quarta-feira, abril 14, 2021

O primeiro astronauta - Iúri Gagárin

A viagem de Gagárin na imprensa portuguesa há 60 anos

20210413DN19610413 A 12 de Abril de 1961, Iúri Gagárin foi o primeiro ser humano a ir ao espaço. Em Portugal, sob a ditadura fascista, o histórico acontecimento foi notícia na imprensa diária. Ana Catarina Almeida, com a colaboração de Silvestre Lacerda, aborda a forma como essa cobertura foi feita.

 

 

 

 

 

 

A viagem de Gagárin
vista pela imprensa portuguesa

Por Ana Catarina Almeida, licenciada na URSS (Relações Económicas Internacionais, em Kiev, 1985-1991)
a partir de imagens pesquisadas por Silvestre Lacerda, director-geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas

 

«Vamos!» «Поехали!»

Foi a 12 de Abril de 1961 que Iúri Gagárin pronunciou esta frase, a bordo da nave Vostok, lançada do cosmódromo de Baikonur. Com apenas 27 anos, era o primeiro ser humano a ir ao espaço. Gagárin completou uma volta completa ao planeta em 108 minutos, a uma velocidade de 28 mil km/h.

O êxito desta missão deveu-se, em grande parte, ao talento do engenheiro-chefe Serguei Koroliov, que dirigia o programa espacial soviético.

Com o lançamento da Vostok, a URSS ganhava uma batalha na corrida espacial.

Devido ao enorme risco, a missão não foi tornada pública antes do seu lançamento.

O governo da URSS preparou antecipadamente três versões sobre o lançamento de um homem ao espaço, que enviou à TASS em três envelopes fechados. Apenas um deveria ser aberto e os restantes destruídos: um, para o caso de o cosmonauta regressar sem vida; outro, em caso de perigo que obrigasse a uma aterragem de emergência; e um terceiro, confirmando o sucesso da operação.

Foi esta a mensagem divulgada pela TASS e que se espalhou por todo o mundo 55 minutos após o início do voo.

19610412TASS
Fonte: https://tass.ru/spec/gagarin

 

E em Portugal?

Em 1961 Portugal vivia sob a ditadura de Salazar. Quase a totalidade dos artigos reproduz notícias divulgadas pelas agências da época: EFE, ANI, FP e APN.

 

20210413DN19610413O Século

Na primeira página da sua edição de 13 de Abril, o Século trazia: «O Homem venceu o espaço – Pela primeira vez um astronauta girou em voo livre à volta da Terra à altitude mínima de 175 km e máxima de 302. Foi um jovem major da aviação russa quem viveu a espantosa aventura que durou apenas 108 minutos».

A notícia foi ilustrada com uma fotografia de Gagárin e a legenda «Foi assim vestido que Yuri Gagarin fez a sua viagem ao espaço».

No dia 14 de Abril, o jornal volta a pegar na notícia, desta vez com o título «A Rússia homenageia hoje o major Gagarin, herói do cosmos, que ao lado de Khruschtchev assistirá a um desfile militar na Praça Vermelha, em Moscovo», o qual será «um desfile gigantesco, em homenagem ao herói soviético, major Gagárin».19610414O Seculo

A partir do arquivo de O Século incorporado na Torre do Tombo, consultando as provas que eram enviadas à Direção dos Serviços da Censura, podemos verificar que parte desta notícia foi censurada.


19610414O Seculo prova com cortes Censura
Fonte: Torre do Tombo

O jornal menciona também «vários mistérios e outras perguntas sem resposta acerca da proeza do cosmonauta Gagarin», como o momento da captação da fotografia que foi divulgada na TV soviética, sobre a visibilidade para o exterior a partir da Vostok ou sobre o momento de publicação do comunicado.

Continua O Século com uma pequena notícia, citando o «New York Daily News», a especular que a origem do cosmonauta não seria proletária mas aristocrática (neto de um príncipe russo) e por isso olhado com desconfiança.

Talvez por isto a PIDE tenha censurado também a publicação de uma fotografia de Gagárin com os pais, difundida pela APN (agência Novosti).

1961Foto censurada APN1961Legenda censurada foto APN
Fonte: APN (frente e verso da foto, com legenda e anotações)

 

19610412Diário de LisboaDiário de Lisboa

Dia 12 de Abril de 1961 o vespertino Diário de Lisboa titula na sua primeira página «Um astronauta russo regressou vivo à Terra após primeira viagem no cosmos».

