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sexta-feira, julho 01, 2016

Página de um diário

de ontem:

(...) 

… espero o Portugal-Polónia,

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os quartos de final do Euro do chuto, que me enchem todos os sentidos que estejam abertos ao que esteja aberto a tudo que seja visto e ouvido no que me rodeia.

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E os meus sentidos estão todos absorvidos, absorvistos e absorouvidos…

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Calmamente, com indiferença mas atentos, acompanhando a saga, não do futebol-desporto-espectáculo mas dos… resultados, que só estes parecem contar!

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Lembrado – por um treinador lúcido – que o futebol é das coisas mais importantes da coisas menos importantes, assaltam-me dúvidas “inezinstenciais”:

·        Porque é que no dia 6 de Julho, nas meias finais, sendo o resultado a única coisa que, aparente e evidentemente, importa, não se começa (e acaba!) pelos penalties?
·        Será porque assim, com este circo, se entretem mais a malta desanimada, tão eurocéptica?

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E assim se fazem negócios chorudos, de muitos milhões, e se apresentam 1ºs ministros e se reservam Presidentes da República para apoteóticas apoteoses.

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Negócios de que este torneio é a montra-mon(s)truário, e as mercadorias são uns artistas circentes, de que o maior é o “nosso” Ronaldo

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que, sendo o maior (e mais bem pago e nada precisando de mais montra), parece andar ofuscado, ou encadeado – embora com elevado brio profissional e louvável espírito de equipa ou patriótico, parecendo um juvenil a correr de central para central, destes para guarda-redes e vindo à defesa cortar cantos – ainda assim mostrando algumas pequenas habilidades que só ele... e falhando outras que até eu.

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E se a sorte, o destino, o acaso, os árbitros e as traves permitirem o dia 10 de Julho em Paris du 14 juillet vai passar a ser melhor (ou pior?) que qualquer outra data e feriado nacional português.

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Até podem vir, depois com prepotentes sanções (e… dalilas) de comissões ditas europeias que não nos farão comichões, até sorriremos desdenhosamente de declarações ameaçadoras de ministros de finanças "alimões" que… coitadinhos!..., será só inveja porque os campeões seremos nós!

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olarilas!

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Se lá vamos, cantando e rindo, de empate em empate até à vitória final (gostei desta... que não é minha) e se, na final, finalmente ganharmos sem ser a penalties, nada mais se conseguirá que adiar sentenças e coisas sérias, muito sérias, que se aproximam e apenas se podem adiar com (cont)habilidades.

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Estes tempos de Fátima em centenário, de fado acompanhado por orquestra sinfónica, de futebol em euro-histeria colectivizada, com Costas e Sousas muito hábeis, um nos cordelinhos das ilusões/desilusões, outro nos afectos, manjericos e santos populares, não estão fáceis.

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 Mas são os de hoje… e são os nossos!

quarta-feira, julho 15, 2015

Com vossa licença

Sem falsas modéstias, antes com o orgulho (legítimo?) de ter sido ligado à "cartilha antieuro do PCP", antes de haver euro... em 1997 (!):


,,, e porque o "post" anterior lembrou Gil Vicente, aí está ele:
Todo o Mundo e Ninguém
Um rico mercador, chamado "Todo o Mundo" e um homem pobre cujo nome é "Ninguém", encontram-se e põem-se a conversar sobre o que desejam neste mundo. Em torno desta conversa, dois demônios (Belzebu e Dinato) tecem comentários espirituosos, fazem trocadilhos, procurando evidenciar temas ligados à verdade, à cobiça, à vaidade, à virtude e à honra dos homens.
Representada pela primeira vez em 1532, como parte de uma peça maior, chamada Auto da Lusitânia (no século XVI, chama-se auto ao drama ou comédia teatral), a obra é de autoria do criador do teatro português, Gil Vicente
Entra Todo o Mundo, rico mercador, e faz que anda buscando alguma cousa que perdeu; e logo após, um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém e diz:



Ninguém:
Que andas tu aí buscando?
Todo o Mundo:
     Mil cousas ando a buscar:
delas não posso achar,
porém ando porfiando
por quão bom é porfiar. 
Ninguém:
Como hás nome, cavaleiro?
Todo o Mundo:
     Eu hei nome Todo o Mundo
e meu tempo todo inteiro
sempre é buscar dinheiro
sempre nisto me fundo.
Ninguém:
Eu hei nome Ninguém,
e busco a consciência.
Belzebu:
Esta é boa experiência:
Dinato, escreve isto bem. 
Dinato:
Que escreverei, companheiro?
Belzebu:
Que ninguém busca consciência.
e todo o mundo dinheiro. 
Ninguém:
E agora que buscas lá?
Todo o Mundo:
     Busco honra muito grande.
Ninguém:
E eu virtude, que Deus mande
que tope com ela já.
Belzebu:
Outra adição nos acude:
escreve logo aí, a fundo,
que busca honra todo o mundo
e ninguém busca virtude.

Ninguém:
Buscas outro mor bem qu'esse?
Todo o Mundo:
     Busco mais quem me louvasse
tudo quanto eu fizesse.
Ninguém:
E eu quem me repreendesse
em cada cousa que errasse. 
Belzebu:
Escreve mais.
Dinato:
Que tens sabido?
Belzebu:
Que quer em extremo grado
todo o mundo ser louvado,
e ninguém ser repreendido.
Ninguém:
Buscas mais, amigo meu?
Todo o Mundo:
     Busco a vida a quem ma dê.
Ninguém:
A vida não sei que é,
a morte conheço eu.
Belzebu:
Escreve lá outra sorte.
Dinato:
Que sorte?
Belzebu:
Muito garrida:
Todo o mundo busca a vida
e ninguém conhece a morte. 

