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terça-feira, julho 05, 2011

Ex-citações a propósito (ou uma frase-lema)

No final de mais uma releitura, saboreando, de "A Memória das Palavras ou o gosto de falar de mim", encontro esta frase-lema que José Gomes Ferreira foi extrair a quem chama o seu mestre secreto (Raul Brandão):

«só a fraternidade quente entre os homens
dá sentido ao abismo absurdo em que apodrecemos»

... talvez...
    haja mais para aqui trazer desta leitura,
ainda há umas páginas
para saborear
e fazer pensar! 

domingo, outubro 24, 2010

ISSO DE SER ex-PCP

1ª questão prévia: este isso de ser ex-PCP não é uma reedição do isso de ser ex-comunista.
2ª questão prévia: eu acho que isso de ser ex-comunista deveria implicar isso de ser ex-PCP porque não aceito (porque é muito perigoso) isso de nunca se ter sido ou ter deixado de ser comunista e continuar a ser PCP.
3ª questão prévia: há quem não ache o que eu acho, mas, desta feita, já não acho isso muito bem porque se está a querer mostrar ser uma coisa que já se não é.
4ª questão prévia: esta condição de ser isso de ser ex-PCP não pode ser confundido (a começar pelo próprio) com ser aquilo de ser anti-PCP e anti-comunista.
5ª questão prévia: há quem seja isso de ser ex-PCP e continue a considerar-se isto de ser comunista (o que complica um bocado as coisas… sobretudo para quem assim se considera as duas coisas).

Isso de ser ex-PCP pode ter acontecido de várias formas.
Suponhamos alguém que era do PCP de corpo e alma inteiros e, ou se cansou, ou se desiludiu, ou não aguentou a pressão (que é muita, podem acreditar os que não passaram por aqui), ou teve uma paixão daquelas-que, e resolveu deixar de ser do PCP, embora continuando, dentro de si, a dizer(-se) que nada mudou, que continua comunista embora ex-PCP.
Suponhamos alguém que era do PCP por razões pessoais que não as de ser e/ou sentir-se (o que não bem o mesmo…) comunista deixou de ter essas razões.
Suponhamos alguém que era do PCP sem cálculo (de razões suas, pessoais) mas sem o ser de corpo e alma inteiros, isto é, não a sua pele mas uma camisa vestida e assumida, que foi maltratado por outrem do PCP (que talvez lá estivesse só de passagem…) ou até pela própria organização do colectivo (pois, como todos, é formado por seres humanos, e erra!), e tanto sentiu o mau trato que resolveu despir, talvez provisoriamente, a camisa.
Estes são casos recuperáveis (quanto à situação…). Por se terem sentido centrifugados, têm condições (subjectivas) de vir a dimensionar o que lhes aconteceu e… centripetar-se. Mas é difícil, porque é uma revisão muito só e as ajudas são difíceis, embora uma seja indispensável: a de não se fecharem portas!
De todas as formas por que tenha sido, isso de ser ex-PCP não deveria ter a consequência de ser também anti-PCP e/ou anti-comunista. … e ter raiva a quem o continua a ser
Mas tudo isto decorre do cruzamento de condições objectivas e de condições subjectivas que, como se sabe, estão sempre a mudar.
Uma última questão (não prévia e não póstuma): Sendo isso de ser comunista e, por isso, isso de ser do PCP, gosto de lanchar, conversar, conviver com muitos que não o são (o que não aconteceria se fossem anti-comunistas e anti-PCP), e não tanto com alguns que são isso que eu sou.

sábado, outubro 23, 2010

ISTO DE SER do PCP…

1ª questão prévia: este isto de ser do PCP não é uma reedição do isto de ser comunista.
2ª questão prévia: eu acho que isto de ser comunista implica isto de ser do PCP.
3ª questão prévia: há quem não ache o que eu acho, e acho isso muito bem.
4ª questão prévia: há quem seja isto de ser do PCP e não seja isto de ser comunista (o que complica muito as coisas…).
5ª questão prévia: basta de questões prévias.

Isto de ser do PCP, para mim, decorre de isto de ser comunista. Ser-se comunista implica, como já disse ser a minha perspectiva, sê-lo em colectivo, com organização, estatutos, disciplina e luta contínua.
A organização só pode ser o Partido Comunista (e se o comunista é português) Português; os estatutos são as regras por que se regem os membros da organização; a disciplina é o respeito por e o cumprimento dessas regras; a luta contínua é a assunção e prática de tarefas que o colectivo organizado e com estatutos atribui a cada um dos seus e a todos, no quadro histórico da luta de classes.
No caso do PCP, o partido dos comunistas portugueses criado em 1921, há estatutos que o colectivo aprovou e vai mudando quando, como colectivo e em Congresso, entende dever fazê-lo, tem um Programa idem, idem, aspas, aspas, e tem uma declaração programática que idem, idem, aspas, aspas.
Define-se como sendo o partido da classe operária e de todos os trabalhadores, tem uma base teórica, o marxismo-leninismo, e uma forma de organização, o centralismo democrático, que é a de ser democrática na discussão e tomada de decisões e ter uma direcção única sem aceitar constituição de tendências e fracções. A base teórica apela ao estudo permanente (aprender, aprender, aprender sempre), num ambiente cultural que se pretende abúlico, e o centralismo democrático é muito exigente no equilíbrio entre a prática democrática e o centralismo da direcção, num contexto político eivado de preconceitos e conceitos distorcidos e esvaziados.
O PCP coexiste com o sistema contra que luta, em todas as frentes, e que pretende substituir.
É assim que o vejo, como colectivo, e tenho perfeita consciência que não há unanimismo, que há permanentes riscos de sectarismo e de centrifugações, de transfusões e de "transfugações". Por e para tanto deve existir sempre, em cada um dos seus membros, vigilância revolucionária a começar por si próprio. Com a certeza das fragilidades e fraquezas de cada um.
Não é fácil… mas é exaltante!

