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sexta-feira, junho 21, 2013

G8 e reservas mundiais de divisas e ouro

O que vimos escrevendo sobre a reunião desta semana do G8 tem sido, para nós, de uma grande importância e utilidade. 
Embora nos recusemos, sempre, a tomar os números, os indicadores, pela realidade, eles podem ajudar-nos a acompanhar o andamento desta. A reunião dos tais 8 que formam um grupo demasiado perigoso para que não seja tomado muito a sério, motivou-nos umas pequenas buscas e "arrumação" de dados que reflectem uma situação e - bem mais importante! - uma evolução.
Depois dos PIBs, fomos ver qual a situação das "reservas mundiais em divisas e ouro"  e há informações sobre que importa determo-nos.
Se os 8, os títeres "senhores do mundo", têm (ou teriam em 2011, e segundo o FMI) 51,1% do PIB mundial, apenas dispunham de 22,9% dessas "reservas", enquanto só a China dispunha de 27,9% (isto segundo dados da CIA)!
Confrontando, como fizemos para os PIBs, as "reservas" tal como arroladas pela CIA em 2011, elaborou-se um quadro que parece elucidativo... e significativo.
Com a impressionante contribuição da China, os BRIC (com os territórios anexos, mas contabilizados como países, de Taiwan e Hong Kong) dispõem de 43,6% das "reservas" mundiais, enquanto os 8 do G não passam dos referidos 22,9%, com os Estados unidos  ( com 21,7% do PIB segundo o FMI) a dispor de 1,3% das "reservas". Maior monstro com pés de barro não se pode encontrar!
Anote-se ainda que, para Dezembro de 2008. a CIA contabilizava, para a China, 2 biliões e, agora, para 2011, contabiliza um salto de 60%. Em três anos.

O mundo está, em muitos aspectos, de pernas para o ar, e reflecte o funcionamento globalizado do capitalismo no seu estertor. Tem, decerto, os dias, perdão, os séculos contados (como diz Avelãs Nunes):
E tudo isto é muito perigoso, com a Rússia a desempenhar um papel-charneira, até por estar nos dois grupos que se vêm referenciando.

G8 ou Gquantos?

Esta foi a semana da reunião do G8, do grupo dos cabecilnhas de 8 países que, desde 1975, se junta informalmente para conversar e decidir coisas, primeiro a 6, logo a 7  e a 8 depois de 1995, quando a Rússia entrou no redil. Dos 8 que se consideram os maiores do mundo.
Olhando para os PIBs, o indicador mais usado para medir a "riqueza das nações", assim já foi, mas, aos poucos, as coisas vão mudando. Como já aqui se assinalou.
Tomando esse indicador apenas como referência, pois não pode merecer mais, e aproveitando os números do FMI relativos a 2011, em 183 países, o PIB  mundial é de quase 70 biliões de dólares, dos quais mais de 35 biliões são desses 8 países (mais de 51%).
Só que, rapidamente (para a nossa pequena escala temporal), o mundo vai mudando, e os 8 já não o que eram e o que, a partir do começo dos anos 90 (há duas pequenas décadas) parecia estabilizado em rota de globalização estava em rota de efémero (e perigoso) (des)equilíbrio. Comprovando as contradições do capitalismo, o não apagamento da luta de classes... a dialéctica, enfim.
Nesses números de 2011, do FMI (porque há outros), para as 10 maiores economias mundiais, os 8 têm a companhia da China, em 2º lugar e a subir enquanto os tais 8 estagnam ou crescem para baixo - segundo esse e outros indicadores -, e do Brasil, que amarinha por aí acima, já passou o Reino Unido e aproxima-se da França, que ainda é a 5ª economia mundial (assim medida).
Mas não se fica por aí. Nalgumas outras estimativas, a Índia - a grande colónia! - "concorre" no ranking com o Canadá, estanto num 11º lugar que é mais um 10º "ex-aequo".
Daqui resulta que, a fazer alguma sombra aos 8, os países ditos emergentes (os BRIC) que não são do grupo já terão mais de 16,5% do PIB mundial, que sobe para 19% se se incluirem os 2,5% da Rússia que pertence às duas "associações". De qualquer modo, a primeira dúzia de países em 183 (os 8 mais os 3 emergentes, mais - vá lá... - a Espanha, eterna candidata a "grande") têm quase 70% da "economia mundial", o que representa uma polarização que, já tendo sido maior, ainda reflecte um desequilíbrio que, ponderado pelas populações, continua a impressionar e a obrigar a tentar corrigir a afunilada óptica euro-atlântico norte com que se observa o mundo. A Humanidade no seu devir! 
Uma nota, para que a actualidade não fuja quando se valoriza a dinâmica das coisas.
Neste encontro informal dos G8 - para a fotografia são 10, com o nosso (salvo seja...) Barroso  e mais aquela outra figura cromática a representarem uma dita União Europeia, na perspeciva do G8 vir a ser G5 (EUA, Canadá, Japão, Rússia e UE)... o que nunca se virá a verificar -, pois deste encontro informal parece pouco ter saído, dadas as insanáveis contradições intestinas e o facto da Rússia não estará disposta a ceder sobre a Síria, que seria um relevante ponto da ordem de trabalhos em mangas de camisa que queria "arrumar" o assunto.
Mas há mais coisas. Evidentemente!
                        

