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sexta-feira, março 26, 2021

Outra VEZ o BES

Quando o BES volta à ribalta... e não por julgamento de Ricardo Salgado mas como "arma" no jogo político-partidário em que alguns nos pretendem entreter, enquanto partilham o poder ao serviço da manutenção (em desespero) da correlação de forças, é oportuno lembrar este livro de 2015


que, em Ourém, motivou interessante e interessada iniciativa 

quinta-feira, maio 21, 2020

A talhe de foice - Centeno-bes & bis





Anabela Fino

O quê?

Centeno sai do Governo. Centeno fica no Governo. Centeno vai para o Banco de Portugal. Centeno não vai para o Banco de Portugal. Centeno de pedra e cal no Eurogrupo. Centeno de saída do Eurogrupo. Centeno em rota da colisão com Costa. Costa reitera confiança em Centeno. Centeno e o PR. Centeno e a Assembleia da República. Centeno a prazo. Centeno...

A avaliar pelo massacre dos últimos dias dir-se-ia que por cá, COVID-19 à parte, tudo se resume a «Centeno ou não Centeno, eis a questão».

A ser assim, é caso para perguntar, parafraseando a famosa canção de Dorival Caymmi:

O que é que o Centeno tem? Não será nenhum dos atributos da baiana – logo ele, tantas vezes apontado como uma espécie de Calimero –, mas alguma coisa terá para assim atrair críticas, elogios, louvores, censuras, com mais eficácia do que papa moscas. Tem uma agenda própria, diz o agenda-mor do seu pelouro televisivo, semeando suspeitas de jogos de contornos obscuros.

Seja como for, o que os últimos dias evidenciaram com a inenarrável encenação em torno do Novo Banco e do ministro das Finanças é que não há limite para a falta de vergonha, a hipocrisia, o despautério, a manipulação, o obscurantismo. Quando se pensa que já se viu tudo, que já se bateu no fundo e não é possível descer mais baixo, eis que novo capítulo mostra o contrário.

De repente, a propósito dos 850 milhões de euros emprestados ao Fundo de Resolução para meter no Novo Banco, a direita veio verter lágrimas de crocodilo e exsudar indignação, ao mesmo tempo que uma bateria de comentadores, em magnífica manifestação de ignorância e/ou má fé, atirava achas para a fogueira da desinformação. Centeno acertou no alvo ao acusar o PSD de ter «palavras sem vergonha e sem memória», e ao questioná-lo sobre onde é que estava a 3 de Agosto de 2014, data da resolução do BES e da chamada saída limpa da troika.

O que Centeno não disse foi que, em Dezembro de 2015, o governo PS de que fazia parte reiterou o compromisso assumido pelo anterior governo PSD/CDS com Bruxelas relativo ao BES, enfiando o País na camisa de forças em que se encontra.

As implicações da decisão, transferências de verbas incluídas, são do conhecimento de todos. Por quê então esta encenação de «virgens esquecidas», para citar Centeno?

Numa altura em que a sensibilidade social está à flor da pele com a crise provocada pela pandemia, convém passar uma esponja pelo passado, como fazem PSD e CDS, ou fazer de conta como o PS que não havia alternativa à resolução bancária mais «desastrosa jamais feita» como lhe chamou o ministro das Finanças.

Só que havia alternativa: a nacionalização, como o PCP propôs. O quê? O Centeno, fica, sai, gira, roda, vira, virou....

quarta-feira, junho 10, 2015

sexta-feira, março 27, 2015

PCP - primeiro balanço da CPI sobre o BES

apesar de ser um primeiro balanço, 
já é muito esclarecedor
... para quem se quiser esclarecer
a partir de uma perspectiva
que vá para alémdo personalizado, 
do factual e do curto prazo!

sexta-feira, fevereiro 20, 2015

Para que o muito (não tudo!...) dilucidado não fique sem consequências políticas



Conferência de Imprensa, Miguel Tiago, Deputado, Lisboa

PCP apresenta projecto para apuramento dos beneficiários finais das transações financeiras que lesaram o BES e o Estado Português

ARTIGOS RELACIONADOS



O PCP apresentou um Projecto de Resolução que propõe a constituição de uma comissão técnica para efectuar o apuramento dos beneficiários finais das transacções financeiras que lesaram o BES e o Estado Português. Miguel Tiago afirmou na sua declaração que é importante saber quem beneficiou com o rombo que foi provocado num grupo económico que detinha um banco e com as consequência sofridas pela economia e o país.

sexta-feira, janeiro 30, 2015

inquérito na AR ao BES/GES

Ponto da situação 
resultado de um excelente trabalho 
do Grupo Parlamentar do PCP 



o retrato/filme 
de um caso escabroso e exemplar

quinta-feira, dezembro 11, 2014

Esclarecimento


'inda me espanto!

