quarta-feira, maio 25, 2022

euro: 20 anos de circulação-passado, presente e futuro (intervenção)

 

da intervenção:

(…) esta iniciativa transporta-nos a mais do que a 20 anos atrás, a outro Maio – ao de 1998 –, à sessão do Parlamento Europeu, em que foi votada a criação do euro e do Banco Central Europeu pela única instituição da estrutura comunitária de representantes eleitos pelos povos.

Será o passado… um pouco anterior à data de pôr em circulação a nova moeda.

Em coerência com a nossa leitura da História, ao tomar posição sobre os factos, importa conhecer antecedentes, saber como se chegou a eles, o seu porquê e com que intenções.    

Com a criação da UEM, o capitalismo transnacional procurava superar, no âmbito da integração europeia, a crise presente e latente intrínseca ao sistema.

A decisão unilateral da inconvertibilidade do dólar (Nixon, 15.08.1971) desmantelava, de facto, o sistema financeiro internacional criado em Bretton-Woods em 1944, que perdia a sua base de sustentação material, o dólar convertível.

Depois da fracassada tentativa de uma moeda única a 6 Estados na CEE, a unidade de conta écu, com faixas de oscilação das taxas de cambio das moedas nacionais no espaço alargado a 12 Estados-membros, fora remendo, e não remédio, para alguma necessária estabilidade cambial no mercado interno, que entretanto se viria a criar. 

 O euro aparecia, também, como emenda regional, ou até eventual substituto ou complemento para a arrastada crise monetária.

Foi, no entanto, avanço num descaminho, e não se podia esperar que o euro, tal como criado, ajudasse a superar a crise monetária-financeira larvar. Não só o euro… também o BCE, enquanto instituição criada com seus objectivos e competências federalizantes, à margem de qualquer resquício de democraticidade.

Eram mecanismos – instrumento-moeda e instituição-banco – impostos sem controlo das soberanias nacionais ou de outras instituições comunitárias com vínculos (ainda que indirectos) aos povos dos Estados-membros. Mas, evidentemente, sob controlo directo e submissão ao capital financeiro transnacional…

Todo o poder à banca!

A criação da moeda única e do BCE foi um momento numa fase do sistema que procurava, pela especulação financeira, pela armadilha da dívida, sobreviver, contrariar o que resulta da sua própria dinâmica, com leis tendenciais que impedem a acumulação de capital material, fruto – e único alimento – de uma relação social que o define como sistema.

Teve o maior significado, como frente de luta, a intervenção do PCP em todo o processo, na campanha de esclarecimento do que estava em jogo (coarctada por todos os meios), no debate, na avaliação, de critérios e actos formais, para adopção. Um acompanhamento a par e passo, denunciando argumentos e intenções.

Se, na correlação de forças de então, se entendia a UEM como uma imposição de classe, como via de precária superação da crise financeira-bancária latente, e agravando contradições intrínsecas, quer a nossa participação, quer a votação, só podiam ser, também, uma resposta de classe,

O voto do PCP no Parlamento Europeu foi a expressão de uma posição sobre o modo como o projecto foi conduzido, ao serviço de que interesses.

A declaração de voto de 2 de Maio de 98 no PE, não foi um voto contra a estabilidade de preços, o equilíbrio orçamental, o controlo da dívida; foi, sim, um voto contra a futura utilização de instrumentos e instituições para impor estratégias que, como está na declaração, iriam prosseguir e agravar a concentração da riqueza, tornar estrutural o desemprego, agudizar assimetrias e desigualdades, criar maior e nova pobreza e exclusão sociais, diminuir as soberanias nacionais e acrescer défices democráticos. Agravariam, foi dito!, a crise financeira e provocariam explosões periódicas.

Foi sublinhado, também, que o voto prevenia o decorrente privilégio de zonas geográfico-monetárias e a partilha de influência entre grandes famílias partidárias, numa evidente polarização do poder, que viria a condicionar todas as políticas dos Estados-enquanto Estados-membros, e contribuiria para a dependência da outra moeda, o dólar, que se mantinha o instrumento monetário embora desmaterializado, elemento da submissão a uma unilateralidade alcunhada de globalização.

