nos Paços do Concelho, Juntas de Freguesia e lugares de estilo". Pois o lugar mais "de estilo", por ser o da "informação municipal" à frente dos Paços do Concelho continua vazio destes editais.
Pormenor sem importância, dirão. Sinal dos tempos, direi eu, em que nada se faz para valorizar a democracia participativa, em que tudo se faz para a subalternizar até ao apagamento face à democracia representativa.
E termino gritanto, em voz baixa mas vinda bem cá de dentro e cá para dentro de mim:
viva o 25 de Abril!

O dia acordado

.

Acordaram para o dia

ainda nem madrugada era

(mas tantos não acordaram para o dia

porque dormido não teriam…)

Acordaram para o dia,

para o dia que 25 era

e do mês 4

e do ano de 74

Vestiram a farda de capitão

e juntaram mais um galão

aos três do regulamento,

o galão de um cravo.

Acordaram para o dia

que iam fazer o dia novo

o dia povo

o dia ovo.

----------

Acordou para dia,

sozinho na cela,

com a unha riscou na parede suja

uma outra manhã acordada em Caxias.

Acordou para o dia,

para o dia que 25 era

e do mês 4

e do ano de 74.

Lembrou os camaradas,

que em Peniche e noutros lugares

punham mais um risco em paredes sujas

como calendários de dias assim contados.

Seria aquele o dia de ir para a tortura?

NÃO!

Acordava para o dia

que ia ser o dia novo,

o dia ovo,

o dia povo.

-----------

Acordaram para o dia,

na casa clandestina,

para mais um dia de luta,

de sobressaltos, de tarefas.

Acordaram para o dia,

para o dia que 25 era

e do mês 4

e do ano de 74.

Reviram as agendas e as gentes a ver

um encontro, uma reunião,

o chumbo para a tipografia,

o papel para imprimir o avante!,

uma luta no seio da luta.

A vigilância, camaradas,

a segurança, camaradas,

não falhar um pormenor, um sinal

que tudo e tantos poria em risco,

de prisão ou até mortal.

Poucos sabiam que acordavam para o dia

que vinham preparando

dia a dia, todos os dias,

o dia novo,

o dia ovo,

o dia povo.

-----------

Acordou para o dia,

na cama vazia e fria,

ausente do corpo amado,

para mais um dia de trabalho e luta.

Acordava para o dia,

para o dia que 25 era

e do mês 4

e do ano de 74.

Preparou o pequeno-almoço,

acordou o miúdo,

ajudou-o a vestir,

levou-o à carrinha,

ouviu a pergunta de todas as manhãs

desde que o tinham levado…

“Mãe… quando é que o pai volta?... será hoje?”

Respondeu, com um sorriso cansado e triste,

“Não sei, filho, era tão bom que fosse…”

FOI!

Acordava o dia

que ia ser o dia novo,

o dia ovo,

o dia povo.

-----------

Acordaram para o dia

com a rádio a dar notícias estranhas,

depois do “Depois do adeus” e de “Grândola, vila morena…”

para mais um dia de trabalho.

Acordaram para o dia,

para o dia que 25 era

e do mês 4

e do ano de 74.

Hesitaram...

entre as recomendações para ficarem em casa

e a vontade de ir para as ruas,

de serem massas e revolução.

Saíram à procura de cravos e da liberdade,

juntaram-se no Largo de Carmo,

exigiram a libertação dos presos políticos

e da Pátria que recuperavam.

Acordava o dia

que ia ser o dia novo,

o dia ovo,

o dia povo.

-----------

Do outro lado da vida,

acordaram estremunhados

e não querendo acreditar.

Alguns saberiam de alguma coisa,

muitos apenas se preparavam

para ir prender e torturar.

Acordaram para o dia,

para o dia que 25 era

e do mês 4

e do ano de 74.

Uns, em desespero,

e assustados com gente e gente nas ruas

que julgavam suas,

ainda dispararam os últimos tiros,

ainda cometeram os últimos assassinatos.

Acordava o dia

que ia ser o dia novo,

o dia ovo,

o dia povo.


