segunda-feira, setembro 13, 2010

A CRISE DO CAPITALISMO NA EUROPA E NA UNIÃO EUROPEIA (Festa do Avante! 2010) - 4

(continuação)


A institucionalização federalizante da integração europeia

Para além da criação do BCE, outros passos foram dados no sentido da supra-nacionalização, com expressão num directório político ao serviço das transnacionais financeiras. Definiram-se estratégias, e a mais referida foi chamada de Lisboa, com importância na mercadorização da força de trabalho e na precariedade em nome do combate ao desemprego que teria de crescer por menosprezo da actividade produtiva e dos mercados internos. Foi o tempo da empregabilidade, da mobilidade e da criação do próprio emprego, periodicamente com designações renovadas, como se fossem coisas novas, como a de empreendedorismo.

A “constitucionalização”

Ainda nesta vertente institucional, há que sublinhar a tentativa de “constitucionalizar” os tratados, depois de se terem colocado estes acima das constituições nacionais onde estas instituíssem direitos sociais e avançassem com princípios democráticos.
Da incumbência de harmonizar tratados saltou-se para uma proposta de “Constituição Europeia” consagradora do livre mercado como ideologia única, federalista, armamentista e, da rejeição desta pelos povos que tiveram o direito de a referendar, saiu-se com o artifício de um Tratado, a que Lisboa de novo deu o nome, com o cuidado de não se correr o risco anterior resultante do uso do direito referendário pelos povos, risco não de todo anulado e que, por isso, obrigou a outros artifícios e a repetição de votações.
Só batotas contra os trabalhadores e os povos!

Encruzilhada – O que vai acontecer?

Nesta explosão da crise capitalista, o que se pode acrescentar é que a integração europeia está numa encruzilhada, como o está o capitalismo de que é parte, no actual estádio da luta de classes. Os caminhos a percorrer não são claros e as contradições são evidentes.
O confronto €uro-dólar, as dicotomias crescimento-estabilidade e inflação-deflação, os conflitos de influência regionais, as intervenções militares partilhadas, com o Atlântico-Norte (a NATO) a chegar ao Afeganistão e a definir estratégias em Lisboa (sempre Lisboa!…), coexistem dificilmente com avanços de natureza social nalgumas zonas do planeta e com quebras de hegemonia imperialista, com crescente e não escamoteável anti-capitalismo, ou buscas não-capitalistas.
(continua... para acabar)

domingo, setembro 12, 2010

Poemas cucos* (e outras coisas cucas) - 21 (Eugénio de Andrade)

Não há poeta que escreva sem palavras - a não ser alguns músicos… - e quase todos escreveram e escrevem sobre as palavras. O cuco-que-eu-sou de vez em quando tropeça nas palavras em poemas. A desafiá-lo para cucar. Tem hesitado.
Mas agora – agorinha mesmo – decidiu-se. Há um poeta que fez um poema sobre as palavras que é incucável. Porque é… perfeito!, e no que é perfeito não se toca, nem com uma palavra a mais, ou a menos, ou outra.
Ele, esse poema de Eugénio de Andrade, aí vai.

Eugénio de Andrade

AS PALAVRAS

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Mas depois, e porque é incorrigível, o cuco-que-sou-eu resolveu também publicar uma coiseca que escreveu, numa hora em que lhe deu para isso, sobre as palavras. No entanto, não teve o atrevimento de colocar entre essas palavras que aí ficam. Talvez amanhã…

Reflexões curtas – iconoclasTias

Deus existe…
Para quem dele precisa, ele existe (Brecht diz isto muito bem dito… ou maldito).
E, para isso, quem d’Ele necessita, cria-O (as maiúsculas são deles!) para satisfazer essa sua necessidade.
Eu, humano, não me coloco à margem, marginal que não sou. Às vezes, parece que preciso de algo assim parecido com o que essoutros inventam como seu deus. Mas, eu descubro-o (esse algo com letra minúscula por minha conta, e sem pingo de esoterismo ou de metafísica) dentro de mim, nas minhas entranhas, de intestinos e circunstâncias.
Meu não é o reino dos céus - esse seu/deles - mas é a república e a democracia (ou a luta pelo “reino da liberdade”) enquanto vivo e para os que vivam depois de mim.
.
Oh!, ateu! Oh!, hereje! Oh!, iconoclasta! Oh!, iconoclasTia!

ESTAMO(s) nesta...

O Estado em que estamos vai arrecadar mais de 100 milhões de euros de receita, proveniente da receita de venda de património a uma empresa criada pelo governo, a Estamo. Esta empresa já teria "comprado", desde 2006, mil milhões de património nosso porque do Estado.
O governo contabiliza estas receitas, vangloria-se da diminuição do seu défice, a Estamo vende, ou vendeu, ou venderá, uma parte desse património a um preço de saldo.
Assim, diminui o défice, como exige a Comissão da UE, ou quem nesta manda, a Estamo sobe o seu défice de empresa pública, quem compra, ou comprou, ou vai aumentar o seu património e o Estado - nós - diminuiu o seu/nosso património.
Só "engenharia", só batota.

Não queria mesmo falar disto...

... mas não resisto!
.
Começa-se por afirmar que se confia na justiça!
A polícia investiga, o ministério público acusa, os juízes julgam.
Há falhas e erros na investigação? Há!
Há falhas e erros na acusação? Há!
Há falhas e erros no julgamento? Há!
Demorou demasiado tempo o processo, até porque terá havido quem tivesse querido (e para isso tivesse meios...) que demasiado tempo demorasse? Demorou!
Mas o processo correu todo (falta o resto...). E duas coisas são certas:
  • houve vítimas!;
  • houve condenados!

As vítimas congratularam-se (ou seria melhor dizer: viram o seu grande e multiplicado sofrimento atenuado) por se lhe ter feito a justiça de conceder credibilidade. Não podem (?!) é ser os condenados a pôr em causa a justiça do processo que os condenou. Teremos de acabar confiando nos condenados pela justiça em que diziam/dizíamos confiar? É isso que quer quem tem meios e poder para querer?

Há mais justiça a fazer? Faça-se!

sábado, setembro 11, 2010

Poemas cucos* (e outras coisas cucas) - 20 (António Jacinto e Manuel da Fonseca)

Para hoje - e porque amanhã é domingo - vou "cucar" dois para acabar esta 2ª série. E que dois!Um, lá do Sul, do nosso Alentejo, e o outro ainda mais do Sul, de Angola. E vou buscá-los (e às palavras que lhes juntei) às memórias que minhas são.
.
À maneira de
António Jacinto (para começar…)
e de Manuel da Fonseca (para acabar…)
.

Os grandes desafios

Naquele tempo,
a malta vinha do liceu,
punha os livros no chão,
a fazerem de balizas,
os que usavam calças compridas arregaçavam-nas,
os que usavam ainda calções não precisavam…
e no pátio das traseiras da mercearia do pai do Alfeu
(ó Alfeu abre o cu que lá vou eu!
como a malta toda ria… )
a malta fazía grandes desafios!

Naquele tempo,
os que vinhamos a férias (e grandes eram as férias…)
juntávamo-nos no largo da igreja
com os que cá viviam
e pequenas ou nenhumas férias tinham
(ah!, os óculos escuros do Orlando...),
e íamos jogar bilhar p’ró Central
ou escapávamo-nos para a largueza em frente dos Correios
(ih!, tão larga nos parecia ir ser a avenida e tão estreita é...),
ou para a Feira do Mês,
em frente da cadeia e do César-pele-e-osso dos pássaros,
e que grandes desafios fazíamos
(alguns de nós de pé descalço)

Naquele tempo,
já mais crescidotes mas ainda miúdos,
atreviamo-nos a entrar na divisão das equipas,
escolhidas pé-pisa-pé e os últimos iam para as balizas,
ali à Praça da Sardinha,
e a bola corria de uns para outros,
entre os mais graúdos,
e os pequenotes nem a cheiravam.
Um dia, pois… um dia,
estava eu estrategicamente à defesa - para me defender... -
e vem de lá o Prostes pum, catapum,
trazia tudo a eito,
e eu, atento, à espera dele, a modos de ferrolho,
quase mesmo na baliza,
que eram dois pedregulhos no chão,
e o Prostes por ali acima que p’ra baixo mija a burra,
e viu o puto, em frente dele, cheio de coragem e de medo,
e amandou cá um chuto…
eu levantei a perna com o pé ao fundo,
e foi logo ali, no pé ao fundo da perna,
que a bola acertou em cheio,
rodopiei, uma… talvez duas vezes, antes de me espalhar,
ao comprido - teria aí metro e meio! -... mas não foi golo!,
e o puto que eu era foi muito cumprimentado.
Até pelo Prostes…

Naquele tempo,
naquele tempo havia um campo em S. Sebastião,
num terreno do Silva, pai do Manel Alho,
para o filho jogar à bola com os amigos,
e eram o Xico Marques, o Zéquita, o Jacinto,
o Roque, o Zé Fonseca,
e o Manel, claro, que jogava à baliza...
e porque era o dono do campo.
Ah, que jogatanas que eu vi e queria imitar,
com os meus pezinhos citadinos a fintar toda a malta
no terreiro em frente do Xico Santo Amaro (pai)
com bola de meia ou bexiga de porco.

