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quinta-feira, janeiro 06, 2022

Venezuela, a triangulação (nova modalidade de corrupção)

  - Nº 2510 (2022/01/6)

Venezuela denuncia perante ONU roubos de activos seus no exterior


Internacional

Um alto responsável venezuelano, Elvis Amoroso, denunciou recentemente perante a Organização das Nações Unidas (ONU) o roubo dos activos do seu país no exterior por parte dos governos de alguns países, nomeadamente da Europa e América do Norte.

Durante o debate da 9.ª conferência dos Estados partes da Convenção das Nações Unidas contra a corrupção, que se desenrolou em meados de Dezembro em Sharm El-Sheikh, no Egipto, o representante da Venezuela denunciou o que chamou «uma rede de corrupção desenhada por governos no mundo». Afirmou que «há milhões de dólares em ouro e dinheiro depositados em bancos europeus que não se puderam utilizar».

Contra a Venezuela, disse, aplica-se uma nova modalidade de corrupção, a triangulação, a qual é desenhada e apoiada por alguns Estados que procuram apoderar-se de empresas e recursos que legalmente pertencem ao país sul-americano.

«Os governos dos Estados Unidos da América e da Colômbia reconheceram e apoiaram um ex-deputado que se autoproclamou como presidente interino numa praça, com o único propósito de arrebatar e apoderar-se de empresas importantes que a nossa pátria tem no exterior», como são a corporação petrolífera Citgo (nos EUA) e a petroquímica Monómeros (na Colômbia), explicou.

Recordou que o ouro depositado no Banco de Inglaterra e o dinheiro que ascende a mais de um milhão de dólares em bancos portugueses, foram roubados, facto sem precedentes a nível mundial.

Acrescentou que os corruptos e responsáveis desses saques, acusados de acordo com distintas leis da Venezuela, refugiam-se na Colômbia e nos EUA, aonde vivem como magnatas.

Isto, alertou, não pode continuar a acontecer e a Convenção da ONU contra a corrupção deve alertar todos os seus membros para acabar, de uma vez por todas, com esse tipo de acções, para evitar que outros países em desenvolvimento sofram pilhagens semelhantes.

O presidente Nicolás Maduro e outros dirigentes da Venezuela têm denunciado em muitas ocasiões o roubo de activos financeiros do país, no valor de milhões de dólares, pelos EUA e seus títeres, dificultando ou impedindo o acesso do povo venezuelano a vacinas, medicamentos, alimentos e outros bens de primeira necessidade.

quinta-feira, dezembro 23, 2021

Notícias... e a propósito...

-
NOTÍCIA NO Expresso:
 
Grande fundo americano reforça litigância 
com medo de prescrições 
sobre dívida do Novo Banco


... e a propósito:

como é que estamos
de contas
com a VENEZUELA?

terça-feira, novembro 23, 2021

Estes... lá dizer, disseram...

No Público de ontem: 

América Latina

Venezuela. Missão eleitoral da UE aponta melhoria de condições para a votação, mas ainda há deficiências estruturais

Eurodeputada portuguesa Isabel Santos afirmou que o alcance da missão permitiu “ter uma visão completa do processo eleitoral” e que as as eleições regionais e municipais foram “um teste crucial para o regresso da maioria dos partidos da oposição”.

Lusa

23 de Novembro de 2021, 23:02








Chefe da MOE-UE, a eurodeputada portuguesaIsabel Santos Reuters/FAUSTO TORREALBA

A Missão de Observadores Eleitorais da União Europeia (MOE-UE) às eleições regionais e municipais de domingo na Venezuela identificou melhores condições para a votação e um Conselho Nacional Eleitoral (CNE) mais equilibrado, a par da persistência de deficiências estruturais.

Pausa

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“O alcance desta missão permitiu-nos ter uma visão completa do processo eleitoral. As eleições regionais e municipais foram um teste crucial para o regresso da maioria dos partidos da oposição”, refere o relatório lido durante uma conferência de imprensa em Caracas pela chefe da MOE-UE, a eurodeputada portuguesa Isabel Santos.


... mas em surdina 

... e meteram "a viola no saco"!


Aí está a resposta!

 Os vigilantes da democracia ma casa dos suspeitos

La La titular de la misión de observación de la Unión Europea, Isabel Santos, reconoció que las elecciones del 21 de noviembre tuvieron mejores condiciones que en años anteriores. | Foto: EFE

Los veedores agradecieron la acogida del pueblo venezolano y reconocieron la profesionalidad del CNE.La jefa de la misión electoral de la Unión Europea (UE) en las elecciones regionales y municipales de Venezuela, 

Isabel Santos, presentó este martes un informe preliminar sobre las acciones de veeduría en los comicios del domingo "El informe preliminar que presentamos no puede ser objeto de instrumentación política”, expresó Santos, mientras aseguró que el documento se trata de una aproximación técnica al momento electoral vivido. Y una herramienta para mejorar procesos electorales futuros. La titular de la misión indicó que combatiría el intento de interpretación de los datos a favor de intereses partidistas con los que, precisó, “no tienen nada que ver”.


