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sábado, agosto 27, 2022

As eleições em Angola

 - Nº 2543 (2022/08/25)


A razão dos ataques a Angola e ao MPLA

Internacional

Após a II Guerra Mundial, com a vitória da URSS e aliados sobre o nazi-fascismo, os ventos da emancipação nacional e social sopraram mais fortes também em África.

Em Angola, onde o povo sempre resistiu – de uma forma ou de outra – à dominação estrangeira, organizações nacionalistas foram construindo a unidade e, na segunda metade dos anos 50, juntaram-se e formaram um amplo movimento popular de libertação, o MPLA.

Perante a recusa da ditadura fascista e colonialista em Portugal em discutir uma solução pacífica que conduzisse à independência das suas colónias, tornou-se inevitável o desencadear da luta armada de libertação, primeiro em Angola, em 1961, depois na Guiné-Bissau e em Moçambique.

Tal como nas outras colónias em luta, o combate emancipador do povo angolano, sob a direcção do MPLA e do seu líder, Agostinho Neto, exigiu espantosos sacrifícios. Ao fim 13 anos de guerra e, em 1974, com a Revolução de Abril em Portugal, foram criadas condições para a independência das colónias, o que no caso de Angola aconteceu a 11 de Novembro de 1975, com a proclamação em Luanda da República Popular de Angola.

Não foi a almejada paz: o valente povo angolano e o MPLA tiveram de lutar ainda longamente para defender a integridade territorial do seu país e criar condições para construir pacificamente o desenvolvimento.

Lutaram contra os agressores chegados do Norte (tropas zairenses, forças da FNLA – apoiada desde a sua criação pelos EUA –, mercenários recrutados pela CIA) e contra os invasores pelo Sul (colunas militares do regime do apartheid e grupos da UNITA), uns e outros, mancomunados, procurando liquidar à nascença a jovem república.

Rechaçados os invasores em 1975, as Forças Armadas Populares de Angola (FAPLA), entretanto formadas, apoiadas por combatentes internacionalistas de Cuba, continuaram a lutar, durante anos, defendendo a pátria angolana contra as agressões do exército da África do Sul racista e seus aliados internos.

Em finais de 1987 e princípios de 1988, desenrolou-se no Sudeste de Angola a Batalha de Cuito Cuanavale, envolvendo milhares de soldados, aviões e tanques, confronto que terminou com a vitória das heróicas forças angolanas-cubanas e a derrota do poderoso e até então considerado «invencível» exército do apartheid sul-africano.

A vitória de Cuito Cuanavale consolidou a independência e soberania de Angola, deteve o avanço das forças do apartheid, desencadeou o processo de desmantelamento do regime racista de Pretória – imparável, após a libertação de Nelson Mandela –, abriu caminho à independência da Namíbia.

Ocorreram, pois, no último quartel do século XX, mudanças de dimensão histórica na África Austral, de que são exemplos as independências de Angola, Moçambique e Namíbia, o fim do regime racista na Rodésia e o nascimento do Zimbabwe, o desmoronar do apartheid e a emergência da África do Sul democrática. Mudanças que significaram um recuo do imperialismo norte-americano, instigador e apoiante do colonialismo e dos regimes racistas no continente africano e no mundo.

É o ódio contra essas transformações progressistas, nunca aceites pelos seus inimigos de sempre, a razão dos ataques, ampliados em tempo de eleições, contra Angola e o MPLA, o partido da independência.

 Carlos Lopes Pereira


ódios e rancores que não se apagam 

sábado, março 28, 2020

Notícia (entre as muitas significativamente ignoradas)

Brigada médica cubana llegará a Angola para combatir nuevo coronavirus


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Unos 256 especialistas y profesionales de la salud de Cuba, integrantes de la brigada Henry Reeve, llegarán a suelo angolano para combatir la propagación del nuevo coronavirus SARS CoV-2, declarado pandemia el pasado 11 de marzo por la Organización Mundial de la Salud (OMS).
Según publica la embajada cubana en esa nación africana en su cuenta oficial en Twitter, los galenos de la mayor de las Antillas se unirán a los esfuerzos que ya realiza el gobierno de Luanda para enfrentar el virus, causante de la COVID-19.
“La Televisión Pública de #Angola (TPA) informa que aproximadamente 256 profesionales de la salud de #Cuba se unirán a los esfuerzos de este país africano para enfrentar el COVID-19. #CubaSalvaVidas”, tuiteó la sede diplomática.
Con anterioridad, el pasado día 23, Sílvia Lutucuta, ministra de Salud de la República de Angola, expresó públicamente la decisión de su gobierno de solicitar ayuda médica a Cuba, debido a la amplia experiencia de los profesionales de la isla en el combate a diversas enfermedades.
En días recientes la nación antillana ha puesto a disposición de países necesitados varias brigadas médicas, las cuales ya laboran en Venezuela, Nicaragua, Belice, Surinam y en la norteña región italiana de Lombardía.
Cuba y Angola establecieron relaciones diplomáticas el 11 de noviembre de 1975, y desde entonces mantienen vínculos históricos forjados en la lucha por la independencia y defensa de la soberanía de la nación africana.
Ambas naciones han desarrollado relaciones de cooperación en sectores como salud, construcción, educación, ciencia y tecnología, agricultura, defensa, energía y recursos hidráulicos.
En Angola prestan servicio más de 800 cooperantes cubanos de la salud y más de mil de la educación, mientras que en la nación caribeña estudian más de dos mil jóvenes angoleños y se han graduado unos siete mil profesionales.
(Con información de Granma)
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sem comentários!

