Este parte, aquele parte
e todos, todos se vão
Galiza ficas sem homens
que possam cortar teu pão
Tens em troca
órfãos e órfãs
tens campos de solidão
tens mães que não têm filhos
filhos que não têm pai
que tens e sofre
longas ausências mortais
viúvas de vivos mortos
que ninguém consolará
(música de José Niza)
Esta curta passagem pela Galiza foi como que uma visita a família e a amigos. Não para cumprimento de rituais, mas porque dessas visitas precisamos para melhos nos conhecermos e entre-conhecermos.
Quando se diz, ou escreve, que estamos de "costas voltadas" com os nossos vizinhos da península em que coabitamos, é verdade e é falso. O litoral de Portugal estende-se naturalmente para norte pela Galiza, pelas rias e os caminhos até Finisterra, a Galiza prolonga-se para sul, pelo menos até ao Porto, uma "capital-sul" da Galiza.
É a geografia que as vivências quotidianas, ancestrais, humanizadoras (que nem sempre o são) não contrariam, nem com fronteiras, com preços de combustíveis, IVAS e portagens. Que pontes de todo o tipo reforçam.
No roteiro Castelao (nome maior do nacionalismo galego) por Rianxo, sua cidade natal, o presidente de concelho, que conduzia a visita com conhecimento e sensibilidade, quando descobriu de onde éramos (porque será que estou sempre a revelá-lo?...), lembrou quase comovido a recente visita do seu grupo a Ourém, e nós lembrámos uma muito antiga visita, porque com muitas décadas, da Banda de Ourém a Vigo.
Mas, para não nos perdermos por lembranças e saudades pessoais, deixa-se este quase nosso hino dos anos 60, dos versos da Rosalia de que o José Niza fez canção para o Adriano cantar, e que tão actual se renova, por males nossos, nestes tempos de agora, e uma referênciaà Fundação Bautista Alvarez, promotora da iniciativa em que participámos e de que trouxemos, no plano dos contactos pessoais, o que fortalece as lutas comuns, o brevíssimo e tão rico contacto com a presidente, Pilar Garcia Negro, que se junta ao tão amigo e hospitaleiro acolhimento dos camaradas Duarte e Montse.
De "costas violtadas"? Não. De mãos dadas na luta pelo melhor futuro nosso.







