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segunda-feira, setembro 26, 2022

Deformatações

do (quase-)diário (pgs. 7293 a 7297 no caderno 202):

26.09.2022

Os dias começam pelo correio chegado, com particular atenção para o que canaliza (nunca inocentemente) informação.

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Sobretudo, a que nos informa a todos, visando informatar-nos, e que, dispondo de meios enormes e poderosos (do poder…), ocupa o espaço informativo, impede, quando não amordaça, qualquer outra informação que não a que serve o poder, as forças que dominam as relações sociais.

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Sobretudo e sobre todos, a informação que tem e impõe o seu léxico, feito de valores e conceitos que são utilizados como se estivessem definidos, fossem definitivos e indiscutíveis, absolutos e consensuais; 

a informação que discorre com base em análises temporais e/ou com números que são falseados e ajeitados como conveniente, sem se hesitar no seu próprio e sequente desmentido temporal.

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É, em todas as minhas/nossas manhãs (minha nossa!...), o confronto com esta agressão a quem possa, minimamente que seja, ter dos mesmos afirmados valores e conceitos definições diferentes (por pequenas que possam ser as diferenças);

esta violenta agressão a quem não aceite o que lhe é dado como definitivo e indiscutível, a quem se ache no direito de pôr em causa o absoluto ou dogmático e que, por isso, não aceite decretadas consensualidades.

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Dois exemplos de hoje, desta manhã, motivadores desta quotidianamente suscitada questão da unicidade da informação, da formatação das consciências:

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Lê-se no Expresso curto que nos entra casa:

             1.      … volta a atirar o mundo para uma inesperada crise económica, com valores de inflação a fazer disparar os custos de vida e a perda de rendimentos.(…)

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“… inesperada crise económica, com valores de inflação…”?!, mas quantas vezes, e por quantos, foi prevista a crise económica, se previu (e preveniu) o disparar dos valores da inflação?...

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… beliscando desejável pudor de auto-citação, lembro intervenção minha em acto comemorativo do centenário da Seara Nova, em que glosei o mote, prevendo, sem reservas nem agravamentos… inesperados, a crise que aí está

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Mas há mais (e melhor!):

             2.     Uma das questões que se coloca é saber como pode a Europa lidar com a ascensão de partidos, democraticamente eleitos, mas que fazem muitas vezes da intolerância, do extremismo e da radicalização o centro do seu discurso político.

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Desde logo, assalta-me e agride-me a pérfida contumácia de se considerar a Europa igual a uma União Europeia, que é organização de Estados membros em construção que, mesmo que fosse construída-constituida por todos os Estados ou países do continente Europa, não poderia substituir a Europa, entidade histórica, no sentido que este adjectivo tem…

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… a União Europeia não é, nunca será, o princípio (nem o fim da história)  da Europa, substituindo-a.

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Depois, há quem se arrogue distribuidor de atestados de democraticidade, a partir de um conceito que, em vez de se basear em cidadania igualizadora de direitos sociais – o que nada tem a ver com igualitarismos primários e falsificadores –, tem um único critério: o das eleições de representantes por eleitores socialmente desiguais, com diferente informação e desinformados, a maioria deformatada.  

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Esse é o perfeito espelho-reflexo do que, por via da intolerância e da radicalização da prática de uma aparente centralidade, leva, eleitoralmente, ao extremismo da intolerância e da radicalização anti-social, anti-democrática sem quaisquer limites de um qualquer conceito elástico ou redutor de democracia.  

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  A que há que resistir, agora como sempre. 

quinta-feira, julho 23, 2020

Os picos de UMA crise-1

Se há palavras que têm moda, há outras que parecem estar sempre presentes. No que se escreve, no que se diz. Poucas como CRISE terão essa qualidade (?). A propósito - e por vezes a despropósito - lá aparece a crise a caracterizar o que vivemos ou o que foi vivido. No plano individual, ou no plano colectivo. Há as crises da infância, da juventude, da madura idade, da velhice (ih!, são tantas...); há a crise económica, a ambiental, a da agricultura, a alimentar, a crise do capitalismo. Fixemo-nos nesta. Que até tem bolhas...