Foi essa, então, a posição do PCP, dos seus deputados no Parlamento Europeu, em defesa de um Portugal soberano. Nesse voto contra, foram acompanhados por mais 62 outros deputados, num total de 65 votos contra, ainda com mais 24 abstenções.

No presente, nestes vividos e aqui assinalados vinte anos de existência como moeda em circulação, confirma-se o que foi declarado a justificar o voto, sem alegria mas com a tranquilidade e a força que dá ter tido razão nas consequências previstas, porque previsíveis.

Bem diferente foi a posição de alguns que festejaram euforicamente o que chamaram (cito) “acontecimento singular”, que orgulhosamente colocava Portugal “na primeira fila dos países fundadores” (do euro); neste presente, agora alguns descobrem ou não conseguem negar – e até, por vezes, denunciam, escandalizados… – o que etiquetaram e anatematizaram como presságios de mau augúrio, que a realidade veio, afinal, confirmar. Com todos os gravíssimos danos sociais, humanitários, que se confrontam. Hoje!

Como necessariamente deriva do que se testemunha com o que se viveu, deve dar-se a maior importância ao passado e ao presente, para fundar e dar sentido à luta que continua no futuro. Um futuro para que se tem Partido

A revisita ao que passou pode dar argumentos e força para desmascarar o rumo que pretendem manter, de concentração e de centralização, a cada passo mais anti-democrático, coberto do verniz de mentira e do manto da demagogia perigosamente enganadores.

Os momentos que se vivem dão preocupantes sinais do aproveitamento da dimensão histórica (e os dedos e a voz soltam-se para dizerem histérica), da dimensão destes momentos para imporem a irracionalidade comprovada pelo passado e pelo presente.

A acabada de realizar Conferência sobre o Futuro da (dita) Europa (como se insiste até à exaustão a chamar à União Europeia), reflectiu prioridades de quem manda na U.E., na ausência de verdadeira informação, debate e participação.

Como se poderiam enumerar – o que faria transbordar o tempo desta intervenção e nem assim seria exaustiva –, não faltam exemplos dos objectivos e políticas federalistas, neoliberais, militaristas, de um processo de integração comunitária de Estados-membros soberanos, que vão sendo esvaziados do que compõe essas soberanias.

Cada vez mais à margem da participação dos povos, estes não são sujeitos mas sim objecto de uma propaganda manipuladora que substituí a informação. No entanto, tal não parece suficientemente eficaz, pois essa propaganda é acompanhada de diminuição, tendente à anulação, das circunstâncias em que as decisões exigem unanimidade dos Estados soberanos e necessitam de ratificação democrática, com intervenção directa dos povos.

Em tempos, muito se falou e debateu uma política europeia de segurança e cooperação-PESC, de algum modo se saudou a criação, em 75, da Organização de Segurança e Cooperação Europeias, que, por exemplo, teve intervenção activa nos acordos de Minsk de 2014.

Assim como as segurança e cooperação europeias se confundem e submetem numa organização criada como militarista e agressiva no âmbito do Atlântico Norte e se assume como universal, também a moeda única, que retirou soberania financeira-monetária, orçamental aos Estados, que destruiu economias nacionais num contexto de internacionalização, essa moeda, tal como criada, se apagou num sistema financeiro dominado por uma moeda que nem moeda é, mas um papel verde, que tem inscrita uma frase-aviso in God we trust.

A Europa – e nesta referência é mesmo a Europa – parece alheia, parece ignorar que noutras partes do mundo, nesta oportunidade ou por força das circunstâncias, se procuram soluções para as relações económicas internacionais do futuro, fora do domínio desse pseudo-instrumento que se baseia numa fidúcia que não merece nenhuma confiança (material) e apenas se sustenta pela força das armas, do complexo industrial-militar. Que é um grande perigo, um enorme perigo para a Humanidade.

Num mundo cada vez mais interdependente, recuperar a soberania nacional sobre um instrumento financeiro, fora do jogo de taxas de juro alienígenas, colocá-lo ao serviço de uma economia que promova o investimento, aproveite os recursos próprios no respeito pelo ambiente, incremente a produção, tenha por objectivo a melhoria das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores e das populações, é também necessária, talvez indispensável, para a luta pela Paz

sábado, maio 21, 2022

euro: 20 anos-passado, presente e futuro

 


EM

|MOEDA ÚNICA

Euro: passado, presente e futuro

Os vinte anos de circulação do euro vão estar em debate dia 24, em Lisboa, com a participação de um conjunto de personalidades nacionais e estrangeiras, nomeadamente economistas e deputados europeus.

