quarta-feira, maio 06, 2009

... os suspeitos do costume...

No regresso de uma curta ausência, em que mantive ténues contactos com o que se passava em Portugal, andei "a navegar" pelas minhas paragens habituais da blogosfera. E fiquei chocado - ainda me choco!... - com informações que colhi nessas fontes, mas que reproduziam outras fontes a que tinham tido acesso, sobre os lamentáveis (a vários títulos) incidentes com a delegação do PS à manifestação da CGTP do 1º de Maio.
Nunca me senti propenso a cair em "cenários" ou "teorias" da conspiração, mas estas informações só vieram confirmar suspeitas de provocação montada (o que não quer dizer que justifique, de nenhum, reacções violentas verbais e menos ainda de gestos... até porque a provocação não se responde).
O coro imediato de acusações e de exigência de pedidos de descupa seria caricato se isto tudo não fosse muito sério e grave.
A posição do BE, incluindo-se, presto, no coro de ataques ao PCP, começou por me surpreender como atentado à inteligência, mas a vergonhosa manipulação da informação com apagamento de fotos de "gente sua", que até confirmou apenas ter chamado traidor a VM, deixa-me... sei lá... estupefacto perante tais comportamentos a troco de uns miseráveis votos, de lugares, de posições no aparente e serventuário poder político nesta paupérrima democracia tão-só representativa e mediática ao serviço do capital financeiro.
Adiante...
Por agora, e para desanuviar, só quero divulgar o excelente (e cáustico) comentário de Pedro Penilo, no seu o que diz o pivô, à situação provocada: ver aqui "arrastão do martim moniz - os suspeitos do costume".

segunda-feira, maio 04, 2009

Reflexões lentas sobre política(s) - 3

continuação
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Depois da união aduaneira e do mercado interno (com afirmação de quatro liberdades de circulação), o passo-salto seguinte no caminho que, como resposta de classe, se procura fazer desde 1958, só poderia ser o da União Económica e Monetária (UEM), tanto quanto possível acompanhada pela União Política (UP), ou fazendo com que aquela venha a tornar esta decorrente e inevitável.
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Com a criação de um instrumento único, o euro (€), criado para um conjunto de Estados-nações cumpridores de critérios únicos e arbitrários – alheios a situações nacionais –, e com a institucionalização de uma entidade supra-nacional manipuladora desse instrumento e condutora dessa política, o Banco Central Europeu (BCE), foi dado esse passo-salto, sublinhando-se o aparecimento de uma instituição à margem do aparelho político-democrático, com uma tarefa definida e definitiva, a estabilidade na evolução dos preços através da manipulação das taxas de juro em todo o espaço formado dentro da UE, da “zona euro”.
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Este o caminho a institucionalizar por via do Tratado de Maastrich, e do que a ele se seguisse, com a Mesa Redonda dos Industriais e outras estruturas transnacionais a "sugerirem", num quadro internacional novo e fruto de evolução na luta de classes favorável ao capitalismo.
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Nesse novo quadro, a importância da Organização Mundial do Comércio, a substituir o GATT, e a desvalorização (sempre latente) da Organização Internacional do Trabalho, que, por vezes, até se atreve a tentar a quadratura do círculo que é a de convencionar e regulamentar a desmercadorização da força de trabalho.
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No entanto, talvez com alguma surpresa por serem logo no início do novo caminho, quando mais fragilizada parecia a relação de forças do lado do trabalho, apareceram escolhos no percurso delineado, desde a constatação do não apagamento da clivagem social fundamental por, aqui e ali, o movimento operário não se ter desmantelado como classe organizada sindical e partidariamente, e reacções de povos, de massas desideologizadas, contra os seus governos, não ratificando, por referendo, o que estes tinham entre si decidido.

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continua

sábado, maio 02, 2009

Tele-gramo para VM

Vital

Parabéns.

Objectivo alcançado.

Aqui, na capital de Cabo Verde, ao pequeno almoço, os 40 da URAP que vieram homenagear os tarrafalistas, apenas falavam da tua provocão e dos pedidos de desculpa do CdaS.
Se por aqui encontrar o "mestre " Mário Soares, encontro de que fujo, dir-lhe-ei do bom aluno que mostras ser.
Breve nos encontraremos e dir-to-ei de viva voz, com a certeza que, da minha parte, não responderei a provocações tuas.

sexta-feira, maio 01, 2009

Reflexões lentas sobre política(s) - 2

continuação

Por último?
Assim seria se, no processo histórico, fosse possível encarar o Estado-nação como a macro-estrutura final, a cúpula que já terá sido, ou próxima de o ser, numa construção europeia endocêntrica... e estariam as "cartas na mesa".
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Mas não é. E cada vez menos o será, apesar de, de uma certa maneira, o continuar a ser porque sobre essa macro-estrutura tudo se constrói e nada do que se construa a poderá destruir ou substituir eliminando-a.
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A integração (capitalista) europeia, na “construção europeia”, parte do Estado-nação, associando Estados-membros, e as fases mais avançadas, aquelas que o poder supranacional engendra e procura levar à expressão política, configuram federalização, que pode tomar várias formas – Estado Federado, Federação de Estados –, ou Supra-Estado, regionalizando ou "afreguesiando" Estados-membros.
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A dinâmica da organização espacial, macro-estrutural, procura a correspondência com o ininterrupto (embora irregular) domínio sobre o meio ambiente, e os meios, o desenvolvimento das forças produtivas, no quadro das relações sociais dominantes, e as fases e formas da integração europeia não conseguem, porque não podem, descolar da realidade histórica da existência do que está na sua origem, dos Estados-nações, e da dinâmica matriz da História, da luta de classes enquanto classes houver.
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Assim sendo, ou assim se tomando como sendo, e por este nível se ficando para não continuar pela via que levaria à dimensão planetária e à consideração inelutável de o imperialismo como fase última do capitalismo, chame-se-lhe globalização ou outro eufemismo (o que seriam aliciantes reflexões mas outras), há que voltar, nestas reflexões, à política monetária.
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Continuando a existir os Estados-nações, alcandorados a Estados-membros mas como tal ignorados nas sendas da federalização, promovida pelos grupos financeiros transnacionais, a política monetária é atacada como política de âmbito nacional até deixar de o ser.
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Com o forte argumento da descoordenação e das perturbações cambiais e da pressão inflacionista, instaura-se a prioridade absoluta para o controlo e menorização da intervenção do Estado-nação na política monetária.

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continua

quarta-feira, abril 29, 2009

Informação (e pedido de aviso) à navegação

Já sei que “vou levar nas orelhas”, que amigos que me aconselharam me irão recriminar, eu próprio queria parar com “isto”, queria tornar definitivo o que definitivo afirmei e reafirmei… mas não sou capaz! Não sou capaz de deixar as coisas assim. Mas, acrescento, não estou irritado, nem nada disso, e estou muito tranquilo. Só não sou é capaz de calar.

Resumo:

  • Há um blogueiro que aproveita um post num blog de um deputado italiano, fechado por razões que desconheço, em que se ordenaram (ordenharam?) os deputados europeus por “prestações” quantitativas entre Julho de 2004 e final de 2008.
  • Estou incluído nesse ordenamento, num 718º lugar em 920 deputados, o que é perfeitamente natural pois apenas estive no PE até 11 de Janeiro de 2005, quando transmiti o mandato recebido após as eleições de 2004.
  • Fazendo do quadro a quinta-essência da “avaliação” – se o deputado italiano o patenteou como tal, desconhece-se em que se baseou e que critérios usou –, o blogueiro permitiu-se, com base nele, fazer apreciações depreciativas sobre a minha “prestação” e referir o embaraço que ela criaria e em que eu estaria.
  • Dominando quanto possível a irritação, esclareci que não me sentia nada embaraçado e que aquele ordenamento só se podia basear em dados publicados no “site” do PE, que conheço bem e que, em toda a evidência, o meu posicionamente apenas se podia dever ao curto período em que cumpri o mandato depois prosseguido por Pedro Guerreiro, e a correcção mínima exigiria que se juntasse a minha “prestação” à do meu camarada, tal como a de António Costa à de Manuel dos Santos e a de Fausto Correia à de Hasse Ferreira, pois só assim haveria comparabilidade.
  • O cavalheiro insistiu que não, no pressuposto que o quadro fantasma ponderara tempos, o que seria possível mas incorrectíssimo, além da apreciação susceptível de se fazer do quadro demonstrar que tal não seria o caso e revelar erros apesar de se ignorarem critérios (?)…
  • Apesar de alguma natural crispação, a discussão continuava, por eu pressupor (como sempre faço) existir ao menos réstia de boa-fé, o que disse com a transparência que uso e, também, para me justificar perante quem me aconselhava a “ignorar o homem” e a questão, que, na verdade, não vale os pauzinhos de um caracol.
  • Então não é o cavalheiro traz para a discussão pretensas declarações do Bernardino Soares de aqui há uns anos, sobre a Coreia do Norte, e faz "extrapolações" de que sou alvo?!
  • Ora, não sendo o camarada Bernardino Soares deputado europeu, nem nunca tendo sido, e não estando as posições sobre a Coreia do Norte entre as que se incluam nas”prestações” factuais no europeico areópago, achei comprovada a ausência de boa-fé do senhor, e dei por finda a querela.
  • Reacção do cavalheiro: apaga, precavidamente, os dois últimos comentários – o dele da Coreia do Norte, e o meu de ponto final – diz mais umas coisecas lá no blog dele e, veja-se o desplante!, instala-se no meu blog com um comentário, decerto no intuito de, aqui, continuar a puxar pela discussão, se calhar até me “extrapolar” para "as terríveis malfeitorias" de José Staline, ou para "as tareias que Lenine daria na Krupskaia", ou para o modo como Marx trataria a empregada doméstica".