23 (e 25) de Abril de 2008
(ilustrado com um desenho de Roberto Chichorro
e um cravo mandado do Uruguai por um amigo e camarada)

domingo, abril 20, 2008

Pequenas notas caseiras

... isto é, aqui à volta do quintal:

1. Este blog vem referido no "Ourém e o seu Concelho", nas habituais notas do director, que vale sempre a pena serem lidas. Diz ele, nessa nota que versa as eleições autárquicas do próximo ano, e passando em revista partidos e nomes da terra, que eu ando por aqui «em ambiente de reflexão e quase nos atrevemos a acrescentar que, este "anónimosecxxi" encontrou na internet um fato quase por medida». Foi agradável saber de mais um visitante, e foi agradável ler, ali, o seu comentário com apreciações muito lisonjeiras que me escuso de reproduzir. E se não importa se o fato foi feito "à medida" ou se foi em pronto a vestir que o comprei, o fa(c)to é que me sinto bem nele.
2. Na minha "caixa de correio", a Nersant ataca de novo. Depois do convite para eu ir a uma reunião com a ministra da educação por causa de umas coisas sobre empreendedorismo para os meninos que ainda estão só a começar a aprender a ler, a escrever e a contar, e a que, evidentemente, não correspondi (sou assim, pronto!), desta vez é um folheto com uma capa: Aposte no seu FUTURO, Aprenda a EMPREENDER, Crie o Seu próprio NEGÓCIO. No miolo do prospecto, a "oferta" de dois cursos, um sobre empreendedorismo no ambiente, outro sobre empreendedorismo no turismo, a que me poderia candidatar mediante inscrição e cumprimento de condições. Que não tenho. Por exemplo, não estou desempregado pelo que não me posso candidatar. Mas fiquei a empreender nisto de me andarem a desafiar para apostar no meu futuro, para aprender a empreender, para que crie o meu próprio negócio. Mas teria de estar desempregado. Se estivesse empregado, desempregava-me... mas estou reformado. Que chatice!

Notas "sociológico"-políticas...

Enquanto decorria a Assembleia da ORSA (Organização Regional de Santarém do PCP) ia ocupando os dedos enquanto ouvia (sempre tive esta "mania" de fazer mais que uma coisa ao mesmo tempo...).
Por isso, embora não fizesse parte da "comissão de verificação de mandatos", de que a porta-voz apresentou um excelente e sucinto relatório, eu fiz um outro, só para mim. Mas que, sendo só para mim, torno público. Como notas e pistas de reflexão.
A nova DORSA (Direcção da Organização Regional de Santarém) passou de 47 para 48 membros. Sairam 14, entraram, de novo, 15. Noutras notas virei, eventualmente, a fazer o confronto, quantificado, entre as duas composições. Do que não tenho dúvida é que houve rejuvenescimento e "feminização".
Quanto aos níveis etários, a média é de 44 anos e:
- entre os 20 e os 39 anos passou a haver 19 camaradas, 40%
- entre os 40 e os 59 anos passou a haver 23 camaradas, 48%
- acima dos 60 anos passou a haver 6 camaradas, 12%
- destes, há apenas 1 acima dos 70 (que fujo a dizer quem é...)
- é (ou pode ser) significativo que a "casa" dos 40 aos 49 anos seja aquela em que há uma quebra, com apenas 8 camaradas e apenas 1 do sexo feminino, talvez ilustrando o que se sente: que se trata de um escalão etário crítico relativamente ao PCP, entre os "antigos" e os "novos".
Quanto ao sexo - para usar terminologia "à moda" seria... género -, há 25% do sexo feminino, o que foi sublinhado como insatisfatório mas um passo:
- acima dos 60 anos, apenas há uma mulher, 17%
- entre os 40 e os 59 anos, há 5 mulheres, 22%
- entre os 20 e os 39 anos, há 6 mulheres, 32%
- para ainda melhor sublinhar esta subida, tão significativa enquanto se "desce" na idade, na "casa" dos 20 anos a percentagem é de 44%, 4 camaradas e 5 "camarados".
Quanto à distinção entre "antigos e novos":
- apenas um camarada é membro do Partido desde antes de 1974 (que me recuso a dizer quem é)
- 13 camaradas entraram para o Partido entre 1974 e 1978
- 7 entre 1980 e 1988
- 5 entre 1990 e 1998
- 15 entre 1999 e 2005
- 6 em 2006
- 1 em 2008
- deve sublinhar-se que, destes últimos, uns não poderiam entrar muito antes porque não tinham nascido como é o caso de um que tem 20 anos!), e outros passaram para o Partido vindos da JCP, confirmando-se a "crise" entre 1980 e 1999. É significativo!
.
Isto vai, camaradas, isto vai!
Ó se vai!

