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segunda-feira, junho 20, 2022

De susto!

 Ai, ai!... 

Isto está cada vez mais interessante… e perigoso: 

com a situação no leste europeu em que ainda há tantos ucranianos para morrer(*), com o México e outros a tomarem posição firme por se ter excluído Cuba, Venezuela e Nicarágua de reunião em Los Angeles (e manifestações de protesto "dentro de casa”), com o presidente a cair da tripeça (ou da bicicleta… o que não é igual mas é o mesmo), com o Brasil (apesar de Bolsonaro, e com Lula à porta) a participar em reunião dos BRICS com a Rússia, India, África do Sul, e na China!, com estes resultados na Colombia a virem somar-se aos de outros vizinhos do quintal das traseiras

… tudo desalinhado… 

o que é que se estará a passar nas cabeças de alguns servidores do império(alismo) esvaziadas de qualquer resquício de ética e humanidade?

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(*) - ver, p,f., comentário e meu comentário a comentário - S.R.

domingo, abril 19, 2020

GLOBALIZAÇÃO E LUTA DE CLASSES - 11

continuação:


11

2.a Nos países ditos desenvolvidos, do capitalismo em fase imperialista, colonialista-nova maneira (expressão que entrou em desuso, mas que não perdeu sentido), as relações laborais poderão vir a sofrer alterações  muito profundas.
E muito negativas, nessa perspectiva do trabalho como único criador de valor e na luta contra a exploração dos trabalhadores a partir da mercantilização da força de trabalho.
Pela prioridade à livre iniciativa, às empresas, ao capitalismo accionista transnacional e especulativo. Com um enorme e crescente peso de vários tráficos desumanizadores, em que avulta o desumano tráfico de seres humano, da indústria da guerra, fabricante da mercadoria mais perigosa porque é consumida/destruindo o que a humanidade criou/construiu e a natureza em si.

2.b  No panorama ou xadrez internacional, enquanto a inoperacionalidade ou até servilismo das Nações Unidas, é cada vez maior a importância da China (e do seu modo de ser o mais populoso Estado do mundo, com um Partido no poder que se afirma comunista), da Rússia (o maior país do mundo, que tem recusado submeter-se à estratégia do capitalismo financeiro transnacional) e dos povos que se libertaram e não aceitam recuar na sua soberania. Dos povos que já tiveram perspectivas e influência como centros produtores de matérias primas e fontes de energia, que foram Não-Alinhados e Terceiro-Mundo.
Cada dia, cada período do tempo histórico, estes países e povos são mais "incómodos" para as "soluções" neo-liberais monetaristas (de moedas que são fictícias) e menos espaço/tempo consentem para fugas e adiamentos.


continua (e acaba a seguir) 

sexta-feira, março 20, 2020

Em inventário permanente

Um economista (de profissão, tal como a economia se definia quando se formou e reformou) tem de ser também um conta bilista, e este deve funcionar em inventário permanente.
Dito isto, aí vai... para balanço:

Li, esta manhã, no Expresso curto:


"(...) Prosseguimos o esforço para por cobro a algo que, afinal, talvez já pudéssemos ter previsto e estar a combater há muito.(...)"

Reli, de a(post)ado, em tradução minha, de Le Grand Soir, a 10 de Março: 

"10 de março de 2020

Coronavírus: o testemunho de um virologista

Bruno CANARD

Chamo-me Bruno Canard, sou director de pesquisa do CNRS em Aix-Marselha. A minha equipa trabalha com vírus RNA (ácido ribonucleico), que inclue os coronavírus. Em 2002, a nossa jovem equipa estava a trabalhar sobre a dengue, pelo que fui convidado para uma conferência internacional onde era tema os coronavírus, uma grande família de vírus que eu não conhecia. Então, em 2003, surgiu a epidemia de SARS (síndroma respiratória aguda grave) e a União Europeia lançou importantes programas de pesquisa para tentar não ser apanhada de surpresa em caso de emergência. 
(...)
Na minha equipa, participamos em redes de colaboração europeias, o que nos levou a encontrar resultados a partir de 2004. Mas, em pesquisas virais, na Europa e na França, a tendência é colocar o pacote no caso de uma epidemia, e depois esquece-se. 
(...)
A ciência não funciona com urgência e resposta imediata.
Na minha equipa, continuamos a trabalhar no vírus da coronavírus, mas com fraco financiamento e em condições de trabalho que gradualmente se deterioram.
(...)
Pensei que tínhamos momentaneamente perdido o jogo.
Perguntei-me se tudo isto era realmente útil para a sociedade, e se eu ainda estava apaixonado por esta profissão?
Perguntei-me, muitas vezes, se iria mudar para um emprego desinteressante ou prejudicial à sociedade, e no qual seria muito bem pago?
Não, na verdade não.
Espero ter feito ouvir, pela minha voz, a cólera legítima que está tão presente no ambiente universitário e na investigação pública em geral.


