sexta-feira, novembro 17, 2006

Apontamentes

Quantos funerais? Tantos. Como tantos os casamentos.
Este sussurrar. Estas falas compungidas, em surdina.
O padre, que alguns esperavam, veio encomendar a alma. Com um discurso encomendado. As partes em coro ciciadas, os amens.
As flores e o cheiro. O desgosto de uns rodeado pela solidariedade (in)diferente de muitos.

Estar morto é estar sem ser. Também há vivos que assim estão. Não sendo.
Mas é tão diferente!
Quem está morto vai deixar de estar. Para o cemitério vai e lá ficará. E ficar não é o mesmo que estar.
Quem está vivo não sendo, vai continuar a estar. Até que a morte nos separe. Em definitivo.

quarta-feira, novembro 15, 2006

A canção popular portuguesa em Fernando Lopes-Graça




















Um homem e uma obra notáveis!

É para divulgar? divulga-se!

recebi este mail:
"Os PROFESSORES em Portugal não são assim tão maus...

Na última versão (2006) do Education at a Glance, publicado pela OCDE
(em
http://www.oecd.org/dataoecd/44/35/37376068.pdf) se for à página 58, verá desmentida a convicção generalizada de que os professores portugueses passam pouco tempo na escola e que no estrangeiro.
Não é assim.
É apresentado no estudo o tempo de permanência na escola, onde os professores portugueses estão em 14º lugar (em 28 países), com tempos de permanência superiores aos japoneses, húngaros, coreanos, espanhóis, gregos, italianos, finlandeses, austríacos, franceses, dinamarqueses, luxemburgueses, checos, islandeses e noruegueses!
No mesmo documento, poderá verificar, na página 56, que os professores portugueses estão em 21º lugar (em 31 países) quanto a salários!
Na página 32, poderá também verificar que, quanto a investimento na educação em relação ao PIB, estamos num 19º lugar (em 31 países) e que estamos em 23º lugar (em 31 países) quanto ao investimento por aluno.
E isto, o ME não manda publicar...
Não tem problema. Já estamos habituados a fazer todos os serviços. Nós divulgamos aqui e passamos ao maior número de pessoas possível, para que se divulgue e publique a verdade."
Pela minha parte, já está. Mas não chega!

terça-feira, novembro 14, 2006

Fernando Lopes Graça

Fernando Lopes Graça faria 100 anos em Dezembro.
Em 25 de Novembro, a livraria Som da Tinta vai brindar em lembrança do vizinho que tanto nos valorizou com a sua vida e obra.
O blog som-da-tinta.blogspot.com irá dando pormenores do programa.

Porque é que as pessoas são assim?

Às vezes sinto uma grande, uma muito funda tristeza.
Porque é que as pessoas são assim? (e não me ponho fora das pessoas que assim são...)
Mas... as pessoas não são assim por serem assim. As pessoas são - também, e talvez sobretudo! - o que as circunstâncias fazem com que assim sejam.
O feroz individualismo, a competitividade, a afirmação pessoal, a auto-estima auto-avaliada determinam imperialmente as circunstâncias, prevalecendo ou esmagando o sentido do colectivo, da solidariedade, do "grupo unido jamais será vencido (mesmo quando perde)", a sociedade que somos.
Por isso, não se pode ter tréguas na luta para que as circunstâncias sejam outras, para que as pessoas sejam o que são noutras circunstâncias. A começar por nós. Ou seja, por mim, por ti, por ele, por todos nós, porque só sendo muitos e colimados conseguiremos.

domingo, novembro 12, 2006

acta do convívio para monstroário

Não vamos arranjar desculpas.
E até podiamos. Que o constantino corbain é um desgraçado que nem apareceu nem deu procuração ao Sérgio Faria para este assinar autógrafos por ele e, vai daí, não houve fotografias; que o Sérgio Faria e o André Simões são como são, todos os conhecem, não gostam de ser fotografados; que a assistência, numerosa, muito oureense e com uma presença de criançada que, além de fazer baixar assustadoramente a média etária, impediu os habituais fotógrafos de trabalharem (?!); que o convívio foi tão familiar, caloroso (houve gente que não se reconheceu porque não se via há mais de 40 anos... e cairam... nos braços uma da outra) que a emoção não se deixa fotografar; que um dos nossos habituais fotógrafos (dos bons) emprestou a máquina a outro fotógrafo (o outro bom) e este foi fotografar para outro lado, casamentos, baptizados e essas coisas; que, usando o miserável recurso do telemóvel, ainda se "bateram umas chapas", mas agora não se sabe como colocar o que lá está no telemóvel aqui no blog; etc., etc.
Nada disso. Esquecemos da máquina em casa! Prontos!... não volta a acontecer (só se não calhar...).
Em resultado, temos o grato prazer de anunciar que o convívio foi bom, que o espumante do Favacal foi uma agradável surpresa para alguns, que as broínhas da Lena estavam excelentes e o resto também, e que merecia mais tempo... mas hóquei oblige (OK?), e ainda que, na falta de fotografias, renovamos o grato prazer de trazer para aqui o "monstro" (frente e costas) com que o Filipe Saraiva nos privilegiou.
'Tá tudo dito. Até logo.