sábado, abril 19, 2008

A demissão (?) de Luís Filipe Menezes, ou o caricato reflexo de uma situação muito séria

Reagi, sorrindo para dentro das minhas barbas, à notícia da demissão de Luís Filipe Menezes (LFM) de líder do PSD (é assim que “eles” dizem, não é?). Procurei ser irónico. Arrependi-me.
É que, depois, pensei melhor, passado o impacto da surpresa, e achei que a questão era demasiado séria para ser encarada com bonomia, superficialidade disfarçada de ironia.
Explico-me:
1. LFM chegou onde chegou, e da maneira que chegou, num momento em que nas “bases” do PSD – nos que escolheram o PSD como seu partido, nos seus “sócios”, nos seus votantes – havia alguma desorientação por o “seu partido” não estar a ser, corrijo: a aparecer, como oposição ao PS (sem D). Porque o PS estava a fazer a política “deles”, a ocupar, com essa política, o espaço “deles”. Até havia acordos a que os do PS estariam a levar os "seus" dirigentes…
2. Os das “bases” terão visto, em LFM, a possibilidade de voltarem a ser o que nunca foram, ou seja, oposição ao PS… em alternância com o PS voltar a ser o que nunca foi, ou seja, oposição ao PSD.
3. Nem se terão lembrado, essas “bases”, que até houve, de tão alternantes, governos PS-PSD, ou, lembrando-se, acharam que tinha sido noutras circunstâncias, unidos rumo à Europa que os une.
4. Vai daí, as ditas “bases” elegeram LFM, e este, populista como é, e pela “bases” eleito, começou a corresponder. Ou a tentar. E gorou-se um acordo que os “barões” – dos dois partidos –, e quem os tem ao seu serviço, viam com muito bons olhos: a revisão da legislação para as autarquias. E outras coisas.
5. LFM terá estragado alguns projectos na prancheta ou em estaleiro. Não por boas razões. Mas tê-lo-á feito. E, depois, deu alguns "tiros nos pés" (como aquele da Câncio...), por si ou por entrepostas pessoas, que podem ser ou aproveitados ou ignorados. Foram aproveitados.
6. E agora?
7. Bem, agora a luta (outra e nossa!) continua.
8. Não pode haver distracções.

sexta-feira, abril 18, 2008

Não me digam...

Antes de voltar a casa , nesta noite invernosa, disseram-me que o dr. Filipe Menezes se tinha demitido. Não quero crer... é que pensava que ele nunca tinha sido admitido...
Ando mesmo desactualizado. O homem nem 9 meses teve para mostrar o que (não) vale. Foi prematuro?

quinta-feira, abril 17, 2008

Hoje - 3 posts para 3 blogs

Acontece-me sempre isto! Tenho de ir a qualquer lado. Entro no carro e faço-o levar-me onde tenho de ir. Logo, ao mesmo tempo que o motora arranca, se liga a telefonia. Ouço os noticiários. É inevitável e necessário. Como vou sozinho, há como que uma simbiose entre a informação que me entra pelos ouvidos e a condução a que estou atento.
Trago sempre "ideias" para o regresso aqui, ao teclado. Muitas se perdem. Tanto é o percurso a fazer antes de ficar disponível para concretizar as "ideias"...
Desta vez, resolvi que não: 3 posts para os 3 blogs que animo (que pretendo animar...)!
Um, para o cultural-livresco, já está, no som-da-tinta. blogspot.com, sobre a morte de Aimé Césaire.
Outro, para o lúdico, farei, depois deste, sobre uma "coisa" que até parece que foi ficção e que aconteceu ontem, no docordel.blogspot.com.
Para aqui, para o "político-económico", um simples apontamento sobre um aspecto da vida de todos nós, e que cada vez se complica mais.
As taxas de juro voltaram a aumentar, na tendência que penaliza quem foi "na cantiga" (ou nos "cantos de sereias") dos "produtos financeiros" com que os bancos acenaram despudoradamente (e continuam a acenar) a toda a gente, que levaram quase toda a gente ao endividamento e, depois, à vida toda ensarilhada.
Para compensar - sem que nada compense - a notícia de que os prazos vão aumentar de 30 para 50 anos. O mal, mas mesmo o mal!, está nesta vertigem sem saída de que o acesso das gentes ao que necessitam (ou ao que as levam a sentir necessidade...) está no crédito e não nos salários!

