domingo, setembro 20, 2009

As sonda(gen)s...

Um excelente texto (com uma ilustração "à medida"). De Cid Simões, aqui. Que se recomenda. Vivamente.
Uma reflexão séria de, e para, quem quer levar "esta coisa" da política a sério.

sábado, setembro 19, 2009

É isto a política?

"Factos" políticos contra "factos" políticos?
Sondagens para manipular até à exaustão?
Fogos fátuos e (de) artifici(o)ais?
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E a situação das pessoas, o endividamento e as consequências, o desemprego, as empresas (micro, pequenas e médias, sim!, não ridicularizem) em dificuldades enormes (as que sobrevivem)?
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Tem de haver alternativa! Há alternativa!

sexta-feira, setembro 18, 2009

Na cadeira do barbeiro

É periódico. O cabelo não caiu e cresce. Também a barba cresce todos os dias, porque nem dia-sim-dia-não a faço (a expressão “fazer a barba” é mesmo aberrante…). Pelo que, mais ou menos de mês e meio em mês e meio, vou à loja do senhor Arnaldo, velho conhecido de andanças teatrais e quase-amigo, para que ele diminua a minha “moldura grisalha” (de um poema de Maiakovski).
É costume conversarmos muito enquanto ele dá à tesoura. As conhecidas conversas de barbeiro… Podemos começar pelo tempo, ou pelo teatro, ou pelo futebol, mas – é fatal! – acabamos no tema da política. Pois se sou eu que estou sentado na cadeira…
Desta vez, ontem, ele foi logo directo ao assunto. E mais isto e mais aquilo, e lá comecei eu a tentar ser pedagógico sem proselitismos excessivos. Até que ele arranca com esta pergunta:
Pois... mas, ó doutor (é assim que ele me trata),… diga-me lá… porque é que o seu partido não se junta ao Bloco de Esquerda?”
Se fosse eu que tivesse a tesoura nas mãos e a orelha dele à mercê, se calhar tinha havido sangue… Acalmei, disse-lhe que o tal meu Partido tinha sido criado em 1921, que atravessou o fascismo na clandestinidade a lutar pela democracia e pela liberdade, que tinha uma ideologia própria e bem definida (certa ou errada é outra coisa), que está aberto a fazer coligações e alianças com quem o respeite, e que o Bloco de Esquerda é outra coisa, outro partido… e terminei perguntando-lhe “ó amigo Arnaldo (é assim que o trato)… porque que me pôs a pergunta assim e não ao contrário? Não me perguntou porque que é que o Bloco de Esquerda não se junta ao PCP, pois não?
E enquanto pagava, ainda adiantei a pista, para a eventual resposta que ele (se) quisesse dar à minha pergunta, do modo absolutamente vergonhoso como a comunicação social do capital trata um e outro dos dois partidos.
A conversa continuará daqui a aproximadamente mês e meio.

Reflexões lentas e curtas - 3. O Poder aparente e o real Poder

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro

3. O Poder aparente e o real Poder

4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder

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E o que é isso do Poder?
Numa já velhinha Pequena Enciclopédia Política - Um ABC sem simplismo, editado pelas Iniciativas Editoriais, de 1975 (em 1974 e 75 muito se publicou sobre política...), encontrei, de Jean Lacouture, uns trechos sobre Poder que me parecem interessantes.
Um primeiro, sobre a utilização da maiúscula para a palavra, o que JL considera uma "falsa reverência, que tende sobretudo a denunciar a perigosa proliferação do monstro"; e um segundo, que tem uma imagem curiosa, "a uma telefonadela do mais grotesco Ministro do Interior, eis a polícia em movimento, os filósofos alarmados, juizes demitidos, a face do mundo modificada...", e define-o, ao poder, como sendo "o exclusivo da violência".
Para além da evidente posição do autor ser muito liberal, anti-Estado, e até ultrapassada porque esse exclusivo da violência ao serviço da segurança deixou de existir dada a proliferação de empresas em áreas que eram exclusivas do Estado (como essa da segurança... e também porque dão lucro!), estas duas pistas ajudam a separar o Poder aparente do real Poder.
A telefonadela do ministro não é neutra, e o seu poder é aparente. A polícia será posta em movimento, por essa telefonadela, para alguma coisa, os juizes demitidos por alguma razão. Para defender interesses de classe, porque alguém teria dado instruções ao ministro - ou feito uma telefonadela antes - para que ele assim fizesse. O real Poder. E o ministro, faz o telefonema ao serviço desses interesses, condicionado pelo estádio da relação de forças entre as classes, que se reflecte no exercício do Poder aparente.
Esta é, evidentemente, a posição de quem tem uma ideologia e uma interpretação da História. Que se funda num Manifesto (do Partido Comunista) em que se pode ler que "o moderno poder do Estado é apenas uma comissão que administra os negócios de toda a classe burguesa".
O Poder? Nunca absoluto, sempre condicionado.