Depois, depois o Alho foi p’ró Brasil, outros para Angola,
e o sr. Silva mandou lavrar o campo
qu’inda dava uns alqueires.
Mas o que estavam na calha não se calaram:
carta p’ró Brasil (p’ra Londrina), carta do Brasil p’ra cá
- p’ró sr. Silva e a modos que ralhando… -
e voltámos a ter campo em S. Sebastião.

Como eu me lembro de ter ido buscar as balizas
à serração do Vieira em Pinhel!,
e de andar a tirar as pedras maiores
que tinham resistido ao tractor da Senhora Câmara.
antes da re-inauguração contra o Seiça.
Que grande desafio,
ó Amílcar, ó Manel Dias, ó Barreira, ó Félix!
Que grande desafio! (ganhámos, sim senhor…)

Depois, depois foram anos e anos,
naquele tempo
de passar os domingos aos chutos,
em sessões contínuas.
Saltava uma bola, trazida de Lisboa,
e era ver a malta que descia a encosta da Atouguia,
(e se era bonito de ver!,
com os olhos com que hoje vejo o ontem)
Foi também o tempo do Xico Santo Amaro filho,
e de jogar com filhos (e netos!)
dos primeiros com quem joguei.

Grandes desafios!

Naquele tempo,
ainda naquele tempo,
trouxe gente e equipas a cá jogar,
a S. Sebastião e ao Lagarinho, lá em baixo,
antes da Caridade que inaugurámos
com jogadores de grande nomeada,
o senhor Vasques, o senhor Rogério
e mais outros que tais. Internacionais!

E agora?
Agora é a estrada da Alvega onde era o campo de S. Sebastião,
na Caridade jogam os outros e nós só raro os vemos,
agora, temos idade, saudades e algumas (muitas) mazelas.

Meus companheiros de bola de trapo e pé descalço
como o tempo passou!
Cabeças brancas ou sem cabelos, barrigas redondas;
escrevendo no Deve e Haver da vida,
somando somando,
somando anos e anos

Na vila quieta,
sem vida
sem nada
- onde estão os domingos amarelos verdes azuis encarnados
vibrantes tangidos bandolins fitas violas gritos
da heróica marcha de Almadanim?! -
Ó meus amigos desgraçados,
se a vida é curta e a morte infinita,
despertemos e vamos
Eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico
como era a Prostes pum-catapum, e os Águias e as balizas às costas,
e o basquete dos Bombeiros e o hóquei do Atlético,
e a Banda que foi a Vigo, e a excursão que veio de Lisboa.

Ah!, meus companheiros de bola de trapo e pé descalço
como o tempo passou...
Cabelos brancos, ou onde é que eles vão,
redondas barrigas, andar arrastado.
no livro dos assentos da vida,
somando somando,
somando anos e anos,
lembrando casos de ontem,
esquecendo coisas de hoje
Na vila quieta,
sem vida
sem nada
- onde estão os dias amarelos verdes azuis encarnados?,
onde está aquela alegria antiga, os berros de golo?,
os gritos de toma lá que já almoçaste/merda que me aleijaste?
Ó meus amigos desgraçados,
se a vida é curta e a morte infinita,
despertemos e vamos
Eia!
Vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico
como era jogar com bola de trapo e pé descalço.
como era a Tuna do Zé Jacinto
tocando a marcha Almadanim!

11 de Setembro

Hoje, 11 de Setembro, recebi, de um amigo, um mail que me trouxe a esta mensagem. Obrigado!

Um silêncio ensurdecedor



Como pode a comunicação social fazer ouvir a voz de um comunista que se candidata a Presidente da República, quando tem tanto para dizer sobre Carlos Queiroz?


Como pode a comunicação social dar relevo e espaço a uma iniciativa que encheu (literalmente!) a sala maior do Altis (e os corredores, e as escadas, e o átrio) quando lhe falta espaço para tratar dos tropeços do Benfica?


Como pode a comunicação social perder tempo com uma candidatura que é diferente, que diz o que quer e porque quer, sem quaisquer ambiguidades, quando não tem um minuto que lhe sobre da mediatização de um condenado por uma justiça que, evidentemente, se afirma respeitar acima (ou abaixo?!) de tudo?


Como pode a comunicação social referir - outra vez?... - que há um candidato a Presidente da República quando já tantos candidatos tem "em carteira" ou "na calha", sendo este, ainda por cima, um electricista que é comunista e apenas tem atrás de si um colectivo que só incomoda a paz podre em que se quer que (sobre)vivam as massas?


Como pode a comunicação social servir de veículo para uma candidatura que se afirma patriótica e de esquerda, e que prova que o é, quando já tem uma que é "a da esquerda", outra que é assim-assim, outra que já aí vem, mais uma que apareceu por iniciativa privada, e todas elas cheias do patriotismo de alguns, daquele patriotismo que enche os bolsos dos "patriotas"?


Como pode a comunicação social dar a conhecer um desconhecido que ela assim etiqueta e tudo faz para que continue desconhecido (da comunicação social que dá a conhecer)?


Aliás, esta será batalha perdida pela comunicação social, pois o Francisco avança cheio de confiança e bem conhecido, (sobretudo pelos que já o conhecem...) e até porque não tem nada a esconder!

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É preciso compreender as coisas! E as coisas são a luta de classes, e a sua expressão ideológica!

Campanha em defesa da PAZ e contra a cimeira da NATO em Portugal

Esta é a capa de um folheto desdobrável, em distribuição.

Vale a pena lê-lo todo.
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Sublinho esta "caixa" no interior

Explicito:

«Não à militarização da União Europeia

Na base da designada "cooperação atlântica", a NATO tem fomentado a crescente militarização da Europa. A Alemanha reforçou a sua capacidade ofensiva e passou a paricipar em guerras. Doze países do Leste europeu foram integrados na NATO e armados por ela. A França reintegrou a estrutura militar da NATO. O Tratado de Lisboa veio acentuar o empenhamento dos países da UE nas estruturas políticas e militares da NATO. A Unão Europeia tornou-se o pilar europeu da NATO.»

[na foto, à direita, a falar em nome da EUFOR de que é "o chefe", está o sr. Solanas, figura que me merece "particular simpatia" - membro desde a juventude do Partido Socialista de Espanha (Juventudes e PSOE) -, foi activíssimo na luta contra a entrada da Espanha na NATO, ao centro, o representante da NATO, à esquerda, sentado e meio escondido, um militar fardado... com o dedo no gatilho]

sexta-feira, setembro 10, 2010

Poemas cucos* (e outras coisas cucas) - 19 (Brecht)

Para hoje, apeteceu-me "cucar" Brecht. Como tantas vezes, mas para hoje, como é num regresso ao fim do dia, com este...





"À maneira de"
Bertold Brecht

Há homens que um dia passaram por Ourém, são os turistas;
Há outros que viveram em Ourém uns tempos
- ou a vida toda tivesse sido… -
como se fosse algures, são os passantes;
Há aqueles que nasceram em Ourém, são os nativos;
Há, destes, os que ficaram por Ourém,
- como teriam ficado noutra terra qualquer -,
são os de "origem controlada" (palhetes);
Há, ainda destes,
os muitos que, de Ourém, partiram para Franças e Araganças,
são os nossos emigrantes;
Houve um senhor que não gostava mesmo nada
(para não dizer mais!) de Ourém e dos oureenses,
foi Presidente da Câmara de Ourém;
Há agora outros que trazem Ourém no discurso demagógico
e – talvez… – nas intenções,
são os que tomaram de assalto (eleitoral) o poder em Ourém.
Há aqueloutros que parece terem raízes nas terras de Ourém,
e aqui escolheram viver, são os oureenses!
(são muitos e de várias espécies...)

