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sábado, dezembro 05, 2020

O presidentinado!

Um pouco (ou muito…) à boleia da assinalação da morte de Sá Carneiro, que tem esgotado tinteiros (expressão que não perdeu actualidade, pois as impressoras ligadas aos computadores usam, e gastam, tinteiros), também muito se falou dos 50 anos da SEDES – Associação para o Desenvolvimento e Social – criada como associação interveniente na vida pública portuguesa agitada pela substituição de Salazar por Marcelo Caetano.   

Lembro-me bem desse nascimento, cheio de esperanças e ambições (ou de ambições e esperanças…) para alguns.

Posso dizer que andaria eu então a surfar na crista das ondas. Naturalmente, a criação da  SEDES não me foi indiferente e, também naturalmente, não fui indiferente para a SEDES, em cuja formação e actividades estavam colegas meus, alguns com que “me dava” e tinha boas relações.

Já com uma prisão, julgamento no plenário fascista e cumprimento de pena, a minha actividade e posições que não escondia (embora algumas bem me esforçasse para que não fossem conhecidas… pela PIDE).

Estas circunstâncias fizeram com que da SEDES me tivessem convidado para participar em algumas das suas actividades, decerto como putativo intérprete de uma área de pensamento bem demarcada e, então – como sempre, e mau grado os esforços de outros, de outra classe – relevante, a dos marxistas (a que alguns juntariam, e acertando!, o pos-fixo de leninista).

 De algumas iniciativas me lembro, mas de uma me recordo particularmente, sobretudo quando vejo o actual Presidente da República participar nas comemorações dos 50 anos da SEDES, anunciando que a associação será condecorada. Isto porque me lembro de uma iniciativa promovida, directa ou indirectamente, pela SEDES na sacristia da Igreja da Rua do Patrocínio, à Estrela, para que me convidaram… e eu fui, claro.

E o que, de vez em quando, me recorda essa iniciativa – em que nem sei se cheguei a intervir ou não –, foi a presença e intervenções de um jovem de nome Marcelo, que me identificaram como filho de Baltazar Rebelo de Sousa.

A este, eu costumava citar como Baltazar (com Z) Rebello (com dois L) de Souza (com Z), por ter visto, no seu gabinete no Ministério da Educação, de que era Secretário de Estado, três volumes dos seus discursos como dirigente da Mocidade Portuguesa em excelente encadernação com o nome assim gravado, volumosos volumes mas, outra curiosidade que me chamou a atenção, progressiva e notoriamente menos volumosos à medida que o autor subia na hierarquia fascista.

Tive acesso a estas curiosidades porque frequentei, embora nada agradado nem frequente, o dito ministério, sendo Ministro F. de P. Leite Pinto (professor em Económicas, como dirigente associativo, primeiro nas Associações de Estudantes e depois no CDUL, guardando esta foto da apresentação, pelo Inspector Nacional do Desporto Universitário (INDU), Armando Rocha, da delegação à Universíada (Jogos Mundiais Universitários) de 1959, em que fui o representante dos estudantes portugueses das 3 academias aos Jogos e simultânea assembleia geral da FISU.

Com B.R.S., A.R. e José Machado e outros desportistas

 O que eu guardo dessa deslocação a Turim em 1959!… mas o que estou a lembrar é o filho de B.R.S., Marcelo Rebelo de Sousa.

E entre as fotos que por aqui se acolhem nos meus ficheiros, há uma em que estão os dois, pai e filho (e mais um mano), quando o outro Marcelo (Caetano) colocou o eventualmente afilhado ou o pai do eventualmente afilhado como Governador de Moçambique, antes de o recuperar para a Metrópole para mais de um ministério antes do 25 de Abril de 1974.


Dada esta (grande) volta, pouco espaço resta para o pouco a dizer da sessão SEDES na sacristia da Igreja da Rua do Patrocínio. Apenas me lembro de, ao ouvir o jovem Marcelo (nos seus vinte e poucos anitos), eu (do alto dos meus trinta e mais alguns bons anos) ter comentado: este puto vai longe, vai, vai!…

E, de vez em quando, ao lembrar esse comentário, vem logo um complemento… Marcelo Rebelo de Sousa foi um predestinado, isto é, um pré-destinado a ser uma figura de topo, qualquer a base desse topo, tanto assim que se pode dizer que é um presidentinado…

Há gente assim… nasceu para serem ministros… ou mais (ou menos). 

terça-feira, outubro 20, 2020

Atenção!... que toda a cautela é pouca

É verdade que se o ridículo fosse sarna este nosso (salvo seja...) PdaR passava a vida a coçar-se, mas... há que ter cuidado, Sexa., por cognome o presidestinado, não dá ponto sem nó (ou dó?). 

