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sexta-feira, janeiro 21, 2022

Toda a vigilância é pouca

  - Nº 2512 (2022/01/20)


A lira do capitalismo


Opinião

Reza a lenda que o Imperador Nero tocava lira enquanto Roma ardia. Dois anos de pandemia «viram os rendimentos de 99% da Humanidade caírem e lançaram mais de 160 milhões de pessoas na pobreza», mas «os dez homens mais ricos do mundo duplicaram as suas fortunas» a um ritmo de «1,3 mil milhões de dólares por dia» (relatório sobre a desigualdade da Oxfam, 17.1.22). Para os gigantes farmacêuticos, a COVID foi um maná. O Financial Times (8.1.22) anuncia que «os bancos de Wall Street preparam-se para anunciar lucros recorde em 2021». A Oxfam explica o que é o capitalismo em tempos de COVID: «os bancos centrais canalizaram triliões de dólares para os mercados financeiros […que] em boa parte acabaram por encher os bolsos dos bilionários». Mas esta «pilhagem liberal» é também um salve-se quem puder de fim de época.

Não cabe nesta coluna a lista das guerras, invasões, subversões e provocações desencadeadas pelos EUA/NATO/UE nas últimas décadas. Mas agora acenam com uma ameaça russa ou chinesa. É como o bully na escola que se põe a chorar quando uma vítima diz basta!. Ainda é cedo para fazer um balanço das reuniões Rússia-EUA, Rússia-NATO e na OSCE, que decorreram de 10 a 14 de Janeiro. Mas o facto de ser uma iniciativa diplomática russa (que alguns apelidaram ultimato) que origina esta série de reuniões é sinal de que a ditadura planetária unilateral dos EUA que se seguiu às contra-revoluções do final do século XX enfrenta hoje uma correlação de forças mundial diferente. Que é indissociável de três aspectos fundamentais e interligados: a resistência de povos e países em luta pela sua soberania, que dá sinais de crescente convergência; o impetuoso crescimento económico de países, com destaque para a RP China, que alterou a correlação de forças económicas mundial; e a profunda crise do sistema capitalista e dos principais centros imperialistas, EUA e a UE, que agudiza todas as contradições e cria a possibilidade real de sobressaltos económicos, políticos e sociais.

A verdadeira ameaça para a paz e para os povos reside no decadente sistema capitalista que, incapaz de resolver as suas contradições, aposta cada vez mais no autoritarismo, na violência, na guerra e na sua companheira inseparável: a mentira. Permanente e cada vez mais desligada da realidade, mas veiculada de forma incessante pelo aparato de propaganda que dá pelo enganador nome de meios de comunicação social.

É real o perigo de provocações do imperialismo, que possam ser usadas para tentar justificar uma aventura militar de consequências imprevisíveis. Aquando dos Jogos Olímpicos de Verão de 2008 em Pequim, o imperialismo lançou os seus subdítos georgianos numa aventura militar que provocou a morte de vários soldados russos. Aquando dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2014 na Rússia, o imperialismo lançou o golpe de Estado na Ucrânia que levou fascistas assumidos a ocupar altos cargos de poder naquele país e provocou a revolta no Donbass. Aproximam-se os Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, que começam a 4 de Fevereiro, em Pequim. Toda a vigilância é pouca.

Jorge Cadima

terça-feira, maio 11, 2021

A propósito de ética... em capitalismo!

 Parece-me estar aqui a anotar e comentar sobretudo o que me surpreende. Talvez... irei reflectir sobre isso.

Vem isto a propósito de me ter surpreendido ao sentir alguma consonância com o editorial do Público, da autoria do director, Manuel Carvalho, por quem nutro uma reserva e antipatia, que ele próprio foi alimentando, com a sua postura e opiniões.