sexta-feira, outubro 22, 2010

AQUILO DE SER ex-comunista…

Ser ex- já é bom, porque se foi e porque se deixou de ser, isto é, foi-se duas vezes e está-se em condições de passar a ser uma terceira vez (ou mais). É de ser!, e só não se diz é de homem! porque também há mulheres que são ex-.
(Aliás, lembrei-me agorinha de um companheiro de viagem do paquete Moçambique - viagem de fim de curso a Angola, em 1958 - que me deu um cartão de visita com o nome dele e, por baixo, ex- seguido de várias “qualidades”, até à última de ex-passageiro do paquete Moçambique.)
Fechado o parênteses, melhor que ser ex-, assim sem mais nada, é ser ex-comunista. Isso é que é. Desde logo, é atestado de maturidade… e de “ter escola”, de ter aprendido onde se aprendem coisas que, depois, nunca se desaprendem todas, embora se ponham ao serviço do contrário da finalidade para que foram aprendidas.
Nem todos os ex-comunistas são iguais. Claro que não. Nunca alguém é igual a outrem. Mas é uma enorme qualidade comum de vários.
Há os que são ex-comunistas porque nunca foram comunistas mas viram no fazerem de conta que o eram uma oportunidade. E como não deu, deixaram de ser o que nunca foram.
Há os que são ex-comunistas porque se desiludiram, isto é, não eram comunistas por o serem mas porque tinham ilusões, que é coisa que os comunistas não podem ter.
Há os que são ex-comunistas porque ficaram “órfãos” da União Soviética, ou seja, tinham uma ideia de que ser comunista era estar ao lado, a par de uma certa realidade que seria inevitável vencedora de um confronto e que, naquele tempo histórico, o perdeu. E como tinham uma curta medida para o tempo histórico, ou seja lhes faltava substrato histórico/ideológico… recusaram a orfandade.
Ah!, há tantas maneiras de se chegar a ex-comunista. Não posso referir todas. Nem as muitas que conheço (de ginjeira…). Mas não quero deixar de deixar referência aos que, antes de serem ex- definitivos passaram por ser ainda mais comunistas do que o eram, achando errada a maneira como o eram aqueles que o eram e continuam a ser. Quase todos desistiram depressa e passaram a ex-comunistas; alguns, passaram depressa a ex-comunistas e em acumulação com serem outras coisas, até "subirem" a deputados, secretários de Estado e ministros. E de tão ex-comunistas são mais anti-comunistas que os anti-comunistas. São vidas!
Ah! e há ainda os ex-comunistas que se recusam sê-lo porque seriam, isso sim, os únicos comunistas, os mais que todos, puros, únicos e intransmissíveis, sozinhos ou em grupinho, e que o são sempre ao ataque aos que os são em colectivo, com estatutos, organização e luta contínua.

quarta-feira, outubro 20, 2010

ISSO DE SER anti-comunista...

Isso de ser anti-comunista tem gradações.
Há quem o seja sem o saber e que, até, se soubesse que o era, deixava de o ser. Há os viscerais, isto é, anti-comunistas com as vísceras, espumando e cheirando mal de tanto o serem, como um tal Alberto João do jardim da Madeira e um deputado espanhol do PP de lá. Entre estes graus, muitos há.
Este é o lado subjectivo.
No que respeita à objectividade (e perigosidade) do anti-comunismo, e o que leva a que ele seja promovido por todas as formas forjando subjectividades através de enormes campanhas de desinformação e deformação, bastaria escrever luta de classes. É que os comunistas, esses cidadãos iguais aos outros, não podem ser vistos como iguais aos outros, não deveriam ter os mesmos direitos, e não podem ou não deveriam porque lutam, coerentemente com a sua base teórica-ideológica, por uma outra sociedade, e para isso fazem a luta de classes – que existe porque há classes e antagónicas – do lado da classe de que querem ser vanguarda e que a outra explora.

terça-feira, outubro 19, 2010

ISTO DE SER comunista...

Isto de ser comunista é lixado.
E a atitude em relação aos comunistas, ou aos que é suposto serem-no, é muito interessante (quer-se dezer…). Aquele ou aquela que outros etiquetam de comunista, com acerto ou não, deixou de ser só outra coisa ou passou a ser outra coisa porque.
Se lhe descobrem (ou inventam) defeitos, e pior que defeitos, logo se diz pois, é comunista!
Mas se se lhe não podem negar qualidades – ser bom profissional, ser bom chefe de família, ser bom rapaz (ou boa senhora) –, o reconhecimento incalável dessas qualidades tem de ser acompanhado de um de dois, ou dos dois, indispensáveis complementos: … apesar de ser comunista ou … apesar de eu estar em desacordo com as suas ideias (e com a Coreia do Norte, ou China, ou Cuba).