terça-feira, dezembro 15, 2015

Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) - o relatório do PNUD2015 - 2

O relatório do PNUD lançado ontem, na Etiópia, e esperado com interesse pois, para além de largas considerações sobre o estado do mundo, procura arrolar 188 países pelo seu nível de desenvolvimento humano, não se limitando aos indicadores económico/financeiros mas ponderando-os com indicadores relativos à saúde e à educação. Este trabalho é feito desde 1990 e, a nosso juízo, não se lhe tem dado o relevo que justificaria. Procurando na net é notória a atenção que tal relatório merece no Brasil. No entanto, a comunicaçãoportuguesa descobriu uma "pista"
No entanto, o relatório apresentado ontem, e difícil de encontrar,mereceu algum relevo na comunicação social portuguesa, com uma "descoberta".; 
"Portugal continua entre os 50 países do mundo com melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), mantendo a 43ª posição no ranking de 2015 divulgado pela Organização das Nações Unidas esta segunda-feira. Desde 1990, altura em que o índice começou a ser monitorizado, os anos de escolaridade no país subiram de 11.7 para 16.3, e a esperança média de vida aumentou de 74 para 80 anos no país."
Para já, o "ranking" publicado em 2015 refere-se a 2014, depois o lugar de Portugal no "ranking" anterior era de 41º (ex-aequo) pelo que desceu dois lugares. O que não tem grande significado mas... é significativo do "cuidado" com a informação.
  
Lista dos países 
com "desenvolvimento humano muito elevado"
segundo IDH, em 2013 e as descidas em relação a 2012
na posição                       e                                  no indicador 
1
Estável
0,944
Aumento 0,001
2
Estável
0,933
Aumento 0,002
3
Estável
0,917
Aumento 0,001
4
Estável
0,915
Estável
5
Estável
0,914
Aumento 0,002
6
Estável
0,911
Estável
7
Estável
0,910
Aumento 0,002
8
Estável
0,902
Aumento 0,001
9
Aumento (3)
0,901
Aumento 0,003
10
Estável
0,900
Estável
11
Baixa (3)
0,899
Baixa 0,002
12
Baixa (1)
0,898
Aumento 0,001
13
Estável
0,895
Aumento 0,002
14
Estável
0,892
Aumento 0,002
15
Estável
0,891
Aumento 0,002
15
Aumento (1)
0,891
Aumento 0,003
17
Baixa (1)
0,890
Aumento 0,002
18
Baixa (2)
0,889
Aumento 0,001
19
Estável
0,888
Aumento 0,002
20
Estável
0,884
Estável
21
Estável
0,881
Aumento 0,001
21
Estável
0,881
Aumento 0,001
21
Estável
0,881
Aumento 0,001
24
Estável
0,879
Estável
25
Estável
0,874
Estável
26
Estável
0,872
Estável
27
Estável
0,869
Estável
28
Estável
0,861
Estável
29
Estável
0,853
Baixa 0,001
30
Estável
0,852
Estável
31
Estável
0,851
Aumento 0,001
32
Estável
0,845
Baixa 0,003
33
Estável
0,840
Aumento 0,001
34
Estável
0,836
Aumento 0,003
35
Aumento (1)
0,834
Aumento 0,003
35
Baixa (1)
0,834
Aumento 0,001
37
Estável
0,830
Estável
37
Aumento (1)
0,830
Aumento 0,001
39
Estável
0,829
Aumento 0,002
40
Estável
0,827
Aumento 0,002
41
Aumento (1)
0,822
Aumento 0,003
41
Estável
0,822
Estável
43
Estável
0,818
Aumento 0,001
44
Estável
0,815
Aumento 0,002
44
Estável
https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/b/bd/Flag_of_Cuba.svg/22px-Flag_of_Cuba.svg.png Cuba
0,815
Aumento 0,002
46
Baixa (2)
0,814
Aumento 0,001
47
Estável
0,812
Estável
48
Estável
0,810
Aumento 0,002
49
Estável
0,808
Aumento 0,002

O relatório do PNUD-2015 - 1

como se anunciou:
«PNUD lança Relatório de Desenvolvimento Humano 2015 com foco nos desafios 
do novo mundo do trabalho
Nos últimos 25 anos, 2 mil milhões de pessoas
saíram de uma situação de baixo desenvolvimento humano.