 

Na verdade, ao ler que os testemunhos na comissão de inquérito revelam da parte de alguns cavalheiros penúria ética, indigência intelectual e falta de vergonha não se pode estar mais de acordo, muito particularmente a "exibição" de um tal Moniz da Maia que me pergunto como pode não ser penalizada, e fortemente... ou então motivadora de atestado de inaptidão e interdição de exercício de actividades que exijam responsabilidade, que apenas teria tido e tão mal usou por ter os apelidos que tem. E subscreveria o resumo de "... criaturas de uma cultura de impunidade, compadrio e facilitismo (que são de ) uma elite que considerava a ética e o trabalho meras alíneas dos relatórios e contas (e dos prémios de gestão...).

Mas depressa o editorialista obriga a que se lamente que apenas uma deputada de um partido seja a única a merecer citação, desnudando a sua sempre revelada falta de ética nas apreciações político-partidárias e, também, que se sublinhe a evidente sonegação da conclusão que importaria tirar - no presente e para o futuro, e não como "nódoas do passado recente"... - sobre o funcionamento do sistema sócio-económico que faz nascer como seus filhos naturais essas criaturas, e protege, estimula e cria essa elite.   


quinta-feira, março 11, 2021

Perigosamente podre!

  - Edição Nº2467  -  11-3-2021

Perigosamente podre

Que a super-potência imperialista está em decadência é evidente. O problema é de fundo e não é exclusivo dos EUA. O capitalismo enquanto sistema atingiu os seus limites. Em vez de criar, destrói. Entrou em autofagia, na tentativa de obter lucros que escasseiam na actividade produtiva. O apagão no Texas, em meados de Fevereiro, é disso elucidativo.

Wall Street Journal escreve (24.2.21): «Há quase 20 anos, o Texas deixou de ter infra-estruturas de produção e distribuição energéticas totalmente reguladas. O Estado desregulou a geração de energia, criando o sistema que falhou na semana passada. […] Os consumidores domésticos do Texas acabaram pagando, desde 2004, mais 28 mil milhões de dólares pela sua energia do que teriam pago ao abrigo das tarifas que eram praticadas pelas empresas tradicionais do Estado». A vaga de frio fez disparar o consumo, ao mesmo tempo que deitou abaixo parte importante da geração de electricidade, em boa parte por falta de investimento (texasmonthly.com, 19.2.21). Depois veio o ‘mercado livre’: as distribuidoras compravam a electricidade ainda disponível a preços obscenos e em alguns casos passavam-nos directamente para os consumidores. Clientes houve com contas de 17 000 dólares, apesar de terem ficado durante dias sem electricidade. Nas palavras duma das vítimas, «o efeito vai ser devastador para muita gente. Não haverá comida na mesa para as crianças, nem pagamentos de rendas, prestações da casa ou do carro» (foxnews.com, 23.2.21).

Mas em capitalismo, a tragédia de uns é o lucro de outros: «o Bank of America lucrou centenas de milhões de dólares em receitas de negócios quando o sistema eléctrico do Texas foi abaixo […] ilustrando as vantagens para Wall Street do caos que deixou partes do Estado sem luz e aquecimento» (Financial Times, 5.3.21). A Bloomberg (5.3.21) estima que a Goldman Sachs e o Morgan Stanley irão também lucrar mais de 200 milhões de dólares cada. Tenta explicar: «Alguns dos ganhos da Goldman resultam de coberturas [hedges], uma prática rotineira de gestão de riscos em Wall Street [… que] pode tornar-se muito lucrativa quando há acontecimentos raros». Mas é mais clara a explicação dum comentador norte-americano na RT (6.3.21): «Transformámos serviços essenciais num casino».