POIS ESTÁ CLARO!!!!!!
E não se dar notícias de como correu,
e dos resultados?,
tem alguma coisa a ver 
... com quê?????

Venezuela - eleições autárquicas

 Enquanto se espera ver pública (e publicada!) a declaração da chefe da delegação do PE:



em 20 dos 23 circulos eleitorais ganhou o PSV!

sábado, janeiro 23, 2021

Venenzuela

 esTADO PARALELO NA VENEZUELA 

FRACASSOU

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro


O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou nesta sexta-feira (22) que governos estrangeiros falharam ao tentar instalar um estado paralelo no país e a nação venezuelana está mais forte do que nunca.

Maduro participou de uma cerimónia de abertura do ano Judiciário em 2021.

"Pretendia-se em 2017 construir o triângulo perverso em Bogotá, Miami e Madrid, um estado fantasioso, paralelo e virtual; quanto dano fizeram para a Venezuela, mas hoje podemos dizer que o estado nacional triunfou, a Venezuela é mais forte e estamos diante de um Poder Judiciário mais fortalecido", afirmou.

Maduro lembrou que os líderes da oposição tentaram duplicar da Colômbia as funções do Tribunal Superior de Justiça (TSJ), do Ministério Público, da Controladoria e da Procuradoria-Geral da República, instalando instituições paralelas e ilegais na Venezuela.

Nesse sentido, afirmou que o Estado conseguiu superar os ataques e que há na Venezuela uma justiça favorável.

"O Estado venezuelano soube seguir em frente e hoje podemos dizer que estamos em melhor posição para dar os passos necessários na luta por uma justiça célere, efetiva e justa, justiça para os humildes, pobres e trabalhadores, a favor dos interesses da nação", afirmou.

O presidente destacou que seu país possui um poder Judiciário poderoso, prestigiado e bem administrado.

Maduro dirigiu-se aos juízes venezuelanos, sobre os quais "a verdade repousa e são o epicentro da justiça e da paz" da Venezuela.

quinta-feira, dezembro 10, 2020

As eleições na Venezuela e quem lá esteve

  - Edição Nº2454  -  10-12-2020


Venezuela bolivariana celebra triunfo nas eleições legislativas

VITÓRIA O Grande Pólo Patriótico venceu as eleições legislativas venezuelanas do passado domingo, 6, obtendo ampla maioria no parlamento, que entrará em funções em Janeiro.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, celebrou a vitória do Grande Pólo Patriótico nas eleições realizadas no domingo, 6, para a Assembleia Nacional. Num discurso no Palácio de Miraflores, sede do governo, em Caracas, Maduro qualificou a jornada eleitoral como uma grande vitória da democracia, em que o povo elegeu os seus representantes no órgão legislativo para o período 2021-2026, depois de cinco anos de legislatura dominada por sectores da extrema-direita.

A presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Indira Alfonzo, indicou na terça-feira, 8, que, com 98 por cento das actas escrutinadas, o Grande Pólo Patriótico obteve cerca 68 por cento dos votos (quatro milhões, 277 mil e 926 votos). Em segundo lugar ficou a Aliança Democrática, oposicionista, com 17,52 por cento (um milhão, 95 mil e 170 votos). A Alternativa Revolucionária Popular, que integra o Partido Comunista da Venezuela conquistou seis lugares.

PCP solidário

Em nota de dia 7, o PCP destaca que estas eleições, «realizadas sob o impacto de um cruel bloqueio económico e financeiro», constituíram uma afirmação «em defesa do caminho de soberania e independência nacional, de justiça e progresso social, de desenvolvimento e cooperação por parte do povo venezuelano».

Ao mesmo tempo, denuncia operações em curso visando retirar legitimidade ao acto eleitoral, «recuperar a oposição fantoche e persistir na ingerência e violência golpista».

Reafirmando a sua exigência do «fim imediato das criminosas acções de desestabilização, sanções e bloqueio económico e financeiro» contra a Venezuela e o povo venezuelano, o PCP insta ainda o Governo português a adoptar um posicionamento «consentâneo com os princípios da Constituição da República Portuguesa e os interesses do povo português – incluindo a comunidade portuguesa na Venezuela –, dissociando-se da política de ingerência e agressão promovida pelos EUA, com a cumplicidade da UE».

