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quinta-feira, dezembro 22, 2011

Poder local e poder central

Tópicos para a declaração política geral, na Assembleia Municipal de Ourém de hoje, em nome do Grupo CDU por Ourém:

• Tal como na reunião do ano passado neste mesmo dia e mês, começar por referir a necessidade de reservar o pouco tempo, como um membro em 39, para uma Ordem de Trabalhos, com o Orçamento para 2012 e as Opções do Plano;
• Sublinhar as expectativas para o ano que vem aí, com todas as medidas socialmente gravosas já tomadas e “em estaleiro”, recusando a inevitabilidade ou o fatalismo e, como então foi dito, desde que, neste caminho que vem sendo trilhado não procuremos safar-nos individualmente, cada um a tentar passar entre os pingos da chuva quando o que está a cair é uma carga de água, uma enxurrada;
• Salientar que, então, estávamos a lutar contra os PECs consecutivos, e que, um ano depois, confrontamos a sequência desses documentos, este acordo de “troikas”, que nos foi sendo imposto até ser uma imposição servilmente aceite, e de tal modo que se põe em causa o mais intrínseco da nossa soberania nacional;
• Se num caminho que se segue obstinadamente e com excesso de zêlo, como se outros não houvesse, há que relevar as diferenças que vieram condicionar a nossa intervenção enquanto eleitos neste órgão cimeiro do poder local;
• Em 2010, a maioria local PS quase passava uma esponja, nas suas posições e no fundamento político dos seus documentos previsionais, sobre os constrangimentos que lhe eram provocados pelo poder central de maioria PS, hoje, deve chamar-se a atenção para como o executivo sublinha esses constrangimentos, por virem, agora, de uma maioria parlamentar de que o PS está ausente;
• Afirmar que, se se fizer ao invés o percurso histórico de 3 décadas, não faltariam exemplos flagrantes destas alterações nas relações entre o poder local e o poder central, ao sabor das sintonias ou das oposições entre PS, PSD e CDS;
• Referir que se trata, na verdade, de verdadeiras lições de prática político-partidária que, além da descredibilização que trouxeram à vida política, mais agudamente se colocam hoje, quando o tempo é de ameaças sobre o poder local, que tantas vezes também foi capaz de contrariar esses jogos de alternância estritamente partidária, em virtude da proximidade do poder local dos cidadãos e dos seus problemas, numa difícil mas ainda assim conseguida democratização.

sábado, novembro 07, 2009

Reflexões lentas e curtas - 7 - O XIII Congresso - a lição que mais retive - b. Uma das causas. Partido/Poder

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez

.....b. Uma das causas – Partido/Poder.

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Este é o último episódio desta série. Tendo ela sido programada, como o mostra o sumário acima, não o foi ao ponto de pensar que iria cair nesta altura, mais: neste dia 7 de Novembro. Que pontaria!
No congresso (extraordinário) de 1990, em que estive presente, um pouco em estado de choque mas muito atento e lúcido, retive a referência a uma das causas de degenerescência da situação no País pátria do socialismo como tendo sido a confusão, a partir de certa altura, entre Partido e Estado.
Sendo as causas do descalabro que estávamos a viver de origem externa e de origem interna, sendo as primeiras as da luta de classes no plano planetário, e as segundas as do modo como se concretizava, internamente, a construção de uma sociedade socialista a caminho do comunismo, entre estas avultava a de se ter amalgamado Partido e Poder. O Partido fora deixando de ser a vanguarda de uma classe no Poder, capaz de tomar consciência da evolução da sociedade e de a procurar reflectir mobilizando e organizando, de ser a ligação ao Povo e seu devir, para se confundir na prática da governação e da competição internacional, tarefa do Estado.
O Partido não é a sociedade, o Estado é a sociedade/nação politicamente organizada. O papel do Partido não pode ser o de se substituir ao Estado. Se o faz, mal vão as coisas, ou irão…
Retive essa ideia-causa. Marcou-me. Decerto mal a exprimo. Mas irei melhorando… Até pelos exemplos com que por aqui – e hoje – convivo, embora numa organização da sociedade em que tais vícios estão nos seus genes, enquanto no socialismo eram doença, talvez por contágio e imitação como se podem caracterizar as últimas décadas do “socialismo real” na Europa, em que Partido terá “esquecido” as suas tarefas de organização e consciencialização, assoberbado pelas que eram do Estado, sobre as quais, distanciado, deveria exercer vigilância revolucionária, para que o Estado não perdesse a sua natureza (e expressão) de classe.
.
Exemplificando num outro plano, em Estado com outra classe no Poder, hoje o governo Sócrates apresenta, como programa do governo, o programa do PS, tal como o apresentou enquanto programa de campanha eleitoral; o executivo eleito para a Câmara de Ourém mostra querer que o PS seja o Poder (local) como o foi o PSD, tentando ignorar que a sociedade vai muito para além do partido que ganhou eleições, e mostrando só admitir absorver o que considera “franjas”, integrando-as na sua “gestão dos negócios públicos” e nas suas reflexões estratégicas, negando-lhes autonomia e independência numa sociedade complexa e compósita*.
Assim, aqui regresso, sem de aqui ter saído.

