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domingo, dezembro 06, 2020

Bolívia!


    BOLÍVIA APOSTA 
    NA REACTIVAÇÃO ECONÓMICA 
    DO SECTOR CULTURAL 

    Sabina Orellana a tomar posse como ministra; à esquerda, o presidente da República, Luis Arce (MAS), eleito com mais de 55% dos votos na primeira volta das eleições celebradas em 18 de Outubro último Créditos / comunicacion.gob.bo
    Sabina Orellana, ministra das Culturas, Descolonização e Despatriarcalização da Bolívia, afirmou que a primeira tarefa do seu Ministério, recentemente criado, será a da reactivação económica do sector.


    Orellana explicou que, desta forma, pretende dar resposta à má gestão do governo golpista, cujo desinteresse pelas políticas culturais provocou uma crise que afectou profundamente o sector.

    «A primeira tarefa que nos pediram foi a da reactivação económica do país no sector da Cultura, porque os decretos supremos do governo anterior prejudicaram-no muito», disse a ministra ao canal de televisão Red Uno, citada pela Prensa Latina.

    «O actual governo sabe da importância da Cultura para o desenvolvimento do país, por isso o presidente Luis Arce assinou o Decreto 4404, que permite a realização de actividades culturais respeitando o cumprimento das normas de segurança», destacou.

    Orellana afirmou que o Ministério que dirige terá o diálogo como principal instrumento de trabalho. «Cabe-nos ouvir o povo, vamo-nos reunir com as autoridades departamentais. Isto não significa que apenas o Estado deva trabalhar, será antes em coordenação com os departamentos e os municípios, e a população», frisou.

    Nas declarações à Red Uno, a ministra disse que a tutela assume a tarefa de criar políticas culturais e de ampliação das infra-estruturas do sector, aumentando o investimento e coordenado as iniciativas com os ministérios de Economia e Finanças, Turismo, e Desenvolvimento Produtivo e Economia Plural.

    Orellana lembrou que apoiar a cultura é um investimento, e isso não deve ser visto como uma despesa desnecessária ou absurda – o argumento utilizado pelo governo golpista de Jeanine Áñez para acabar, em Junho último, com o então designado Ministério das Culturas e Turismo.

    Sabina Orellana tomou posse no passado dia 20 de Novembro e já nessa ocasião tinha sublinhado a importância das políticas culturais para o desenvolvimento social e económico do país.

    «Descolonizar e despatriarcalizar é reverter a desigualdade entre nacionalidades, assim como entre homens e mulheres, é quebrar a hegemonia de uma cosmovisão unívoca que subordina a outra», disse também na tomada de posse, acrescentando que irá trabalhar para acabar com o racismo.

    Ver original em "AbrilAbril" na seguinte ligação:

    https://www.abrilabril.pt/internacional/bolivia-aposta-na-reactivacao-economica-do-sector-cultural

    sábado, outubro 24, 2020

    terça-feira, outubro 20, 2020

    MAS - Bolívia!





    Perante os resultados já conhecidos das eleições de 18 de Outubro na Bolivia, o PCP enviou ao Movimento ao Socialismo (MAS), assim como ao Partido Comunista da Bolívia, as calorosas felicitações pela eleição de Luis Arce como Presidente do Estado Plurinacional da Bolívia, assim como pela vitória do MAS e das forças populares nas eleições legislativas, com a conquista da maioria em ambas as câmaras da Assembleia Legislativa Plurinacional.

    Na sua mensagem, o PCP considerou que o expressivo triunfo agora alcançado nas urnas pelo MAS e os seus aliados confirma a natureza profundamente anti-democrática e anti-popular do violento golpe de Estado, de Novembro de 2019, levado a cabo pelas forças reaccionárias, com o apoio do imperialismo, contra o legítimo Governo de Evo Morales. Uma vitória que, para o PCP, reafirma a vontade do povo boliviano em prosseguir o processo de afirmação soberana e de progresso social na Bolívia, e que dá confiança à luta dos povos da América Latina e Caraíbas e do mundo.

    Reafirmando a solidariedade com o MAS e o Partido Comunista da Bolívia, o PCP insta ao respeito da vontade popular expressa nas urnas pelo povo boliviano.

    _______________________

    MAS...

     além desta mensagem,

    que silêncio ensurdecedor!

    Que estarão a preparar,

    qual será a versão bolivariana de Guaidó

    ou como será a tentativa de 2º golpe de Estado?!


    quinta-feira, dezembro 19, 2019



    cartão de Latuff
    sem comentários!...

    terça-feira, novembro 26, 2019

    Bolivia (continuação) - os amanhãs de pesadelo

      "Informar não é uma liberdade para a imprensa, mas um dever"






    25 novembre 2019
    Bolivie, o regresso da besta imunda
    – um golpe de Estado escondido pela comunicação social
    Maïté PINERO

    Nunca, na sua carreira de jornalista, Tom Phillips tinha vivido algo parecido. Chegado a El Alto, perto de La Paz, no dia seguinte ao massacre na refinaria de Senkata, o correspondente do Guardian na América latina foi recebido com aplausos por uma guarda de honra. A imagem circula nas redes sociais. Prega ao pelourinho os grandes meios de comunicação social.