Acho exemplar. Por isso, fiz o resumo.
E adianto resolução: ignoro o fulano, pode vir aqui comentar o que quiser, concluir o que lhe aprouver, extrapolar o que lhe apetecer… até ao momento em que incomodar outros visitantes do meu cantinho, mais sensíveis a cheiros e ruídos. Quando isso acontecer (avisem-me por favor!), passo a apagar os seus comentários. Em nome da liberdade de expressão que não se dá bem com libertinagem de procedimentos.
Disse.

Reflexões lentas sobre política(s) - 1

A política monetária é – ou deveria ser – parte da política financeira, que é – ou deveria ser – parte da política económica, que é – ou deveria ser – parte da política do Estado-nação, ao serviço do bem-estar dos nacionais, por estes definida e participada.
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Utopia? Não! Porque assim deveria ser. E assim será!
Utopia? Sim! Porque há que temporalizar, e o que será amanhã, com a luta sem data, sem prazos, sem horários, contínua e irregular, pode ser – parecer, aparecer como –, hoje, utopia.
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Toda a política, ou a política em todo e qualquer nível da hierarquização das políticas, se define por objectivos, e se torna política, isto é, acção, por meio de instituições e de instrumentos.
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A política monetária de um Estado-nação tem – deveria ter – o objectivo de, através das suas instituições próprias, organizar e usar os seus instrumentos próprios, para servir a política financeira do Estado-nação.
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Por sua vez, a política financeira de um Estado-nação teria de ter – deveria ter de ter – o objectivo de, através das suas instituições próprias, que articulariam, integrando, as instituições próprias da política monetária, organizar e usar os seus instrumentos próprios, articulando e integrando os instrumentos próprios da política monetária, servir a política económica do Estado-nação.
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Também por sua vez, a política económica de um Estado-nação teria de ter – deveria ter de ter – o objectivo de, através das suas instituições próprias, que articulariam, integrando, as instituições próprias da política financeira, organizar e usar os seus instrumentos próprios, articulando e integrando os instrumentos próprios da política financeira, servir a política do Estado-nação.
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Por último, a política de um Estado-nação teria de ter – deveria ter de ter – o objectivo de, através das suas instituições próprias, que articulariam, integrando, as instituições próprias da política económica, organizar e usar os seus instrumentos próprios, articulando e integrando os instrumentos próprios da politica económica, servir o bem estar dos nacionais, do povo, da gente que compõe esse Estado-nação, e que definiria e participaria a política do Estado-nação.
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Por último? Não! As reflexões continuam. Lentamente. Neste Estado-nação com uma política (e políticas) resultado da relação de forças sociais, de classe.
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continua

terça-feira, abril 28, 2009

Ao que fui forçado!

Tenho andado por ai, pela blogosfera, embrulhado numa discussão com um senhor que, a partir de um blog e de uma classificação das "prestações" dos deputados no PE, feita por um deputado italiano, disse coisas evidentemente erradas, e tirou conclusões "avaliadoras" eivadas de profunda má-fé e primário anti-comunismo, como acabo de concluir em definitivo. Encerrei o episódio, e com ele não perderei mais tempo. Mas, embalado pelas tentativas de esclarecer (enquanto não me provou a sua má-fé), venho aqui anotar que a avaliação tão-só quantitativa das "prestações" dos portugueses eleitos para o PE é impressionantemente esmagadora a favor de quem foi eleito nas listas da CDU.
Quase no fim da legislatura (por isso, ainda sujeito a actualizações), quanto a relatórios, a mais relevante das intervenções, os 2 mandatos PCP fizeram a média de 7 relatórios contra 5,3 da média dos 7 mandatos do PSD, 3,1 da média dos 12 mandatos do PS, 1,5 da média dos 2 mandatos do CDS/PP, e 1 relatório do único mandato do BE; quanto a intervenções no plenário, a média dos 2 mandatos PCP é de 699,0 contra 91,0 da média dos 7 PSD, 138,9 dos 12 PS, 445,5 dos 2 CDS/PP e 41 intervenções do BE; quanto a perguntas, a média dos 2 mandatos PCP é de 335,5 contra 14,3 dos 7 PSD, 41,8 dos 12 PS, 141 dos 2 CDS/PP e 13 do BE.
Para que fique claro, de uma vez por todas - e para quem esteja de boa fé -, contribui para este resultado entre fim de Julho de 2004 e 11 de Janeiro de 2005, isto é, em menos de 4 meses "úteis". Apenas dois deputados - uma francesa e um húngaro, cada um apenas com uma intervenção em plenário e nada mais - transmitiram os mandatos antes de eu o ter feito.
Assim tendo sido, se eu tivesse tido a média das "prestações" quantitativas da classificação aproveitada para se tirarem falaciosas conclusões, em vez de estar no 718º lugar entre 920 deputados deveria estar em 918º, apenas com dois abaixo de mim. Ora a minha "prestação" quantitativa - 1 relatório, 26 intervenções em plenário e 13 perguntas - fez com que, para além do que importa, que é ter contribuído para o mandato que Pedro Guerreiro continuou, me colocou 200 lugares acima do que a proporcionalidade do tempo que estive em funções justificaria.
E só voltarei à questão, de modo nenhum das que merecem atenção prioritária, para actualizar os dados com a legislatura completa, sempre com os "meus números" - inalteráveis - a somar aos que Pedro Guerreiro vai adicionando na única coisa que é comparável com os outros mandatos, o mandato que nós dois cumprimos, eleitos na lista da CDU pelo PCP, em representação dos portugueses.

Aleluta!

Enquanto me vejo embrulhado na quantidade de "prestações", em minudências que não anulam a nossa evidente superioridade, confrange-me a pobreza dos protagonistas e de figurinhas figurantes, a indigência (voluntária) da qualidade das "prestações", assusta-me a perigosidade de algumas perspectivas .
Vale-nos a luta!

segunda-feira, abril 27, 2009

Paro e olho e vejo e penso

Olho casos e, se fosse médico, veria situações clínicas e diagnosticava:
  • analfabetização funcional congénita
  • ou refundação e orfandade soviética

Como não sou médico, reservo para estes o diagnóstico, e penso em hipóteses não clínicas:

  • a - iliteracia e preconceito anticomunista básico
  • b - estupidez e má fé de anticomunismo secundário
  • c - deshonestidade e exposições de anticomunismo universitário

Às vezes...

... às vezes fico muito triste, e mais ainda preocupado, quando confronto o desejo de tanta gente em ver o argueiro no olho do outro, em atirar pedras aos eventuais telhados de vidro do vizinho, gente que não se apercebe da poeira que lhe atiram para os olhos, que não sabe, nem procura saber, de que matéria são feitos os seus telhados.
É evidente que o sinto mais quando o argueiro é no meu olho, o telhado (que não é de vidro!) é de minha casa. O que também me dá que pensar.

domingo, abril 26, 2009

No dia de hoje

Há dias que ultrapassam as suas convencionadas 24 horas (para quem tiver pachorra: ver). Alguns, porque foram assim; outros, porque assim são.
E todos os dias são dias de aprender.
Por causa do dia de ontem, e de um bem dito convite (apesar de eu ser como sou... porque não se ostraciza ninguém) para participar num debate, li, com muito cuidado, um livro (breve nota em "memória do 25 de abril?" ).
Muito nele aprendi, nesta busca permanente de tentar entender as coisas, sobretudo os outros, particularmente os mais novos (quase toda a gente o é, bolas!...).
Uns brevíssimos apontamentos:
  • Em antropologia e áreas similares, não há "amostras" no sentido de representação do universo, por isso escolhidas com intenção de poderem vir a servir para extrapolações... haverá, apenas, aleatória informação por informantes aleatórios... O que isto daria para discutir!
  • Para que serve o conhecimento? Vamos reler ou tresler a última tese de Marx sobre Feuerbach? Ou será que, tal como se separa o ser humano/produtor do ser humano/consumidor e outras f(r)acturas... para uns, o conhecimento pelo conhecimento, para outros, mal-a(r)mados desse conhecimento alcançado pelos uns, a intervenção, a luta pela transformação (do universo) e riscos correlativos?
  • Ucronia? Uma muito interessante palavra/conceito descoberta na leitura: «um curioso fenómeno ucrónico (...) criador de um Portugal paralelo em que não teria ocorrido revolução nenhuma, um Portugal democrático para o qual teríamos caminhado pelas mãos de Marcello Caetano»; a ucronia levaria a uma leitura consensual, oficial, instituída da História em que, «depois de um breve período de confusão causada por perigosos esquerdistas» (que não levaram os desmandos reais e potenciais por diante), período que, laboriosa e insidiosamente, vai sendo apagado, Portugal «"entrou nos eixos" normais (diria eu que "reentrou nos carris do capitalismo") de uma democracia parlamentar ocidental, rumo ao progresso e à paz social (de que, aliás - digo eu... -, neste momento histórico se vêem/vivem/sofrem as circunstâncias).»

