| Breve aponta mentes, em Expresso curto, por: |
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terça-feira, junho 13, 2017
"of course"...
segunda-feira, março 06, 2017
domingo, fevereiro 26, 2017
"Paraísos fiscais" - uma opinião estimável e PÚBLICada
A mentira, seja sob forma directa ou rebuscada, em matérias públicas é
inaceitável. Sobre isso não vale a pena dizer mais nada. Os governantes não tem
obrigação de dizer a verdade — sim, há razões de Estado que podem implicar a
mentira — mas nenhuma cobre os casos recentes. Mentir pode ser legítimo, por
exemplo, para esconder, até ao momento do seu anúncio, uma desvalorização da
moeda, ou quando está em curso uma qualquer operação com riscos para as pessoas
ou para o Estado, sensível à revelação irresponsável da verdade. São excepções,
mesmo muito excepcionais, e precisam de ser muito explicadas a posteriori, quando
finalmente se pode saber a verdade sem custos. Há matérias delicadas cobertas
pelo segredo do Estado que justificam que um governante, quando interrogado
directamente, tenha que mentir. Não deixa de ser mentira no momento em que é
proferida, mas trata-se de uma mentira instrumental, destinada a proteger um
bem maior. É um estatuto que pode ser alvo de abuso, e é-o muitas vezes, mas os
limites éticos do dilema verdade/mentira não se aplicam neste tipo de
“sombras”.
Mas não é, de
todo, o caso da história dos SMS, nem do misterioso caso das estatísticas dos offshores, que nada
justifica serem cobertos por qualquer “manto diáfano” de mentiras, meias-mentiras,
sugestão de mentiras e omissões da verdade. A cabeça de um ministro ou a honra
de há muito perdida de um ex-governo estão em causa? Não mentissem, nem nos
enganassem. Mas, dito isto, também é preciso ter muito cuidado, para que a
mediatização medíocre das redes sociais e de alguma imprensa não confunda
questões sérias com outras de menor gravidade. E o caso Centeno e os milhões
dos offshores não são comparáveis em importância, sendo que toda a gente já percebeu o
que se passou no primeiro caso, e ainda muito pouco se percebeu do segundo.
O que sabemos
sobre o dinheiro saído para os offshores durante a governação PSD-CDS? Sabemos que foi muito, muitos milhares de
milhões de euros, de que os dez mil milhões de que se fala agora são apenas uma
parte. Sabemos que uma parte saiu legalmente e também sabemos, por vários
processos em curso, que outra parte saiu ilegalmente. Vamos deixar para já a
parte ilegal, de dinheiro de pagamento de subornos, de corrupção, de negócios à
margem da lei, e vamos apenas falar do que saiu legalmente, e nessa parte
podemos apenas ficar-nos por esta magra fatia de dez milhares de milhões que
não foram devidamente incluídos nas estatísticas e sobre os quais não sabemos
ainda até que ponto os procedimentos de verificação habituais pelo fisco se
realizaram, ou seja, se são resultado de actividades legais sem mácula fiscal.
Por que é que isso aconteceu e o que é que isso significa?
Vamos seguir a
mais benévola das hipóteses, de que tudo estava legal, e que apenas não se fez
o registo estatístico. Comecemos por um ponto prévio que é verdade para todas
as histórias que envolvem offshores. Já ouvi dezenas de explicações esforçadas para justificar por que razão
as pessoas e as empresas colocam o dinheiro nos offshores, desde a fuga ao
conhecimento do património nos divórcios milionários até à protecção de
património face a credores, aos pagamentos a jogadores de futebol, passando
pelas necessidades de pagamentos no comércio internacional. Tudo é coberto por
dois mantos: um é de que se trata de processos legais, por isso incontestáveis
pela crítica; o outro é que, havendo paraísos fiscais em qualquer outra parte
exótica do mundo, não é possível acabar com eles em qualquer outro sítio. Mas
isso não implica que se considere normal o uso de offshores e, numa
sociedade em que os governantes se indignam com os direitos “adquiridos” dos
mais fracos, tenham uma soberana indiferença face a práticas dos mais ricos que
roçam a ilegalidade e que prejudicam, e não pouco, a riqueza do país. E quando
isto se passa em tempos em que os governantes fazem um discurso de austeridade
contra os que não podem fugir aos impostos e aos cortes, e são indiferentes às práticas
dos mais ricos de tirar dinheiro, riqueza, do seu país, revolta. Este é o pano
de fundo em que podemos discutir esta questão, e aplica-se como uma luva ao
Governo PSD-CDS, onde o ataque aos mais fracos foi a regra, e a complacência
com os mais poderosos foi também a regra.
