terça-feira, junho 21, 2022

INFORME-SE!

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Vídeo: 'Existem mais de 25 Biolabs financiados pelos EUA na Ucrânia': 

Tulsi Gabbard


Gabbard instou o governo Biden nos Estados Unidos a não encobrir, mas a tomar medidas concretas para impedir imediatamente os militares dos EUA de operar Biolabs “perigosos” na Ucrânia.


Hoje, os perigos da escalada militar estão além da descrição.

O que está acontecendo agora na Ucrânia tem sérias implicações geopolíticas. Poderia nos levar a um cenário da Terceira Guerra Mundial .

É importante que se inicie um processo de paz com vista a evitar a escalada. 

A Pesquisa Global não apóia a invasão da Ucrânia pela Rússia.

A história desta guerra deve ser compreendida.

Os bombardeios e bombardeios liderados pelas Forças Armadas da Ucrânia contra o povo de Donbass começaram há oito anos, resultando na destruição de áreas residenciais e mais de 10.000 vítimas civis.

É necessário um Acordo de Paz bilateral.


A ex-congressista dos EUA Tulsi Gabbard postou no domingo um  vídeo  no Twitter reiterando as alegações sobre a Biolabs financiada pelos EUA na Ucrânia. Expressando preocupação com a violação “inadvertida ou intencional” desses patógenos perigosos, Gabbard pediu um cessar-fogo imediato em torno desses laboratórios financiados pelos EUA na Ucrânia.

Em um vídeo de dois minutos, Gabbard disse que existem de 25 a 30 laboratórios biológicos financiados pelos americanos na Ucrânia e pediu um cessar-fogo imediato nos laboratórios, pois eles podem espalhar patógenos perigosos.

“Aqui está o fato inegável”, disse Gabbard, apoiando as alegações da Rússia de que existem 25-30 Biolabs financiados pelos EUA na Ucrânia. Ela alertou ainda que “De acordo com o governo dos EUA, esses Biolabs estão realizando pesquisas sobre patógenos perigosos. A Ucrânia é uma zona de guerra ativa com bombardeios, artilharia e bombardeios generalizados e essas instalações, mesmo nas melhores circunstâncias, podem ser facilmente comprometidas e liberar esses patógenos mortais”.

Departamento de Defesa dos EUA finalmente vem limpo - admite em documento público que existem 46 laboratórios biológicos financiados por militares dos EUA na Ucrânia

Ela acrescentou que

“Como o Covid, esses patógenos não conhecem fronteiras. Se eles forem violados ou comprometidos inadvertidamente ou propositalmente, eles se espalharão rapidamente por toda a Europa, Estados Unidos e o resto do mundo, causando sofrimento e morte incalculáveis. Então, para proteger o povo americano, o povo da Europa, as pessoas ao redor do mundo, esses laboratórios precisam ser desmontados imediatamente e os patógenos que eles possuem precisam ser destruídos”.

Gabbard também instou o governo Biden nos Estados Unidos a não encobrir, mas a tomar medidas concretas para impedir imediatamente os militares dos EUA de operar Biolabs “perigosos” na Ucrânia.

“Em vez de tentar encobrir isso, o governo Biden-Harris precisa trabalhar com Rússia, Ucrânia, OTAN e ONU para implementar um cessar-fogo imediato para todas as ações militares nas proximidades dos laboratórios e até que seja garantido e esses patógenos sejam destruídos. ”, disse a ex-congressista norte-americana.

Gabbard reiterou a recente acusação da China aos Estados Unidos. Ela afirmou que os Estados Unidos têm cerca de 300 laboratórios de pesquisa perigosos em todo o mundo, semelhantes ao laboratório em Wuhan, na China, de onde o COVID-19 pode ter se originado.

“Agora, depois de perceber o quão perigosos e vulneráveis ​​são esses laboratórios, eles deveriam ter sido fechados há dois anos, mas não foram”, disse ela, acrescentando que esta não é uma questão politicamente partidária.

“A administração e o Congresso dos EUA precisam agir agora pela saúde e bem-estar de todos os americanos e de todas as pessoas do planeta”, disse Gabbard ao concluir seu monólogo em vídeo.