«...transformar desânimos e resignações em esperança combativa...»

Da declaração de Francisco Lopes.
Que pode ler integralmente AQUI.

Album - 13

Desta vez sozinho. O sol batia de chapa, melhor: de chapão, eram as 6 da tarde (eran las 6 de la tarde... e fui "colhido" pelo sol!) no espaço internacional da Festa do avante!, tornando a tarefa mais difícil (não havia água que chegasse...).
A camarada que fez a foto (obrigado, sempre, Guida) conseguiu este resultado. Que me suscitou uma legenda:
O "vizinho da Virgem"
nunca à espera de um milagre
sempre à procura-de

Hoje, às 17:30, no Hotel Altis

Realiza-se hoje, dia 10 de Setembro, às 17:30, no Hotel Altis, em Lisboa, a apresentação da Declaração de Candidatura de Francisco Lopes às Eleições Presidenciais 2011.


Do convite para a apresentação:
Uma candidatura vinculada aos valores de Abril, patriótica e de esquerda, portadora das aspirações dos trabalhadores, da juventude e do povo a uma vida melhor, aberta à participação de todos os democratas, que inscreve nos seus objectivos a ruptura com a política de direita e a afirmação de um outro rumo que assegure a construção de um Portugal de progresso, desenvolvido e soberano.

A CRISE DO CAPITALISMO NA EUROPA E NA UNIÃO EUROPEIA (Festa do Avante! 2010) - 3

A divisão “europeia” do trabalho no quadro do imperialismo (“globalização”)

Numa esboçada divisão internacional do trabalho (DIT), referida a uma denominada “globalização” que outra coisa não é que o capitalismo na sua fase do imperialismo, adaptando-se, sobrevivendo, à evolução das forças produtivas, e condicionado pelo estádio da luta de classes. Nessa DIT, instável, hesitante, plena de contradições e de tensões inter-imperialistas ultrapassadas pelos arranjos intra-classistas, tem particular importância a livre circulação de capitais pelas criadas “auto-estradas da comunicação” associando telefone, televisão e informática. Que é recentíssima, dos anos 90, de ontem!
A adaptação, neo e ultra-liberal, promovendo a financeirização da economia, tal como o crime não compensa, e agrava as consequências da confirmação das leis fulcrais do marxismo relativas à economia, a da composição orgânica do capital e a da baixa tendencial da taxa de lucro.


O funcionamento do capitalismo

Ao mesmo tempo, criaram-se reservas de produção nos países mais desenvolvidos, ganhou foros de prática corrente a “deslocalização” e a ofensiva contra a economia produtiva nos países menos desenvolvidos entre os desenvolvidos, com desaproveitamento dos seus recursos.
Na divisão “europeia” do trabalho, potenciada pelas negociações em que houve demissão da defesa da soberania nacional. Por exemplo, Portugal viu o seu mar ignorado como “vantagem comparativa”, as suas capacidades de produção agrícola como concorrência a abater, o seu aparelho industrial desvalorizado e desmantelado.
A PAC reformou-se mas para financiar pousios, usaram-se fundos para abate de frota e diminuição da capacidade pesqueira para benefício de outros a quem se abriram os mares que nossos eram, acabou a indústria conserveira, desmantelou-se a siderurgia e os estaleiros, ignoraram-se problemas na indústria têxtil e na dos móveis.
Portugal passou a ser um país de circulação de “deslocalizações”, de serviços bancários, de uma economia não-produtiva e a fazer parte de uma “periferia europeia”, subdesenvolvida nos desenvolvidos ou em vias de subdesenvolvimento. Enquanto os recursos continuam a existir e é crescente o seu desemprego, dos recursos naturais, dos adquiridos e, mormente, da força de trabalho.

quinta-feira, setembro 09, 2010

Poemas cucos* (e outras coisas cucas) - 18 (Justine)

Poemas... e outras coisas cucas que poemas poderiam ter sido.
Ou que o foram no conjunto com a fotografia do Mounti e a música do Coltrane.



À maneira de
Justine

O nosso gato costuma chegar a casa já altas as horas.
A cheirar a mato e a noite.

Às vezes,
com o carinho e o prazer de presentear,
traz-nos um ratito ou um pássaro,
frutos do instinto e da caça nocturna
(até já aconteceu ter-nos oferecido um pobre coelhinho
que, vá lá, sobreviveu...).


Hoje,
talvez por estar apagada a lua,
trouxe-nos, pousado no dorso, um pirilampo.
Dos que ainda há nos nossos campos, campos, campos.
Iluminou-nos a madrugada de sorrisos e de ternura!

Album -12

Talvez a fotografia da minha vida. Pelo menos, uma das. Ao lado daquela, que todos temos..., em que estou nuínho em cima de uma almofada, a primeira, e de outras que terão fixado momentos relevantes da minha já tão longa vida.
Esta, no palco 25 de Abril na Festa 2010, no meio do colectivo que é o Comité Central, a ouvir o camarada secretário-geral e a ver o que só dali e àquela hora se pode (vi)ver, é o retrato do que eu gostaria de ser. E sou!
(muito obrigado, Guida,
pela foto e pela tua amizade)

Tentando entender e para que não se façam "inocentes" confusões

Mensagem dedicada a quem perdeu o hábito (e tantos somos... e não por nossa culpa) de ouvir "falar verdade", de ouvir os "políticos" dizerem o que pensam e sentem, estejamos ou não de acordo com tudo (porque nunca se está!):

.
El País: «Castro, de 84 años, fue entrevistado la semana pasada en La Habana por el periodista Jeffrey Goldberg, junto a la experta norteamericana en relaciones exteriores Julia Sweig. Fueron más de diez horas de conversaciones y encuentros durante varios días. En ese tiempo hablaron de los temas últimamente preferidos por el líder comunista, especialmente el conflicto arabe-israelí y la posibilidad del estallido de una guerra nuclear si continúan las tensiones con Irán.

1. «En un momento de la conversación, los norteamericanos preguntaron a Castro sobre la vigencia del modelo cubano y su posible validez en otros países. Castro, cada vez más por encima del bien y del mal, contestó que tal cosa no era pertinente y añadió: "El modelo cubano ya no funciona ni siquiera para nosotros". Lo escribió el propio Goldberg en la revista The Atlantic, y tanta fue su sorpresa que incluso le preguntó a Sweig - una reputada experta en asuntos cubanos- cuál era su interpretación a las palabras del ex presidente cubano, que continúa siendo primer secretario del Partido Comunista de Cuba.

«Según Sweig, Castro "no estaba rechazando las ideas de la revolución" sino que se trataba de "un reconocimiento de que bajo el modelo cubano el Estado tiene un papel demasiado grande en la vida económica del país". La analista interpretó que con sus declaraciones Castro buscaba "crear un espacio" para que su hermano, el presidente Raúl Castro, pudiera poner en marcha "reformas necesarias, frente a lo que seguramente encontrará resistencias de los comunistas ortodoxos dentro del partido y la burocracia".

2. «En la primera entrevista concedida a un medio extranjero (el mexicano La Jornada) desde su reaparición pública, el ex presidente cubano, Fidel Castro, asume la persecución contra los homosexuales de hace medio siglo. Aquellas políticas fueron la causa de que centenares de homosexuales fueran enviados a las Unidades Militares de Ayuda a la Producción (campos de trabajo forzado) bajo la acusación de ser contrarrevolucionarios. Otros acabaron en el exilio. "Sí, fueron momentos de una gran injusticia, ¡una gran injusticia!, la haya hecho quien sea. Si la hicimos nosotros, nosotros... Estoy tratando de delimitar mi responsabilidad en todo eso porque, desde luego, personalmente, yo no tengo ese tipo de prejuicios", afirma.