quinta-feira, setembro 17, 2009

Sonda(gen)s

Discutem-se sondagens.
Discute-se, como facto político, o que, de eleição em eleição, se prova que é não um facto mas um falso-facto. Um fá(c)tuo!
A partir do falso-facto manipula-se. E, ainda pior, não se discutem factos, não se discutem problemas reais, não se discutem ideias e propostas alternativas.
Isto desprestigia a democracia, isto descredibiliza a política.

Reflexões lentas e curtas - A ética

Assim como há uma moral na economia política - um texto de Marx à sua dimensão! - , a política tem de ter uma ética.
Mais: a ética na política deve servir de critério avaliador das éticas particulares ou de outras áreas.
Mais ainda: a invocação dessa ética não pode servir de trincheira ou anteparo para esconder o que deve ser conhecido dos cidadãos que, em democracia, escolhem os seus representantes.
Há uma fronteira entre o lado da vida privada (em que deve ser reservado estritamente o "direito de admissão"... só com "visto", isto é, autorização do próprio) e o lado em que estão os aspectos da vida que caracterizam quem se propõe representar outros, e cujo acesso deve ser facilitado aos que vão escolher quem os represente.
Dir-se-á que há aproveitamentos pouco... éticos. Decerto que sim, mas quem se candidata atribuindo-se, ou deixando que se lhe atribuam, determinadas qualidades, e é público - e publicado - que na sua vida pessoal esses mesmos atributos não existem, antes pelo contrário, não pode ver como intromissão na sua vida privada a publicidade desses factos públicos. Porque públicos são. Até em editais, em testemunhos credíveis, em editoriais, em execuções de tribunais.
Dir-se-á, ainda, que a justiça existe para estabelecer as fronteiras. Talvez... mas onde começa a justiça? e onde acaba, sendo certo que, por vezes, parece não ter fim? Não sirva também esse pretexto para não se conhecer o que deverá ser conhecido.
Exemplos? Fica, talvez..., para a sequència destas reflexões...

quarta-feira, setembro 16, 2009

O Durão outra vez na Comissão

Já hoje publiquei muito (talvez demais...), nos intervalos de outros trabalhos. Mas não quero "fechar a loja" sem antes dizer duas coisas sobre a eleição de Durão Barroso para Presidente da Comissão no Parlamento Europeu.
Participei (que remédio... era a tarefa) em várias dessas "cenas" e, concretamento em relação ao Durão Barroso, na de Julho de 2004. Insisto na palavra "cenas" porque tudo é encenado... Os apoios e alguns dos desapoios. É uma perfeita traficância de influências em que a escolha dos comissários, suas nacionalidades e áreas de especialidade, anda num vira que não é o do Minho.
Pelo que me apercebo "à distância", desta vez as coisas não foram lá muito fáceis e não se justifica o tom de satisfação, quiçá de euforia, do "eleito".
Em 2004, DBarroso teve 58,3% dos votos favoráveis e, agora, baixou significativamente para 53,2%; é verdade que teve contra 30,5% dos votos relativamente aos 35,4% de 2004 mas isso deve-se ao grande acréscimo de abstenções que passaram de 6,2% para 16,3%.
Como acho que uma das nossas obrigações é informar o que a comunicação social cala ou disfarça, aqui fica. Sirvam-se!

