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sábado, abril 04, 2020

Acompanhando e comentando

do quase-diário:


03.04.2020: 
(...)
… e se há morte e mortos para além dos pandemortos que a estatística nos informa “ao minuto”, (de todo o mundo menos do Terceiro, exceptuando a Índia porque os indianos são aos milhões), também há vida e doenças de vivos para além da vida em pandemia, dos infectados, podendo estes dividir-se em já detectados e não (ou ainda não, ou em vias de serem) detectados, os picos a adiantar ou a atrasar, as estatísticas informativo-manipuladas-manipuladoras.

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(...)… e começo por escrever duas ou três coisitas sobre o assunto e suas estatísticas.

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Contrariando, ou esclarecendo, dúvidas que me assaltaram (...) o post que postei a 31 de Março (esperando acontece?!) estava muito bem apostado.

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Repito o final:
Assim sendo, face ao que acompanho,
ou i) as projecções eram catastróficas,
ou ii) os números anunciados estão longe da realidade, 
ou iii) as medidas tomadas foram muito eficientes no objectivo de atacar a pandemia e está a “achatar-se” a curva dos infectados como pretendido.

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Pois parece comprovar-se (e esconder-se numa verborreia mais de números que palavras) que na alternativa do meio é que estava a virtude, embora também seja certo que podia considerar a terceira alternativa como certa, desde que a ajustasse dizendo que o objectivo é, prioritariamente, o de “achatar” a curva dos infectados e menos, ainda…, o objectivo de atacar a pandemia.

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Até pela falta – objectiva em relação ao objectivo – de meios para a atacar… que estarão a chegar de avião (que é para isso que os aviões estão a servir).

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Daí resulta este espectáculo ou exibicionismo em que se transformou a vida cidadã dita política, com o artista Marcelo em grande vedeta, cabeça de todos os cartazes.

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Aliás… quando não o está, ou parece que se apagou um pouco, logo dá umas actualizadas braçadas no Tejo poluído (em sentido figurado, claro) ou recupera truques de comentador televisivo.

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E, antes de passar à vida (e à morte) para além do Covid19, ainda deixo mais dois apontamentos de despedida e sem auto-promessa de não recidiva.

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O primeiro sobre o pico ,que não é o dos Açores: 
julgava eu, na minha santa ingenuidade ou ingenuidade de santo, qu o dito pico era o ponto mais alto da pandemia e que, depois dele, era a descer com os números de infectados, internados, em cuidados intensivos, a descerem e os de curados a subirem.
Pelo que, desejava eu, na tal minha ingenuidade mais ignorante que santa, que ele se atingisse depressa, e depressa se começasse a descer do pico, ou seja a voltar à normalidade… embora em muito preocupantes novas condições.

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Ao ouvir Marcelo dar a boa notícia de que estão a adiar o dito pico, comecei por não perceber, até atingir o busílis, isto é, que o que se pretende é achatar a curva para que não haja picos tão cedo.

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O que quer dizer que, dada alguma (?) morosidade em fases preambulares, como testes e detecção dos infectados, com tradução em números que compõem as curvas, há achatamentos destas e adiamento de picos, o que, do mal o menos…, mantém-se a informação às massas com o “número” que vai sendo exibido em continuidade de alarme mas sem pânico, e como alimento da confiança em futuras melhores notícias.

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Muito… fino, jogando com o negativo para dele se tirarem pombas do chapéu.

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O segundo apontamento (e não quero que seja mais do que isso) é sobre infectados detectados ou recenseados ou anunciados e uma panóplia de números que substituem a realidade de que deveriam ser, modestamente, a representação.

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Cada vez que se anunciam os números dos infectados e se acrescenta, como auxiliar de informação, a evolução em percentagens… arrepio-me.