(O NOVO RELATÓRIO do PNUD DEFENDE TRABALHO JUSTO E DECENTE PARA TODOS)
.
14 Dezembro 2015

O ritmo acelerado do progresso tecnológico, a intensificação da globalização, o envelhecimento das sociedades e os desafios ambientais estão transformando rapidamente o significado atual do trabalho. Este novo mundo do trabalho representa grandes oportunidades para alguns, mas também desafios profundos para outros. O Relatório de Desenvolvimento Humano 2015, lançado oficialmente hoje na Etiópia, estimula os governos a agir desde já, a fim de garantir que ninguém seja deixado para trás em um mundo laboral em rápida mutação.
O relatório, intitulado O Trabalho como Motor do Desenvolvimento Humano, defende trabalho justo e decente para todos. Incentiva os governos a encarar o trabalho numa perspectiva que vai além dos empregos remunerados para considerar o trabalho nas suas múltiplas formas, como a prestação de assistência não remunerada, o trabalho voluntário e o trabalho criativo, todas elas importantes para o desenvolvimento humano. O relatório sugere que, apenas adotando essa visão mais ampla, será possível aproveitar verdadeiramente os benefícios do trabalho em prol do desenvolvimento sustentável.
A necessidade de oportunidades de trabalho mais inclusivo e sustentável foi também o que enfatizou a administradora mundial do PNUD, Helen Clark, ao afirmar que “o trabalho decente contribui tanto para a riqueza das economias quanto para a riqueza das vidas humanas. Todos os países devem dar resposta aos desafios no novo mundo do trabalho e aproveitar as oportunidades que permitem melhorar as condições de vida e os meios de subsistência das pessoas”. 
Nos últimos 25 anos, graças à melhoria nas áreas de saúde e educação, além da redução da pobreza extrema, 2 mil milhões de pessoas deixaram os baixos níveis de desenvolvimento humano, afirma o relatório. No entanto, a fim de consolidar esses ganhos e dinamizar o progresso, é necessário mais foco no universo do trabalho.
Há no mundo hoje 830 milhões de pessoas classificadas como trabalhadores pobres que vivem com menos de 2 dólares por dia. Mais de 200 milhões de pessoas, incluindo 74 milhões de jovens, estão desempregadas, enquanto 21 milhões de pessoas são hoje vítimas de trabalho forçado.
“O progresso humano será mais rápido quando todos os que desejam trabalhar tiverem a oportunidade de o fazer em circunstâncias dignas. O que se verifica em muitos países, porém, é que as pessoas são frequentemente excluídas do trabalho remunerado ou recebem menos do que outros por trabalho de igual valor”, salientou o principal autor do relatório, Selim Jahan.

Situação das mulheres
O relatório apresenta nova estimativa detalhada sobre a divisão do trabalho, não apenas o trabalho remunerado, entre homens e mulheres. Embora as mulheres realizem 52 % de todo o trabalho no mundo, ainda existem desigualdades evidentes na distribuição do trabalho. 
As mulheres têm menos probabilidade de ser pagas por seu trabalho do que os homens, sendo que três em cada quatro horas de trabalho não remunerado são realizadas por mulheres. Em contrapartida, os homens respondem por duas de cada três horas de trabalho remunerado. Considerando que são as mulheres que assumem a prestação de assistência a membros da família mais vulneráveis, o relatório adverte que, com o envelhecimento das populações, essa disparidade pode aumentar. 
Nos casos em que as mulheres são remuneradas, elas auferem, em média, a nível mundial, 24 % menos do que os homens e ocupam menos de um quarto das posições de chefia nas empresas em todo o mundo. 
“Para reduzir essa desigualdade, as sociedades necessitam de novas políticas, incluindo a melhoria do acesso aos serviços de prestação de cuidados remunerados. Garantir a igualdade de remuneração, assegurar licenças maternidade e paternidade remuneradas, e combater o assédio e as normas sociais que excluem tantas mulheres do trabalho remunerado são algumas das mudanças necessárias. Isso permitiria que a sobrecarga do trabalho não remunerado de prestação de assistência fosse partilhada de forma mais ampla, dando às mulheres a possibilidade efetiva de optar, ou não, por integrar o mercado de trabalho”, afirmou Helen Clark.