Enquanto o grande capital saqueia a riqueza existente e o povo dos EUA é entregue a si próprio – perante a Covid, furacões ou vagas de frio – há uma prioridade que não muda, seja qual for o Presidente: a política de agressão e guerra para impôr ao planeta este sistema de pilhagem. Em plena pandemia Covid, o New York Times anuncia que o novo Presidente Biden vai lançar uma autêntica acção de guerra contra a outra grande potência nuclear do planeta. «A primeira grande acção é esperada nas próximas três semanas, com uma série de acções clandestinas contra redes russas, que se pretende sejam claras para o Presidente Vladimir Putin e os seus serviços secretos e militares, mas não para o mundo em geral. [...] essas acções serão conjugadas com sanções económicas – embora sejam poucas as sanções realmente eficazes que ainda não tenham sido aplicadas» (NYT, 7.3.21). Desde há muito que a invenção da ‘ameaça externa’ serve para justificar a guerra. Mas também para encobrir a pilhagem interna.

Jorge Cadima

domingo, agosto 16, 2020

A "cenoura" da democracia e o "chicote" do fascismo

 

Algérie Résistance

le blog de Mohsen Abdelmoumen



Dr.Jacques Pauwels: « Pour poursuivre ses objectifs de maximisation des profits, le capitalisme est prêt à utiliser la « carotte » de la démocratie ainsi que le « bâton » du fascisme »

 Mohsen Abdelmoumen :  Dans votre livre « Big Business avec Hitler », vous évoquez la collaboration de l’élite économique industrielle et financière mondiale avec Hitler. Hitler n’est-il pas un pur produit, un instrument, du système capitaliste ?

Dr. Jacques Pauwels : Le soi-disant « national-socialisme » d’Hitler, en réalité pas du tout une forme de socialisme, était la variante allemande du fascisme, et le fascisme était une manifestation du capitalisme, la manière brutale et cruelle dont le capitalisme s’est manifesté dans l’entre-deux-guerres en réponse à la menace de changement révolutionnaire incarnée par le communisme, et à la crise économique de la Grande Dépression. Dans la mesure où Hitler a personnifié la variante allemande du fascisme, on peut en effet le qualifier d’« instrument » du capitalisme. Cependant, comme je le mentionne dans mon livre, le terme « instrument » est vraiment trop simpliste. Il serait plus exact de définir Hitler comme une sorte d’« agent », un être humain complexe avec un esprit propre, agissant au nom du capitalisme allemand mais pas toujours en accord avec les souhaits des capitalistes, plutôt qu’un simple « instrument » ou « outil » du capitalisme allemand. Cela explique pourquoi les capitalistes allemands n’ont pas toujours été parfaitement satisfaits des services d’Hitler. Mais l’avantage de cet arrangement était que, après l’effondrement de l’Allemagne nazie, ils ont pu blâmer l’« agent » pour tous les crimes qu’il avait commis en leur nom.

Le capitalisme n’a-t-il pas un besoin vital du nazisme et du fascisme ?

Le capitalisme est un système socio-économique très flexible qui est capable de fonctionner dans différents contextes politiques. C’est certainement un mythe que le capitalisme, appelé par euphémisme « marchés libres », est une sorte de jumeau siamois de la démocratie, en d’autres termes, que l’environnement politique préféré du capitalisme est la démocratie. L’histoire nous montre que le capitalisme a prospéré dans des systèmes très autoritaires et a soutenu ces systèmes avec enthousiasme. En Allemagne, le capitalisme s’est extrêmement bien comporté lorsque Bismarck a dirigé le Reich d’une main de fer. L’Allemagne est restée capitaliste à 100% sous Hitler, et le capitalisme a prospéré sous Hitler, avant et pendant la guerre, comme je l’ai démontré dans mon livre. Le capitalisme est également capable et désireux de s’associer à la démocratie, en particulier si des réformes démocratiques semblent nécessaires pour dissiper la menace d’un changement révolutionnaire, par exemple après la Seconde Guerre mondiale, lorsque des réformes politiques et sociales démocratiques (l’État Providence) ont été introduites en Europe occidentale pour faire dérailler les revendications beaucoup plus radicales, voire révolutionnaires, formulées par les mouvements de résistance dans des pays comme l’Italie et la France. On pourrait dire que, pour poursuivre ses objectifs de maximisation des profits, le capitalisme est prêt à utiliser la « carotte » de la démocratie ainsi que le « bâton » du fascisme et d’autres formes d’autoritarisme, telles que les dictatures militaires.