Notavelmente, o vídeo de Tulsi Gabbard causou bastante agitação, com o senador de Utah Mitt Romney criticando-a duramente e insinuando que suas observações sobre a existência dos chamados “US Biolabs” na Ucrânia resultariam na morte de pessoas.

O senador republicano acusou seu ex-homólogo da Câmara de espalhar “mentiras traiçoeiras” que equivaliam a “propaganda russa”.

“Tulsi Gabbard está repetindo falsa propaganda russa. Suas mentiras traiçoeiras podem custar vidas”, twittou Mitt Romney em resposta ao post de vídeo de Tulsi Gabbard.

Rússia e China acusam EUA de ter Biolabs na Ucrânia

Pode-se lembrar que antes disso, tanto a Rússia quanto a China acusaram os militares dos EUA de operar Biolabs “perigosos” na Ucrânia. Em 9 de março, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian , twittou  um trecho de uma entrevista coletiva onde pedia aos EUA que divulgassem “detalhes relevantes o mais rápido possível” sobre supostos laboratórios biológicos dos EUA na Ucrânia.

No domingo, 6 de março, o Ministério da Defesa russo  afirmou  que havia “evidências de um programa biológico militar financiado pelos EUA desenvolvido na Ucrânia”.

EUA admitem que há instalações de pesquisa biológica na Ucrânia

Curiosamente, na terça-feira, a oficial do Departamento de Estado dos EUA, Victoria Nuland , admitiu  de certa forma  que os Biolabs financiados pelos EUA estão trabalhando no desenvolvimento de armas biológicas em solo ucraniano. Nuland testemunhou perante uma audiência do Comitê de Relações Exteriores do Senado sobre a Ucrânia em Washington, DC, e disse que os Estados Unidos estavam trabalhando com a Ucrânia para impedir que forças invasoras russas apreendessem material de pesquisa biológica. O Departamento de Estado também afirmou estar preocupado com o fato de as forças russas estarem tentando obter o controle de instalações de pesquisa biológica na Ucrânia.

Ao declarar que a Rússia será responsabilizada por qualquer 'ataque com arma biológica ou química', Nuland admitiu efetivamente o que o governo russo vem dizendo o tempo todo: que os Biolabs financiados pelos EUA estão desenvolvendo armas biológicas em solo ucraniano.

A fonte original deste artigo é OpIndia

Copyright © Rep Tulsi Gabbard e OpIndia , OpIndia , 2022


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8 de junho de 2022

O PESO DA GUERRA

O PESO DA GUERRA

Manuel Begonha
Presidente da Assembleia Geral


Parece ser com grande facilidade que  material de guerra dos mais diversos tipos, chega à Ucrânia, supostamente por via terrestre.

Seria normal que no torna viagem, os mesmos meios que o transportaram, regressassem carregados com cereais e fertilizantes que tanta falta parecem estar a fazer. 
Mas, uma tonelada de armamento que é letal, ocupa um volume muito menor do que o mesmo peso daqueles produtos. Tal significa que o respectivo transporte só é rentável por via marítima. 
Caprichosamente, a morte pode chegar por meios que estão negados à manutenção da vida. 
É é assim que a guerra se torna mais pesada e mais vantajosa para alguns, uma vez que é medida pelo peso dos mortos que provoca. 
Paradoxalmente, é também mais fácil de transportar do que a Paz que tem o peso da sobrevivência da humanidade. 

Agora que estivemos a falar de valores, pesos e medidas, ocorre perguntar quanto pesa a vida de um Homem. 

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in Associação Conquistas da Revolução (ACR)

segunda-feira, junho 20, 2022

De susto!

 Ai, ai!... 

Isto está cada vez mais interessante… e perigoso: 

com a situação no leste europeu em que ainda há tantos ucranianos para morrer(*), com o México e outros a tomarem posição firme por se ter excluído Cuba, Venezuela e Nicarágua de reunião em Los Angeles (e manifestações de protesto "dentro de casa”), com o presidente a cair da tripeça (ou da bicicleta… o que não é igual mas é o mesmo), com o Brasil (apesar de Bolsonaro, e com Lula à porta) a participar em reunião dos BRICS com a Rússia, India, África do Sul, e na China!, com estes resultados na Colombia a virem somar-se aos de outros vizinhos do quintal das traseiras

… tudo desalinhado… 

o que é que se estará a passar nas cabeças de alguns servidores do império(alismo) esvaziadas de qualquer resquício de ética e humanidade?

