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sexta-feira, outubro 16, 2009

Parábolas "estatísticas" - 3 (se calhar não é...)

Esta série de (deixem-me chamar-lhes) parábolas saiu em fase de descontracção… muito séria.
Mexia em números como quem joga – e nada melhor para descontrair que jogar com números – sendo números muito sérios, e encontrei coisas que me alertaram, mais uma vez, para aspectos que acho indispensável ter em consideração. Com alguma prioridade. Coisas que é preciso saber. Hoje.
Talvez o que tenha despoletado esta minha parabolice foi ter verificado que haverá quem, tendo responsabilidades cívicas, como cidadã/ão que fez os estudos ditos obrigatórios e é participante activo/a na vida política, nalguns casos até responsável, não sabe ver quem foi eleito, usar o método de Hondt (que é o que está adoptado). Se calhar não é grave, mas incapaz de deixar de considerar essa incapacidade de outros como um uma espécie de analfabetismo para quem “anda na política”. Em que, ao fim e ao cabo, todos andamos.
(Se quiserem eu explico, até faço um desenho)
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Por outro lado, encontrei erros onde não os queria encontrar, e alguns reincidentes.
Errar não é criticável. Reincidir no erro já o é. Aliás, lembro sempre Bento de Jesus Caraça, que no busto à porta da sua Escola (e “minha”...), do ISEG, nos diz que não temia o erro porque estava sempre pronto a corrigi-lo, e Marx e Engels, que dão verdadeiras lições de humildade, ao encontrarem erros seus, ao dizerem que erros eram, ao corrigi-los.
E, já que estou – parabolicamente – em onda de referências, termino com Lenine que nos aconselhava a “aprender, aprender, aprender sempre”.

Parábolas (ou nem tanto) "estatísticas" - 2...

Os números, e as estatísticas que deles se alimentam, são traiçoeiros. Mais que as palavras. E há quem os/as manipule sem pudor.
Outra coisa é o rigor. Ou a falta deste.
A recuperação, pela CDU, da autarquia de Alpiarça tem o maior significado. Para além do grande simbolismo desta recuperação, ela também é quantificável.
Dizer que a votação na CDU passou de 36,4% para 49,7% é muito, o que se pode reforçar com o acrescento de tal representar um aumento de 36,5% de percentagem de votação (e de 13,3 pontos percentuais – 49,7 – 36,4 = 13,3) em relação às anteriores eleições, de 2005.
Para ajudar a perceber a importância de não confundir percentagem com pontos percentuais, deixo o seguinte exemplo, com duas situações:
Um concelho que tivesse tido 10% da votação e passe a ter 12% subiu 20% na percentagem votação e cresceu 2 p.p.; um concelho que tivesse tido 20% da votação e passe a ter 22% subiu 10% na percentagem de votação e cresceu os mesmos 2 p.p.
Mas terá (ainda) maior significado político a evolução da massa eleitoral.
Alpiarça cresceu quase 40% de massa eleitoral, isto é, o número de votos na CDU em relação aos que tivera em 2005 cresceu 39,9%.
Aplicando, quase por analogia, a “parábola” anterior, do pequeno comerciante, gerente de uma… tasca, se calculássemos essa evolução dividindo o acréscimo de eleitores na CDU pelos que agora votaram na coligação e não pelo “ponto de partida” (os que votaram em 2005), o acréscimo seria de 28,5% e não de 39,9%. Faz a sua diferença!

quinta-feira, outubro 15, 2009

Parábolas "estatísticas" - 1...

- Olá vizinho, bom dia... Tem água-pé nova?
- Bom dia, amigo... e da boa!
- Sabe? É que vou ter amigos lá em casa, de surpresa, e queria dar-lhes a provar da nossa pinga... Pode ceder-me um garrafão?
- Por ser para si...
- Obrigado. E quanto é?
- Olhe, atão comprei a 100, pus-lhe em cima 20%, estou a vender a 120... mas, por ser para si, fico só com metade do lucro, fico só com 10%...
- Obrigado. Então diga lá.
- Não lhe vendo a 120, vendo-lhe a 108... diz aqui a minha maquineta... faço-lhe 10% e fico só com metade do lucro.
- Ó amigo!, olhe que se enganou. Isso são 10% do preço de venda, e o seu lucro (ou lá o que lhe chama) é calculado com base no custo, e passou a ser só de 8% na venda que me fez. Vá... eu pago-lhe a 110 porque não o quero enganar... mas veja bem essas contas.
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O meu vizinho da tasca ficou a olha para a "maquineta" e a coçar na cabeça. Com esta "formação", e na "selva" dos manipuladores de números e estatísticas, os pequenos comerciantes terão pouca capacidade de sobreviver. Há que pensar nisto.