Nesse mesmo dia, no âmbito de uma reunião do grupo de trabalho «Aero Space Medical Panel», formado por cientistas da NATO especializados em medicina aeronáutica e do espaço, é realizada uma conferência de imprensa. Perante a pergunta de um jornalista, é confirmada por um perito a notícia do envio de Gagárin para o espaço.

A noticia é desenvolvida noutra página: «Os Estados Unidos foram o primeiro país a felicitar a Rússia pelo feito dos seus cientistas».

No dia 14 é publicada a primeira foto de Gagárin, acompanhada de um desenho da nave

 

Diário Popular 

A 12 de Abril de 1961 o Diário Popular, também vespertino, destaca na primeira página: «O primeiro astronauta (o major russo Gagarine) deu a volta ao mundo num “sputnik” em órbita».

No dia 13 de Abril, traz novamente o tema à primeira página, com o título «Primeiro homem no espaço atravessou a Ásia num quarto de hora e a África em 6 minutos».

 

19610413Jornal de NoticiasJornal de Notícias

No dia 13 de Abril podemos ler no Jornal de Notícias: «O primeiro astronauta lançado pela Rússia no espaço fez um voo em volta da Terra e desceu num local previamente fixado».

A manchete é publicada sem foto. Na última página, o jornal desenvolve a notícia sobre o significado da viagem espacial e sobre a «luta de competição dos americanos com os russos».

Com chamada na primeira página, no dia 14 de Abril escreve na última página sobre a «Reconstituição hipotética da viagem de Gagarine à volta da Terra».

Descrevendo a viagem, diz o jornalista: «Como pode Gagarine observar a Terra, que viu inculpada num grande arco de círculo azulado, as florestas, os rios e as grandes cidades, o céu negro? No passado, os cientistas soviéticos nunca tinham aludido a uma vigia na cápsula da nave cósmica que imaginávamos estanque e cega».

Logo, descreve um desenho da Vostok publicado pela imprensa soviética, com um passageiro dentro da cabine, «munida à altura da cabeça do astronauta de um “cinto vigia” circular que permitia ao passageiro deitado com as pernas dobradas em “S”… fazer observações em todas as direcções».

Termina o artigo referindo mensagens de felicitações enviadas a Khruschtchov pelo presidente francês De Gaulle e pelo PM britânico Harold Maxmillan.

 

O Primeiro de Janeiro19610413O Primeiro de Janeiro

Ainda no dia 12 de Abril, O Primeiro de Janeiro publica uma pequena nota: «Os russos preparam lançamento duma nave espacial com um homem a bordo», fazendo referência a uma declaração de Kuznetsov, no dia 11, em Moscovo, dizendo que o «lançamento de uma nave espacial com um homem a bordo terá lugar provavelmente num futuro próximo».

No dia 13 de Abril, na primeira página, destaca em título: «Um cosmonauta soviético deu a volta completa à Terra, numa nave espacial, e foi recuperado vivo após 1 hora e 48 minutos de voo».

No interior do jornal, há uma descrição do voo e a sua reconstituição, assim como uma pequena biografia do cosmonauta.

 

Diário da Manhã

No dia 13 de Abril o jornal alinhado com o regime fascista noticia: «Foi lançado com êxito um foguetão espacial da URSS tripulado por um major da aviação soviética». A notícia não foi acompanhada de foto.

 

Um caso grave!

 


segunda-feira, abril 12, 2021

Reflexões lentas (na manhã... que é quando começa o dia)

 De manhã, que é quando começa o dia.

12.04.2021

 Foi uma semana atribuladíssima, perturbadora mas, também, esclarecedora para quem quiser ir ao fundo das reflexões e não permita o enredamento deliberado e caotizante, promovido por uma indeformação avassaladora.                                               

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No novelo em que se quer enredar todo o mundo (como se este fosse ninguém), vislumbra-se a fulanização obcecante como mãocheias de poeira atiradas aos olhos e camadas de cera despejadas nos ouvidos dos viventes.

 

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Sócrates, Ivo Rosa e a Justiça que s’acusa e prescreve, Erdogan, Ursula e Michel e a dança das 2 cadeiras mais 2 sofás para 2 mais 2, isto é, para 4… e os parentes europeus na lama, dominaram as notícias, ainda com a ajudinha do finamento de um consorte que chegou aos 99 anos.