_______________________________

(*) - ver, p,f., comentário e meu comentário a comentário - S.R.

domingo, junho 19, 2022

As lutas surdas de povos ignorados

  - Nº 2533 (2022/06/15)


Fracassou no Sudão diálogo com golpistas

Internacional

No Sudão, foram «suspensas por tempo indefinido» as negociações com vista a uma solução para a crise política no país.

O processo era dirigido por um mecanismo tripartido, formado pela Missão de Assistência para a Transição, das Nações Unidas, a União Africana e a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento, uma associação de vários países da África Oriental. Nas últimas semanas, diplomatas dos Estados Unidos da América e da Arábia Saudita pressionaram, sem êxito, o avanço das conversações.

O falhanço do diálogo ficou a dever-se à firmeza dos democratas sudaneses que, apesar das ingerências, se recusaram a participar em conversações com a junta militar liderada pelo general Abdel Fattah al-Buran, responsável pelo golpe de Outubro de 2021 que interrompeu a transição. E responsável também pela repressão sangrenta das manifestações populares de rua que desde então têm abalado Cartum e outras cidades.

As Forças para a Liberdade e a Mudança, o Partido Comunista Sudanês, os Comités de Resistência, a Associação de Profissionais Sudaneses e outras correntes exigem o retorno dos militares aos quartéis, sem condições, e a formação de um governo democrático dirigido por civis. E consideram que a instalação de uma mesa de diálogo – em que participavam os generais, os seus partidários políticos e os aliados do antigo regime (de Omar al-Bashir, derrubado em 2019, após um levantamento popular) – pretendia legitimar os golpistas, o que é inaceitável.

As forças democráticas são claras e insistem nas suas posições. Um dirigente das Forças para a Liberdade e a Mudança, Omar al-Digair, assegura a sua disponibilidade para «tratar de forma positiva com o mecanismo tripartido para pôr fim ao golpe e às suas consequências e restabelecer o caminho da transição democrática com uma autoridade inclusiva que represente todas as forças da revolução». De igual modo, Siddiq Youssif, membro do Comité Central do Partido Comunista Sudanês, reafirmou ao diário Sudan Tribune que os comunistas não participarão em nenhuma conversação directa com o mecanismo tripartido «até à queda do actual regime golpista e à realização de justiça».

A par do boqueio do processo de transição do poder político dos militares golpistas para um governo civil democrático, há notícias de outros problemas graves no Sudão.

Nos últimos dias, registaram-se confrontos armados na região de Darfur, no oeste sudanês, alegadamente entre comunidades de pastores e de agricultores pelo controlo de terras. A violência provocou centenas de mortes e milhares de deslocados, de acordo com entidades ligadas às Nações Unidas.

Explica a FAO, agência onusina para a agricultura e a alimentação, que se a violência continuar o ano agrícola pode ficar comprometido, agravando a fome no país e atingindo milhões de pessoas.

A crise, a pior em 10 anos, é atribuída aos conflitos armados internos, à longa instabilidade na região, às sequelas da pandemia de Covid-19 e à seca e pragas, a que se poderão somar as consequências da guerra no Leste da Europa. Apesar de longe do teatro da guerra, a África é ameaçada pelos efeitos das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia, em especial as perturbações na cadeia de fornecimento de trigo e outros cereais e de fertilizantes.

 

Carlos Lopes Pereira

Bem aje/haja quem lhe dá voz

Porque sobem os preços...

Cansado de ouvir a manipuladora versão de que a inflação é o resultado da guerra no leste da Europa, que é culpa exclusiva dos russos, senti necessidade premente de vir dizer o que há mais de cinco décadas escrevi e que, na resposta à convocatória da URAP para colaborar numa sessão na Torre do Tombo para assinalar o centenário da Seara Nova, achei oportuno lembrar, a 15 de Dezembro do ano passado - isto é, há mais de meio ano -, bem antes de 24 de Fevereiro:

A história não se repete... mas imita-se a si própria razoavelmente, ou desrazoavelmente

Ou seja, a inflação é resultado do funcionamento da economia capitalista, e facilmente previsível por quem a acompanhe criticamente. O que não significa que a situação de guerra, aliás também resultado da crescente militarização da economia capitalista, não a venha agravar.