Assim se vive neste lado a ocidente do mundo,
neste "mundo" capitalista,
onde tudo se mercandiza
(antes de tudo, a força de trabalho),
tudo, de tudo e em tudo, 
se financeiriza,
se quer colher lucro
antes de tudo,
sobre tudo!

Mas...
há mais mundo!

sábado, dezembro 07, 2019

O camarim da camarilha


PONTO DA SITUAÇÃO

Anda agitado o mundo. Tão agitado que não se sabe por que ponta lhe pegar.
Ainda por cima é redondo…

Pela ponta aqui mesmo “à mão”?, adentro de nossas caseiras portas, quando, em nosso nome…, há quem acolha gente que noutros lugares não querem ver nem por perto, talvez para não se ficar como coito e local de conluio de tal gente… embora dela cúmplice. Quem? Pois, um 1º ministro de Israel que pode ir passando incólume por acusações de criminoso pela instituída – mas impotente e quase caricata – organização de nações unidas, mas a contas com a justiça do seu país como corrupto, contas a que não escapará, embora meros trocos face à gravidade dos crimes contra um outro povo em que abundou e requintou; o outro, bem o outro é o Pompeo do Trump, equivalente a ministro dos negócios estrangeiros dos actuais Estados Unidos da América, a que nenhum negócio é estranho e todos os negócios justificam tudo, ou o que quer que seja. Pegar por essa ponta levaria à agitação do mundo, e até teria a virtude de reviver o passado nos Açores, com a lembrança do encontro Bush-Blair-Asnar (e Durão Barroso como anfitrião) na cabala do Iraque e tudo o que se lhe seguiu. Mas, em contrapartida, exigiria exigiria luvas e outros cuidados não só higiénicos.
Las conclusiones del 'Informe Chilcot' sobre la invasión de Iraq en 2003 están agitanado el panorama político. Juan Carlos Monedero cree que los responsables de dicha guerra deberían pagar por los crímenes que se cometieron. “Barroso, Bush, Blair y Aznar tienen que pasar por los tribunales", ha dicho el fundador de Podemos. También ha dado importancia al hecho de que muchas pruebas utilizadas para justificar la invasión fueran inventadas. "Sabían que no había armas de destrucción masiva y permitieron que medios de comunicación generasen esa mentira", ha añadido. "Si uno entra en la cárcel por robar una bicicleta, los responsables de tantas muertes debieran pasarse muchos años a la sombra", ha dicho Monedero, mostrando su enfado por lo que considera impunidad de los responsables de la guerra.»-ABC-Espanha, 07.07.2016)
Como colocava Oliveira Martins em título de um dos capítulos da sua História de Portugal, Portugal parece enfermo do Ocidente.
Outros títulos se poderiam arranjar hoje. Como o camarim da camarilha.

Mas há tantas outras pontas!