Depois de ter assistido a (quase) toda aquela  "cena" de ontem, em que R. Salgado tentou, com grande "profissionalismo" e em desavergonhada estratégia, impor a sua versão absolutamente inverosimil da queda do BES/GES, que logo a seguir Ricciardi mostrou à exaustão que o era, ainda me consigo espantar por o Excelentíssimo Senhor Governador do Banco de Portugal venha escrever cartas a refutar o que o que o terá incomodado.
A entidade reguladora não só não funciona como não tem nenhum respeito por si própria, na interpretação do seu alto reponsável. Está ao nível do que, em democracia, é o mais alto responsável por isto tudo, do PdaR. Ou seja, ao nível rasteirinho.
Não seria de chamar este último à comissão de inquérito? Isso é que era giro: o PdaR a ser auditado na AdaR!!!

quarta-feira, dezembro 10, 2014

Que insuportável mundo!, este dos banqueiros...(remake)

Ontem foi um dia a que chamaram várias coisas. Foi um dia-chave, embora não daqueles que abrem portas. Pelo meu lado, dediquei-o, quase por inteiro (e por solidária camaradagem...) a acompanhar os trabalhos da comissão parlamentar de inquérito ao BES. Das 9 horas da manhã de ontem às 2 já de hoje. Com curtos intervalos, que também "eles" os tiveram.
Gosto da expressão, que não teria inventado mas que não tinha lido ou ouvido antes, de autópsia do capitalismo regulador, e este teria sido um episódio dos mais significativos. Mas nada de mórbido me "agarra" ao televisor e me prende à cadeira. Só o desejo de melhor conhecer as entranhas do sobrevivo para melhor ajudar - microscopicamente - à transformação do mundo.
E, enquanto via e ouvia, folheava um caderninho que há uns meses organizei, arrumando alguns "posts" que aqui coloquei. Para uso pessoal e oportuno. Como foi agora o caso.
Faço o "remake" de dois extratos:

QUARTA-FEIRA, MAIO 25, 2011

 Que insuportável mundo!,

este dos banqueiros...

Uma noite sem tarefa(s). Calma. É como quem diz...
Ao terceiro dia de campanha (e só neste me detive face ao televisor), o aparelho está em sérios riscos!
Ainda por cima, apanhei com uma insuportável entrevista com o insuportável dr. Ricardo Salgado.
  
Como este "mundo dos banqueiros" é insuportável. Coexistir nele só em luta contínua.
É insuportável. Dêem-me tarefas ou ainda faço um disparate!

(...)

TERÇA-FEIRA, JULHO 08, 2014


(...)

Foi a financeirização da economia.

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O BESCL, agora BES, “devolvido à família Espirito Santo”, entrou no jogo todo, tomou lemes e rédeas.

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E fez disso alarde em certos momentos, como foi o de chamar a"troika" para nos invadir explicitamente, sem pensar no ricochete, sem pôr as barbas de molho.

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Bem pelo contrário.

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O médio e o longo prazo deixaram de contar (Keynes, se relembrado, diria que amanhã estaremos todos mortos… e não lhes importa os que nasçam depois de amanhã).

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Especular, especular, especular sempre e cada vez mais.

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A opção deixou de ser entre o pão e a ”pastilha elástica” para passar a ser entre o nada e a coisa nenhuma, para o que dê maior dividendo ou cotação na Bolsa, ou o “off-shore” mais rentável e/ou menos fiscal izado.

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Está a dar-se o esperado.

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Está a dar-se o previsto, o prevenido e… o inevitável na correlação de forças dominante sempre, aqui e ali, mais ou menos moderado pela resistência… porque nunca nenhuma força está sozinha, toda a força tem o seu contrário.

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O que está a acontecer ao “meu” BES, se diferente nas formas, nasce do mesmo que aconteceu ao PBN, ao BPP, ao BCP.

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Entretanto, pode comprar-se hoje a 0,6 o que amanhã se pode vender a 1, transferindo riqueza (das nações) de mão em mão sem que nada se crie, e sem que se recuperem os milhares de milhões volatilizados.

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Filme de terror?, estou de acordo com a designação do género, embora me interesse muito mais o genérico e a ficha técnica!

(...)
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E fico-me por aqui, apenas com mais uma nota. 
Já li, hoje de manhã, no sapo-expresso, um interessante resumo da audição de ontem de R. Salgado (Um homem sem confissões, nem de Santo Agostinho, de Filipe Santos Costa), mas a que faltou a 2ª parte das audições de ontem, a das "confissões" de S. Ricciardi, que mexeram mesmo nas entranhas do "bicho" em autópsia, e que, entre as 19 e as 26 (24+2) horas, puseram a nu muito do que R. Salgado tapou, com grande "profissionalismo", contenção e contensão, entre as 9 e as 19. horas.

tem continuação! 
  

domingo, dezembro 07, 2014

E venho eu e digo POIS!