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* - dicionário: adj. 2 gén. diz-se de uma ordem arqutectónica em que entram elementos das ordens jónia e coríntia.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Reflexões (...) - 7 - 6.a.ii

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local

..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS

7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder.



Quando “programei” estas reflexões, o ponto 6.a.ii. foi pensado para, curta e lentamente, fazer de “ponte” para a seguinte e última reflexão, esta talvez o motivo de que as outras seriam apenas intróito.
No entanto, sinto necessidade de começar por dizer que o exemplo de Ourém, com PS/Poder Central-PSD/Poder Local em promiscuidade Partido-Poder, também poderia ser ilustrado com caso, em que, estando o PCP no exercício do Poder Local, assim aconteceu, ser Poder e não estar no Poder, condicionado por outros poderes, ao serviço das populações e instrumento de outra luta.
Isto é, também tivemos casos – e temos, e teremos – em que se confunde Partido com Poder na autarquia, fazendo da gestão desta como que extensão do partido e não a instância em que o Partido, estando no Poder, não é o Poder.
Casos muito mais raros, e alguns que deixaram de ser “nossos” porque “nossos” deixaram de ser os seus intérpretes. Mas que houve!, e que estamos sempre em risco de voltar a ter se e onde não houver auto(e altero)-vigilância (revolucionária) bastante. Como em deputâncias e outras tarefas em que poder se julga ser. É que o exercício do Poder (ou a sua aparência) é erosivo.
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E estou no título tal como o programei, com URSS à espreita.
As últimas décadas da União Soviética foram anos que o Partido se confundiu com o Estado, ou seja, foi deixando de ser Partido para ser só Poder.
A mais bela revolução da História, o empolgante começo de um tempo novo, a resistência dir-se-ia impossível ao cerco e ao bloqueio, a vitória heróica na 2ª guerra mundial, que também foi – e sobretudo foi – episódio da luta de classes, tudo foi perdendo força quando se privilegiou uma competição entre Estados, e o Partido e o Estado se amalgamaram numa luta entre super-potências enquanto a ideologia insistia na coerência com o marxismo-leninismo, na luta de classes, negava a concepção de super-potências, mas o Poder-Partido a adoptava e o Partido-Poder a praticava, esquecido de ser classe, Povo, futuro.
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Reflexão atrevida, “arrumada” em meia dúzia de linhas? Decerto que sim. Mas que o seja. É tão-só uma pista. De reflexão.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Reflexões lentas e curtas - 6 - Partido e Poder - lutar contra a promiscuidade a.i.

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?

6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS

7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder.

Este "programa" de reflexões, que vem de há muitas semanas, está quase cumprido. E num ponto crucial da (minhas) reflexões. Crucial e talvez muito oportuno.
Ao longo do tempo, sempre me foi surgindo a questão do(s) partidos serem ou não poder ou de, quando no poder, se comportarem não como mandatados, como parte do poder, partidos, mas... como Poder.
É evidente que tudo tem a ver com as relações sociais que definem o modo de produção e a formação social em que o partido é (ou chega ao) poder. Numa democracia burguesa, é para mim evidente que o partido que, através do uso da democracia representativa (desvirtuado uso em relação ao que é dito ser, porque exclusivista e formatado nos moldes que servem a classe dominante), o partido que chega ao poder executivo tem toda a vocação para se julgar Poder. E daí uma prática promíscua. sobretudo quando apoiada por uma maioria absoluta no poder... parlamentar. Daí, também, o aparecimento de sinais, por vezes preocupantes, de comportamentos e posturas com base na fundamentação "deram-nos (ao partido, ao leader) o poder, temos o direito e o dever de ser poder... até às próximas eleições" .
Ora, estar no Poder (mormente no executivo) será, ou deverá ser - mesmo em democracia burguesa -, o resultado de um equilíbrio de forças que, equilibradamente, deve reflectir-se na prática governativa, na definição de políticas, na gestão dos negócios públicos, não traduzindo os interesses e vontades de uma clientela desse partido, mas os da compósita sociedade que deu mandato para representação.
  • a.i. Um mau exemplo (ou dois)