Na minha opinião (que pode não estar certa... porque é minha, mas está fundamentada), acho incorrecto dizer-se que o capitalismo tem crises periódicas ou cíclicas. Considero que o capitalismo, como formação social baseada numa relação social que a define, está sempre, e inevitavelmente, em crise. E tem períodos de explosão da crise sempre latente, resultado de contradições intrínsecas que não pode resolver. Faz, acho eu, a sua diferença.

De onde resulta que as organizações que se incluem no quadro do domínio dessa relação social que define o capitalismo também vivem em crise. Que periodicamente tem os seus picos. Tal é o caso da integração económica europeia, que hoje se chama União Europeia, e já foi Comunidade Europeia, e antes Comunidade Económica Europeia. Que começou por ser uma associação de 6 Estados-membros, formando uma união aduaneira em alternativa a uma zona de comércio livre, que era defendida por outros Estados da chamada Organização Europeia de Cooperação Económica, por sua vez nascida de um Plano Marshall, que viera em socorro dos Estados do sistema capitalista economicamente debilitados pela guerra, assim aproveitando os Estados Unidos para expansão da sua economia e travar ou impedir o reforço do provisoriamente seu aliado, a União Soviética, e o (des)caminho de outros países que saíam da órbita capitalista.

Assim nasceu, com registo de nascimento em Roma, o então popularizado como mercado comum, e anos mais tarde, em Estocolmo, a chamada EFTA, ou os 7 da zona de livres trocas apenas para produtos industriais, e com um anexo G ao Tratado,que tinha em conta - ou fazia de conta que tinha... - o atraso de crescimento (económico) de Portugal.
Ora essa CEE, nascida a 25 de Março de 1957, começada com associação de 6 Estados-membros , seguia o caminho (e o exemplo funcional) da CECA-Comunidade Europeia do Carvão e do Aço, criadoaa partir de uma célebre declaração do ministro dos negócios estrangeiros francês, Schuman. E veio alargando-se, ao longo destas décadas, passando de 6 a 9, depois a 10, depois a 12 (com Espanha e Portugal), depois a 15, até hoje a 27, e não 28 porque, pelo caminho e recentemente, o Reino Unido, que entrara em 1972 (mas só com um pé dentro) saiu, num processo complicado e ainda por concluir, que teria originado a "maior crise da União Europeia", como agora se chama, antes desta mesmo dos dias de hoje, que teria (quase) terminado ontem, e que teria sido a "maior crise da União Europeia", com o prolongamento da reunião do Conselho (reunião dos governos dos 27, ao mais alto nível)... e ainda falta que o Parlamento Europeu aprove o que estendeu negociações milhar de milhões a milhar de milhões, milhar a milhar de milhões para subsídios (mas com condições), milhar a milhar de milhões para empréstimos... mas só para o ano, e em cumulo de negociações relativas ao orçamento plurianual.

Porquê, e para quê, esta arenga toda? Porque tive (e gostei de) rever a história da integração europeia;para justificar e prolongar as reflexões sobre crise. É que se o Brexit tinha sido (e ainda não terminou) a "maior crise" logo é cavalgada por esta "maior crise" derivada do surto epidémico e da necessária transferência de meios (financeiros) com o nome de apoio solidário, de Fundo  de Recuperação (até de cópia espúria de um espúrio Plano Marshall).

Em resumo (para hoje), estou percorrendo o percurso do processo de integração económica dos países capitalistas europeus e vejo-o eivado de "crises", quando acho que a crise é só uma, vem das origens e não lhe faltam picos (ou explosões) a merecem ser chamadas de "a maior crise". Por exemplo, logo nos inícios, em 1965, a maior de todas, pelo menos em extensão, que não foi de um fim-de-semana prolongado até terça, mas de mais de 6 meses. O episódio da cadeira vazia... que fica para amanhã.