La montée des groupes néonazis et fascistes à travers le monde ne sert-elle pas le grand capital et l’oligarchie qui gouverne le monde ?

Comme mentionné précédemment, le fascisme est une manifestation du capitalisme. En d’autres termes, c’est la façon dont le capitalisme, tel un caméléon, ajuste sa couleur à un environnement social et politique changeant. Le fascisme historique des années trente, personnifié par des personnages comme Mussolini et Hitler, reflétait la réponse du capitalisme, en Italie et en Allemagne, à la double menace du changement révolutionnaire à la russe et de la Grande Dépression. Après la Seconde Guerre mondiale, lorsque le fascisme était vraisemblablement mort et enterré, le capitalisme, en particulier le capitalisme américain, s’est appuyé sur des systèmes néo-, quasi- ou crypto-fascistes pour neutraliser des menaces similaires. Par exemple au Chili, où Pinochet a été porté au pouvoir pour empêcher des réformes radicales et pour permettre aux capitaux d’investissement américains de s’installer en toute sécurité dans le pays. Aujourd’hui, des problèmes économiques et sociaux toujours plus importants associés à des menaces révolutionnaires réelles ou perçues, ont fait que le capitalisme a donné naissance, dans un certain nombre de pays, à des partis et mouvements politiques fascistes ou, si vous préférez, quasi ou néofascistes. Pour l’instant, le capitalisme n’a pas besoin d’amener ces fascistes au pouvoir ; mais ils s’avèrent très utiles car, comme Hitler avec son antisémitisme, ils détournent l’attention du public des défauts du système capitaliste en rejetant la faute sur des boucs émissaires (de préférence de couleur) tels que les musulmans, les réfugiés, les Chinois et les Russes. L’écrivain allemand Bertolt Brecht nous a mis en garde de façon poétique, faisant allusion au fascisme hitlérien et à la capacité intacte du capitalisme à générer de nouvelles formes de fascisme :

* »Le monde a failli être dirigé par un tel monstre !

Heureusement, les nations l’ont vaincu.

Mais ne nous réjouissons pas trop vite

Le ventre d’où il a surgi est encore fertile. »

 La résistible ascension d’Arturo Ui »)                     

L’Union européenne accuse l’URSS d’avoir déclenché la 2e Guerre mondiale. Qu’en pensez-vous ?

Blâmer l’URSS et, par conséquent, l’État russe qui lui a succédé, pour la Seconde Guerre mondiale est une déclaration purement politique. Cela constitue une distorsion monstrueuse et honteuse de l’histoire. Dans les années 30, l’Union soviétique a cherché pendant des années à établir une alliance anti-hitlérienne avec la France et la Grande-Bretagne, mais elle a été rejetée à maintes reprises. La raison à cela réside dans le fait que les hommes au pouvoir à Londres et à Paris ne voulaient pas entrer en guerre aux côtés des Soviétiques contre Hitler mais voulaient que Hitler utilise la puissance militaire de l’Allemagne pour marcher vers l’est et détruire l’Union soviétique pendant qu’ils regarderaient joyeusement depuis les coulisses. Hitler voulait certainement la guerre, c’est pourquoi on lui reproche à juste titre d’avoir déclenché la Seconde Guerre mondiale. Mais les dirigeants français et britanniques méritent une part de responsabilité car ils ont encouragé Hitler et l’ont soutenu avec leur politique d’« apaisement », par exemple en lui offrant la Tchécoslovaquie sur un plateau d’argent dans le cadre du tristement célèbre pacte qu’ils ont conclu avec lui à Munich en 1938.