quinta-feira, junho 20, 2013

G8... ou quantos (e o quê) são eles?

Todos os anos se reúnem.
Desde 1975, e não foi por acaso! No meio de crise. Do petróleo, do sistema monetário internacional. Numa curva na História. Com uma União Soviética como espectro materializado (mas a titubear, por perversa aplicação de um princípio, o da coexistência pacífica) e um sistema de países socialistas.
Agora são 8 os convivas, mas começaram, então, por ser 6 – França, Estados Unidos, Reino Unido (estes dois sempre mais ou menos unidos…), Itália, Japão e República Federal da Alemanha (porque havia outra) e por iniciativa da França (ou de Giscard d’Estaing).
Passaram rapidamente a 7, logo no ano seguinte, por cooptação do Canadá.
Depois de 1995 é que chegaram ao número actual, com a inclusão de uma Rússia, recuperada para fazer parte do Grupo dos maiores do mundo capitalista, ou seja, do capitalismo globalizado.
Ainda o serão?
Que fazem eles? 
Juntam-se, em nome dos países que representam democraticamente avalizados pelo voto popular, por vezes – quase sempre – com enormes reservas quanto à legitimidade dessa exclusiva e tão frágil representatividade, e juntam-se para, informalmente, isto é, com poucos conselheiros – mas muitos seguranças –, e em mangas de camisa, discutirem o estado (e o futuro) do mundo, de que se julgam senhores e donos.
Ainda o serão? 
Por quanto tempo?
Há quase 20 anos, em 1995 (primeira vez que a Rússia os integrou), os 8 seriam, no ordenamento da "riqueza das nações" – medida por essa coisa dos PIBs –, os maiores, com a China lá metida pelo meio mas como corpo estranho.
Agora, em qualquer dos rankings (!) usados – do FMI, do Banco Mundial, da CIA –, além da China estar em 2º lugar, infiltraram-se o Brasil, a disputar (e a ultrapassar) o Reino Unido no 6º lugar, e a Índia, numa compita para o 10º lugar com o Canadá, e a Espanha, desde sempre com veleidades a ser dos 8 maiores.
O mundo alterou-se nas suas hierarquias assim "pibmente" (pifiamente?) ordenadas.
Mas eles reúnem-se todos os anos. Para ditarem ordens ao mundo, com um sub-agrupamento, a União Europeia, que junta 4 desses 8, configurando uma dupla representação mas que está pelas “ruas da amargura”, até porque um desses 4 (o Reino Unido) tem sempre um pé dentro outro fora do projecto que tanto engoda os outros três (Alemanha, França e Itália, sobretudo os dois primeiros), numa estranha federalização continental semelhando um monstro com duas cabeças de directório em que só um é que manda porque o outro só vai tendo “grandeur” cada vez mais basofa*. E com essa basofaria (ah! aquela língua e o seu peso cultural!) faz barulho, sobretudo quando um português oportunista que teria a tarefa de  tentar congregar os sub-congregados diz coisas que lhe ferem o orgulho (ver reacção, no contexto do G8 deste ano, a uma dessas declarações), assim se  distraindo as massas. Que distraídas não estão, e vão descobrindo, por vezes de ínvias maneiras, que o tal G8 é uma das formas informais, ou das informes formalizações..., do capitalismo a procurar sobreviver, à escala do tempo histórico.
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* - isto é, um quarteto de três forma(ta)do por dois em que só um é que toca e o outro trauteia.