- Enquanto o País está como que surpreendido (quase assustado depois de tudo o que lhe tem acontecido), tanto que nem sequer o Europeu de futebol consegue ser a desejada e tão promovida diversão;
- enquanto o relato do jogo com os checos foi ouvido, por tantos portugueses, em desesperantes filas para bombas de abastecimento de combustível;
- enquanto a acção dos pequenos empresários do transporte de mercadorias (grande parte deles também motoristas) revela um nível de mobilização, de organização, de unidade que se diria inesperada;
- enquanto esta acção que quase parou o País, e que ameaça continuar, parece estar totalmente dessincronizada das actividades da associação Antram que, em parte pelo menos, os deveria representar;
- enquanto o governo parece ter tudo apostado nas negociações com a Antram e - ao que parece... - confia que vai acordar destes pesadelos e voltar aos “sonhos cor de rosa”;
- enquanto, da Assembleia da República, a televisão nos dá imagem e som dos partidos que não fazem parte do “centrão” a tomarem posição, e a exigir posição do governo ausente e mal representado pelo grupo parlamentar do PS;
- enquanto o PCP divulga a sua posição, e insiste em medidas claras, mínimas e urgentes que tem vindo a propor – aplicação do gasóleo profissional a este sector do transporte de mercadorias, e a criação de um imposto extraordinário sobre lucros das petrolíferas com origem no efeito de stock, a cobrar trimestralmente e destinado a suportar medidas de apoio às empresas;
- enquanto toda esta complexa situação, já com lamentáveis e dramáticos acontecimentos, e com perspectivas tão sombrias, fere um silêncio ensurdecedor da parte do governo…
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(tudo isto é o que me parece depois de ouvir noticiários!)













Com as vítimas do costume e os culpados de sempre, que nem arguidos se consentem assumir.





gravura de José Dias Coelho,
No entanto, é essencial sublinhar que a previsão e prevenção não resulta de dotes de adivinhação, mas da procura de quais as dinâmicas sociais e económicas e de ultrapassar as meras previsões feitas hoje para dizer como vai ser amanhã. Feitas sempre, sublinhe-se, não para melhor preparar o futuro mas para instrumentalizar político-partidariamente as previsões. Depois, os comentadores encartados, ao escreverem que “cortar a previsão do crescimento em quase um terço (31,8%), passando-a de 2,2% para 1,5% é brutal (…)” têm todo o cuidado em não beliscar as reputações, para que tanto eles próprios construíram, dos que erram sistematicamente as previsões, e fazem de conta que ignoram que o que hoje dizem foi, repito, previsto e prevenido por outros, e continuam a (van)glorificar os que estão sempre a prevaricar no erro. Decerto porque sabem que não se tratou de erro mas de manipulação, de utilização de números para… “enganar o pessoal”.