... continua...

domingo, outubro 14, 2018

Informo-ME, informa-TE, informem-SE, informemo-NOS, informai-VOS, informem-SE

O termo/conceito democracia tem origem na antiguidade clássica - na Grécia - e, tal como começou a ser usado em Atenas no século V a.c., é formado por duas partes: demos (“povo”) e kratós (“poder”, “governo”). Isto é, etimologicamente, é o poder do povo.
Na nossa contemporânea idade, a democracia é (ou deveria ser) uma forma  de cada povo, enquanto grupo de cidadãos ("co-habitantes da cidade") identificado pela sua história e cultura, organizar o seu poder, se governar, fazendo prevalecer o interesse geral relativamente aos interesses particulares de parte desse povo (ou de outros). Como tal, a tomada de decisões responde(ria) à vontade geral expressa pela totalidade.
Na prática (actual mente), a democracia é/seria uma forma de governo e de organização de um Estado. Através de mecanismos de escolha directa, o povo elegeria os seus representantes para funções pré-determinadas e mandatos pré-estabelecidos, dos quais acompanharia o exercício que completaria e apoiaria a organização e participação directas.
Pode acrescentar-se que a democracia é a resultante organizativa da convivência social. De uma convivência em que todos os conviventes seriam livres e iguais perante a lei por eles adoptada, condicionados pelas relações sociais entre si estabelecidas.
No entanto, todo esta organização da sociedade humana está, e cada vez mais, condicionada pela informação que cada humano parcela do poder tem. Informação que recebe em casa, na escola, na convivência informal, que lhe é imposta por canais especializados em manipulação, no ambiente geral em que vive e que ultrapassa fronteiras num mundo sempre mais mundializado. 
Para o exercício (ou demissão) do seu poder insubstituível, cada mulher e cada homem tem a sua informação. De que deveria sentir-se estimulado/obrigado a diversificar e a não se deixar manipular, sob pena de estar a fazer uso perverso do seu poder. Que apenas seu é!

Vem esta reflexão/relambório a propósito de meu exercício, não direi quotidiano mas periódico, de revisitar as minhas habituais fontes de informação. Para daquela informação invasora que me entra - sem pedir sequer licença - no computador e no telemóvel, e da que é criteriosamente canalizada na TV. 
Assim, sendo eu a informação que tenho, procuro fontes de informação que ME informem. De diferentes e bem várias origens, mas há quatro que foram escolhidas (?) para rotineiras: todos os dias o jornal do canal 2 da RTP, às 5ª o avante!, às 6ª o Notícias de Ourém, aos sábados o Expresso.
E cá ME vou informando e, por vezes, vocifero com a "informação" que me... oferecem. Ao mesmo tempo que me sinto estimulado a berrar informem-SE, antes de informarem (ou "informarem") com a informação  que vos (a quem?) serve.
Ainda agora mesmo, numa selecção que semanalmente consulto, encontrei um exemplo:
No caderno "Economia" do Expresso, vejo sempre a selecção MUNDO nas duas penúltimas páginas


1. Angola - Xeque-mate aos garimpeiros
2. Reino Unido - Facebook
3. Alemanha - Previsão de crescimento (em baixa)
4. Estados Unidos - Google (suspensão)
5. Reino Unido - Apple (investimento em Dialog
6. China - não vai submeter-se aos EUA
7 - Arábia Saudita - desaparecimento jornalista saudita e investimento
8 - Espanha - entrada de banco de crédito ao consumo na bolsa
9 - Reino Unido - banca na gestão de patrimónios

É, esta semana, a informação seleccionada sobre o MUNDO. Deles. 
Anoto, entre muito que poderia anotar - a meu critério - a falta de informação sobre o Brasil e sobre a significativa reacção bolsista à previsão (só, para já!) do resultado das eleições do Brasil, e também a ausência, nesta MUNDO, de toda a América Central e Sul, do maior Estado do mundo, a Rússia e da Austrália/Nova Zelândia. Há um MUNDO a informar e um resto do mundo à espera de "informação" oportuna.  

domingo, janeiro 22, 2017

O mundo está cada vez mais perigoso

Por vezes, o silêncio impõe-se-nos (será  isso que nos vai acontecer com o filme de Scorcese?). É a reacção aos excessos de mundo às avessas em que comunicação vai sendo pródiga... e barulhenta. Avassaladora (avacalhadora?). Por morte adiada e cerimónias exéquias de uma figura pública, por crises futebolísticas até à histeria, por tomadas de posse de poses e falas espúrias a provocarem espectaculares manifestações de malmequeres (muito, pouco ou nada), algumas quiçá solertes.
Tudo parece de pernas para o ar, e a exigir silêncio inhabitual e pausa de escola, como  a que calorosa amizade nos colocou nas mãos, a lembrar Galeano (e outros) na colecção nosso mundo da editora caminho.