Num fim-de-semana (ainda que prolongado) cheio de deslocações, lendo a imprensa e enquanto se aguarda com alguma expectativa a audição dos "primos" Espirito Santo na Assembleia da República (que o esCAVACadO PdaR já dispensou... democraticamente como é seu timbre), tinha alguma ansiedade por uma paragem aqui à secretária (e computador) para reproduzir e divulgar esta "pérola":

Embora possa ser lido clicando sobre a imagem, não resisto a copiar o texto que me fez gargalhar (embora amarelamente), com algum arranjo gráfico e sem fotografia porque outros mereciam tal "distinção". além do Vitor Bento (que cada eventual leitor escolha a sua ilustração).

Vem o governador do Banco de Portugal e diz: há investidores privados interessados no BES!
Vem Vitor Bento, ex-presidente do BES, e diz: "Ainda hoje não sei se houve ou não investidores interessados no banco".
Vem a ministra da Finanças e diz: "Nunca foi apresentado ao Governo qualquer pedido de rcapitalização pública do BES."
Vem Vitor Bento e diz: pedi ao Governo uma declaração pública de que poderia vir a fornecer liquidez ao banco em caso de necessidade.
Vem o vice-governador do Banco de Portugal e dá 48 horas à administração para apresentar um plano de recapitalizaçãodo banco. 
Vem Vitor Bento e diz  "Recapitalizar em dois dias era impossível."
Vem o Banco de Portugal e não exige provisões para o empréstimo de €3,3 mil milhões do BES ao BESA.
Vem o Novo Banco e exigem-lhe que provisione a 100% o empréstimo.
Vem Mário-Henrique Leiria e pergunta:
"O que aconteceria se o arcebispo de Beja fosse ao Porto e dissesse que era Napoleão?
Toda a gente acreditava que era. O presidente da Câmara nomeava-o Comendador. Iam buscar a coluna de Nelson, tiravam o Nelson e punham o arcebispo lá em cima. E davam-lhe vinho do Porto.
Então o arcebispo dizia: Sou a Josefa de Óbidos.
Ainda acreditavam que era, embora menos. O presidente da Câmara apertava-lhe a mão. Iam buscar o castelo de Óbidos, tiravam os óbidos e punham o arcebispo na Torre de Menagem. Além disso, davam-lhe trouxas d’ovos.
Nessa altura, convicto, o arcebispo de Beja afirmava: Sou o arcebispo de Beja.
Não acreditavam. Davam-lhe imediatamente uma carga de porrada. E punham-no no olho da rua. Nu."! 

TLIM!


quinta-feira, novembro 20, 2014

BES e léxico

As audições na AdaR na comissão de inquérito ao BES têm sido, sobretudo por acção do grupo parlamentar do PCP, uma espécie de autópsia do capitalismo regulador, mostrando toda a genética ineficácia e o papel falacioso dos mecanismos e entidades de regulação.

Mas também tem servido para enriquecer as aplicações do léxico:

 «Ministra das Finanças peca por omissões

A diretora do 'Jornal de Negócios' comentou, no 'CM Jornal' de quarta-feira, a ida da ministra das Finanças ao Parlamento, no âmbito da comissão de inquérito ao BES. "A ministra peca por omissões, não por mentir deliberadamente", sublinhou Helena Garrido.» 

Quer dizer, mentir (eventualmente não deliberadamente) será igual ou será o mesmo que omitir.

terça-feira, outubro 28, 2014

Mais centena de milhões, menos centena de milhões...

Entre os mais permanentes temas das batalhas pessoais a que me dedico está a denúncia de frases e ideias (mal) feitas e consensualizadas, como, por exemplo, "os economistas são os homens dos números", "quem mais sabe é quem argumenta com números e os aproxima às centésimas de percentagem, ao cêntimo de euros".  
Na leitura do último Expresso, no sempre útil e muitas vezes interessante caderno Economia, encontrei um caso... paradigmático.
Na página 5, a do Nicolau Santos, um texto sobre o  caso BESA (Banco Espírito Santo-Angola) comentava o inesgotável problema do BES (que nos esgotará...) e dizia que, a começar, que o empréstimo que o BES tinha feito ao BESA fora de €3,6 milhões.
E terminava com o mesmo número, afirmando que "o prejuízo imediato é de €3,267 milhões num total de €3,600 milhões - e fica todinho do lado português. O
dinheiro que desapareceu ficará algures por aí, talvez a sul do Equador".

Mudava-se a página e o assunto era este mesmo. O que não espanta dada a sua importância e dimensão.
Só que o comentador opinioso que encabeça essa página 6, sob o título de BESA, A VERGONHA NACIONAL em que acho que o artigo definido está a mais, nos dá outros números, lendo-se que o empréstimo do BES ao BESA foi de 3,3 mil milhões. Mas o caso torna-se mais numericamente pardigmático quando, ao contrário da página 5, se não mantém o número 3,3 mil milhões - que nessa página eram
3,6 mil milhões - mas termina com "alguém ficou com os 3,4 mil milhões de euros. Não é difícil perceber quem. Agora apontar dedos ou ir buscar o dinheiro de volta, isso é outra história. Uma triste história."