quarta-feira, março 26, 2014

Sobre a renegociação da dívida - a iniciativa na A da R

nos dias de agora:

(...)

Se resumisse a iniciativa (e vou fazê-lo também em intenção do anónimo) diria que foi oportuníssima, embora me pareça que alguns camaradas não sabem muito bem como lidar com o manifesto dos 70…

(...)

Tomei umas notas – aprender, aprender sempre – e estive quase tentado a entrar no debate… mas não o fiz.

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Parecia-me indispensável reforçar a abordagem que focalizasse a crise do capitalismo e a questão vital da correlação de forças na luta de classes, ou melhor: das correlações de forças no plano planetário, com regresso ao Atlântico, à União Europeia, à Ibéria, a Portugal, à Assembleia da República.

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 Mas seria uma demasiado longa viagem para tão curto tempo!

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De qualquer modo, olhando para as notas, tenho lá escrito:
·        Crise… do capitalismo, multi-espacial e multi-facetada
·        A denúncia do carácter estratégico do que se apresenta como erro e se “demagogiza”
·        As características variáveis estratégicas – o desemprego, a dívida

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Se tivesse tempo – que nunca poderia ter numa iniciativa como aquela – socorrer-me-ia da que está a ser a minha “bengala” do momento.

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Do Bento de Jesus Caraça. Assim:
·        Pág.17 – Dá-se antão o choque, o qual, mais ou menos volento conforme a questão debatida, interessa em maior ou menos grau os fundamentos da estrutura existente, e nesse choque as força dividem-se em dois campos: o daqueles que querem conservar, ou melhor, fazer sobreviver a si mesmo, um organismo condenado, e o dos que, tomando como lema a nova idea, pretendem ascender, impondo formas novas. O poder revolucionário duma idea mede-se portanto pelo grau em que ela interpreta as aspirações gerais, dadas as circunstâncias do momento em que actua.
·        Pág. 25 – O homem escravo da coisa – eis a grande condenação moral, do regime social contemporâneo (e insisto eu em actualizar: o ser humano escravo da representação imaterializada - o dinheiro - da coisa)
·        Pág, 31 - Eis a grande tarefa que está posta, com toda a sua simplicidade crua, à nossa geração – despertar a alma colectiva das massas.

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E por aí fora... até porque é inesgotável!

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Para além de iniciativas destas (muito necessárias e úteis), importaria fazer acções de formação (ideológica!) para que não houvesse (tantas) dúvidas sobre o que é a dívida externa, a diferença entre dívida pública e dívida privada (porquê e como se nacionaliza esta, fazendo com que o público-os trabalhadores-de hoje-ou-de-ontem paguem o que foi privadamente pedido emprestado, em parte para "emprestar ao público”...), se há ou não dívida ilegítima… e aí estou eu a “meter o Rossio na Betesga”, como ontem nem tentei fazer porque não era, nem o momento, nem o sítio.

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Trouxe trabalho para casa..






de 1974

A renegociação da dívida

Ontem, na Biblioteca da Assembleia da República. Com o esperado (des)relevo e desvelo (ou quase sem vê-lo...)! 
Mas justificando muita divulgação e muita reflexão.




Jerónimo de Sousa: 
"tratado orçamental faz parte 
do reino do delírio"

O PCP vai apresentar nos próximos dias, no Parlamento, uma proposta que defende a renegociação da dívida. O secretário-geral comunista considera que o atual caminho financeiro do país é insustentável. Jerónimo de Sousa insiste que as metas do tratado orçamental são impossíveis de cumprir.