Pérolas (*) - 4

Última "Opinião" feita pérola, esta de José Sócrates, que me "agrediu" na tranquila manhã (também ao tempodascerejas), no blog do PS:
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"As nacionalizações nunca acabam bem."
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"Isto" é uma opinião?
As opiniões respeitam-se!
... as asneiras corrigem-se
... os disparates repelem-se
... os insultos (à inteligência) repudiam-se
e há primeiros ministros que começam mal e acabam pior (esta é uma opinião!)
_____________________________
(*) - pérolas - resultado de uma doença das ostras, como foi recentemente lembrado, a partir do colar contumazmente exibido pela dra. Ferreira Leite

Pérolas (*) - 3

Uma outra "Opinião", esta de Alberto Martins, encontrada, hoje, no blog do PS (também já comentada em tempodascerejaNegritos.

"Fomos os fundadores da democracia"
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"Fomos OS fundadores da democracia" !!!
Opinião? As opiniões respeitam-se!
... as asneiras corrigem-se
... os disparates repelem-se
... os insultos (à inteligência) repudiam-se
_____________________________
(*) - pérolas - resultado de uma doença das ostras, como foi recentemente lembrado, a partir do colar contumazmente exibido pela dra. Ferreira Leite

Pérolas (*) - 2

Do mesmo blog, como já hoje veio comentado em tempodascerejas, mas não resisto a também comentar:
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Opinião, de António Costa: Só há dois tipos de governo: um governo do PS ou um governo da direita.
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Opinião? As opiniões respeitam-se!
... as asneiras corrigem-se
... os disparates repelem-se
... os insultos (à inteligência) repudiam-se
______________________________
(*) - produto de doença das ostras, acabe de ser confirmado por causa de um adereço da dra. Ferreira Leite

Pérolas (*) - 1

Nas viagens matinais pela blogosfera encontram-se pérolas (*).

Hoje, no blog do PS:

"No frente-a-frente entre José Sócrates e Manuela Ferreira Leite, (…) o secretário-geral socialista (…) lamentou que a presidente social-democrata "goste sempre de se definir como a antítese" de si e do PS."
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Antítese?
De si? De si própria? Do José Sócrates?
e do PS? A Manuela Ferreira Leite antítese do José Sócrates?
-->às leituras apressadas sucede como às cadelas prenhas...
__________________________________
(*) - ... que, segundo confirmação por via de um colar que a dra. Manuela ostenta, são resultado de doença das ostras.

Reflexões lentas e curtas - e, esta, à margem do momento

No turbilhão das campanhas eleitorais, será este o momento menos indicado para reflexões, apesar de intencionalmente lentas e curtas.
Enquanto período dedicado ao esclarecimento (que deveria ser), será este o momento mais indicado para reflexões, ainda que só (tão-só) lentas e curtas.
Aliás, todo o momento é o momento certo para reflectir, qualquer a velocidade e a dimensão das reflexões. E, no tempo como nos querem obrigar a vivê-lo, nenhum momento é momento certo para reflectir - sobre o tempo, sobre como o viver - qualquer a velocidade e a dimensão das reflexões.
Reflictamos sobre isto. Mesmo que não seja o momento de reflectir. Porque é (o) momento de reflectir.

terça-feira, setembro 15, 2009

Reflexões lentas e curtas - 2. O PCP não é um partido do poder?

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (
O Partido com paredes de vidro)… e não outro