Bem oportuna lembrança para este domingo, em que mal acordámos (porque assim adormecemos num final de sábado) com a leitura de que "o mundo está hoje muito mais perigoso"... porque a Casa Branca de Washington teria um novo (e desastrado) morador em resultado da aplicação estrita das regras de cidadania dos Estados Unidos da América.
E temos dificuldade em começar o dia, e outros trabalhos e tarefas, sem uma paragem no (relativo) silêncio que nos impusemos, sem uma afirmação peremptória:
Não foi o mundo que ficou mais perigoso por os cidadãos estado-unidense terem aquele presidente, foi por o mundo estar cada vez mais perigoso que os Estados Unidos têm um presidente como aquele. 
Não se valorize tanto o homem, demonizando-o, tome-se consciência do que está antes e por detrás dele, e como ele é um mero reflexo de insanáveis e contraditórias contradições (redundância voluntária...) de um sistema de relações sociais, que está nas nossas mãos superar. E que assim será, com custos humanitários agravados pelo tempo de sobrevivência. 



    

quinta-feira, junho 13, 2013

Registo de "dias de agora"

13.06.2013

Ao fim do dia, uma reflexão a partir do discurso e estadia de Cavaco Silva no Parlamento Europeu.

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Isto porque ainda um dia destes, numa reunião, levantei esta questão do FMI, depois de algumas últimas posições que técnicos desta instituição tomaram.

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Não será que, na inevitável transformação do capitalismo – e até onde possa mudar sem alterar as relações sociais a que desesperadamente se agarra –, este terá de acolher uma mudança no FMI, criado há quase 70 anos, quando havia uma União Soviética e massas ganhadoras da guerra, e o mundo (imperialista) se repartia por hegemonias imperiais capitalistas?
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Depois da sua criação, esse tal FMI veio a ter papel de relevo no controle (económico) das descolonizações (políticas), mas o "estado do mundo” alterou-se imenso.
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Já se passou por “mundo capitalista”, “mundo socialista” e "não-alinhados", já se passou do GATT ao OMC, e eclodiu o “mundo socialista" enquanto Estados, a globalização e ausência de inimigo no plano inter-nacional obrigou o capitalismo a “inventar” e a formatar “inimigos”, há países emergentes a crescer enquanto se passou pela inflação-desemprego para a stagnaflação e agora as estatísticas (apesar da sua pouca credibilidade) apontam para desemprego e deflação, se “descontruiu” o sistema monetário internacional e se instalou o capital na forma de dinheiro fictício e creditício e a especulação explode.
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Serão poucas as muitas palavras, mas estou a resumir.
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E não digo mais, por hoje e por aqui, mas queria deixar imediato registo após as “cavacadas” filo-“europeias” e céptico(senão anti)-FMI, ignorando em absoluto o novo quadro internacional.
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Em que o Brasil entrou em jogo, assim como a Índia e a África do Sul, que eram colónias, e a China que estava “fora de jogo” e a Rússia que já estava noutro jogo, de que regressou, e também querem “dar cartas” e têm muitos trunfos.
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Fica este começo de registo.
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Aqui e – porque não? – também no anónimo.

quarta-feira, julho 11, 2012

O estado em que está esta Nação -3 diagnóstico e greve dos médicos

Face ao verdadeiro (ou construído) autismo do governo e da maioria que o sustenta, que vivem num "outro mundo" (de finanças, bancos, dívidas e défices), isolados  do mundo vivo das pessoas, do que se passa nas casas e nas ruas, depois deste diagnóstico que foi o debate na AR, e desta tão significativa greve dos médicos... a pergunta é: 
qual o seu prazo de validade?
(e não se fala em dias, semanas, meses ou anos...)

O estado em que está esta Nação... -2 brevíssima

Terei ouvido bem?
Paulo Portas disse que as dívidas se pagam com mais dívidas?

Só um dado;

Segundo o US Debt Clock.org, às 19 horas e 15 minutos de hoje,
a divida pública de Portugal era de 103,840% do PIB quando era inferior a 101% em Fevereiro,
a dívida externa de Portugal era de 260,023% do PIB quando era de pouco mais de 254% em Fevereiro.