segunda-feira, março 24, 2014

Reunião do CC do PCP



Conferência de Imprensa, Jerónimo de Sousa, Secretário-Geral

Sobre a reunião 

do Comité Central do PCP


O Comité Central, reafirma que o País, ao contrário do apregoado e propagandeado pelo governo, segue um rumo de desastre económico e social a que urge pôr termo.
Três anos depois da imposição pelas troikas nacional e estrangeira do Pacto de Agressão, a realidade aí está, a revelar em toda a sua dramática extensão um País mais dependente e diminuído na sua soberania, sem condições de crescimento económico sustentado e marcado por crescentes desigualdades e injustiças sociais.
Uma realidade que vai ao arrepio do inventado “milagre económico” e que se traduz na liquidação de importantes direitos, no aumento da exploração, na destruição massiva de emprego e no empobrecimento e destruição das condições de vida de milhões de portugueses.
A efabulação de uma “saída limpa”, ou da retórica sobre a libertação do País da condição de “protectorado”, tem por objectivo esconder dos portugueses o projecto de manter Portugal amarrado à actual situação de dependência, por via dos mesmos ou de outros instrumentos de dominação da União Europeia, designadamente por via do Tratado Orçamental que une PS e governo.
Em nome da consolidação orçamental e da confiança dos “mercados”, com tais manobras e mistificações, ambicionam poder perpetuar a exploração, a redução dos salários, a liquidação dos direitos à saúde, à protecção social e à educação.
A proclamação por altos responsáveis do PSD de que o «País está melhor a vida dos portugueses é que não», é reveladora do desprezo pelas condições de vida dos trabalhadores e do povo, e da natureza de uma política de exploração e agravamento das desigualdades e injustiças.
Uma política de esbulho dos rendimentos dos trabalhadores e dos reformados, de saque às famílias e aos micro, pequenos e médios empresários, de degradação das funções sociais do Estado presentes no Orçamento de Estado para 2014 que conheceu novas medidas de penalização com as propostas de aumento da “Contribuição Especial de Solidariedade” e dos descontos para a ADSE que constituirão uma nova redução nos rendimentos de centenas de milhares de portugueses, e vê já anunciados novos e inaceitáveis cortes para 2015.
Uma política que favorece e incentiva a manutenção de privilégios ao grande capital como o testemunha o escandaloso volume de benefícios fiscais concedidos aos grupos económicos, a redução do IRC que, a par da impunidade patente na prescrição de responsabilidades financeiras de milhões de euros devidas por banqueiros ao Estado, é parte do processo de polarização da riqueza e da fortuna de alguns poucos.
O PCP alerta para o caminho sem saída e de condenação à perpetuação do País à dependência, e do povo ao empobrecimento que está a ser imposto. Um caminho assente nos projectos para tornar definitivos os cortes de salários, pensões e apoios sociais que apresentaram como temporários; a promoção da precariedade, a redução de salários, a facilitação dos despedimentos e fragilização da contratação colectiva; no ataque ao direito à reforma; aos serviços públicos e funções sociais do Estado; no estrangulamento da actividade dos pequenos e médios empresários e agricultores e na alteração à Lei dos Baldios. Um caminho assente na alienação da capacidade produtiva, de sectores estratégicos, por via do processo de privatizações, e na submissão do País ao garrote de uma dívida que compromete a soberania, impede o crescimento económico e degrada as condições de vida dos portugueses.
Reafirma-se mais uma vez que, perante uma dívida insustentável, a renegociação da dívida – dos seus prazos, juros e montantes se assume como uma urgente e patriótica atitude para assegurar o direito de Portugal a um desenvolvimento soberano e independente.
Uma vez mais, o PCP reafirma a sua convicção de que não há saída, nem “cautelar” nem “limpa”, para os problemas nacionais, sem a renegociação da dívida e a ruptura com o actual rumo da política de direita.
Num momento em que sobre os trabalhadores e o povo recaem não só as consequências de uma política de saque e rapina, sobre os seus rendimentos, mas também o anúncio de que essa política seria para prosseguir e acentuar por longos anos, reafirma-se a imperiosa necessidade da demissão do governo e da convocação de eleições legislativas antecipadas.
Por outro lado, chama-se a atenção para a atitude do PS que, para lá desta ou daquela afirmação, não só decidiu conceder todo o tempo de vida ao governo, como colabora e converge com o Governo em matérias tão estruturantes quanto as da reforma do IRC para servir o grande capital, como também o acompanha no objectivo de não repor o nível de salários e pensões entretanto cortados.
Neste quadro, mais uma vez se sublinha a importância e dimensão da luta dos trabalhadores e do povo enquanto condição para a defesa de direitos e para a derrota deste governo e da política de direita.
No ano em que se assinalam os 40 anos da Revolução de Abril, o Comité Central salienta a importância das comemorações populares enquanto momento de afirmação dos valores de Abril, das suas conquistas e realizações, e apela a todas as suas organizações e militantes para que façam, do conjunto de iniciativas a promover este ano, um elemento de projecção do que eles representam de sustentação de uma política alternativa, patriótica e de esquerda.
Também as jornadas comemorativas do 1º de Maio devem constituir uma poderosa afirmação dos trabalhadores, em defesa dos seus direitos e de exigência da demissão do governo e condenação da política de direita.