«Nuestra sociedad no puede dar cabida a esa degeneración", afirmó Fidel en 1963. Más adelante asume que él fue el responsable de esa "injusticia". "Si alguien es responsable, soy yo", dice. Aunque se justifica: "En esos momentos no me podía ocupar de ese asunto. Nosotros no lo supimos valorar... Teníamos tantos problemas de vida o muerte que no le prestamos atención... Piensa cómo eran nuestros días en aquellos primeros meses de la Revolución: la guerra con los yanquis, el asunto de las armas, los planes de atentados contra mi persona..."
__________________
Um brevíssimo comentário:
No ingente aproveitamento especulativo desta entrevista, não se toca no que nela é essencial: a preocupação de Fidel, expressa em tantos recentes artigos relativamente aos perigos que a Humanidade atravessa, com a situação de guerra e Paz, no Médio Oriente, com as ameaças ao Irão, e tudo o resto.
Também a necessidade - e esta é por minha conta e risco - de saber o que quer dizer "modelo", "modelo cubano de Estado" e, mais ainda, exportável! As palavras têm um significado. E Fidel nem por um momento põe em causa a revolução e o socialismo, quando até teria, como cubano, razões para se queixar de como algum "socialismo real" (se isto é ou foi alguma coisa...) teve, em certos momentos históricos, grande influência negativa no caminho feito pelo povo cubano, por erros, fragilidades, traições.

Há quem não saiba ler, e há quem não queira que os outros saibam ler...

A CRISE DO CAPITALISMO NA EUROPA E NA UNIÃO EUROPEIA (Festa do Avante! 2010) - 2

(continuação)


O €uro e o Banco Central Europeu

O facto mais relevante terá sido o da criação da moeda única e do Banco Central Europeu (BCE).
A “construção” do €uro, que poderia (em teoria...) até ser apenas a de instrumento útil, teve acelerada concretização, em condições técnicas pouco “convenientes” tendo em conta a ortodoxia financeira. E foi, também, a evidência da financeirização da economia.
Sem uma zona monetária comum, não tendo sido feita a transição a partir de uma existente unidade de conta (o écu), foi através de critérios nominativos (défice, dívida, inflação) que se impôs uma “ordem nova” financeira a que todos os países deveriam obedecer, ou para entrarem na “comunidade”, ou, ficando de fora, pelo cumprimento de regras inscritas num Plano de Estabilidade e Crescimento (PEC), todo voltado para a estabilidade e de costas para o crescimento.
Por outro lado, a fixação das paridades a valer para a passagem à moeda única, foi feita com claro desfavor para casos como Portugal, cuja moeda – o escudo – foi claramente sobrevalorizado, prejudicando as actividades exportadoras e de turismo.
A institucionalização do BCE, nos moldes em que foi, como entidade à margem de qualquer controlo político (por pouco democrático que este seja), foi o passo mais relevante na federalização do processo de integração, e pela via do “federalismo financeiro”, com sede em Frankfurt.

O abandono do objectivo da coesão económica e social e a questão orçamental

Em contrapartida, no que respeita à coesão económica e social, inscrita no “Acto Único” como tímido antídoto (aspirina…) para as consequências inevitáveis da dinâmica do mercado interno-União Económica e Monetária, no que respeita às assimetrias regionais e desigualdades sociais, ela começou por ser preterida e praticamente abandonada pois o orçamento comunitário não acompanhou a aceleração de natureza financeira do processo de integração, e o alargamento que estendeu a periferia para leste.
Pelo contrário, reconhecida a insuficiência orçamental para poder sustentar transferências entre os Estados-membros compensando os mais atrasados em crescimento económico das consequências assimetrizantes e desigualizadoras das opções prioritárias, essa insuficiência viu-se acrescida pelos novos alargamentos, e o “orçamento comunitário” foi sendo reduzido e, em vez de se aproximar dos (e ultrapassar os) 2% do “produto comunitário” – ainda assim insuficiente e só sinal –, foi recuando para menos de 1%, ilustrando uma federalização política cada vez mais dessolidária economicamente.


(continua)

quarta-feira, setembro 08, 2010

Poemas cucos* (e outras coisas cucas) - 17 (Miguel Torga)

O cuco voltou.
E com um poeta de que gosta muito e um poema de que muito gosta (gostava!?).
Com Miguel Torga e, de Os Caminhos do Homem, de Dies Irae.
Porquê a dúvida gosta/gostava (atenção: só em relação ao poema "cucado")?
Porque, ao "traduzi-lo", ao "cucá-lo", o cuco tem a ideia de que virou o poema do avesso.


À maneira de
Miguel Torga
Os Dias da Ira
ou
As angústias paradas


Não apetece cantar e ninguém canta;
só apetece chorar e tanta gente chora.
O desemprego aponta
o dedo do medo sobre a nossa hora.

Apetece gritar e alguém grita;
apetece emigrar, e tanta gente foge.
Há uma política que imita
o futuro ao que é o dia de hoje.

Apetece morrer e alguém morre.
apetece matar e há gente que mata.
O fantasma da dívida percorre
os motins onde a raiva se arrebata.

Oh! maldição do tempo em que vivemos,
sepultura de grades que enferrujam.
Como nos enganam com a vida que não temos!,
e a ira calada dos que não lutam!

Candidatura à Presidência da República

Francisco Lopes,
com toda a confiança!

Apresentação da
Declaração de Candidatura
10 de Setembro, 17:30
Hotel Altis, Lisboa

Isto não pode estar a acontecer! "Sindicatos preocupados e pais ansiosos"...

notícia na sapo.pt:



Educação

Milhares de professores por colocar marcam início do ano lectivo (DE)
.
Sindicatos estão preocupados com precariedade e pais ansiosos com apoio social. Há alunos sem vagas e transporte escolar por assegurar.
___________
E tem responsáveis!

A CRISE DO CAPITALISMO NA EUROPA E NA UNIÃO EUROPEIA (Festa do Avante! 2010) - 1

Durante 5 dias, irei aqui publicar o texto da intervenção inicial que fiz no debate A CRISE DO CAPITALISMO NA EUROPA E NA UNIÃO EUROPEIA, realizado na Festa do Avante! de 2010, no Espaço Internacional. Nele participaram os camaradas Ângelo Alves, que dirigiu, João Ferreira, Graciete Cruz e eu próprio, e dois convidados em representação dos partidos comunistas de Espanha e da Grécia.
A publicação será repartida por 5 “posts”, com o seguinte calendário:
4ª feiraIntrodução, O quadro internacional, O Acto Único, o Tratado de Maastrich e o que se seguiu
5ª feiraO Euro e o Banco Central Europeu, O abandono da coesão económica e social e a questão orçamental
6ª feira - A divisão “europeia” do trabalho no quadro do imperialismo (“globalização”), O funcionamento do capitalismo
2ª feira - A institucionalização federalizante da integração europeia, A “constitucionalização, Encruzilhada – o que vai acontecer?
3ª feiraComo se sairá daqui?, E que posição (de classe) tomar?
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A CRISE DO CAPITALISMO NA EUROPA E NA UNIÃO EUROPEIA

Começo por sublinhar – e saudar – a distinção, no título do debate, entre Europa e União Europeia.
A Europa é uma realidade multímoda, geográfica, mosaico cultural, económico, político, cujas peças componentes são as macro-estruturas Estados-nações, nesta Europa em que estes nasceram como fórmula de organização social, dos homens em sociedade.
A União Europeia é, e não deixaria de o ser mesmo que abrangesse todos os Estados que compõem o puzzle Europa, um agrupamento de Estados. Não é, nem nunca será, a Europa. E é, na luta de classes, uma resposta de classe.

O quadro internacional

A “entrada” de Portugal (e da Espanha, e pouco antes da Grécia) representou um facto na relação de forças sociais, no meio de muitos outros, e no sentido do reforço do capitalismo, que reagia, desde o final da década de 70, ao que fora um período de confronto e perda de posições, de conquista do poder político por representantes do movimento operário e de independências de antigas colónias, na sua grande maioria afirmando posições, ou não-capitalistas, ou de não-alinhamento.
Na Europa capitalista, essas “entradas”, contribuíram para a criação de uma periferia (juntando-se ao sul da Itália, à Irlanda, ao norte do Reino Unido em desindustrialização), em redor de um núcleo super-integrado com base nos Estados "fundadores".