 

sexta-feira, abril 10, 2020

Depois do medo, o alívio????

Depois do medo, do pânico
             o alívio, a esperança, 
             o quando vai voltar tudo à normalidade?


O que será mais letal,
socialmente?
O virus
ou a virulência desumana?

sábado, março 14, 2020

Sobrevivência e Todos

Neste estado (de estádios com espectadores ausentes ou fechados a sete chaves para ninguém entrar), pois (dizia eu...) neste estado em que estamos (estamos em que estado?, a que estado chegámos!?) os governos viram-se obrigados a serem executivos e não só executores. E, mais coisa menos coisa..., os governos da governança global e cada vez mais financeirizada e neoliberal tiveram de puxar pelos desdoirados galões. Mais ou menos e cada um à sua maneira, apesar da OMS, OCDE, Davos,UE., OTAN e etc.
Aqui em Portugal, o governo que temos por sorte (é  maneira de dizer) arregaçou as mangas e procurou afinar o verbo. Usou duas palavras-chave: sobrevivência e todos. Como se fossem inquestionáveis e convincentes. E fechassem (ou abrissem) todas as portas.
Mas não são!
À minha conta ou cont(a que é m)inha saltam dúvidas e questões.
Resumo. Por agora: 
Sobrevivência... de quem?, de quais? do sistema?
Todos... são mesmo todos?... é que há todo o mundo e ninguém, já lá dizia o Mestre Gil.

Temos de estar, TODOS, muito atentos. Por uma questão de SOBREVIVÊNCIA. De todos e nenhuns. 

domingo, fevereiro 05, 2017

... para pensar a actualidade...

O livro - Para a Crítica da Crise-diálogos com intelectuais e parlamentares da esquerda em Portugal - foi recentemente lançado. Já a ele me referi ("post" de 1 deste mês) e a ele decerto voltarei,
Hoje, apenas deixarei a contracapa, com a curiosidade do autor desse texto - Milton Temer -, ter o mesmo apelido de um personagem que também o usa e que protagonizou o "golpe de Abril de 2016", e de tal modo que está investido, por portas travessas, artes e manhas, no cargo de presidente da República do Brasil. E nunca poderia subscrever uma apresentação destas





































ao livro
 voltarei

quarta-feira, fevereiro 01, 2017

Para a crítica da crise

A semana passada lançou-se, em Lisboa, um livro que merece referência (e leitura!):



A apresentação é de José Paulo Netto... e abre o apetite.
(cliquem, p.f., no tamanho original)







































Voltarei...
a Marcelo Braz
e a José Paulo Netto.
Breve!









sexta-feira, junho 21, 2013

G8 e reservas mundiais de divisas e ouro

O que vimos escrevendo sobre a reunião desta semana do G8 tem sido, para nós, de uma grande importância e utilidade. 
Embora nos recusemos, sempre, a tomar os números, os indicadores, pela realidade, eles podem ajudar-nos a acompanhar o andamento desta. A reunião dos tais 8 que formam um grupo demasiado perigoso para que não seja tomado muito a sério, motivou-nos umas pequenas buscas e "arrumação" de dados que reflectem uma situação e - bem mais importante! - uma evolução.
Depois dos PIBs, fomos ver qual a situação das "reservas mundiais em divisas e ouro"  e há informações sobre que importa determo-nos.
Se os 8, os títeres "senhores do mundo", têm (ou teriam em 2011, e segundo o FMI) 51,1% do PIB mundial, apenas dispunham de 22,9% dessas "reservas", enquanto só a China dispunha de 27,9% (isto segundo dados da CIA)!
Confrontando, como fizemos para os PIBs, as "reservas" tal como arroladas pela CIA em 2011, elaborou-se um quadro que parece elucidativo... e significativo.
Com a impressionante contribuição da China, os BRIC (com os territórios anexos, mas contabilizados como países, de Taiwan e Hong Kong) dispõem de 43,6% das "reservas" mundiais, enquanto os 8 do G não passam dos referidos 22,9%, com os Estados unidos  ( com 21,7% do PIB segundo o FMI) a dispor de 1,3% das "reservas". Maior monstro com pés de barro não se pode encontrar!
Anote-se ainda que, para Dezembro de 2008. a CIA contabilizava, para a China, 2 biliões e, agora, para 2011, contabiliza um salto de 60%. Em três anos.