Gostei mesmo do debate e, sobretudo, do lastro que deixou!

sábado, abril 25, 2009

sexta-feira, abril 24, 2009

Natureza(s)

O pedras contra canhões, no seu imperiobarbaro.blogspot.com, coloca com alguma frequência (que maior se desejaria) reflexões que são verdadeiros convites… à reflexão.
Numa das últimas abordava o tema da natureza humana, ”natureza humana ou natureza de classe” (ver).
Não entrei na interessante “conversa” que se seguiu nos comentários (19), embora lá tenha colocado um, de passagem, e a “ameaça” de voltar. Como tal não aconteceu, e o tempo passou, venho aqui deixar duas reflexões, retomando coisas que escrevi, há mais de 40 anos, no suplemento de economia do Diário de Lisboa (e passou na censura...).
Ao reflectir e escrever sobre natureza humana, a minha concepção de vida, de natureza e de humano leva-me a acrescentar, sem intenções de entrar em áreas filosóficas, que o ser humano tem uma “primeira natureza”, a animal, integrando-se na meio-natureza global, a partir dessa sua natureza intrínseca.
Ao longo do processo histórico, pelas relações que entre si foi entretecendo, por via do trabalho, o ser humano foi criando uma “segunda natureza”, a social.

Por isso se diz, sem pretensões de aprofundamento filosófico mas, também, sem recuar perante a aparente excessiva facilidade, que o ser humano é um animal social, isto é, tem uma "primeira natureza" a que, ao longo dos tempos vem acrescentando uma "segunda natureza". Houve e há, no entanto, seres humanos muito animais e bem pouco sociais, ou até anti-sociais; e seres humanos há e houve que, de tão sociais, se esquecem que são animais. A "natureza de classe" será uma natureza derivada da "segunda natureza", da social.

quinta-feira, abril 23, 2009

Uma efeméride!

Foi por acaso que vi:
O Decreto-Lei n.º 26 539, de 23 de Abril de 1936 criou o Campo de Concentração do Tarrafal, em Chão Bom, no concelho do Tarrafal, na ilha de Santiago, em Cabo Verde.
Em 18 de Outubro de 1936 partiram de Lisboa os primeiros 152 presos. Com a chegada destes, o Campo da Morte Lenta começou a funcionar em 29 de Outubro de 1936.
Ali morreram 32 prisioneiros, entre eles, em 1942, Bento Gonçalves, secretário-geral do Partido Comunista Português, com 40 anos, depois de muitas prisões e desde 1936 no Tarrafal.

Sempre a aprender!

Tenho andado arredio de (a)postar por aqui. E tem-me feito falta. Mas comprovo a dificuldade de, em correria de um lado para o outro, deixar comentários - ou mais do que isso - de quando em vez. Outros dias virão.
Entretanto, não posso deixar de registar algo de verdadeiramente "moderno" e inventivo na ciência económica e na prática da boa governança.
Tinha eu aprendido nos idos tempos de estudante, de economia e português - que aliás me esforço que se prolonguem por todos os anos meus - que défice (que se escrevia deficit) era uma diferença, o saldo negativo entre receitas e despesas.
E assim tem sido, embora utimamente, nesta derradeira década, tenha aparecido uma clara desvalorização do positivo, das receitas, por maior, muito maior importância se dar ao lado matematicamente negativo, as despesas, numa deriva desestatizante. Menos Estado, menos Estado! Nada de intervir na economia, serviços públicos a servirem menos e menos, direito à saúde a ser substituído pelo negócio da doença, educação gratuita e universal (constitucional!) a ser atacada por despesista.
Até que, ontem, se deu um passo na teoria económica e na tal prática de governaça: explicitou-se que o défice só é verdadeiramente défice, e logo a ter que ser corrigido, se for do lado da despesa; se for do lado da receita, se houver desvios para muito menos do lado da receita, não há nada a fazer, é deixar o défice crescer... não houve desvios na despesa, está tudo bem!
Autores? Com o patrocínio do nobel caseiro da economia, o Doutor Constâncio constante, o afirmativo engenheiro Sócrates, o primeiro.
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Pronto, é assim: sempre a aprender!

segunda-feira, abril 20, 2009

No 2º intervalo

Estou no 2º intervalo do prós e contras, na hora em que o ouvinte sensato e votante potencial deve estar a ir para a cama que amanhã é dia de trabalho, ou só porque se cansou ou apenas porque... são horas de ir para a cama.

Perdem-se ouvintes e, pelo que até agora se ouViu, ter-se-ão perdido eleitores. Os candidatos escolhidos pelo PS e pelo PSD serão, evidentemente, péssimos deputados europeus. Em todos os entidos e, sobretudo, naquele que me preocupa, como português e por isso europeu (por inevitabilidade geográfica).
Isto não é um debate! Eu vou resistir até à entrada na madrugada. Também por algum "masoquismo"...

terça-feira, abril 14, 2009

Em compensação…

Em compensação,
  • a quê?, à anterior mensagem (e respectivos "malévolos" comentários)…
bom!… para compensar, nos passeios em volta do lugar onde estou e vivo, vejo o que não via há muitos anos
  • que digo eu?, há muitos anos?, há décadas!, há quase meio século…
gente nos campos a labutar, terras preparadas e semeadas, vinhas cuidadas, gente, gente nos campos, gente que regressou aos campos
  • ... de onde?, os desses tempos, da emigração, gente que não abriu o fatal cafézito para consumir poupanças; alguns, mais novos, do desemprego, que não é futuro para ninguém; outros, ainda de menos idade, de cursos superiores sem saídas...

Que compensação!,

  • ... isto tem de ser desenvolvido, ó senhores sociólogos, antropólogos, economistas e ofícios correlaticos, isto é, cidadãos (e políticos que todos somos) de hoje com habilitações para fazer desenvolvimentos

cá por mim, o que vejo (re)compensa-me!

E vou tentar desenvolver...

Preocupado!

Palavra que estou preocupado. Comigo e com este blog.

Faço um breve balanço das últimas intervenções aqui feitas, assim a jeito de auto-crítica, e não vejo nada sobre

  • a namorada, a deontologia e a declaração de interesses,
  • o sr. Moreira e as suas prestáveis prestações como putativo eurodeputado,
  • os genéricos e as generalizações,
  • o Bo,
  • o Obama, o Afeganistão e os Obama(níacos),
  • a "fardamentalização" das TFP lá do Algarve (então os TFP podem continuar vestir-se como quiserem?),

... e sei lá que mais!

Estarei a afastar-me da(s) realidade(s)? Terei entrado em "retiro espiritual" por influências vizinhas?

O que me vale (?!) são as tarefas para que os telefonemas me convocam.

35º aniversário do 25 de Abril

Como era
a economia antes do 25 de Abril,
a economia que Abril anriu
a economia em que estamos.
Por onde vai a economia.
Debater a economia,
as "crises" e o futuro.
Sem preconceitos e a partir de diferentes perspectivas.

sábado, abril 11, 2009

Papéis velhos (e reciclados)

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Por mera casualidade, e bem a propósito, tropecei nestes "apontamentos pessoais" de há 5 anos:


Sobre a indigitação de Durão Barroso
para a presidência da Comissão Europeia
Tendo em conta


  • o perfil e o “carreirismo” político de Durão Barroso;
  • a política de direita que levou a cabo a coligação governamental a que presidiu e as gravíssimas consequências para a evolução económica e, sobretudo, a deteriorada situação social em que fez mergulhar tantas centenas de milhar de portugueses;
  • a sua clamorosa recentíssima derrota nas eleições para o Parlamento Europeu, que se juntou à claríssima e crescente contestação e luta social, reforçando-a;
  • quais os interesses (de) nacionais e internacionais que sempre serviu na sua “carreira” política, nomeadamente a vergonhosa “cimeira dos Açores”, contrários aos interesses dos nacionais, trabalhadores e populações, que queremos sempre defender;
  • que não poderá servir na Comissão Europeia o chamado interesse nacional quem em toda a sua “carreira” política, e particularmente na chefia do governo português, não o tem servido, bem pelo contrário!,