sábado, novembro 11, 2006

Dia de S. Martinho

Há uns anos, muitos, num desses papeis em que deixo escritas coisas, escrevi que é pelo S. Martinho que um homem descobre o que é em-velho-ser.
Ao longo dos anos, fui refazendo essa coisa que escrevi, e hoje dá-me vontade de rir como, há muitos muitos anos, eu escrevi que em-velho-era. Quando não era nada... devia era estar em depressão etílica, ou com os copos para ser mais terra-a-terra.
Quantos S. Martinhos passaram!
E, hoje, deito-me a adivinhar porque escrevi aquilo e, se calhar, foi porque - além de, eventualmente, estar com os copos... - senti o que, por esses tempos, noutros papeluchos me confessei: já bebi tanto whisky que já não sou capaz de me embebedar com vinho tinto! (isto está a sair mesmo em honra do santo do dia!...).
Hoje, que, verdade verdade, em-velho-estou, bebo muito mais do tinto que outras beberragens que se me não pegaram, mas não me lembro de quando tenha bebido um copito a mais da conta certa. Mas, hoje, vou abrir uma excepção. Não que esteja predisposto a beber um ou mais copitos a mais, mas porque vou ajudar as castanhas com champagne do Favacal e beber água pé com não-sei-o-quê mas desaparelhado das castanhas.
Isto é um velho projecto de, pelo S. Martinho, não cumprir as regras. Pois se até já organizei uma festança. aqui no Zambujal, em que, em vez ou além das castanhas, a água pé seria acompanhada de lagosta. É verdade que se frustrou tal projecto de maneira que deu risota. Foi o caso de...
Bom, já chega de S. Martinho. Ou talvez não. Talvez logo, se tempo sobrar de tanta coisa - o JO no Pinheiro contra Torres Vedras e um jantar de convivio do "grupo unido jamais será vencido (mesmo qundo perde!)", e outras cousas -, ainda aqui volte.
'Inté.

sexta-feira, novembro 10, 2006

Acabo de inventar uma (só para mim, claro)

Deixem-me!... hoje estou mais demonólogo que dedialogo.
E até é verdade!

Pois (ou pués!)... em Portugal também...

Gran repercusión por condena al bloqueo a Cuba en ONU
(AIN 9 de noviembre de 2006, 9:00am)

Una gran repercusión en medios de prensa extranjeros ha concitado la aplastante condena al genocida bloqueo económico, comercial y financiero del Gobierno de EE.UU contra Cuba en la Asamblea General de las Naciones Unidas (AGNU).
La agencia china de noticias Xinhua destacó que la máxima instancia mundial aprobó este miércoles una resolución, que exhorta a Estados Unidos a suspender las sanciones impuestas a la Isla caribeña.
Puntualiza que la AGNU adoptó la resolución por 183 votos a favor, cuatro en contra y una abstención e hizo un llamado a los EE.UU para que ponga fin a décadas de embargo (bloqueo) económico, comercial y financiero contra el pueblo cubano.
Puntualiza que sólo Israel, las Islas Marshall y Palau se unieron a la votación de la Administración Bush en contra del texto.
La agencia francesa AFP reporta que el canciller Felipe Pérez Roque afirmó que la decimoquinta condena a la medida coercitiva de Estados Unidos es la más importante obtenida por su país, pues se logró en medio de difíciles condiciones y brutales presiones de Washington.
Por su parte la italiana ANSA reseña palabras del Jefe de la Diplomacia cubana, quien refiere la trascendencia de la aprobación del documento, respaldado con una cifra record, que pide a la Casa Blanca el fin de las sanciones anticubanas.
Tras calificar la votación de aplastante, destaca, además, las palabras de Pérez Roque de que el presidente Fidel Castro mejora y se restablece rápidamente.
La estadounidense The Associated Press manifiesta que esta es la decimoquinta ocasión en que la AGNU aprueba un texto similar, por el cual se demanda el fin de las sanciones norteamericanas contra Cuba.
Expresa que las autoridades cubanas se congratularon de una doble victoria en el foro multilateral, luego de hacer también retroceder una enmienda presentada por Australia para incluir reproches en materia de derechos humanos a La Habana.
EFE, de España, indica que el proyecto resolutivo presentado por Cuba consiguió un apoyo casi unánime de los 192 países integrantes de la ONU, en lo que se considera un nuevo triunfo para la Isla.
Cita partes del discurso del Canciller, en el cual pidió el respaldo de los países con el argumento de que la guerra económica desatada por EE.UU contra Cuba es la más prolongada y cruel conocida, es un acto de genocidio y constituye una violación flagrante al derecho internacional y a la Carta de la ONU.
Remarcó que los daños económicos para la economía cubana ascienden a más de 86 mil millones de dólares, y que el impacto negativo no sólo afecta al pequeño país, sino también a terceras naciones por la "extraterritorialidad" de las medidas promulgadas por Washington, según la fuente.
Pérez Roque señaló, reproduce EFE, que las restricciones y represalias de la Casa Blanca contra quienes comercian o invierten en Cuba han aumentado.