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Porque essa percentagem, se referida a números anteriores de acréscimos é falsificada porque, e fico-me por exemplos extremos: se os chamados infectados 0, isto é, do dia 1 (d1), fossem 2 e se, no dia seguinte (d2), se detectassem mais 80, a percentagem de aumento seria de 4000%, se referida ao ponto de partida (2), e de 97,6% se referido ao total detectados (82); se, no dia a seguir (d3), se detectassem mais 80, a percentagem de aumento referida ao número de detectados anteriores seria também de 97,6% mas, se se referida aos detectados globais seria de 49,4%; para terminar (uff!), se, no momento (dn-1) havia 1000 detectados, e se se detectava igual número de 80 no momento (dn) as percentagens seriam, referida ao ponto de partida (1000), de 8%, e referida ao total (1080) seria de 7,4%.  

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Já chega!, mas fique a “ponta” para a questão, tão importante em tantos casos e alturas, da representatividade que os números podem emprestar ao conhecimento de situações e evoluções, e como pode ser perversa a sua utilização, substituindo, distorcendo ou invertendo a realidade.



terça-feira, novembro 09, 2010

Cálculos à volta do conceito de democracia representativa

Se há coisas que "me tiram do sério" (ou que "me põem no sério"?) uma delas são aquelas generalizações do tipo "os políticos são todos iguais". Há quem assim pense de boa-fé, não vendo que assim estão a meter no mesmo saco responsáveis por (e servidores de) uma política e os que lutam contra essa política.
Trata-se de atacar a democracia (indignificando-a), não pelo que ela é mas pelo mau uso que alguns, a maioria dos escolhidos pelos eleitores, dela fazem no exercício dos seus mandatos; trata-se de atacar os "políticos" (desprestigiando a "classe"), que não são nem uma profissão nem uma classe, mas um estar em representação dos eleitores, do povo. Ainda ontem ouvi a peregrina defesa (ou bispa sentença... porque de alto dignatário da Igreja Católica) de que às abstenções em acto eleitoral deveriam corresponder lugares vazios nas instituições para que há eleições... Mas disso tratarei noutra altura.
Para agora, trato da outra ideia (mas convergente com a bispa sentença numa mesma campanha) de diminuir os lugares da Assembleia da República porque haveria deputados a mais, já se avançando com o númerode 230 para 180. Sei que há quem o defenda na melhor das boas-fés, mas sem medir o que tal representaria em termos de princípios de representatividade e proporcionalidade dos mandatos.
Mantendo-se tudo o resto igual - embora as forças que promovem e se aproveitariam desta campanha tenham malfeitorias adicionais no bornel - resultaria o seguinte em números aproximados, com base nas eleições de há um ano:
  • PS + PSD (a actual maioria parlamentar) passariam de 178 para 140 deputados;
  • os "pequenos partidos" (CDS-PP+ BE + PCP + PEV) passariam de 52 deputados para 40;
  • nestes, o CDS-PP perderia 7 deputados, o BE perderia 1 deputado, o PCP perderia 4 e o PEV manteria os seus 2 eleitos na coligação CDU, dada a forma adoptada pela coligação
Quer dizer, polarizar-se-ia a AR pois os "dois maiores" perderiam 21,3% dos deputados, e os 4 partidos com menor número de deputados perderiam 23,1% dos deputados.
Em termos de representação e proporcionalidade,
  • cada deputado PS + PSD passariam a representar 26, 7 mil eleitores em vez de 21 mil eleitores;
  • cada deputado dos CDS-PP + BE + eleitos CDU passariam a representar 40,0 mil eleitores em vez de 30,7 mil eleitores;
  • cada deputado eleito na CDU passaria a "valer" 40,6 mil eleitores (número de eleitos em relação aos votos que os elegeram) em vez dos 29,8 mil que "vale" com a actual composição (deve ser por isso que trabalham tanto!) .
É de toda a evidência que a democracia perderia representatividade e proporcionalidade:
  • 70% dos eleitores passariam de uma representatitivade na AR de 77,4% para 77,8% e 30% dos eleitores passariam de 22,6% para 22,2%.
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tudo isto salvo erros & omissões
(não entrei com os votos emigrantes por não terem grande significado numérico)
porque foram contas feitas em insónia...
que estas coisas me dão!