A "culpa" é do Fernando Campos!, e do seu tão estimulante sítiodosdesenhos.
Este "retrato" do Maiakovski exige divulgação, e o texto que o acompanha faz pensar e desafia.
Queixa-se Fernando Campos de não encontrar muitas traduções de Maiakovski em português. Tem razão.
Mas algumas há. Como um trecho em O Militante de Maio/Junho de 2008, do poema "Vladimir Ilich Lenine", no caderno dedicado a Karl Marx, e que, por ser em versão livre, autoriza a que mais livre ainda tenha passado a ser:
Marx!
Perante nós, sempre a grisalha moldura.
Mas quão longe da imagem foi a sua vera vida,
quando em mármore ou gesso um velho vemos!
Se os operários dão um passo na senda da revolução,
um primeiro passo, um pequeno passo,
oh!, que incrível fogueira se ateia
no coração de Marx e no seu pensamento!
É como se ele em cada fábrica firme se alevantasse,
como se estivesse, calejado, em todas as lutas,
e, em flagrante, ao rapinante da mais-valia o filasse.
Ali, aonde os corpos, trémulos, nem ousavam levantar os olhos
sequer acima do umbigo do patrão, do capitalista,
Marx levou, implacável, a guerra de classes,
contra o bezerro de ouro que a touro não chega.
(...)