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sexta-feira, maio 10, 2013

Até custa a acreditar - "Este mundo/esta política não é para crianças" - 7

 

O exame da 4.ª classe

Na semana em que este Avante! se publica, mais de 103 mil crianças de nove e 10 anos terão pela primeira vez uma experiência que só os seus avós viveram.

Trata-se do regresso de um dos mais odiados elementos da escola do fascismo: o exame da 4.ª classe. Quase 40 anos depois, ei-lo que regressa, com a necessária nova roupagem: chama-se PFEB – Prova Final do Ensino Básico, abrange exames de Língua Portuguesa e Matemática e conta 25% da nota final.

Mas o essencial mantém-se: a concepção retrógrada de que uma prova de duas horas e meia pode sobrepor-se à avaliação contínua de um ano inteiro, e a pressão colocada às crianças, às famílias, aos professores e às escolas.

As crianças vivem este momento com muita ansiedade, agravada por decisões espatafúrdias do Governo: mais de metade dos alunos do 4.º ano – 50 mil – são obrigados a fazer o exame noutra escola que não a sua, em muitos casos noutra localidade, com professores que não conhecem, porque o exame tem que ser vigiado por docentes dos outros níveis de ensino. O que, além de tudo, obriga a que milhares de estudantes dos outros níveis de ensino percam dois dias de aulas neste final de ano lectivo.

Soube-se há dias que os alunos que vão fazer a PFEB terão de assinar um compromisso de honra em como não usarão telemóveis. Um «compromisso de honra» assinado por crianças de nove anos teria graça se não fosse tão grave. E tão triste.

O que o Governo apresenta como moderno (porque «habitua» as crianças à exigência e ao rigor) é uma prática pedagogicamente errada e exótica no plano europeu. Apenas quatro países têm exames no final do 1.º ciclo e apenas num, Malta, o exame conta para a nota final.

O Partido tem falado do regresso à escola de antes do 25 de Abril, da regressão social que o pacto de agressão quer impor, do facto de haver quem queira que as crianças e os jovens de hoje tenham piores condições de vida do que os seus pais. Pode parecer pouco, mas o regresso do exame da 4.ª classe é exemplo disso mesmo.

É também em nome da escola pública, do presente e do futuro das crianças e dos jovens que é indispensável correr com este Governo e com esta política.

Margarida Botelho

terça-feira, abril 16, 2013

ESTE MUNDO (ESTA POLÍTICA) não é para ser(es) humano(s) - 6

Este mundo, esta política, esta cidade não é para os cidadãos!

Está tudo feito - nós, cidadãos (da cidade), é que "estamos feitos"... - "à medida" dos que, sendo nossos contemporâneos, são banqueiros ou outros dos capitais  financeiros, por herança, acaso ou bons serviços.
Esta cidade não é para os cidadãos. As cidadãs e os cidadãos são mal tratados, são acusados e "culpados" daquilo de que são vítimas, arguidos, réus, e sentenciados. E se a lei está do lado deles, dos cidadãos, a lei não se cumpre, é a lei que tem de se ajustar aos interesses do poder, dos poderosos, das finanças a que chamam, eufemisticamente, mercados.
Esta cidade não é para os cidadãos. Enquanto os cidadãos - as cidadãs e os cidadãos - não tomarem consciência de que eles - nós! - somos a cidade!  

sábado, março 30, 2013

ESTA POLÌTICA não é para as mulheres - 5

Este País, este mundo, ESTA POLÍTICA não é para as mulheres. Também assim o dizem as estatísticas. As reveladas e as ocultas. As que dão a distribuição dos desempregados em percentagem da população activa por sexo, mas, sobretudo, as das diferenças salariais. No entanto, muito para além das estatísticas, as mulheres são a parte (maioritária... estatisticamente) da população que é discriminada, suportando uma herança milenar, de divisão natural, biológica, do trabalho, aproveitada para a relação social exploradora. Como muitos o vêm dizendo, alguns repetindo ou divulgando Engels (Origem da família, da propriedade privada e do Estado).
ESTA POLÍTICA não é para as mulheres. Vê-se pelos números, sente-se no tempo que se respira em cada casa, em cada empresa, na escolha (?) das profissões, dos brinquedos, dos jogos, onde elas, as mulheres, parecem ser a personagem secundária, ou vangloriadas por não o serem, quando são, quase sempre, a intérprete segura, estável, criadora do que é mais importante.  