Sandra Pereira: «Estas eleições foram uma grande prova de resistência»

Em que contexto é que a tua deslocação à Venezuela se realizou?

O convite para acompanhar as eleições partiu do Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela e do Comando Nacional de Campanha «Darío Vivas», que congrega os partidos que integram o Grande Pólo Patriótico «Simón Bolívar», nomeadamente o Partido Socialista Unido da Venezuela. Surge na sequência de tentativas das autoridades venezuelanas garantirem a presença de observadores internacionais, incluindo da União Europeia (UE).

Foi como deputada do PCP no PE e como vice-Presidente da Assembleia Parlamentar Euro-Latino-Americana (EUROLAT) que o convite foi dirigido, endereçado também a outros deputados no PE, nomeadamente do Grupo Confederal GUE/NGL. Acompanharam as eleições cerca de 300 representantes de forças sociais e políticas, jornalistas, deputados e outras personalidades da América Latina, África e Europa. Numa clara posição de boicote prévio às eleições, a UE decidiu em Setembro não enviar observadores.

Durante a tua estadia na Venezuela que contactos políticos e partidários mantiveste?

Nos vários encontros, expressámos a nossa solidariedade com a luta do povo Venezuelano pela defesa da sua soberania e contra as ingerências e agressões externas de que é alvo.

No plano institucional, destacaria o encontro com o presidente Nicolas Maduro, no dia anterior às eleições, no Palácio de Miraflores, e as reuniões com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, que expressaram o reconhecimento pela presença dos acompanhantes internacionais. Ainda no plano institucional, realizámos um encontro com a primeira vice-presidente da Assembleia Nacional Constituinte, Tania Rodriguez, e creio que é justo destacar, ainda antes da chegada à Venezuela, o apoio e cuidado dos embaixadores da Venezuela em Portugal, e também no México (onde fizemos escala).

No plano partidário, contactámos forças revolucionárias e progressistas venezuelanas. Foi o caso dos encontros realizados – antes e depois das eleições – com Carolus Wimmer, responsável pelas relações internacionais do Partido Comunista da Venezuela, bem como dos encontros com dirigentes do PSUV, nomeadamente Jorge Rodriguez, do comando de campanha «Darío Vivas» e candidato às eleições.

Na segunda-feira após as eleições, participámos na conferência Diálogo entre Civilizações, onde estavam Jorge Arreaza, Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai) e Rafael Correa (Equador), com quem reunimos posteriormente para abordar a situação no Equador e as perspectivas para as próximas eleições, em 2021.

Que balanço fazes do processo eleitoral?

As eleições decorreram normalmente, ainda que num contexto de bloqueio económico e financeiro dos EUA e no quadro da epidemia, que naturalmente cria limitações. Podemos afirmar que as condições para o povo venezuelano se poder expressar livremente estavam garantidas. Isso foi visível nos vários postos eleitorais que visitámos em Caracas, Caraballeda e La Guaira.

Nas várias mesas havia representantes de diferentes forças políticas que também nos foram garantindo que estava tudo a decorrer de forma organizada e democrática. Em alguns postos havia filas e as pessoas falavam connosco, agradecendo a nossa presença e sublinhando a sua importância, nestas eleições. Foram vários os que se nos dirigiram para ligar a realização das eleições à defesa da soberania e independência da Venezuela.

Que consequências terão estes resultados eleitorais no futuro imediato da Venezuela?

Com estes resultados, há uma maioria de deputados na Assembleia Nacional favorável ao processo bolivariano, e isso poderá garantir maior estabilidade. Esta maioria permitirá ao governo desenvolver políticas económicas e sociais, necessárias para fazer face a vários problemas, muitos deles decorrentes das sanções e do bloqueio. E o que acho notável é que apesar de reais dificuldades, continua a haver avanços sociais, como por exemplo o transporte público, que passou a ser gratuito, ou a continuada política de garantia do direito à habitação – ainda recentemente, foram entregues mais habitações, perfazendo já no total três milhões e 300 mil.

Apesar da recusa em enviar observadores, a UE poderá reconhecer os resultados eleitorais?

Logo na segunda-feira, o denominado Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança, Joseph Borrel, anunciou que a UE não reconhece os resultados desta eleição. A declaração não é surpreendente, uma vez que a recusa em aceitar participar com observadores já previa uma posição destas, a estratégia era essa. O desrespeito pela soberania deste país chegou ao ponto de a UE tentar impor o adiamento das eleições, ou seja, que o governo da Venezuela desrespeitasse a Constituição que jurou cumprir. Também não surpreende a posição do Governo português que, ao pedir a repetição das eleições, confirma a sua inaceitável submissão à cartilha dos EUA e da UE. Posição que, é importante sublinhar, contraria os interesses da comunidade portuguesa na Venezuela.