O Comité Central procedendo à avaliação do trabalho de preparação das eleições para o Parlamento Europeu considera que o reforço da CDU nas eleições do próximo dia 25 de Maio, designadamente da sua votação e do número de deputados, constitui um factor essencial para conduzir à demissão do governo e à convocação de eleições antecipadas.
Denuncia as manobras em desenvolvimento, por parte de PS e da coligação PSD/CDS, para iludir a ampla identidade de posições quanto aos instrumentos de dominação da União Europeia, para amarrar Portugal à dependência como se vê no recente aplauso de ambos à União Bancária que dá mais uma machadada na nossa soberania e o esforço que tais forças desenvolvem para ocultar dos portugueses as suas responsabilidades por anos e governos sucessivos de política de direita.
Com um percurso único e coerente na defesa dos interesses nacionais, a candidatura da CDU apresenta-se ao País como a candidatura verdadeiramente patriótica e de esquerda.
A candidatura que, ao contrário de PS, PSD e CDS, rejeita as tentativas de condenação do País à exploração e empobrecimento, seja por via do pretexto da consolidação orçamental, seja por atrelagem aos interesses dos “mercados” e que assume, sem rodeios, que não é possível defender sólida e coerentemente os interesses nacionais sem mudar de política em Portugal.
A candidatura que rejeita e denuncia a propaganda sobre a «mais Europa» para justificar o aprofundamento do federalismo e o que ele significa de alienação de independência e subordinação dos povos e dos seus direitos aos interesses dos que comandam o processo de integração capitalista europeu.
No quadro de acrescidas exigências da actual situação política, reafirma e aponta orientações e tarefas prioritárias para o futuro próximo, entre as quais: o estímulo ao desenvolvimento da luta de massas em que se destacam as comemorações do 40º aniversário do 25 de Abril e a grande jornada nacional do 1º Maio, promovida pela CGTP-IN.; a dinamização da intervenção política sobre o eixo essencial da demissão do governo e da afirmação duma política e de um governo patriótico e de esquerda; a realização, nos dias 2, 3 e 4 de Maio, de uma grande jornada nacional da CDU e a promoção de uma intensa, alargada e profunda acção de esclarecimento e mobilização para o voto na CDU nas eleições para o Parlamento Europeu de 25 de Maio; o trabalho de preparação da 38ª Festa do Avante que se realizará nos dias 5, 6 e 7 de Setembro de 2014 e a concretização das orientações do XIX Congresso expressas na Resolução do Comité Central “Mais organização, mais intervenção, maior influência – um PCP mais forte”.

Breve, directa e certeira

No Público de hoje

"A crise da Europa" de Abel Salazar, em 1942!

Serão fracos os frutos, mas vêm de dentro, da seiva que vai correndo e se alimenta da experiência (da própria e, sobretudo, da dos/as outros/as pelos séculos dos séculos).
Este é o último, de uma série que, sendo de "produção independente", tem a enorme ambição de ser útil ("comestível"), de desmistificar uma União Europeia em crise, porque o capitalismo o está, que não é a Europa, que já nos anos 30 em crise estava, porque o capitalismo já então o estava.
Divulgar esta reflexão de Abel Salazar tem sido uma tarefa. Porque, como reflexão lúcida e comprometida, se estima que é de grande préstimo para o futuro que se constrói no presente e conhecendo o passado, "lendo" o processo histórico, os caminhos dos seres humanos no meio, e pelo meio, de que são parte. Nas relações sociais que entre si engendram, que na pré-História da Humanidade é de luta de classes.





