O mundo está, em muitos aspectos, de pernas para o ar, e reflecte o funcionamento globalizado do capitalismo no seu estertor. Tem, decerto, os dias, perdão, os séculos contados (como diz Avelãs Nunes):
E tudo isto é muito perigoso, com a Rússia a desempenhar um papel-charneira, até por estar nos dois grupos que se vêm referenciando.

quarta-feira, maio 29, 2013

Um gajo e a sua gaguez, ou...

... ou como o sistema bancário, criado pelo capital financeiro transnacional, é fautor de contradições intrínsecas ao funcionamento do capitalismo.



será - talvez... - demasiado técnico,
mas vale a pena tentar decriptar.
Ajuda a perceber tanta coisa!
Assim o entrevistador,
para além do embaraço que provocou
(e da gaguez) no entrevistado.
fosse capaz (ou quisesse)
ir ao fundo das questões,
ao funcionamento do sistema,
ao capitalismo, à exploração.
à luta de classes!

Mas tudo se resolverá... porque a poupança vai aumentar!
Ah, se o ridículo matasse....

segunda-feira, maio 20, 2013

À espera God ot

...vai-se lendo o sapo... que é primo da rã com a perna partida

A reunião do Conselho de Estado, marcada pelo Presidente da República para discutir o 'pós-troika', teve início pelas 17h10.

Notícias Relacionadas


... e procurando fazer
alguma coisa de útil, claro!

(valha-lhes nossa senhora de fátima...
mas têm de fazer a promessa
de virem - todos a pé! - 
visitar a minha vizinha,
mas não me passem à porta...)

A bola de neve...


Sem enganar ninguém, 
vendo pelo preço por que comprei...

«A Holanda pode provocar o colapso do euro

Por Matthew Lynn, El Economista
Artigo | 13 Maio, 2013 


A bolha imobiliária estourou, o país está em recessão, o desemprego sobe e a dívida dos consumidores é 250% do rendimento disponível. O grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente começa a provar o amargo da sua própria receita.

A Holanda começa a provar o amargo da austeridade que o seu ministro das Finanças quer aplicar em toda a Europa.