Enquanto assim se mostra, esconde outras coisas que não quer que se vejam, ouçam, conheçam ou falem.



terça-feira, outubro 06, 2020

Comenta dor - Marcelo dixit!

 O PESO DAS PALAVRAS

Corrupção, ética, ditadura são palavras pesadas que saltaram para a praça pública.

A corrupção, acompanhada de compadrio e clientelismo, e a ética, complementada com a adjectivação de republicana (que bem dispensaria), enchem a informação com que nos querem ir formatando. Curiosamente, a palavra ditadura, que ouvi, e como que me sobressaltou ao ouvir o discurso do Presidente da República, ficou a modos que suspensa sobre a dita praça pública, e não a encontro nos títulos e citações sublinhadas.

Pois ela aqui se sublinha e se comenta:

“(…) Temos de continuar a agir em liberdade e vamos continuar a agir em liberdade, porque não queremos ditaduras em Portugal e sabemos que ditaduras, por esse mundo fora, não resolveram esta crise e, porventura , nem sequer a assumiram a tempo e com transparência(…)”.

É na verdade curioso, ou melhor: significativo, que os exegetas de tanto que Marcelo Rebelo de Sousa diz, não se tenham detido nesta afirmação. Em que, aliás, Marcelo não se queda pelas fronteiras em que se costuma movimentar, e entra por territórios alheios e controversos.

Depois de deixar claro que, para ele, ditadura e liberdade são antónimos como palavras, e antagónicos como regimes políticos – o que exigiria (para outra oportunidade) elucidação sobre significados e conceitos –, Marcelo Rebelo de Sousa é afirmativo: não quer(emos) ditadura em Portugal, o que é de sobremodo interessante vindo de quem vem, que bem se lembrará dos “cantos da casa” de quando Portugal vivia em inquestionável ditadura.

Também é interessante que o PdaR não se tenha ficado por cá e por aqui, e tenha assegurado (“como sabemos”!) que ditaduras, por esse mundo fora, não resolveram esta crise e nem sequer a teriam assumido a tempo e com transparência. A quem estaria Marcelo a referir-se? Por mais curta que fosse a lista dos países que tivesse no pensamento – e não explicitou, nomeando-os –, decerto incluiria o Brasil e os Estados Unidos, e respectivos responsáveis máximos por via de uma pretensa democracia que, por hábito e pregação, se diz ser contrária às ditaduras, segundo conceitos partilhados… que não discutidos.

 Tudo muito curioso, interessante, e que me deixaria um pouco perplexo se não me ajudassem os provérbios populares que dizem que quem muito fala pouco acerta, mas também o contrário: quem muito fala às vezes acerta.

quinta-feira, maio 14, 2020

Predestinações e prestidigitações

Já depois de ter, ao logo do dia, acompanhado como possível as notícias que caem no canto direito do meu computador... e desabafando, os noticiários da noite na televisão vieram mostrar como tudo é volátil. Sempre, e em particular neste tempo que vivemos.
Como é que é possível não incluir, em qualquer desabafo que se faça sobre a situação política portuguesa, não incluir o predestinado Marcelo Rebelo de Sousa. Ele não deixa!
Meteu-se ao barulho... e já está.
Ele é Presidente da República (actual e futuro), ele é Presidente do Conselho de Ministro (já assim se chamou). Ele é o predestinado... para ser o que é! E prestidigitador, prestidi(a)gitador!
Faça chuva, sol ou pandemia, ele é Marcelo Rebello de Souza.

quinta-feira, abril 09, 2020

Perguntas não-inocentes!

Será que ninguém reparou?
Será que foi mero engano nas contas, como é desculpável em jurista?
Será que não tem significado político que o Presidente da República Portuguesa, ao referir-se aos anos que tem a nossa democracia, fale em 45 anos, e assim desvalorize o significado histórico do 25 de Abril de 1974?
Será acto falhado (ou falho)?

sábado, abril 04, 2020

Acompanhando e comentando

do quase-diário:


03.04.2020: 
(...)
… e se há morte e mortos para além dos pandemortos que a estatística nos informa “ao minuto”, (de todo o mundo menos do Terceiro, exceptuando a Índia porque os indianos são aos milhões), também há vida e doenças de vivos para além da vida em pandemia, dos infectados, podendo estes dividir-se em já detectados e não (ou ainda não, ou em vias de serem) detectados, os picos a adiantar ou a atrasar, as estatísticas informativo-manipuladas-manipuladoras.

