Na sua mensagem de hoje, em cravo de abril, Fernando Samuel, para além do que nos habituou (e tanta falta nos estava a fazer), acompanha o seu texto de extractos do Pátria, lugar de exílio, do Daniel Filipe.
Entre outros, este:
(...)Neste ano de 1962
primeiro de Maio
ao começo da noite
podemos finalmente olhar no espelho a nossa muda imagem
sem temor nem vergonha
(...)

Deu-me um baque!
No dia 1 de Maio de 1962, trabalhava na Siderurgia Nacional, num gabinete que partilhava com o Daniel Filipe, num convívio-camaradagem muito agradável... mas contido, com a reserva a que o fascismo obrigava. Nesse dia 1º de Maio de 1962, e no seguinte, "desconfiámos" que tínhamos andado na luta (eu com algumas tarefas que nunca esquecerei...).
Guardo A invenção do amor, com uma dedicatória amiga, ao lado da Pátria, lugar de exílio, exílio que vivemos, o Daniel Filipe e eu, solidários e secretos.
Até na camaradagem exilados, dentro da Pátria em que lutávamos.
A morte de Daniel Filipe foi uma das notícias que, em 1964, me fez chorar na prisão.