O PCP recusa a impossibilidade de o País poder decidir sobre o seu próprio destino
Créditos

O debate, que se realizará no ISCTE, em Lisboa, abordará os «20 anos de circulação do euro», em que Portugal, para além da moeda, perdeu importantes instrumentos de soberania, designadamente a independência do seu banco central e a capacidade de definir, por si próprio, as suas políticas monetária, financeira e cambial.

Nele participam vários economistas, nomeadamente Carlos Carvalhas, Eugénio Rosa, João Ferreira do Amaral, João Rodrigues, José Lourenço, Nuno Teles e Ricardo Cabral.

Na iniciativa, promovida pelo PCP com o apoio do Grupo Confederal da Esquerda no Parlamento Europeu (PE), intervirão também Sandra Pereira, deputada comunista no PE, Thomas Pringle, deputado independente no Parlamento Irlandês, e Denis Durand, ex-administrador do Banco da França.

Jerónimo de Sousa encerrará o encontro, onde participam ainda os comunistas João Ferreira e Vasco Cardoso, membros da Comissão Política, e Agostinho Lopes, responsável pela Comissão dos Assuntos Económicos do PCP.

quarta-feira, maio 11, 2022

É DE SUSTO|

Ler isto (no meio de muito igual, ou parecido, com a mesma intenção de NOS preparar para a guerra que vêem preparando) é quase aterrador. 

"... Pertencer à NATO seria um desenvolvimento histórico para os dois países nórdicos. A Suécia vem a evitar alianças militares há 200 anos e a Finlândia adotou a neutralidade depois de ter sido derrotada pela União Soviética na II Guerra Mundial."

"... a Finlândia adotou a neutralidade depois de ter sido derrotada pela União Soviética na II Guerra Mundial"... mas o que é isto, que História é esta?!

"Biden. O Presidente norte-americano assinou ontem uma proposta para agilizar ainda mais o envio de ajuda militar ao exército ucraniano decalcado de um outro documento que serviu para ajudar os Aliados a lutar contra os nazis na II Guerra Mundial. A lei chama-se Ukraine Democracy Defense Lend-Lease Act “mas a sua arquitetura é uma herança com 81 anos, quando algo semelhante foi aprovado por Franklin Roosevelt”. O diploma deixa os EUA “cada vez mais dentro da guerra”."

Quem é que está louco? 

Que força é esta... do complexo militar-industrial?  

terça-feira, maio 03, 2022

O "complexo militar-industrial"

 Um artigo no Público de hoje... para ler e divulgar:

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sábado, abril 30, 2022

No regresso, emocionado, de um excelente espectáculo 
AMARAMÁLIA 
pela Companhia Portuguesa´de Bailado Contemporâneo, 
no Teatro Municipal de Ourém
 

sexta-feira, abril 29, 2022

"LINHA VERMELHA"

  - Nº 2526 (2022/04/28)


Linha vermelha

Opinião

A nova estrela das graves ameaças à ordem do mundo ocidental é uma monarquia constitucional com uma assembleia legislativa, num arquipélago que foi um protetorado britânico até 1978 e com uma população que há dois anos não ia além dos 686 878.

Para quem não gosta de charadas, esclareça-se desde já que se trata das Ilhas Salomão, microscópico país da Oceania (uma área de 28 450 km2) situado no Sudoeste do oceano Pacífico, vizinho da Austrália, que por estes dias de Abril teve a ousadia de assinar um acordo em matéria de segurança com a China.

«Controverso», «polémico», «pode afectar a segurança de toda a região», está a provocar uma «onda de choque», foram algumas das expressões utilizadas na imprensa, Portugal incluído, para dar conta de que os sinos tocam a rebate nos centros de decisão do imperialismo norte-americano e afins.

Na sexta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros japonês, Yoshimasa Hayashi, dizia acreditar que a segurança da região da Ásia-Pacífico pode estar ameaçada, pelo que o Japão acompanha «com preocupação» o desenvolvimento da situação. No domingo, era a vez de o primeiro-ministro da Austrália, Scott Morrison, alertar para o facto de que a eventual construção de uma base militar pela China nas Ilhas Salomão seria uma «linha vermelha» para vários países da região e também para os EUA.