Que país da zona euro está mais endividado
? Os gregos esbanjadores, com as suas generosas pensões estatais
? Os cipriotas e os seus bancos repletos de dinheiro sujo russo
? Os espanhóis tocados pela recessão ou os irlandeses em falência
? Pois curiosamente são os holandeses sóbrios e responsáveis. A dívida dos consumidores nos Países Baixos atingiu 250% do rendimento disponível e é uma das mais altas do mundo. Em comparação, a Espanha nunca superou os 125%.
A Holanda é um dos países mais endividados do mundo. Está mergulhada na recessão e demonstra poucos sinais de estar a sair dela. A crise do euro arrasta-se há três anos e até agora só tinha infetado os países periféricos da moeda única. A Holanda, no entanto, é um membro central tanto da UE quanto do euro. Se não puder sobreviver na zona euro, estará tudo acabado.
O país sempre foi um dos mais prósperos e estáveis de Europa, além de um dos maiores defensores da UE. Foi membro fundador da união e um dos partidários mais entusiastas do lançamento da moeda única. Com uma economia rica, orientada para as exportações e um grande número de multinacionais de sucesso, supunha-se que tinha tudo a ganhar com a criação da economia única que nasceria com a introdução satisfatória do euro. Em vez disso, começou a interpretar um guião tristemente conhecido. Está a estourar do mesmo modo que a Irlanda, a Grécia e Portugal, salvo que o rastilho é um pouco mais longo.
Bolha imobiliária
Os juros baixos, que antes do mais respondem aos interesses da economia alemã, e a existência de muito capital barato criaram uma bolha imobiliária e a explosão da dívida. Desde o lançamento da moeda única até o pico do mercado, o preço da habitação na Holanda duplicou, convertendo-se num dos mercados mais sobreaquecidos do mundo. Agora explodiu estrondosamente. Os preços da habitação caem com a mesma velocidade que os da Flórida quando murchou o auge imobiliário americano.
Atualmente, os preços estão 16,6% mais baixos do que estavam no ponto mais alto da bolha de 2008, e a associação nacional de agentes imobiliários prevê outra queda de 7% este ano. A não ser que tenha comprado a sua casa no século passado, agora valerá menos do que pagou e inclusive menos ainda do que pediu emprestado por ela.
Por tudo isso, os holandeses afundam-se num mar de dívidas. A dívida dos lares está acima dos 250%, é maior ainda que a da Irlanda, e 2,5 vezes o nível da da Grécia. O governo já teve de resgatar um banco e, com preços da moradia em queda contínua, o mais provável é que o sigam muitos mais. Os bancos holandeses têm 650 mil milhões de euros pendentes num sector imobiliário que perde valor a toda a velocidade. Se há um facto demonstrado sobre os mercados financeiros é que quando os mercados imobiliários se afundam, o sistema financeiro não se faz esperar.
Profunda recessão
As agências de rating (que não costumam ser as primeiras a estar a par dos últimos acontecimentos) já se começam a dar conta. Em fevereiro, a Fitch rebaixou a qualificação estável da dívida holandesa, que continua com o seu triplo A, ainda que só por um fio. A agência culpou a queda dos preços da moradia, o aumento da dívida estatal e a estabilidade do sistema bancário (a mesma mistura tóxica de outros países da eurozona afetados pela crise).
A economia afundou-se na recessão. O desemprego aumenta e atinge máximos de há duas décadas. O total de desempregados duplicou em apenas dois anos, e em março a taxa de desemprego passou de 7,7% para 8,1% (uma taxa de aumento ainda mais rápida que a do Chipre). O FMI prevê que a economia vai encolher 0,5% em 2013, mas os prognósticos têm o mau costume de ser otimistas. O governo não cumpre os seus défices orçamentais, apesar de ter imposto medidas severas de austeridade em outubro. Como outros países da eurozona, a Holanda parece encerrada num círculo vicioso de desemprego em aumento e rendimentos fiscais em queda, o que conduz a ainda mais austeridade e a mais cortes e perda de emprego. Quando um país entra nesse comboio, custa muito a sair dele (sobretudo dentro das fronteiras do euro).
Até agora, a Holanda tinha sido o grande aliado da Alemanha na imposição da austeridade por todo o continente, como resposta aos problemas da moeda. Agora que a recessão se agrava, o apoio holandês a uma receita sem fim de cortes e recessão (e inclusive ao euro) começará a esfumar-se.
Os colapsos da zona euro ocorreram sempre na periferia da divisa. Eram países marginais e os seus problemas eram apresentados como acidentes, não como prova das falhas sistémicas da forma como a moeda foi estruturada. Os gregos gastavam demasiado. Os irlandeses deixaram que o seu mercado imobiliário se descontrolasse. Os italianos sempre tiveram demasiada dívida. Para os holandeses não há nenhuma desculpa: eles obedeceram a todas as regras.
Desde o início ficou claro que a crise do euro chegaria à sua fase terminal quando atingisse o centro. Muitos analistas supunham que seria a França e, ainda que França não esteja exatamente isenta de problemas (o desemprego cresce e o governo faz o que pode, retirando competitividade à economia), não deixa de continuar a ser um país rico. As suas dívidas serão altas mas não estão fora de controlo nem começaram a ameaçar a estabilidade do sistema bancário. A Holanda está a chegar a esse ponto.
Talvez se tenha de esperar um ano mais, talvez dois, mas a queda ganha ritmo e o sistema financeiro perde estabilidade a cada dia. A Holanda será o primeiro país central a estourar e isso significará demasiada crise para o euro.»