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(...)… e começo por escrever duas ou três coisitas sobre o assunto e suas estatísticas.

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Contrariando, ou esclarecendo, dúvidas que me assaltaram (...) o post que postei a 31 de Março (esperando acontece?!) estava muito bem apostado.

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Repito o final:
Assim sendo, face ao que acompanho,
ou i) as projecções eram catastróficas,
ou ii) os números anunciados estão longe da realidade, 
ou iii) as medidas tomadas foram muito eficientes no objectivo de atacar a pandemia e está a “achatar-se” a curva dos infectados como pretendido.

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Pois parece comprovar-se (e esconder-se numa verborreia mais de números que palavras) que na alternativa do meio é que estava a virtude, embora também seja certo que podia considerar a terceira alternativa como certa, desde que a ajustasse dizendo que o objectivo é, prioritariamente, o de “achatar” a curva dos infectados e menos, ainda…, o objectivo de atacar a pandemia.

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Até pela falta – objectiva em relação ao objectivo – de meios para a atacar… que estarão a chegar de avião (que é para isso que os aviões estão a servir).

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Daí resulta este espectáculo ou exibicionismo em que se transformou a vida cidadã dita política, com o artista Marcelo em grande vedeta, cabeça de todos os cartazes.

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Aliás… quando não o está, ou parece que se apagou um pouco, logo dá umas actualizadas braçadas no Tejo poluído (em sentido figurado, claro) ou recupera truques de comentador televisivo.

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E, antes de passar à vida (e à morte) para além do Covid19, ainda deixo mais dois apontamentos de despedida e sem auto-promessa de não recidiva.

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O primeiro sobre o pico ,que não é o dos Açores: 
julgava eu, na minha santa ingenuidade ou ingenuidade de santo, qu o dito pico era o ponto mais alto da pandemia e que, depois dele, era a descer com os números de infectados, internados, em cuidados intensivos, a descerem e os de curados a subirem.
Pelo que, desejava eu, na tal minha ingenuidade mais ignorante que santa, que ele se atingisse depressa, e depressa se começasse a descer do pico, ou seja a voltar à normalidade… embora em muito preocupantes novas condições.

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Ao ouvir Marcelo dar a boa notícia de que estão a adiar o dito pico, comecei por não perceber, até atingir o busílis, isto é, que o que se pretende é achatar a curva para que não haja picos tão cedo.

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O que quer dizer que, dada alguma (?) morosidade em fases preambulares, como testes e detecção dos infectados, com tradução em números que compõem as curvas, há achatamentos destas e adiamento de picos, o que, do mal o menos…, mantém-se a informação às massas com o “número” que vai sendo exibido em continuidade de alarme mas sem pânico, e como alimento da confiança em futuras melhores notícias.

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Muito… fino, jogando com o negativo para dele se tirarem pombas do chapéu.

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O segundo apontamento (e não quero que seja mais do que isso) é sobre infectados detectados ou recenseados ou anunciados e uma panóplia de números que substituem a realidade de que deveriam ser, modestamente, a representação.

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Cada vez que se anunciam os números dos infectados e se acrescenta, como auxiliar de informação, a evolução em percentagens… arrepio-me.

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Porque essa percentagem, se referida a números anteriores de acréscimos é falsificada porque, e fico-me por exemplos extremos: se os chamados infectados 0, isto é, do dia 1 (d1), fossem 2 e se, no dia seguinte (d2), se detectassem mais 80, a percentagem de aumento seria de 4000%, se referida ao ponto de partida (2), e de 97,6% se referido ao total detectados (82); se, no dia a seguir (d3), se detectassem mais 80, a percentagem de aumento referida ao número de detectados anteriores seria também de 97,6% mas, se se referida aos detectados globais seria de 49,4%; para terminar (uff!), se, no momento (dn-1) havia 1000 detectados, e se se detectava igual número de 80 no momento (dn) as percentagens seriam, referida ao ponto de partida (1000), de 8%, e referida ao total (1080) seria de 7,4%.  