Todo o Mundo:
     E mais queria o paraíso,
sem mo ninguém estorvar.
Ninguém:
E eu ponho-me a pagar
quanto devo para isso. 
Belzebu:
Escreve com muito aviso.
Dinato:
Que escreverei?
Belzebu:
Escreve
que todo o mundo quer paraíso
e ninguém paga o que deve. 

Todo o Mundo:
     Folgo muito d'enganar,
e mentir nasceu comigo.
Ninguém:
Eu sempre verdade digo
sem nunca me desviar.
Belzebu:
Ora escreve lá, compadre,
não sejas tu preguiçoso.
Dinato:
Quê?
Belzebu:
Que todo o mundo é mentiroso,
E ninguém diz a verdade.

Ninguém:
Que mais buscas?
Todo o Mundo:
     Lisonjear.
Ninguém:
Eu sou todo desengano.
Belzebu:
Escreve, ande lá, mano.
Dinato:
Que me mandas assentar?
Belzebu:
Põe aí mui declarado,
não te fique no tinteiro:
Todo o mundo é lisonjeiro,
e ninguém desenganado.

 Do  Portal  da Família.org


Dão-me licença?

De vez em quando, há que vencer pudores e lembrar (a Todo o Mundo e (a) Ninguém, diria o sr. Gil Vicente):

1997

1998
Extractos dos arquivos da página do Parlamento Europeu 
na Internet:

“SESSÃO DE SÁBADO, 2 DE MAIO DE 1998
4. Moeda única
Declarações de voto
Ribeiro (GUE/NGL). – Senhora Presidente, os deputados do Partido Comunista Português, com a solenidade que a ocasião exigiria, mas que a euforia para impressionar a opinião pública não permite, declaram que:
- o seu voto é a expressão coerente de uma posição contra este projecto, o modo como foi conduzido e os interesses que serve. Não é um voto contra a estabilidade de preços, o equilíbrio orçamental, ou o controlo de dívidas, mecanismos e instrumentos. É, sim, um voto contra a sua utilização para impor estratégias que concentram riqueza, agravam desemprego, agudizam assimetrias e desigualdades, criam maior e nova pobreza e exclusão social, diminuem a soberania nacional e aumentam défices democráticos;
- é também um voto contra a formação do núcleo duro para a Comissão Executiva do BCE, privilegiando zonas geográfico-monetárias e partilhando influência entre grandes famílias partidárias, numa evidente polarização do poder na instituição que condicionará todas as políticas dos Estados-Membros;
- após este passo, continuarão a combater os já reais e os previsíveis malefícios do projecto que integram os mecanismos e instrumentos criados. Procurarão, do mesmo modo, contribuir para que sejam potenciadas as suas virtualidades;
-lamentam, por último, que o Parlamento tenha perdido a oportunidade para se credibilizar como instituição democrática, por ter cedido à pompa e circunstância de um ritual de homologação ou de confirmação do que lhe foi apresentado.”

(...) 

Marinho, Torres Couto, Apolinário, Barros Moura, Campos, Candal, Correia, Torres Marques, Lage, Moniz (PSE), por escrito. – O euro entrará em vigor em 1 de Janeiro de 1999. É uma certeza que desmente categoricamente os vaticínios negativos que muitos faziam.
Portugal, contrariamente às previsões daqueles que não apostavam um cêntimo nas suas possibilidades, venceu, brilhantemente, todos os exames e está na primeira fila dos países fundadores, participando com orgulho neste momento, verdadeiramente crucial da história da Europa, que assim dá sinais de não querer envelhecer e declinar. Ao contrário também daqueles que arrogantemente garantiam a pés juntos que para atingir o euro seria necessário sacrificar os interesses imediatos dos cidadãos e, ao mesmo tempo, previam uma crise da produção nacional. Portugal desmentiu, nesta recta final do euro, todas as teorias académicas e ideias adquiridas: o crescimento económico do país acelerou, o nível de vida dos portugueses melhorou e a capacidade de exportar aumentou.
Tudo isto foi conseguido porque a grande maioria dos portugueses se sentem identificados com este grande projecto, porque trabalhadores e empresários souberam aproveitar a conjuntura favorável e porque, é justo dizê-lo, o Governo socialista soube combinar habilmente a expansão da procura interna com o investimento público e apostou na iniciativa privada, dinamizada pela baixa da taxa de juro. Tudo isto realizado num clima de tranquilidade social e de solidariedade de que a introdução do rendimento mínimo garantido foi o símbolo maior.
Não se pode dizer que não haverá problemas ou dificuldades. Todavia, tal como o país mostrou ser capaz de realizar as «performances» inesperadas que realizou, também será capaz de, com o mesmo espírito e dinamismo, aproveitar as oportunidades que tem à sua frente e aproximar-se mais depressa dos níveis médios de riqueza e das exigências de competitividade dos nossos parceiros do euro, com os quais encetamos esta caminhada inédita na história contemporânea. Caminho esse que não dispensa, antes exige, uma intensificação da dimensão política e social da integração europeia. A Europa política tem agora a palavra, o funcionamento democrático da União Europeia e o envolvimento dos cidadãos têm a prioridade.
Nós, que desde sempre nos batemos e sonhámos com este momento, temendo quantas vezes em silêncio que não nos pertencesse a alegria da chegada, sabemos reconhecer quem nos indicou o caminho e quem o tornou possível. Vivemos um acontecimento singular da história da Europa, um princípio e não um fim, e estamos conscientes que nesta nova etapa do projecto europeu, esta instituição, será chamada a uma maior intervenção nos destinos da Europa.