Com a eleição de uma nova Administração nos EUA, há na Venezuela alguma expectativa de melhoria das relações entre os governos venezuelano e norte-americano?

Não sentimos que os venezuelanos acreditem que a política externa dos EUA vá mudar relativamente ao seu país. Mas o fim do bloqueio e das sanções reafirma-se como uma exigência fundamental, de modo a facilitar o progresso social dos venezuelanos e da comunidade portuguesa.

Daquilo que é conhecido até agora, creio que, infelizmente, o sentimento dos venezuelanos está correcto. A alteração da posição dos EUA, da UE e do Governo português vai depender essencialmente de dois aspectos: a capacidade de resistência daquele povo – e estas eleições foram uma grande prova de resistência – e a nossa solidariedade, que tem de continuar e intensificar-se.

segunda-feira, dezembro 07, 2020

Resultados das eleições na Venezuela

apenas informação (?)

DA

 

LUSA


A aliança de partidos que apoiam o Governo do Presidente venezuelano Nicolás Maduro venceu as eleições legislativas de domingo, com 67,6% dos votos, quando foram contados 82,35% dos boletins, anunciou esta segunda-feira o Conselho Nacional Eleitoral (CNE).
Até agora, foram contados 5.264.104 votos, dos quais 3.558.320 foram para o Grande Pólo Patriótico (GPP), em eleições contestadas pela oposição, que apelou ao boicote.
Uma aliança liderada pelos partidos tradicionais Ação Democrática (AD) e o Comité de Organização Política Eleitoral Independente (Copei) ficou em segundo lugar, com 944.665 votos (17,95%), informou a presidente do CNE, Indira Alfonzo.
Tanto o AD como o Copei sofreram a intervenção do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), que impôs como líderes de ambos os partidos antigos militantes que foram expulsos e acusados de corrupção pelos seus antigos colegas.
Apesar de os políticos que lideram estes partidos por escolha dos seus membros terem optado por não participar nas eleições, incluindo o grupo liderado por Juan Guaidó, os responsáveis nomeados pelo STJ decidiram ir às urnas.
Em terceiro lugar ficou outra aliança liderada pelo Vontade Popular (VP), o partido de Leopoldo López e Guaidó, que também sofreu a ingerência do STJ, e que inclui ainda o Venezuela Unida (VU) e o Primeiro Venezuela (PV). Esta aliança obteve 220.502 votos, o que representa 4,19%.
O Partido Comunista Venezuelano teve 143.917 votos (2,73 %), enquanto o resto das formações obtiveram 357.609 votos (6,79 %).
A taxa de participação, de 31%, segundo o CNE, é ligeiramente superior à de 2005, quando a oposição tradicional também não participou e o 'chavismo' conquistou a maioria absoluta dos lugares por um período de cinco anos.
Nas eleições de domingo disputavam-se 277 lugares no parlamento, mais 110 do que nas últimas eleições parlamentares, e ainda não se sabe quantos representantes cada lado ganhou, embora seja claro que o partido no poder obteve uma clara maioria.
Para dominar a última instituição que escapa ao seu controlo, Maduro precisa de pelo menos 185 deputados na nova Assembleia Nacional, que tomará posse no dia 05 de janeiro, para ter a maioria qualificada de dois terços, com a qual pode assumir o controlo total da Câmara e exercer todos os poderes legislativos.
Nas últimas eleições parlamentares, ganhas pela oposição, 74,25% das listas eleitorais participaram, naquelas que foram as votações legislativas mais concorridas da história do país sul-americano. Desde então, a tendência abstencionista tem vindo a crescer, devido à desconfiança na votação.
As normas venezuelanas não estabelecem um mínimo de participação, pelo que a elevada abstenção, a que a oposição, liderada por Juan Guaidó, tinha apelado, não põe em causa a legalidade das eleições, ainda que não sejam reconhecidas pela União Europeia (UE) ou pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
As mesas de voto deveriam ter fechado às 18h (22h em Lisboa), mas o CNE prorrogou a abertura por mais uma hora ou até que não houvesse pessoas à espera na fila.
Apesar disso, o dia foi marcado por uma forte abstenção, a rondar os 69%

Brevíssimo comentário (outros ficarão para mais tarde):
 apenas a lembrança de que,
 em Portugal,
 tem havido altas percentagens de abstenção,
 como nas últimas para o Parlamento Europeu
 que foram superiores
 às tão sublinhadas para a Venezuela.

domingo, dezembro 06, 2020

Eleições na Venezuela

Entre muita outra coisa que acontece no mundo (este mundo não pára, à roda de si e à volta do sol…), hoje é dia de eleições na Venezuela.

