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sexta-feira, julho 15, 2016

A banca e o negócio das armas

 - Edição Nº2224  -  14-7-2016

O florescente negócio do armamento
Banca Armada ao serviço da guerra
Um total de 72 entidades financeiras dedicou 80 000 milhões de euros ao financiamento de 34 empresas de armamento convencional e nuclear, entre 2011 e 2015, revela um relatório divulgado pelo Centro Delàs de Estudos pela Paz.



Entre as empresas financiadas assinaladas no estudo estão algumas das principais companhias de armamento do mundo, como as norte-americanas Boeing, General Dynamics, Honeywell International, Lockheed Martin, Northrop Grumman, Textron e Raytheon, a italiana Finameccania, a britânica BAE Systems, a europeia Airbus, as espanholas Indra e Navantia, a coreana Poongsan e as francesas Safran e Thales.
Segundo o Centro Delàs, uma entidade independente com sede em Barcelona, os financiadores são bancos comerciais e/ou de investimento, pequenas entidades financeiras que gerem grandes patrimónios, seguradoras e mesmo entidades públicas, o que revela que o investimento em armamento é uma prática generalizada no sector financeiro. Esta «Banca Armada», como a designa o documento, não hesita em desviar para a indústria armamentista os recursos que nestes tempos de «crise» escasseiam noutros sectores.
De assinalar que o estudo se reporta apenas às entidades financeiras internacionais com papel relevante na «Banca Armada» espanhola (que só no período em apreço dedicou 5900 milhões de euros ao sector armamentista) e no Estado espanhol, deixando de fora muitas mais devido à escassez de dados.
No relatório aparecem implicadas algumas das maiores entidades estrangeiras instaladas em Espanha, lideradas pelas norte-americanas Bank of America, Citi Group e JP Morgan com investimentos em armas superiores a 10 000 milhões de euros. No ranking aparece também o Bank of China (ICBC); os bancos franceses: BNP, Crédit Agricole e Société Générale, com investimentos superiores a 4000 milhões de euros; as entidades financeiras do Reino Unido (HSBC, Barclays, Lloyds), da Alemanha (Deutsche Bank) e da Suíça (Crédit Suisse), para além da célebre Goldman Sachs. Emparelham com estas entidades financiadoras da indústria armamentista os dois gigantes da banca espanhola, BBVA e Santander, e a Banca Privada de Andorra. Quanto a seguradoras, o estudo refere os gigantes mundiais Allianz, AIG, Axa e Aviva como as empresas que mais investem no sector do armamento.
Há também empresas e instituições públicas envolvidas neste negócio, afirma o relatório, citando entre outras o Fundo de Garantia de Depósitos de Entidades de Crédito e o Fundo Norueguês de Pensões.
Em jeito de conclusão, o estudo do Centro Delàs regista a existência de um florescente negócio relacionado ao sector do armamento, e adverte que «quando se investe em armas não apenas se deixa de investir noutros sectores (educação, saúde…), como o facto de se investir em armas supõe que se está a fazê-lo em produtos que se não forem utilizados representam um gasto final inútil, e que se forem utilizados provocam destruição e morte».

sexta-feira, janeiro 08, 2016

«Os milhões, a bola e o resto»

 - Edição Nº2197  -  7-1-2016

Os milhões, a bola e o resto

As últimas semanas do ano ficaram também marcadas por notícias bombásticas sobre as muitas centenas de milhões de euros que as operadoras de telecomunicações decidiram despejar nos principais clubes de futebol profissional. A discussão, tantas vezes inquinada quando o assunto é «bola», ficou reduzida a uma espécie de competição sobre qual dos clubes teria feito melhor negócio, com as habituais horas de comentário televisivo que normalmente se destinam a dissecar arbitragens e declarações de dirigentes, a serem substituídas por análises a contratos, mais ou menos contaminadas por fervores clubísticos .
Mas a dimensão destes «negócios» obriga a um olhar mais atento e profundo sobre o significado de, num país marcado por tão profundas dificuldades e injustiças, de repente jorrarem centenas de milhões de euros para dois ou três clubes de futebol.
Obriga a que se denuncie a profunda diferença entre as verbas aventadas para estes clubes e aquelas que o País disponibiliza, quer para a democratização da prática desportiva, quer mesmo para a competição, incluindo a alta competição, do conjunto das outras modalidades. Exige que se reflicta sobre a ligação entre a privatização da PT e a liberalização do sector das telecomunicações e as opções que hoje determinam os principais focos de investimento destas empresas, onde mais do que o necessário desenvolvimento tecnológico para as necessidades do país, se privilegia o desvio de verbas para actividades de natureza especulativa que dominam a intrincada rede de negócios do futebol profissional. Reclama que se denuncie que, na base destas «prendas» aos adeptos, está uma estratégia que visa a generalização do pagamento para o acesso aos mais elementares conteúdos de televisão, ao mesmo tempo que esse mesmo acesso é negados às camadas mais desfavorecidas da população (relembrar que uma parte do território nacional não tem ainda cobertura da chamada TDT). Impõe ainda que se vislumbre, para lá das parangonas dos jornais, todo o fluxo submerso e cruzado de interesses financeiros obscuros que se movimentam nestes negócios e que, mais tarde ou mais cedo, acabam por emergir em situações como aquelas que o povo português vem amargamente conhecendo como os casos do BES ou do BANIF.

Vasco Cardoso 

quinta-feira, agosto 02, 2012

1ªs páginas de hoje: de gestão em gestão, de negócio em negócio... até ao estoiro final!




















selo
negócios primeiro

Ih! tanto gestor e tanto negócio...
Não serão gestores a mais?!
Não há pai para este Pais!
Não será negócio a mais?
... ou, então,negócio a menos
para tanto gestor!
"O que é que tu fazes?"
" Giro!"
"...e é giro?"
" Oh se é... olarilólé."
Palavras de ordem;
menos gestores,
 melhor gestão,
menos desemprego,
mais economia,
menos negócios!