O PS, como partido com maioria absoluta no Poder Central em Portugal, e enquanto a teve, fez uso desse poder de que foi mandato como se ele tivesse passado a ser seu, e não quis saber de equilíbrios, de negociações e, com arrogância, afirmou-se como somos o poder! Por outro lado, por cá, o PSD, como partido com maioria absoluta no Poder Local em Ourém há décadas, fez uso desse poder de que foi mandato, como se ele tivesse passado a ser seu, e não quis saber de equilíbrios, de distribuição de pelouros, de negociações e, com arrogância, afirmou-se como somos o Poder!

Neste exemplo, aliás caso concreto, verificou-se uma inevitável fricção entre os partidos que se arrogavam ser poder, em níveis diferentes e já de si conflituais. Uma fricção mais aparente que real porque as políticas, os desígnios, a classe dominante e ao serviço de que se colocaram, tudo era o mesmo, mas fricção que existiu na realidade (a dialéctica do aparente/real) porque actuavam, os dois partidos, como se poder fossem e não estivessem em representação, apenas mandatados para exercerem o(s) poder(es).
E agora?
Mas também há maus exemplos, digamos, nossos. Sobre eles, reflectirei mais logo. Quando... puder.

quarta-feira, setembro 30, 2009

Reflexões lentas e curtas - 5 - Poder Local

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real

5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?

6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder.



Quando se intenta reflectir sobre partidos e poder, e se procura cumprir um plano para essas reflexões - lentas e curtas - há que ter em atenção, e não tive..., que os eventuais visitantes e leitores só lêem um ponto de cada vez, e quando publicado. Teve-se o cuidado de ir reproduzindo o esquema para que o eventual (e pontual) visitante e leitor tivesse a ideia do conjunto das reflexões. E adianto que tenho a intenção, para uso próprio, de agrupar os 7 ou 8 ou 9 episódios que venham a sair.
Sem ter tido essa intenção, na sequência das reflexões, este ponto, sobre o Poder Local coincide com o começo da campanha para as autárquicas. Por isso mesmo, sublinha-se que partidos que, por via das eleições que desde 1976 se fazem, e no cumprimento da Constituição também desse ano, tiveram acesso ao Poder Local são, evidententemente, partidos de poder. E no poder.
É mais que redutor, e até anti-democrático (e anti-constitucional), apenas considerar como partidos da área do poder apenas os que têm sido do executivo no Poder Central, e nele têm alternado. Um partido como o Partido Comunista, que tem um peso significativo no Poder Local, é um partido da área do poder. E é-o independentemente das dificuldades de exercer esse poder, pela falta de cumprimento da obrigação, também constitucional, de se fazer o ordenamento do território português, através da descentralização e da democratização do Poder Local, por via da criação do "degrau" que falta, das regiões.

terça-feira, setembro 22, 2009

Reflexões lentas e curtas- 4 - A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder

4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real

5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos.
.........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local.
.........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder
.
A questão da governabilidade tem estado muito presente - e não só a partir desta campanha... - no debate político e no fundamento, ou pretexto, de algumas decisões ou projectos de, em Portugal.
Já próximo deste léxico começou por aparecer a ideia-frase, que nem conceito seja a ser, de (boa) governança, vinda das "Europas", com o pressuposto que está tudo arrumado, não há que discutir organização e natureza do Estado, arquivou-se a ideologia (ou substitui-se pela da economia de mercado e pragmatismo), há, sim, que governar bem a parir do que está assente e é fim da História.
É evidente que estas ideias não se formulam assim, mas estão escondidas no substracto do demagógico discurso político, do necessário multifacetado esforço para iludir as massas, que em democracia vivem ou julgam viver porque o Poder real lhes oferece o direito a votar periodicamente, informando-as selectiva e manipuladamente para que as escolhas não sejam arriscadas.
A questão da governabilidade coloca-se no "magno problema-alvo" do bi-partidarismo alternante ao centro, das vantagens das maiorias absolutas que a possibilite, à governabilidade, ou a facilite. Nesta actual campanha (duas em uma), os cenários têm sempre latente essa questão, e o espectro da ingovernabilidade por não haver maiorias, ou absolutas, ou de antemão concertadas entre personagens, que não de programas políticos e de políticas onde possam coincidir e compatibilizar-se.
Também assim é no Poder local, em que houve uns ameaços, preocupantes porque quem tem o Poder aparente na mão não é de desistir, e o Poder real que o comanda de desistir não é e pressiona sem olhar a meios para ter o que mais lhe convem, para manter a dominância na sociedade.
A governabilidade traduz-se, para o Poder aparente, em governar com habilidade por forma a dar satisfação ao Poder real, dos grupos financeiros.

