Mostrar mensagens com a etiqueta Egipto. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Egipto. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, março 02, 2011

Estão a perder a paciência...

Antes de projectar uma cópia da 1ª parte do filme (produzido pelo cravodeabril e realizado por Fernando Samuel), faço-lhe um breve intróito em curtísima metragem:

Na pantalha, aparece a retirada, lá do sítio líbio, de embaixadores e outros "europeus", e de eventuais assimilados, nalguns casos quase à força e desmentindo a dramática situação de que se passam imagens em fundo, depois... segue-se o resto, se possível com o aval das Nações Unidas. Se não for possível... faz-se uma reunião nos Açores!

Sem intervalo, começa o filme
.
TÍTULO:
«O mundo está a perder a paciência com Muammar Khadafi»

CENÁRIO:
O mundo que está a perder a paciência

ARGUMENTO: média dominantes

ADEREÇOS: democracia, liberdade, direitos humanos, ajuda humanitária

MÚSICA: Vira o disco e toca o mesmo

PERSONAGENS E FALAS (por ordem de entrada em cena):

OBAMA: «Todas as hipóteses estão em cima da mesa» - «Os EUA vão manter a pressão até Khadafi abandonar o poder».

DAVID CAMERON (primeiro-ministro britânico):
«É inaceitável que Khadafi possa usar os seus aviões e helicópteros para matar o seu próprio povo»

PENTÁGONO: «Temos em marcha planos de contingência»

ANÓNIMO 1: «É necessário criar uma zona exclusiva aérea (ZEA) para impedir Khadafi de - como ameaçou - bombardear os manifestantes»

GENERAL JAMES MATTIS (Chefe do Comando Central dos EUA):
«Criar uma ZEA pressupõe a destruição prévia da defesa anti-aérea líbia»

DAVID CAMERON:
«Temos aviões em Malta prontos a voar num prazo muito curto»

CRONISTA DO PÚBLICO:
«O Egipto já tomou medidas para começar a armar e treinar o exército de Bengasi e acelerar a queda de Khadafi»

VOZ OFF: «Os EUA enviaram para o Mediterrâneo centenas de marines em dois navios anfíbios»

Hillary Clinton: «(os marines)
Destinam-se a apoiar a evacuação e a prestar apoio humanitário»

ANÓNIMO 2: «Não há ainda unanimidade sobre o caminho a seguir para travar a violência»

FIM DA 1ª PARTE
(a 2ª parte segue dentro de momentos)
copyright
cravodeabril
.
Bom trabalho, cravodeabril e Fernando Samuel!

sábado, fevereiro 26, 2011

E que se sabe, hoje?...

E que se sabe, hoje, neste amanhecer tardio, de como estão as coisas em/sobre a Líbia?
.
No sapo/Lusa, que «o “ferry” grego fretado pela construtora brasileira Queiroz Galvão para retirar os seus funcionários de Benghazi, na Líbia, entre os quais cerca de 50 portugueses, zarpou hoje pelas 09:30 locais (07:30 em Lisboa), disse o director da empresa.»
.
Na TeleSur, que «El presidente de Venezuela, Hugo Chávez, lamentó este viernes la situación que atraviesa Libia y denunció la manipulación mediática y la doble moral de la comunidad internacional que se apresura a condenar al Gobierno de Muammar Al Gaddafi, y guardan silencio sobre violaciones a los derechos humanos en países como Afganistán o Irak. Hizo también un voto por la paz y condenó la violencia.»
.
Em Prensa Latina, que «Consejo de Seguridad negocia resolución sobre crisis en Libia
26 de febrero de 2011, 00:02 Naciones Unidas, 26 feb (PL) El Consejo de Seguridad debe aprobar hoy una resolución dirigida a poner fin a la violencia en Libia, según indicó la presidenta de ese órgano, la embajadora brasileña, María Luiza Ribeiro Viotti. Los 15 miembros de esa instancia iniciaron la víspera consultas privadas en torno a una serie de medidas que permitan avanzar hacia una solución de la crisis que desde hace una semana sacude a ese país árabe.»