En blâmant l’URSS, les politiciens et les médias occidentaux ne cherchent-ils pas à dissimuler leur propre sale histoire de collaboration avec Hitler et le nazisme ?

En effet, en blâmant l’Union soviétique, les pays « occidentaux », ou du moins leurs dirigeants, cherchent à détourner l’attention de leur propre rôle dans le déclenchement de la Seconde Guerre mondiale. Par le biais de leur infâme politique d’apaisement, les dirigeants britanniques et français ont encouragé et facilité les plans de Hitler pour une « croisade » contre l’Union soviétique. Et l’élite des entreprises et des finances des pays occidentaux, y compris les États-Unis, a collaboré très étroitement – et de manière très profitable – avec Hitler, comme je l’ai démontré dans mes livres « Big Business avec Hitler » et « Le Mythe de la bonne guerre ».

Dans vos ouvrages « Big Business avec Hitler » et « Le Mythe de la Bonne Guerre : Les USA et la Seconde Guerre mondiale » vous démontez le mythe de la « libération » de l’Europe par les États-Unis alors que l’on sait que c’est la victoire de Stalingrad par les Soviétiques qui a été le tournant de la guerre. Dire que les États-Unis ont libéré l’Europe n’est-il pas un autre mensonge historique ? Les États-Unis n’ont-ils pas tout simplement colonisé l’Europe ? Comment expliquez-vous la dépendance de l’Europe vis-à-vis des États Unis et le fait que les Européens suivent toujours la politique impérialiste des USA ? L’OTAN n’est-elle pas devenue obsolète ?

Il est vrai que l’Union soviétique a apporté la plus grande contribution, et de loin, à la victoire des Alliés. Si l’Armée rouge n’avait pas réussi à arrêter le rouleau compresseur nazi devant Moscou en 1941 et à remporter des victoires importantes à Stalingrad et ailleurs, Hitler aurait gagné la guerre. Mais les nazis avaient la machine de guerre la plus puissante que le monde ait jamais vue, et la vaincre nécessitait la contribution de toutes les armées alliées et aussi des mouvements de résistance. On ne peut nier que l’armée américaine a également apporté une contribution importante ; cependant, les dirigeants américains ont profité de la présence de leur armée en Europe occidentale pour établir leur hégémonie sur cette partie du monde. À bien des égards, ils n’ont pas vraiment « libéré » les pays d’Europe occidentale. Aujourd’hui encore, l’Allemagne n’est pas « libre » de demander aux troupes américaines de quitter son territoire, et la Belgique et les Pays-Bas doivent tolérer la présence à l’intérieur de leurs frontières de bombes atomiques américaines. Le président français Charles de Gaulle n’était pas loin de la vérité lorsqu’il a décrit la libération américaine de la France comme une seconde « occupation », faisant suite à l’occupation allemande. Contrairement aux Allemands et aux Belges, il a eu le culot d’exiger que les troupes américaines quittent la France, et c’est l’une des raisons pour lesquelles la CIA semble avoir été impliquée dans divers attentats contre sa vie. Mais même de Gaulle n’a pu éviter d’adhérer à l’OTAN, qui n’est pas du tout une alliance d’égaux, mais un club de « satellites » européens des États-Unis, strictement contrôlé par le Pentagone, et fonctionnant comme un département de vente et de relations publiques du « complexe militaro-industriel » américain. L’OTAN a été créée à l’origine pour défendre l’Europe occidentale contre une menace totalement fictive émanant de l’Union soviétique et aurait donc dû être dissoute après l’effondrement de l’« empire du mal ». Pour les États-Unis, cependantl’OTAN est un instrument très utile et puissant pour contrôler l’Europe. Et en effet, ce contrôle, cette hégémonie, a été établi par les États-Unis dans les mois qui ont suivi le débarquement de leurs troupes en Normandie en 1944. Ironiquement, cet exploit n’aurait pas été possible si l’Armée rouge n’avait pas porté des coups mortels à l’Allemagne nazie bien plus tôt.