quinta-feira, março 21, 2013

ESTA POLÍTICA não é para (4)... jovens

Este País, este mundo, ESTA POLÍTICA não é para jovens. Assim o dizem as estatísticas. As reveladas e as ocultas. As que dão a distribuição etária dos desempregados em percentagem da população activa, as dos insucessos ou falsificados sucessos escolares, as das crianças e adolescentes na fronteira da fome matada com a refeição nas escolas ou cantinas; as dos emigrantes de torna-viagem e que por lá ficam até mais não, as das vocações e talentos perdidos por menos ou deprezados, as dos bolseiros à míngua orçamental de bolsas e outros apoios.
ESTA POLÍTICA não é para jovens. Vê-se pelos números, sente-se no tempo que se respira em cada casa, onde eles, os jovens, estão já a mais porque forçados ou nos faltam porque forçados a partir.para longe.

quarta-feira, março 20, 2013

ESTA POLÍTICA não é para (3) reformados

Este País ESTA POLÍTICA não é para reformados. Que é gente que também é idosa, em regra geral. Com excepções de privilégios espúrios.
É gente, pessoas, seres humanos, que venderam a sua força de trabalho durante décadas e que, do salário daí resultante, dessa venda de horas de vida, lhe foram descontadas, mensalmente, verbas para comporem reservas para terem acesso a direitos como cidadãos, como seres humanos. A ter rendimentos monetários apesar do desemprego, apesar de percalços na saúde (ou de felizes maternidades), para os anos de idade avançada sem se ter de continuar a mais força de trabalho vender.
Essas reservas foram calculadas - acturialmente - tendo em conta estatísticas e previsões fundamentadas técnico-cientificamente, entre outras sobre a espera(nça) de de tempo de vida.
Entretanto, houve quem tivesse resolvido "aplicar" essas reservas acumuladas e consignadas. Em especulações várias e algumas fraudulentas e criminosas, em interesses particulares.
Pois agora vem dizer-se que são escassas as reservas, que os reformados têm de se conformar e ver reduzidas as reformas. Que estão a viver "tempo demais", que tudo se resolverá(ia) se se reduzisse o seu tempo de vida. E noutras áreas se faz por isso...
ESTA POLÍTICA não é para reformados. Tem de mudar, se se quer que eles continuem a viver cada vez mais. Como o passado da História o permite 

terça-feira, março 19, 2013

ESTA POLÍTICA não é para (2) os trabalhadores...

Todas as medidas de austeridade começam pelos cortes de salários ou outros rendimentos dos trabalhadores. Procurando dividi-los, argumentando com as desigualdades e nivelando por baixo.
Todas as medidas de redução de custos se concretizam por redução de trabalhadores ou de passagem a situação de maior precariedade. Com o paleio técnico da produtividade e da competitividade, enquanto outros custos e desperdícios se agravam.
Sempre que se fala de reformas (do Estado), as primeiras palavras são relativas aos trabalhadores dos serviços públicos. Como se estivessem "a mais", como se fossem apenas encargo da Nação e peso sobre os contribuintes.
Quando se fala em ter de cortar despesas (4 mil milhões, ou 8 mil milhões... uma coisa assim... num espaço de tempo a determinar) para equilibrar o que já se sabe que não será equilibrado, a tesoura vai logo direita aos rendimentos dos trabalhadores.
Ao terem de se aumentar as receitas porque os os cortes, as reformas, as reduções, a austeridade, tudo falhou, os aumentos são nos impostos que mais atingem os trabalhadores: o IVA, o IRS e os seus escalões.

Está visto que ESTA POLÍTICA não é para os trabalhadores. 
Diria mesmo que é contra os trabalhadores. Contra a classe operária e todos os trabalhadores. Por mais que a revistam de ouropéis de défices e dívidas públicas.   

segunda-feira, março 18, 2013

ESTA POLÍTICA não é para (1) os velhos...

Uma senhora de 87 anos, depois de alguns adiamentos, tinha marcada para hoje, de manhã, uma operação de alguma delicadeza, embora não de extrema gravidade, num hospital a meia hora (vá lá...) da cidade onde reside e onde já houve um hospital. 
A família foi levá-la ao hospital e deixou-a internada (e animada). 
Passadas umas horas, os familiares, em resposta à sua ansiedade de saber como correra a intervenção, os familiares, foram informados que a operação fora adiada; mais umas horas passadas, a senhora foi-lhes "devolvida", com a informação, sinceramente compungida e solidária, de que houvera um imprevisto caso urgente, que se tinham passado as 5 horas de horário de operações, que a idosa  tinha nova marcação para de 5ª feira a uma semana, 4 de Abril... 
A senhora (de 87 anos, e excelente espírito) estava evidentemente nervosa, perturbada. 
Os familiares, indignados - e não com os profissionais da saúde! -, perguntam que hão-de fazer... além de se indignarem e de tomarem consciência de que ESTA POLÍTICA não é para os velhos!