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sexta-feira, novembro 18, 2016

As moscas...

Trump é irresistível. Tem tudo (e muito pouco de bom) para ser mediático... e eleito. Hoje. Nos Estados Unidos. Até o nome parece escolhido a dedo para português dizer que mudam as moscas e o Trump é o mesmo. Mas não é!... porque tudo muda. Até Trump, o previsível, muda quando passa de candidato a presidente a presidente imprevisível... mas controlado. Não queria escrever mais sobre o personagem, que parece (manobra de) diversão. Não resisto - e comprazo-me - a transcrever a crónica internacional do Jorge Cadima. Sempre excelente e didáctica.


  - Edição Nº2242  -  17-11-2016

EUA e UE
As eleições nos EUA são expressão da crise do sistema. Os seus resultados contribuirão para o ulterior aprofundamento dessa crise. Nos EUA e a nível mundial.
Todo o processo eleitoral espelhou um profundo descontentamento popular. Que é fruto da perda de nível de vida dos trabalhadores dos EUA desde há 40 anos e do obsceno enriquecimento da cada vez mais restrita minoria ligada ao grande e parasitário capital financeiro e ao complexo militar-industrial que governa esse país. A situação explosiva dos EUA desde há muito se traduz numa crescente violência, quer individual (tiroteios e massacres), quer estatal (assassinatos policiais). Mas também em indicadores como o aumento de mortalidade entre a população adulta branca, que já provocou uma queda na sua esperança de vida (New York Times, 2.11.15 e 20.4.16). Ou num facto espantoso, revelado num estudo do Centro para o Controlo e Prevenção de Doenças, CDC, relativo a 2014 (citado em wsws.org, 5.11.16): entre as crianças dos 10 aos 14 anos o suicídio é a segunda causa de morte, havendo mais óbitos por suicídio do que por acidentes de viação. Os trabalhadores dos EUA são também vítimas da globalização imperialista e da grande crise do capitalismo, na desindustrialização, no desemprego, na baixa constante de níveis salariais.

Colocados perante dois candidatos do sistema, ambos milionários, milhões de norte-americanos responderam com a abstenção, o voto em terceiros candidatos ou (de forma paradoxal mas previsível) em quem – sendo um candidato do sistema – vociferava ser inimigo do sistema. É tragicamente revelador que enquanto a candidata do Partido Democrata, falcão das agressões imperialistas, assumia o papel de candidata do Partido da Guerra apadrinhando os delírios belicistas anti-russos, fosse o candidato republicano Trump que parecia a voz da razão ao alertar para os perigos duma guerra entre as duas maiores potências nucleares do planeta. O futuro encarregar-se-á de mostrar o que realmente valem as palavras de Trump.
Logo após as eleições, boa parte dos violentíssimos insultos entre os dois candidatos deu lugar aos elogios. Trump, que passou a campanha a dizer que Hillary Clinton devia estar presa, apressou-se a agradecer as suas três décadas de serviço em prol da pátria. E Hillary, que passou a campanha a propagar a delirante tese conspirativa de que Trump seria um agente do Kremlin, apressou-se a desejar-lhe boa sorte e a pedir que lhe seja dada a hipótese de governar. O mais certo é que, conscientes do profundo descontentamento popular que grassa nos EUA, ambos estejam a querer travar os sentimentos de revolta que sentem crescer entre o povo daquele enorme país e que se exprimem já nas ruas e nas lutas operárias.

Mas a candidatura de Trump, além de tentar canalizar o descontentamento em prol do sistema – e criar condições para tornar esse sistema ainda mais agressivo e anti-popular – reflecte reais clivagens no seio da classe dominante dos EUA. Clivagens que são, elas próprias, produto da crescente crise do sistema e da consciência do seu gradual enfraquecimento enquanto centro mundial do imperialismo. Clivagens visíveis nas reacções da UE à eleição de Trump. Juncker afirma que «a eleição de Trump corre o risco de minar os alicerces e a estrutura das relações intercontinentais», e dá lições: «Teremos de ensinar ao Presidente eleito o que é a Europa e como funciona» (Deutsche Welle, 11.11.16). A ministra da Defesa alemã, preocupada com as tiradas eleitorais sobre a NATO e sobre Putin, afirma que Trump «tem de escolher claramente de que lado está» (DW, 11.11.16). No mesmo sentido vai o secretário-geral da NATO, em texto que o Observer (13.11.16) considera «salientar a profunda preocupação no seio de círculos militares europeus com o novo presidente americano».
Uma coisa é certa: seja nos EUA ou na UE, a palavra de ordem é militarizar. Os povos nada têm a esperar dos defensores do grande capital, a não ser exploração, miséria e guerra.