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Já chega!, mas fique a “ponta” para a questão, tão importante em tantos casos e alturas, da representatividade que os números podem emprestar ao conhecimento de situações e evoluções, e como pode ser perversa a sua utilização, substituindo, distorcendo ou invertendo a realidade.



sexta-feira, julho 06, 2018

Marcelo e os Kiss - últimas notícias


Recebido e logo publicado com muita honra e satisfação (:-):

Obrigado GR/7

quarta-feira, janeiro 03, 2018

De manipulação, de veto e de voto

do quase-diário:

(...)


Entretanto, “rebentou a bomba” do financiamento dos partidos, laboriosamente armadilhada numa campanha multimédia, em que tanto cheira a esturro… e tresanda a eleições!
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A posição da direcção do PCP parece-me impecável e reproduzi-a no anónimo:

(...)

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Já antes recebera um mail, de Cristovão Monteiro -  que não (re)conheço - com observações e comentários muito certeiros e dados oportunos, que trabalhei (graficamente) para publicar aqui (e eventualmente noutros locais), a que dei um título:

De manipulação, de veto e de voto

A “CÃOZOADA” E A FALSA VIRGEM
A comunicação social fez um alarido nestes últimos dias muito sobre o «financiamento dos partidos» dizendo taxativamente que a lei foi aprovada “secretamente” pela Assembleia da República e que era um «financiamente milionário». Depois disse que o PR ia vetar a referida lei.
Pois, pois…
MAS, esta “cãozoada” escondeu INTENCIONALMENTE toda a história do financiamento dos partidos, dando a entender falsamente agora que se tratava de UMA NOVA LEI. Mentira!


Se perguntarmos a um português qualquer na rua se concorda com o financiamento dos partidos pelo Estado (ou seja, pelos nossos impostos), ele dirá que não e até se mostra revoltado.
Vamos então recordar a história do financiamento dos partidos, lembrando até que o actual PR que dizem que vai vetar as alterações à Lei, como militante do PSD e pela participação nas campanhas eleitorais do seu partido anos atrás, pagas com dinheiros públicos pela Lei de 2003, sabia e sabe muito bem quem foi a autoria desse financiamento e agora reage como “Falsa Virgem” ofendida.
 
Contemos pois toda a história desta lei:

«A  lei de financiamento dos partidos foi aprovada em 2003 (já lá vão 14 anos) e entrou em vigor mais de um ano depois. Foi o resultado de negociações ao mais alto nível entre PSD e PS (então liderados por Durão Barroso e Ferro Rodrigues), a lei contou com o acordo do CDS e o voto contra do PCP, do Bloco de Esquerda e Verdes.
A lei então preparada em 2003, dava aos partidos 3,1 euros por cada voto nas urnas das Legislativas. Nos anos em que não havia eleições, mantinha a quantia recebida dos anos anteriores por cada partido.
Em 2009 foi alterada, mas manteve os princípios básicos da lei de 2003.
O enquadramento legal então definido - que privilegiou o financiamento público, limitando os apoios de particulares legais devidamente controlados pelo Tribunal Constitucional - contou com uma forte oposição dos comunistas porque o objectivo do PS, PSD e CDS, era impedir o financiamento legal do PCP pela realização da grande Festa do Avante e pela quotização dos seus militantes.
Não houve pois segredo porque foi debatida na A.R.. A tal «esmagadora maioria do povo português» só não soube ou sabe, porque anda a dormir ou então vota no PS, PSD e CDS como se fosse nos seus clubes desportivos de coração, façam eles o que fizerem.
Esta Lei foi feita com o argumento de tornar os partidos imunes ao financiamento de grupos privados para obter regalias posteriormente.
É evidente que este argumento é falacioso e cai pela base porque os grandes grupos privados continuaram a subsidiar encapotadamente (ou ilegalmente) os partidos de governo com o objectivo de ganharem muito dinheiro quando PS, PSD e CDS chegam ao governo. É o que acontece. Só que a nossa “justiça” não funciona porque também está corrompida.
Como se sabe, cerca de 75% dos votantes em Portugal votaram PS, PSD e CDS,  quer dizer que na prática apoiaram o financiamento.
Não se pretende nesta mensagem dizer a ninguém que alterem a sua maneira de pensar eleitoralmente. Pretende-se é que se deixem de HIPOCRITAMENTE dizer que são contra o financiamento público quando o apoiam eleitoralmente.
Em declaração de voto na Assembleia República, Bernardino Soares, chefe parlamentar do PCP da altura referiu, em relação às alterações de 2009, que «se é certo que hoje foram aprovadas aqui alterações que corrigem alguns aspectos negativos, mais certo é que mesmo com elas a lei do financiamento, por cuja revogação nos batemos, continuará a ter a nossa firme oposição, por respeito com o regime democrático, a pluralidade de opções políticas e ideológicos os princípios constitucionais.».
 Então, «os partidos vão ao pote às escondidas…» como dizem certos “escribas” da comunicação social ou só aqueles que impuseram a sua maioria na A.R., o que quer dizer que a maioria do povo português que diz estar contra, SABIA E ACEITA…?
No caso do financiamento ILEGAL dos partidos é como tantos outros. Por exemplo, os célebres subsídios vitalícios aos deputados aprovados como sempre por PS, PSD e CDS e votos contra do PCP, Verdes e na altura UDP.
Há três caminhos para o financiamento dos partidos:
1 – Público – Através da quantidade dos votos recebidos nas Legislativas, pela lei de 2003
2 – Privado legal devidamente participado ao Tribunal Constitucional e podem ser fruto das quotizações dos seus militantes ou outros casos legais como a Festa do Avante (caso do PCP).
3 – Privado ilegal e condenado pelo Tribunal Constituciona e portanto pela Lei. Por exemplo, as comissões recebidas da compra dos submarinos, pagas pela empresa alemã que os fabricou e que foram condenadas pela justiça alemã e cujo caso em Portugal foi estranhamente arquivado. Mas há muitos mais casos, escondidos pela comunicação social mercenária.
Como exemplo estatístico, damos os financiamentos legais baseados na Lei de 2003 (neste caso durante o quadriénio 2001-2005):
 Afinal que se passou em Dezembro de 2017?