A. Considerando a posição do Partido Comunista Português, tal como expressa na última reunião do Comité Central e pelos seus organismos executivos;
B. Considerando, também, a informação dada ao colectivo a que pertencem, e a troca de impressões que se fez nesse colectivo


  • os dois deputados do PCP no Parlamento Europeu vão, patrioticamente, votar contra a designação de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia.
  • depois de dada a conhecer ao colectivo que integram e aos responsáveis pela área nos organismos executivos do PCP, e do parecer conforme destes, deverão fazer uma clara declaração de voto que deverá ser tornada pública.
Assim aconteceu!
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porreiro, pá!, dizem "eles"

quinta-feira, abril 09, 2009

Correcção necessária

  • O que é importante demonstrar é que os eleitos nas listas da CDU, quer para a Assembleia da República, quer para o Parlamento Europeu, são, de muito longe, os mais “produtivos” e os que estão mais ligados ao País, a quem representam.
  • Isso é insofismável, por mais sofismas, e erros e omissões que se cometam.
  • Mas, depois, há o rigor. E, neste caso, quantificar “produção” e “ligação ao País” é tarefa muito difícil e, nalgumas vertentes, impossível.
  • Há, no entanto, uma questão prévia e em que insisto: muito mais significativo que quem fez o quê, é o que foi feito do mandato que os portugueses deram para que os representassem, na AR ou no PE (ou nas autarquias).
  • No PE, em 2004 foram eleitos dois candidatos na lista da CDU – e foram o 8º e o 19º nos 24 mandatos a que cabia a representação dos portugueses (agora passou a 22!).
  • Até hoje, Ilda Figueiredo cumpriu integralmente o 8º mandato, Pedro Guerreiro e eu dividimos o cumprimento do 19º mandato, de acordo com as regras do PE.
  • Nesta legislatura, estive de 20 de Julho de 2004 a 11 de Janeiro de 2005 no PE, e Pedro Guerreiro de 11 de Janeiro de 2005 até hoje, e decerto até ao fim do mandato.
  • O trabalho que fiz deve somar-se ao trabalho que Pedro Guerreiro fez, como, nos mandatos do PS, o de Fausto Correia ao de Armando França, e o de António Costa ao de Manuel dos Santos. E foram as únicas substituições.
  • Só assim é comparável. Não pode entrar nas comparações com o trabalho de outros deputados o trabalho que fiz, e a divisão por meses de mandato é totalmente enganadora.
  • Li, no avante!, que “mesmo Sérgio Ribeiro, que foi substituído em Janeiro de 2005 por Pedro Guerreiro, alcançou em apenas seis meses um ritmo mensal de trabalho que, hoje, no final de mandato, só foi ultrapassado por quatro deputados de outros partidos”, o que está expresso em gráfico.
  • Não gostei!, embora muito valorize o trabalho e quem o fez apesar desta ressalva. E não só, ou sobretudo, por razões pessoais. Os meus “apenas seis meses” foram uma semana de Julho, para distribuição por comissões, eleição de presidente, vice-presidentes e questores, preparação de trabalho para depois das férias, foi Agosto, em que o PE está encerrado 3 semanas, foram Setembro, Outubro, Novembro e Dezembro, de que apenas metade conta. Em resumo, os 6 meses resumiram-se a cerca de 3 meses e meio para trabalho "contabilizável".
  • Saí em Janeiro de 2005 no cumprimento de compromisso (para comigo) segundo o qual logo que tivesse feito trabalho que justificasse o ter-me apresentado como candidato seria substituído. Tive a “sorte” de “agarrar” e de fazer 1 relatório muito importante sobre as pescas (até Janeiro de 2005 nenhum português teria feito qualquer relatório), 26 intervenções em plenário e 13 perguntas, tantos relatórios e perguntas como o detentor do mandato do BE em todo o mandato até agora!...), e saí satisfeito e tranquilo, na minha consciência e por quem me substituía, e a cuja “produção” deve ser somada a minha assim como as viagens que fiz pelo País todo, particularmente à Madeira e Açores para a elaboração do relatório.
  • Não aceito o confronto com os “quatro deputados de outros partidos” que me teriam ultrapassado em “ritmo mensal”, nem mesmo se, corrigida a duração útil dos meus 6 meses, se verificasse que apenas Manuel dos Santos me ultrapassaria, mas só devido à contagem de intervenções em plenário na condução dos trabalhos como vice-presidente, o que exige ser ponderado.
  • Quem vota na CDU pode estar certo que será representado (como todos os portugueses) por quem trabalha e sobretudo valoriza a sua ligação ao País!

quarta-feira, abril 08, 2009

As palavras saem das bocas.
Há palavras que sujam a boca de quem as diz. Há bocas que sujam as palavras que dizem.
Exemplo? O ministro par(a)lamentar Santos Silva ao perorar sobre democracia... como se fosse dono dela ou se o seu ministério fosse cartório aberto para passar certidões.

As ideias que ficam ou o que fica das ideias e dos factos

Duas ou três… ideias e factos:

Da “mensagem” da campanha do PS para as “europeias” fica, ou pretende-se que fique:

  • que há um homem a eleger (aquele!?);
  • que "ele" e “eles” - aquele(s) "nós" - são “os europeus” (os “outros” serão o quê?);
  • que, para começar, há um candidato (quem?) a opor a Durão Barroso (misturando-se, e não por ignorância, eleições com o que não são eleições mas arranjos, equilíbrios, compromissos, prebendas por bons serviços "açoreanos").
Da reunião do Grupo Parlamentar do PCP, de outras intervenções, e do seu tratamento mediático, pode ficar:
  • que há duas crises (a nacional, que já havia e é culpa do PS, agora, como o é do PSD e do PS e dos governos desde 1976, e a internacional);
  • que a crise não é só uma, que é de hoje, conjuntural, e não da organização socio-económica, que o visível e irrecusável não é senão as explosões periódicas de maior ou menor gravidade, com consequências sociais consoante as políticas nacionais (a crise é do capitalismo, em Portugal com reflexos de maior gravidade económica e social pelo modo como os governos, desde 1976, se demitiram, contra-revolucionária e obedientemente, da defesa da independência e da soberania nacionais);
  • que, para o PE, há Ilda Figueiredo a eleger (quando a Ilda está eleita, e há que lutar para que mais dois ou três da lista CDU o sejam… para irem para lá – e cá! – trabalhar em representação dos portugueses).
Da situação da União(?) Europeia e no País, a partir de dados do Eurostat, publicos desde ontem, sobre o 4º trimestre de 2008, fica:
  • que a “crise”, antes europeiamente negada, está instalada na UE (-1,5% de “crescimento" do PIB no 4º trimestre, depois de -0,1% no 2ºT e de -0,3% no 3ºT);
  • que é mais quantitativamente significativa nos Estados-membros que estão no euro (UE15) que na UE27 (-0,3% no 2ºT, -0,3% no 2ºT e -1,6% no 4ºT);
  • que neste último trimestre se confirmou, e agravou no 4ºT, a desconvergência – o contrário da convergência prometida enfaticamente – de Portugal em relação ao espaço em que fomos integrados há quase um quarto de século (0,2% no 2ºT, -0,2% no 3ºT e -1,6% no 4ºT).

(obrigado, Cantigueiro)

segunda-feira, abril 06, 2009

Papelaria Fernandes - um caso!

Um caso especial? – talvez… é uma empresa que foi criada em 1891, com, portanto, 118 anos.
Um caso exemplar? – talvez… um exemplo desta nova “saída empresarial”, de uma empresa se apresentar à insolvência… para recuperação da empresa.

Um caso com números em euros – 65 milhões de dívida, dos quais 80% a um banco, ao BCP, ausência de activos imobiliários, e uma projecto de atracção de 10 milhões para a recuperação, isto é, 65 milhões + 10 milhões em “arquitectura financeira”, com BCP, Berardo, Fundações, empresas de capital de risco e quejandos.
Um caso com números de (des)emprego? – tem 370 “colaboradores” e, se o “arquitectado” for por diante serão “dispensados” “menos de 100"!… mas estão previstas admissões, não se reduzindo o número de “efectivos”.
Um caso de realismo, com esta “arquitectura”? – com a “arquitectura” projectada, dizem que sim, com o “realismo” de se falar de uma “nova empresa”, sem dívidas e com “três áreas de negócio”.
Um caso de viabilidade económica? – duvida-se, dada a indefinição das áreas de negócio: retalho (lojas) – que está na origem da PF –, técnica para engenheiros e e arquitectos, e “o que se dirige às pequenas e médias empresas”.
Um caso com componentes afectivas? – para mim, seguramente que sim… mas isso fica para o que se pode ver em outro blog, o docordel.blospot.com, onde se pode ler mais uma história ante(s)passada..

sábado, abril 04, 2009

Eu, europeu

Estou em Lisboa depois de apanhar, na 2ª circular, e mais adiante, com uma data de "nós, europeus", a ver se nos apanham.
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Eu... ropeu (que sou!), voto é nestes --->

25 de Abril - 35 anos

16 de Abril - "Arte em Exposição" e "Economia em debate"
22 de Abril - colóquio "Média, Democracia e Liberdade"
na Casa do Alentejo

sexta-feira, abril 03, 2009

Leituras da "crise"

No som-da-tinta, em livros e leituras-desfasadas-da-crise, está um texto sobre este tema da "crise". Terá, talvez, algum interesse.