quarta-feira, abril 16, 2008

Protecção contra a reacção do empregador

Tenho entre mãos uma tarefa que me obriga a consultar as disposições em vigor na União Europeia relativamente à chamada coesão económica e social. Procuro, como quem procura agulha em palheiro, o que me possa ajudar relativamente a um tema "menos salários e mais lucros na estratégia da União Europeia" que me foi proposto.
Mas se é difícil encontrar o que possa comprovar, nos textos comunitários, particularmente no Tratado (dito) de Lisboa, a ajuda para fundamentar a abordagem que procuro - porque a ela se foge... -, e é evidente para nós, vou descobrindo "coisas", outras "agulhas".
Este exemplo... por exemplo. E trago o exemplo para aqui por me ter lembrado de Pedro Jorge, o electricista que interveio no Prós e Contras de 28 de Janeiro,a e que, por essa intervenção, em que apenas disse verdades e em nada foi ofensivo ou contundente, particularmente para a empresa em que trabalha, teve desta a recção que foi a de levantamento de um processo disciplinar, de que não conheço as mais actuais consequências.


«Protecção contra a reacção do empregador
Os trabalhadores são protegidos contra todo o despedimento que constitua uma reacção do empregador a uma queixa formulada na empresa ou a uma acção em justiça visando a respeitar o princípio.»

É, na verdade, um exemplo. De hipocrisia.
Em que aquele "na empresa" quase proíbe o trabalhador a queixar-se "fora da empresa", a não ser na justiça, isto é, em tribunais, e depois de despedido, tendo então de provar que o despedimento teria sido por queixa formulada "na empresa".
Isto digo eu que de interpretação de leis e regulamentos e recomendações não percebo nada. Mas que quero perceber de ética, de comportamentos, de moral, de relações entre humanos.

terça-feira, abril 15, 2008

Eleições em Itália

Perante resultados eleitorais, há sempre várias leituras. Subjectivas. Mas há, também, objectividades. Que, aliás, se podem reforçar em previsões e prevenções.
Quando os dirigentes de partidos comunistas começam, para ganharem peso institucional, para serem abrangentes, a "facilitar" na base teórica, escondendo o que, sem ter de ser ostentivo, tem de ser identidade e firmeza, cedem em formas de organização, abandonando a luta de massas, a democracia interna e a direcção única, copiam o que deveria ser combatido, quando se começam a rever na caricatura que do comunista é feita e querem corrigir o retrato e não a caricatura, quando, em suma, são eles que, continuando dirigentes de partidos comunistas, deixaram de ser comunistas, que resultados se poderiam esperar? Não se ganha um voto dos "outros" (que "nossos" poderiam vir a ser, por condição de classe), perdem-se os votos dos "nossos" (e alguns "nossos" deixam de o ser).
É triste, é angustiante, ter esta razão. Nem é tanto o facto de, desde o fim da guerra, pela primeira vez não haver comunistas eleitos num País que já teve mais de um terço dos votos votados, é mais a forma como se procedeu ao lento suicídio institucional... com o argumento-pretexto de se querer ganhar peso institucional.
Em contrapartida, e com muita alegria e esperança, vejo por outros lados os sinais serem outros.

Liberdade e igualdade

Li , algures por aqui perto, "usufruo da minha liberdade que sei inimiga da igualdade".

Arrepiei-me, até porque reconheço alguma boa fé na afirmação, não por ela em si, mas por outras coisas que a acompanhavam. E tomei a frase como um desafio:

.

"Por liberdade entende-se, no interior das actuais relações de produção burguesas, o comércio livre, a compra e venda livre.

(...)

Censurais-nos, portanto, por querermos suprimir uma propriedade que pressupõe como condição necessária que a imensa maioria da sociedade não possua propriedade.

(...)

O comunismo não tira a ninguém o poder de se apropriar de produtos sociais; tira apenas o poder de, por esta apropriação, subjugar a si trabalho alheio.