O “Acto Único”, o Tratado de Maastrich e o que se seguiu

Simultaneamente com esse alargamento foi necessário rever o Tratado de Roma, através do “Acto Único”, logo seguido, dadas as novas condições internacionais, pelo Tratado de Maastrich e pelas Conferências Inter-Governamentais. Nas novas condições da luta de classes, quer nos níveis nacionais, quer no contexto internacional, o processo de integração económica europeia acelerou, apesar das oposições e resistências do movimento operário e das massas, de certo modo decapitadas e/ou desamparadas, primeiro na via da União Económica e Monetária, como sequência do mercado interno, em detrimento e abandono da coesão económica e social, depois (ou com ligeiro desfasamento no mesmo tempo histórico) com o reforço da vertente política supranacional, federalista, com a “constitucionalização” dos tratados.

terça-feira, setembro 07, 2010

Retrato

Retrato do momento (futebolístico... mas ver-se-á que não só) de um País:
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- temos dos melhores jogadores do mundo
- temos dos melhores treinadores do mundo
- temos o que terá sido o melhor guarda-redes no campeonato do mundo
- temos o melhor presidente da Federação do mundo
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e
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- este último nem está na bancada
- o guarda-redes sofre golos que não lembram ao Menino Jesus
- os treinadores melhores do mundo andam pelo mundo ou pela bancada
- os jogadores melhores do mundo jogam mal
ou jogam bem mas não metem golos
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valha-nos Senhora de Fátima ou São Nuno que já foi Beato Nuno!

Ora aí está!

POLÍTICA
Governo considera necessário «aperfeiçoar coordenação europeia»
O ministro da Presidência defendeu, esta terça-feira, em acordo com o que ficou hoje decido pelo Ecofin, que apenas uma coordenação orçamental entre os Estados-membros da União Europeia pode viabilizar os objectivos assumidos pelos 27.
16:00 - 07-09-2010

POLÍTICA
Municípios querem debater Orçamento do Estado com Governo
A Associação Nacional de Municípios Portugueses quer discutir o Orçamento do Estado com o Governo. Fernando Ruas disse esperar que eventuais cortes às autarquias sejam usados para reduzir a despesa e não para outros fins.
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Notícias in A Bola
Uns querem (e bem!) debater o que outros aceitam (e mal!) ser-nos imposto!

... e desta!

União Europeia

Ecofin adopta veto aos orçamentos nacionais (DE)
Antes de chegar aos parlamentos nacionais, o Orçamento de cada país terá de passar no crivo de Bruxelas. Termina hoje uma reunião de dois dias dos ministros das Finanças europeus.
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Como diria "alguém", esta nunca lhe passou pela cabeça!...

Gosto desta!

Última hora no sapo.pt - económico:

Reino Unido
'Chairman' do HSBC poderá integrar equipa de Cameron

Cristina Barreto
07/09/10 12:40

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Stephen Green entrou em 1982 no HSBC.
Stephen Green planeia deixar a liderança do HSBC e tornar-se ministro do Comércio do Reino Unido, avançou fonte próxima do assunto.

"O banco com sede em Londres deverá anunciar ainda hoje a decisão de Stephen Green", actual 'chairman' do HSBC, disse essa fonte à Bloomberg.

O chefe do Governo de coligação, David Cameron, vai nomear "em breve" um novo ministro do Comércio, segundo disse hoje o porta-voz do governo, Steve Field, recusando-se a comentar a possível escolha de Stephen Green.

Stephen Green, de 61 anos, ocupa o cargo de 'chairman' do HSBC desde 2006. O banqueiro entrou na instituição em 1982, tendo ocupado o lugar de CEO entre 2003 e 2006.

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Assim é que é! Nada na manga...

Diz a wikipédia:

Fundada em 1865 pelo chinês Thomas Sutherland e sediada em Hong Kong, a HSBC Holdings plc é a maior organização de serviços financeiros e bancários do mundo.

A rede internacional do Grupo HSBC é composta por aproximadamente 9.500 escritórios e agências em 83 países e territórios na Europa, Ásia, Américas, Oceania, Oriente Médio e África. (...)

Acabou a Festa deste ano – VIVA A FESTA! - 4 e último

Acabou a Festa 2010. É tempo de acabar com estes respigos. Que poderiam continuar até chegar aí a Festa de 2011. Ficou tanto por ver, tanto por onde ir, tantos camaradas e amigos por encontrar, tanta Festa por viver! E há, ainda, do que foi vivido e vivo está, tanta coisa por contar. Porque está cá dentro, a borbulhar, e não aceita ficar arrumada entre o vivido, o passado, a memória.
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1. Concertos e exposições
Passei. Passei ao lado deste lado da Festa que, para alguns/algumas é A Festa, para aquelas/aqueles que, andam, de programa na mão, a saltar de espaço para espaço, de palco para palco, seguindo um roteiro pré-estabelecido… e inesgotável.
Passei. Ouvindo e vendo ao longe. Ouvi acordes do concerto sinfónico enquanto caminhava para ser apanhado, no meio de uma multidão perto do lago, pelo Dani Silva, ao longe, a misturar sons do tradicional caboverdeano com jazz, antes de meter pelo pavilhão da ciência para aprender sobre biodiversidade e baldios; ouvi música de luta de hoje e de sempre, no palco do espaço internacional e, no caminho entre os dois extremos da Festa, ouvi cantes porque onde há dois alentejanos há cante, ouvi arraial e ouvi malta já entradota a rejuvenescer ao toque de rock no café concerto de Lisboa, entrevi desenhos no espaço central, espreitei o novo cineavante, não consegui chegar ao avanteatro (fica sempre em falta, em mim que trago o teatro dentro de mim) porque, no caminho, há sempre uma vintena de amigos para um abraço, umas recordações, um reviver de lutas e amizades, ouvi – veja-se lá! – cantar fados de Coimbra em Santarém.
Ver e ouvir, sentado no chão, paradinho, apenas a desfrutar o que tanto gosto, não… isso não aconteceu. E dá-me vontade de voltar atrás e de o fazer. O que eu perdi com o tanto que ganhei em troca!
2. Os debates
Ah! isso sim. Aí estive. Apenas porque fazia parte das tarefas, e elas são, sempre, prioritárias.
Nos debates, estive, forçadamente parado, a apanhar com o sol na cara, solidariamente com camaradas do nosso Partdo, de lutas em que estive e estou, e com camaradas em representação dos PCs de Espanha e da Grécia.
Ali, sentadinho - até e depois de se partir a cadeira em que estava sentado -, a dizer o que fui capaz para ajudar à luta e ao que fazer (transcreverei a intervenção noutra mensagem); também numa apresentação de um livro, apresentação por que fui responsável, e responsável fui por uma discussão acalorada e daquelas que mostram como somos o contrário – bem ao contrário! – daquilo que dizem sermos, discussão que vinha de antes e continuará para além da Festa porque vai ao fundo da nossa base teórica (estatutária), ao âmago da nossa ideologia, da formação contínua e continuada em que temos de estar empenhados. Com prioridade
3. O comício
O comício na Festa não é nenhuma inventada rentrée, macaqueada em versões da comunicação social, ao serviço de mostrar todos os partidos como sendo iguais. O comício da Festa… é o comício da Festa. Único. Incomparável. Já o vivi no meio da mole imensa de amigos e camaradas, tenho-o vivido, nos últimos anos, de cima do palco 25 de Abril a ver um panorama impressionante (ah!, como se espantam os delegados estrangeiros!), impressionante de gente, sempre mais gente, de cor, de massas vivas, atentas, participantes, cobrindo todo o espaço da Festa. Preparando-nos para a luta de amanhã, com a força que ganhamos hoje, no comício da Festa, dizendo, pelas palavras do Camarada Jerónimo, sem ambiguidades, que não aceitaremos chantagens de estabilidade governativa (contra nós) por troca de deterioração da situação social (nossa, dos trabalhadores, do povo português).
A Festa da luta. Em luta. Que continua. Contínua!