L’intervention américaine en Europe pendant la deuxième guerre mondiale n’est-elle pas tout simplement une guerre capitaliste ?  Ne sert-elle pas en premier lieu les intérêts de l’impérialisme US et son complexe militaro-industriel ?

La Seconde Guerre mondiale s’est résumée à deux guerres en une seule. D’une part, il s’agissait bien d’une guerre « capitaliste », ou plutôt d’une guerre « impérialiste ». L’impérialisme était/est la manifestation internationale, mondiale du capitalisme, impliquant la concurrence et le conflit entre les principales puissances capitalistes/impérialistes sur des territoires regorgeant de desiderata tels que les matières premières (comme le pétrole) et la main-d’œuvre bon marché. La Première Guerre mondiale était un conflit impérialiste, mais elle n’a pas réglé les choses, alors les puissances impérialistes sont entrées en guerre une seconde fois. Les États-Unis sortiraient de ce conflit comme le grand gagnant, grâce, ironiquement, à la défaite écrasante de l’Union soviétique face à l’autre candidat à la suprématie impérialiste, l’Allemagne nazie. En même temps, la Seconde Guerre mondiale était aussi un conflit entre le capitalisme-impérialisme et le socialisme, incarné par l’Union soviétique. C’est une ironie de l’histoire que les deux types de conflits aient fusionné, produisant des contradictions telles que l’alliance de facto de l’Union soviétique socialiste, intrinsèquement anticapitaliste et anti-impérialiste, avec deux puissances impérialistes antisocialistes, les États-Unis et la Grande-Bretagne. La guerre a servi les intérêts de l’impérialisme américain en ce qu’elle a permis aux États-Unis d’émerger comme le numéro un incontesté de l’impérialisme. Mais l’issue de la guerre était imparfaite car elle signifiait aussi un triomphe pour l’Union soviétique anti-impérialiste. C’est pourquoi, immédiatement après la Seconde Guerre mondiale, Washington a commencé une nouvelle guerre, la « Guerre froide », avec pour objectif rien de moins que l’élimination de l’Union soviétique.

L’impérialisme US n’a jamais cessé une politique de guerre et de coups d’État à travers le monde. Les guerres impérialistes qui ont ravagé l’Irak, l’Afghanistan, la Libye, la Syrie, le Yémen, etc. ne sont-elles pas symptomatiques de la barbarie de l’impérialisme US ?

Historiquement, l’impérialisme américain a poursuivi ses objectifs de manière systématique, impitoyable et, pourrait-on ajouter, non seulement ouvertement mais aussi furtivement, via la guerre ouverte, la guerre économique, la déstabilisation, le sabotage et les tentatives d’assassinat. Parmi les exemples de cette impitoyabilité, citons le bombardement inutile d’Hiroshima, la guerre chimique contre les Vietnamiens, les tentatives d’assassinat réussies ou non de dirigeants récalcitrants tels que Fidel Castro et Lumumba, et des sanctions économiques qui coûtent la vie à des dizaines, voire des centaines de milliers de femmes et d’enfants, comme l’a tristement reconnu Madeline Albright dans une référence à l’Irak. Alors oui, les guerres déclenchées par les États-Unis en Irak, en Afghanistan, en Libye, etc. sont symptomatiques de cette impitoyabilité ou barbarie, comme vous l’appelez.

Interview réalisée par Mohsen Abdelmoumen

 

Qui est le Dr. Jacques Pauwels ?

Jacques R. Pauwels est un historien, chercheur et écrivain, né à Gand, en Belgique. Il a émigré au Canada en 1969 après des études d’histoire à l’université de Gand et s’est installé près de la ville de Toronto. Il y a poursuivi des études doctorales à la York University de Toronto, se spécialisant en histoire sociale de l’Allemagne nazie, et a obtenu son doctorat en 1976. Il est devenu professeur d’histoire dans plusieurs universités canadiennes, dont l’université de Toronto et celle de Guelph. En 1995, il a obtenu un doctorat en sciences politiques dans la spécialité de la réglementation des investissements étrangers au Canada. Il est conférencier dans diverses universités de l’Ontario, dont l’Université de Toronto, Waterloo, Guelph et a publié de nombreux articles.