Este é o último fruto desta já "velha árvore", 
esperando que não seja o último... 
Alguns o acharão despiciendo, 
quiçá até portador de bicho ou outra peçonha. 
Se tiver um leitor, e ele 
(ou um outro... o que já daria dois leitores!) 
o comentar e criticar 
cumpriu a sua missão.

Atropelos...

Loures na linha da frente 

contra privatização da Valorsul

A Câmara Municpal de Loures promoveu uma conferência de imprensa, onde Bernardino Soares, presidente da autarquia, no âmbito da promulgação do decreto-lei referente à privatização da Valorsul levada a cabo pelo Presidente da República,   referiu que “Foi hoje (dia 20 de Março) publicado o decreto-lei sobre a privatização da Valorsul e é um facto inaceitável que, em plena greve, o Presidente da República tenha avançado com a promulgação”.

 “O governo está acossado com este processo e sabe que todos os intervenientes estão contra si, até Câmaras do seu partido. Como tal, quer fazer andar esta situação o mais rápido possível”. Bernardino Soares anunciou que a Câmara Municipal de Loures tudo irá fazer dar “combate político a esta situação, unindo forças com os restantes municípios que são abrangidos pelos serviços da Valorsul”. Anunciou ainda uma ação jurídica que a Câmara Municipal de Loures irá intentar contra toda esta situação e que “se o Governo tiver, ainda, um pingo de respeito por todas as entidades envolvidas pode anular todo este processo sem encargos financeiros nem consequências jurídicas”.

Atropelos...
em que vão tropeçando
até cairem!

No regresso de uma festa de aniversário - em MORA, do SEU FLUVIÁRIO-3

(...)

6. Trata-se, ou deveria tratar-se, de corresponder à Constituição da República Portuguesa que, no art. 9º da Constituição, sobre as tarefas fundamentais do Estado. em que na alínea d) (já emendada e remendada) ainda está a promoção do bem-estar e da qualidade de vida do povo e, na alínea e) (novo ou acrescentado na revisão de 1982) está a protecção e valorização do património cultural do povo português.
E o Título III (Direitos e deveres económicos e sociais) da Parte I (Direitos e deveres fundamentais) tem um capítulo III com a designação direitos e deveres culturais – O Estado promove a democratização da cultura, incentivando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural… (art.73.3 também emendado e remendado… mas vigente)
Haverá, talvez, quem julgue ser despropositada tanta citação, e particularmente “desta coisa” chamada Constituição da República Portuguesa, posta de quarentena ou permanentemente agredida porque “essa coisa” da Constituição não é compatível ou não pode prevalecer sobre o “esforço heróico” (…) para sanear as finanças públicas à custa sacrifício de todos (como dizem e insistem), embora desse sacrifício de quase todos (digo eu) esteja a resultar, como se vê (e sente!), o agravamento… das finanças públicas. Entre outros aspectos de somenos, como o nível de vida económico e cultural das populações
Será ela, essa Constituição e os valores que há 38 anos ela consagrou o que há 40, a 25 de Abril se começou a conquistar, tudo isto um sonho lindo?
Como sonho lindo foi este fluviário há 13 anos! E hoje assinalamos esta linda realidade. Com enormes dificuldades, fruto e realidade preservada porque também realidade o agredido Poder Local. 


7. Como sonho lindo foi, em 2001, este fluviário! A que Mora deu o nome e retribui dando nome a Mora. E hoje assinalamos o 7º aniversário desta linda realidade. Com enormes dificuldades, fruto e realidade preservada porque também realidade o agredido Poder Local (que, aqui, em boas mãos estava e em boas mãos continua... o que incomoda outros poderes)..
Falei de dificuldades.
Olhei para o site do fluviário.
Com “olho clínico”, de economista (embora reformado e, parece…, deformado, neste tempo de financeiros… e maus!).
Pedi actualizações relativas a 2014.
Tudo me foi facultado, com toda a transparência apesar das manigâncias contabilísticas gerais que a lei impõe, e mais servem para esconder que para revelar, levando ao exercício, pelos poderosos, de conta habilidades e prescrições…
Adiante.
Preocupa-me, sobretudo, a tendência de queda de visitantes (que parece em inversão!). Como decerto, e sobretudo, a todos vós.
Em tempo de austeridade não há lugar para a cultura porque nem as necessidades elementares estão a salvo. Não se visitam museus e fluviários, do ataque ao Poder Local faz parte a dificultação ou até impossibilidade de meios (de viaturas e recursos humanos que traziam escolas a Mora), pouco sobra para publicidade (gosto mais de… promoção), não há subsídios, patrocínios, incentivos. Só se a cultura for uma mercadoria e das que que dão lucro e, por isso, pedem aspas a ornamentar a palavra…
É um ciclo infernal, é um círculo de desculturização (não de aculturação, a não ser que se dê ao prefixo a o significado de negação, sendo, portanto a negação da cultura ção), é, também, um circo de fausto desavergonhado com migalhas de caridade e de mecenato.