sexta-feira, setembro 18, 2009

Reflexões lentas e curtas - 3. O Poder aparente e o real Poder

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro

3. O Poder aparente e o real Poder

4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder

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E o que é isso do Poder?
Numa já velhinha Pequena Enciclopédia Política - Um ABC sem simplismo, editado pelas Iniciativas Editoriais, de 1975 (em 1974 e 75 muito se publicou sobre política...), encontrei, de Jean Lacouture, uns trechos sobre Poder que me parecem interessantes.
Um primeiro, sobre a utilização da maiúscula para a palavra, o que JL considera uma "falsa reverência, que tende sobretudo a denunciar a perigosa proliferação do monstro"; e um segundo, que tem uma imagem curiosa, "a uma telefonadela do mais grotesco Ministro do Interior, eis a polícia em movimento, os filósofos alarmados, juizes demitidos, a face do mundo modificada...", e define-o, ao poder, como sendo "o exclusivo da violência".
Para além da evidente posição do autor ser muito liberal, anti-Estado, e até ultrapassada porque esse exclusivo da violência ao serviço da segurança deixou de existir dada a proliferação de empresas em áreas que eram exclusivas do Estado (como essa da segurança... e também porque dão lucro!), estas duas pistas ajudam a separar o Poder aparente do real Poder.
A telefonadela do ministro não é neutra, e o seu poder é aparente. A polícia será posta em movimento, por essa telefonadela, para alguma coisa, os juizes demitidos por alguma razão. Para defender interesses de classe, porque alguém teria dado instruções ao ministro - ou feito uma telefonadela antes - para que ele assim fizesse. O real Poder. E o ministro, faz o telefonema ao serviço desses interesses, condicionado pelo estádio da relação de forças entre as classes, que se reflecte no exercício do Poder aparente.
Esta é, evidentemente, a posição de quem tem uma ideologia e uma interpretação da História. Que se funda num Manifesto (do Partido Comunista) em que se pode ler que "o moderno poder do Estado é apenas uma comissão que administra os negócios de toda a classe burguesa".
O Poder? Nunca absoluto, sempre condicionado.

terça-feira, setembro 15, 2009

Reflexões lentas e curtas - 2. O PCP não é um partido do poder?

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?
2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (
O Partido com paredes de vidro)… e não outro

3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder



Depois de se dividirem os partidos entre os que são do poder e os que não são do poder, e de se fazer de tal destrinça uma peça-mestra do "puzzle" da comunicação, utilizando-se todas as vias, até as mais ínvias, está armada a trama para se acrescentar, ou ir acrescentando, que este Partido, o PCP marxista-leninista, o partido que se afirma como sendo de classe, porque, para ele, há classes, e quere-se da classe operária e de todos os trabalhadores (art. 1º.1 dos Estadtutos, lembre-se) não é do poder. E que só serve para (ou só se tolera como) contra-o-poder. Já houve até quem lhe chamasse grilo falante. Mas isso de nomes que lhe têm prantado e de certidões de óbito tem o currículo cheio...
No entanto, estas asserções arrastam outras reflexões, a começar por se afirmar o que é este Partido e não outro, e a dar conteúdo a essa ideia vaga do que é o Poder.
Sobre o que é este Partido e não outro, há que o conhecer por dentro e não presumir-se que o conhece pela imagem que dele dá quem contra ele sempre esteve e o vê na perspectiva que é a sua e de quem a formou assim, e de quem, tendo estando dentro dele, dele saíu porque este não era o seu partido, não era o partido que o servia. (E não estou a sugerir coisas más, interesseiras, vilãs... Não era o partido que o servia, ou na sua maneira de viver e carreira de vida, ou na sua ideologia, eventualmente entretanto alterada, e porque não conseguiu alterar a do partido em que estava.
Para conhecer este Partido há que conhecer os seus estatutos, o seu programa, o seu funcionamento e a coerência que tem em relação a eles. Julgar o Partido pelo comportamento de alguns militantes é muito pouco, para o bem e para o mal, porque há militantes que são "melhores" (a critério do avaliador) que as massas e há militantes que são "piores" que as massas, e é um partido que se define como sendo de massas e que tem uma história que não começa no dia, mês e ano em que nasceu. (Leia, quem queira o livro de Álvaro Cunhal, O Partido com paredes de vidro).
Não encontro melhor exemplo para ilustrar o sem-sentido da imagem que se inculca do Partido que a ridicularização do voto de braço no ar. Em todo o sítio e circunstâncias esse tipo de voto é usado. Mas, ao usá-lo como expressão de uma forma democrática, colectiva, transparente, de viver, o PCP é anatematizado e ridicularizado. Pobres (de espírito) os que não entendem que a caricatura não substitui a realidade. Como dizia Lenine "fazem de nós uma caricatura e atacam-nos pela caricatura que fizeram de nós".
O Partido, este partido, não tem pressa, está vivo. E é poder! O que custa muito a suportar... pela outra classe.