Aliás, é sempre muito útil consultar Armando Castro: O que é a inflação (porque sobem os preços), Edições 70, 1970! 

quinta-feira, junho 02, 2022

DESTA VEZ NÃO FOI NO ÁVANTE!...

Desta vez, não foi no avante! que encontrei o que, na verdade, me informou, me ensina em que mundo estamos a viver. Foi no Público.

Na página 36 da edição do Público de 3ª feira li “Dezasseis jogadores na ficha do jogo, cinco deles portugueses e só dois desses com real impacto no triunfo do Benfica na Liga Europeia, a segunda prova mais relevante do andebol continental de clubes…”

Foi notícia a modos de balde de água fria, ao lado do título em grossos caracteres Um milagre em várias línguas, também legenda de uma foto do eufórico festejo, ensanduichada por coluna com uma declaração do “treinador da Artística de Avanca”: Uma repetição deste título vai depender do investimento. Estes jogadores estrangeiros não vieram para cá perder dinheiro.

Na véspera, serena e silenciosamente tinha-me congratulado com a notícia, crónica do jogo e declarações de dirigentes do Benfica.

Hoje, 5ª feira, abro o meu semanal avante!, e na página 2, em Aconteceu, lá vem:

Benfica faz história no andebol nacional

e a notícia, sucinta, é entusiática, refere A equipa portuguesa… conseguiram (!) roubar o título aos alemães… e Portugal passou a ter quatro troféus continentais…

Nem uma referência à composição da equipa que teria feito história no andebol nacional…

Isto, na mesma edição em que A. Melo de Carvalho continua, no avante!, a sua campanha (e obra, e vida) por Que desporto temos? Que desporto queremos. 

Fiquei um bocadinho triste… mas já passa!

Duas notícias... diferentes

Da passagem matutina pelas notícias que nos impinguem achei curiosas (estranhei) duas que me suscitaram comentários:

... há centenas de freguesias sem acesso a caixas multibanco. A solução, que está a ser negociada pela Associação Nacional de Freguesias, é recorrer a uma empresa estrangeira para que milhares de pessoas consigam realizar operações como levantar dinheiro ou pagar contas.

e lembrarmo-nos que a rede de caixas multibanco foi introduzida quando a banca estava nacionalizada!

2Os dinamarqueses votaram ontem num referendo para decidir se o país deve aderir à Política Comum de Segurança e Defesa da União Europeia. Dois terços dos votantes mostraram-se a favor da medida proposta. Os resultados oficiais finais devem ser conhecidos hoje e o assunto vai estar nas notícias.

... há que recordar que a Dinamarca fez parte do 1º alargamento (de 1972), usou várias vezes o opting-out, depois de ter votado contra o Tratado de Maastrich (1992), o que obrigou a "arranjos" e a 2ª votação, tendo um dos opting-out sido na política comum de segurança e defesa, posição que agora se revê, por referendo. 

O que não há dúvida é que a agitação é grande.





segunda-feira, maio 30, 2022

Um dia no Texas

  - Nº 2530 (2022/05/26)


Um dia no Texas

Internacional

Um jovem, de dezoito anos apenas e cujo nome é irrelevante, entrou numa escola primária com duas metralhadoras e matou 20 crianças e um professor. Antes, tinha dado um tiro na avó. Depois, foi morto pela polícia. A guerra civil americana nunca terminou verdadeiramente.

Tradicionalmente, os EUA lidam com todos os seus problemas internos exportando-os. Isto tanto vale para a inflação (cujo descontrolo na outra margem do lago é muito anterior à guerra na Europa) como para a violência em geral e para os tiroteios em particular. Contagiar a concorrência — ou o inimigo — permite por vezes a diluição o problema, mas garante sempre a diminuição da vantagem do oponente.