 

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E, só de portugueses, os 10 milhões e tal, apesar da queda da natalidade que mais trambulhou?, e os 7 mil e muitos milhares de milhões espalhados pelo mundo todo, umas centenas à briga por acesso a vacinas e multidões à espera do que sobre?, e a Ukrania, com um comediante em Chefe de (de/em que?) Estado a declarar guerra à Rússia e a contribuir para uma situação internacional verdadeiramente explosiva?, e as imagens violentíssimas, incendiárias, repetidas dias após dias, em fundo de notícias sobre as manifestações numa das Irlandas (ou nas 2?), por causa do Brexit e está tudo dito?, e aqui, no cantinho inferior esquerda (que, aliás, preside a uma Europa entre aspas e salve-se quem puder) o incrível mas verdadeiro alastramento dos pobres empregados ou, melhor, dos empregados mas pobres, se não a caminho de fomes?, e etc!...

 

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Sim, tudo isto é triste (e perigoso)… além de ser fado, mas é tão-só (tão-só!) o cenário à frente do qual se movimentam os protagonistas, os Sócrates, os Ivos, os Rosas, os Costas, os Rios (de gente…), os (por)Ventura, as descobertas Susanas por unanimidade, os inventados Zelenkis que não têm Putin por onde se lhes pegue, mas logo recebem o apoio de Binden, nata da NATO.

 

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Está o mundo roto e chove como na rua (ontem choveu!).

 

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Mas, oh!, meus amigos desgraçados (diria o Manel da Fonseca):

 

Ó meus amigos desgraçados

se a vida é curta e a morte infinita

despertemos e vamos

eia!

vamos fazer qualquer coisa de louco e heróico

como era a Tuna do Zé Jacinto

tocando a marcha Almadanim!"

 

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Não se pode deixar que matem a Tuna.

 

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É preciso gritar bem alto, para que oiça quem tem de ouvir, ver e fazer:

 

Que o Sócrates não está sozinho (tadinho), está bem acompanhado (como quem diz…) pela banca privada e fraudulenta, pela privatizada EDP e seus negócios-do-outro-mundo, pelas construtoras de um Algarve para os “beefs” velhinhos e de um Portugal para os portuguesinhos, por amigos para todas as ocasiões, e por aqui se fica...

Que Erdogan, não sendo nenhuma prenda (bem pelo contrário!) tem que muito se lhe diga que não quanto ao protocolo diplomático, um imbróglio caricato que veio ocupar espaço informativo e incómodo (para quem?) de berbicachos, que é como se alcunham negociatas com vacinas, ou vacinegócios, ou negócinas, além de denúncia da escabrosa obrigação de uns se submeterem a regras comunitárias enquanto outros germanofilam bilateralmente.

Que existe um real perigo por detrás de fanfarronadas de bufão, associadas a bloqueios e sanções a quem não cumpre os direitos humanos na versão estado-unidense que se está borrifando para as Nações Unidas (unidas?, só se for à volta da nata da NATO).   

 

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E basta!... evitando conjugar o verbo chegar.

 

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Isto é para não desaustinar.


(...)




quinta-feira, abril 08, 2021

... eleito em listas da CDU...

 extracto de quase-diário:

07.04.2021

 

Li o Público e começo este caderno como acabei o anterior… com algum pasmo e indignação.

 

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Seja objectivo!: a notícia tem o título Ex-presidente da Câmara da Vidigueira acusado de crimes de peculato e especulação.

 

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da Vidigueira?... fui ver e logo confirmei, lá estava, no começo do artigo com relevo para identificação, “… eleito em lista da CDU…” e seguia a lista das malfeitorias (que são bastantes e, a meu critério, bem graves).

 

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Nos parágrafos finais, fica-se a saber (quem lá chegar…) que foi expulso do PCP, esteve ligado a uma lista de independentes em 2017 e, na última frase (parece) que encabeçará uma lista apoiada pelo PSD.

 

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Tudo em su sítio... informando as gentes.

