Mostrar mensagens com a etiqueta 1929. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 1929. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, julho 11, 2011

A propósito da "Grande Depressão"

Com todas as reservas e o desacodo que nos merecem Georges Soros, "o campeão da especulação", o homem, às vezes, escreve coisas que revelam uma grande lucidez, ainda que logo depois colocada ao mau serviço, procurado compensar com actividade  espectacularmente filantrópica ou de intervenção - por engano... - de apoio e  financiamento políticos de boas causas.
Mas, por exemplo, apetece transcrever, de A Crise do Capitalismo Global, Temas e debates, 1999:

«O modo como o sistema capitalista global se exprimiu no século XIX, apesar da sua relativa estabilidade, foi destruído pela Primeira Guerra Mundial. Após o fim da guerra, houve uma débil tentativa para o reconstituir, que teve um mau final no crash de 1929 e na subsequente Grande Depressão. Não será, portanto, ainda mais provável que também a versão actual do sistema capitalista global tenha um final infeliz, uma vez que os elementos de estabilidade que estavam presentes no século XIX se encontram agora ausentes?»

Não deve assim ser contada a História, mas a pergunta final do parágrafo tem todo o cabimento... em 1998, data em que foi feita, e muito mais ainda hoje!
Sobre os "elementos de estabilidade", falarei depois e noutros lugares.


domingo, julho 10, 2011

Ex-tractos

Extractos de uma espécie de "diário", em que me olho e procuro reconhecer, ou treino outras facécias, ou de que faço rampa de lançamento:

10.07.2011

E cá estou no domingo… com o açúcar e o afecto do Chico Buarque e da Nara Leão. E não só! 

&-----&-----&

Com a crise de 1929 “à perna”.

&-----&-----&

Porque tenho de cumprir o compromisso com os camaradas do “Caderno Vermelho”.

&-----&-----&

Como arrancar?

&-----&-----&

Já tentei um “guião”, mas não me saiu logo… engulhou.

&-----&-----&

E lembrei-me de um episódio curioso da minha vida

&-----&-----&

(há momentos em que me saltam episódios curiosos da minha vida como pirilampos na estrada para a Terra Fria…).

&-----&-----&

Em 1969, entre outros trabalhos (sempre estive – e estou - metido em “trabalhos”), tinha a responsabilidade do suplemento de economia do Diário de Lisboa, e tive a ideia (ora aqui está uma coisa que nunca me faltou, embora com intermitência pirilampa, claro, e maior ainda na sua concretização…) de dedicar um escrito à crise de 1929, ou seja, de há (então!) 40 anos.

&-----&-----&

Com a ideia complementar de dedicar espaço ao confronto entre o modo como a crise chegara a Portugal, em 1929, e a informação de que, então dispunhamos.

&-----&-----&

E terei feito um artigo a comentar o resultado da minha busca.

&-----&-----&

Não encontrei o artigo (mistérios…) mas refiz a procura.

&-----&-----&

Pois o Diário de Lisboa, nem a 24 de Outubro de 1929, o dia da histórica “quinta-feira negra”, nem a 25, dedicava uma linha que fosse ao que se estava a passar nos Estados Unidos.

&-----&-----&

Isto dava para uma mais funda investigação, mas, para este momento (nem sei se haverá outros, até porque este já é o “meu” segundo…), quero sublinhar que o DL, na secção estrangeiro, numa coluna da direita da página 11 da sua edição de 26 de Outubro, conseguia-se encontrar uma notícia sobre "a crise financeira americana", entre a chegada do barco Nyassa e qualquer coisa de não sei que príncipe Humberto (mas posso saber…)



&-----&-----&

Então, em 1969, fiquei impressionado. Como tinha sido possível que a notícia de tal acontecimento, com tamanha importância, tivesse vindo “a pé” ou “de barco” (no tal Nyassa, se calhar…)?

&-----&-----&

Como podia compreender, em 1969, eu, que usufruia de informação com telex, telegrafia e televisão a juntar à já obsoleta (mas sempre tão útil e insubstituível) rádio, que aqui tivesse chegado desse modo, e com esse remanso, a notícia de tal acontecimento, ocorrido em 1929, dir-se-ia nas vésperas…?

&-----&-----&

Essas vésperas pareciam-me, assim, pré-históricas, apesar de tão pouco tempo passado e de ainda estarmos a sofrer as consequências desse sobressalto no processo histórico.

&-----&-----&

Se tal episódio me fez ganhar nova perspectiva para a dimensão histórica, coloco-me, hoje, 42 anos depois – à mesma distância de 4 décadas… para mim, que passei a medir o tempo em décadas –, e faço o exercício idêntico em relação a outros factos e momentos deste intervalo, além de compreender muito bem (ou julgar o compreender) o que hoje sente um jovem, ou um homem maduro como era em 1969, ao encarar o que aconteceu há, agora, mais de 8 décadas.

&-----&-----&

Nestes dias em que se dispõe de computadores, como este em que bato nas teclas, de televisão a cores e power boxes (e outros powers), de telemóveis, de "excels", de "iphones", de redes "sociais", de coisas de que nem sei o nome quanto mais o uso.

&-----&-----& 

Bom... daqui há-de sair qualquer coisa. Quando?