3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder



Depois de se dividirem os partidos entre os que são do poder e os que não são do poder, e de se fazer de tal destrinça uma peça-mestra do "puzzle" da comunicação, utilizando-se todas as vias, até as mais ínvias, está armada a trama para se acrescentar, ou ir acrescentando, que este Partido, o PCP marxista-leninista, o partido que se afirma como sendo de classe, porque, para ele, há classes, e quere-se da classe operária e de todos os trabalhadores (art. 1º.1 dos Estadtutos, lembre-se) não é do poder. E que só serve para (ou só se tolera como) contra-o-poder. Já houve até quem lhe chamasse grilo falante. Mas isso de nomes que lhe têm prantado e de certidões de óbito tem o currículo cheio...
No entanto, estas asserções arrastam outras reflexões, a começar por se afirmar o que é este Partido e não outro, e a dar conteúdo a essa ideia vaga do que é o Poder.
Sobre o que é este Partido e não outro, há que o conhecer por dentro e não presumir-se que o conhece pela imagem que dele dá quem contra ele sempre esteve e o vê na perspectiva que é a sua e de quem a formou assim, e de quem, tendo estando dentro dele, dele saíu porque este não era o seu partido, não era o partido que o servia. (E não estou a sugerir coisas más, interesseiras, vilãs... Não era o partido que o servia, ou na sua maneira de viver e carreira de vida, ou na sua ideologia, eventualmente entretanto alterada, e porque não conseguiu alterar a do partido em que estava.
Para conhecer este Partido há que conhecer os seus estatutos, o seu programa, o seu funcionamento e a coerência que tem em relação a eles. Julgar o Partido pelo comportamento de alguns militantes é muito pouco, para o bem e para o mal, porque há militantes que são "melhores" (a critério do avaliador) que as massas e há militantes que são "piores" que as massas, e é um partido que se define como sendo de massas e que tem uma história que não começa no dia, mês e ano em que nasceu. (Leia, quem queira o livro de Álvaro Cunhal, O Partido com paredes de vidro).
Não encontro melhor exemplo para ilustrar o sem-sentido da imagem que se inculca do Partido que a ridicularização do voto de braço no ar. Em todo o sítio e circunstâncias esse tipo de voto é usado. Mas, ao usá-lo como expressão de uma forma democrática, colectiva, transparente, de viver, o PCP é anatematizado e ridicularizado. Pobres (de espírito) os que não entendem que a caricatura não substitui a realidade. Como dizia Lenine "fazem de nós uma caricatura e atacam-nos pela caricatura que fizeram de nós".
O Partido, este partido, não tem pressa, está vivo. E é poder! O que custa muito a suportar... pela outra classe.

Oportun(ism)o

No dia em que o Diário de Notícias publica uma entrevista com Jerónimo de Sousa;
na 3ª feira a seguir um fim de semana em que a CDU se afirmou, reafirmou, confirmou, como uma força política na sociedade portuguesa absolutamente impar, que não há almoços em salas do Pavilhão Atlântico que possam apagar (e que não beliscariam se houvesse um mínimo de equidade na informação);
no meio de uma campanha eleitoral que alimentaria complexos de perseguição se fossemos atreitos a essas maleitas (ou quem o seja...)
.
..........a grande notícia do Público, evidentemente cheia de eco(s), é a da "oportuna" decisão de Domingos Lopes, a anunciar uma coisa que "já era" (como disse Jerónimo), que abandonara o Partido, numa carta com um rol de acusações ao PCP que parecem sair de um micro-ondas depois de algum tempo no frigorífico ou no congelador... a que regressarão, depois de servidas.
.
Olhem!, paciência!... que esta é mesmo revolucionária.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Bertold Brecht

Faz hoje 53 anos que morreu Bertold Brecht. Está na minha agenda (da JCP).
E se em cada dia há bastos motivos para citar este poeta, este autor (e teórico) de teatro, este escritor, este homem, hoje mais se justifica uma lembrança de homenagem. Deixo o final de um poema sobre a "dificuldade de governar" :


(...)
3
Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o Chefe.
Se o operário soubesse usar a sua máquina e ferramentas
e se o camponês soubesse distinguir uma enxada
de uma forma para tortas
não havia necessidade de patrões nem de proprietários.
É só porque quase toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4
Ou será que
governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?!

Reflexões lentas e curtas - Os partidos, o Partido e Poder - 1

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?

2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder

Será da boa técnica da propaganda, encontrar uma frase, uma ideia simples, um mote, um estribilho, e fazer delas (frase, ideia simples) ou deles (mote, estribilho) o cerne da comunicação, a trave-mestra de tudo o que se quer transmitir, repetindo-as(os) em variadas e até subliminares versões, modas, glosas.
No limite, jálmestre Goebbels dizia, no auge do nazismo, que uma mentira muitas vezes repetida se transforma em verdade.
Essa táctica ganhou crescente maior importância por o avanço da Humanidade, até nas técnicas de comunicação, ir impedindo as formas usadas, e denunciadas, e vencidas, de controlo da comunicação, por vias várias, desde a censura e outras limitações da comunicação até à pura e simples proibição.
Assim se tornou mais necessária a manipulação da informação, ao serviço dos interesses dominantes. E não se façam confusões, fruto dessa manipulação, para assemelhar a indispensável limitação à libertinagem dita liberdade de expressão que outra coisa não faz que não seja promover ou facilitar a limitação às reais liberdades, estas sempre evidentemente condicionadas por vivermos em sociedade.
Mas o que quero adiantar é que um dos estribilhos da actualidade é o da governabilidade - sobre que adiante reflectirei -, e para ele contribui a ideia de que há partidos... e há partidos. O que é certo, mas aquilo que se pretende inculcar que é que uns são partidos do poder e outros não. Com base em outra ideia simples de que o Poder é uma coisa. É uma coisa que existe, assim a modos de um poleiro, a que uns têm acesso e outros não têm, e que se dêem por muito felizes por poder(em) cacarejar...