O estado em que está a Nação...

"Ouver" o debate sobre o Estado da Nação é uma espécie de contra-prova de como é encarada, por quem foi eleito para nos representar, a nação e os nacionais.
O governo, que é o resultado (indirecto) da escolha desses nossos representantes, mostra estar ali, na AR, como se estivesse na sala de espera de aeroportos, a cumprir uma obrigação (ou um frete...), entre as viagens que tem de fazer para ir receber ordens, render vassalagem, prestar contas a quem mais ordena nas finanças europeias e internacionais... por isso, é como se viesse de outros mundos, de outras nações que não esta em que vivem os portugueses;
o PS, bem... o PS faz o seu "número", relatando situações e dramas por que é co-responsável, como fez ou faria o PSD e o CDS se, e quando, a alternância lhes troca os lugares. 

Entretanto, há quem. ali, fale das situações e dos dramas, mas a partir das causas que os provocam e que é cada vez é mais urgente combater! Juntando-se a quem, fora do hemiciclo, luta. Nesta Nação. Que está neste estado!

  

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

Respigos (em 2ª mão e brevemente comentados)


Este economista do Banco Mundial fez contas! com dados que costumam servir para outros fins.

Os "bónus" pagos pela Goldman Sachs (a quantos privilegiados?) são superiores aos rendimentos de mais de 22 portugais dos pobrezinhos... que é para onde nos querem atirar. Para depois começarmos a crescer economicamente, claro!

O rendimento médio num mês dos 400 americanos mais ricos corresponde ao rendimento médio de 1,6 milhões de meses dos cidadãos da África Subsariana, isto é, de mais de 133 mil anos de vida de cada um destes, em média.

O crescimento económico da China e do Brasil muda a face do mundo. E não só em termos económicos ou economicistas. Também sociais. O que não é visível de um dia para o outro, mas ao longo de décadas e séculos.  

sexta-feira, novembro 04, 2011

A pobreza e a extrema pobreza nos Estados Unidos

Perto de 7% da população dos Estados Unidos, acima de 20 milhões em pouco mais de 300 milhões, vive hoje em “extrema pobreza”, segundo estatísticas do Censo.

Esta conclusão de especialistas baseia-se no critério (estatístico) de estar em “extrema pobreza” quem estiver abaixo de metade do índice oficial de indigência. Os dados mostram que quase metade dos 46,2 milhões que vivem abaixo da linha da pobreza, estão em “extrema pobreza”.

Este é o tema central dos protestos do movimento dos chamados indignados de Ocuppy Wall Street, e as novas estatísticas mostram a dispersão, os extremos entre os ricos e os pobres da nação, enquanto o desemprego se mantém acima de 9%.

A pobreza extrema ocorre mais entre “hispânicos” e “negros”, as duas principais minorias do país. E tambémentre idosos e pobres em idade de trabalhar que caíram na miséria. Resultados do censo de 2009 indicam que, nos EUA, mais de 27% dos "hispânicos" vivem na pobreza, assim como cerca de 23,5 % dos "negros".

As autoridades alertam para o facto dos bairros com taxas de pobreza de pelo menos 40% aumentarem em áreas mais amplas, crescendo duas vezes mais nos subúrbios que nas cidades. Segundo o Censo, zonas metropolitanas do sul do país enfrentam agora alguns dos maiores aumentos de concentração de penúria. O problema afecta 42 estados, e o distrito de Columbia, onde aumentam os mais indigentes entre os pobres desde 2007.

Por outro lado, algumas análises indicam que, nos Estados Unidos, pobreza e fome andam de mãos dadas. Mais de 20% das crianças são necessitadas, com destaque para os “hispânicos”, que ultrapassem 33% (quase um em cada três), indicou recentemente um relatório do Instituto PAN para o Mundo, um movimento religioso contra a fome.

Segundo esse estudo, o problema da insegurança alimentar afectou, em 2009, 15% dos lares estadunidenses, tendo sido os “hispânicos” os que mais enfrentam esta situação, com 27%.