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terça-feira, julho 14, 2020

Comentário (muito) azedo...

Aconteceu(-me) que, ontem, depois da habitualmente rápida audição (auscultação) dos noticiários televisivos, me deixei "agarrar" pelo prós e contras, que riscara do rol das coisas a ouver, porque o tema me despertava muitas memórias, das boas, das assim-assim, e das outras: planear; e, depois, ainda passei por outro canal onde estivera um interlocutor que gosto de ouvir, o Ricardo Pais Mamede, e só tarde (e más horas) pude fazer "o serão" necessariamente encurtado. E com muito para comentar fora do programado. E do... planeado.
A decisão do primeiro ministro de, por sua conta e risco pessoal (que o homem é corajoso, não o nego, mas bem me parece que muito mal emprega, por vezes, a sua coragem!), encarregar a definição da estratégia para Portugal a um homónimo seu que também é Silva, parecera-me... estrambólica. E completamente errada, relativamente ao que penso (e aprendi e pratiquei) de planeamento e de estratégias.
Ora, agora que António Costa (e) Silva, fez o que encomendado lhe foi, discute-se... Portugal e o seu futuro, e a sua estratégia com base no documento que ACS elaborou, após reflexão aturada (e muito respeitável, como todas as reflexões bem intencionadas) e, necessariamente, algumas conversas e consultas.
Do que conheço, ou me foi dado conhecer, só tive o que esperava e não discuto. Só me espanto e lembro, para exclusivo proveito e desproveito próprio.
Espantou-me (ainda me espanto!) que a comunicação social tivesse dado relevo a números (dos poucos para engenheiro...) que eram mais que conhecidos da OCDE, do FMI, da Comissão Europeia e de toda a panóplia (a)costumada a dizer o que vai ser, até às décimas, do que talvez venha a ser ou talvez não. Mas disso não teve culpa o senhor engenheiro (que terá citado as fontes).
Já terá culpa (ou responsabilidade) nas ideias e nos projectos que elegeu como prioritários. E lembro(-me).
Lembro que nos idos anos 90 do século passado discuti, no Parlamento Europeu, no âmbito de uma coisa esquecida que se chama coesão económica e social (n. em Acto Único de 1986/7, f. por esquecimento s/data), as redes ferroviárias transeuropeias, com uma ligação, ao que ao portuguesinho interessa, Madrid-Lisboa que entroncava (Entroncamento é com os caminhos de ferro...) com a ligação Lisboa-Porto-Vigo para norte (e norte de Espanha) e Lisboa-Algarve para sul.
Lembro a importância que se deu há 40/50 ao porto de Sines, Sines agora falada pela tão falada descarbonização.
Mas o que lembro, sobretudo, é O PLANO. Que em Portugal, Salazar teve que transigir (mas, frisou ele, nada de confusões com os quiquenais, pelo que eram sexagenários, perdão, hexagonais) com os Planos de Fomento (1953-58.1959-64, 1965-67, 1968-73...) e, sobretudo um Plano 1977-80 (emprego e necessidades básicas), cumprindo objectivos constitucionalizados, aprovado pelo 1º governo constitucional que, depois, não o levou à Assembleia da República, por troca por uma estratégia FMI (dívida)/Europa connosco, cumprida escrupulosamente: estamos endividados e com a Europa tão connosco que não nos deixa respirar quanto mais ser soberanos!
Estes comentários são azedos... e incomodam (talvez só a mim), mas quero lembrar, para passar avante do azedume, que estratégias e planos nunca podem ser uni-pessoais (por mais genial que seja quem o for), são de uma equipa, ouvindo (e levando em conta o que se ouve), vendo (gravando o ouvido e visto), discutido em equipa, apreciado e apresentado colectiva e responsavelmente... Como foi o plano /o tal que era para ser de 1977/80), a que me permito chamar Manuela Silva, homenageando quem foi por ele responsável, e que, por ser responsável, se demitiu quando o viu metido numa gaveta. 
Lideres (que é que cá falta, dizem)? À espera de sugestões de engén(i)heiros?
Às vezes, tenho a sensação de que estão a brincar com a malta. Que nos tomam a,  todos e sempre, como ignaros. Ou parvos, como é mais corrente.  

quarta-feira, julho 08, 2020

Comentários azedos em dia aziago

Procuro informar-me e recordo. E é quase um jogo. Não de joguinhos polítiqueiros. 
Cada leitura que me informa, provoca processos de recapitulação (atenção, bem diversos de capitulação...), e tudo me parece matéria dada.
Depois da regionalização, em que se confunde, deliberadamente, descentralização com desconcentração ou com endosso de obrigações sem facultação de meios, há esta dos gestores, a nova "classe", CEO, ou lá o que era. 
E lembro, há 40 anos, quando se cumpria a CRP (isto é, a Constituição da República Portuguesa, aprovada por larga maioria - só não foi por  unanimidade porque o CDS votoucontra - numa Assembleia Constituinte eleita por esmagadora maioria dos cidadãos portugueses praticamente todos recém-recenseados após o 25 de Abril de 1974, com uma abstenção que nunca mais se repetiu), pois dizia eu..., há 40 anos havia um sector público de uma economia mista (público, privado, cooperativo) e começaram a aparecer os tais gestores. Entretanto, as escolas que eram de economia e de finanças foram-se metamorfoseando em escolas de gestão, mudando nome e tudo (agora é em inglelixe-se).
Pois bem, os gestores das empresas do sector público pareciam destinados a provar que boa era a gestão privada. Por graça (sem graça nenhuma...), lembro-me que dizia, em intervenções que ia fazendo aqui e ali, que havia gestores de empresas públicas que me lembravam condutores de táxi a quem o cliente, desconhecedor de itinerários do burgo, pedia que os levassem às Berlengas. E vai eles conduziam muito bem o conduzido, dando voltas e mais voltas, queixando-se do nevoeiro e da falta de auto-estradas, "esquecendo-se" de dizer que às Berlengas só se pode ir de barco! 
Depois, veio a leva das privatizações e eles aí estavam, impantes, os gestores a gerirem, a serem elogiados, a estenderem o pescoço para lhes meterem pela cabecinha o colar de doutores honoris causa e respectivo diploma. Querem nomes? Estão no rol dos arguidos em processos do Ministério Público. Presos? Poucos, só arguidos. Mas que geriram bem algumas continhas de suas contas pessoais, lá isso parece bem que sim. 
Hoje, soube que os gestores do banco onde tenho conta minha (pequenina) serviram-se do meu dinheirinho (e de muito de outros como eu) para entrar em transacções com 70% de desconto de não sei que vendedores para não sei que compradores. O meu rico dinheirinho... mas  cala-te boca, que ainda te confiscam a conta!