8. Mas de sonhos lindos é feito o futuro, ao realizá-los cumprindo, cada um e todos, a nossa tarefa.
Que é. com toda a sua simplicidade crua – a de despertar a alma colectiva das massas. De que somos e que também somos.
E antes de terminar, ou de passar ao colóquio (como desejo)…, permitam-me que vos conte uma história por mim vivida quando, em tarefa de deputado no Parlamento Europeu, estava a apanhar sol e a ler umas coisas, no intervalo de uma reunião em Budapeste.
(Contar – já coloquialmente – a história de um ancião que se me dirigiu, em línguas sucessivas até eu entender que me pedia uns “trocos” para poder ir mostrar ao neto, com quem vinha de mãos dadas, o museu ali ao lado, museu de que ele tanto gostava e que, antigamente (disse ele...), era de livre acesso e que, agora, tinha entrada paga para que ele deixara de ter meios.)

É para mim, o retrato perfeito da cultura em austeridade:
Pedir esmola para mostrar um museu ao neto!
ou

O passado, no presente de austeridade, a pedir entre-ajuda para se abrirem as portas da cultura ao futuro. Para que este o possa ser!
Vamos conversar?

Convite (aceite!)



domingo, março 23, 2014

Para este domingo


o cante...
sempre ouvid(st)o emocionado!

No regresso de uma festa de aniversário - em MORA, do SEU FLUVIÁRIO-2

(...)
4. Sobretudo A Cultura Integral do Indivíduo, de Bento de Jesus Caraça, que considero um dos livros-fundadores/formadores, e de que transcrevo alguns trechos, com breves comentários.



“(…) em todas as épocas de transformação nas relações sociais  se encontram sempre pessoas a quem os acontecimentos surpreendem e que até ao fim negam aquilo que é a própria evidência.” (pg. 16)

"O caminho seguido não é direito e fácil, é antes um caminho tortuoso, sempre ascendente (…)” (pg. 20)

O homem escravo da coisa  (hoje diria: o ser humano escravo da representação imaterializada - o dinheiro - da coisa) eis a grande condenação, no campo moral, do regime social contemporâneo.” (pg. 25)

“(…) Poucas questões há que tenham sido tam mal posta como esta do nacionalismo e isso não admira, pois foram sempre as água turvas o ambiente propício para as manobras de certos pescadores (depois de ter advertido que assim é) por aqueles para quem a Pátria é um balcão de compra e venda(…)” (pg. 29)

"Eis a grande tarefa que está posta, com toda a sua simplicidade crua, a nossa geração – despertar a alma colectiva das massas.
(pag. 31)

O que é o homem culto? É aquele que
1º. Tem consciência da sua posição no cosmos e, em particular, na sociedade a que pertence;
2º - Tem consciência da sua personalidade e da dignidade que é inerente â existência como ser humano;
3º - Faz do aperfeiçoamento do seu ser interior a preocupação máxima e fim último da vida.
Ser-se culto não implica ser-se sábio; há sábios que não são homens cultos e homens cultos que não são sábios; mas o que ser culto implica, é um certo grau de saber, aquele precisamente que fornece uma base mínima para a satisfação das três condições enunciadas (trata-se, enfim) do desenvolvimento sempre crescente de todas as suas qualidades potenciais, consideradas do quádruplo ponto de vista físico, intelectual, moral artístico; significa, numa palavra, conquista da liberdade (tempo livre, lazer, cultura versus desemprego) .” (pg. 35/36)