No fundo, no
fundo, o núcleo duro de ideias sobre a sociedade e a economia do Governo
Passos-Portas foi que a recuperação do país passava pelo aumento da riqueza dos
mais ricos, que traria por arrasto uma melhoria das condições de vida dos mais
pobres. Era em cima que deveria haver “liberdade”, enquanto em baixo deveria
haver “ajustamento” e cortes, até porque os de baixo já estavam mais acima do
que deviam e tinham que ser postos na ordem e devolvidos “às suas posses
habituais”. Da legislação laboral ao “ajustamento”, este era o programa. Dêem
as voltas que derem, esta era a concepção e ainda o é, como se vê na questão do
salário mínimo. Qualquer ideia, aliás na base do ideário social-democrata, de
que o Estado deveria garantir um equilíbrio social, era e é tida como uma
violação das regras da “economia”, com os de baixo a quererem mais do que a
“economia” lhes pode dar. Em cima, não há essas restrições e, por isso, a
indiferença face ao que acontece com os offshores é completamente
natural.
Este é,
insisto, o pano de fundo da interpretação mais benévola da falta de dados sobre
os offshores: que saíssem dezenas de milhares de euros do país, não interessava aos
governantes porque não estava no centro das suas preocupações, como estava
cortar reformas e salários e levar o fisco até aos cabeleireiros e aos
biscates. Tratava-se de uma prática normal da “economia”. Mas se esta é a
interpretação mais benévola, não é a mais sensata, como se vê pelas explicações
atabalhoadas que governantes do tempo do PSD-CDS têm vindo a dar sobre o
que aconteceu. E aqui é que, como no caso de Centeno, entendo que é uma afronta
para os portugueses tomá-los por parvos, só que neste caso num assunto muito
mais grave.
Desde Passos
Coelho, furioso e malcriado na Assembleia, até ao passa-culpas do anterior
secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Paulo Núncio, até ao silêncio da
ex-ministra das Finanças que acha que não é nada com ela, todos estão a
tomar-nos por parvos. Afinal, a culpa foi dos serviços que não fizeram a
estatística devida, ou dos procedimentos informáticos, que, pelos vistos, foram
modernizados só para um dos lados do escalão de rendimentos, mas que parecem
funcionar muito mal no topo dos rendimentos, porque, tanto quanto eu saiba, não
foram os funcionários públicos, nem os reformados, nem os empregados do
comércio, nem os operários, nem os enfermeiros, nem os polícias, que colocaram
o dinheiro em offshores. Aliás, já não é a primeira vez que este tipo de implausibilidades
acontecem nas finanças do Governo PSD-CDS, como foi o caso da “lista VIP”, já
muito esquecido.
Mas há pior: o
secretário de Estado quer-nos convencer de algo muito mais grave: é de que não
deu por ela que lhe faltavam os números do dinheiro que ia para os offshores. Das duas,
uma: ou foi grossa negligência, ou preferiu olhar para o lado, visto que os
números eram incómodos para o Governo. Mas, mesmo que seja assim, de novo a
mera sensatez obriga-nos a considerar como absolutamente implausível que ele,
responsável pelo fisco, nunca se tenha perguntado, mesmo numa conversa casual: “Olhe lá, senhor director-geral, quanto
dinheiro está a sair do país para os offshores?”. E Passos e a ministra também nunca sentiram sequer
curiosidade sobre esse aspecto crucial da nossa economia, para verificarem que,
afinal, não havia a estatística?
Presumir que tenha sido
assim é tomar-nos por parvos, insisto. E eu não gosto.------------------------------------------------------------------------------
Nós também não!
Etiquetas:
offshores,
Pacheco Pereira,
Textos & Contextos
"Paraísos fiscais" - Textos e Contextos
Do quase-diário... para começar o dia:
(...)
,
(...)
Faça-se um breve balanço
(um balancete…) para desintoxicar a bílis…
&-----&-----&
Há um grupo de
comentadores que (há quem diga...) tenho a pachorra de ler, e que francamente me
irritam.