.
No jornal i, (no meio das "notícias de 2ª linha", e depois de ter passado pelas primeiras páginas dos outros jornais portugueses de "grande comunicação") «filho de Khadafi admite meia derrota e pede negociações».

~~~~~~~~

(querem ver que, nos nossos jornais, Khadafi - ou Kadhafi? - ainda acaba por morrer na "necrologia", ao lado de Mubarak e de Ben Ali...?)

sábado, fevereiro 12, 2011

Como se estivesse no Largo do Carmo!

Como se estivesse no Largo do Carmo. Onde não estive, porque noutro lugar estava. À espera que nos abrissem as portas pelo lado de fora.
Naquela praça do Cairo, estivemos muitos de nós. Como estivemos no Largo do Carmo. Gente que somos, massas que fazem a História.
Naquela praça do Cairo, resistindo a todas as pressões e violências, ignorando recolheres obrigatórios e repudiando aliciamentos e manobras demagógicas. Durante semanas. Mostrando disposição para serem meses se fosse preciso que fossem meses.
Pode gritar-se Vitória!? Pode dizer-se Ganhou-se!?
Não. Nunca tal se pode gritar ou dizer como verdades conquistadas. O imperialismo tceu e tece as suas malhas. A luta vai continuar. Diferente. Diria que mais difícil.
Mas o dia 11 de Fevereiro, e os dias que levaram ao dia 11 de Fevereiro no Egipto já fazem parte da História. Mostrando como as massas são/podem ser o motor da História. Apesar de tudo e de todos que tudo fazem e de tudo são capazes para o impedir, o atrasar, o sabotar. Antes e depois.
Do Egipto, lembro o tempo iniciático de há 60 anos, de Assuan, do canal do Suez, de Nasser (dos capitães de Abril, lá longe e 20 anos antes, como o disse um camarada!), dos "não-alinhados", da primeira vaga das independências do colonialismo.
Como é bom lembrar, nestes tempos de novas maneiras e outras formas de colonianismo, com as finanças a comandarem, das suas metrópoles de "mercados" e "agências de rating".
Ontem, no Egipto, escreveu-se uma indelével página na História da Humanidade. Uma pequena página de um capítulo ainda inicial deste livro da Humanidade que está no seu começo, na sua infância apesar dos milénios que já tem de vida.
Uma página? Melhor diria um parágrafo, ou umas linhas. Como o foi no Largo do Carmo. Que o foi!
Mas de que se que fazem os livros senão de linhas, páginas, capítulos, tomos?
Mas que são as massas senão gente como cada um de nós, quando e enquanto?
no "expresso" das 10.30 (aleluia!)

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Notas sobre o Egipto (ou melhor: Egito, ou melhor ainda: egípcios) - 3ª

A outra informação! Sem aspas e com pontos de exclamação!
Do avante! (é o de 5ª feira passada, que acabou de ser lido durante o fim-de-semana), pode encontrar-se, aqui, uma página sobre a força imparável das massas.
E acrescento, antecipando eventuais sorrisos de dúvida ou de escárnio (e maldizer...), que há que ter presente o tempo, a dimensão dinâmica da História.
Não basta olhar para o espaço que nos cerca e confina, para o tempo que é o de cada um de nós. Há, sempre, que olhar para além das nossas apertadas fronteiras, para antes e depois dos nossos tão limitados anos de "esperança de vida ao nascer" (conceito estatístico!).

domingo, fevereiro 06, 2011

Notas sobre o Egipto (ou melhor: Egito, ou melhor ainda: egípcios) - 2ª

Do anterior "post", desvalorizado por ser auto-citação, retiro duas ideias. De reflexões de minha conta e risco, mas que me atrevo a propor à reflexão de outros, dando-lhe os (des)camimhos que cada um entender.

i) Uma, sobre as eleições que não terá havido em Novembro, decerto porque se sentia a oposição à sucessão entre Mubaraks.

ii) Outra, a partir da pré-ideia leniniana de que as "eleições burguesas" servem para ver como estará a subjectividade das massas, seja onde e quando for, e que recentemente se me impôs com a imagem de "termómetro" que dá indicações sobre o "estado das massas".