Referi-me a esse acontecimento, sublinhando o silêncio anterior e todo o ruído que se esperava após.

Pois aí está: hoje, o Público publica duas páginas em que, facilmente, se descortinam quais as linhas de ataque, e em que se irá insistir, no inevitável noticiário que se seguirá às eleições.  

Logo se vê pelos títulos, sub-títulos e destaques:

·       Chavismo procura consolidação com eleições sem oposição

·       Boicote às eleições-“O maior aliado do Governo foi a oposição”

·       O que irá fazer Leopoldo López?

·       O regime de Nicolás Maduro fez tudo ao seu alcance para recuperar a maioria na Assembleia Nacional controlada nos últimos cinco anos pela oposição”

·       Datas-chave da crise na Venezuela.

A “encomenda” feita ao colaborador do Público foi bem desempenhada (embora com falhas que adiante mostrarei), e o quadro parece claro: que as eleições são uma manobra do “chavismo” que ganhou todas as eleições (e muitas foram), com excepção de uma; que a oposição decidiu boicotar estas eleições, o que teria sido um erro; que o seu resultado vai ser mais uma vitória do partido no poder, simbolizado por Maduro; que a força que se pode opor à actual situação (desenhada catastroficamente) é a pressão externa, quaisquer as formas que tome ou venha a tomar.

Esta pressão externa tem sido dificultada por “laços com países como Cuba, China e Rússia, cujo apoio diplomático permite a Caracas evitar o isolamento total”, e é salientada a notícia de que “no mês passado, a Reuters revelou que a China voltou a adquirir petróleo venezuelano” como sendo algo escandaloso, não o sendo que outros países (em que Portugal se inclui) não paguem (ou não permitem que se paguem)  dívidas que ajudam a garrotar a economia venezuelana e a provocar uma situação muito difícil para os venezuelanos, não só o presidente eleito com 68% dos votos e quem o apoia, mas, e sobretudo, toda a população.

Como capa ou montra da situação clama-se por diálogo, mas esse diálogo falta, sobretudo na oposição interna, em que uns são pela participação nas eleições (Capriles) e outros por uma “consulta popular” repudiando as eleições (Guaidó) e outros ainda (Leopoldo López, em Espanha) na expectativa (os três fotografados na notícia-reportagem).

Apesar do esforço de quem fez o trabalhinho, para além do evidente propósito de preparar o pós-eleições, sublinha-se, por exemplo, a incongruência de, nas “datas-chave de crise” (provocada por quem?, e como?), é referida data de 4 de Agosto de 2017 como a da tomada de posse da Assembleia Constituinte e, depois, na de 11 de Janeiro de 2019, em que a Assembleia Nacional nomeia (!) Guaidó, seu presidente como chefe de Estado interino (curiosa auto-nomeação contra resultados eleitorais, com ainda mais curioso e colorido reconhecimento, imediato ou pressuroso, por vários países e organismos), “o que parece dar um novo fulgor à oposição, que viu o seu pouco poder totalmente esvaziado com a criação da Assembleia Constituinte”.  

Com a criação?... deixa de ser curioso para ser estranho que se cite como “criada” para esvaziar o poder de um golpe (aliás, com imitação e/ou semelhanças noutros lugares como Bielorrúsia) uma instituição (ou estrutura institucional) criada e em funções dois anos antes.

Esperemos pelos resultados das eleições de hoje.

sábado, dezembro 05, 2020

Eleições na Venezuela, amanhã!

 Amanhã, dia 6 de Dezembro vai haver eleições na Venezuela, mas o conhecimento desse facto aparentemente muito relevante, não aparece na nossa (ou melhor: na “deles”) comunicação social.

 No entanto, ela (a comunicação social) deve estar de atalaia para tratar do assunto “à maneira”.

Já se estava atento, e mais desperto ficou quando, na última leitura do dia, na última página do ávante!, apesar do exemplar ser quase todo dedicado ao XXICongresso:

Aliás, também ontem, em   


podia ler-se 
:


INTERNACIONAL|VENEZUELA

 Venezuela repudia relatório «intervencionista»

da OEA sobre direitos humanos

AbrilAbril

4 DE DEZEMBRO DE 2020

Jorge Arreaza recordou que a Venezuela não é membro da OEA e acusou o seu secretário-geral, Luis Almagro, de «liderar a ofensiva» contra o país sul-americano, a poucos dias das eleições parlamentares.