Tomar partido! (ajuda em adenda)

Um camarada e amigo, que muito me tem ajudado nestas reflexões, deixou-me dois comentários sobre pauperismo, que só agora, uma semana passada, li. Aproveito-os para, com ligeiríssimas alterações, fazer esta mensagem para lhe responder e agradecer, Obrigado, Ricardo.
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Para além da constatação de que as necessidades evoluem com o próprio desenvolvimento das forças produtivas e das «necessidades» de reprodução do sistema, não deveríamos considerar que a exigência de mais horas de trabalho aos trabalhadores para satisfazer as suas necessidades corresponde a um agravamento do pauperismo?
Ou seja, a contradição entre aquela que é a maior capacidade de produzir (e assim potencialmente satisfazer as necessidades dos trabalhadores), através de uma composição orgânica de capital em que a parte de trabalho vivo vai, necessariamente/tendencialmente, diminuindo, e a menor capacidade do trabalhadores satisfazerem as suas necessidades (observadas em termos relativos pelo maior número de horas ou maior peso de tempo necessário) não é demonstrativa do agravamento do pauperismo? Nas relações de produção que definem o modo de produção capitalista, a riqueza (produção de valores de uso) cresce mais rapidamente do que os trabalhadores são capazes de responder às suas próprias necessidades (afastados quaisquer juízos de valor sobre essas necessidades).
É que analisar o valor de troca da força de trabalho de uma forma estática (em quantidades e tipo de valores de uso constantes) poderá conduzir-nos ao erro de considerar que o bem-estar das populações aumentou ou que os trabalhadores hoje estão mais «ricos» porque adquirem mais valores de uso em relação a tempos passados.
Pode dizer-se que, devido ao desenvolvimento da luta e aos avanços revolucionários em 1975, um operário vivia melhor do que hoje, se bem que poucos tivessem televisão ou frigorífico e, menos ainda, um automóvel e, hoje, possam ter televisão, frigorífico, micro-ondas, computador, telemóveis e, talvez, dois automóveis...

segunda-feira, setembro 06, 2010

Acabou a Festa deste ano – VIVA A FESTA! - 3

Estou passando a "conta-gotas" estas notas que fui tirando, ou guardando, da Festa. Se calhar estão a atropelar-se, mas também não queria colocá-las todas de uma vez, para não dar uma mensagem enorme. Ficam... Aí vão mais duas:
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1. Das coisas boas é vermos juntarem-se a nós novos camaradas. Até mesmo aqueles que, não o sendo, já os tínhamos como camaradas nossos. É uma festa. Festejá-lo na Festa é festa ao quadrado!
Dar um abraço a um Senhor que decidiu entrar para o Partido, quando muito bem entendeu dever fazê-lo depois de décadas de verdadeira (e independente!) militância, tanta ou mais que muitos militantes, foi… uma festa. Na Festa.
Diz ele no livro que lançou, na Festa do Livro, que «… voando na poesia de Manuel Bandeira, um dia havemos de chegar a Pasárgada. E em Pasárgada, meus Amigos, Em Pasárgada tem tudo/É outra civilização».
Havemos de chegar! Com a ajuda que já nos deste, nosso que já eras. Com a ajuda que vais continuar a dar-nos, Camarada.
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2. E, claro que, com poesia e tudo, lembro José Gomes Ferreira que, aos 80 anos, quando parecia começar um tempo de deserções, entrou na sede do Partido e, com os longos e belos cabelos brancos em moldura, pediu que o aceitassem como militante, ele que há tantos anos, antes de ser militante, já era o Poeta Militante.
«Havemos de chegar ao fim da estrada/Ao sol desta canção!»
Impossível, dizem alguns, ou já frustrados ou com ar de mofa (ou de Mofina Mendes…). Parafraseando (de memória e sem preocupação de o fazer usando exactamente as mesmas palavras) o Camarada Zé Gomes: as revoluções perdem-se (ou não se fazem) quando os revolucionários deixam de lutar pelo impossível!

Acabou a Festa deste ano – VIVA A FESTA! - 2



Não há Festa como esta! Mais uns respigos:

Duas “estórias de bazofaria* e bem-dizer”:
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1. Muito me gabaram alguns camaradas o aspecto com que eu me passeio pela Festa (“para a idade…”, acrescentam alguns e digo eu). É da Festa...
Um camarada, numa passagem minha ali pelos “sítios de Coimbra”, comentou com uma pontinha de inveja (boa…) “… pois… este gajo até tem veterinário particular…”. É quase verdade: tenho a enorme sorte de ter uns verdadeiros servidores do Serviço Nacional de Saúde por minha conta, amizade e camaradagem!”
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2. Recebi, nas vésperas da Festa, um email vindo da Galiza. Transcrevo-o (apenas parte para não abusar da bazofaria...).

Depois de me dizer que acabara de ler o meu “50 anos de economia e militância” que comprara na Festa do 2009, terminava assim: “Como galego levo moitos anos preocupado porque Galiza e Portugal como nacións irmás non sigan viradas de costas unha á outra e como comunista levo xa bastantes anos asistindo á festa a nivel persoal ou como representante da miña organización política (…) e conto estar de novo na vindeira sexta.”

Estava! Encontrámo-nos. Já o tinha procurado mas só no domingo porque me reconhecera num debate no espaço internacional. E foi um grande abraço e uma boa conversa de amizade e camaradagem.

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* - bazofaria = termo do crioulo caboverdeano que tem a sua raiz no termo popular do português bazófia = a fanfarronice, prosápia, jactância e “qualidades” sinónimas.

Acabou a Festa deste ano – VIVA A FESTA! - 1

No regresso de três dia de Festa, três ou quatro (os que forem... antes do sono me vencer) respigos:

1. Não há Festa como esta!
2. Melhor que a de 2010?… a de 2011!
3. O Palco 25 de Abril sempre repleto de gente que nasceu depois do 25 de Abril, fosse no concerto sinfónico, fosse na actuação do grupo mais “da pesada”
4. Vale a pena lutar durante o ano todo para viver estes três dias… de luta!
5. Porque me falhou um encontro para almoço (por motivos ponderosos), resolvi ir almoçar sozinho – onde não conhecesse ninguém e ninguém me conhecesse! –, para “gozar” diferentemente a Festa. Fui ao Bar dos Lombinhos, lá ao fundo, “escondido” entre o canto da criança e o espaço desportivo. Consegui o objectivo e foi bom: provar-me que tudo é possível na Festa (não há Festa como esta).
6. De vez em quando dão-me destas. Sexta-feira resolvi não ouvir mais o concerto (apesar de estar a gostar muito do que ouvia) e ir dar uma volta. Dei por mim a assistir a um debate interessantíssimo sobre biodiversidade no espaço ciência. Não coincidiam, em muitos aspectos, as opiniões dos dois participantes no debate. Sobre política e sobre baldios. Aprendi umas coisas.
7. Sábado, de tarde, tive muito (e delicado, e complicado) trabalho. Tarefas de que falarei, talvez amanhã e de outra maneira…
8. Domingo, num turno pela PAZ, fartei-me de vender imperiais, canjas saloias, caipiririnhas, mojitos, salgados e por aí fora. Não me entendi lá muito bem com a caixa registadora (perdi o hábito do tempo da Som da Tinta… embora tenha vendido mais imperiais naquelas horas do que em muitos meses a tentar vender livros em Ourém!)
9. Estar em cima daquele palco durante o comício é qualquer coisa de impressionante. Só vivido! De lá trouxe o cravo que juntei a uma EP que ficou por vender.
10. Até amanhã, camaradas do Partido com paredes de vidro.

Nem lhe passa pela cabeça

Foi o que disse Cavaco Silva, quando instado jornalistas sobre a possibilidade do orçamento não passar na Assembleia da República. E disse-o engrossando a voz, tornando-a ainda menos suportável de ouvir... Aliás o senhor (Presidente da República) parece andar a ensaiar engrossar a voz.
«- Nem me passa pela cabeça...»
Aquilo é que é uma cabecinha!

domingo, setembro 05, 2010

Não há Festa como esta!

Domingo, antes e depois do
COMÍCIO:



Em 2011, haverá mais. E a melhor Festa será, sempre, a deste ano antes de se fazer a do próximo ano!

Não há Festa como esta!

Domingo, em que tudo deve confluir, às 18 horas, no palco central
para o comício:

sábado, setembro 04, 2010

Não há Festa como esta!

Sábado, nº 2:
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Não há Festa como esta!

Para sábado, como é o dia todo, têm de ser dois "posts". Este é o 1º:
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sexta-feira, setembro 03, 2010

Não há Festa como esta!

Sem qualquer intenção de prejudicar a venda do Programa da Festa (se calhar, ainda terei de fazer uns turnos à entrada...), aqui vai-se acompanhar o programa dos espectáculos. Até para que alguns fiquem a saber, a par e passo, hora a hora, os espectáculos que perderam nestes palcos (além de muitos outros de espacos regionais e do espaço internacional, além de tudo o resto!)

Assim será 6ª feira:

O dia Casa Pia

No intervalo para almoço, a sensibilidade de um cidadão (muito interessado!):

A metodologia adoptada pelo colectivo de juizes estragou o efeito mediático ao começar pela consideração da culpa dos arguidos nos crimes.
Ao serem confirmados os arguidos como culpados, desmobilizou-se o suspense, embora se mantenha (devesse manter) em relação às penas e ao modo como os réus (os seus advogados) vão reagir, com todo o seu poder (financeiro e outros), às sentenças.