sábado, abril 09, 2016

Falemos muito seriamente de coisas muito sérias - Angola

 - Edição Nº2210  -  7-4-2016
Angola: solidariedade e coerência

A rapidez com que se passa da discussão 
de um processo judicial em curso nos tribunais angolanos 
para considerações categóricas sobre Angola 
e o caminho que os angolanos devem fazer 
mostra bem o quadro em que é feita esta discussão.

Quem recorrentemente tem levado à Assembleia da República a discussão sobre Angola não tem qualquer preocupação com o povo angolano, as suas condições de vida, a sua liberdade ou o seu futuro. Pretende sim encontrar um pretexto que lhe permita retirar dividendos políticos imediatos instrumentalizando legítimos sentimentos de solidariedade com aquele povo, mesmo que para isso tenha de acompanhar (e alimentar) uma campanha que visa atingir o contrário das proclamações sobre liberdade e democracia com que se disfarça.
E se, pelo caminho, houver condições para apontar toda a artilharia ao PCP, tanto melhor. Não se espera sequer meia-dúzia de horas para que, a partir da comunicação social dominante ou das redes sociais, se esteja a atirar àquele que, para muitos, era afinal o alvo escondido sob o pretexto de Angola. Ou será que ninguém estranha que se tenha ocupado mais tempo a atacar a posição do PCP (em muitos casos sem sequer a conhecer ou deturpando os seus fundamentos) do que a escrutinar os argumentos daqueles que usam ora Rafael Marques ora Luaty Beirão para se guindarem a educadores do povo angolano, ditando aos angolanos o que o seu país é e o que dele devem fazer?
É óbvio que a maioria dos portugueses se identifica com os anseios do povo angolano de viver num país mais democrático, mais desenvolvido e com mais justiça social e, naturalmente, é solidária com essa luta do povo angolano. E a questão nem sequer é a da legitimidade e justeza dessas aspirações e reivindicações, que não se questionam onde quer que seja que os trabalhadores e os povos lutem para as alcançar. A questão é a de saber se essas justas aspirações e reivindicações são ou não instrumentalizadas conduzindo precisamente à sua negação. 

Manipulação e ocultação 
Em nome da liberdade, dos direitos humanos e da democracia fizeram-se as guerras ao Iraque e à Líbia, que serviram afinal para saquear e controlar as riquezas daqueles países, destruindo os seus estados e negando aos trabalhadores e aos povos desses países os mais elementares direitos. Em nome da liberdade, da democracia e da justiça social deram-se apoios e financiamento àqueles que se designava por «combatentes da liberdade», incluindo os que a partir da Síria, da Líbia ou do Iraque vieram a constituir com esse apoio o que hoje se designa por auto-proclamado Estado Islâmico (ou Daesh).
Em nome do combate à corrupção e à oligarquia e exigindo liberdade e democracia foram apoiados na Ucrânia os golpistas da Praça Maidan que conduziram os nazi-fascistas ao poder, mesmo quando já era claro que era essa a natureza das forças que dirigiam e que eram falsas as proclamações com que se dissimulavam.
Ninguém nega a justeza das aspirações e reivindicações de mais democracia, liberdade e justiça social mas também ninguém se atreverá a negar que elas foram instrumentalizadas para conduzir ao resultado exactamente oposto. 

Solidariedade ou instrumento? 
A solidariedade do PCP com os trabalhadores e o povo angolano exige que não deixemos Angola à mercê de quem quer fazer daquele país o mesmo que fez à Líbia ou ao Iraque, instrumentalizando legítimos anseios ou aspirações. A nossa solidariedade com os trabalhadores e os povos que lutam por mais democracia, liberdade e justiça social exige que recusemos acompanhar aqueles que, em nome desses valores, alimentam operações que conduzam à ingerência, à desestabilização externa e à guerra e à imposição de menos liberdade, menos democracia e menos justiça social.
Mesmo quando para alguns isso é difícil de compreender por que não bate certo com as operações mediáticas construídas a partir da propaganda determinada pelos centros do imperialismo. Ou será que ninguém estranha que as posições assumidas por BE e PS nos votos que apresentaram sobre Angola sejam convergentes com aquelas que foram assumidas pelo Departamento de Estado norte-americano e pela União Europeia?
Ao contrário de outros, que se posicionam como instrumentos de cada operação desencadeada pelo imperialismo para liquidar a soberania e submeter países às suas ordens, que têm as suas mãos sujas com o sofrimento, a morte e a devastação que atinge os povos desses países, que são também responsáveis pelos milhões de refugiados que resultam dessas agressões, o PCP afirmará sempre a sua defesa da liberdade, da democracia, dos direitos dos cidadãos e nunca será instrumento ao serviço das operações que querem fazer de Angola mais uma vítima, que queiram fazer de Angola uma nova Líbia.