    Dois dias depois do golpe de Estado, o novo ministro do Governo, Arturo Murillo, e a sua ministra das Communicações anunciavam que os jornalistas “sediciosos” seriam presos, com o nome publicado. Nesse mesmo dia, todos os jornalistas e técnicos argentinos foram agredidos pelos comités cívicos de Santa Cruz, as milícias fascistes. Foram obrigados a juntar-se e, depois, a refugiar-se num hotel, antes de serem recenseados pelas suas embaixadas.
    Telesur pôde emitir ainda alguns dias, com repórteres no terreno (Marco Teruggi et Willy Morales) multiplicando precauções, falando de “governo de facto”, enquanto nos estúdios o apresentador evocava claramente o “golpe de Estado”. O canal informou sobre os massacres em Cochabamba e depois em Senkata. Após as últimas reportagens, no hospital de El Alto, onde sse ouvem gritos de dor, onde se vêm cadáveres, onde um médico desesperado, Aiver Guarana (depois preso), chora frente à câmara, as transmissões foram cortadas.
    Em Senkata, em directo da mortandade, um jornalista latino-americano lamentava-se : Somos dois… onde está a imprensa internacional? Filmou o massacre. Depois, escondeu-se, misturou-se com  população de El Alto.
    Apareceram novos “jornalistas”. Trazem máscaras e capacetes com o distintivo estampado “prensa”. Num video, agridem um estudante de cinema e documentário, que lhes diz: eu faço o trabalho que a imprensa não faz! Os pretensos « jornalistas » apontaram-no aos polícias, que logo o prendem.
    Os meios franceses e europeus estão ausentes. Uma cortina de ferro mediática abateu-se sobre o país. A Federação internacional dos jornalistas, o SNJ e o SNJ-CGT denunciaram o golpe de Estado. Silêncio!
    Com excepção do L’Humanité, a imprensa censura a tragédia: nem uma palavra sobre o autarca indígena pintado de tinta vermelha e cabelo rapado, nem uma palavra sobre os camponeses levados para a beira de uma lagoa, forçados a ajoelharem-se e depois levados para destino desconhecido, nem uma palavra sobre incêndios e saques das casas de Evo Morales, de sua irmã, de representantes eleitos e líderes do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido político do presidente, nem uma palavra (ou quase) sobre a repressão aos manifestantes que, sob fogo, deixaram quinta-feira El Alto com seus mártires caixões abandonados nas ruas.
    Os brancos ricos dão rédea livre ao racismo e têm sede de vingança: não podiam suportar que um indígena, um aimará, nacionalizasse a riqueza do país para criar escolas e universidades, tornar a saúde um direito, conceder reformas, reduzir para metade a pobreza, o desemprego e o analfabetismo. E tenha dado, à maioria do país, os "primeiros povos", o seu lugar na sociedade e no poder. Começando com sua bandeira, a Wiphala, cujo nome significa a vitória que acena, que era a segunda bandeira do país. Nunca visto!
    Franceses e europeus, vocês não saberão nada da tragédia. Editorialistas e "especialistas" patenteados ficarão à margem do que aconteceu e acontece. Na melhor das hipóteses, haverá um debate: é um golpe de estado ou é algodão doce (“barbe à pápá”)?
    A verdade, teimosa e sangrenta, faz o seu caminho. O golpe seguiu o cenário de Golpe Blando (Lawfare), desenvolvido pelo teórico da CIA Gene Sharp.
    A verdade? As acusações de fraude eleitoral são uma montagem da ala direita e da CIA.
    A verdade? A Organização dos Estados Americanos (OEA), o "Escritório Colonial" de propriedade de 60% dos Estados Unidos, foi o gatilho do golpe. Dois centros de pesquisa, incluindo o Centro de Pesquisa Económica e Política de Washington, criticaram o relatório da OEA, dizendo que mesmo que os votos em discussão fossem para a lista da oposição Evo Morales teria ganho.
    A censura prolonga o envolvimento da União Europeia e da França. O Parlamento Europeu recusou-se a incluir o termo "golpe de Estado" na agenda do debate sobre a situação na Bolívia. Federica Mogherini, chefe de política externa da UE, reconheceu o golpe por evitar o "vazio do poder".
    Desde então, o representante da UE, Leon de la Torre, está ao lado da ditadura. 
    André Chassaigne, deputado comunista, enviou uma pergunta escrita ao governo, perguntando se as intervenções da UE e da França pretendem "participar e ajudar a restaurar o estado de direito ou pressionar os eleitos da maioria para que se submetam". Pede que " se informe imediatamente a representação nacional sobre o significado real, o conteúdo e as medidas tomadas pela França e pela União Européia na Bolívia".
    Quanto à administração Trump, organizadora dos bastidores do golpe, deixa os seus cúmplices fazerem o trabalho sujo.
    Denegridos e ameaçados, os deputados e senadores do MAS, maioria de 70% na Assembléia Plurinacional, votaram em novas eleições que a UE, comprometida no reconhecimento do golpe, estava com pressa de anunciar. O que quer dizer quando o exército invade o campo para semear terror? Que prisões e desaparecimentos se multiplicam?
    A intervenção da porta-voz da Assembléia MAS, Sonia Brito, que reflecte veemência, foi censurada no Twitter. No Senado, um seu colega, em declaração ambígua e precipitada, disse: "Há relatos na imprensa de que o grupo radical fez um acordo com a oposição. Isto está errado. Este não é um pacto ... Não vou contradizer a cobertura do governo de transição. (...) não acho é que um governo de transição possa expulsar cidadãos, cause 32 mortos, mais de 780 feridos, prenda mais de 1.000 pessoas, acuse jornalistas de sedição."
    Os golpistas ameaçaram promulgar, na segunda-feira, um decreto para anunciar um outro escrutínio se o Parlamento não aceitar as suas condições.
    Quais condições? Basta ver o gabinete de marionetes fazendo o sinal do WP (White Power) da "supremacia branca" durante a execução de "juramento", para entender o seu objectivo: instalar permanentemente um regime racista e fascista.
    "Se deixarmos acontecer o que está acontecendo na Bolívia, isso acontecerá em todos os lugares", disse José Luis Zapatero, ex-presidente do governo de Espanha. O aviso lembra os antifascistas, artistas e intelectuais da década de 1930. O véu negro da comunicação, o silêncio da elite, o papel da UE estão a preparar-nos para amanhãs de pesadelo, porque é também de nós que se trata. A besta imunda está de volta. A história ensina que é impossível domá-la.