Uma alteração à Lei em vigor, que não aumentou nem um euro a contribuição do Estado, tinha a ver com o IVA que deveria estar isento exclusivamente para actividades  políticas.
Das alterações agora introduzidas não resulta aumento das subvenções ou encargos públicos para com os partidos políticos, havendo sim a possibilidade de maior iniciativa própria na recolha de fundos com todo o tipo de controlo existente. Importa ainda esclarecer que relativamente à devolução de IVA, já consagrada, se visa pôr fim à discricionaridade de interpretações que tem existido por parte da Autoridade Tributária, ao mesmo tempo que se mantém o pagamento para tudo o que não tem a ver com actividade política.
Exclusivamente por estas alterações, votaram a favor, PS, PSD e PCP.
O CDS, que depende em 96% dos dinheiros públicos, votou contra. Porquê? Porque está contra a Lei de 2003 em vigor e da qual depende em 96% do financiamento LEGAL? Estão eles dispostos na Assembleia da República em propôr a anulação da Lei de 2003, conjuntamente com BE, PCP e Verdes, que sempre defenderam que cada partido político não deve receber NADA do ESTADO?
Claro que não! O CDS não quer dar “um tiro nos pés”.
E está o CDS e o PR dispostos a incentivar a criminalização pela JUSTIÇA EFECTIVA  (em vez dos corrompidos arquivamentos) dos financiamentos ILEGAIS, como sejam as comissões dos Submarinos e ademais armamento de guerra, as comissões da construção do empreendimento Turístico em plena reserva do Tejo protegida por Lei ou dos dinheiros recebidos pela Tecnoforma de Passos Coelho?

O objectivo do voto contra do CDS (e do PR) é dar a entender, com a ajuda da comunicação social mercenária dominante, que era uma NOVA LEI em que os partidos que aprovaram queriam “roubar o Estado”. UMA MENTIRA CONSTRUÍDA COM A COMUNICAÇÂO SOCIAL MERCENÁRIA POR RAZÕES ELEITORALITAS E MUITA DEMAGOGIA.
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Este caso é por demais ilustrativo do papel nuclear da “informação” nos tempos deste agora.

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Como se manipulam as massas!, como se deforma uma criada (e sempre reinventada...) “opinião pública”, como um Marcelo II manobra entre exibições de afetos, votos de boas festas e vetos de má-fé.

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Batalhas decisivas da luta de classes travam-se na inFormação.

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