(...)

(...) transformais as vossas relações de produção e de propriedade de relações históricas transitórias no curso da produção em leis eternas da Natureza e da razão (...)"

(Manifesto do Partido Comunista, K.Marx/F.Engels, 1848, edições avante!, 4ª edição, 1997, págs. 52-3 )

.

Há 160 anos!

Para mim, são pérolas.

E corri o risco de transcrever estas, porque é um risco pegar num texto como este e dele retirar pequenos trechos, como o é reproduzir, de um quadro, o que foram apenas algumas pinceladas, ou de transmitir, de uma sinfonia, parte de um andamento.

Crescimento em baixa, divergência em alta

Depois do "incidente" com o relatório do FMI que se atreveu a pôr alguma água na fervura da euforia autista deste governo, esperava-se com alguma curiosidade como é que o Banco de Portugal e o seu inefável governador iriam descalçar a bota.
Pois aí está:
Reconhece-se que o crescimento em 2007 não foi tão elevado (?!) como previsto... mas sublinha-se, apressadamente, que teria sido o mais alto dos últimos seis anos. Aleluia!
O PIB terá crescido 1,9%! Vejam só do que "eles" foram capazes os rapaces rapazes...
Entretanto, não foi possível deixar de se dizer que, apesar disso, não obstante, contudo, este crescimento ainda, por enquanto, até ver, foi inferior ao crescimento médio da Europa, quer dizer dos países da União Europeia. Logo, continuou a aumentar a divergência, que é o contrário da convergência (isto digo eu...), que seria a aproximação, pequenina que fosse, dos "níveis europeus". Embora haja quem esteja entre "os mais ricos da Europa" para compensar continuar a maioria mais que absoluta entre "os mais pobres da Europa", e cada vez mais.
Mas conseguiu-se, ah!, isso conseguiu-se, nada dizer sobre as previsões para este ano e para o próximo. Isso é que havia que evitar a todo o custo, para que não se desse razão aos tais do FMI. Para não desinquietar os espíritos, claro.
-----
Não há dúvida, vive-se um tempo de manipulação e de mentira! E sabem porquê? Porque não pode deixar de haver informação. Onde, antes, havia proibição e censura, hoje há manipulação, omissão e mentira.
Contra isto, uma única atitude: informar, informar, informar sempre. Informar-SE.

segunda-feira, abril 14, 2008

Em visita a Peniche no aniversário do "Cravo de Abril"

Em Peniche marcámos encontro.
Em Peniche nos encontrámos.
Nós e com a História que é nossa.
Porque vivida por nós.
Pelo Manel Pedro, pelo Zé (deixem-me dizer também por mim, que por Aljubes e Caxias passei…).
Porque vivida por quem antes de nós.
Pelo Álvaro, pelos do Tarrafal tão nossos.
Porque vivida pelos de hoje e pelos de amanhã.
Porque vivida pelo João (que tinha feito anos na véspera do Cravo de Abril, e tudo organizou) e pela Joana (se alguma não estava, alguma podia ter estado), e pela Mercedes e pela Mariana, que tudo viram, em todos os lugares nos acompanharam, e não esquecerão… se nós continuarmos a lembrar.
Por aqui se entrava
Por aqui se fugia (Dias Lourenço)
O "redondo" e "segredo"
Quantas gerações a ouvirem o Samuel?!

domingo, abril 13, 2008

Recomendação veemente!

Escrevi o que "postei" abaixo a caminho de Peniche, onde íamos (a "condutora" e eu) participar numa visita ao Forte e num convívio amigo. Daqueles que nos dão força. Gracias à la vida!
Esta manhã, antes de partir para a Assembleia da Concelhia de Ourém do PCP, passei pelo "site" do Partido.
Recomendo que ouçam (e vejam) as 4 intervenções do secretário-geral do PCP, no debate de que tinha e escassa e pobre informação e em que baseei o meu "post". Não tenho nada a corrigir. Apenas sublinharia. E recomendo, viva e veemente, que o façam. E que vejam a cara dos nossos governantes, talvez em particular o "ar" do ministro da economia,ao ouvirem verdades duras como punhos, ditas com uma convicção e fundamentos irrespondíveis... a não ser em confissão ao pároco lá da paróquia de cada um deles.