 

Num comunicado emitido esta quinta-feira, o governo da Venezuela rejeita de forma categórica um relatório apresentado no dia anterior pela Organização de Estados Americanos (OEA) sobre alegadas violações de direitos humanos no país caribenho, e no qual se critica a «inacção do Tribunal Penal Internacional» (TPI).

O ministro venezuelano dos Negócios Estrangeiros, Jorge Arreaza, denuncia que o relatório da OEA foi elaborado com o objectivo de questionar o trabalho do TPI, tendo como base difamações não fundamentadas em matéria de direitos humanos na Venezuela.

«O referido informe, elaborado sem qualquer tipo de verificação no terreno e a partir de fontes secundárias que não configuram provas dos alegados factos enunciados, pretende interferir de forma tendenciosa, extorsiva e inaceitável no funcionamento independente do TPI», lê-se no comunicado emitido pelo Ministério.

A diplomacia venezuelana acusa «o indivíduo que exerce o cargo de secretário-geral da anquilosada OEA de não perder a oportunidade para mostrar o seu desprezo pelos direitos humanos e aplicar um descarado [princípio] selectivo [de] dois pesos e duas medidas, com fins meramente intervencionistas».

Refere ainda o governo venezuelano que o documento publicado carece de «qualquer base jurídica relativamente à situação dos direitos humanos na Venezuela», «constitui uma evidente operação de propaganda contra as instituições e as autoridades» do país sul-americano, e «confirma perante a comunidade internacional a prática infeliz e recorrente do desgastado secretário-geral da OEA de levar a cabo acções que violam a Carta constitutiva da OEA».

 Nova «lição de soberania»

«O Governo da República Bolivariana da Venezuela lembra que a OEA e a sua Secretaria não possuem competências jurisdicionais para se apresentarem como um tribunal internacional de direitos humanos, nem para recolher informações que induzam à determinação de responsabilidades penais internacionais em qualquer dos estados-membros», sublinha o texto.

Afirmando que a Venezuela não é um país membro da OEA, «nem voltará jamais a pertencer» a esse organismo, a diplomacia venezuelana sublinha que esta acção é mais uma das tentativas para boicotar e deslegitimar as eleições parlamentares marcadas para o próximo domingo, com vista à renovação da Assembleia Nacional, que se encontra em situação de «desobediência» desde 2016, por não reconhecer os restantes poderes do Estado.

«No entanto, no próximo dia 6 de Dezembro, o povo venezuelano dará outra lição de soberania democrática ao mercenário-geral da OEA, bem como a qualquer agente externo que pretenda interferir nos assuntos internos da Venezuela», destaca o comunicado.

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Em contrapartida, na manhã de hoje, no que por hábito se consulta (Público e outras “fontes”) a Venezuela está ausente… mas decerto não estará nos dias seguintes as eleições, e talvez com referência ao TPI, à OEA e, eventualmente, a Pepe Mujica.

Veremos!

sexta-feira, maio 29, 2020

Partilha de indignação e asco

Partilhando com aspalavrassãoarmas 
a indignação e o asco
(com des-gosto, como se diria no FB)

A Venezuela tem um território cerca de dez vezes maior que o de Portugal e nós temos um terço da sua população. A Venezuela sofre um embargo apoiado pelo PS, na pessoa(?) de Augusto Santos Silva, que a impede de receber medicamentos e material sanitário.

Na Venezuela registaram-se até agora dez óbitos associados à Covid-19.
Mas nas manchetes a “covid-19 na Venezuela aumenta de forma brutal” BRUTAL!

SUBIU 239%


Os venezuelanos que foram repatriados recentemente, de outros países, entre eles da Colômbia, Peru, Brasil e Chile, “620 entraram no país contagiados”.

 A Venezuela está no centro de um vespeiro político e sanitário!

E somos nós que por proposta do Bloco estamos a pagar este estilo de “informação”.

sábado, maio 09, 2020

Venezuela, invsões (rustradas), Guaidós e Rambos


Ao ver este post de Cid Simões


QUINTA-FEIRA, 7 DE MAIO DE 2020
Os Rambos do Guaidó
Invasores de Venezuela.
O triste retrato de um governo invertebrado que face a tanta evidência continua apoiando a marioneta de Trump pela mão sebenta de Augusto Santos Silva.
A provocação ignóbil da TAP, o navio com bandeira portuguesa, o dinheiro roubado ao governo venezuelano e o apoio dado ao homem da CIA pelo governo PS, atingiu limites nunca pensados.

lembrei um episódio insólito da minha “vida” no Parlamento Europeu. 
E de tanta coisa nessa tarefa… 

Andava nas andanças da criação da moeda única, a surfar a onda, maior que as tão decantadas da Nazaré. 
Com a sobrecarga de questor, fazendo por isso parte da direção do PE, conhecia as entranhas da instância comunitária. Mas também convivia, e intimamente, com fragilidades e ambiguidades na nossa própria trincheira, desde a desilusão (por que não dizer desgosto?) provocada pelo Herzog, que fora meu mestre e modelo, ao descobrir que não o merecera ter sido, a outras ainda mais próximas, todas derivadas de uma então incompreensível (por mim!) demissão (ou vazio) ideológico. 