Mas os EUA, Israel, as ilhas Marshall e Palau, países componentes do "eixo do bem", não querem e pronto... continue o bloqueio de há quase meio século! É assim esta democraCIA...

Demonologia

Numa conversa de passagem sobre apontamentos para monstroário (atenção: Som da Tinta, dia 11, às 15.30) saltou a palavra demonólogo.
Houve dúvidas risonhas que o "urso-maior", no silêncio das suas madrugadas, quis esclarecer.
Não teve grande êxito. Só em castelhano:
demonólogo, ga
adj. y s. Especialista en demonología.

Obrigadinho, ou muchas gracias... mas ficámos quase na mesma. É assim como dizer que um sociólogo é um especialista em sociologia, um economista é um especialista em economia, um carpinteiro é um especialista em carpintaria, um especialista é um especialista em especialidades. 'Tá bem!
E será que, dicionariamente (em castelhano já que em português não há e temos de nos ir habituando à língua de nuestros hermanos salvo seja), a demonologia é a especialidade dos demonólogos? Ora bolas...

... e eu que julgava que demonólogo era um homem que falava sózinho, mas parece que não(-só), é (também) um homem que conversa com os monstros!

quarta-feira, novembro 08, 2006

Mia(s) uma...

"O que não é nosso num mundo em que tudo nos roubam?" (pág. 144)

O Couto e as coitadas...


"No mundo a que pertencia, ser esposa é um outro modo de ser escrava. As viúvas apenas acrescentam solidão à servidão." (pág. 126)

terça-feira, novembro 07, 2006

7 de Novembro

No "outro tempo", no fascismo, assinalávamos o 7 de Novembro de muitas e imaginosas maneiras.
Por exemplo, em jantar festivo num restaurante, comemorando barulhentamente a efeméride, que também era a do casamento de camaradas que, nessa mesma data, fazia anos, tinham "dado o nó", estando ele preso em Peniche.
Havia, claro, pides em mesas perto, vigilantes, atentos e perplexos, sem saber que pôr nos relatórios sobre os discursos mais que ambíguos (codificados !?) e de grande gozo, falando de coisas muito sérias no meio de dichotes sobre um dia de casamento em que o noivo dormiu na mesma cela com o padrinho e a noiva dormiu, em casa, com a madrinha. Mas tomaram nota, claro, do nome dos convivas. Bem vivos!
Era a repressão e era a resistência.
Hoje, é o olvido, ou a deturpação, ou a mentira sobre a grande e vitoriosa revolução de 1917, assentes no falsear dos factos e na sua caricatura. Caricatura que de nós fazem para nos atacarem, não a nós e ao que somos mas à caricatura que de nós fazem.
Mas de uma coisa podem estar certos: não esquecemos e comemoramos, e comemoraremos, o 7 de Novembro como uma das mais importantes datas da História da Humanidade. A História o confirmará.

mais Mia...

Desta vez em intenção (das boas, das que pavimentam o inferno) de um dos heterónimos de Sérgio Faria:

"Também ele, em tempos, perdera a vontade de recomeçar. E pensara que a sua sombra já andava pelo chão a farejar caminhos para ser terra" (pág. 118 de O outro pé da sereia).

Porquê a "dedicatória"? Porque chão é um dos temas-palavras mais presentes (recorrentes, diria um bem-escrevente) no albergue dos danados e em outras paragens onde o Sérgio pousa a sua prosa.

segunda-feira, novembro 06, 2006

... do cabide dos ossos.