Recorde-se, a propósito, que a Austrália é, juntamente com os EUA e o Reino Unido, um dos subscritores do AUKUS, a aliança político-militar que visa, entre outras coisas, dotar a Austrália de armas nucleares para fazer face à China, agora considerada como uma «ameaça sistémica» à hegemonia americana.

Mais directos ainda, os EUA enviaram uma delegação de alto nível às Salomão com uma mensagem clara, conforme um comunicado da presidência norte-americana: se o governo daquele país autorizar Pequim a «estabelecer uma presença militar, de facto», isso levantará «sérias preocupações» aos EUA, que «retaliarão em consequência».

O aviso – ameaça? – especifica que o direito de retaliar também se aplica no caso da fixação de qualquer «instalação militar» ou «capacidade de projecção de força» que permita uma implantação chinesa na região, e enfatiza que os EUA vão «acompanhar de perto os desenvolvimentos em consulta com os seus parceiros regionais».

Não vá alguém confundir Biden com Putin, a Casa Branca garante «respeitar o direito» das Ilhas Salomão de tomar as suas «decisões soberanas».

A avaliar pela ausência de comentários críticos, parece que toda a gente bem (in)formada considera legítimas as preocupações de Washington com este potencial perigo a... 11 895 km de distância. Qualquer semelhança com as alegações de Moscovo, com a NATO à porta, são, naturalmente, pura coincidência.

Anabela Fino


terça-feira, abril 26, 2022

Um momento (histórico, longo) de viragem-1


Por formação (ou deformação) académica/profissional, encontramos evidentes diferenças nas aproximações da actual (e gravíssima) crise que estamos a viver, diferenças que nos estão a concitar particular atenção.

Há, claramente, duas maneiras de encarar a situação no que respeita à economia política.

Por um lado – chame-se-lhe “ocidental”…–, parece que todos os comentaristas (ou comenta dores) que, querendo ou sendo convidados a tomar uma posição não-política (como se a houvesse), se assumem como “economistas (professores… e upa-upa), analisaram e analisam as medidas de sanções económicas decididas para penalizarem a iniciativa russa. A que eventualmente se referem de passagem, no tom consensual, claro e acusatório, de repúdio e de solidariedade para com o povo agredido, como se a operação militar da Rússia não tivesse tido antecedentes e escalada a provocá-la.

De qualquer modo, desde o começo, houve declarações, ou se vislumbraram prevenções quase assustadas, por parte dos “economistas” deste "lado", quanto aos efeitos e vítimas das sanções económicas. Sanções que, decerto, teriam sido decididas após consulta a abalizados “técnicos” da área da economia política.

Desde o início, se tornou claro, para os comenta-dores “economistas”, que essas sanções iriam repercutir-se seriamente nas economias europeias, ou na economia europeia (se acaso ela existisse como um todo, de uma formal União Europeia), que tinham criado dependências com o “outro lado”, com o alvo das sanções.

E houve quem até aventasse que as consequências negativas (de boomerang…) levariam a substituir essa dependência por uma outra, relativamente aos Estados Unidos, não menos assimétrica… mas entre parcelas da mesma soma, num acréscimo do indesejável (para quem?) unicentrismo. Não faltando uma ou outra voz – talvez por demasiado europeístas… – a insinuar que, para além da Rússia, as sanções tinham (também) como alvo a “Europa” e as suas veleidades independentistas ou de multi-lateralismo.

E as perspectivas não são nada favoráveis, com uma inflação a trope e a caminho do galope. Como seria de prever com as vítimas do costume, os cidadãos de rendimentos fixos ou nada elásticos – salários e pensões –  enquanto as minorias de rendimentos variáveis – particularmente, alguns lucros e especulações – encontrarão forma de engrossarem, se for caso disso devorando alguns menos precavidos.

Uma questão de classe.

Tudo com base numa configuração da actividade económica vinda do final da guerra de 1939-45, de acordos firmados em Bretton-Woods, com a criação de um FMI e um Banco Mundial, e toda a economia internacional a ser regulada por via de uma moeda então pletórica, expressão de uma economia nacional que (quase só) tirara vantagens do conflito, substituindo impérios por um pólo (a opor-se, com toda a força das armas e não só, ao “outro lado”, aos que mais tinham sofrido a guerra e a ela resistido).