O transporte ferroviário e a sua importância

João Ferreira e Sandra Pereira no País em defesa da ferrovia

Os de­pu­tados do PCP no Par­la­mento Eu­ropeu (PE) par­ti­ci­param em ini­ci­a­tivas e con­tactos para dar voz à exi­gência de que o in­ves­ti­mento na fer­rovia sirva a re­cons­ti­tuição de um sector na­ci­onal que res­ponda às ne­ces­si­dades de de­sen­vol­vi­mento so­be­rano e de mo­bi­li­dade po­pular.

Urge in­vestir na in­dús­tria e nas in­fra­es­tru­turas e re­cons­truir um sector pú­blico

Este ob­jec­tivo foi vin­cado por João Fer­reira numa de­cla­ração po­lí­tica, dia 31 de Março, a pro­pó­sito do «Ano Eu­ropeu do Trans­porte Fer­ro­viário», que a se­mana pas­sada teve o seu início. O de­pu­tado no PE e di­ri­gente co­mu­nista su­bli­nhou, por isso, que «mais do que a mera sen­si­bi­li­zação da po­pu­lação para a im­por­tância deste meio de trans­porte», a euro-jor­nada «deve servir para uma re­flexão sobre a si­tu­ação em Por­tugal, in­dis­so­ciável do en­qua­dra­mento for­ne­cido pelas po­lí­ticas da União Eu­ro­peia (UE)» e, nesse sen­tido, apontou «causas e res­pon­sá­veis pelo de­sin­ves­ti­mento e de­gra­dação da fer­rovia, assim como as pers­pec­tivas que se co­locam ao País neste do­mínio».

Quanto ao pri­meiro as­pecto, João Fer­reira con­si­derou que as ori­en­ta­ções da UE, «con­du­zidas no plano na­ci­onal pelos pro­ta­go­nistas da po­lí­tica de di­reita – PS, PSD e CDS» ar­ras­taram «o sector fer­ro­viário para a de­sar­ti­cu­lação e mi­ni­mi­zação que hoje evi­dencia».

Contas feitas, «per­deram-se 1200 km de ca­minho-de-ferro e 20 mil postos de tra­balho, fá­bricas foram fe­chadas e a CP, grande em­presa pú­blica na­ci­onal, foi des­mem­brada». O de­sin­ves­ti­mento e de­gra­dação do sector também são mensu­rá­veis se se lem­brar que «desde 2003 não se compra um com­boio em Por­tugal», pese em­bora «se pre­veja o fim do tempo de vida de muito do ma­te­rial cir­cu­lante nos pró­ximos 1 a 15 anos», acres­centou o de­pu­tado do Par­tido em Es­tras­burgo, para quem, «não obs­tante al­guns passos po­si­tivos mais re­centes – in­se­pa­rá­veis da ini­ci­a­tiva do PCP e da luta dos tra­ba­lha­dores e das po­pu­la­ções –, como a re­dução ta­ri­fária e a re­versão de parte do des­mem­bra­mento da CP, as ne­ces­si­dades que per­sistem sem res­posta são es­tru­tu­rais e de monta».

Ar­re­piar ca­minho

O ca­minho que se impõe passa, por isso, por «re­cu­perar a in­dús­tria fer­ro­viária e o in­ves­ti­mento nas infra-es­tru­turas, re­cons­truindo um sector pú­blico, uno e de di­mensão na­ci­onal», ao invés de apro­fundar a mer­can­ti­li­zação e li­be­ra­li­zação do sector, com as con­sequên­cias co­nhe­cidas ao nível da se­cun­da­ri­zação das ne­ces­si­dades do nosso povo e dos in­te­resses do País, sa­li­entou ainda João Fer­reira, que a pro­pó­sito lem­brou que «as con­clu­sões de um re­la­tório re­cente do Con­selho Eco­nó­mico e So­cial Eu­ropeu (CESE)» afirmam que «três dé­cadas de “mer­cado fer­ro­viário” e de “har­mo­ni­zação téc­nica” não pro­du­ziram os re­sul­tados am­bi­ci­o­nados», e que, no mesmo texto, «a Ale­manha e a França – que im­pu­seram a de­sin­te­gração do sis­tema fer­ro­viário em países pe­ri­fé­ricos como Por­tugal, op­tando eles pró­prios por não a fazer – são apon­tados como os países eu­ro­peus mais bem-su­ce­didos na fer­rovia».

