quarta-feira, março 31, 2010

Mote e glosa - as exportações, pois...

Assistir ao debate na Assembleia da República é interessante e... por vezes, insuportável.
Neste, que está a decorrer (a que cheguei com algum atraso por razões de ocupação de reformado...) rapidamente me senti numa sessão armadilhada na modalidade de mote e glosa.
Na sua "política de imagem", de que usa e abusa até à náusea, serve-se o governo da modalidade, tendo escolhido o mote das exportações, glosando-o e exigindo das bancadas (que não a do partido que o apoia e que participou, activa e disciplinadamente, na "encenação") posições, sugestões, propostas relativas ao incentivo das exportações, na intenção de provar que a oposição só quer atacar o governo e nunca quer contribuir para resolver problemas.
A partir do mote e das suas glosas, ignorar ou desvalorizar tudo o que pudesse pôr em causa, ou sequer questionasse, o que tivesse a ver com défice, dívida, produção, PEC, questões actuais, prementes...
E, até, ignorar ou desvalorizar ao limite de considerar como dispiciendas ou não feitas, intervenções ou perguntas sobre questões relacionadas com o mote, sobre exportações e apoio às pequenas e médias empresas que, por exemplo, esperam (ou desesperam?) por apoios prometidos de reeembolso de acções promotoras de actividade exportadora.
Quanto à posição clara de não ser posta em causa a necessidade de equilíbrio financeiro, o 1º ministro ignora-a. Mas... porquê 3% do défice para tudo e todos e obsessivo?, porquê a justificação das privatizações para uma dívida pública que não será diminuída com essas privatizações?, porquê tanta outra questão?
A tudo isto e a tanta outra coisa, o governo diz nada, um nada envolvido em muitas palavras, e algumas intencionalmente agressivas.

1 comentário:

Graciete Rietsch disse...

Ao desviar os temas a tratar o "querido governo" pretende que outros assuntos não sejam postos em causa. É um disfarce descarado.

Um beijo.