Il a écrit plusieurs ouvrages traduits en plusieurs langues dont « Women, Nazis, and Universities : Women University Students in Nazi Germany, 1933-1945 », « Le mythe de la bonne guerre », « Les Etats-Unis et la Deuxième Guerre mondiale », « Big business avec Hitler », « Les mythes de l’Histoire moderne », Le Paris des sans-culottes.

Son site internet met en ligne des conférences et des interviews auxquelles il a participé, ainsi que ses nombreuses publications http://www.jacquespauwels.net

Published in American Herald Tribune August 13, 2020

terça-feira, junho 30, 2020

Com os dias/séculos contados...


Começar o dia com um mail destes, é pouco agradável... mas é bom porque acorda para a luta:
«Segundo o Relatório da Segurança Social relativo a Maio de 2020 verifica-se que o Covid-19 está a custar à Segurança Social até 31/05/2020 – 1.237,7 milhões de euros, sem contar com a diminuição da receita efectiva.
         O saldo global do subsetor da Segurança Social atingiu, em Maio (de 2019), o valor de 1.824,4 milhões de euros, superior ao registado no período homólogo (de 2018) em 336,4 milhões de euros.
·         O saldo global do subsetor da Segurança Social atingiu, em Maio (de 2020), o valor de 634,9 milhões de euros inferior ao registado no período homólogo (de 2019) em 1.189,5 milhões de euros.
Este resultado teve como base o facto de o aumento da receita efectiva, que se cifrou em 48,2 milhões de euros, ter sido inferior ao aumento da despesa efectiva, que foi de 1.237,7 milhões de euros. Como sempre e em todo o mundo capitalista em caso de crise são os Fundos dos Trabalhadores os primeiros a avançar. É na Segurança Social e nos Fundos de Pensões que compram os prejuízos derivados da baixa de cotações das empresas em bolsa.
Segundo o "Foicebook ...desde os primeiros alertas do Financial Times no início de 2019, 1,9 bilhão de euros desapareceram pura e simplesmente (porque nunca existiram) e 3,5 bilhões de reivindicações provavelmente farão o mesmo. Ninguém se orgulha de estar entre os perdedores, mas sabemos que os bancos franceses BNP Paribas, Crédit Mutuel, Société Générale e Crédit Agricole estão nas fileiras. Nesse sistema financeiro interconectado - diz-se que é sistémico a partir de agora - sempre há vencedores e perdedores, os primeiros se gabam disso, os outros ficam calados. 
Estes últimos foram vítimas notáveis de um desses acordos financeiros de que tanto gostam, aos bons cuidados do Credit Suisse. Após uma parceria com a Wirecard, o japonês SoftBank investiu 900 milhões de euros na empresa na forma de acções conversíveis, que agora não valem nada. Mas estes foram imediatamente vendidos, em particular aos fundos de pensão do BNP Paribas e do Crédit Mutuel, segundo o Wall Street Journal. Boas finanças e nada ilegal, mas parece furiosamente o jogo da batata quente, esse investimento ocorrido após o alerta ter sido dado! Quanto ao Crédit Agricole, ele participou de um pool bancário que abriu um crédito rotativo para o Wirecard de 1,75 bilhões de euros, segundo Agefi."
Nunca o sistema capitalista esteve tão próximo do seu fim e na enxurrada querem levar os trabalhadores à frente.»
__________________________
Comentar?
Talvez... sem comentários!
 mas ainda se dirá que,
como tudo que é perecível,
o capitalismo tem os dias contados

(ou os séculos, como diz Avelãs Nunes)


quinta-feira, maio 21, 2020

... ligado ao ventilador...