segunda-feira, setembro 14, 2009

Reflexões lentas e curtas - Os partidos, o Partido e Poder - 1

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?

2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro
3. O Poder aparente e o real Poder
4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real
5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?
6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – o mau exemplo dos últimos anos da URSS
7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder

Será da boa técnica da propaganda, encontrar uma frase, uma ideia simples, um mote, um estribilho, e fazer delas (frase, ideia simples) ou deles (mote, estribilho) o cerne da comunicação, a trave-mestra de tudo o que se quer transmitir, repetindo-as(os) em variadas e até subliminares versões, modas, glosas.
No limite, jálmestre Goebbels dizia, no auge do nazismo, que uma mentira muitas vezes repetida se transforma em verdade.
Essa táctica ganhou crescente maior importância por o avanço da Humanidade, até nas técnicas de comunicação, ir impedindo as formas usadas, e denunciadas, e vencidas, de controlo da comunicação, por vias várias, desde a censura e outras limitações da comunicação até à pura e simples proibição.
Assim se tornou mais necessária a manipulação da informação, ao serviço dos interesses dominantes. E não se façam confusões, fruto dessa manipulação, para assemelhar a indispensável limitação à libertinagem dita liberdade de expressão que outra coisa não faz que não seja promover ou facilitar a limitação às reais liberdades, estas sempre evidentemente condicionadas por vivermos em sociedade.
Mas o que quero adiantar é que um dos estribilhos da actualidade é o da governabilidade - sobre que adiante reflectirei -, e para ele contribui a ideia de que há partidos... e há partidos. O que é certo, mas aquilo que se pretende inculcar que é que uns são partidos do poder e outros não. Com base em outra ideia simples de que o Poder é uma coisa. É uma coisa que existe, assim a modos de um poleiro, a que uns têm acesso e outros não têm, e que se dêem por muito felizes por poder(em) cacarejar...

Em Portugal, o PS e o PSD seriam os partidos do poder, susceptíveis de terem de recorrer a outros partidos para os acolitarem no dito poder - como exemplifica o CDS-PP em circunstâncias já históricas, ora com um ora com outro -, qual bengala de um manco que apenas servisse para quando as forças faltam numa ou nas duas pernas, e ainda haveria uns outros - ou um outro!... - que nada mais seriam que os recalcitrantes que não servem para nada por nada poder(em), ou apenas servem para serem os contra(-o-)poder.


domingo, setembro 13, 2009

Reflexões lentas e curtas, obrigadas a tema

Numa série de "mensagens" a publicar nos próximos dias, vou reflectir (lenta e curtamente), sobre um tema que me assalta há tempos e, agora, se me impôs. Até fiz um indicezinho... que talvez cumpra:


Os partidos, o Partido e o Poder

1. Há partidos que são do Poder e partidos que o não são?

2. Não é o PCP um partido do poder?
.....a. Este PCP (O Partido com paredes de vidro)… e não outro

3. O Poder aparente e o real Poder

4. A governabilidade como Poder aparente ao serviço do Poder real

5. Ser Poder no Poder Local não conota como poder?

6. Partido e Poder – lutar contra a promiscuidade
.....a. Os maus exemplos
..........i. Dos outros – hoje, aqui: PS no Poder Central/PSD no Local
..........ii. Dos "nossos" – O mau exemplo dos últimos anos da URSS

7. O XIII Congresso (Extraordinário) 1990 – a lição que mais retive
.....a. A coragem e a lucidez
.....b. Uma das causas – Partido/Poder