quarta-feira, dezembro 05, 2012

Reflexões lentas

Preocupa-me a referência repetida ao “mundo do trabalho”. Nessa referência, e sobretudo na sua repetição, imiscue-se um equívoco que é indispensável procurar sanar. Equívoco que resulta de se identificar "mundo do trabalho” com trabalhadores produtivo como classe operária tal qual identificada há décadas, noutros e anteriores estádios de desenvolvimento das forças produtivas [composição orgânica do capital - k(capital constante)/v(capital variável) - sempre a mudar]. 

O conceito de trabalho é a raíz da nossa ideologia. Querendo ser do Partido da classe operária e de todos os trabalhadores, é tão nossa matriz a classe operária, enquanto trabalhadores produtivos, como são nossos todos os trabalhadores assalariados, sendo o salário o preço da força de trabalho.

Seria tão perigoso não dar a importância vital ao trabalho produtivo (sempre mais colectivo), a única fonte do valor, como ignorar ou menosprezar o assalariamento*, e excluir do “mundo do trabalho” os trabalhadores das esferas da circulação, os intelectuais e, sobretudo no partido que quis tomar, o trabalhador político, diria, “à la Lenine”, o trabalhador revolucionário.
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* - “A burguesia despiu da sua aparência sagrada todas as actividades até aqui veneráveis e consideradas com pia reverência. Transformou o médico, o jurista, o padre, o poeta, o homem de ciência em trabalhadores assalariados pagos por ela”Manifesto do Partido Comunista, Marx e Engels, 1848.


Por mim,
entrei no “mundo do trabalho” aos 12/13 anos
(e continuo a lá estar) sem nunca ter sido operário,
embora só tenha começado a tomar consciência
 dessa condição uma década depois.

2 comentários:

Graciete Rietsch disse...

Sim, todos somos trabalhadores. Desde que não pertençamos ao mundo dos exploradores.

Um beijo.

Olinda disse...

Para mim sô existem duas classes:exploradores e explorados.

Bjo