5. Alguns dados (não muitos) sobre o O.E. para 2014 e a dotação da cultura
        menos de 200 milhões de €
        ligeira subida em relação a 2013 - fim QREN e novo quadro
        total de receita O.E. de 36 mil milhões 
        despesa total do Estado de 76 mil milhões
        0,55% e 0,26%, respectivamente
        quebras significativas - 
        Cinemateca, Instituto Cinema e Audiovisual, 
        D-G Património Cultural
        maior controlo político-partidário, menor apoio, cultura como  mercadoria (e exportação)
        
(...)

sábado, março 22, 2014

No regresso de uma festa de aniversário - em MORA, do SEU FLUVIÁRIO-1

Regressámos, agora mesmo, de quase 400 quilómetros para ir ajudar a apagar as simbólicas velas de um bolo de aniversário. Do 7º aniversário do fluviário de Mora, essa realização de um sonho que o Poder Local concretizou, porque estava (e está) em boas mãos, e para que me convidaram como animador de um colóquio integrado na assinalação do feito. Que feito é!
Propuseram-me o tema e procurei cumprir o tempo que me destinaram, depois de uma visita de actualização (ah! as lontras mudaram de residência e aumentaram a família... e o resto), e a anteceder outras intervenções e a entrega do prémio ao investigador do ano (que foram dois).
Vou aqui registar o guião que preparei para tentar não me perder. Em 3 ou 4 "posts".

1. Agradecer o convite para aqui vir assinalar, convosco, o 7º aniversário do fluviário.
O convite começou por me assustar por me terem falado em conferência ou palestra… depois acalmei quando de passou a chamar colóquio.
Embora o tema seja de susto!
Vamos então conversar ou procurar introduzir uma conversa e uma reflexão sobre cultura em austeridade.

2. Austeridade e Cultura
A cultura em tempo de dita austeridade     
A austeridade como “solução”
        De quê, para quê?
A austeridade como forma de controlar o presente procurando que se esqueça como aqui se chegou.
É uma aparente proposta (mas) inquestionável de resolver as consequências de desvarios, ignorando as causas, ou anatematizando “causadores”… que são sempre ou outros, os anteriores, como no barbeiro a que se vai de novo, e que começa sempre por dizer que o anterior cortou mal o nosso cabelo (desculparão, mas esta imagem do corte de cabelo é deles, dos financeiros empedernidos…)
        Mas… austeridade para quem?
Georges Orwell  (em 1984)à “Who controls the past controls the future: who controls the present controls the past.”
Mas… recue-se ao genético e ao processo histórico
As necessidades do ser humano
        Primárias (de animais que somos)
        Humanas (sociais, de tempo livre, culturais)
E assim chegaríamos ao outro tema-palavra, à cultura.

3. Assim teríamos chegado à cultura
Teríamos chegado... ou ela acompanha-nos - sempre! - neste processo?
neste caminho sempre cheio de escolhos, tortuoso, por vezes com dois passos a trás depois de um passo em frente, mas sempre tendencialmente ascendente.
É a totalização da experiência, citando Abel Salazar em A crise da Europa, de 1942.
Já em citações, refiro os "livros-bengala" que fui buscar à estante para me apoiarem neste regresso às reflexões sobre cultura.
       Balades dans la culture (avec arrets frequents chez les travailleurs), de Guy Konopnicki,1978
       Culture, personalité et societés, de Gérard Belloin, de 1973 (referência ao O.E. francês de então)
e
    A Culura Integral do Indivíduo (problema central do nosso tempo, de Bento de Jesus Caraça, (conferência de 1933, publicada em 1939)  

Convite(s)



sexta-feira, março 21, 2014

quinta-feira, março 20, 2014

O anúncio do já anunciado

Com alguma pompa e muita circunstância foi sendo anunciado que o Presidente da República viria fazer uma "comunicação ao País". Claro que o País, conhecedor do PdaR que tem, não parou. E ele veio, não disse boa noite, disse umas coisas... e foi-se. Depois, os partido com assento na Assembleia da República comentaram, como é de norma.
E que disse ele? Que as eleições para o Parlamento Europeu serão a 25 de Maio! E falou (oralmente, claro), dizendo as tais coisas que alguém vindo de Sirius ou regressado de uma grande viagem (no tempo) julgaria estar a ouvir não o PdaR mas o Conselheiro Acácio (Cavaco Silva?, são estes os apelidos?).
Assim o trataram as 1ªs páginas dos jornais de hoje, ou nada dizendo, ou remetendo-o para canto (inferior direito).



