Muito me apetece transcrever, mas escolhi, para citação, a resposta a esta pergunta:
Considera, portanto, que não está a haver equidade na distribuição dos sacrifícios?
Eu acho que não. As zonas mais abandonadas e mais debilitadas económica e socialmente não têm sido zeladas com uma proporcionalidade monetária justa e compensadora. Uma malga de sopa mata a fome. Mas uma malga de sopa significa, tantas vezes, o mais fundo desrespeito humano. “Toma lá!”. É o olhar de cima. E, como diz o Garcia Marquez, “só se pode olhar de cima como se olha uma criança: para a ajudar a crescer”. Aí é que o olhar de cima não é uma afronta! Nós ficamos muito satisfeitos, e isso são restos do salazarismo, com a solidariedade que engana a fome. O que eu queria era a justiça que matasse a fome.! As pessoas têm direitos, como homens, a ter um trabalho com um salário justo. Não um salário precário, um salário de favor ou um salário que equivalha à malga de sopa,
