Quando fui para a cama, já bem entrado o dia de hoje, antes de adormecer (e durante o sono?) vi-me acompanhado por duas recordações curiosas. Daquelas que nos assaltam e de nós tomam posse.
Uma, relativa a um verbo, o verbo defenestrar. O 1º de Dezembro é dia ligado a este verbo. E é um verbo interessante. Desde logo, pela sua origem etimológica que a liga a "fenêtre" e, assim, nos liga, a nós, à língua francesa. Defenestrar, atirar pela janela.
Mas não atirar qualquer coisa. Atirar Miguel de Vasconcelos, que estava ao serviço dos ocupantes espanhóis, e que os "restauradores" acharam ser a forma mais expedita de o fazer sair do palácio (e do armário...) que ocupava, no Paço da Ribeira. Desta forma se simbolizou a reconquista da independência portuguesa, Aliás, a duquesa de Mantua, também vice-rei (não vice-raínha porque o rei era rei, o III de cá e o IV de´Espanha), de quem o Miguel defenestrado era secretário, parece ter sido convidada a ir pela porta (da prisão) se não quisesse ter a mesma saída aérea e pouco airosa.
E quanto a defenestrar é tudo, até porque parece que foi verbo arranjado para o 1º de Dezembro e para aquela janela que viria a ser a janela da Independência, ficando também, com esse nome, um Palácio em que tudo teria sido conjurado.
A segunda recordação é sobre a utilização dada a tal Palácio durante o fascismo, ao serviço da Mocidade Portuguesa, organização de má memória entre a panóplia de quejandas instituições. Depois, depois do 25 de Abril, sem ter havido defenestrações, foram recuperadas tais instalações para actividades bem de outro jaez, como realizações do movimento da Paz, dos deficientes das Forças Armadas e ao serviço do povo.
Agora, parece que alberga uma Sociedade Histórica da Independência de Portugal (e outras), de que não há grandes notícias. Para gente comum, claro. Talvez venha a informar-me. Por curiosidade desperta. E para corrigir eventuais imprecisões históricas
Agora, parece que alberga uma Sociedade Histórica da Independência de Portugal (e outras), de que não há grandes notícias. Para gente comum, claro. Talvez venha a informar-me. Por curiosidade desperta. E para corrigir eventuais imprecisões históricas