Inócuo o que ele disse, e mais que dispensável o tão dispendioso aparato antecedente e envolvente?
Como tal o julgaria quem não o conhecesse, e ao seu passado, quer de primeiro ministro, quer de antes, quer de antes de depois do adeus.
Ele não está ali por acaso, nem fala assim por acaso.  É aquilo, e assim cumpre o seu papel.

5ª feira, avante! e no caminho certo

Capa N.º 2103
 

quarta-feira, março 19, 2014

Ao princípio era um sonho...

... em Mora


























... que nasceu a 11 de Fevereiro de 2001
e se cumpriu a 21 de Março de 2007!
E que belo foi o sonho... 
e é a sua realização!


Vem mesmo a propósito




(obrigado, Cid!)

10!

Acho esta óptima (salvo seja!).
(Obrigado, Manuela, por m'a teres dado a conhecer.)

e, já agora,
sr.mini stro,
não podia fazer com que 
todos os meses fossem Fevereiro?
sempre era uma ajudinha...

O sentido das palavras

PCP 

Seguro está numa 

"contradição insanável", 

diz Jerónimo

O secretário-geral do PCP afirmou hoje que o líder socialista está numa "contradição insanável", comentando o encontro da véspera entre António José Seguro e o primeiro-ministro e presidente social-democrata, Passos Coelho.

Seguro está numa contradição insanável, diz Jerónimo
19:15 - 18 de Março de 2014 | Por

Passos Coelho convocara Seguro para um encontro, que durou três horas, na residência oficial do Chefe do Governo, em São Bento, e o líder do maior partido da oposição garantiu existirem "divergências insanáveis" relativamente à estratégia orçamental para o país.
"Era bom que explicitassem como querem resolver este problema de estarem com as medidas que condicionam a nossa soberania orçamental e, depois, dizem que há divergências com o Governo, que também está de acordo com esses parâmetros e regras que nos espartilham", continuou o líder comunista.
Para Jerónimo de Sousa, "não ficou claro, nessa conversa longa, onde se entendem e onde se desentendem".
"Uma coisa percebemos, o PS quer ser Governo. Não sabemos é que política defende. Há divergências insanáveis em quê? Por exemplo, no Tratado Orçamental? Estamos condicionados por esses instrumentos que o PS também aprovou", disse.

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Há "modas" linguísticas
que contrariam o sentido das palavras.
Havia uma contradição evidente com a palavra irrevogável,
agora há outra contradição também evidente, também gritante
- insanável!
E temos os irrevogáveis que (se) revogam
e os insanáveis que (se) vão saneando.
Tudo isto parece irrevogavelmente insano.
Tem de ser revogado em nome da sanidade.

terça-feira, março 18, 2014

Indignação e pára-raios

Como diria um velho professor de contabilidade (quando eu era jovem...) "campeia infrene a maior indignação" (ele dizia indisciplina...). 
Não há quem não se indigne com as prescrições relativamente a actos e práticas relativamente a crimes económicos, puníveis pela lei. E tantos são os indignados que alguns deles o estão por arrastamento, por não poderem deixar de estar ao ser tão gritante o motivo da indignação.
É lá possível que quem tem dinheiro para pagar milhares a advogados bons (!) consiga adiamentos e toda a espécie de dilações,  de falsos divórcios e outras manigâncias, de mais isto e mais aquilo? Pode lá aceitar-se que a justiça perca o prazo de validade, e os que criminosos fiquem ainda com umas centenas de milhares - que até são milhões...-, em resultado das falcatruas em que se meteram, ou seja, que meteram ao bolso.
Este será o sentir comum. É a indignação à flor da pele, e aumentada por nos quererem fazer passar por pequenos criminosos económicos que gastámos acima das nossas possibilidades, que tivemos saúde demasiada, educação a baixo custo, transportes públicos a darem prejuízo, e etc., e etc., e tenhamos, agora, que o pagar com língua de palmo e os bofes na boca.