G19 + 1(UE)?

1. - Acabou a reunião do G-20

2. - Que se deveria ter chamado G-19 +1(UE), porque são 19 Estados mais uma União Europeia que integra 4 dos 19.

3. - E como a UE não estava em representação dos seus Estados não representados, pode dizer-se que, dos 19 Estados, havia 4 Estados que tinham uma representação a valer 1 + 0,25, isto é, a presença da UE a dividir pela Alemanha, pela França, pela Itália e pelo Reino Unido, o que soma 5 em 4.

4. Se se juntar, a esses 4 a valerem 5, os EUA, a África do Sul, a Arábia Saudita, a Argentina, a Austrália, o Canadá, a Coreia do Sul, a Indonésia, o Japão, o México e a Turquia (também posso ter os meus critérios, até de ordem "alfabética ajustada", que diabo...), temos 16 dos 20.

5. Sobram 4, os tais BRIC (Brasil, Russia, India, China) e, nestes, um - a China - cujo orgão oficial do Partido Comunista da China, que desde 1949 conduz a política e a economia do País, lembrava que entre 2003 e 2008 (neste pequeníssimo lustro!) o PIB dos EUA passou de 32% para 25% do PIB mundial, números rigorosamente simétricos dos dos tais "países emergentes", interrogando-se sobre o que mudará no mundo nos próximos 5/10 anos (ver artigo de Luís Carapinha, no avante! de 26.03, O trunfo do socialismo).

6. Mantendo todas as reservas sobre a legitimidade desta reunião, quando anteriores foram noutros âmbitos (1933, no âmbito da Sociedade das Nações, 1944-Bretton Woods, no das Nações Unidas), há que dizer que não será justo etiquetar os 20 como um G(ang)-20, ou 20-Gangsters.

7. Acrescente-se que, no mesmo artigo, se lembra que o Japão - já foi "Estado emergente"... - está em tal estado que o FMI estima para ele um "crescimento negativo" (!?) de 6% em 2009, enquanto para a China o mesmo FMI estima um crescimento (que, julgo eu, só pode ser positivo...) de 6,5%.

8. "O presidente Hu Jintao reiterou recentemente que a liderança do Partido, as vantagens do sistema socialista e os esforços do povo serão determinantes para vencer as dificuldades" (mesmo artigo que, no título, poderia - talvez... - colocar um i entre o r e o u de tr(i)unfo)

9. Do comunicado final, retiram-se muitas palavras e frases, e apenas se sublinha, por agora, a insistência no papel e reforços da instituições reguladoras nascidas em Bretton-Woods, do Banco Mundial e do FMI, que estão umbilicalmente ligadas à evolução da economia mundial das últimas décadas, com os chamados e famigerados "ajustamentos estruturais" por exemplo, enquanto entidades supranacionais do capitalismo em fase de imperialismo.
10. Isto será chamar o "nome aos bois" (sem ofensa, claro...), e outros comentários a tal comunicado final de tal "cimeira" talvez fiquem para mais tarde... mas não nesta madrugada do (à Sérgio Godinho) "primeiro dia do resto da nossa vida".

quarta-feira, abril 01, 2009

G20?

Amanhã realiza-se a reunião do G20. A comunicação social está repleta de referências a esta reunião, etiquetada como decisiva. Porque nela se reúnem os 20 países economicamente mais importantes (seja isto o que for!) do mundo, que como tal se auto-agruparam, e porque o actual momento (histórico sem limites temporais precisos) é… de crise a que é preciso dar uma resposta.
Aqui vai deixar-se uma espécie de glossário para se perceber um pouco do que se está a passar.
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O que é, e quem são, o tal G-20?
O Grupo dos 20 (G20) foi constituído na década de 90, em plena dita globalização, como uma das estruturas de países capitalistas, juntando o G7 (os países mais industrializados: EUA, Canadá, Japão, Reino Unido, França, Itália e Alemanha) mais a União Europeia enquanto entidade supra-nacional, e doze outros países de economias consideradas (pelos países constituintes) como mundialmente importantes: Brasil, Rússia, Índia, China (os BRIC), África do Sul, Arábia Saudita, Argentina, Austrália, Coreia do Sul, Indonésia, México e Turquia. Critérios? Vários: população, espaço, localização, crescimento económico, petróleo. Direito a associação no plano planetário…
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Bretton-Woods (NU)
Fala-se muito de Bretton-Woods. Mas que é Bretton-Woods, além de ser uma cidade nos Estados Unidos, New-Hampshire? Foi nesta cidade que, em Julho de 1944, ainda antes de acabar a 2ª guerra mundial, se assinou o acordo que tomou o nome da cidade, depois de um encontro de representantes de 45 países que realizaram uma Conferência monetária e financeira das Nações Unidas.
O acordo tinha por objectivo reorganizar a economia capitalista internacional para o pós-guerra. As moedas dos países membros passariam a estar ligadas ao dólar, em condições de se tornar moeda internacional dadas as reservas acumuladas em Forte Knox, estando a moeda dos EUA ligada ao ouro a 35 dólares por onça, e convertível. Assim se criava um sistema monetário internacional, e para que tudo funcionasse sem grandes sobressaltos criaram-se duas entidades de supervisão, o FMI (Fundo Monetário Internacional) e o Banco Mundial, o que demonstra que a supervisão não é “ideia nova”, da "globalização" pós-anos 90-.
Deste modo se alterava o sistema do padrão-ouro ao tornar o dólar a moeda central do sistema, embora mantendo-se moeda nacional.
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O sistema padrão-ouro
O sistema do padrão-ouro, prevalecente apesar de várias contingências, tinha “regras de ouro”… em que a quantidade de reservas de ouro de cada país determinava a oferta monetária, que visavam uma situação de equilíbrio na economia internacional de modo a que cada país mantivesse uma base monetária consistente com a paridade cambial, procurando-se contribuir para balanças comerciais equilibradas, com os saldos a serem cobertos, na balança de pagamentos, por transferências em ouro.
Com Bretton Woods, teria começado uma novo sistema monetário internacional, em que o dólar substituía o ouro mas não completamente, sistema que terminou com a decisão de Nixon, de 15 de Agosto de 1971, ao tornar, unilateralmente, o dólar inconvertível por as reservas de ouro dos EUA se terem reduzido excessivamente em relação aos dólares colocados em circulação, mantendo o domínio da economia mundial pelo privilégio monetário, e podendo responder a necessidades de financiamento crescentes como as provocadas, por exemplo, pela guerra do Vietname.
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Capitalismo vazio de sistema monetário internacional
Desde esse dia, não existe sistema monetário internacional, mantendo-se o dólar moeda internacional. E, a partir do final da década de 70, o neo e ultraliberalismo, o monetarismo desbragado, tem imperado na ausência de “regras de ouro” ou de “regras de dólar”, ou de “regras de ouro e de dólar”, chegando-se à actual situação em que as reservas estão polarizadas em alguns países, com os EUA na 23ª posição e a China no topo, com mais de 30 vezes o quantitativo, em dólares, de reservas em dólares e ouro relativamente às dos EUA. Uma situação insustentável por tudo andar à volta de uma moeda cuja ligação a uma base material, à agora tão falada “economia real” cada vez é mais ilusória e sem qualquer fiabilidade (fiduciária).
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A Conferência Monetária e Económica Mundial de Londres, de 1933 (SdasN)
Não é por acaso, por isso, que, neste momento de explosão de crise do capitalismo, os G20 reúnem, e não é por acaso que, com algum desespero, se recorda, nos meios de comunicação social, a Conferência Monetária e Económica Mundial de Londres, 1933, com 66 países e no âmbito da Sociedade das Nações, reunidos para porem termo à desordem monetária e às guerras comerciais e para tentarem, simultaneamente, retirar lições da Grande Depressão (datada de 1929). Conferência em se tanto se esperou dos EUA (e de F. D. Roosevelt). Após vários meses de negociações, foi admitido o seu fracasso e teria sido um passo no imperialismo, no agravamento das contradições de que resultou a 2ª guerra mundial, o enriquecimento e armamentismo estado-unidense, a consagração desta evolução/situação em Bretton-Woods.
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Amanhã, G-20
E aí se está numa encruzilhada. Como noutras se esteve. Em 1933, no âmbito da Sociedade das Nações, em 1944 no das Nações Unidas, hoje (ou melhor: amanhã) no âmbito de um grupo escolhido “a dedo” de 20 Estados. Com as “grandes esperanças” de novo colocadas nos EUA (agora não em Roosevelt mas em Obama). Noutras condições. Nem melhores nem piores, diferentes. Talvez (ainda) mais perigosas para a Humanidade.
Para resumir a actual situação, sem esquecer as “lições da História”, apenas se transcreve a frase de hoje (ou de ontem) de um anónimo identificado como conselheiro de Sarkosi: “(esta conferência de Londres - a de 2009 como a de 1933 - será, ou poderá ser) um falso sucesso cheio de declarações generosas sem consequências".
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Assim vai o capitalismo. E não nos chamem catastrofistas porque lutamos pelo futuro. Pelo socialismo.

terça-feira, março 31, 2009

Na apresentação dos candidatos CDU ao PE

Na apresentação da lista CDU de candidatos às eleições para o Parlamento Europeu. de 7 de Junho, o mandatário, Prof. Doutor António Avelãs Nunes, vice-reitor da Universidade de Coimbra, fez uma intervenção que merece ser lida, aqui,... e reflectida.