João Oliveira 

terça-feira, abril 05, 2016

Citação acalmando a ex-citação

de rei dos leittões:

Para Angola, rapidamente e em força!


Não nos sai da memória nem do coração o Portugal Ultramarino, a missão católica de civilizar indígenas, o direito histórico que temos sobre povos que trouxemos ao colo e à chapada antes de se tornarem autónomos e, contra nossa vontade, se transformarem em nações para, bem ou mal, andarem pelo seu próprio pé!
Definimos-lhes as fronteiras, oferecemos-lhes alfaiates para os fatos  dos seus chefes e demos-lhes o mote para as suas leis e os seus sistemas judiciais. 

Mas é preciso estarmos vigilantes. Podemos tolerar guerras fratricidas entre eles, o petróleo bruto e sujo que compra meio Portugal, os meninos de Luanda, mas nunca permitiremos que um grupo de jovens pequeno-burgueses seja condenado por, segundo a nossa imprensa completamente séria e independente, ter lido um livro em colectivo.

Sobretudo porque não se passa na Zâmbia, no Quénia ou na Nigéria! Passa-se em Angola um país que se saiba, ainda é um bocadinho nosso!

E então, há que pôr a soberana Assembleia da República, da república tutora, a atirar juízos sobre a decisão judicial do jovem país soberano. Não interessa, portanto, que não se tenha igual zelo para situações bem mais claras de limitações à liberdade de expressão, que se ponha em causa o superior interesse da nação no que toca a relações entre nações, que se esqueça o que se passa dentro da nossa própria casa, Angola ainda é um bocadinho nossa e isso basta.

Esqueçam! Colonos saudosistas! Angola já não é nossa! ACABOU-SE!

Mas pronto, por cá, pode haver diferentes opiniões, estamos num país livre! Mas ai de quem não se levante para condenar, quem não atire pedras à nação adúltera! 

Sabemos que certa esquerda benetton e certo esquerdismo de podoa, mais do que atacar o governo de Angola, os negócios dos sócios do PS/D ou do CDS, se baba de indignação pela esperada serenidade dos comunistas portugueses que, diz-se, só o fazem porque o MPLA paga terreno na Festa do Avante! Conhecemos bem a lista dos convidados do casamento de Isabel dos Santos. Aprendemos que as primaveras árabes, cariocas ou da china, trazem sempre uma ideia engraçada e peregrina: vamos propor um voto!...

Dou-me bem com toda a gente, até com Deus mantenho uma relações bastante satisfatórias, baseadas no princípio da não ingerência nos assuntos internos. Estou solidário com os presos políticos de Angola e de qualquer parte do mundo. Não simpatizo com as oligarquias de poder que se parecem ter formado em muitos países africanos. Com estes media, sei muito pouco do meu país, quanto mais de Angola! Com esta esquerda mediática, sinto-me muito mais sereno com a esquerda silenciada!...

quarta-feira, novembro 11, 2015

Que viva o Povo de Angola

Era isto que eu queria ter feito (sido capaz de fazer...)

QUARTA-FEIRA, 11 DE NOVEMBRO DE 2015

O MENINO NEGRO NÃO ENTROU NA RODA - Geraldo Bessa Victor/Luís Cília

Que viva o Povo de Angola
11 de novembro de 1975/2015

O MENINO NEGRO NÃO ENTROU NA RODA

O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas — as crianças brancas
que brincavam todas numa roda viva
de canções festivas, gargalhadas francas…

E chegou o vento junto das crianças
— e bailou com elas e cantou com elas
as canções e danças das suaves brisas,
as canções e danças das brutais procelas.
E o menino negro não entrou na roda.
Pássaros, em bando, voaram chilreando
sobre as cabecinhas lindas dos meninos
e pousaram todos em redor. Por fim,
bailaram seus voos, cantando seus hinos…
E o menino negro não entrou na roda.
«Venha cá, pretinho, venha cá brincar»
— disse um dos meninos com seu ar feliz.
A mamã, zelosa, logo fez reparo;
e o menino branco já não quis, não quis…
E o menino negro não entrou na roda.
O menino negro não entrou na roda
das crianças brancas. Desolado, absorto,
ficou só, parado com olhar de cego,
ficou só, calado com voz de morto.

Geraldo Bessa Victor
(1917-1990), poeta de Angola


domingo, setembro 25, 2011

Denúncia

Em aspalavrassaoarmas, Cid Simões denuncia a manipulação em marcha relativamente a Angola. É preciso ler. AQUI. E estar atento.

São as "guerras de recursos" (como lhes chama Rui Namorado Rosa) e o "recurso às guerras"!