«É es­sen­cial que os fundos, na­ci­o­nais e eu­ro­peus, dis­po­ní­veis para o in­ves­ti­mento na fer­rovia se ori­entem para o ob­jec­tivo de re­cons­ti­tuição de um sector fer­ro­viário na­ci­onal que res­ponda ade­qua­da­mente às ne­ces­si­dades de de­sen­vol­vi­mento so­be­rano do País e as­se­gure o di­reito das po­pu­la­ções à mo­bi­li­dade, num quadro de pro­moção de me­lho­rias am­bi­en­tais e de uma efec­tiva co­esão eco­nó­mica, so­cial e ter­ri­to­rial», in­sistiu o di­ri­gente co­mu­nista, antes de rei­terar que «a mo­der­ni­zação de infra-es­tru­turas e do ma­te­rial cir­cu­lante, a par da con­tra­tação dos tra­ba­lha­dores ne­ces­sá­rios, devem ser ar­ti­cu­ladas com a in­cor­po­ração de pro­dução na­ci­onal, di­na­mi­zando a in­dús­tria de cons­trução e ma­nu­tenção». O que não dis­pensa «uma CP una e pú­blica in­te­grando a gestão das infra-es­tru­turas e a ope­ração de trans­porte de mer­ca­do­rias e de pas­sa­geiros».

Alen­tejo em foco

No dia 1 de Abril, João Fer­reira es­teve no Li­toral Alen­te­jano em ini­ci­a­tivas em Lu­zi­anes, Sines e Al­cácer do Sal, onde de­nunciou a si­tu­ação de po­pu­la­ções con­de­nadas por PS, PSD e CDS a «ver passar os com­boios» e po­ten­ci­a­li­dades eco­nó­micas des­per­di­çadas pela ca­rência ou mesmo ine­xis­tência de um ser­viço de trans­porte pe­sado na re­gião e entre esta e Se­túbal.

Já a de­pu­tada do PCP no Par­la­mento Eu­ropeu, Sandra Pe­reira, es­teve no pas­sado dia 29 de Março em Évora e no Alan­droal em en­con­tros e vi­sitas a lo­cais de pas­sagem da linha fer­ro­viária Sines-Elvas (Caia). Acom­pa­nhada, entre ou­tros, por Carlos Pinto Sá, pre­si­dente da Câ­mara Mu­ni­cipal de Évora, e Carlos Re­forço, do Grupo de tra­balho da Di­recção Re­gi­onal do Alen­tejo do PCP para as infra-es­tru­turas e mo­bi­li­dade, Sandra Pe­reira de­fendeu a im­por­tância da re­ac­ti­vação, re­cu­pe­ração e am­pli­ação da rede fer­ro­viária na re­gião, bem como da cri­ação da pla­ta­forma de Évora com li­ga­ções ca­pazes de po­ten­ciar o trans­porte de mer­ca­do­rias e ma­té­rias-primas para Vendas Novas, Alan­droal, Borba, Es­tremoz e Vila Vi­çosa.

Sandra Pe­reira es­teve, também, na manhã desse mesmo dia, tal como o de­pu­tado do Par­tido na As­sem­bleia da Re­pú­blica, João Dias, no dis­trito de Beja, onde a Or­ga­ni­zação Re­gi­onal do PCP chamou à atenção para o in­dis­pen­sável in­ves­ti­mento na fer­rovia na re­gião.

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Dois aponta mentes

- A lembrança da luta nos anos 90, no PE.

rede trans-europeia - ligação fronteira França-Espanha - Galiza - Porto-Lisboa-Algarve 

com ligação a outro traçado Lisboa-Madrid - fronteira Espanha-França

- A (des)importância crescente do Entroncamento, 

no distrito de Santarém


  S.R.

terça-feira, abril 06, 2021

"Um país, dois sistemas"

 domingo, 4 de abril de 2021

Tentou-se usar Hong Kong para atingir Pequim 

e para ocidentalizar o país, diz especialista


Um especialista do Centro de Estudos ‘Um País, Dois Sistemas’ do Instituto Politécnico de Macau (IPM) disse à Lusa que se tentou usar Hong Kong para atingir Pequim e como base para ocidentalizar a China.

Em entrevista, Xu Chang lembrou ainda que na região administrativa especial chinesa foram entoados ‘slogans’ anti-China, anticomunistas e independentistas, o que era “estritamente proibido sob o domínio britânico”.

Ou seja, acusou, “tentou-se usar Hong Kong como uma base ou ponte para a ocidentalização e subversão da China”, algo que ficou patente nos protestos violentos de 2019, argumentou.