 - Edição Nº2425  -  21-5-2020

Mão invisível

A pandemia evidenciou que o capitalismo é hoje uma enorme sanguessuga que só sobrevive ligada ao ventilador. O principal comentador económico do Financial Times, Martin Wolf, escreve (29.4.20): «de novo, a aposta numa elevada alavancagem como via mágica para grandes lucros conduziu a lucros privados e resgates públicos. O Estado, sob a forma dos bancos centrais e governos, veio em socorro da finança numa escala gigantesca. […] Da última vez foram os bancos. Desta vez também temos de olhar para os mercados de capitais. […] A transferência para as costas dos governos vai agora acontecer de novo, numa escala enorme». É por isso que a euforia regressa aos mercados bolsistas. A Reserva Federal dos EUA até já intervem «para apoiar dívida empresarial considerada ‘lixo’ pelas agências de notação» (FT, 24.4.20). Os ‘mercados’ só sobrevivem parasitando vorazmente o erário público. O jornalista Matt Taibi (Rolling Stone) escreve que «a Reserva Federal é o mercado, e todos os grandes actores sabem-no». O economista Michael Hudson diz que «já não há forma de descrever o que se está a passar usando as estatísticas oficiais. [...] estamos a entrar num mundo de faz-de-conta» (nakedcapitalism.com, 30.4.20).
É evidente o desastre nos EUA e UE – em contraste com a resposta na China e outros países. Um desastre com marca de classe. Se os mercados estão eufóricos com os resgates públicos acima de «$14 triliões» (FT, 24.4.20), para quem vive do seu trabalho a situação é dramática. Nos EUA, o número oficial de trabalhadores que perderam o emprego ultrapassa 36 milhões. O Presidente da Reserva Federal, em discurso no Peterson Institute em Washington (13.5.20), informa que quase 40% dos agregados familiares com rendimentos inferiores a 40 mil dólares por ano perderam pelo menos um emprego. As ‘ajudas’ às PME, sendo dinheiro do erário público, são canalizadas pela banca privada. Segundo a National Public Radio, em apenas duas semanas, «os bancos que gerem o programa governamental de empréstimos para pequenas empresas no valor de $349 mil milhões já ganharam mais de $10 mil milhões em comissões – ao mesmo tempo que dezenas de milhar de pequenas empresas viram recusados os auxílios» (npr.org, 22.4.20). As empresas que recebem o ‘auxílio’ ficam com o garrote da dívida. Michael Hudson adverte que «o resgate financeiro visa permitir ao sector financeiro extrair tanto dinheiro da economia e levar à falência tantas pequenas empresas que [o grande capital] as possa comprar todas a baixo custo». A perversidade do capitalismo é tal, que em plena pandemia «uma das surpreendentes vítimas empresariais da crise do coronavírus podem vir a ser algumas das empresas que fornecem mão de obra para os hospitais» (FT, 13.5.20). Devido à redução de outros utentes nos hospitais, «em Abril a Envision [uma das maiores empresas de mão de obra médica] começou a cortar as horas dos médicos das unidades de emergência […]. Foram adiadas as gratificações e funcionários não clínicos foram informados que estariam em lay-off temporário ou teriam cortes de vencimento».

O ‘mercado’ está de novo a meter a sua ‘mão invisível’ no nosso bolso. Querem usar a pandemia para agravar brutalmente a concentração de riqueza e a exploração. A verdadeira cura será o enterro definitivo dessa gigantesca sanguessuga que parasita o planeta. E que tem nome: capitalismo.

Jorge Cadima

sexta-feira, março 20, 2020

A mercadoria número 2!

Do Público de agora mesmo:













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Pois se é a mercadoria nº 2 do capitalismo!
Nº2?... qual é a nº 1?
Número um - e a base de tudo - é a força do trabalho!