Em Portugal, o PS e o PSD seriam os partidos do poder, susceptíveis de terem de recorrer a outros partidos para os acolitarem no dito poder - como exemplifica o CDS-PP em circunstâncias já históricas, ora com um ora com outro -, qual bengala de um manco que apenas servisse para quando as forças faltam numa ou nas duas pernas, e ainda haveria uns outros - ou um outro!... - que nada mais seriam que os recalcitrantes que não servem para nada por nada poder(em), ou apenas servem para serem os contra(-o-)poder.


Democracia, o conceito e a prática

O meu conceito de democracia tem uma premissa básica: o respeito pelos outros.
Sobre essa premissa se constroi (acho eu...) a prática democrática. No entanto, esta prática tem uma enorme dificuldade. É que tal premissa exige reciprocidade.

domingo, setembro 13, 2009

Reflexões lentas e curtas, obrigadas a tema

Numa série de "mensagens" a publicar nos próximos dias, vou reflectir (lenta e curtamente), sobre um tema que me assalta há tempos e, agora, se me impôs. Até fiz um indicezinho... que talvez cumpra:


Os partidos, o Partido e o Poder

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?

2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro

3. O Poder aparente e o real Poder

4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real

5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?

6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – O mau exemplo dos últimos anos da URSS

7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder

Último debate, entre Manuela e José

Ele há cada sorte(io)!

Assim como quem diz: eliminados os "outros", agora escolham um dos dois...

Vamos a penalties, ou moeda ao ar, ou "morte súbita"?

sábado, setembro 12, 2009

Para que servem as leis?

Produz-se legislação. Alguma no local proprio, na Assembleia da República, muita a partir do Governo. Para que serve? Para regular a vida em sociedade, não é?
Um exemplo: com a intenção de promover a intervenção das mulheres na vida pública, politica, em vez de se criarem condições para que tal decorra da vida real, legisla-se, fazem-se leis para, de maneira artificial, administrativa, as listas de candidatos às eleições tenham uma percentagem mínima de mulheres.
Depois, vai-se mais longe e legisla-se no sentido de que, embora no cumprimento dessa percentagem, não se coloquem mulheres em lugares não elegíveis, lá para o fim das listas, e legisla-se que não pode haver três candidatos seguidos do mesmo sexo. O que, como se pode comprovar, tem eventuais efeitos perversos, muito perversos (ver, por exemplo, post aqui publicado a 11 de Agosto).
Face a essa legislação, os responsáveis pela elaboração das listas estariam obrigados a cumprir o seu espírito, mesmo que estivessem em desacordo com a administratividade e com pormenores das medidas adoptadas. E até se tenha votado contra.
No nosso caso, aqui em Ourém, assim foi feito.
Descobre-se, agora, que terá havido listas elaboradas sem terem tido o julgado indispensável respeito pelo (espírito) da legislação, e que nem corrigidas foram como o poder judicial determinou ao avaliar a sua condição de candidatáveis.
Resultado? Segundo a legislação... esse incumprimento deve torna-se público e quem não cumpriu terá cortes nos subsídios derivados dos votos e dos eventuais eleitos. Mas o facto é que, não cumprindo regras para serem listas candidatáveis, regras que a outros teriam custado (em todos os sentidos) a cumprir... podem ser listas candidatas.
Não há aqui iniquidade, atropelo democrático embora dentro da legalidade?
Isto pergunto eu, que de leis sei pouco, mas julgava saber mais a partir de critérios leigos mas cidadãos.