O que aconteceu no Texas não foi um caso isolado. Só desde o início do ano, são já 28 os tiroteios em massa dentro de escolas nos EUA. Todas as semanas há um. No Texas, onde nem sequer existe qualquer registo das armas que se vendem e se compram, este é já o quarto.

Os tiroteios em massa têm causas profundas que vão, contudo, muito para além da facilidade com que se adquire uma arma: reflectem a violência enxertada na cultura de um povo por dois séculos de guerras imperiais; traduzem as profundas divisões e desigualdades entre brancos e negros; ricos e pobres; índios e colonos; urbanos e rurais; democratas e republicanos; confederados e nortenhos; religiosos e ateus; imigrantes recentes e imigrantes antigos.

Mas principalmente, a epidemia de tiroteios que persegue os EUA há tantas décadas é sintomática de uma sociedade doente, em fim de linha civilizacional. Não sobrem portanto dúvidas de que, incapazes de controlá-la, alguns governantes estado-unidenses não se importariam de vê-la contagiar o resto do mundo. A receita é, de resto, pública e pode confeccionar-se de variadíssimas formas: vendendo mais armas; acicatando o belicismo; promovendo a cultura da violência, do medo e do ódio; deixando caixas abertas cheias de metralhadoras no meio das avenidas; convencendo-nos sorrateiramente de que falar não serve de nada porque é aos tiros que se resolve tudo. É assim que se acorda um dia no Texas


António Santos




quarta-feira, maio 25, 2022

euro: 20 anos de circulação-passado, presente e futuro (intervenção)

 

da intervenção:

(…) esta iniciativa transporta-nos a mais do que a 20 anos atrás, a outro Maio – ao de 1998 –, à sessão do Parlamento Europeu, em que foi votada a criação do euro e do Banco Central Europeu pela única instituição da estrutura comunitária de representantes eleitos pelos povos.

Será o passado… um pouco anterior à data de pôr em circulação a nova moeda.

Em coerência com a nossa leitura da História, ao tomar posição sobre os factos, importa conhecer antecedentes, saber como se chegou a eles, o seu porquê e com que intenções.    

Com a criação da UEM, o capitalismo transnacional procurava superar, no âmbito da integração europeia, a crise presente e latente intrínseca ao sistema.

A decisão unilateral da inconvertibilidade do dólar (Nixon, 15.08.1971) desmantelava, de facto, o sistema financeiro internacional criado em Bretton-Woods em 1944, que perdia a sua base de sustentação material, o dólar convertível.

Depois da fracassada tentativa de uma moeda única a 6 Estados na CEE, a unidade de conta écu, com faixas de oscilação das taxas de cambio das moedas nacionais no espaço alargado a 12 Estados-membros, fora remendo, e não remédio, para alguma necessária estabilidade cambial no mercado interno, que entretanto se viria a criar. 

 O euro aparecia, também, como emenda regional, ou até eventual substituto ou complemento para a arrastada crise monetária.

Foi, no entanto, avanço num descaminho, e não se podia esperar que o euro, tal como criado, ajudasse a superar a crise monetária-financeira larvar. Não só o euro… também o BCE, enquanto instituição criada com seus objectivos e competências federalizantes, à margem de qualquer resquício de democraticidade.

Eram mecanismos – instrumento-moeda e instituição-banco – impostos sem controlo das soberanias nacionais ou de outras instituições comunitárias com vínculos (ainda que indirectos) aos povos dos Estados-membros. Mas, evidentemente, sob controlo directo e submissão ao capital financeiro transnacional…

Todo o poder à banca!

A criação da moeda única e do BCE foi um momento numa fase do sistema que procurava, pela especulação financeira, pela armadilha da dívida, sobreviver, contrariar o que resulta da sua própria dinâmica, com leis tendenciais que impedem a acumulação de capital material, fruto – e único alimento – de uma relação social que o define como sistema.

Teve o maior significado, como frente de luta, a intervenção do PCP em todo o processo, na campanha de esclarecimento do que estava em jogo (coarctada por todos os meios), no debate, na avaliação, de critérios e actos formais, para adopção. Um acompanhamento a par e passo, denunciando argumentos e intenções.