De vez em quando, na leitura de Mia Couto (O outro pé da sereia), tropecei nas palavras e na sua teia. De vez em quando, anotei as passagens na teima de não esquecer. De vez em quando, houve razões pessoais que mais me enredaram na teia e na teima, ficando a mirar a árvore esquecido da floresta que é o romance:

"O bicho estava magro, a pele sobrando do cabide dos ossos."

domingo, novembro 05, 2006

Com vários endereços, sobre desporto, competição, ambição e "vitórias morais"

Em "três tristes notas", que afinal não eram tão tristes como isso..., escrevi (no NO de 27 de Outubro) o que não terá sido lido por alguns que aqui vêm visitar-me e que me parece cada vez mais oportuno, pelo que aqui transcrevo com ligeiras alterações:

"Gostaria que ficasse muito claro que não confundo ambição com primazia absoluta para os resultados, sem se olhar a meios para os alcançar, e, obviamente, não aceito que se duvide da ambição de alguém por não deixar de olhar aos meios com que se alcançam resultados.
Pode-se, e deve-se!, ser ambicioso, sobretudo em trabalho de equipa, sem que tal signifique que se esqueça, ou menosvalorize, a importância do espírito de grupo, o cumprimento de regras de competição leal, também o gosto por aquilo que se está a fazer ou a praticar.
Quando afirmo que não estou refém dos resultados e que não aceito que sejam a única bitola, quero também dizer que entendo que se deve lutar, sempre, pelos melhores resultados, mas prefiro perder com dignidade a ganhar deshonradamente.
E mais: “vitórias morais” são todos os resultados que conseguimos lutando sem atropelos à nossa própria ética. Claro que, sempre!, com a ambição de ganhar…"

O outro pé da sereia

Tinha acabado O outro pé da sereia, do Mia Couto, tinha uma série de coisas a aqui comentar e eis que parti à desfilada No cavalo de pau com Sancho Pança.
E o hóquei? E a Som da Tinta? E tudo o que está atrasado, sempre atrasado?
Esta vida está complicada! É a vida...

sábado, novembro 04, 2006

Pequena estória de uma grande alegria...

Em 1963 (há 43 anos!...), estando preso no Aljube, li por empréstimo de um companheiro, o D. Quixote na tradução de Aquilino Ribeiro e, assim a modos de bónus, li também um livro anexo, igualmente de Aquilino, com o sugestivo título No cavalo de pau com Sancho Pança.
Do Aljube fui para Caxias, por lá fiquei uns tempos e de lá saí, depois de julgamento e outras fascistas encenações. Trazia a intenção de comprar o alguns dos livros que tanto me tinham ajudado a passar aqueles difíceis dias e meses, e que lera por empréstimo, entre eles e antes de todos, o No cavalo de pau...


Passaram anos (mais de 42!) e, apesar de por vezes desesperada procura, em nenhum lado achei o livro. Esgotado e não reeditável (porquê?!).

Até que, neste último fim de semana, passeando pelo Porto o regresso do hóquei em Viana do Castelo, entrámos num alfarrabista na Rua da Flores e lá perguntei pelo cavalo de pau com Sancho Pança. Nada e, na conversa, a ideia de que nem pensar.

Saímos desse alfarrabista, eu triste mas resignado (é como quem diz...), e calhou estar logo ali ao lado um outro alfarrabista onde estrámos e eu repeti a pergunta desesperançada. Então não é que sim, senhor... temos aí um exemplar?!. E que exemplar!: 1ª edição (julgo que única), de 1960, numerado (nº 93) e com a assinatura de Mestre Aquilino.
Escusado será dizer que ficámos à conversa com todo o pessoal do alfarrabista (simpatiquíssimo e com um amor à profissão impressionante), atrasámos o resto do programa, e só dali fui arrancado à força...

Que grande alegria! Agora, estou a inventar tempo para ler o "pequeno" ensaio, de 336 páginas, e estou a abrir as páginas com uma faca bem afiada, naquele gozo antes-da-leitura que as nossas edições actuais deixaram de nos proporcionar.

Quem é constantino corbain?

Segundo quem por ele pode falar, "constantino corbain é uma personagem composta e sofrida por sérgio faria. enquanto tal, não existe em suporte de corpo, mas apenas como alguém entre a condição de monstro e a utilidade de pára-monstros. por outras palavras, constantino corbain é um compositor de canções tristes, falhado, que decidiu glosar canções de outros, tentando um exercício de expiação da respectiva desgraça e a redenção de si não conseguiu, não conseguirá, mas insiste nos textículos reunidos sob o título apontamentos para monstroário, meras legendas que parasitam uma música ou uma canção alheia, sao o produto da sua insistência e, portanto, a prova da sua miséria".



















Dia 11 de Novembro (dia de S. Martinho), no espaço Som da Tinta, convívio com os "monstros" (cada um pode trazer os seus...). Haverá castanhas, água-pé, champagne... e o mais que houver.

Este "anónimo"...

Talvez para reagir aos ataques aos anónimos - alguns justos. outros absolutamente despropositados... - este "anónimo" parece estar em greve de zelo. Não obedece às minhas ordens e tem-me feito perder um tempo precioso (todo o é!) sem que se veja obra.
Vamos lá ver se por esta via isto vai...

S.R.