Será que ouvi mesmo?

Na RDP-1, no noticiário das 21 horas, o presidente do GP do PS (o GPS?) disse:
"... temos de introduzir na política a ética dos negócios".
Eu ouvi! Com estas duas orelhas que têm a cabeça no meio. Mas será possível que tenha ouvido "isto"?
Quereria ele dizer "...fazer com que a política introduza a ética nos negócios"? Mas... tinha todo o ar (de som) de quem estava a ler um disurso. Em que até elogiou o Santana Lopes porque este disse não sei o quê (isto não ouvi bem, ou não ouvi por forma a reter) da Ferreira Leite
Já não sei nada. Estou confuso. Deve ser da idade (da minha ou da deles?)...
Ah! Importantíssimo: o deputado Manuel Alegre não estava lá (já, ou ainda, não terá GPS?).
Pronto, está dada "a notícia"!

segunda-feira, março 30, 2009

domingo, março 29, 2009

Ontem, em Lisboa

Manifestação da juventude

Critérios editoriais

Reservo para o docordel as minhas impressões, crónicas, devaneios, comentários (mais) pessoais. Mas, desta vez, porque tem a ver com a política que se faz, é aqui que quero deixar uma crónica personalizada.
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Chegara a casa, vindo da saga hóquista de Mealhada, que meteu assaltos a carrinhas e outros episódios, e vinha cansado. Ao arrumar o carro, ainda ouvi, na RDP2, o noticiário começar por dizer que era 1 da manhã para logo emendar para 2 da manhã, hora de verão. Pensei "lá me roubaram uma hora de vida... hei-de recuperar lá para o outono".
Apesar da pressa em adormecer e recuperar do cansaço (e já passava das 2 da manhã!) ainda cumpri o ritual de pegar num livro ou num jornal. Foi no Jornal de Leiria que aguardava leitura. Na passagem de páginas vi, em "breves", que se referiam a "Ana Rita Carvalhais na corrida das europeias" e comentei para dentro do meu sono "Boa!, o jornal não deixou passar... e é natural porque a Ana Rita é da terra, porque é uma mulher em lugar elegível...".
Passei mais uma (foram duas) páginas e apanhei com a fotografia de meia página do Miguel Portas e a entrevista de duas páginas, a entrevista daquela edição. Fiquei pior que urso (aquela coisa que se abrevia como piurso), e o sono espalhou-se, fugiu.
Antes de adormecer (com ajuda de dose reforçada do comprimidinho receitado) alinhei três ou quatro questões, para que o sono, ao tomar-me, levasse um homem com ideias arrumadas.
Aqui estão elas.
1. Miguel Portas é deputado europeu, e cabeça de lista às próximas eleições, pelo Bloco de Esquerda.
2. A sua "prestação" nos 5 anos desta legislatura teve tal dimensão (quantitativa) que eu, que estive em deputado europeu do final de Julho de 2004 a 11 de Janeiro de 2005 (note-se que foram 5 meses completos, entre eles Agosto e Dezembro) fiz tantos relatórios e tantas perguntas como ele e fez fiz 26 intervenções em plenário enquanto ele terá feiro 40, para não a confrontar com as "prestações" de Ilda Figueiredo e de Pedro Guerreiro, os dois deputados do PCP no PE que cumpriram 5 anos de mandato (o Pedro menos os meus 5 meses).
3. Os nossos curricula (e digo-o porque somos ambos economistas), quer académicos, quer de intervenção cívica, quer de coisas editadas, não são comparáveis, até porque tenho grande avanço em anos (em décadas, isto é, 2 décadas e ainda dois ou três anitos)...
4. O Miguel não tem muito a ver (se é que alguma coisa tem) com Leiria, enquanto eu tenho muita e muita coisa, e a Ana Rita, tão candidata como ele, nem se fala!
5. Estive 11 anos no PE, fui candidato ao PE em todas as eleições (até esta), tendo estado sempre disponível para tudo o que o JL tem pretendido de mim e nunca tive o privilégio de ser o de a entrevista.
6. Não me lembro que a Ilda Figueiredo, ou outro qualquer deputado do PCP no Parlamento Europeu, tenha sido escolhido para a entrevista.
7. Claro que tudo que sai num jornal obedece a critérios editoriais que, por vezes, transcendem os responsáveis pelo próprio jornal. Será este o caso?
8. Uma coisa é certa, este critério editorial, aqui ilustrado, reflecte uma deliberada escolha política, quer pelas ausências, pelo que, no mínimo em igualdade de circunstâncias, levaria a um outro tratamento do PCP, quer pelas presenças (oportunas e com a resultante, inevitável pela aplicação do critério) de desvalorizar o PCP, ou de encontrar compensações para a presença do PCP na luta coerente com a sua matriz ideológica.
9. Este critério editorial é de classe. Ponto final.
10. Mas "eles" dizem que não há classes.
11. Nós dizemos que há. E fazemos a luta das ditas.
12. "Eles" dizem que não há classes (valha-nos Deus!). E fazem a luta das ditas! De forma capciosa.
Adormeci. Tranquilamente.
Ah! Depois disto, vou ler a entrevista. Talvez volte!

sexta-feira, março 27, 2009

A concentração das reservas monetárias

Recebi, de um amigo, uma lista elaborada pela CIA (que é pública mas, ao que parece, não publicada) sobre a distribuição das reservas de divisas estrangeiras e ouros de 155 países, reportadas a, na maioria dos casos, 31 de Dezembro de 2008.
Não havendo enormes novidades no ordenamento, este impressiona pelo distribuição e concentração do que será a base material do dinheiro que circula pelo planeta.
De muito longe, o país com maior valor (em dólares) de divisas estrangeiras e ouro é a China, com mais de 2 biliões (2,2 com Hong-Kong) seguindo o Japão com 954 milhares de milhões e a Rússia com 435 milhares de milhões.
O total de divisas e ouro na China estará ao nível do total dos 5 países que a seguem na lista (além do Japão e da Rússia, Taiwan, Índia e França).
As reservas dos 8 paises que vêm a seguir (Coreia do Sul, Brasil, Singapura, Argélia, Alemanha, Tailandia, Malásia e Itália), e que estão acima de 100 mil milhões, somam, no total, menos de metade das que a China possui.
Os Estados Unidos? Estão em 23º lugar com 70 mil milhões!
Importa conhecer e avaliar o significado desta situação, criada pelo modo como tem evoluido a economia mundial, que faz com que a base material em que assenta toda a financeirização da economia tenha esta desequilibradíssima distribuição com uma desmesurada concentração e um vácuo nos cofres da "cabeça do imperialismo", e ela pode ilustrar-se por um castelo de cartas assente sobre areias movediças. E se preocupa a CIA (o que é preocupante), não menos deve preocupar... quem se preocupa com o mundo em que vive hoje e com o que está aí à porta.
E é por causa desta situação que se começa a ouvir falar, embora em surdina, na necessidade de rever a posição do dólar como "moeda universal", e das erradas decisões (para quem?) tomadas em Bretton Woods no pós-guerra e do sr. Keynes que esteve contra elas
Fica, por agora, apenas o apontamento.

segunda-feira, março 23, 2009

Deputados no Parlamento Europeu - explicando-me melhor

Porque podem ter surgido dúvidas na leitura do meu "post" abaixo, venho (tentar) tornar tudo mais claro:

Agrupando por partidos (ou coligações) e mandatos, com os 12 mandatos que o PS obteve nas eleições de 2004, que foram cumpridos por 14 candidatos nas suas listas (por substituição de António Costa por Hasse Ferreira e de Fausto Correia por Armando França) foram feitos, na legislatura de 5 anos (e até agora) 37 relatórios, 1667 intervenções e 501 perguntas; com os 7 mandatos que o PSD obteve foram feitos 37 relatórios, 637 intervenções e 100 perguntas; com os 2 mandatos que a CDU obteve, cumpridos por 3 candidatos nas suas listas (por minha substituição por Pedro Guerreiro, mas contando apenas como um mandato para a legislatura porque nunca estivemos em deputado ao mesmo tempo), foram feitos 13 relatórios, 1398 intervenções e 671 perguntas; com os 2 mandatos obtidos pelo CDS-PP foram feitos 3 relatórios, 891 intervenções e 382 perguntas; o mandato do Bloco fez 1 relatório, 41 intervenções e 13 perguntas.
Em quadro, pode ver-se que a CDU, com apenas dois mandatos, fez mais intervenções no plenário que o PSD, com sete, e teria feito mais que o PS se não contassem as vezes que os seus vice-presidentes (primeiro António Costa e, depois, Manuel dos Santos) falaram na condução das sessões como intervenções, e fez quase sete vezes mais perguntas que o PSD e mais que o PS:

Depois, para que seja directamente comparável, há que dividir as "prestações" pelos mandatos obtidos, e é daí que resulta o quadro por mandatos, em que a vantagem dos que estiveram e estão no PE eleitos nas listas da CDU é absolutamente esmagadora:

E não se argumente com a maior facilidade de intervenção ou de ter relatórios (sobre perguntas nem se pode pôr a questão) por se fazer parte de um grupo mais pequeno pois os tempos são partilhados proporcionalmente ao número de deputados de cada grupo e os relatórios distribuídos por forma a que o peso de deputados dos grupos é muito condicionador e determina pontos que funcionam como quotas. Só com muito trabalho é que se lá vai...

Se a estes dados estatísticos se somasse a actividade no País haveria que perguntar se, sendo cada voto é igual a cada voto, aqueles que elegem os que mais trabalham não se sentem mais (e melhor!) representados.

domingo, março 22, 2009

Deputados europeus

Aproximam as eleições europeias, para as quais o PCP foi o primeiro, no quadro da CDU, a apresentar a sua cabeça de lista, Ilda Figueiredo, apresentação e actividade sequente que a comunicação social (não) tem tratado de forma absolutamente inaceitável sobretudo se confrontada com o eco dado à designação de Vital Moreira pelo secretário-geral do PS como seu candidato e a uma esporádica distribuição de propaganda por Francisco Louçã e Miguel Portas num BE sempre "nas palminhas".
Com essa aproximação, aparecem, inevitavelmente, avaliações dos mandatos dos deputados na legislatura que ora termina. O Expresso fê-lo esta semana, através de Daniel do Rosário. Parte interessada, também pessoalmente, senti-me recuar uns anos, para quando esta análise foi "descoberta" e passou a ser possível nos idos anos 97/98, quando a informática foi instalada entre as usuais ferramentas de trabalho do PE.
Estive 11 anos na tarefa de deputado europeu e inclui-se, nesse longo período, o mandato desta legislatura, de 22 de Julho de 2004 a 11 de Janeiro de 2005, isto é, 5 meses completos, entre eles Agosto e Dezembro o que torna o tempo considerado útil, de trabalho, mais curto. Porque fazia parte do compromisso, para com o Partido e como candidato, saí logo que considerei ter feito trabalho útil e que tivesse justificado o voto para que representasse os portugueses e Portugal, que é isso estar em deputado.
Tive a sorte de "agarrar" um bom relatório, sobre as pescas, de o ver aprovado, embora com muita oposição e reservas de deputados espanhóis, fiz (vi agora) 26 intervenções em plenário e apresentei 13 perguntas, fui substituído pelo meu camarada Pedro Guerreiro, o que, a juntar à enorme tranquilidade de consciência, me deu inteira satisfação pessoal.
Não estou na lista apresentada pelo Daniel do Rosário. Tenho pena. Naqueles escassíssimos meses, fiz tantos e mais relatórios que 7 outros deputados portugueses em 5 anos, tantas ou mais intervenções que 4 outros deputados portugueses em 5 anos, fiz tantas ou mais perguntas que 10 outros deputados portugueses em 5 anos!
Venho dizê-lo não para me vangloriar do trabalho feito,735 mas para juntar estes números aos números dos mandatos de Ilda Figueiredo e de Pedro Guerreiro. Os dois mandatos dos eleitos nas listas da CDU realizaram 13 relatórios, 1398 intervenções e 671 perguntas, o que dá, já que estamos a fazer estatísticas, 6,5 relatórios por mandato, 699 intervenções por mandato e 335,5 perguntas por mandato. Confrontem-se estes números com os de outros mandatos de outras listas que se apresentam a sufrágio!
O que nos remete para a grande questão (estatística): as avaliações dos desempenhos, além de terem em conta o trabalho deputado a deputados, teriam de contribuir para saber que fizeram os eleitos dos seus mandatos, os 12 do PS, os 7 do PSD, os 2 do CDS-PP e o do BE?
Por mandatos, temos que

Como nota, acrescento que, evidentemente, inclui os números relativos a Fausto Correia, que faleceu e foi substituído por Armando França, e os de António Costa, para se candidatar à Câmara de Lisboa, substituído por Hasse Ferreira e não por Manuel dos Santos, que o substituiu, sim, numa vice-presidência do PE atribuida ao PSEuropeu; ainda se acrescenta que as intervenções, quer de António Costa, quer de Manuel dos Santos, estão muito empoladas pois contam como intervenções as vezes que falaram, como vice-presidentes, na condução dos trabalhos.

sábado, março 21, 2009

Antologia ao quadrado

O artigo de Anabela Fino no avante! desta semana (ver, por exemplo, aqui reproduzido, em odiário) é de antologia. A meu juízo, claro.
Sê-lo-á relativamente ao tema em si, a manifestação de 13 de Março mas , também, relativamente à caracterização de um senhor chamado Mário Soares e do seu infindável percurso de intervenção política, sempre sinuoso mas com um único sentido, o de, em nome gritado da democracia, defender os interesses e a posição da classe dominante e a sua "demo-craCia".

quarta-feira, março 18, 2009

Não se faz falta...

... quando, andando por outras andanças e paranças, há quem diga o que aqui queríamos ter dito. É ver esta declaração de descaração!
De qualquer modo, como dizia um outro, embora totalmente às avessas, todos não somos demais...

domingo, março 15, 2009

Leituras do tempo e tempo de leitura

“Não tenho tempo para ler”, dizem todos (ou quase). Uns justificam “até gosto de ler, mas não tenho tempo…”; outros acrescentam, peremptórios, “nem gosto!”; ainda há os que se ficam nos meios-termos “não tenho muito o hábito… umas vezes gosto, outras não!”. Há que fazer alguma coisa, e algumas coisas estão a ser feitas. Não as suficientes.
Cá por mim, ganhei o vício. Bom. A boas horas. Acho eu...
Como escreve Daniel Pennac (mais ou menos assim) em “Comme un roman”, na vida deste tempo em que não há tempo para ler, cada tempo de leitura é tempo que se acrescenta ao tempo… de vida.
Estou a ler dois livros. De dois Prémio Nobel. De 2008. Le Clézio, de literatura, P. Krugman, de economia.
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Comprei o livro de P. Krugman e comecei a lê-lo com uma fundada expectativa. O Prémio Nobel da Economia de 2008 tem escrito de forma dita irreverente, tem sido, por vezes, polémico e tem preocupações de dessacralizar a linguagem do economista.
Claro que não esperava vir encontrar grandes surpresas em que parte de pressupostos que se traduzem na analogia do Estado, da administração pública, com as empresas privadas, com a gestão capitalista mas... esperava que, face à crise (ou a esta explosão da crise) dissesse algumas coisas interessantes. E com elas aprendesse.
Mas logo le desiludi. Nem vou - agora - ilustrar a decepção por nada encontrar de interessante, nem o exemplo (re)batido da cooperativa de babby-sitting, e algumas coisas ter lidas verdadeiramente agressivas (para este leitor!). Transcrevo: "Mas quem poderá agora invocar as ideias do socialismo com seriedade?(...) Hoje em dia, não passa de uma piada de mau gosto(...)". Não há nobilíssimo prémio que me iniba de dizer que é uma tristeza haver um economista que - até onde li... - revele tal ignorância do contributo de Marx, que assimile socialismo a "fracasso humilhante da União Soviética", isto quando, entre outras coisas, escreve "parece que a oferta surge em todo o lado e a procura desaparece por completo". Uma visita ao século XIX e a "certos autores" (nem digo revisita porque se pode concluiur que nunca visitou esses tempos e autores) seria aconselhável, pois dar-lhe-iam pistas de explicação oara muita coisa que apenas lhe parece estarem a acontecer, e que ele, entretido com as taxas de juro, de câmbio, os défices orçamentais, não descortina...
Estou a perder a esperança de aprender o que quer que seja. E preciso/amos tanto!

sábado, março 14, 2009

Hoje!