Tomar partido! (forças produtivas e relações de produção - 2 e final)

(para acabar...):
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Termino, neste “atrevimento” de resumir o que não é resumível, com uma referência particular relativamente às questões/conceitos-chave de valor e de trabalho produtivo.
  • O desenvolvimento das forças produtivas é processo de transformação de valores de uso (do que a natureza nos “oferece”), e por essa via se cria valor;

  • Enquanto estádio, ou patamar, de relações de produção que o definem, o processo no capitalismo é de criação de mais-valia por utilização como capital variável de força de trabalho trocada, como mercadoria com valor de troca, por capital-dinheiro, i.e., salário, e por essa via, incorporando capital variável no capital constante (meios de produção), se cria valor.

Esta é uma outra e fundamental unidade dialéctica das que (se) fazem (n)a realidade, que resulta das duas ópticas – do ponto de vista das forças produtivas ou do ponto de vista das relações de produção -, que vêm de Adam Smith e que Marx tanto trabalhou, e só vale para o modo de produção capitalista, enquanto…
Chegados (os que eventualmente me leram e eu) ao fim desta caminhada – até porque foi motivada por tarefa para a Festa… e a Festa está aí! – há que começar de novo. Não a partir do zero ou do ponto anterior ao começo do percurso feito, mas a partir deste falso fim a que chegámos, e procurando aproveitar todos os passos que foram (e continuarão a ser) dados.


(...até começar de novo!)

Tomar partido! (forças produtivas e relações de produção - 1)

Na publicação que se fez da minha tese de doutoramento – que fui buscar, agorinha, à estante – senti-me obrigado a escrever em “nota prévia” (datada de Março de 1987!):
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«(...) Levantadas reservas sobre algumas referências bio-bibliográficas, por não se atribuir autoridade científica aos citados, quisemos afirmar, e aqui se reafirma, que, independentemente do que possa ser norma em teses de doutoramento – e respeitando essas normas -, nenhuma citação foi feita com a pretensão de valer como “argumento de autoridade”, nem nenhum autor foi citado por ser aquele autor. Aproveitámos a oportunidade para afirmar a nossa defesa da ortodoxia. E da oportunidade decorreu a lembrança de Joaquim Namorado que disse que a verdadeira coragem era, em certos momentos e lugares, a de alguém se afirmar ortodoxo.(...)»
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O que disse durante as provas, e a sua reiteração na nota prévia, se não prejudicaram o resultado do doutoramento, pouco terão ajudado para o que a tese poderia ter tido (e ter) de eventual divulgação e possível aproveitamento… Viviam-se (e vivem-se) tempos de alardes de heterodoxia e de afirmações de inconformismo, como acontece ciclicamente. Pelo que, como sempre – mas às vezes mais! – é necessário afirmar o que é axial, o que é a nossa base teórica.

Em relação à definição, por exemplo, de valor e de trabalho produtivo, há que ser muito claros, na perfeita consciência da dificuldade de simplificar conceitos tão complexos – como a vida o é! Mas não é essa complexidade que levará a aceitar que se apode de conformista o que é axial e que se isso seja substituído por conceitos “modernos”, outros de que não se nega o direito a existirem (e até a sua possível respeitabilidade) mas que não podem é ser apresentados como sendo marxistas.
Atrever-me-ia a, no final deste percurso de fixação de reflexões (re)nascidas em (re)leituras, deste quarteirão de notas a tomar partido!, resumir, com o risco de ser redutor, risco que assumo com a afirmação de que há que continuar a estudar e aprofundadamente. Mas, enquanto marxistas e na vertente económica, há linhas de investigação a percorrer (e tanto caminho!) a partir da interpretação da História segundo a qual a relação homem-natureza para satisfação das necessidades que historicamente evoluem, desencadeou i) um processo de criação de forças produtivas – antes de todas a do trabalho e, depois, dos instrumentos e objectos que a acompanham e vão completando e substituindo nas tarefas – e ii) que esse processo se concretiza, ao longo da História, no quadro de relações sociais de produção que passam por estádios, ou patamares, correspondentes ao desenvolvimento das forças produtivas. Forças produtivas e relações de produção que formam unidades dialécticas (por isso prenhes de contradições) como modos de produção.


(já a seguir... e para acabar)

O impossível sonho

Depois de ter colocado uma mensagem anterior sobre o sonho, em que falava de (saudando) Pessoa, Chico Buarque e Maria Betânia, era impossível deixar de vir com este Brel. Depois... digo que o "cuco" sou eu! Sou, sim, senhor, porque todos o somos, porque todos chegámos cá depois de tantos (e tão bons) já por cá andarem há tanto tempo, mesmo alguns que nasceram depois de nós...


La quête
Jacques Brel

Rêver un impossible rêve
Porter le chagrin des départs
Brûler d'une possible fièvre
Partir où personne ne part

Aimer jusqu'à la déchirure
Aimer, même trop, même mal,
Tenter, sans force et sans armure,
D'atteindre l'inaccessible étoile

Telle est ma quête,
Suivre l'étoile
Peu m'importent mes chances
Peu m'importe le temps
Ou ma désespérance
Et puis lutter toujours
Sans questions ni repos
Se damner
Pour l'or d'un mot d'amour
Je ne sais si je serai ce héros
Mais mon cœur serait tranquille
Et les villes s'éclabousseraient de bleu
Parce qu'un malheureux

Brûle encore, bien qu'ayant tout brûlé
Brûle encore, même trop, même mal
Pour atteindre à s'en écarteler
Pour atteindre l'inaccessible étoile.

E José Gomes Ferreira dizia, num dos seus diários, que a revolução se perde quando os revolucionários desistem de lutar pelo impossível (se não era assim era mais ou menos... e com toda a mesma intenção)


O sonho começa sempre hoje

... e é para realizar amanhã, e depois, e depois, e sempre!

(Fernando Pessoa/Chico Buarque/Maria Betânia)

quinta-feira, setembro 02, 2010

Poemas cucos* (e outras coisas cucas) - 16 (Alberto Caeiro)

Desta vez, o "cuco" abusou (e alguma vez não o fez?).
Não se limitou a um poeta, a um autor, a um nome. De uma vezada, desculpando-se com as contas que deus fez, tirou ovos que eram de três e, se virmos bem, ainda de mais um, que se esconde ou disfarça com desfaçatez.
Foi-se ao livro de Helder Macedo,que é uma leitura de Cesário Verde (e que leitura!), e retirou de lá o poema de Alberto Caeiro (que é o sr. Fernando Pessoa heteronimado) e (mal)tratou todos. Também ninguém levará a mal ao pobre "cuco" (que sou eu...). Porque é por bem, e com muito respeito por todos.


À maneira de
Fernando Pessoa-Alberto Caeiro
Ao entardecer, sentado nesta pedra,
vendo o sol, ao longe, a esconder-se
por detrás das casas esparsas e dos morros,
sabendo dos Castelos nas minhas costas,
quero ler até me arderem os olhos
o livro de Cesário Verde.

Como Caeiro, tenho pena dele!
O nosso poeta era um camponês
que andava pela cidade qual preso em liberdade.
Mas o modo como olhava para os prédios,
e o sem jeito com que pisava as calçadas,
e a sua maneira de lidar com as coisas,
e, mais que tudo, a poesia que fazia,
são de quem vê os passantes como gente,
de quem ao rés olha para as casas ao rés dos olhos,
de quem procura as árvores,
de quem mira e admira os caminhos que os pés caminham
(que o caminho se faz ao caminhar, dizia Machado…),
de quem repara nas flores
e ouve os ruídos levantados nos descampados…

Por isso, tinha ele aquela grande e funda tristeza,
(que nunca disse bem que tinha...),
e andava pela cidade com a saudade de andar pelos campos,
e triste como esmagar borboletas em livros,
como amarrar flores em jarras….

Aponta mentes

Há verbos assim. Têm uma importância transcendente. Por isso se terá dito que ao princípio era o verbo... Mas qual?

Na economia (marxista) incorporar força de trabalho, tornada capital variável, no capital constante, metamorfose de mercadorias-meios de produção - que são trabalho incorporado, no tempo passado do verbo -, é o verbo do princípio e da compreensão do modo de funcionamento da economia em capitalismo.