Se, na correlação de forças de então, se entendia a UEM como uma imposição de classe, como via de precária superação da crise financeira-bancária latente, e agravando contradições intrínsecas, quer a nossa participação, quer a votação, só podiam ser, também, uma resposta de classe,

O voto do PCP no Parlamento Europeu foi a expressão de uma posição sobre o modo como o projecto foi conduzido, ao serviço de que interesses.

A declaração de voto de 2 de Maio de 98 no PE, não foi um voto contra a estabilidade de preços, o equilíbrio orçamental, o controlo da dívida; foi, sim, um voto contra a futura utilização de instrumentos e instituições para impor estratégias que, como está na declaração, iriam prosseguir e agravar a concentração da riqueza, tornar estrutural o desemprego, agudizar assimetrias e desigualdades, criar maior e nova pobreza e exclusão sociais, diminuir as soberanias nacionais e acrescer défices democráticos. Agravariam, foi dito!, a crise financeira e provocariam explosões periódicas.

Foi sublinhado, também, que o voto prevenia o decorrente privilégio de zonas geográfico-monetárias e a partilha de influência entre grandes famílias partidárias, numa evidente polarização do poder, que viria a condicionar todas as políticas dos Estados-enquanto Estados-membros, e contribuiria para a dependência da outra moeda, o dólar, que se mantinha o instrumento monetário embora desmaterializado, elemento da submissão a uma unilateralidade alcunhada de globalização.

Foi essa, então, a posição do PCP, dos seus deputados no Parlamento Europeu, em defesa de um Portugal soberano. Nesse voto contra, foram acompanhados por mais 62 outros deputados, num total de 65 votos contra, ainda com mais 24 abstenções.

No presente, nestes vividos e aqui assinalados vinte anos de existência como moeda em circulação, confirma-se o que foi declarado a justificar o voto, sem alegria mas com a tranquilidade e a força que dá ter tido razão nas consequências previstas, porque previsíveis.

Bem diferente foi a posição de alguns que festejaram euforicamente o que chamaram (cito) “acontecimento singular”, que orgulhosamente colocava Portugal “na primeira fila dos países fundadores” (do euro); neste presente, agora alguns descobrem ou não conseguem negar – e até, por vezes, denunciam, escandalizados… – o que etiquetaram e anatematizaram como presságios de mau augúrio, que a realidade veio, afinal, confirmar. Com todos os gravíssimos danos sociais, humanitários, que se confrontam. Hoje!

Como necessariamente deriva do que se testemunha com o que se viveu, deve dar-se a maior importância ao passado e ao presente, para fundar e dar sentido à luta que continua no futuro. Um futuro para que se tem Partido

A revisita ao que passou pode dar argumentos e força para desmascarar o rumo que pretendem manter, de concentração e de centralização, a cada passo mais anti-democrático, coberto do verniz de mentira e do manto da demagogia perigosamente enganadores.

Os momentos que se vivem dão preocupantes sinais do aproveitamento da dimensão histórica (e os dedos e a voz soltam-se para dizerem histérica), da dimensão destes momentos para imporem a irracionalidade comprovada pelo passado e pelo presente.

A acabada de realizar Conferência sobre o Futuro da (dita) Europa (como se insiste até à exaustão a chamar à União Europeia), reflectiu prioridades de quem manda na U.E., na ausência de verdadeira informação, debate e participação.

Como se poderiam enumerar – o que faria transbordar o tempo desta intervenção e nem assim seria exaustiva –, não faltam exemplos dos objectivos e políticas federalistas, neoliberais, militaristas, de um processo de integração comunitária de Estados-membros soberanos, que vão sendo esvaziados do que compõe essas soberanias.

Cada vez mais à margem da participação dos povos, estes não são sujeitos mas sim objecto de uma propaganda manipuladora que substituí a informação. No entanto, tal não parece suficientemente eficaz, pois essa propaganda é acompanhada de diminuição, tendente à anulação, das circunstâncias em que as decisões exigem unanimidade dos Estados soberanos e necessitam de ratificação democrática, com intervenção directa dos povos.

Em tempos, muito se falou e debateu uma política europeia de segurança e cooperação-PESC, de algum modo se saudou a criação, em 75, da Organização de Segurança e Cooperação Europeias, que, por exemplo, teve intervenção activa nos acordos de Minsk de 2014.