O académico, que desenvolve investigação na área do princípio ‘Um País, Dois Sistemas’, afirmou que parte da comunidade internacional não percebe a simplicidade da fórmula chinesa em vigor nas duas regiões administrativas especiais chinesas: “A parte principal do país forma um sistema socialista e Hong Kong e Macau mantêm o sistema capitalista original e permanecem inalterados”.

Ou seja, explicou, “‘Um País, Dois Sistemas’ é um arranjo institucional inabalável e imutável de longo prazo” e “os dois sistemas existem sob a premissa de um país”, tendo sido realizados “alguns ajustes realistas às circunstâncias especiais de Hong Kong”.

Para Xu Chang, não é realista a ampliação das diferenças entre os dois sistemas defendida por parte da comunidade internacional, que não entende a premissa. Isto porque, procurou esclarecer, essas diferenças “estão, na verdade, em contradição com o regresso do exercício da soberania pela China”.

Já em relação a Taiwan, território reivindicado pela China, o docente do IPM lembrou que a fórmula ‘Um País, Dois Sistemas’ tinha sido desenhado para contemplar a ilha.

Após o fim da guerra e o estabelecimento da China comunista, em 1949, o líder da República da China derrotado, Chiang Kai-shek, e as suas tropas exilaram-se na ilha de Taiwan. Nos anos 1990 começaram a realizar eleições democráticas, mantendo-se no poder forças que não aceitam a reunificação com a China, apesar das ameaças de Pequim.

“O povo de Taiwan não faz certamente parte das forças hostis, mas é o próprio Governo de Taiwan que assume um estatuto hostil”, sustentou Xu Chang.

“No processo de resolução dos problemas específicos que precisam de ser resolvidos, serão tomadas boas medidas para proteger os direitos e interesses legítimos dos residentes de Taiwan e, ao mesmo tempo, para se adotarem disposições mais adequadas com base nas lições aprendidas com a implementação da experiência histórica de Hong Kong e Macau”, acrescentou.

A verdade é que as últimas eleições em Taiwan foram um duro golpe para Pequim. A independente Tsai Ing-wen venceu por larga margem a oposição pró-Pequim, num ato eleitoral marcado pela deterioração das relações entre Taipé e Pequim.

A oposição protagonizada pelo KMT chegou a ameaçar o poder, mas perdeu terreno com a repressão dos protestos em Hong Kong e à posição do Presidente chinês, Xi Jinping, que não excluiu o uso da força para garantir a reunificação de Taiwan com a China continental, Macau e Hong Kong.

Hong Kong regressou à China em 1997. Seguiu-se Macau, dois anos depois, até aí administrada por Portugal, também sob um acordo com Pequim no qual se garantia ao território 50 anos de autonomia e liberdades mais amplas do que aquelas permitidas no resto da China, de acordo com o princípio ‘Um País, Dois Sistemas’.

A fórmula ‘Um País, Dois Sistemas’ foi usada em Macau e Hong Kong, após a transferência dos dois territórios para a China, e garante às duas regiões um elevado grau de autonomia a nível executivo, legislativo e judiciário.

Xu Chang é licenciado pela Faculdade de Direito da Universidade de Pequim, com especialização em Direito Internacional, pós-graduado em Direito Administrativo Constitucional e Doutor em Direito.

Tem trabalhado em Hong Kong e Macau desde meados da década de 1980, tendo publicado centenas de artigos e monografias relacionados com o sistema político e de desenvolvimento económico e social destas duas regiões administrativas especiais chinesas.

O especialista esteve ainda envolvido nos trabalhos de constituição da Região Administrativa Especial de Macau e na elaboração da Lei Básica de Macau.

direitos humanos... (norte) americanos

Transcrevo porque me parece bem elucidativo:


 ·        Página Global

“DIREITOS HUMANOS AMERICANOS”

CRIAM DESASTRES E EXPORTAM ÓDIO

·        Pági


Qin Chuan | People Daily | opinião

Em 17 de março, a 46ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas analisou os resultados da revisão dos direitos humanos nos Estados Unidos, a que foi alvo de críticas de diversos países.