comentarei mais tarde, 
se for caso disso

sábado, abril 13, 2013

Extrapolação, ou melhor: extraPULHAção

Começaram, com pézinhos de lã, por dizer
quem polui, paga!
(e fizeram da despoluição um negócio...
pelo que há quem polua para ganhar com a despoluição)

Como a frase-slogan pegou, extrapolou-se
quem quer saúde, paga!
(e fizeram da doença um chorudo negócio)

e continuaram por aí fora, dizendo-o ou não 
quem quer educação, paga
quem quer transportes públicos, paga-os
quem quer andar nas estradas, paga
(e de tudo fizeram PPP e negócios
senão acabam-se, ou exportam-se os "utentes"...)

agora chega-se ao limite bárbaro 
quem quer subsídio de doença, paga
quem quer subsídio de desemprego, paga
(por culpa do TC, dizem eles!)

 em resumo-caricatura mal dita ou mal feit(or)a
não há almoços grátis
(a não ser por caridadezinha
na sopa dos pobres...)

e para a semana vão querer impor a extraPULHAção final
quem quer viver, paga
(aos mesmos de sempre, aos dos negócios,
reformado subsidiado paga o subsídio)


para evitar confusões,
importa tornar muito claro
que as "coisas" que satisfazem necessidades
têm o seu custo,
mas podem não ter preço
para quem a elas tem direito,
por ser humano a viver humanamente!

quarta-feira, abril 03, 2013

4,5 mil milhões de euros saíram, avisadamente, a tempo!

Enquanto fazia outras coisas, os olhos apanharam em roda-pé a informação de que 4,5 mil milhões de euros tinham sido "retirados" de Chipre, por quem bem avisado foi antes desta enormíssima encenação, só possível após os recentes resultados eleitorais. Para um país e uma economia com as dimensões de Chipre, 4,5 mil milhões de euros é uma... enormidade!
Mas o país era, além de muita outra coisa diferente e que fazia a diferença, uma ilha em offshore. O que é o capitalismo em todo o seu esplendor especulativo, beneficiando da cumplicidade e do servilismo de quem politicamente concedeu a libertina e universal circulação de capitais e a desmetalização/desmaterialização do dinheiro (o que é recente... só tem escassas décadas!, e percorre o mundo capitalista ou que o capitalismo alcança com as suas garraS).
Assim se procuram saídas para a inevitabilidade (essa sim, inevitável) da mudança de sistema de relações sociais. A besta está no seu estertor. Perigosissimo e que pode durar décadas.

De Chipre, esta foto tirada no museu de Lanarka,
HOMEM QUE GRITA!



segunda-feira, março 18, 2013

Ah!, Gaspar, Gaspar... que "bom serviço" fazes... mas levarás muito que contar

Os que keyneseanos se confessam ("graças a Deus", diz este...) andam muito activos e contundentes, desde há uns meses e contra Gaspar. E cada vez com mais razões. Das suas e não só.
Faz lembrar outros tempos, do final dos anos 50, e da mudança dos 60 para os 70 do século passado.



domingo, março 17, 2013

Um passado ex-futuro, presente-conselheiro de Estado, cheio de futuro(s) alternante...


Vítor Bento também não vai ao debate sobre a reforma do Estado

Vítor Bento mudou de ideias e cancelou presença no ciclo de conferências sobre a reforma do Estado porque em janeiro já deu o seu contributo para este debate ao participar numa outra conferência.
Lusa - Tiago Miranda