    Maïté PINERO
    Ex-correspondente do L’Humanité em Havana
    (tradução S.R.)

    quarta-feira, novembro 20, 2019

    Bolívia - a par e passo (continuação)

    "Informar não é uma liberdade para a imprensa, mas um dever"
    A mesma quantia foi entregue a todos os outros comandantes militares a todos os outros comandantes militares e só de 500 mil dólares - os pobres… - aos altos dirigentes da polícia, tendo todos partido para os Estados-Unidos. Bruce Williamson tinha sido encarregado dos contactos e de coordenar as acções que levaram ao golpe de Estado, entre a amotinação da polícia e a inacção do exército..
    A senadora auto-proclamada presidente, Janine Añez, apressou-se nomear outros comandantes em substituição dos foragidos, asssim evitando qualquer inquérito imediato das instâncias locais e internacionais. Como por acaso, a maioria deles são originários das províncias de Santa Cruz, Beni e Oriente que são, tradicionalmente, os lugares mais reaccionários e onde nasceu a maior parte dos golpes de Estado que ocorreram neste Pas depois da sua indepemdência. Os nomeados são:
    -  Pablo Arturo Guerra Camacho, Comandante-chefe do Estado-maior das Forças Armadas

    -  Iván Patricio Inchausti Rioja, Comandante do Exército 
    -  Ciro Orlando Álvarez, Comandante da Força Aérea 
    -  Moisés Orlando Mejía Heredia, Comandante da Marinha
    Estes dão os responsáveis pela repressão actual e futura..

    Constitucionalmente, seria a senadora Adriana Salvatierra que deveria assumir a presidência após a demissão de Evo Morales e do vice-presidente Álvaro García Linera, pressão e ameaças de morte, mas la polícia impediu-os de entrar no congresso que, na sequência, elegeu Janine Añez, sem que tenham sido aprovadas as demissões do presidente e do vice-presidente pela necessária maioria de 2/3. Os 26 senadores do MAS (Movimiento Al Socialismo) não puderam entrar e apenas os 10 senadores putschistes puderam exprimir-se.
    Além disso, os jornalistas locais e estrangeiros que não apoiam o novo nouveau regime são considerados sediciosos e imediatamente presos. Em dois dias, as primeiras páginas dos jornais tiveram de se resignar a dar uma boa imagem do putsch. Jornalistas recalciterantes são insultados e agredidos por fanáticos evangelistas. Jornalistas de TeleSur e da televisão russae RT tiveram de se refugiar em El Alto, nas partes altas de La Paz e onde a população pobre é favorável a Morales.
    600 médicos cubanos, que não faziam mais que prestar cuidados de saúde pública à população mais desmunida, foram intimados a abandonar imediatamente o território.
    A população resiste heroicamente mas os mortos acumulam-se debaixo de uma feroz repressão contra a população ameríndia. Quer dizer, sob os altos valores democráticos e sociais dos novos detentores do poder no País…

    Jean-Michel HUREAU
    (tradução S.R.)

    terça-feira, novembro 19, 2019

    segunda-feira, novembro 18, 2019