(+) de 200 mil!

sexta-feira, março 13, 2009

Efeméride(s)

Ver esta lembrança do Peão, do "cartoonista" aPeado.
Também acho muito... Boa!

Então...

... até (+) logo!

quinta-feira, março 12, 2009

Indignação e repugnância

Não pensava escrever sobre este caso. Noutros "blogs" deixei comentários solidários com a indignação. Mas, agora, é mais que indignação. Se é possível!
Ao ler "depoimentos" e "pontos de vista" no Jornal de Leiria, senti-me satisfeito por estar, evidentemente, excomungado desta Igreja e senti repugnância. É que um senhor que é dito ser médico afirma que se auto-excomungaram os que intervieram na reparação de um crime hediondo e salvaram a vida de uma menina de nove anos (também ela auto-excomungada!), violentada por um criminoso, por um doente, por um monstro que, apenas, teria pecado... com a respectiva absolvição.
E auto-excomungaram-se, todos esses depois excomungados "de direito", por terem impedido uma criança de nove anos de se juntar à "comunhão dos anjos". Invocando o nome do seu deus e a defesa da Vida, há quem defenda a morte e a "comunhão dos anjos".

quarta-feira, março 11, 2009

Certificando(-me)

Glosando um a "cem por cento" de Nicolau Santos, saíu-me esta reflexão. No meu despacho está Publique-se. Pois publique-se:
Certificados de aforro são… certificados que o Estado, pelo Governo, passa a aforradores para… certificar que estes têm disponibilidades que pretendem aforrar. Mais claro que isto não se pode ser!
Suponhamos uma senhora a quem os pais deixaram, em tempos, umas pequenas propriedades que ela alienou por não ter capital para investir em imobiliário e por haver quem, tendo-o, adquiriu as pequenas propriedades por estarem em área urbanizável.
Dessa operação financeira, em que uma vende terreno e outro compra solo para construir, vencidas todas as complicações burocráticas e cadastrais que complicam tudo o que é pequeno ou de pequena monta, resultou que a senhora ficou com um cheque, convertível em notas ainda de contos de reis.
Depois de resolver uns problemazitos e de fazer umas bondades e benfeitorias, a senhora ficou com umas notas de sobra. Demasiadas para serem metidas em pé-de-meia, ou para depositar no banco, à ordem ou até mesmo a prazo. Vai daí, aconselhou-se e dos conselhos concluiu que, uma vez que não pretendia fazer aplicações seguras (quais?) ou, eventualmente, especular, o melhor seria comprar… certificados de aforro. O dinheirinho ficava em segurança, à guarda do Estado, rendia uns jurozitos, pequenos mas certos, e ela ficava tranquila.
Entretanto, nesta financeirização que se caotiza, isto é, que se vai tornando num caos, tudo se baralhou.
Para essa baralhação, antecâmara do caos, o(s) Governo(s) deu (deram) um contributo inestimável. Ao serviço dos interesses de que está(ão), não distingue(m) bancos de depósito e bancos de aplicações de fortunas, põe(m) a especular fundos de pensões e outras liquidezes que haveria que assegurar que não corriam riscos, trata(m) do mesmo modo o que é poupança e o que é especulação e “economia de casino”.
Os certificados de aforro perdem especificidade e serão, até, confundidos com concorrência daquilo de que estão mais próximos, os depósitos a prazo e “produtos” dos bancos privados, os “seguros”, de saúde, de reforma e outros, em companhias privadas.
Nessa deriva, vá de alterar condições de subscrição e de remuneração (também para anteriores subscrições, isto é, com efeitos retroactivos) em desfavor de quem entra ou tivesse “entrado em jogo” com a presunção do conhecimento e do cumprimento das regras deste, que, entretanto, o Governo alterou unilateralmente.
Perdem os aforradores, que apenas queriam – e querem – segurança para as suas poupanças, e perde o Estado, que vê fugirem-lhe “massas” que são consideráveis e que muita falta lhe podem fazer.
De toda esta falta de ética – há ética nestas coisas da economia… até há um texto muito interessante de K. Marx sobre a economia política e a sua moral – junta-se a incapacidade deste Governo de, tendo tido de rever as suas decisões, embora tarde e más horas, também não reconhecer que teria errado. E, se calhar, nem errou. Fez o que queria fazer, na intenção de ser o protagonista de “menos Estado”, também no aforro e seus certificados, mas “a crise” (ah!, a crise!) obrigou-o a corrigir o tiro embora os alvejados sejam sempre os mesmos. Entre outros, os pequenos aforradores.

terça-feira, março 10, 2009

Noticiário...

... bolsado em "bolsês":

"As bolsas internacionais abriram em ligeira alta, em contra-ciclo com a Bolsa de Lisboa cuja praça abriu no vermelho..."

Ora toma!

segunda-feira, março 09, 2009

A formiga no carreiro...

todas as horas são de lutarmos juntos... mas umas são mais (+) que outras!
Mudem de rumo!

domingo, março 08, 2009

8 de Março - Dia Internacional da Mulher

Todos os anos, no dia 8 de Março, se comemora o Dia Internacional da Mulher. Aqui também. Na "blogosfera". Nestes "blogs" que vou animando. Ao mesmo tempo que a comemoração alastra a camadas cada vez mais largas da população, tem havido um esvaziamento deliberado do sentido profundo da efeméride, uma "folclorização", faz-se do 8 de Março um dia em que, por exemplo, os restaurantes se enchem de mulheres a confraternizar (o que é excelente), sozinhas (o que é mau, acho eu...), numa "libertação" por se imitar o que tantos homens fazem todos os dias (o que, a meu ver, é péssimo). Quase todas (e todos) ignorando o porquê do 8 de Março.
E... porquê se comemora o Dia Internacional da Mulher, e a 8 de Março? Um pequeno panfleto do Movimento Democrático de Mulheres diz-nos porquê:


«Em 1910 e por proposta de Clara Zetkin, foi aprovado um dia de luta internacional da mulher, em homenagem à dura luta travada em 1857 (curiosamente, ano do nascimento de Clara Zetkin) pelas operárias de uma fábrica têxtil em Nova York (por horários de trabalho e salários iguais aos dos homens). Todos os anos, saem para a rua milhares de mulheres, em todo o mundo, unidas na defesa das suas causas emancipadoras.
Em Portugal o MDM assinalou o 8 de Março, pela primeira vez, há 40 anos. Hoje, continua a haver razões para comemorar esta data. Subsistem discriminações, desigualdades, novas formas de obscurantismos que recaem sobre as mulheres e que é necessário denunciar e combater.»

Também assinalo esta data em som-da-tinta.blogspot.com e em docordel.blogspot.com.

sábado, março 07, 2009

Regresso...

Três dias ( e meio) fora de casa. Afastado desta secretária. Com o computador a tiracolo mas sem tempo para o abrir. Tinha mensagens programadas mas deixara para o dia de ontem, 6 de Março, referências directas, "do dia". Ao dia. De aniversário(s). Do PCP, 88 anos. Do meu filho mais novo, 39 anos. Afinal...
O tempo escorreu. E quando tive a possibilidade de me sentar (noutra secretária) e fixar a(s) lembrança(s) de todo o dia... já era hoje, 7 de Março. E só agora aqui estou, depois de ter aniversariado com o Gonçalo, na véspera, com o "meu partido" no almoço na Soeiro e, depois, toda a tarde em tarefa na "Festa", na Atalaia, com a célula dos camaradas que a cuidam e constroem e, no meio da tarde, num lanche em que disse umas coisas...
Adiante. Ao fim desta viagem fora de casa, aqui volto. Ainda estou cheio de pelo menos três fatias do bolos decorados com foice e martelo, e com o "remorso" de tanto ter desafinado em três coros do "parabéns a você" com música (?) da Internacional.
Estamos vivos e aqui para as curvas. Para a luta!

E olho para trás de mim. E fotografo. E reproduzo:

Tentaram
separar-me do meu Partido

Não conseguiram!

Não fiquei esmagado
sob os ídolos caídos

Nãzim Hikmet
(autobiografia)

domingo, março 01, 2009

A quem possa servir de primeira apresentação

O Professor Doutor Vital Moreira?
Há quem não o conheça. Claro que sobretudo entre os jovens. Eu estou como o Guerra Junqueiro:
O melro, eu conheci-o:/Era negro, vibrante, luzidio,/Madrugador, jovial (...)
E, como primeira apresentação (porque dele mais e demais se falará), reproduzo uma resposta que dei a um comentário no "post" abaixo:
«Dizes que não conheces Vital Moreira? Posso dar-te umas explicações por fora... se tiveres interesse. Não pelo personagem, mas pelo que ele reflecte e representa. Só te digo que, no final dos anos 80, havia quem apostasse nele para vir a substituir Álvaro Cunhal como secretário geral do PCP. Gente tonta e/ou quem, na altura, tudo fazia (mas tudo!) para que o PCP se "modernizasse", fosse outro, isto é, um PCP nem P nem C nem P.»