terça-feira, novembro 15, 2016

Resultados de eleições aparentemente bipolares

Se sou o primeiro a perguntar-me se não será excessivo o espaço ocupado pelas eleições nos Estados Unidos, em detrimento de tanto que há a dever (pre)ocupar-nos, mais me choca a qualidade do que preenche o espaço e tempo ocupados. Foi, evidentemente um choque (i)mediático, como o foi o chamado Brexit, como o foi o golpe no Brasil, e não digo mais (para poupar palavras...) mas comunicação social abusa. 
O mundo está em convulsão, e não é (só) em tremendos desastres naturais. O capitalismo, como sistema dominante na relação de forças sociais, dá sinais de desnorte, ou de desorientação na rosa dos ventos. Depois de ter vencido a batalha do Leste europeu, mostra não controlar o que intentaria fazer por via de regimes políticos democráticos "à sua maneira", isto é, manipulando as massas para que legitimem pelo voto (expresso ou abstencionista) estratégias imperialistas. Estratégias que, evidentemente, não são consensuais entre os vários  e friccionais ou conflituais interesses da/na classe dominante. E o perigo - para a Paz, para a Humanidade - não é escamoteável.
As recentíssimas eleições presidenciais poderão tê-lo tornado evidente. Não o digo por ter sido eleito quem foi, nem pela campanha à medida dos dois candidatos bipolares. Mas, com o velho hábito de analisar resultados, encontro sinais ocultos (ou ocultados) que são significativos para quem queira ver a política para além de quem é que foi eleito, e reduz a participação das gentes ao gesto periódico e bem manipulado de escolher quem a classe dominante entende mais conveniente para os interesses dominadores dentro dela.
Pois bem, observando os números-sinais arrogo-me trazer novidades, que algumas não o deveriam ser.
  1. - além dos candidatos bipolares, houve (este ano e mês) mais 4 candidatos com votos expressos, um dos quais com 4 milhões e perto de 200 mil votos e outro ultrapassando largamente o milhão de votos; 
  2. - de 2012 para 2016 houve, na totalidade, menos um milhão e quase 400 mil de eleitores;
  3. - os dois candidatos que a esmagadora maioria das gentes julga terem sido os únicos tiveram menos 5 milhões e 400 e muitos milhares de votos que os seus antecessores (uma queda de 7,4% nos "democratas" e de 0,8% dos "republicanos");
  4. - em contrapartida, os votos nos outros candidatos, se bem que partindo de pouco mais de 1 milhão e 300 mil votos, subiram mais de 4 milhões e acima de 700 mil, ultrapassando os 6 milhões de votos, o que representa saltos de 226% para o candidato "libertário" e de 168% para a candidata "verde", que foram os mesmos de há 4 anos.
Têm estas contas algum significado ou interesse? Cada um julgará por si, pelos seus critérios e escalas. Mas é indispensável inseri-las (às contas...) no contexto de ilusões criadas há 8 anos e reforçadas há 4, alheias - então e agora -, à consciência do sistema social prevalecente e correlação de forças em que o mundo se agita.      

sexta-feira, novembro 11, 2016

Ressaca difícil para alguma comunicação social

O homem, pelo que é e como é, ajudou imenso, mas o ambiente e a comunicação social do sistema demonizou-o como forma de contribuir para que se esqueça (ou para que não se lembre) que se vive num "inferno" de relações sociais. Agora, têm de o recuperar e já há quem lhe chame "fofinho"... 

quarta-feira, novembro 09, 2016

Pequeno apontamento

do Público

"Segundo a análise do New York Times, Trump foi avassalador a recolher o voto dos brancos com menos formação, ganhou largamente entre os homens e não perdeu muito entre as mulheres. Já Hillary Clinton ganhou entre os afro-americanos, os hispânicos e americanos-asiáticos, mas o nível de apoio foi inferior ao que Obama teve há quatro anos."

Da insuportabilidade ao insuportável

O mundo, o nosso pequeno mundo, o nosso pequenino mundo de gente atenta e preocupada, adormeceu ou acordou perplexo. Aconteceu o inesperado... ou seria, antes, o/um previsível?
O Mundo enredou-se numa teia que faz com que sejam as gentes que, perante a insuportabilidade do que está, escolham um personagem como Trump para presidente dos Estados Unidos. 
Na minha mundivivência, no meu infinitesimal mundo, com a adoptada opção - tornada obsessão - de querer entender o tempo que vivo enquanto momento do processo histórico, lembro o que senti quando confrontava outras escolhas, em democracia representativa no capitalismo, como as de Reagan, Tatcher, Buch(s). Não dos nomes, não dos/das personagens mas do que simbolizavam - ou poderiam simbolizar - como escalada resultado de manipulação das massas fechadas à compreensão das necessárias transformações do Mundo.
E não quero, agora..., recorrer ao arquivo interno e lembrar o que retive da informação e estudo sobre os anos 30, aqui na Europa, e sobre as reacções, naqueles vitoriosos Estados Unidos do pós-guerra perante outras vitórias e outros caminhos abertos por estoutras vitórias.
Mal adormecido (ou mal acordado), esfrego os olhos e vejo Trump como presidente dos Estados. E o que antecedeu este facto. Quero dizer o que ele me desperta. Como catarse perante o insuportável? Como infinitesimal contributo para uma informação e reflexão colectivas. Para uma humana tomada de consciência.  

terça-feira, novembro 08, 2016

8 de Novembro - dia D, hora H, tempo T

D de quê? De dia de Democracia? Não... de domínio imperial(ista) da informação!
H de quê? De hora de Hillary? Quase certo... mas de hilariedade se não fosse tão sério!
T de quê? De tempo de Trump? Espera-se que não... mas já foi - e é! - de trafulhice, de traficância, de (porque não vernaculizar?)  de trampa!    
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do Público:

PERGUNTAS E RESPOSTAS

Quantas eleições se realizam hoje?

