Mostrar mensagens com a etiqueta Pata Negra. Rei dos Leittões. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Pata Negra. Rei dos Leittões. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, janeiro 30, 2018

Com a devida vénia ao Rei dos Leittões


O Sábado, o Domingo e a Autoestima

Albertino Rosa e Rosa Albertina conheceram-se por coincidências onosmáticas e daí ao enamoramento e ao casamento foi uma questão de tempo. A Rosa está desempregada. O Rosa opera numa fábrica de pastilhas.
O vencimento de Albertino dá-lhes rés-vés para a renda e para o sustento e, pelo menos aparentemente, vivem harmoniosamente para quem os vê na semana de agosto que costumam passar no parque de campismo de São Bartolomeu no Barlavento.
É assim que o casal Rosa vê a harmonia das coisas: ganhar para comer, para ter onde dormir, para os transportes e tudo mais que é necessário para ter forças, saúde e dinheiro para trabalhar e, enquanto sobrar para uns dias de praia, já não se pode dizer mal.

Albertina foi despedida do Centro Paroquial local e acaba de desistir do projeto pessoal de se fazer taxista da localidade para o marido não ter de vir a fazer tantas pastilhas.
A Autoestima é uma empresa que fabrica pastilhas para os travões das rodas dos carros que não têm travões de discos. Acontece que o governo decretou que a velocidade mínima dentro das localidades fosse reduzida para 30 km/hora; os condutores passaram a travar muito mais dentro das localidades; o consumo de pastilhas de travões teve um aumento acentuado; a produção tem de aumentar consideravelmente; tendo em consideração que não há condições para aumentar os custos com o trabalho, considera-se que os trabalhadores e/ou colaboradores têm de trabalhar e/ou colaborar mais. Mais ainda? De segunda a sexta não é possível! Que se trabalhe também ao sábado!

Todos dizem a Albertino Rosa, e Rosa Albertina concorda, que se assim não for, o mais certo é a empresa se deslocalizar e ele perder o emprego. Com um argumento destes não há Albertino nem Albertina que não seja tentado à rendição.

E é aí que Rosa pensa mais longe e põe a questão:
- Então e se se mantiver o número de atropelamentos? O governo irá decretar a velocidade mínima dentro das localidades para 10km/hora, deixaremos de poder ir à missa ao domingo pedir a Deus, unidos como Ele nos uniu,  trabalho e saúde para trabalhar.

Mas não é isso que faz pensar o Albertino, além de não ser judeu para ter que guardar o sábado, como cristão só vai à missa para satisfazer a mulher. O que o preocupa é que, com tanto consumo de pastilhas, os fabricantes de automóveis comecem a fazer só travões com discos! E pensa mais, que isto não vai parar e que mais do que lutar pelo que se tem, é preciso querer mais, como os que detêm os meios de produção.
É a luta de classes, carago!
bacorada do 


Um text(ícul)o com eles no sítio


domingo, dezembro 31, 2017

A do Caldas em versão bácora

Acertar num alvo merece aplausos por boa pontaria! 

Acertar em mais que um alvo com um único (e pequeno) tiro merece ovação e divulgação. 

Boa!, Pata negra-rei dos leittões... Assim dá gosto investigar.



A IMIculada do Largo dos Caldas


Dadas as conhecidas afinidades entre clero e CDS, não se estranha a existência de sedes do partido que sejam propriedade da Igreja. Pela Concordata, muitos dos edifícios da Igreja Católica e Apostólica Romana estão isentos de IMI - parece que a sede do Largo das Caldas está nessa situação.

Só leio o Observador em trabalho de investigação:

(- Ó Observador, o PSD absteve-se?! Não estarás enganado?)

Só leio o Correio da Manhã em trabalho de investigação:

sábado, novembro 04, 2017

Sobre a Catalunha - De antologia!

Reproduz-se, com a devida vénia, esta "crónica histórica" do Rei dos leittões:


«Puta que pariu os catalães

Se a história tivesse sido outra.



Não houve o 1 de Dezembro de 1640, Portugal continuou a pertencer à coroa espanhola. Não existiu o 5 de Outubro de 1910, Portugal continuou a estar dependente dum poder de matriz sanguínea.
No início dos anos 30, em alguns povos do reino de Espanha, sobretudo na Catalunha e em Portugal,  começaram a declarar-se alguns movimentos independentistas, libertários, socialistas, republicanos.

A ação desses movimentos progressistas acaba por fazer da Espanha uma república onde se manifestam as vontades de novas repúblicas e por ter um desfecho numa sangrenta guerra civil. Os republicanos são vencidos pelas forças fascistas, lideradas em Portugal pelo general Carmona e, no resto da Espanha, pelo general Franco que impõe uma república ibérica à sua medida.  Este, assumindo-se como generalíssimo, acabou por conceder um poder territorial especial ao seu parceiro de armas português. Fica, no entanto, uma mancha no mapa da sua vitória, a Catalunha resistiu ao seu poder de fogo e conseguiu constituir-se como estado independente, reconhecido por muitos estados e tolerado por Hitler, ou reservado para intervenção futura.