Imagino um "cenário" para as tais eleições de Novembro no Cairo, decerto com observadores internacionais - que, se tivessem vindo cá, a esta "ocidental civilização", se escandalizariam com a questões como a do cartão de cidadão e correlativas perturbações no exercício da cidadania -, e quantifico-o:
  • 1 em cada 5 inscritos e aptos a votar garantiriam a sucessão mubarakiana;
  • 3 em cada 5 inscritos e aptos a votar abster-se-iam;
  • 1 em cada 5 inscritos e aptos a votar, votariam em branco ou nulo, eventualmente com uma frase elucidativa do não-voto, naqueles caracteres com plicados para nós.

Do que teria resultado uma eleição do "filho do pai" com altíssima percentagem, lá para perto do 100% dos votos expressos e a contarem!

Hoje, serão 3 ou 4 em cada 5 egípcios nas ruas, e a sofrerem a agressão de menos que 1 em cada 5, estes ajudados por fora, com toda a máquina imperialista.

O "termómetro", bem lido, não teria enganado...

segue

Notas sobre o Egipto (ou melhor: Egito, ou melhor ainda: egípcios) - 1ª

O Egipto (ou Egito...) sob observação atenta, empenhada. De quem quer acompanhar o tempo que vive, o contemporâneo, e o de antes, e querendo, nem que seja como o bater de asas de borboleta, contribuir para o tempo depois. E intervenção imperialista, subterrânea, tenebrosa. Com os Estados Unidos e Israel aos comandos...
Num "post" de 28 de Setembro, com que fechava uma série de impressões de viagens, escrevia:
.
«(...) Procuro sempre, mesmo quando inadvertidamente, levar a conversa para essas áreas do viver quotidiano e como ele se organiza. Mas, olhado como turista, e não como cidadão viajante/visitante, raro tenho interlocutores. Aliás, desconfio que se não fosse assim também não melhoraria grande coisa...
Salário mínimo, regras laborais, organização sindical, estrutura política? Nada! Ou muito pouco de respostas, e as poucas com algum adivinhado mal-estar. Mesmo depois de um certo à vontade e mútua confiança.
Bem, o mais que consegui “arrancar” foi a ideia de que a sucessão (eleitoral!) de Mubarak pai por Mubarak filho não era bem vista, que incomodava. E alguma (ou muita) reserva quanto a Mubarak, o protagonista da política egípcia há 30 anos.
O facto é que, no avião, consegui – finalmente! – um jornal egípcio em inglês, The Egyptian Gazette, e li coisas interessantes que talvez estejam escritas noutros jornais com outros caracteres. Um artigo de “especialistas” prevê (em título) que “novo parlamento (a eleger, talvez…, em Novembro) não servirá os interesses do povo” porque se manterá a maioria do NPD (Partido Democrático Nacional), e não se tornará mais democrático, e os 88 lugares que eram ocupados pelos “Irmãos Muçulmanos” serão distribuídos por outros partidos sem nada alterar.
________________________

Cairo protesta:

Activistas políticos egípcios protestam

no Cairo, terça-feira,
contra os rumores de que Gamal,
filho do Presidente Mubarak,
lhe sucederia.
.
_________________________

No entanto, o que mais procurava não eram estas informações mas as do sentimento da escassíssima amostra com que contactei, e da pouca que observei. E aí o obstáculo da língua foi enorme, juntamente com o que me faz crer que o inquérito posto no jornal sobre opinião relativamente à posição a tomar pela “oposição egípcia” - i) participar nas eleições; ii) boicotá-las, iii) não me interessa – terá grande maioria com a 3ª resposta.
Este é o problema que mais me (pre)ocupa: o esclarecimento, a tomada de consciência, a posição das populações/massas perante a organização social/económica/política em que vivem. Muito mais em Portugal, evidentemente, mas também no Egipto… ali a multiplicar por 8 como número… mais as ponderáveis ponderações qualitativas. (...)»
segue