As correlações de forças – nacionais e universal – determinavam a(s) ordem(ns) económica(s) internacional(is), que, com maior ou menor variação, se mantivera(m) mesmo para além da decisão verdadeiramente fulcral de transformar a moeda em que se sustentava o edifício bretton-woodiano, num papel verde, em que bem se advertia que era em deus que se devia confiar (e só nele), pois a base de 35US$=1 onça de ouro deixava de ser convertível, base… para o que quer que fosse, salvo para o poder(io) dos Estados Unidos.

Assim, a tudo resistiu Bretton-Woods, e até mesmo à outra super-potência, e sua ordem específica internacional, que não teve forma de escapar a esse ludíbrio de as relações económicas internacionais sempre mais estreitas terem por base uma moeda que se desmaterializava.

Encurtando razões (ou o que quer que seja), significativo é que em 1989, nas vésperas ou madrugada de grandes transformações na ordem económica internacional, assinava-se um Consenso de Washington, entre as instituições monetário-financeiras de Bretton-Woods, consenso assente nessa moeda que nem seria já bem uma moeda mas o tal papel verde in God we trust. Fidúcias...

Dominava o pensamento económico (e a acção económica) a síntese ou mescla monetarista, misturando neo-clássicos com escola de Chicago, estando como reserva da síntese (que apenas exclui… a crítica da economia política) o eventual recurso ao pensamento keyneseano para responder a mais complicadas correlações de forças sociais, nunca se pondo em causa a prevalência da economia (de mercado, evidentemente) sobre a política, sem sequer merecerem menção as vertentes social, cultural e ambiental.  

talvez continue...


domingo, abril 24, 2022

Será que ainda sei falar (ou ler) português?

 

Será que ainda sei falar (ou ler) português?

4 cometários antes das "últimas leituras" de hoje (porque haveria muito mais a ilustrar como se pega tudo que se diga pelo lado do preconceito, pelo avesso das intenções e do que é dito... ou não será que os ucranianos estão a ser transformados em ou mortos ou gloriosos, numa "guerra por procuração (ou por provocação de outros)?!): 

Título: Comunista António Filipe compara invasão à Ucrânia com anexação de Goa, Damão e Diu

 

O histórico militante do PCP António Filipe comparou a invasão da Rússia à Ucrânia com a anexação de Goa, Damão e Diu por parte da Índia.

Desta vez, António Filipe criticou a decisão de Emmanuel Macron enviar armas e mísseis antitanque para as forças ucranianas.

“Esta atitude faz quase lembrar a atitude de Salazar em relação à Índia, em que a Índia também era agressora e ele dizia que só há soldados portugueses, perante uma desproporção de forças manifestas, ou mortos ou gloriosos”, disse o político no programa Expresso da Meia-Noite, na SIC Notícias.

Quanto à questão de a Rússia se recusar a usar a palavra “invasão”, o comunista diz que isso é um mero fait divers.

“Quer que eu diga que houve uma invasão? Houve[DSR1] , atirou[DSR2]  António Filipe, que admitiu ainda condenar a guerra. “O PCP sempre condenou e sempre achou que isto não devia ter acontecido”[DSR3] , acrescentou, citado pelo Observador.

O que dizemos que outros não dizem[DSR4]  é que guerra começou em 2014 e que houve uma clara violação por parte da Ucrânia dos acordos de Minsk, que previam um estatuto de autonomia nas autoproclamadas republicas de Donbass nunca foi levado à prática”, disse ainda o ex-deputado.

 


 [DSR1 ]Isto foi a resposta de AF!

 [DSR2] atirou quer dizer respondu?

 [DSR3] Isto é reconhecido? Ou é tão só posto de pernas para o ar?

 [DSR4] E porque é que não dizem? Por ser verdade quanto estão a afogados em mentira e em desvirtuação para atacar o PCP?

sexta-feira, abril 22, 2022

... são os nossos borregos!