As autoridades sírias inquiriram: quais são as qualificações dos Estados Unidos para se autodenominarem um "estado de direito"? Os Estados Unidos fogem às suas obrigações perante o direito internacional e procuram desculpas para a sua agressão militar e ameaças à unidade e integridade territorial de outros países. Os Estados Unidos devem emendar suas leis internas para cessar agressões militares a outros países sob pretexto da proteção da sua própria segurança nacional, ocupação de territórios de outros países, saque de recursos naturais e financiamento de atividades terroristas e separatistas.

Enquanto uma das vítimas da práticas dos direitos humanos nos Estados Unidos, a acusação da Síria está repleta de sangue e lágrimas. Com o passar dos anos, a prática dos direitos humanos nos Estados Unidos foi incorporada nas violações dos direitos humanos contra outros países. Para atingir seus interesses nacionais políticos, econômicos e de segurança, os Estados Unidos consideram, por um lado, os direitos humanos uma ferramenta estratégica que se faz sentir em toda parte como promotor de discórdia. Os conflitos étnicos e raciais daí decorrentes são numerosos e incontáveis.

Este ano é assinalado o 10º aniversário da guerra civil na Líbia. Depois da guerra, a Líbia não apenas falhou em alcançar a democracia política, a prosperidade econômica e a estabilidade social, como também ficou repleta de problemas. De acordo com os últimos dados do Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários, há ainda 278 mil líbios deslocados. O ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, admitiu que a interferência na Líbia foi o maior erro de sua gestão.

Este ano é também o 10º aniversário da crise síria. A guerra de dez anos desferiu um sério golpe no desenvolvimento interno da Síria. De acordo com dados do Observatório Sírio de Direitos Humanos, o número de mortes causadas pela guerra pode ultrapassar as 500.000. Lamentavelmente, a crise síria ainda não terminou. O antigo país produtor de petróleo do Oriente Médio foi reduzido a uma fonte de refugiados da noite para o dia, e sendo que o que lhe resta é o "benefício" trazido pelos direitos humanos americanos.

Desde 2001, os Estados Unidos lançaram ilegalmente guerras e operações militares contra países como Iraque, Líbia, Síria, Afeganistão e pescaram em águas turbulentas. Isso levou a "desastres de direitos humanos" em muitos lugares e trouxe incontáveis problemas e desastres para paz e estabilidade mundiais. Não podemos deixar de perguntar: quem exatamente beneficia com os direitos humanos propalados pelos Estados Unidos? Que tipo de direito protegem?

Ao longo dos anos, o "país farol" mediu esforços para "politizar" a questão dos direitos humanos, a qual não só entra em conflito com o seu propósito original, como também se tornou uma "arma" de exportação de ódio.

As pessoas não se podem esquecer que em 1999, a OTAN, chefiada pelos Estados Unidos, bombardeou a Federação Jugoslava durante 78 dias consecutivos sob a bandeira dos "direitos humanos". O que foi deixado para trás? Uma dor inesquecível e uma dívida de sangue indelével. Em 2001, as forças da coalizão chefiadas pelos Estados Unidos desencadearam a guerra no Afeganistão com base no "antiterrorismo". O que conseguiu o povo afegão com isso? A paz é algo que ainda está no horizonte. Em 2003, os Estados Unidos lançaram a guerra do Iraque sob o argumento de que aquele país ocultava armas de destruição maciça e secretamente apoiava terroristas. O que o povo iraquiano ganhou com isso? Até o momento, os Estados Unidos não forneceram nenhuma evidência para sustentar a sua invasão. O ex-presidente Trump tweetou pessoalmente no ano passado que "não havia armas de destruição maciça" no Iraque naquela época, mas Powell ainda assim permitiu que os Estados Unidos "travassem uma batalha".

Nos últimos anos, manifestações anti-EUA foram desencadeadas em muitas partes do mundo, o que se reflete em ameaças cada vez maiores à segurança americana. No entanto, a suposta proteção dos direitos humanos causou o declínio do modo de vida das pessoas, a crise social plantou as sementes do ódio em todos os cantos do mundo. O ódio criará raízes e será herdado de geração em geração, estabelecendo perigos ocultos para a paz e estabilidade mundiais e o desenvolvimento da civilização humana.

Nesta sessão do Conselho de Direitos Humanos, quase cem países se opuseram à politização das questões de direitos humanos, à dualidade de critérios adotada pelos EUA e à interferência nos assuntos internos de outros países para fins políticos sob esse pretexto.