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Incorporar --> in corpo --> fazer corpo com --> fazer do capital o que ele não é --> fazer o capital produtivo, não o sendo --> mas que passa a ser --> porque e quando in corpora o trabalho que é produtivo!

Festa do Avante! 2010 - 4

Não há Festa como esta!


Na maior livraria de Portugal, que está aberta durante três dias por ano, 34 edições a fazer leitores. Destaques (para Álvaro Cunhal e Lenine), promoções especiais (Dias Lourenço, Quando os lobos uivam, Até amanhã, camaradas), novidades. Com lançamentos e apresentações. Participarei na apresentação de Compreeender a economia

Tomar partido! (Ler Marx:!)

A ler Marx, ou a ler sobre Marx, aprende-se sempre muito. Algumas vezes aprende-se melhor o que já se sabia, mesmo aquilo a que a modéstia impede de dizer que se sabia razoavelmente bem… E nunca se sente – ou pode sentir – que se estão a adoptar “argumentos de autoridade”.
Em Marx, sem me contradizer… espero eu, se há aspectos que vou reforçando com as leituras e releituras, um é o do grande respeito que ele tinha pelo trabalho dos outros, dos anteriores e dos coevos. O que coexistia com ausência de frouxidão na argumentação, por vezes quase com violência verbal. Se o ilustra a “conversa” (virtual, ainda que sem gravações-vídeo ou esoterismos) tida e mantida com Adam Smith, grande teórico da/para a burguesia ascendente (e também, agora, para a decadente), até porque o respeito e o aproveitamento de contributos de Adam Smith são evidentes no edifício que Marx ia construindo (e que não está concluído, nem nunca o estará enquanto marxismo), não resisto a transcrever os termos com que se referiu a Bentham (1878-32), um dos pais do “utilitarismo”, a quem chamou “o génio da estupidez burguesa”:

«A esfera da circulação ou da troca de mercadorias, dentro de cujos limites se move a compra e venda da força de trabalho, era de facto um verdadeiro Éden dos direitos humanos inatos. O que aí impera somente é liberdade, igualdade, propriedade e Bentham. Liberdade! Pois o comprador e o vendedor de uma mercadoria – p.ex., da força de trabalho – são apenas determinados pelo seu livre arbítrio. Eles fazem contrato enquanto pessoas livres, juridicamente de igual condição. O contrato é o resultado final pelo qual as suas vontades dão uma à outra a sua expressão jurídica comum. Igualdade! Pois eles apenas se relacionam entre si como possuidores de mercadorias e trocam equivalente por equivalente. Propriedade! Pois cada um dispõe apenas do que é seu. Bentham! Pois cada um apenas se preocupa consigo. O único poder que os junta e põe em relação é o do seu proveito próprio, da sua vantagem particular, dos seus interesses privados. E exactamente porque cada um apenas se volta para si e nenhum para o outro, todos realizam apenas a obra da sua vantagem recíproca, do interesse conjunto, em consequência de uma harmonia preestabelecida das coisas ou sob os auspícios de uma providência toda-manhosa.
Ao separar-se desta esfera da circulação simples ou da troca de mercadorias, ao qual o livre-cambista vulgaris vai buscar concepções, conceitos e padrões para o seu juízo sobre a sociedade do capital e do trabalho assalariado, algo se transforma já – ao que parece – a fisionomia da nossa dramatis personae*. O antigo possuidor do dinheiro marcha à frente como capitalista, o possuidor da força de trabalho segue-o como seu operário; um significativamente sorridente e zeloso pelo negócio, o outro tímido, contrariado, como alguém que levou a sua própria pele ao mercado e agora nada mais tem a esperar senão… ser esfolado.» (O Capital, edições avante, Livro 1º, tomo I, p. 204)

É neste quadro (teatral) que se toma partido!
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* - Em latim no texto original: personagem do drama (nota da edição portuguesa)

quarta-feira, setembro 01, 2010

Poemas cucos* (e outras coisas cucas) - 15 (Jacques Brel)

Depois de uns poemas integralmente "cucados", voltemos ao atrevimento de remendar poemas de outros. Com enorme respeito e admiração pelos autores... mas "ajeitando-os". À cuco.
Desta vez, e por causa de umas insónias, aqui vai Brel!



"à maneira de"
BREL


La chanson des vieux amants
(em tempos de insónias)

É verdade que já nada se parece com nada
Que tu perdeste o gosto da provocação
e eu o prazer da conquista

Mas oh, meu amor!
Meu doce
meu suave
meu maravilhoso amor
Do fim do dia até à clara manhã
eu ainda te amo como antes,
tu sabes...,
eu amo-te!

Protejemos menos os nossos mistérios,
deixamos tudo menos a acaso
Desconfiamos mais do que antes era certeza
ou só ignorávamos soberbamente
Ah… e tanto mais talento que é preciso
para sermos velhos sem sermos adultos

Mas oh, meu amor!
Meu doce
meu suave
meu maravihoso amor
Do fim do dia até à clara manhã
eu ainda te amo como antes,
tu sabes...,
eu amo-te!

Tomar partido! (antecipando uma apresentação de livro na Festa)

Da preparação para a apresentação de um livro na Festa (e antecipação... ):

«(…) marxismo, e marxismo-leninismo como nossa base teórica, é concepção materialista filosoficamente, histórica e dialéctica, e a procura de abordar – "marxisticamente" – o “momento”, a contemporaneidade do capitalismo, ainda que com o instrumental que a super-estrutura dominada pela ideologia da classe dominante no estádio da relação de forças classista, tem de ser histórica, dialéctica.
Histórica, por não deixar que a estreiteza dos nossos horizontes temporais de existência individual façam apagar a historicidade do que nos é contemporâneo, por não consentir seccionar, separando, a contemporânea idade do que foi e do que será; dialéctica, porque devendo inserir-se na vida total e nas suas contradições dinâmicas, porque utilizando, necessariamente, esse instrumental à disposição – "generosamente" disponibilizado e imposto, excluindo ou escondendo outros –, o devemos fazer com as reservas que decorrem de, mais que instrumentos, serem armas de uma permanente tentativa de total e “exclusivante” dominação ideológica.


Nas releituras refrescantes a que Compreender a economia me obrigou, detive-me longamente num outro também belga e também Jacques mas não Gouverneur, em Jacques Nagels, num seu trabalho que considero notável, dos idos anos 70, em que, à volta do tema-título Trabalho colectivo e trabalho produtivo na evolução do pensamento marxista (e também noutros), ensaiou uma aproximação à utilização do “cálculo marxista” (ou com base em conceitos marxistas), usando equações-relais, com aproveitamento do instalado instrumental estatístico (digamos) burguês, capitalista, trabalho em que, aliás, os anos de União Soviética procuraram fazer avanços, daqueles só possíveis em muitos e muitos anos - para mais tendo sido estes percorridos entre cercos, bloqueios, guerras quentes e frias -, trabalhos e avanços em que, com a sua interrupção, se perdem ou recuam décadas.»

Festa do Avante! 2010 - 3

Não há Festa como esta!




No Espaço Internacional, no Palco Solidariedade, também haverá debates, assim como em muitos outros espaços.


E haverá cultura como a de "saborear o mundo" (boa!), "artesanato dos qautro cantos do mundo - feito por mãos trabalhadoras" e momentos de solidariedade sob o lema geral de Luta sem fronteiras contra o imperialismo.


Participarei num desses debates sobre "A crise do capitalismo na Europa e na União Europeia", com representantes do Partido Comunista de Espanha e do Partido Comunista da Grécia

Registo - 11% uma percentagem para o desemprego!

País
Eurostat revê em alta desemprego português de Maio e Junho

O Eurostat fez uma revisão em alta da taxa de desemprego atingida em Portugal em Maio e Junho. Considera que atingiu o máximo histórico de 11%. O governo desvaloriza este número e insiste que a percentagem oficial é a que foi revelada pelo INE e que se fixa 4 décimas abaixo, nos 10,6%. A oposição não concorda e acusa o executivo de manipular as estatísticas.
(RTP)

Setembro

setembro

eis que torna setembro e a vindima
eis que o sol brilha alto depois do verão
e eis que os jovens
novamante do chão levantam um novo mundo.

esses jovens cuja idade não importa
que nas mãos trazem o futuro.

e se pode tardar esse futuro, é certo,
tão certo é que começará em setembro.

pedras contra canhões