Tanto tempo sem aqui vir! Se alguém o terá notado - além de mim... -, apenas porque o virus que por aí andou não se quis despedir (se é que se despediu!) sem visitar esta casa, porque houve uns trabalhos extra... e daí o silêncio. Por vezes, dorido e soltando berros de irritação ou zanga... É que têm abusado da manipulação! E, como não estou para muitas conversas neste regresso, deixo, depois do sempre pedagógico Jorge Cadima , um poema-grito de Afonso Duarte (1884-1958), de que Lopes Graças fez uma extraordinária pequena canção coral.  


 - Nº 2525 (2022/04/21)

Mais guerra?

Opinião

É evidente a vontade dos EUA/UE em prolongar o mais possível a guerra na Ucrânia. Mas o belicismo está também patente no outro extremo do planeta: os EUA repetem na ilha Formosa (Taiwan) o guião da Ucrânia.

Contrariando as palavras de respeito pela integridade territorial da China, proferidas durante a video-cimeira entre os presidentes Xi e Biden em Março, a presidente da Câmara de Representantes e terceira figura na hierarquia do poder nos EUA, Nancy Pelosi, anunciou uma visita a Taiwan, entretanto adiada, alegadamente por COVID. Uma semana mais tarde, seis congressistas dos EUA «das comissões militar, dos serviços secretos, negócios estrangeiros, justiça e finança» (globaltimes.cn, GT, 15.4.22) visitaram a ilha chinesa, incluindo o falcão de todas as guerras Lindsey Graham. Já em Março, houve uma visita de altos funcionários militares e dos serviços secretos dos EUA.

Multiplicam-se as vendas de armas à ilha, que nem é oficialmente reconhecido como um país pelos próprios EUA: 750 milhões de dólares no ano passado (thedefensepost.com, 6.8.21); 100 milhões em Fevereiro (CNN, 8.2.22); 95 milhões em Abril (Al Jazeera, 6.4.22). Enquanto ardem as chamas da guerra na Ucrânia, seria lógico não instigar novos focos de conflito. Assim seria se o imperialismo em decadência não quisesse a guerra. Mas quer. E tal como empurrou a Rússia para a guerra da Ucrânia, está a tentar empurrar a China para uma guerra sobre Taiwan.

O jornal Global Times afirma que «a natureza enganadora e a duplicidade da política dos EUA face à China fica plenamente exposta» (GT, 9.4.22). O MNE chinês exigiu que Pelosi não apenas adie, mas cancele a visita (GT, 9.4.22). A resposta chinesa também tomou a forma de manobras militares, que o GT descreve (15.4.22) assim: «o Exército de Libertação do Povo está pronto para o combate e tomará todas as medidas necessárias para esmagar resolutamente quaisquer tentativas de ingerência por parte de forças externas e iniciativas secessionistas […] de forma a preservar a soberania nacional e integridade territorial». Entretanto, os EUA empenham-se também em desestabilizar o Paquistão e ameaçar a Índia, «culpados» de não terem alinhado com a estratégia de sanções e belicismo contra a Rússia (GT, 12.4.22).

O militarismo é sempre acompanhado pela mentira e autoritarismo. O Público, jornal do grande capital que defendeu todas as guerras do imperialismo incluindo a invasão do Iraque, indigna-se com quem levanta suspeitas sobre a propaganda de guerra. Suspeitas expressas pelo marine e ex-inspector de desarmamento dos EUA e ONU, Scott Ritter, que testemunhou directamente as mentiras do Iraque. Ritter afirma-se convencido que o massacre de Bucha foi uma provocação, em que «a Polícia Nacional Ucraniana assassinou civis ucranianos», atribuindo depois «a culpa aos russos» (consortiumnews.com, 13.4.22). Por argumentar essa posição, foi suspenso do Twitter.

Quem pensa que a censura se deve à Ucrânia lembre-se de Julian Assange. Preso no Reino Unido, muito antes da Ucrânia, por divulgar as mentiras e crimes das guerras imperialistas. A guerra e a mentira estão no ADN do sistema. Que hoje ameaça conduzir a Humanidade para a catástrofe.

 Jorge Cadima


A bacanal do mando continua,

Senhor da Cristandade!

E sobre a Cruz, uma criança nua

É a legitimidade


Senhor! Não somos nós que nos vendemos,

São os nossos borregos.

- Servos à corda, meu Senhor, bailemos!

Na Cruz há sangue e pregos!