Vítor Bento: "É muito importante que se promova e envolva a sociedade nesta discussão" Vítor Bento: "É muito importante que se promova e envolva a sociedade nesta discussão"
O conselheiro de Estado Vítor Bento cancelou a presença no ciclo de conferências sobre a reforma do Estado, que começa na segunda-feira, com a justificação de que o seu contributo para a discussão já foi dado.
Numa nota enviada à Lusa por uma sua assessora, Vítor Bento esclarece que, em janeiro, participou numa conferência sobre a reforma do Estado organizada pela sociedade civil e patrocinada pelo Governo, "pelo que a sua colaboração nesse tipo de eventos está dada". Na mesma nota, Vítor Bento, esclarece que "é muito importante que se promova e envolva a sociedade nesta discussão" e que a sua "recusa em participar não tem nada de pessoal, nomeadamente contra o Governo".
A participação de Vítor Bento no ciclo de conferências "Sociedade Aberta e Global" sobre as "funções do Estado, políticas públicas e administração pública" estava prevista para dia 28 de maio numa intervenção com o título "Finanças Públicas, a sustentabilidade financeira do Estado: Que modelo para uma Administração Pública sustentável".
O ciclo de conferências é organizado pelo Instituto Nacional de Administração em conjunto com o ISCSP e decorre em sete sessões, de 18 de março até 18 de junho, contando a abertura com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
"Ao longo de sete sessões a sociedade civil, os parceiros sociais e a administração pública são convidados a refletir sobre as atuais e futuras funções do Estado e qual o papel da administração enquanto veículo dinamizador das políticas públicas e do serviço público", refere a organização do evento, que é de entrada gratuita, sujeita a inscrição.



sexta-feira, março 15, 2013

Oh!, Gaspar...

sob o signo do DE:

O DEsemprego galopará para 18,2% (nas previsões de hoje...)


O DEcrescimento económico há poucos meses seria de 1%, segundo o OE13, passou para 2% há poucas semanas (que nem um mês somaram), segundo a Comissão Europeia, e hoje saltou para 2,3%.


Para quando a DEmissão do DEsgoverno?

... e números da União Europeia agravados por Vitor Gaspar!
... e não se fica por aqui... se não lhe pusermos fim!

quinta-feira, março 14, 2013

"Isto" é tolerável?...

"Manchete" de hoje do Correio da Manhã:


... aguenta-se?!

quarta-feira, março 13, 2013

Que dizer deste calhordas, perdão, Catroga?

É mais um  dos ministros de Cavaco - com eles se faria um verdadeiro "gang", com chefe e tudo... -, é o Catroga, embora eu tenha a mania de lhe chamar calhordas. Pois o calhordas do Catroga é impagável. Pelo menos assim se considera, não há salários e reformas que o vedem...
Hoje, veio largar uma das suas. Quais 4 mil milhões?! A despesa pública tem de se reduzir não 5, não 6, não 7, nada menos de 8 mil milhões de euros, não é? Nem mais nem menos, ó Catroga.
Como é evidente (e é mesmo evidente!) este número é tão cert(eir)o como qualquer outro. Depende de que Estado se quer e ao serviço de que interesses. 
Mas, quando se fala de cortar 4 mil milhões, e a partir daqui se justificam todos os ataques possíveis (até se aguenta?!) aos direitos sociais, e se faz uma encenação à volta da prolongada estadia dos "troikos" de fora, vir dizer, peremptório, que o que é necessário é reduzir o dobro, 8 e não 4 mil milhões de euros, é próprio do Catroga. E ajuda à festa...

terça-feira, março 12, 2013

Onde ataca a austeridade


Notíciário sobre a crise... (do INE e da Fundação FMS-Pingo Doce): 

«Crise chega à alimentação. Portugueses compram menos básicos nos supermercados. Uma família gasta, em média, 150 euros por mês em alimentos

















