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quarta-feira, janeiro 18, 2012

A foto e o desenho

Stiglitz - um argumento que desautoriza o autorizado autor

Ia comentar "isto"... mas houve quem me dispensasse de o fazer (e melhor que eu o faria), num comentário por aqui deixado, e que seria mal empregado se por ali ficasse:

Mais valia estar calado e falar do que conhece... 

«"Portugal enfrenta um período muito difícil", disse. "Mas há coisas boas a acontecer. O acordo de ontem [entre Governo e parceiros sociais] é uma delas, é uma política no bom sentido. Não pode ser só austeridade e parece-me que o Governo sabe disso".
(...)
E deixou um alerta: cortar salários - uma solução que chegou a ser posta em cima da mesa em Portugal - não é solução, porque deprimiria ainda mais a procura, afundando a economia. "Seria contraproducente", disse o Nobel de 2011.»
in Negócios Online [«Stiglitz elogia acordo entre parceiros sociais para reforma laboral», 18 de Janeiro de 2012 - 14:22]

Quando era pequeno, ao domingo [na altura, tanto o meu pai, engenheiro, e a minha mãe, professora, trabalhavam ao sábado] sentados na «casinha» a almoçar peixe fresco era frequente ouvir:
- Fecha a boca que ainda entra mosca...
No entanto, ainda bem que Stiglitz não conseguiu calar-se, e disse o que disse permitindo que a assistência [o congresso da APED - Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição] desse o tempo por bem empregue.

Ricardo O.

Não havia por lá moscas.
O ambiente era climatizado contra moscas
e outros insectos voadores,
o que não impediu que saísse (meia) asneira,
o que em estilo Nobel é mais interessante!

Obrigado, Ricardo!


Brevíssima (com foto)

Ao tomar conhecimento de algumas das coisas acordadas (falta junto a uma ponte, 4 dias de castigo...), tenho a sensação de estar a ler um regulamento prisional, ou de uma casa de correcção de corrécios, que seriam os trabalhadores, claro,

terça-feira, janeiro 17, 2012

Quando é que acordamos?

Repete-se a cena. Como em “remakes” de filmes de terror, o último sempre pior que o anterior.
Festeja-se o acordo. Como os anteriores. Houve vezes, em que até se bebeu champagne…
“Bestial, pázinhos… ca g’andácordo!”.

Agora é que vai ser. O emprego, o crescimento da economia, a credibilidade externa.
Agora é que vai ser!
Zurze-se em "o que não assinou". Desvaloriza-se, quando não se despreza, "o que (diz-se que) diz sempre que não”, "o que (diz-se que) não assina acordos”. "O que" não assinou porque este acordo não vai dar em emprego, em crescimento da economia, em credibilidade externa (aliás, quem são os credibilizadores?, as “agências de rating”?, os mercados?) como "eles" dizem.

"acordo terá efeito “mais global
do que a descida da TSU"

Entretanto, o desemprego vai aumentar, a economia vai decrescer, o descrédito externo engrossará a voz. E "eles", se lhes dermos possibilidades, ass(ass)inarão um novo acordo. (E nós a dormir?)

Veja-se só esta pérola, ao que parece dificilmente acordada:

«… Ficou ainda estabelecido no acordo, em que caiu a proposta de mais meia hora de trabalho, uma bolsa de horas grupal de 200 horas e uma individual de 150 horas que o empregador poderá aplicar de acordo com a necessidade de produtividade das empresas…».

Quer-se algo que, sendo tão confuso, possa ser mais claro?

Entre os festejados (e mal dormidos) acordadores está a UGT, cumprindo o seu papel. Que, por vezes, é obrigada, pelos trabalhadores que ainda iludem (e para que continuem a ser iludidos) a hiatos, ou a soluços, ou a ir a reboque de greves gerais.
Entre as reacções, está a do PS, que “ainda não leu...” mas que vai chegar ao "sim! ... mas também não!" ou, violentamente!, ao “não!… mas porque… prontos... seja sim!”.

Mas quando é que acordamos?!
A luta continua, mas espera por mais a 11 de Fevereiro!