quinta-feira, fevereiro 03, 2011

O peão está condenado... mas é preciso evitar mais perdas

As primeiras páginas dos jornais, espreitadas nos escaparates, denunciam o gato sem lhe esconderem, sequer, o rabo. As agências noticiosas dão largo eco aos... "apoiantes" do já condenado Mubarak e à sua "resistência. Violenta e a partir de actos e operações que se incluem no que já aqui foi chamado "manobras tenebrosas" porque vindo das trevas e dos embutes em que os discursos escondem ou dizem o contrário do que se faz.
Não para que ele, Mubarak, seja "salvo" e continue a ser o que sempre foi, um peão do imperialismo no xadrez internacional, numa posição estratégica de grande importância, mas para que, no seu "sacrifício", se evitem grandes perdas, substituído por outro peão e contrariando o avanço e tomada de prosições do adversário. Do inimigo de classe. Das massas em conquista de posições e no sentido da história. Da Humanidade.

Ex-tractos...

De um "post" de 17 de Setembro, transcrevo (não com a petulância de auto-citação mas porque me parece oportuno):

«(...) São perto de 20 milhões, os habitantes do Cairo. (...) Há uma cidade cinzenta, degradada, empoeirada, há a “cidade dos mortos”, um extensíssimo cemitério com 200 mil vizinhos habitantes vivos, ou ainda sobreviventes, há a cidade dentro das mesquitas, onde se manifestam, com grande aparato policial às portas para que de lá não saia a manifestação, há, do outro lado das pontes, uma cidade que parece europeia (…)
(...) é impressivo este sentimento de estar num outro mundo. Fiquei marcado por aquela informação de que este ano é o ano 6 mil e tal de um talvez primeiro calendário, eu que tão orgulhosamente refiro 8 séculos de (nossa) História.
E sentir-me-ia esmagado se me tivesse surpreendido a pensar nestes milénios de História em que tropeço, nesta ideia de antiguidade que nos toma aqui, em tudo o que aqui começou e por aqui passou. O guia falou-nos dos romanos, e dos gregos, e dos árabes, e dos mameluques, de Mohamed-Ali, e dos franceses, e dos ingleses, e dos chiitas, dos sunitas e dos fatimistas, e de mais estes e de mais aqueles, e depois disse que só em 1952 os egípcios começaram a governar o Egipto.
Os egípcios?! Há "os egípcios"? E governam o seu País com nem sei quantos milénios antes de Cristo e mais os que vieram depois (e estamos nós – tão pequeninos – no 3º milénio recém-começado), governam este Egipto, hoje com mais de 80 milhões, e dependente do turismo e de “ajudas” financeiras externas?
.
Como o mundo é antigo e grande! (...)
.
E sinto – estou a sentir coisas… – que há… os egípcios, como uma massa de gente que está ligada a toda a que antes de si aqui viveu.
E o que viveu! »

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

O povo egípcio vive tempos de esperança! Que bom ver e senti-lo... de novo!

O Egipto sempre (escrever sempre é - sempre! - arriscado) foi uma peça determinante no puzzle da História. Tão jovem que sou (porque vivo estou...), lembro o episódio do canal de Suez, e a importância de Nasser, um dos três da Conferência dos Não-Alinhados, e como o imperialismo combateu e, temporariamente, derrotou o que foi uma ameaça. E tanto mais se pode lembrar. Em tempo histórico, há pouco, ainda ontem...



É um povo de 80 milhões num local nevrálgico, geográfica e culturalmente.

Enquanto se elaboram as mais engenhosas (e não hesito em escrever tenebrosas) manobras nas retaguardas, nos corredores & Cia., o povo vive um tempo de luta e de esperança.

A ver imagens, recordamos o que nunca deixará de estar vivo em nós: um povo desarmado que se encontra com um povo armado. Isto, o imperialismo não pode aceitar, e tudo fará para sabotar. Onde quer que seja. Mas não o conseguirá sempre...

Há um povo que vive dias duros e felizes porque de esperança. Com ele estamos!