Assim como as segurança e cooperação europeias se confundem e submetem numa organização criada como militarista e agressiva no âmbito do Atlântico Norte e se assume como universal, também a moeda única, que retirou soberania financeira-monetária, orçamental aos Estados, que destruiu economias nacionais num contexto de internacionalização, essa moeda, tal como criada, se apagou num sistema financeiro dominado por uma moeda que nem moeda é, mas um papel verde, que tem inscrita uma frase-aviso in God we trust.

A Europa – e nesta referência é mesmo a Europa – parece alheia, parece ignorar que noutras partes do mundo, nesta oportunidade ou por força das circunstâncias, se procuram soluções para as relações económicas internacionais do futuro, fora do domínio desse pseudo-instrumento que se baseia numa fidúcia que não merece nenhuma confiança (material) e apenas se sustenta pela força das armas, do complexo industrial-militar. Que é um grande perigo, um enorme perigo para a Humanidade.

Num mundo cada vez mais interdependente, recuperar a soberania nacional sobre um instrumento financeiro, fora do jogo de taxas de juro alienígenas, colocá-lo ao serviço de uma economia que promova o investimento, aproveite os recursos próprios no respeito pelo ambiente, incremente a produção, tenha por objectivo a melhoria das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e das populações, é também necessária, talvez indispensável, para a luta pela Paz

sábado, maio 21, 2022

euro: 20 anos-passado, presente e futuro

 


EM

|MOEDA ÚNICA

Euro: passado, presente e futuro

Os vinte anos de circulação do euro vão estar em debate dia 24, em Lisboa, com a participação de um conjunto de personalidades nacionais e estrangeiras, nomeadamente economistas e deputados europeus.

O PCP recusa a impossibilidade de o País poder decidir sobre o seu próprio destino
Créditos

O debate, que se realizará no ISCTE, em Lisboa, abordará os «20 anos de circulação do euro», em que Portugal, para além da moeda, perdeu importantes instrumentos de soberania, designadamente a independência do seu banco central e a capacidade de definir, por si próprio, as suas políticas monetária, financeira e cambial.

Nele participam vários economistas, nomeadamente Carlos Carvalhas, Eugénio Rosa, João Ferreira do Amaral, João Rodrigues, José Lourenço, Nuno Teles e Ricardo Cabral.

Na iniciativa, promovida pelo PCP com o apoio do Grupo Confederal da Esquerda no Parlamento Europeu (PE), intervirão também Sandra Pereira, deputada comunista no PE, Thomas Pringle, deputado independente no Parlamento Irlandês, e Denis Durand, ex-administrador do Banco da França.

Jerónimo de Sousa encerrará o encontro, onde participam ainda os comunistas João Ferreira e Vasco Cardoso, membros da Comissão Política, e Agostinho Lopes, responsável pela Comissão dos Assuntos Económicos do PCP.

quarta-feira, maio 11, 2022

É DE SUSTO|

Ler isto (no meio de muito igual, ou parecido, com a mesma intenção de NOS preparar para a guerra que vêem preparando) é quase aterrador. 

"... Pertencer à NATO seria um desenvolvimento histórico para os dois países nórdicos. A Suécia vem a evitar alianças militares há 200 anos e a Finlândia adotou a neutralidade depois de ter sido derrotada pela União Soviética na II Guerra Mundial."

"... a Finlândia adotou a neutralidade depois de ter sido derrotada pela União Soviética na II Guerra Mundial"... mas o que é isto, que História é esta?!

"Biden. O Presidente norte-americano assinou ontem uma proposta para agilizar ainda mais o envio de ajuda militar ao exército ucraniano decalcado de um outro documento que serviu para ajudar os Aliados a lutar contra os nazis na II Guerra Mundial. A lei chama-se Ukraine Democracy Defense Lend-Lease Act “mas a sua arquitetura é uma herança com 81 anos, quando algo semelhante foi aprovado por Franklin Roosevelt”. O diploma deixa os EUA “cada vez mais dentro da guerra”."

Quem é que está louco? 

Que força é esta... do complexo militar-industrial?  

terça-feira, maio 03, 2022

O "complexo militar-industrial"

 Um artigo no Público de hoje... para ler e divulgar:

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