O livro de Viviane Forrester, L’horreur économique, foi lido com a contraditória sofreguidão do prazer de acerbo espinho. 
Da apresentação pela editora Fayard: 

«Nous vivons au sein d'un leurre magistral, d'un monde disparu que des politiques artificielles prétendent perpétuer. Nos concepts du travail et par là du chômage, autour desquels la politique se joue (ou prétend se jouer) n'ont plus de substance: des millions de vies sont ravagés, des destins sont anéantis par cet anachronisme. L'imposture générale continue d'imposer les systèmes d'une société périmée afin que passe inaperçue une nouvelle forme de civilisation qui déjà pointe, où seul un très faible pourcentage de la population terrestre trouvera des fonctions. L'extinction du travail passe pour une simple éclipse alors que, pour la première fois dans l'Histoire, l'ensemble des êtres humains est de moins en moins nécessaire au petit nombre qui façonne l'économie et détient le pouvoir. Nous découvrons qu'au-delà de l'exploitation des hommes, il y avait pire, et que, devant le fait de n'être plus même exploitable, la foule des hommes tenus pour superflus peut trembler, et chaque homme dans cette foule. De l'exploitation à l'exclusion, de l'exclusion à l'élimination...? 
(…) 
Não subscreveria, evidentemente, este texto. Que acho ideologicamente frouxo e, até, pobre. 
Qual o conceito de trabalho?, onde está a origem da exploração?, a exclusão não é uma forma de manter as relações sociais de exploração?, e a eliminação não é uma maneira dos exploradores se desembaraçarem dos que não podem ser explorados? 
O horror económico resulta das contradições inerentes à exploração e ao trágico desespero na luta (de classes) pela sua sobrevivência, do que a lucidez (ou consciência) de Keynes se aproximou… embora mantendo-se contaminado e receitando mezinhas. 
A imagem clínica pode servir… 
Na verdade, o médico pode detectar, por si e com o apoio de auxiliares de diagnóstico, o estado sanitário do paciente, mas não chegar ao ser humano que este é, e às causas da doença de que arrolou os sintomas. 
A imagem ajudará porque, lido com algum entusiasmo o livro - a que a apresentação da editora é fiel - a descrição da sintomatologia é viva e clarificadora do que justifica o título. E embora não coincida com a sua posição ideológica – se é que a tem –, dele me servi para citações que considerei oportunas em intervenções nos plenários e nas comissões em que se avançava com a dita criação da moeda única e de que fazia parte. 
O que, numa redutora avaliação não teria importância alguma. De certo modo, sentia-me a fazer o papel de uma espécie de grilo falante para que não havia Pinóquio que prestasse atenção, enquanto o seu nariz ia crescendo desmesuradamente sem que os espelhos lhe devolvessem as imagens reais, e sobretudo as que viriam a ser a realidade. 

Claro que a virtude do diagnóstico é sempre inferior à da autópsia e, neste caso, se o que fazia era diagnosticar, a justeza deste não era minha mas do colectivo que queria representar. 
Limitava-me a procurar que o meu cri-cri ficasse nas actas e documentos e justificasse a votação (logo anatematizada!), com o desejo bem mais fundo de que chegasse – então e no futuro, e no futuro do futuro – a quem tem na verdade o poder de decidir. Sendo certo que esse poder está ausente dos seus detentores, sujeitos a uma informação enganadora, manipuladora, que abafa (como e enquanto) todos os alertas e avisos, por mais persistentes e convincentes que sejam. Trata-se de uma questão de correlação de forças de classes sociais. Aparente e real.

