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sábado, novembro 05, 2011

O G20 visto do Brasil - a partir de Vermelho

4 de Novembro de 2011

Cúpula do G20 termina e a crise continua,
mais grave

O G20 encerrou nesta sexta-feira (4) a cúpula realizada em Cannes, na França, impondo medidas que não solucionam a crise econômica que os países da Zona do Euro atravessam.
Os líderes das vinte maiores economias do planeta não chegaram a um acordo concreto para dar solução à crise. A razão é mais do que óbvia para os que não nutrem ilusões com os arranjos do imperialismo. Trata-se de uma crise sistêmica, estrutural, e não é uma reunião entre países espoliadores e os emergentes que vai solucioná-la. Sobra retórica vazia na declaração. Os países concordaram em "a adotar políticas para restaurar a confiança", sem estabelecer que políticas são essas. Afirmaram também que manterão as políticas restritivas antipopulares que adotaram.
Apesar de anunciaram a chegada a um consenso e a um compromisso, o G20 promete reforçar os meios financeiros do FMI, mas sem especificar a maneira como se concretizará tal contribuição. É uma tentativa de reforçar organismos supranacionais do capital financeiro internacional.
Segundo o comunicado final, Austrália, Canadá, França, Alemanha, Itália, Coreia, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos reafirmaram que estão comprometidos com a consolidação fiscal e com a redução do déficit de 2013 a níveis de 2010, assim como a estabilizar ou reduzir suas dívidas públicas até 2016.
Os EUA, por sua vez, pretendem implementar um pacote de medidas a curto e longo prazo para "estimular" a recuperação econômica. Mais uma vez, não foram revelados quais são as medidas do pacote que vão proceder a essa mágica.
Os povos que sofrerão de imediato os efeitos dessa cúpula foram o grego e o italiano. Portugal e Espanha, já antes da cúpula, tinham adotado medidas antinacionais e antipopulares no quadro da crise européia.
O presidente francês Nicolás Sarkozy festejou a imposição à Grécia de negar a realização de um referendo sobre o acordo feito no dia 27 de outubro com a zona do euro, para a concessão do resgate econômico a Atenas. A atitude revela mais uma vez o instinto antidemocrático do capitalismo, que arrepiou os cabelos na última segunda-feira (1º/11) ao ouvir a palavra "referendo" ser pronunciada em grego.
Sarkozy também festejou a imposição de "medidas para renovar a confiança", como pedir à Comissão Europeia (órgão executivo da União Europeia) e ao Fundo Monetário Internacional (FMI) que fiscalizem a implementação de suas reformas na Itália.
Segundo o G20, Brasil, Austrália, Canadá, China, Alemanha, Coreia do Sul e Indonésia, nações com finanças públicas sob controle, se comprometeram, a estimular "medidas fiscais" que impulsionem o crescimento e a demanda.

O G20 e o Brasil

Sem muito entusiasmo, a presidente Dilma Rousseff declarou após o encontro que a cúpula do G20 teve apenas um "sucesso relativo". O Brasil descartou a possibilidade de uma contribuição para o Fundo Europeu de Estabilização. A presidente Dilma Rousseff reiterou nesta sexta-feira, em entravista coletiva após a cúpula, que o Brasil está disposto a contribuir com recursos para o Fundo Monetário Internacional (FMI), na busca de evitar o agravamento da crise financeira internacional.
“Não tenho a menor intenção de fazer nenhuma contribuição direta para o Fundo de Estabilização Europeu. Faço a contribuição para o FMI porque dinheiro brasileiro de reserva é dinheiro que você protege, foi tirado com suor do nosso povo, então, não pode ser usado de qualquer jeito. Aportamos no FMI pelo fato de que o fundo nos dá garantias”, disse em entrevista coletiva após o encerramento da reunião da Cúpula do G20.
A presidente relatou ainda que as preocupações do encontro do G20 foram a estabilidade global e as consequências sociais da crise econômica. Segundo ela, as nações em desenvolvimento voltaram a pedir a mudança de governança do FMI.
Dilma reiterou também que o Brasil concorda com uma taxação global sobre operações financeiras cujos recursos seriam destinados a investimentos sociais. Segundo ela, esse é um ponto em que não há consenso entre os países que participaram das discussões no G20. “Tem países onde o serviço financeiro é a fonte principal de recursos. Eles são contra”, explicou.



com agências

quarta-feira, setembro 07, 2011

A crise actual do capitalismo - o debate em São Paulo









Não estive no debate! Mas recebi um relato muito interessante (amigo e útil), de que aproveito uns trechos:


(...)
Com a finalidade de avançar na compreensão da crise do capitalismo, a Fundação Maurício Grabois promoveu na quinta-feira, 1 de Setembro, um debate com a participação do professor Luiz Gonzaga Belluzzo. Participaram também o presidente nacional do PCdoB, Renado Rabelo, o director de estudos e pesquisa da Fundação Maurício Grabois, Sérgio Barroso, o jornalista e membro do Comitê Central do PCdoB Dilermando Toni. O presidente da Fundação Maurício Grabois, Adalberto Monteiro, foi o moderador.
O debate realizou-se no auditório da sede nacional do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), na cidade de São Paulo e, no início de sua intervenção. Belluzo sublinhou. “É impossível compreender como o capitalismo se transforma e como ocorrem as crises sem a perspectiva da luta de classes”. Em resumo, a sua tese é a de que o fim do "arranjo" político, económico e social do pós-Segunda Guerra Mundial, que propiciou os chamados “trintas anos gloriosos”, é a raiz da crise actual.
Segundo ele, esse "arranjo" trouxe os trabalhadores para a cena política, o que foi fundamental para a construção da economia daquele período, garantindo conquistas sociais que jamais se tinham obtido. Com o neoliberalismo, na viragem dos anos 1970 para os 1980, as conquistas organizativas dos trabalhadores começaram a ser atacadas.
A incompatibilidade da liberdade de organização com o projecto neoliberal começou a ser demonstrada quando a primeira-ministra britânica Margareth Thatcher enfrentou com "mão de ferro" as greves do mineiros entre 1982 e 1985. De 1979 a 1985, mais de 220 mil postos de trabalho nas minas foram eliminados pela política neoliberal, resultando na quase extinção de uma das mais importantes organizações do movimento operário inglês — responsável pela histórica tradição de luta e resistência dos trabalhadores daquele país.
Na mesma época, o governo do presidente Ronald Reagan, nos Estados Unidos, reagiu imediatamente à paralisação dos controladores de vôo, declarando a greve ilegal. Reagan deu um ultimato e estabeleceu um prazo de 48 horas para que os trabalhadores retornassem ao trabalho. Vencido o prazo e sem acordo, o presidente demitiu 11.359 trabalhadores e proibiu que qualquer um fosse readmitido no serviço público.
Segundo Belluzzo, esses dois episódios foram simbólicos. Para o regime neoliberal, era preciso debilitar a força acumulada pelos trabalhadores, sobretudo nos anos 1950 e 1960 durante a que foi chamada “era keynesiana”, ou “era social-democrata”. Para ele, ambas as definições não são rigorosas pois considerou decisiva a forte presença dos partidos comunistas no arranjo pós-Segunda Guerra Mundial, com destaque para a França e a Itália.
Beluzzo explicou, ainda, que havia uma conexão clara entre a subida da carga tributária para as camadas mais ricas e o reforço dos serviços públicos. Thatcher e Reagan iniciaram o processo político de retirada das organizações dos trabalhadores do interior do Estado para que o capitalismo se pudesse desenvolver sem entraves. Belluzzo explicou que assim surgiu o supply side económico (economia do lado da oferta). Os defensores desse conceito diziam que o Estado estava muito pesado, que os impostos aos mais ricos inibiam a poupança e, portanto, a capacidade de investimento, causando danos aos trabalhadores, afetados pela falta emprego decorrente da economia estar estagnada. A ordem era libertar as forças naturais do capitalismo para que passassem a poder operar novamente. E, depois, beneficiar os de baixo “gota-a-gota”.
Nessa marcha acelerada, surgiu a desregulamentação financeira, que deu livre curso aos fluxos de capitais. O Estado foi posto de lado e a teoria da “repressão financeira” — que incluía a separação entre os bancos comerciais e os demais intermediários financeiros, controles quantitativos do crédito, tectos para as taxas de juros e restrições ao livre movimento de capitais — foi abolida. Como conseqüência, ocorreu a erosão dos esforços na busca da igualdade, que se manifestou em primeiro lugar pela brutal taxa de desemprego. Belluzzo concluiu sua explanação inicial dizendo que o aumento significativo da desigualdade, a desregulamentação financeira formam as raízes da crise atual.
Seguiram-se intervenções dos outros membros da mesa e debate com os presentes.
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Interessante intervenção, com a grande virtude do poder de síntese.
Para ser reflectida.