Pois acho que estamos errados quando insistimos em dar nomes ao que nos indigna (e faz alguns mimarem indignação).
É verdade que faltam por aí umas carradas de vergonha, mas lembro um filme da minha juventude que tinha o título traficado em português de "a esperança nunca morre" quando nunca esqueci o título original: "the singer, not the song".
Pois agora é o contrário, é "the song, not the singer". Quais Oliveira Costa, Duarte Lima, Dias Loureiro, Jardim Gonçalves, aquele banqueiro que disse que aguentávamos, sim senhor (não é crime punível dizer isto enquanto se arrecadam milhões e se coloca a família bem colocadinha em assessorias do aparelho do Estado?) e tantos outros "tenores", que, em comparação com as massas que somos até poucos são!
O que importa combater é a "canção", e impedir que os "cantores" nos distraiam e sirvam de pára-raios enquanto a cantiga (e a trovoada) continua.
Os que abusaram, os que se excederam, os que atraem a justa indignação, até podem, perversamente, ser muito úteis para que nos distraiamos do sistema corrupto e desumano que cria os corvos (e eles te comerão os olhos..), e que funciona como se os abusadores é que tivessem a culpa de tudo, e o que nos indigna seja que não tenham punição pelos desmandos. E por aí nos fiquemos.

segunda-feira, março 17, 2014

Venezuela - querendo repetir-se a História...



Inés Guzmán:
«Caracas, 14 mar (EFE).- O governo da Venezuela voltou a colocar nesta sexta-feira no centro de suas críticas os Estados Unidos, para acusá-los de aprovar a violência nos protestos que explodiram há um mês, em um dia em que as manifestações perderam intensidade em praticamente todo o país.
O presidente, Nicolás Maduro, e o chanceler, Elías Jaua, atacaram o governo de Barack Obama em geral e o secretário de Estado, John Kerry, em particular, depois que nas últimas jornadas se tivessem repetido as críticas de funcionários nesse país e enquanto o Congresso americano estuda sanções contra o país sul-americano.
"Os Estados Unidos assumiram a liderança aberta da derrocada do governo da Venezuela, assim é, o governo dos EUA neste momento é refém das políticas do lobby republicano e do lobby de direita de Miami", disse Maduro em entrevista coletiva.
O presidente acrescentou que é "evidente" a participação dos Estados Unidos porque "há um sem número de declarações de ameaças de sanções de ameaças de intervenção, houve lobby como não se via há não sei quanto tempo".
Pouco antes, o chanceler venezuelano, Elías Jaua, responsabilizou diretamente Kerry como o "principal encorajador da violência" no país, chamando-lhe de "assassino" do povo venezuelano.

"Não vamos baixar o tom, denunciamos o senhor como assassino do povo venezuelano, o senhor Kerry, não vamos baixar o tom a nenhum império até que vocês não ordenem a seus lacaios na Venezuela cessar a violência contra o povo", disse Jaua de forma dura em um ato de homenagem ao falecido líder Hugo Chávez.»

domingo, março 16, 2014

Vem a caminho!


Para este domingo




Poema de Carlos de Oliveira

"Terra Pátria serás nossa,
Mais este sol que te cobre,
Serás nossa,
Mãe pobre de gente pobre.

O vento da nossa fúria
Queime as searas roubadas;
E na noite dos ladrões
Haja frio, morte e espadas.

Terra Pátria serás nossa
Mais os vinhedos e os milhos,
Serás nossa,
Mãe que não esquece os filhos.

Com morte, espadas e frio,
Se a vida te não remir,
Faremos da nossa carne
As seraras do porvir.

Terra Pátria serás nossa,
Livre e descoberta enfim,
Serás nossa,
Ou este sangue o teu fim.

E se a loucura da sorte
assim nos quizer perder,
Abre os teus braços de morte
E deixa-nos aquecer."