Mas não é disso que hoje (ou agora) quero escrever. É da lembrança que me trouxe o post do Cid Simões. Que me fez voltar e sorrir. Embora sorriso amarelado… 
Foi o caso de, num plenário, em tom de alguma solenidade, ter feito referência ao livro de Viviane Forrester, e sublinhado a justeza do título, o horror económico, bem adequado ao tempo que então se vivia, e sobretudo aos tempos que viriam a dele resultar. Lembrando que a expressão era antiga e de grande valia cultural. Além de, num incurável e nem sempre (ou raramente) eficaz pendor pessoal - para não dizer mania..., citar Rimbaud, o autor original da expressão. 
Essa citação de um autor que, aparentemente, nada tinha a ver com o assunto e a ocasião, poderia servir para especulações literato-filosofantes sobre iluminações desse citado Rimbaud e sua localização temporal[1], referida a um período de grande interesse de debate e controvérsia intelectual. O que não estava, naquele local e oportunidade, nas minhas intenções. 
Mas não!, assim não aconteceu. Ño entanto, deu para, em documento informativo do Parlamento, ver a minha referência a Rimbaud ser substituída por referência ao Rambo, esse ícone da brutalidade no cinema estupidificante, decerto a partir da tradução em directo pelas cabinas de interpretação, e por via de uma aproximação fonética. 

A partir deste episódio posso vangloriar-me de, em intervenção no processo da criação do euro, ter citado Rambo. O Rambo que é modelo inspirador dos Guaidós deste mundo e das iniciativas empresariais a que recorrem. 
Que são, Guaidós e Rambos deste e de outros tempos, a ilustração do mercado e do empreendedorismo no sector económico das invasões de países e dos assassinatos, pessoais ou colectivos, por encomenda

Que horror! (e não só económico...) 
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[1] - por exemplo, como li algures num comentário, com Rimbaud como um visionário a prever, nessa sua iluminação de 1875, a Alemanha, a China, o turismo a aparecerem e a tomar conta do mundo …

sexta-feira, março 27, 2020

CPPC - USA... e abusa contra a Venezuela

CPPC denuncia e condena 

nova conspiração dos EUA contra a Venezuela

Em plena pandemia da COVID-19 no mundo, a Administração dos EUA, presidida por Donald Trump, acaba de dar mais um autêntico golpe contra a Venezuela e o povo venezuelano, ao acusar o seu legítimo Presidente, Nicolas Maduro, e outros responsáveis venezuelanos, de um alegado envolvimento em ‘tráfico de drogas’, sem que tenha sido apresentada uma qualquer demonstração que possa sustentar esta alegação, e ao estabelecer uma recompensa de 15 milhões de dólares por informações que levem à sua detenção e/ou condenação.
Os EUA, com a cumplicidade do Governo da Colômbia, insistem na mais miserável provocação e na infame conspiração contra a Venezuela e o Governo presidido por Nicolas Maduro, depois do FMI ter recusado o apoio de 5 mil milhões de dólares à Venezuela para fazer face à COVID-19, numa criminosa postura que revela a mais completa indiferença pelas eventuais consequências da pandemia para o povo venezuelano, assim como para a comunidade portuguesa que vive neste país.
Recorde-se que as sanções e bloqueio económico imposto de forma ilegal e unilateral pelos EUA – à margem e em confronto com o direito internacional – contra a Venezuela e o seu povo, têm dificultado a aquisição por este país de medicamentos e equipamentos médicos, que necessita para assegurar plenamente o direito à saúde dos venezuelanos, uma necessidade que acresce face à pandemia de COVID-19. Saliente-se que os EUA aplicam sanções secundárias contra as entidades que, no quadro e respeito pelo direito internacional, não se submetem aos ditames dos EUA.
Quando por todo o mundo se fazem apelos à convergência de vontades para enfrentar a pandemia e as suas consequências, e na Venezuela o seu Governo procura enfrentar a doença com medidas rápidas e enérgicas, a Administração norte-americana prossegue e aprofunda as suas manobras de desestabilização e agressão contra o povo venezuelano, somando às tentativas de golpe de Estado e às ilegítimas sanções e bloqueio económico já impostas, novas e graves ameaças, numa clara afronta à soberania da Venezuela, à Carta da ONU e ao direito internacional.
O Conselho Português para a Paz e Cooperação repudia e denuncia esta vergonhosa conspiração dos EUA, em conluio com a Colômbia, e apela a todas as pessoas empenhadas na defesa da justiça e da paz para que se associem nesta denúncia, exigindo do Governo português uma imediata tomada de posição de distanciamento e repudio por mais esta inaceitável manobra da Administração norte-americana.
26-03-2020
Direção Nacional do CPPC

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É demais.!...













no Público de hoje

Suponhamos que Maduro se lembrava de 
pôr a cabeça de Trump a prémio,
por ser chef de um qualquer gang (poderia escolher),
ou por pôr em perigosíssimo risco a Paz mundial,
o Público punha a foto de Trump com a seta para baixo?