São 51 pequenas eleições para eleger 538 grandes eleitores. Por isso, 
é possível ganhar o voto popular e perder a Casa Branca. 
O empate é possível, mas improvável.
Trump e Hillary: um dos dois será o próximo inquilino da Casa Branca REUTERS

Quantos são os candidatos no boletim de voto?

Três nos 50 estados mais o Distrito de Colombia: 
Hillary Clinton (Partido Democrático), Donald Trump (Partido Republicano), 
Gary Johnson (Partido Libertário). 
Mas em 40 estados há mais dois (Jull Stein e Darrel Castle) 
e em 20 estados um. Depois, em cinco estados cada, há mais 21 candidatos.

domingo, novembro 06, 2016

Demo Cracia

abril abril:

Os EUA vão às urnas a 8 de Novembro

Norte-americanos 

com cada vez mais obstáculos 

na hora de votar

As restrições ao direito de voto nos EUA incidem, particularmente, sobre a população afro-americana, hispânica e asiáticaAs eleições presidenciais nos USA
 da próxima 3ª serão as primeiras 
desde que foram introduzidas 
novas restrições ao exercício do voto
 em catorze estados.
http://www.abrilabril.pt/sites/default/files/styles/jumbo1200x630/public/assets/img/16875514637_492bb4b8a6_o.jpg?itok=TDsfr7yv
As restrições ao direito de voto nos EUA incidem, particularmente, sobre a população afro-americana,
 hispânica e asiáticaCréditos
Apesar dos alarmes lançados pela campanha de Donald Trump para uma fraude eleitoral em larga escala, organizações de defesa dos direitos civis denunciam alterações legais que podem deixar de fora muitos que queiram votar a 8 de Novembro.
De acordo com o Intercept, 14 estados norte-americanos  aprovaram leis mais restritivas sobre os procedimentos de votação desde as últimas presidenciais, em 2012. Foi o resultado de uma decisão do Supremo Tribunal, que anulou parte do Voting Rights Act, que fazia depender alterações à lei eleitoral de aprovação federal em estados com histórico de discriminação racial.
Na maioria dos casos, passa a ser obrigatória a apresentação de um documento de identificação com fotografia, a par de restrições ao voto antecipado e ao registo de eleitores. 
Ao contrário do que sucede em Portugal, o recenseamento não é automático e o acto eleitoral decorre à terça-feira, sendo bastante mais significativo o impacto do voto antecipado, já que o dia das eleições é, também, dia de trabalho.
Tenessee, Carolina do Sul, Alabama, Mississipi e Texas são alguns dos estados que introduziram novas limitações ao exercício do direito de voto em 2011, mas que viram essas tentativas bloqueadas pelo Voting Rights Act. A partir da decisão do Supremo, em 2013, todas estas alterações puderam entrar em vigor.
De acordo com o Brennan Center for Justice, citado pelo Intercept, dos 11 estados com maior participação eleitoral de afro-americanos, 6 introduziram restrições eleitorais, assim como sete dos 12 estados com maior crescimento de população de origem hispânica entre 2000 e 2010.
Cartaz à entrada de uma secção de voto em Nashua (New Hampshire), 5 de Novembro de 2013
Estas medidas vão ser aplicadas pela primeira vez num clima eleitoral marcado, particularmente nas últimas semanas, por incitamentos à violência durante o acto eleitoral por parte de grupos supremacistas brancos, dirigidos a eleitores das chamadas minorias. Estima-se que representem 43% de todo o universo eleitoral neste ano.
A responsabilidade de condução dos actos eleitorais norte-americanos é responsabilidade dos estados, não existindo qualquer organização ao nível federal que acompanhe o processo. As regras são muito diferentes, muitas vezes dentro do mesmo estado. De acordo com o relatório provisório da missão de observação eleitoral que a Organização para a Segurança e Cooperação na Europa tem nos EUA, existem 5,8 milhões de cidadãos privados de direitos políticos por condenações criminais, 2,6 milhões dos quais já cumpriram a pena a que foram condenados.
Não existe qualquer limitação aos gastos de campanha, pelo que se estima que já tenham sido gastos mais de 1,2 mil milhões de dólares, metade pelos dois principais candidatos à presidência. No dia 8 de Novembro vão ser eleitos todos os membros da Câmara dos Representantes, um terço dos Senadores e milhares de representantes estaduais e locais.