Globalização e revolução digital
A globalização e as mudanças tecnológicas estão criando um mundo do trabalho cada vez mais polarizado. “Nunca foi tão propício ser um trabalhador altamente qualificado, mas, por outro lado, os tempos não são favoráveis aos trabalhadores não qualificados. Essa realidade está aprofundando as desigualdades”, salientou Selim Jahan. 
Os trabalhadores altamente qualificados e os que têm acesso à tecnologia, incluindo a internet, dispõem de novas oportunidades associadas aos tipos de trabalho disponíveis e à forma como estes são realizados. Atualmente, há sete bilhões de linhas de telefones celulares, 2,3 mil milhões de pessoas com smartphones, e 3,2 mil milhões de pessoas com acesso à internet. Esse fato suscitou numerosas mudanças no mundo do trabalho, como, por exemplo, o aumento do comércio eletrônico e a externalização maciça de serviços bancários e de apoio no domínio das tecnologias da informação e da comunicação (TIC), entre outros.
Contudo, apesar das novas oportunidades, há hoje um número crescente de empregos vulneráveis, e subsiste um grande fosso digital, observa o relatório. 
Em 2015, 81 % dos domicílios nos países desenvolvidos têm acesso à internet, mas apenas 34 % nas regiões em desenvolvimento e 7 % nos países menos desenvolvidos dispõem desse acesso.
Prevê-se que numerosos tipos de trabalho rotineiros, como os de escritório, desaparecerão ou serão substituídos por computadores, ou mesmo já desapareceram, enquanto muitos outros trabalhadores enfrentam tipos diferente de insegurança, adverte o relatório. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), 61 % das pessoas empregadas no mundo trabalham sem contrato, e apenas 27 % da população mundial está coberta por proteção social geral.
O relatório propõe aos governos formular estratégias nacionais de emprego que levem em conta os numerosos desafios emergentes no mundo do trabalho em rápida mutação.

Trabalho sustentável e novas oportunidades 
O relatório aborda as principais funções que o trabalho pode desempenhar na consecução dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). 
Os tipos de trabalho que muitos de nós exercemos terão de mudar se pretendemos que nossas economias e nossas sociedades façam verdadeiros progressos rumo a um futuro de baixas emissões (de carbono) e resistente à mudança global do clima. Essas mudanças influenciarão a configuração do mercado de trabalho de amanhã”, informa o relatório. 
Com o “crescimento verde”, novos postos de trabalho serão criados, a natureza de outros será transformada, e outros ainda acabarão por completo. Idealmente, essas mudanças deverão ser apoiadas por redes de segurança e sistemas de proteção social. 
O relatório defende que as oportunidades de trabalho podem ser fomentadas pelos Objetivos Globais. Estima, por exemplo, que serão necessários cerca de 45 milhões de trabalhadores adicionais no setor da saúde para cumprir os objetivos em matéria de saúde dos ODS. Isso traria um aumento na força de trabalho mundial na área da saúde de 34 milhões, em 2012, para 79 milhões de pessoas, em 2030.

Nova agenda de trabalho 
As respostas políticas ao novo mundo do trabalho serão diferentes de país para país, mas há três grupos principais de políticas que são fundamentais para os governos e as sociedades poderem maximizar os benefícios e minimizar as dificuldades no novo mundo do trabalho em evolução. São necessárias estratégias para criar oportunidades de trabalho e assegurar o bem-estar dos trabalhadores. O relatório propõe, nesse sentido, uma agenda de ação com três vertentes: 
- Um Novo Contrato Social entre governos, a sociedade e o setor privado, a fim de assegurar que todos os membros da sociedade, especialmente os que trabalham fora do setor formal, tenham as suas necessidades levadas em conta na formulação de políticas; 
- Um Acordo Global entre governos para garantir os direitos e benefícios dos trabalhadores em todo o mundo; 

- Uma Agenda para o Trabalho Decente que contemple todos os trabalhadores e contribua para promover a liberdade de associação, a igualdade, a segurança e a dignidade humana na vida profissional. »

para ler linha-a-linha,
quase se diria palavra-a-palavra,
para reflectir e comentar
... como iremos tentar fazer,
com a convicção de que,
sendo válidos o diagnóstico e as melhorias
só a alteração de relações sociais
tornarão possível mudar o essencial