 
O ano de 2012 ficou marcado por uma tendência recente na economia. As famílias cortaram na despesa com bens alimentares, contribuindo para o agravamento da recessão. É a primeira vez que tal acontece na série anual divulgada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) relativa ao produto interno bruto (PIB).
As estimativas oficiais preliminares, ontem divulgadas, confirmaram uma recessão de 3,2% em 2012 e de 3,8% no último trimestre (pelo oitavo trimestre consecutivo).
O INE refere que “a redução mais intensa da procura interna foi determinada pelo comportamento do consumo privado (despesas de consumo final das famílias e das instituições sem fim lucrativo ao serviço das famílias), com uma diminuição de 5,6% em volume (variação de -3,8% em 2011), o que se traduziu num contributo de -3,7 pontos percentuais para a variação do PIB".
"Esta evolução esteve associada à diminuição mais acentuada das despesas em bens não duradouros e serviços [onde estão os alimentos] e das despesas em bens duradouros (taxas de variação de -3,9% e -23,0% em 2012 (-2,1% e -18,5% no ano anterior), respetivamente”, acrescenta o instituto.
A secção dos bens não duradouros não ofereceu, pois, o contributo negativo maior, mas começou a refletir uma tendência recente que é fruto da subida do desemprego e da perda de poder de compra de salários e pensões, comprimidos pela subida “enorme” de impostos registada em 2012.
Segundo o INE, a despesa com comida recuou 0,4% em 2012, para um total de 19,5 mil milhões de euros. Estes gastos representam cerca de 15% do consumo final das famílias.
As contas nacionais trimestrais mostram que a despesa com alimentação nunca tinha caído (a série do INE remonta a 1996) até à entrada da troika em Portugal. Desde o terceiro trimestre de 2011 que regista reduções consecutivas, acumulando assim seis trimestres negativos.
Os dados do INE não falam sozinhos. Existe informação sobre hábitos de consumo que evidenciam claramente onde é que as famílias estão a cortar cada vez que vão ao supermercado ou ao hipermercado.
A Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), no portal Conhecer a Crise (www.conheceracrise.com), com base nos números da consultora Nielsen, indica que as famílias estão a cortar no peixe (mas a compensar com mais carne), em bebidas como cerveja, sumos, refrigerantes e águas, nos iogurtes, nos leites especiais, nos cereais básicos.
Por exemplo, no último trimestre do ano passado, os portugueses gastaram menos 2,4% em peixe, designadamente peixe congelado e marisco fresco. O consumo de bacalhau, um dos produtos mais populares, travou a fundo tendo crescido apenas 1,4%.
Nas bebidas, a redução anual das quantidades compradas é muito significativa (-5,9% no total), tendo caído mais nos sumos e refrigerantes (-9,2%) e nas cervejas (-5,9%). A água engarrafada cai 3,5% e pela primeira vez desde 2007, pelo menos.
O gasto médio das famílias com crianças com alimentação no último trimestre também caiu: a Nielsen, que acompanha uma amostra de 3000 lares, indica que no quarto trimestre cada família gastou 448 euros em comida nos supermercados (quase 150 euros por mês).
Os números do INE também acusam uma forte quebra no consumo de bens duradouros, como carros e eletrodomésticos. Em dezembro, a despesa em roupa estava a cair quase 7%, em calçado quase 13%, indica a Unicre, também citada do portal da FFMS.»

obrigado, Jorge!


segunda-feira, março 11, 2013

Os números do desastre

Mais décima menos décima, os números relativos ao ano de 2012 começam a assentar. Agora são os do Instituto Nacional de Estatística.

Segundo o INE, o PIB teria recuado 3,2% relativamente ao ano anterior, com a maior queda desde 1975!

Confirmando o desastre que cada família conhece no recuo dos seus níveis de vida, do lado da procura interna (que engloba o consumo das famílias, do Estado e o investimento público e privado), o contributo negativo agravou-se (queda de 7 pontos percentuais!). O INE sublinha que esta deterioração se deve a uma "redução mais intensa do consumo privado".

Do lado do “contributo positivo da procura externa líquida (exportações menos importações) passou de 4,7 pontos percentuais em 2011 para 3,9 pontos percentuais em 2012, em resultado da desaceleração das exportações de bens e serviços".

sexta-feira, março 08, 2013

Na comunicação social

do sapo:

O primeiro-ministro voltou a rejeitar qualquer aumento do salário mínimo nacional. De visita à Holanda, Pedro Passos Coelho entende que, na conjuntura atual, essa subida só iria provocar mais desemprego.

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do Sol:






... mas que raio de coligação é esta?!