Nos anos 70, adivinhando a morte e o fim do seu reinado, Franco achou por seu poder, deixar a grande Espanha entregue ao rei de coroas, filho da corte a quem permitira, até então, a sobrevivência num palácio maior, da província maior, Portugal, nesses anos vigiada pelo almirante subalterno, Américo Tomás.

Embora ressuscitassem, na altura, algumas manifestações republicanas e independentistas, nas quais Portugal se destacava, fantasmas da guerra, apatias ideológicas e promessas de democracia, acabaram por viabilizar a nova monarquia e o filho do rei velho regressou ao palácio, palacianamente aclamado mas, naturalmente, sem votos.

O novo reino de Espanha preparou, entretanto, a sua  entrada na CEE e, travessuras da história, acabou por ter de reconhecer a república da Catalunha e assinar a adesão à comunidade no mesmo dia.

Nos anos 10 do novo século, Portugal, que nunca se sentira bem com a sua consciência nacional por depender de famílias castelhanas, onde as ideias republicanas sempre tiveram expressão popular, onde o direito dos povos à autodeterminação sempre foi um direito querido, entra num processo independentista e proclama unilateralemnte a sua independência. Fortemente condicionado pelo capitalismo, pelo poderio bélico da comunicação social, pelo poder Bruxelas-Madrid, vítima de chantagem generalizada, o país fica suspenso.

Em novembro de 2017, mais do que a hipocrisia dos senhores da Europa, que intercederam pela formação de novos estados da ex-Jugoslávia à ex-União Soviética, o que irrita mais os portugueses que reclamam a independência são as declarações dos governantes da Catalunha e, sem atenderem que as mesmas não traduzem necessariamente os sentimentos dos cidadãos que se fazem representar, dizem chateados:

- Puta que pariu os catalães!»

bacorada do 

sábado, maio 13, 2017

Despacho: divulgue-se!



A vinda do peregrino Francisco a Fátima trouxe, sem dúvida, muito a muita gente. Muito sentimento diferente a muita gente diferente. 

Pensava nisto, ontem ao fim do dia - em que não liguei a televisão... mas tive o zumbido dos helicópteros toda a tarde e começo de noite dentro da minha cabeça -, quando li esta crónica do Pata Negra. Diria, à maneira Mia Couto, que me proporcionou um sono abensonhado. Tanto assim que começo o dia de hoje com a tarefa (sim, tarefa!) de agradecer a crónica ao autor (e, indirectamente, ao Papa Francisco, cuja visita a provocou), por ser das melhores "peças" que me foi dado ler nos últimos tempos. 

Agradecer... e divulgar pelos meus limitados meios, a começar pela minha privada conselheira e censora literária, que apoia a avaliação:   


Ir a Fátima e não ver o Papa


- JÁ CHEGA!


(Este post destina-se apenas àqueles que hoje não ligaram a televisão)

Contava contar-vos hoje uma visão que tive de madrugada. Via eu uma multidão de homens e mulheres, populares, à volta duma virgem, via um ancião vestido de branco acenando a todos e a este e àquele, via gente abrindo os braços em sinal de louvor, gente de mãos erguidas pedindo isto e aquilo e saúde, via lágrimas de sofrimento e emoção, sorrisos de felicidade e de graças, portanto, uns contentes outros nem tanto, via Fátima. Contava também agradecer a não sei quem - se à Senhora de Fátima, se ao Papa, se ao António Costa, se à Assunção Cristas -  a tolerância que me deram sem eu a pedir.
Mas eis que os comandos da televisão não resistem a um dia em casa e, para meu espanto, a minha visão perdia qualquer valor porque acontecia em todos os canais - honrosa exceção para o Sport TV e para o Vénus. Fiquei chateado! Talvez tivesse adormecido a ver televisão e a minha visão não passasse dum sono leve no sofá e não duma revelação de ordem sobrenatural! 
(Irritou-me também a devoção às virgens porque lembrou as relações históricas entre cristianismo e islamismo e aqueles que, segundo a televisão, se fazem explodir porque, por o fazerem, serão recebidos no céu por dezenas de virgens. Esta fixação dos homens, castos ou varões, pela virgindade das mulheres é uma coisa que não cabe na minha civilidade! Que me perdoem as irmãs e os machões!)

No meio de tudo isto surgiu a minha filha. Aconselhada por mim a seguir a vida religiosa desafiou-me quando, sem o meu consentimento, se fez militante da JCP. Pensei: de mal o menos! Duma forma ou de outra não terá um namorado da JS ou da JSD! Mas eis que premiada, pelo pai remediado, com uma lambreta, por ter concluído o 12ºano apenas com negativa a Religião Moral, hoje me disse:
- Pai, eu vou a Fátima ver o Papa!
E passei eu todo o meu santo dia a ver se via a minha filha na televisão - tentativa frustrada - para me chegar ela agora a casa, depois do jantar, e completar-me o vão do dia:
- Pai, corri Fátima toda de mota e não vi o Papa!
E eu, sempre paternal e amigo, santo pai:
- Manda lixar o papa, tens aqui o papá! Este ano iremos à Festa do Avante e vais ver o Marcelo Rebelo de Sousa! Por tua causa já vi hoje mais televisão do que no dia do funeral do Mário Soares!
Come e cala-te, de papa JÁ CHEGA!