&-----&-----&
É que, se tenho essa
pachorra, é porque me informo com eles, porque informados do que se passa estão
eles, conhecem meandros e trucagens, e informam e comentam que se fartam, além
de participarem nesse jogo que Trump veio popularizar a que deram a designação
(esta sim, destes novos tempos trumpeanos) de factos alternativos.
&-----&-----&
Esse grupo de (a)gentes, não é de somenos importância e tem muita capacidade de penetração e de(s)informação - bem estimulado pela classe que serve - , vai de uma ponta a outra do leque
político-partidário (ou aparentemente apartidário) e tem elementos de real valia
no plano cultural, alguns escrevendo muito bem… o que mais úteis os tornará.
&-----&-----&
Também os há agressivos,
caceteiros, que servem para se atingirem outros alvos ou, até, para fazer
sobressair os que jogam nos tabuleiros de outros xadrezes e/ou damas.
&-----&-----&
Parece que muitos deles, em
meninos e moços (e moças), se viciaram no popular jogo do monopólio, vício que trouxeram para a idade adulta e os obnubila.
&-----&-----&
Entre eles (e elas), há os
que na adolescência passaram por fases de aproximação a outros tabuleiros e
jogos e, até, alguns dos que chamo “os órfãos da União Soviética” e que
passaram por um partido que, sendo português desde sempre e sempre, tomavam
como sucursal do que estimavam ser um modelo (que nunca foi!) e uma alternativa
(que é outra coisa!)
&-----&-----&
O capitalismo, na sua necessidade de
mudar para continuar o mesmo, oscila entre várias formas mas,
neste momento, quero reter-me na expressão de um capitalismo regulado, em que se procura de fazer coexistir uma
livre circulação de capitais com uma regula(menta)ção que controle, ou aparente
controlar, os excessos libertinos da liberdade de mercado.
&-----&-----&
Sim, porque ele há
burgueses e há burgueses e, às vezes (tantas vezes…), ele há burgueses que não
há mão invisível que os segure, pelo que convém dar a ideia que - no mínimo... - tudo está regulado, em regra, em estado de direito.
&-----&-----&
Depois, haverá a diferença
entre o legal e o ilegal… e já não se fala do ilegítimo, que isso é fala de um
outro mundo... e se abundam mundos entre os humanos!
&-----&-----&
Vem este relambório todo - para circuito mais ou menos privado (nalguma área teria eu de defender o
privado e a sua excelsa gestão) - a propósito de um escrito de um desses que se
ficaram, em idade adulta mas ainda jovens (pelo menos relativamente à esperança
de vida ao nascer), com sintomas de senilidade herdada dos verdes anos e suas
vivências, que os impede de ver que há outros mundos além da sua/deles Europa (que seria a União Europeia), dos seus euros, da sua NATO (indiferentes a para que foi e quando foi criada), do seu mundi(nh)o.
&-----&-----&
Não que sejam tontos ou
ignorantes, porque isso são os outros.
&-----&-----&
Tontos não são!, e se não
sabem alguma coisa (eles que tanto, ou quase tudo, sabem) é a quem servem.
&-----&-----&
(…)
&-----&-----&
Isto vinha publicado na
página 4 do caderno Economia do Expresso.
&-----&-----&
Como se fosse tonto
querer conhecer e discutir o que… é legal. É legal e pronto!, não se discute
&-----&-----&
Como se não fosse
exactamente isso que há que discutir, o quadro legal e regulador, e a sua
aplicação, que cobrem e justificam a não discussão do que importa discutir para transformar:
a relação social que faz com que a maioria das gentes tenha de apertar o cinto
até não haver furo, enquanto aumenta o número de uns poucos que (se) dispensam cinto e
dispõem de elásticos suspensórios com incrustações auríferas para lhes aguentar
as calças nas panças.
&-----&-----&
(e tudo está dito na
imagem literária garrettiana da quantidade de pobres que produzem um rico).
&-----&-----&
Na página seguinte àquela em que sai
a petulante prosa que se permite fundamentar-se num dito “senso comum da economia” de que os tontos e ignorantes estariam ausentes,
pode ler-se
Ah pois é!, mas é que é mesmo.
&-----&-----&
A culpa é sempre dos sub-sistemas informático, de informação,
de segurança, de justiça, prisionais, de limpeza e manutenção, a culpa é de todos
os sub-sistemas do sistema de relações sociais, que este cria e o vão sustentando.
sexta-feira, fevereiro 24, 2017
Última hora - os 10 000 000 000 de €uros
(...)
