Fiquei de aqui trazer algo sobre o método de Hondt, em intenção de interlocutoras-comentadoras que, muito amigamente, me propuseram que tratasse do tema. Faço-o com todo o gosto, não com a intenção de ensinar o que quer que seja mas com a de expor e de comentar -politicamente - o método que é utilizado para o cálculo de mandatos.
Aliás, começo por recorrer ao site da Comissão Nacional de Eleições (CNE), de onde se fica a saber que "O método (de) Hondt é um modelo matemático utilizado para converter votos em mandatos com vista à composição de órgãos de natureza colegial.
Este método tem o nome do seu criador, o advogado belga Victor D'Hondt, nascido em 1841 e falecido em 1901."
Mais se diz nessa página, mas salto para a aplicação prática, com um exemplo também desse espaço da CNE, facilmente acessível.
Numa votação em que estão em causa 7 mandatos e a que concorrem 4 partidos, na primeira linha colocam-se os resultados dos partidos concorrentes, numa segunda linha esses resultados são divididos por 2, numa terceira são divididos por 3, numa quarta linha são divididos por 4, e assim sucessivamente se fosse necessário. Depois é só ver quais são e a que partidos pertencem os 7 números mais altos e são esses candidatos que estão eleitos para assumir os mandatos.
O partido A elege três, o 1º, o 3º e o 5º, o partido B elege dois, o 2º e 6º, o partido C e o partido D elegem um cada, o partido C o 4º e o partido D elege o 7º porque, tendo, na primeira linha o mesmo número (3000) que o partido A na sua 4ª linha, segundo o método tem vantagem, desempata-se a favor do partido menos votado.
Mas esta é uma primeira nota. As que estou a preparar não vão referir-se a partidos A, B, C ou D, mas a CDU, PS, PSD, CDS-PP, BE, MRPP (saiu-me assim a ordem analfabética...), e a eleições como a de Beja nas autárquicas de 11 de Outubro, e as para o Parlamento Europeu de 1999 e 2009. Casos interessantes. Politicamente... e lamentavelmente.