Comentar as intervenções, em “mundos” diferentes… (e diferentes do meu), de
Jorge Coelho, Lobo Xavier e Pacheco Pereira sobre escândalo de tal monta
(rendo-me à medida/escala do “mundos” deles) seria difícil a esta hora, mas aproveito o
foicebook:
E ouvi o programa Quadratura do círculo, dedicado ao caso
da “falha informática” na Autoridade Tributária, com rede apertadíssima para o
peixe miúdo e que nem rede teve para 10 mil milhões que se escaparam para
off-shores..
&-----&-----&
Comentar as intervenções, em “mundos” diferentes… (e diferentes do meu), de
Jorge Coelho, Lobo Xavier e Pacheco Pereira sobre escândalo de tal monta
(rendo-me à medida/escala do “mundos” deles) seria difícil a esta hora, mas aproveito o
foicebook:
22 de fevereiro de 2017
18. 338 milhões de euros
Saíram uns milhões para paraísos fiscais e Maria Luís, Passos
& Portas assobiam para o lado! Há grande preocupação! Agitam se as
águas . O debate já não é sobre se Centeno se escreve com um C curvo
ou com um C cedilhado! O PR diz que é necessário investigar. Mas se o PR está
mesmo preocupado (…) Talvez seja também de lhe lembrar, se o "estou preocupado"
é para levar a sério, que (…) só entre 2011 e 2015, com a intensificação das privatizações
saíram do país em dividendos e lucros 18.339 milhões euros.
Fartai vilanagem !
quarta-feira, abril 20, 2016
Offshores ou borda fora
Pergunta(-me)
o Nicolau Santos, como leitor da sua página Cem por Cento do caderno Economia
do Expresso, se tenho dinheiro para estar num offshore.
E a anteceder o curto texto. interessante por pedagógico sobre assunto que tanta tinta
tem feito gastar e tanta voz enrouquecer – tantos aparentemente esquecidos (ou distraídos…) de muitas e oportunas referências e denúncias relativas ao tema
–, tem uma abertura que dá que pensar:
Dá que pensar e tem que se lhe diga porque parte de pressupostos que não são todos de pressupor, ou de pressupor para todos:
- que "toda a gente" não pensa noutra coisa que não seja "colocar o seu dinheiro" (tenha-o ou não);
- que essa obsessiva pré-ocupação se consuma/consome na procura de saber onde é que menos lhe retirariam parte do "conquistado" - com o suor do seu rosto ou à custa do suor dos outros - em confronto com o Estado e banca residente para cumprirem as suas funções, supostamente democrática e constitucionalmente estipuladas;
- ou, dito doutra maneira, para onde é que pode escapulir-se para fugir ás obrigações que, como cidadão com virtuais direitos, foi decidido que seriam as suas por dispor de dinheiro;
- não há destrinça entre Estado (pelos impostos) e sistema bancário (pelas comissões por nos guardar o dinheirinho de quem o tem para depositar)
É claro que
i) sendo esses os pressupostos - esclarecendo melhor o nº 4: estando o Estado condicionado pela sujeição aos interesses da banca transnacional,
ii) inundados de exemplos "vindos de cima", de gente de su(gue)cesso
iii) feitas as contas:
então porque é que não colocamos todos o nosso dinheiro em offshores?
A resposta, no texto de NS, é interessante e pedagógica mostrando que os offshores foram criados só para alguns. Para os que os criaram num sistema de relações sociais chamado capitalismo, em que há os alguns e os outros, outros que se pretende fazer sonhar virem a ser... alguns! Mas, daí a falsidade dos pressupostos
- "toda a gente"... ´nunca é toda a gente e, neste caso concreto, há quem não pense só em como colocar o seu dinheiro (tenha-o o ou não) onde renda mais;
- "roubar o Estado", sendo ele democrático por pequeno que seja e por pequena que seja a democracia... é roubar!
- dito de outra maneira (português suave...) contribuir para a diminuição das receitas do Estado, tal como democraticamente orçamentadas é coartá-lo na capacidade de cumprir as suas funções sociais constitucionalizadas;
- o Estado só tem uns laivos de democracia (aqui entra a correlação de forças) se não estiver ao serviço apenas de os alguns, iludindo os outros com a miragem de toda a gente ser como alguns.
- adulterando um pouco Gil Vicente: toda a gente é ninguém!
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